Parceria entre Embrapa e Nestlé vai desenvolver protocolo para leite de baixo carbono – 02/03/2021

A adoção de sistemas integrados contribuem para compensar as emissões de gases de efeito estufa geradas pela atividade leiteira.

A Embrapa e a Nestlé vão desenvolver um protocolo para pecuária de leite de baixo carbono. Além da redução das emissões, a parceria prevê o aumento da remoção dos gases de efeito estufa nas propriedades produtoras de leite. Indicadores de sustentabilidade desenvolvidos pela Embrapa e a implementação de boas práticas de produção nas fazendas leiteiras vão integrar o protocolo e auxiliar no objetivo da Nestlé de neutralizar todas as emissões de suas operações, incluindo suas cadeias de fornecimento, até 2050, com metas intermediárias de redução de 20% até 2025 e de 50% para 2030.

A Embrapa desenvolve pesquisas e tecnologias para tornar a agropecuária eficiente e produzir mais alimento de uma forma sustentável. Soluções tecnológicas, como sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), recuperação de pastagens degradadas e uso de aditivos na nutrição, têm apresentado bons resultados na redução de emissões, no sequestro de carbono e contribuído para o desenvolvimento de uma agropecuária em harmonia com o meio ambiente e em sintonia com as tendências do mercado nacional e internacional.

Para Alexandre Berndt, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP), a produção de leite de baixo carbono é um objetivo ousado e a Nestlé, em parceria com a Embrapa, está no início dessa trajetória. “Para se chegar ao leite de baixo carbono é preciso adotar diferentes tecnologias, boas práticas de manejo na fazenda, nutrição, estrutura de rebanho e uso de sistemas integrados e florestas plantadas. O protocolo envolverá ações coordenadas para que os produtores incorporem na fazenda ferramentas e práticas sustentáveis de produção”, destaca Berndt, que também é gestor da parceria na Embrapa.

Serão elaborados protocolos por bioma e por sistema de produção, que servirão de base para o desenvolvimento de uma calculadora de balanço dos gases de efeito estufa (GEE) e um sistema digital de monitoramento por meio de aplicativo. Os indicadores utilizados no protocolo serão validados em escala experimental na Embrapa Pecuária Sudeste e em escala comercial em propriedades fornecedoras de leite nas diferentes regiões.

Os dados e inovações gerados pela parceria serão abertos, de acordo com o chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sudeste, André Novo. “Isso significa que qualquer produtor de leite ou empresa poderá ter acesso às informações geradas pela parceria. O conhecimento será público”, explica Novo.

A Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP) será responsável pela adaptação de modelos matemáticos e métricas que, por meio de um componente de software, serão integrados a calculadora que vai contabilizar o balanço de carbono nas propriedades de acordo com as características de cada região ou bioma e adaptada aos diferentes sistemas de produção. “Com isso, oferecemos ao produtor um instrumento para medir o resultado das estratégias de manejo que ele está utilizando e evitar que tome decisões no escuro, sem a segurança quanto aos benefícios que podem ser gerados”, explica o pesquisador Luís Gustavo Barioni.

A adoção de tecnologias e boas práticas é capaz de compensar as emissões de gases de efeito estufa geradas pela atividade leiteira e ainda pode tornar o sistema de produção mais resiliente, trazendo vantagens econômicas para o produtor. Ainda estão previstas ações como um guia de boas práticas e capacitações técnicas para implementação do protocolo para pecuária de leite de baixo carbono.

“Nosso objetivo, como uma das principais empresas captadoras de leite do Brasil, é justamente, por meio de uma parceria com uma instituição de credibilidade e renome internacional, criar um protocolo com diretrizes claras para a produção de leite de baixo carbono, de forma que os produtores tenham visibilidade de onde estão concentradas as emissões e para que possamos trabalhar juntos na direção de mitigá-las o máximo possível. Nós, como Nestlé, queremos conscientizar e trabalhar junto com a sociedade e as instituições especializadas para tornar nossa cadeia de fornecimento de leite o mais sustentável possível, com um legado positivo para todos”, afirma Barbara Sollero, gerente de Desenvolvimento de Fornecedores e Qualidade da Nestlé Brasil.

A parceria foi assinada no final de fevereiro. As etapas para o desenvolvimento do protocolo para pecuária de leite de baixo carbono começam a ser executadas já nos próximos meses.

 
Foto: Gisele Rosso 

Gisele Rosso (Mtb 3091/PR)
Embrapa Pecuária Sudeste

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Graziella Galinari (MTb 3863/PR)
Embrapa Informática Agropecuária

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Artigo: Novas atitudes no manejo de sistemas de produção agropecuários – 25/02/2021

O cultivo de milho consorciado com braquiária é um exemplo de intensificação dos sistemas de produção.

Através das pesquisas já realizadas pela Embrapa, por instituições de ensino e outras instituições de pesquisa, não resta mais dúvida que a diversificação é melhor que a especialização dos sistemas de produção agropecuários. Isso é verdade, tanto sob o ponto de vista econômico, quanto ambiental. Durante muito anos, era frequente numa mesma propriedade o cultivo de uma única espécie, na maioria das vezes sem rotação de culturas. Esse modelo, com o tempo, mostrou-se não ser o mais adequado, principalmente por proporcionar rentabilidade abaixo daquela considerada como mínima, em função das baixas produtividades e do constante aumento do custo de produção.

Atualmente, graças aos avanços tecnológicos, está ficando bem frequente, especialmente na região central do Brasil, numa mesma unidade de produção, o cultivo de diferentes espécies vegetais em um mesmo período agrícola, seja na primavera – verão ou no outono-inverno. Assim, é possível encontrar propriedades onde se tem o cultivo de soja, de milho, de algodão e de pastagem no período primavera-verão.  É perceptível a tendência de diversificação e intensificação dos modelos de produção. Por meio da diversificação do sistema de produção e da integração de atividades, tem-se a maximização do uso do solo e dos diferentes fatores de produção, viabilizando também a diversificação das fontes de renda. Quando se lida com sistemas de produção e não com a ótica tradicionalista de olhar para o cultivo, mudam-se as práticas de manejo de adubação, de plantas daninhas, de pragas e de doenças. Em sistemas diversificados não se têm pragas da soja, por exemplo, e sim pragas do sistema. Quando numa mesma unidade de produção tem-se o cultivo de mais de uma espécie vegetal, é necessário que se tenha uma visão do sistema que seja sensível a interrelação que existe entre cada espécie, mesmo quando cultivadas de forma isolada.

A pesquisa agropecuária evidenciou que, fazendo-se o cultivo de diferentes espécies em consórcio, verifica-se no solo alterações de ordem biológica, diferentes e melhores do que aquelas verificadas quando cada espécie é cultivada de forma isolada. O cultivo de milho consorciado com braquiária é um exemplo de intensificação dos sistemas de produção (https://bit.ly/3qAik40). Além disso, os resultados de pesquisa também mostram que a alternância de espécies, em numa determinada área, proporciona redução na diversidade, na quantidade e na incidência e severidade de doenças. A diversificação de espécies vegetais numa determinada área contribui para aumentar o volume de solo explorado pelas raízes, bem como são observadas melhorias nos atributos físicos e químicos do solo.

Em sistemas intensivos, a adubação não deve ser analisada para uma espécie vegetal, mas sim para o sistema de produção.  O novo modelo de agricultura exige, de todos os envolvidos com a produção agropecuária, a mudança de conceitos, pois não há mais espaço para visões que hoje são tidas como reducionistas devido à sua simplicidade diante de algo tão complexo. Hoje se faz necessária uma abordagem muito mais holística, o que requer o desenvolvimento de novas habilidades.

Por exemplo, sabemos que o cultivo de uma determinada espécie vegetal pode favorecer o estabelecimento de um determinado agente biológico capaz de causar dano econômico a outra espécie. Esse é o caso da Crotalaria spectabilis, que ao ser cultivada em regiões favoráveis à ocorrência de mofo branco, especialmente em semeaduras tardias, pode predispor a cultura sucessora a danos causados pela referida doença.

Por outro lado, o cultivo da mesma Crotalaria spectabilis é estratégico para o manejo de nematoides. Sendo assim, percebendo-se a complexidade que envolve os sistemas de produção, a tomada de decisão é fator chave para o sucesso do empreendimento e, logo, cada vez mais, faz-se necessário que o tomador da decisão entenda a complexidade envolvida e possa decidir o melhor para a sua realidade.

As espécies antecessoras podem interferir na resposta da cultura sucessora à adubação química. A presença de determinadas espécies de plantas daninhas proporciona condições para alimentação de insetos polífagos como a Spodoptera frugiperda. Sistemas de produção intensivos exigem estratégias diferentes para o manejo de pragas, doenças e plantas daninhas, daquelas utilizadas em sistemas com pouca diversidade.

Fica, portanto, evidente a necessidade de mudanças e, por conseguinte, de quebras de paradigmas por parte dos engenheiros agrônomos e produtores rurais para trabalhar como sistemas de produção agropecuários. Por mais diversificado que seja o sistema de produção, com o tempo este naturalmente tenderá a um equilíbrio, tornando-se assim mais resiliente aos efeitos de fatores externos, sejam eles bióticos ou abióticos, mas que possam interferir negativamente na produtividade das espécies cultivadas.

Sistemas de produção em que tem-se espécies de ciclo mais longo, como são as forrageiras, podem ser considerados de média complexidade. No entanto, em sistemas que há espécies arbóreas entre os componentes, a complexidade aumenta significativamente e, por conseguinte, exigem muito mais atenção quando do seu planejamento. Sendo adequadamente planejado esses sistemas são extremamente interessantes, principalmente por proporcionarem diversificação de renda e, do ponto de vista ambiental, apresentam elevada capacidade de mitigar gases de efeito estufa contribuindo em favor do combate às mudanças climáticas.

Sob o ponto de vista nutricional, torna-se necessário conhecer a quantidade de nutrientes que são exportados pelos grãos, pela fibra, pelo colmo quando se tratar de cana-de-açúcar ou pela a planta inteira quando se tratar por exemplo de milho para a silagem. A partir do conhecimento daquilo que é exportado, mais aquilo que existe no solo, é possível se estabelecer um balanço e a partir daí, com base na estimativa de produção, fazer a adubação.

Os sistemas de produção devem ser manejados, considerando a diversidade deles. Sistemas mais diversificados são sustentáveis, no entanto, devem ser tratados de forma integrada.  

 
Foto: Tadário Kamel de Oliveira

Fernando Mendes Lamas (Pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste)
Embrapa Agropecuária Oeste

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Parceria da Embrapa com governo do Pará tem primeira capacitação on-line – 23/02/2021

Uso intensivo do solo pode causar danos irreversíveis à paisagem da região

A Embrapa inicia a etapa de capacitações no programa Territórios Sustentáveis nesta quinta-feira (25) com um treinamento sobre restauração florestal em propriedades rurais dirigido a técnicos em extensão rural. O programa é uma iniciativa coordenada pelo governo do Pará e tem por objetivo levar à região dos municípios de São Félix do Xingu, Tucumã, Ourilândia no Norte e Água Azul do Norte uma série de ações para promover o desenvolvimento sustentável. 

O papel da Embrapa é oferecer tecnologias sustentáveis para o território, por meio da capacitação de técnicos extensionistas, da instalação de vitrines tecnológicas e de dias de campo. Por conta das restrições impostas pela pandemia, os primeiros módulos serão no formato on-line. Além de restauração florestal, os treinamentos vão envolver as temáticas manejo e conservação dos solos, recuperação de pastagens, pecuária sustentável, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e sistemas agroflorestais.

De acordo com o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Amazônia Oriental, Bruno Giovany, todas as temáticas terão etapas presenciais. “Pretendemos aproveitar o começo do próximo ano agrícola da região, de novembro a dezembro, para as aulas práticas de cada conteúdo”, prevê. 

Em outra ponta de atuação, a Embrapa Meio Ambiente vai fornecer a ferramenta para os técnicos acompanharem e monitorarem as propriedades que aderiram ao programa Territórios Sustentáveis, por meio do aplicativo AgroTag.

O público das capacitações são técnicos em extensão rural vinculados às instituições parceiras da iniciativa. Segundo a gestora operacional do Programa Territórios Sustentáveis, Francy Nava, o objetivo é transferir para os técnicos o conhecimento em tecnologias e práticas sustentáveis de produção. “O técnico, munido desse conhecimento, orientará o produtor a intensificar a produção e reduzir os impactos ambientais, o que são objetivos do Programa”, explica. 

Restauração florestal e produção sustentável

O primeiro módulo da capacitação apresenta a restauração florestal em propriedades rurais do Pará. De acordo com a pesquisadora Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental, o objetivo da capacitação é trazer informações e ampliar o conhecimento dos técnicos sobre práticas e métodos de restauração, que atendam a diferentes finalidades, como a recuperação da paisagem florestal da região, a diminuição do passivo ambiental e a melhoria da condição produtiva das propriedades e assentamentos. “Queremos apresentar estratégias para tornar a restauração mais inclusiva e motivadora para os agricultores familiares”, completa a especialista.

O curso tem carga horária de 20 horas, divididas em cinco dias: 25 e 26 de fevereiro; e 24,25 e 26 de março, na modalidade on-line. Os instrutores são especialistas da Embrapa, da Universidade de São Paulo (USP), do Cirad (Centro francês de cooperação internacional em pesquisa agronômica para o desenvolvimento), além de profissionais da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas-PA) e da empresa de prestação de serviços RestaurAgro. 

Iniciativas na Amazônia

As regiões Sul e Sudeste do Pará trazem elementos da antiga e da nova fronteira de ocupação da Amazônia e com eles grandes problemas socioambientais, como o desmatamento ilegal, a degradação florestal e as queimadas para uso intensivo do solo. “Danos que são irreparáveis ao meio ambiente, ao cumprimento de acordos internacionais e à sociedade em geral”, afirma Joice Ferreira. 

A restauração de paisagens florestais é, portanto, um meio de reestabelecer as funções ecológicas da floresta e a produtividade da terra. Dados da Aliança pela Restauração – um consócio internacional de instituições públicas e privadas – revelam que existem atualmente 2.773 iniciativas de restauração de paisagens florestais na Amazônia brasileira, somando 113,5 mil hectares, número que precisa ser ampliado, segundo os especialistas. 

A capacitação vai abordar o histórico dos desmatamentos na região, a legislação ambiental relacionada à regularização de imóveis rurais no Pará, métodos de restauração florestal (plantio e manejo da regeneração natural), enriquecimento de florestas degradadas, restauração produtiva de áreas de preservação permanente e áreas de reserva legal com os Sistemas Agroflorestais, entre outros temas, além de abordar os aspectos sociais e econômicos da restauração.

 

Foto: Vinicius Braga

Ana Laura Lima (MTb 1.268/PA)
Embrapa Amazônia Oriental

Vinicius Soares Braga (MTb 12.416/RS)
Embrapa Amazônia Oriental

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Como amenizar a escassez de pasto no vazio outonal – 23/02/2021

Gado em pastagem de trigo BRS Tarumã em resteva de soja em propriedade rural do RS

Na produção agropecuária da Região Sul o período de março a junho é conhecido como vazio forrageiro outonal, quando as pastagens de verão estão com baixo crescimento, fibrosas e com baixa qualidade, e as pastagens de inverno ainda não estão prontas para serem pastejadas. Uma alternativa para proteger o sol, logo após as colheitas de verão e aumentar a oferta de alimentos para bovinos, é realizar a semeadura tardia com espécies de verão ou a antecipação de espécies de inverno, visando forragem de alto valor nutritivo em sistema de integração lavoura-pecuária.

Neste momento, final do mês de fevereiro, muitos produtores da Região Sul estão trabalhando na colheita de verão, principalmente milho e soja, e já fizeram a silagem de milho. Após a colheita, o solo acaba ficando descoberto até as primeiras semeaduras de inverno, a partir de maio. Outro problema ainda maior é a escassez de pasto, já que as pastagens de verão estão com pouco crescimento, envelhecidas e com baixo valor nutricional. Uma alternativa para proteger o solo, na transição das culturas de verão e inverno, e aumentar a oferta de alimentos de boa qualidade para bovinos, é a semeadura de forrageiras anuais de verão, como milheto, capim-sudão, híbridos de sorgo e milho comum em alta densidade.

De acordo com Renato Fontaneli, pesquisador da Embrapa Trigo, a proposta é de semeadura tardia dessas forrageiras anuais de verão em  dezembro/janeiro/fevereiro, após uma safra de grãos (feijão, milho ou soja) ou silagem. “Embora seja inegável o menor potencial produtivo dessas forrageiras do que quando semeadas em setembro/outubro, elas oferecerão forragem de elevado valor nutritivo durante o vazio forrageiro outonal, ideal para suprir as demandas de animais mais exigentes, como vacas leiteiras, novilhas de reposição, vacas de primeira cria e mesmo engorda de novilhos ”, argumenta o pesquisador.

Conforme resultado da pesquisa, a semeadura escalonada de forrageiras anuais de verão, com intervalos de 4 a 5 semanas, pode propiciar 5 meses de pastejo. A proposta é usar áreas que já renderam uma colheita de grãos ou silagem, e estabelecer uma safrinha de forragem para ser utilizada de março a maio/junho, até a ocorrência de geadas, em pastejo, colhida verde para fornecimento no cocho ou mesmo ensilada.

Na orientação prática, nas áreas liberadas cedo (janeiro/fevereiro) pela colheita de grãos, sugere-se semear milheto, sorgos, capim-sudão ou milho grão em alta densidade (de 150 mil a 300 mil plantas por hectare, algo em torno de 50 kg de grãos de milho por hectare).

Na antecipação da semeadura de espécies anuais de inverno, nos meses de março/abril, podem ser utilizadas aveias, centeio, triticale, cevada e trigo. Quando semeadas logo após a colheita de verão, essas espécies podem produzir forragem durante todo o outono e inverno. “É preciso investir em cultivares destinadas ao forrageamento animal, seja através de pasto, silagem ou colheita de grãos”, conclui Fontaneli.

Saiba mais assistindo o vídeo:

O estudo está registrado no artigo  “Utilização estratégica de gramíneas anuais de verão para vazio forrageiro outonal e cobertura de solo”, publicado na revista Plantio Direto, edição 179, jan/fev 2021.

 
Foto: Luiz Magnante

Joseani M. Antunes (MTb 9693/RS)
Embrapa Trigo

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Histórico das pesquisas da Embrapa com ILPF inaugura primeiro podcast sobre o tema – 22/02/2021

Foi lançado nas principais plataformas agregadoras de podcasts e de áudios por streaming o primeiro episódio do ILPF na Rede. Com temática específica sobre sistemas integrados de produção agropecuária, o podcast traz em sua estreia o histórico das pesquisas que deram origem ao que hoje são conhecidos como sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

O convidado deste primeiro episódio é o pesquisador aposentado da Embrapa, João Kluthcouski, mais conhecido como João K. No podcast ele bate um papo com os apresentadores Gabriel Faria, da Embrapa Agrossilvipastoril, e Renato Rodrigues, da Embrapa Solos.

João iniciou os trabalhos com sistemas integrados ainda na década de 1980, quando buscava alternativas para melhorar a produtividade de arroz de sequeiro e de pastagens do Cerrado. Desse trabalho, saiu, por exemplo, o Sistema Barreirão, lançado pela Embrapa em 1991.

No podcast João contextualiza o momento em que iniciaram as pesquisas, a desconfiança que os sistemas geravam em produtores, técnicos e pesquisadores e relata como isso foi mudando com o tempo e com o incremento de novas tecnologias no sistema.

Para o convidado do ILPF na Rede, a ILPF é um dos principais trunfos do Brasil para que se possa produzir alimento em quantidade e qualidade suficiente para atender a demanda global, garantindo a sustentabilidade ambiental.

“O Brasil é o único país do mundo que mantém o solo vegetado 12 meses por ano. Você está assimilando carbono, mantendo matéria orgânica no solo. O Brasil é o único país no mundo que faz quatro safras por ano, tendo seis meses de chuvas”, afirma.

Para João K, a preservação da Amazônia e de outros biomas como o Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica passa necessariamente pela recuperação de áreas já desmatadas que estão com baixa produtividade. Os sistemas ILPF são a melhor forma de se elevar a produtividade desses locais.

“Todas as 200 milhões de cabeças de bovinos que temos no Brasil, em cerca de 200 milhões de hectares poderão ocupar, com a integração e com pastagens de boa qualidade, apenas 50 milhões de hectares”, prevê o pesquisador.

Ao falar sobre seu trabalho, João K destaca o importante papel do setor produtivo, uma vez que as pesquisas eram feitas em propriedades rurais e custeadas pelos produtores. Outro aspecto que ele ressalta é que a Embrapa não foi a única instituição responsável pelas pesquisas com ILPF. Porém, foi quem melhor conseguiu divulgar os sistemas.

“Não vou dizer que a integração começou com a gente. Nosso caso é um caso. Já havia algumas iniciativas naquela época, mas o pessoal não sabe difundir. E nós abrimos a boca e começamos a difundir. Quem fez realmente a divulgação do consórcio de arroz com pastagem, que depois virou o Sistema Barreirão, foi o Globo Rural. Lembro que recebemos 7 mil cartas depois que o programa sobre o tema foi ao ar”, relata o pesquisador que esteve em várias reportagens do programa da Rede Globo ao longo de sua carreira.

ILPF na Rede

podcast ILPF na Rede é mais um canal de divulgação de informações sobre sistemas ILPF. Com foco em produtores, técnicos e estudantes, o podcast será produzido por meio de temporadas. A primeira delas terá dez episódios, lançados semanalmente, sempre às segundas-feiras.

“Atualmente se valoriza muito a comunicação rápida em vídeos curtos e textos bem sucintos. O podcast já faz o caminho inverso, possibilitando abordagens mais amplas sobre determinado assunto. Trata-se de uma forma de comunicação direta com as pessoas realmente interessadas no assunto”, explica um dos responsáveis pelo podcast, o jornalista Gabriel Faria, da Embrapa Agrossilvipastoril.

A cada episódio do ILPF na Rede, os apresentadores recebem um convidado para uma entrevista sobre um tema específico dentro da ILPF. Além disso, há sempre o relato de um produtor contando sobre a estratégia de sistema integrado que utiliza em sua propriedade, nas diferentes regiões e biomas brasileiros.

Para Renato Rodrigues, pesquisador da Embrapa Solos e também apresentador do podcast, esse novo canal reforça as possibilidades de divulgação dos sistemas integrados de produção agropecuária em uma mídia que vem crescendo no Brasil. Ele destaca ainda a possibilidade de participação do ouvinte enviando suas dúvidas, que são respondidas a cada episódio por especialistas no assunto, ou relatando sua experiência com os sistemas ILPF.

podcast ILPF na Rede é produzido por Gabriel Faria e Renato Rodrigues e a edição é feita pela Altia Podcast. A iniciativa é da Rede ILPF, uma parceria público-privada formada pela Embrapa, Bradesco, Cocamar, Ceptis, John Deere, Soesp e Syngenta, que tem como objetivo ampliar a adoção de sistemas ILPF pelos produtores brasileiros. 

 

Como ouvir

Para ouvir o ILPF na Rede basta fazer a busca com o nome do podcast em agregadores de podcast, como SpotfyGoogle PodcastApple PodcastDeezer, Amazon Music e Audible. Para saber quando novos episódios estiverem disponíveis, o ouvinte deve clicar para seguir o podcast.

Confira os temas dos dez episódios da primeira temporada do ILPF na Rede:

 

Data*

Episódio

Título

Convidado

22/fev

1

Início das pesquisas com ILPF no Brasil

João K

01/mar

2

ILPF na produção de alimentos no futuro

Paulo Herrmann

08/mar

3

Recuperação de pastagens

Patrícia Menezes

15/mar

4

Ganhos de produtividade na pecuária de corte em ILPF

Bruno Pedreira

22/mar

5

ILPF na produção de leite

Roberta Carnevalli

29/mar

6

Benefícios da pastagem para a cultura agrícola

Júlio César Salton

05/abr

7

Consórcios forrageiros para segunda safra

Flávio Wruck

12/abr

8

Soja em sistemas integrados

Alvadi Balbinoti

19/abr

9

Milho como estratégia na ILPF

Emerson Borghi

26/abr

10

A árvore na ILPF

Maurel Behling

*Em algumas plataformas pode haver atraso na disponibilização dos episódios.

 
 

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG)
Embrapa Agrossilvipastoril

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Concurso premiará reportagens sobre sistemas ILPF – 09/02/2021

A Associação Rede ILPF reabriu o edital da primeira edição do Prêmio Rede ILPF de Jornalismo. O concurso premiará produções jornalísticas que abordem os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta nas categorias de reportagem escrita, áudio, vídeo, veículos estrangeiros e profissionais das instituições associadas da Rede ILPF.

As inscrições serão abertas no dia 1º de março e poderão ser feitas até o dia 15 de maio de 2021. Poderão ser inscritas reportagens veiculadas no período entre 1º de agosto de 2019 e 15 de maio de 2021. O resultado será divulgado em evento on-line nos dias 9 e 10 de junho.

As reportagens inscritas deverão estar dentro da temática do Prêmio, que é: “com a ILPF, produzir e preservar é possível”. Cada jornalista poderá inscrever até dois trabalhos.

Todas as informações sobre o Prêmio Rede ILPF de Jornalismo podem ser conferidas no edital, disponível em www.ilpf.com.br, no menu Publicações.

O primeiro edital do concurso havia sido aberto em dezembro de 2019, porém, com a pandemia de coronavírus, a comissão organizadora optou por suspender o prêmio. Porém, para não trazer prejuízos aos trabalhos inscritos anteriormente, o período de veiculação aceito neste edital abrangeu o período previsto no edital anterior.

 

Rede ILPF

A Associação Rede ILPF é uma parceria público-privada formada pela Embrapa, Bradesco, Ceptis, Cocamar, John Deere, Soesp e Syngenta. Tem como objetivo contribuir para aumento da adoção de sistemas integrados de produção agropecuária no Brasil. 

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG)
Embrapa Agrossilvipastoril

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Folder mostra como recuperar ou renovar pastagens degradadas no Cerrado – 09/02/2021

A Embrapa oferece de forma on-line informações práticas sobre como enfrentar o problema da degradação de pastagens no Bioma Cerrado. Já está disponível para download gratuito o folder  “Estratégias para recuperação e renovação de pastagens degradadas no Cerrado”. A publicação apresenta as principais estratégias de recuperação e de renovação de pastagens degradadas conforme o potencial produtivo da área e do estágio de degradação atual das pastagens. O arquivo foi editorado para ser impresso e dobrado em papel com tamanho de 46 cm x 64 cm para melhor manuseio.

A produção do conteúdo teve a participação de pesquisadores da Embrapa Cerrados (DF) e da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande, MS). Além de fornecer informações importantes para técnicos e produtores rurais sobre o tema, o folder é uma demanda do projeto Paisagens Rurais, que está apoiando 4 mil propriedades rurais do Bioma Cerrado em ações de gestão ambiental produtiva.

“Reunimos conhecimentos acumulados ao longo dos anos por renomados pesquisadores em um guia prático de campo e também material de consulta para auxiliar a tomada de decisão na recuperação ou renovação de pastagens degradadas”, explica Luiz Adriano Cordeiro, pesquisador da Embrapa Cerrados e coordenador do trabalho. 

O folder caracteriza a situação atual e, ao mesmo tempo, recomenda estratégias de restabelecimento produtivo das pastagens no Cerrado. Foram utilizadas cores relacionadas à situação de momento e à complexidade das estratégias de restabelecimento da capacidade produtiva das pastagens. Assim, a cor verde indica situação atual mais favorável, a cor amarela requer alguma atenção e a cor vermelha indica gravidade do cenário, maior complexidade e altos custos para a intervenção.

São apresentadas diversas alternativas de recuperação e de renovação de pastagens com perda de vigor, em degradação ou já degradadas, tanto de forma direta como indireta (por meio de Integração Lavoura-Pecuária). O folder também orienta sobre práticas associadas, o manejo do pastejo e a escolha da espécie ou cultivar forrageira, apresentando aspectos comparativos entre forrageiras dos gêneros Brachiaria e Panicum. 

Além do detalhamento das estratégias, das principais recomendações técnicas e das operações para a recuperação e a renovação de pastagens degradadas conforme o nível de degradação, são apontados os resultados potenciais esperados, como as expectativas de produção animal (corte e leite), bem como custos operacionais, além de outras informações relevantes.

Os interessados em adquirir a versão impressa do folder devem entrar em contato com o SAC da Embrapa Cerrados: (61) 3388-9933.

 

Breno Lobato (MTb 9417-MG)
Embrapa Cerrados

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II Congresso Mundial de ILPF será nos dias 4 e 5 de maio – 01/02/2021

O II Congresso Mundial sobre Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que seria realizado no mês de junho do ano passado em Campo Grande, MS, não aconteceu devido a pandemia de coronavirus, já tem uma nova data: a Comissão Organizadora decidiu realizar o evento de forma 100% digital durante os dias 4 (terça-feira) e 5 (quarta-feira) de maio. A secretária executiva da Comissão Organizadora, pesquisadora da Embrapa Gado de Corte, Lucimara Chiari, garante que o evento será dinâmico, com palestras mais curtas e sem perda de conteúdo.

No Congresso serão tratados temas como desafios e oportunidades para ILPF no mundo, soluções e demandas das empresas do agronegócio, cenários e tendências da ILPF, soluções e demandas de produtores, políticas públicas, inovação entre outros. Para apresentar e discutir os temas o Congresso contará com especialistas de vários países como dos EUA, Europa, Austrália e América Latina. 

O objetivo do Congresso é propiciar um fórum de discussão, com aprofundamento teórico e aplicações práticas sobre aspectos tecnológicos e de sustentabilidade econômica e ambiental de sistemas agrícolas consorciados que combinem a produção integrada da lavoura, da pecuária e da floresta na mesma área e com uso eficiente de insumos, que são fundamentais para a segurança alimentar no futuro.

“A nossa expectativa é reunir, em dois dias, cerca de mil pessoas e proporcionar muita troca de conhecimento e experiência, informações atualizadas da pesquisa com a ILPF, apresentar o que tem sido feito, resultados obtidos, experiências vivenciadas por produtores, além de debatermos inovações, sustentabilidade e segurança alimentar”, ressalta Lucimara Chiari.
A pesquisadora informa que o evento será totalmente virtual, auditório, feira de estandes, acesso aos pôsteres lembrando-se da oportunidade de se formar uma rede de relacionamento. “Os sistemas de ILPF representam uma tecnologia de extrema importância no Brasil e no mundo e por esse motivo não desistimos de continuar com as ações para a realização do Congresso mesmo na pandemia”, diz Chiari. 

A participação no evento será feita por meio de inscrição. Está garantido o certificado de participação. Para saber mais como validar a participação o interessado deverá entrar na página: https://www.wcclf2021.com.br/inscricao
O II Congresso Mundial de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta é uma realização do Mapa, Embrapa, Rede ILPF, Famasul e Semagro.
Informações gerais sobre o evento podem ser conhecidas clicando aqui 

 

Eliana Cezar Silveira (15.410/SSP-SP)
Embrapa Gado de Corte

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Emenda de bancada fortalece ecossistema de inovação do agro em São Paulo

 

Obra iniciada no Lanapre para instalação de casa de vegetação totalmente monitorada por sensores e câmeras

As cinco unidades de pesquisa da Embrapa no estado vão se integrar ao Hub AgroDigital, que conjuga ciência e setor produtivo em prol da agricultura brasileira

Os recursos de investimento de R$ 19,5 milhões, recebidos por meio de Emenda Parlamentar da Bancada de São Paulo, vão permitir, aos centros de pesquisa da Embrapa no estado, fortalecer sua infraestrutura e integrar-se ao Hub AgroDigital de São Paulo. Esse ecossistema visa fortalecer a gestão integrada da produção agropecuária e as parcerias com instituições públicas e privadas, contribuindo com desenvolvimento de novas soluções tecnológicas disruptivas, a agregação de valor à produção, o aumento da rentabilidade do agricultor e a segurança alimentar.

O hub de inovação digital é uma iniciativa para conectar institutos de pesquisa, universidades, empresas e profissionais, com o intuito de desenvolver, de forma compartilhada, conhecimentos, tecnologias, produtos e serviços. O foco é atuar de forma conjunta e integrada, para geração de conhecimentos e tecnologias sustentáveis que subsidiem a política agrícola nacional, favorecendo a competitividade da agricultura brasileira.

A emenda de bancada é uma iniciativa aprovada por todos os deputados federais e senadores paulistas, em uma articulação com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), e que levou anos para ser concretizada. Teve início em 2017, nas reuniões da Bancada de SP, sob coordenação do Deputado Herculano Passos (MDB), com a aprovação em 2020, sob a coordenação do Deputado Vinicius Poit (Novo). A proposta de aprovação deste recurso foi feita a partir da sugestão e articulação do Deputado Arnaldo Jardim (Cidadania), junto a todos os parlamentares da Bancada Paulista, que reconhecem a relevância da ciência e da pesquisa agropecuária para o desenvolvimento do Estado de São Paulo e do país.

 

Data center & coworking

“Esses centros de pesquisa têm trabalhado em grande sinergia entre si e com outras empresas e instituições para a formação e consolidação do Hub AgroDigital de São Paulo”, destaca a chefe geral da Embrapa Informática Agropecuária (Campinas), Silvia Massruhá.

A aquisição de equipamentos de tecnologia da informação possibilitou a ampliação do data center científico do centro de pesquisa e da capacidade de processamento de dados de alto desempenho para a Embrapa e instituições parceiras. Com isso, várias pesquisas e laboratórios de serviços da Embrapa serão beneficiados. “Com esses recursos, conseguimos melhorar nossa capacidade de processamento e de armazenamento de alto desempenho, fortalecendo o data center científico da Embrapa, que dá suporte a várias pesquisas desenvolvidas pela Empresa”, explica Massruhá.

Entre as pesquisas, estão as conduzidas pelos portfólios de Inteligência, Gestão e Monitoramento Territorial, Mudanças Climáticas, Automação e Agricultura de Precisão e Digital, por exemplo, como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que apoia programas governamentais para redução de riscos na agricultura, e o TerraClass Amazônia, voltado à qualificação do uso e cobertura da terra nas áreas desflorestadas da Amazônia. O Laboratório Multiusuário de Bioinformática da Embrapa, que disponibiliza serviços e infraestrutura computacional de alto desempenho, também foi contemplado.

A emenda viabilizou ainda a contratação de empresa para construção do Espaço de Coworking de Inovação na Embrapa Informática Agropecuária, que será usado nas atividades do Hub AgroDigital para promover um novo modelo de trabalho cooperativo entre as instituições parceiras. O objetivo é incentivar a troca de ideias, o compartilhamento e a colaboração entre empregados, colaboradores e parceiros na execução de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). O ambiente colaborativo vai apoiar o trabalho de pesquisadores e parceiros de empresas, startups e instituições, que integram o ecossistema de inovação em agricultura digital, desenvolvendo pesquisas e soluções tecnológicas em conjunto com a Embrapa.

 

Conectividade e autonomia energética

Com o recurso recebido em dezembro, a Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos) vai fortalecer as pesquisas que dependem da conectividade no campo e intercâmbio de dados. “O recurso foi aplicado na estrutura que incorpora todos os conceitos de IoT [Internet das Coisas], conectividade e Big Data, como drones, automatização da coleta de solo, ultrassom para prenhez de vacas, sensores e antenas para ILPF [Integração Lavoura-Pecuária-Floresta] e ordenha robotizada. Isso contribui para alimentar o data center em agricultura da Embrapa”, explica o chefe geral Rui Machado. O centro de pesquisa já é referência em pecuária de precisão.

Ainda em 2021, a Embrapa Pecuária Sudeste deve se beneficiar de uma usina fotovoltaica que a tornará praticamente autossuficiente em geração de energia. Hoje, os gastos com energia elétrica estão entre os quatro maiores custos de manutenção da fazenda Canchim, onde funciona o centro de pesquisa.

“Esse custo não vai zerar, mas vai abater demais”, explica o chefe adjunto de Administração Marco Aurélio Bergamaschi, que vem batalhando pela instalação de outra matriz energética há uns quatro ou cinco anos. A usina fotovoltaica, baseada em energia solar, vai abastecer todo o setor administrativo, onde as equipes têm suas salas, e o pivô de irrigação, outro grande consumidor de energia.

A autonomia energética representa um avanço no sentido da busca da sustentabilidade na produção – uma das bandeiras do centro de pesquisa. “O foco da Embrapa Pecuária Sudeste é a pecuária sustentável e esse investimento está totalmente alinhado à filosofia do centro de pesquisa. É perfeito!”, aponta Bergamaschi.

Ele explicou que o processo de montagem da usina acabou contemplando toda a Embrapa, e não apenas essa unidade são-carlense. “Fizemos uma modalidade de licitação corporativa que permitirá que cada centro de pesquisa da empresa faça a adesão no momento oportuno”, explica. O investimento na usina fotovoltaica já contratada gira em torno de R$ 1,3 milhão, as placas vão ocupar uma área aproximada de 3 mil metros quadrados e a expectativa é que entre em funcionamento ainda neste ano.

 

‘Big Brother’ das plantas

Imagine uma casa de vegetação, onde são realizadas pesquisas controladas sobre o desenvolvimento de plantas, totalmente monitorado por câmeras e sensores! A tecnologia das câmeras que se movimentam sobre a vegetação é semelhante àquela que foi utilizada na última Copa do Mundo para mostrar os estádios pelo alto. Há uma estrutura de metal que suporta as câmeras e se move lateralmente para que o monitoramento seja contínuo.

De acordo com o chefe geral da Embrapa Instrumentação (São Carlos), João Naime, os equipamentos adquiridos vão permitir controlar o ambiente dos experimentos, temperatura, umidade, luminosidade e ventilação serão programáveis, enfim, tudo o que ocorre naquele espaço. Serão três áreas isoladas, para que as pragas e doenças que estão sendo estudadas em uma casa de vegetação não afetem a que está próxima.

As tecnologias convergentes (envolvendo nanotecnologia, fotônica, materiais avançados, inteligência artificial e agricultura 4.0) serão aplicadas no estudo de plantas, solos e pós-colheita, como forma de alavancar o desenvolvimento de tecnologias disruptivas no agronegócio do país. Elas vão permitir, por exemplo, acompanhar o desenvolvimento de doenças da soja, de citros, milho e feijão, visando proporcionar diagnósticos mais rápidos e objetivos.

“Com a automatização, não será necessário que técnicos, analistas ou pesquisadores estejam presentes porque os sensores e nanossensores coletam os dados e enviam para o banco de dados, permitindo o processamento, com uso de inteligência artificial sobre Big Data coletado”, explica.

A obra de instalação começou na primeira semana de janeiro e a expectativa é que fique pronta em 30 dias. A casa de vegetação ficará no Laboratório de Referência Nacional em Agricultura de Precisão (Lanapre), também em São Carlos. Naime afirma desconhecer o uso de estrutura semelhante no Brasil, mas informa que os pesquisadores Paulo Herrmann e Cauê Ribeiro visitaram sistema parecido na Alemanha.

 

Dados espaciais

Na Embrapa Territorial (Campinas), os investimentos em infraestrutura de Tecnologia da Informação (TI) aumentarão a capacidade e agilidade no processamento de informações que subsidiam o Poder Público e o setor produtivo. Novos equipamentos disponíveis para equipes de geoprocessamento reduzem de dias para horas o tempo de resposta de análises.

Por exemplo, em computadores convencionais, para extrair do Sistema do Cadastro Ambiental Rural (SiCAR) os planos de informações geográfica da área total de imóveis rurais e suas relações com os as áreas destinadas à vegetação nativa, é preciso “recortar” o Brasil em regiões ou estados para, então, distribuir os arquivos geocodificados para processamento entre diferentes máquinas.

As novas workstations conseguem analisar o País todo em um único arquivo espacial, dentro de poucas horas. “Esse poder de processamento muitas vezes superior aos desktops tradicionais trará ganhos expressivos no tempo de resposta dos nossos Sistemas de Inteligência Territorial Estratégica”, avalia o analista Carlos Alberto de Carvalho, da Embrapa Territorial.

Os recursos provenientes da emenda parlamentar também ampliaram a capacidade dos servidores de rede do centro de pesquisa. Entre outros trabalhos, esses equipamentos mantêm mapas, imagens e informações gerados em 20 unidades da Empresa e disponibilizados on-line, gratuitamente, na Infraestrutura de Dados Espaciais da Embrapa (Geoinfo), conectada à Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (Inde).

Os mapas e documentos ficam disponíveis em diferentes formatos, inclusive abertos, para permitir novos estudos a partir deles, o que gera economia de tempo e recursos financeiros para a própria Embrapa e outras instituições. A ampliação da capacidade dos servidores viabiliza a inserção de mais centros de pesquisa da Empresa e mais dados espaciais nessa plataforma.

 

Análises ambientais de ponta para promover a sustentabilidade

Na Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna), estão sendo modernizados e atualizados equipamentos e infraestrutura de laboratórios de ponta, que permitem o avanço do conhecimento e o desenvolvimento de inovações que garantem a sustentabilidade da produção agropecuária. O chefe de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Rodrigo Mendes ressalta que a aplicação dos recursos da emenda possibilitou melhorias importantes na infraestrutura dos laboratórios. “Consolida os processos e a obtenção de ativos que sustentam o desenvolvimento do ecossistema de inovação, promovendo a bioeconomia e a inovação no agro”, pontua.

Entre estes, estão equipamentos que ampliarão a capacidade de bioprospecção e desenvolvimento de novos insumos biológicos, como inoculantes e agentes de biocontrole de pragas e doenças. Por exemplo, um sequenciador genético, capaz de simplificar o fluxo de trabalho, oferecendo maior agilidade nos processos e considerável redução no uso de insumos, permitindo explorar as características do conjunto de mais de 15 mil microrganismos que fazem parte da Coleção de Microrganismos da Embrapa Meio Ambiente, favorecendo a geração de ativos para a agricultura e a agroindústria.

Além disso, se destacam equipamentos para análises de solo e água, que permitirão a compreensão dos fenômenos biogeoquímicos e  o desenvolvimento de tecnologias para a mitigação de emissões de gases de efeito estufa em vários processos agropecuários, além de sistemas de cromatografia líquida de ultra eficiência, acoplado a espectrômetro de massa de alta sensibilidade e seletividade, capaz de realizar com maior rapidez e confiabilidade as análises de pesticidas e contaminantes ambientais, dados de grande demanda e importância para a sustentabilidade dos agroecossistemas.

“Em conjunto, todas essas atualizações e modernizações dão suporte ao desenvolvimento e fortalecimento do ecossistema de inovação do Estado de São Paulo, estruturado em uma rede de instituições parceiras, públicas e privadas”, ressalta o chefe geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi. “Agradecemos a confiança e apoio dos parlamentares da bancada paulista que têm sempre incentivado e efetivamente contribuído com a pesquisa agropecuária, que gera resultados que beneficiam toda a sociedade, promovem o desenvolvimento sustentável de nosso estado e do país e permite à Embrapa e parceiros o cumprimento de sua missão”, completa Morandi.

Foto: Embrapa Instrumentação

Ana Maio (Mtb 21.928)
Embrapa Pecuária Sudeste

Contatos para a imprensa

Nadir Rodrigues (MTb/SP 26.948)
Embrapa Informática Agropecuária

Contatos para a imprensa

Vivian Chies (MTb 42.643/SP)
Embrapa Territorial

Contatos para a imprensa

Como evitar perdas na agricultura com as mudanças do clima – 21/01/2021

Alterações no regime de chuvas e temperaturas desafiam a ciência

A agricultura é uma atividade dependente de fatores climáticos e a mudança no clima pode afetar a produção agrícola de várias formas. Seja por alterar a frequência de eventos extremos, relacionados com os regimes térmico e hídrico, ou pelo aumento dos problemas causados por pragas e doenças, entre outros. O assunto é importante para toda a sociedade, pois a agricultura brasileira é responsável por participação relevante na economia nacional.

Os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) demonstraram que o clima do planeta está mudando e que a elevação da concentração dos gases de efeito estufa é a principal causadora. Por exemplo, a concentração de COna atmosferaque em 1960 era de 315 ppm, hoje está acima de 412 ppm, além da velocidade de aumento dessa concentração estar cada dia sendo acelerada.

A partir dos relatórios do IPCC, começaram a ser desenvolvidos estudos relacionados às mudanças climáticas em diversos locais do mundo e seus potenciais impactos na agricultura. No Brasil, a Embrapa tem trabalhado em alguns projetos de pesquisa envolvendo a questão do aquecimento global e a adaptação de culturas às novas condições ambientais esperadas.

Com o passar dos anos, o clima foi mudando e causando impactos, tanto positivos quanto negativos, na produção de alimentos.  Anderson Santi,  pesquisador em mudanças do clima da Embrapa Trigo, destaca os trabalhos realizados sobre emissão e sequestro de gases de efeito estufa e quais os sistemas que melhor se adaptam à realidade brasileira: “O sistema plantio direto trabalha toda a questão de solo e de planta e, automaticamente, envolve o clima porque esse sistema absorve bastante carbono, por meio de um dos principais gases de efeito estufa que é o CO2”, diz.

Segundo Santi, se o sistema plantio direto for trabalhado de forma adequada, conforme as recomendações técnicas, quando é mantida cobertura vegetal, com palhada no sistema o ano todo, o agricultor estará retirando CO² da atmosfera e, indiretamente, colocando-o no solo. “Essa cobertura orgânica, com plantas vivas e restos culturais, visa a proteger o solo contra o impacto direto da chuva e do vento, que causam erosão. Além disso, a cobertura do solo auxilia na regulação da temperatura, que fica menor, e pode favorecer as plantas e também contribuir para menor evaporação da água e assim manter o solo úmido por mais tempo. Ou seja, trabalhar corretamente o manejo, protegendo e favorecendo a reciclagem de nutrientes e não somente fazendo o uso de uma única cultura o ano todo, é uma alternativa viável e eficaz no combate dos impactos relacionados com extremos climáticos” afirma.

Impactos no trigo

Alguns estudos trabalharam com simulações de cenários, com um possível aumento das temperaturas. “Os cereais de inverno poderiam, julgando por hoje, ter a sua área tradicional de cultivo no sul do Brasil afetada, caso a temperatura fosse aumentar de 1 a 3ºC nos próximos 100 anos”, afirma Santi.

As projeções para a região norte do Rio Grande do Sul, por exemplo, indicam que a umidade na primavera tende a aumentar e, com isso, a incidência de doenças fúngicas na cultura do trigo seria mais frequente com maior potencial de danos, considerando a atual base genética e a tecnologia de proteção de plantas disponíveis. “Aqui no Rio Grande do Sul uma das principais doenças no trigo é a giberela, causada por um fungo que ataca a espiga desse cereal, que se agravaria ainda mais com o aumento projetado de chuva e de temperatura”, aponta o pesquisador Anderson Santi.

Alguns estudos, que avaliaram os impactos da mudança do clima no trigo, mostram que, pelas características fisiológicas desse cereal, o aumento das temperaturas e, em consequência, o aumento do CO2 na atmosfera, poderia também trazer efeitos benéficos na produção em termos de qualidade de grão. Em contrapartida, com o aumento do calor, o desenvolvimento da planta poderia ser comprometido, pela falta de frio que é necessário para a cultura do trigo, o que poderia implicar, potencialmente, em menor produtividade.

Dados observados no laboratório de meteorologia da Embrapa Trigo registram que nos últimos 100 anos houve um aumento de 4 mm de chuva por ano. “Em Passo Fundo, RS, a temperatura média aumentou quase 1ºC nos últimos anos. Esse é um indicador de que o clima do sul do Brasil está em mudança, a exemplo do que tem sido diagnosticado em outros locais do mundo”, relata Santi.

A partir da comprovação científica do aumento gradativo das temperaturas nos anos 2000, a Embrapa passou a contratar pesquisadores para atuar em mudanças climáticas. Foi executado um projeto abrangendo todo o País simulando alterações no clima que poderiam ocorrer no futuro. “Com certeza teremos alguns problemas relacionados ao aumento de temperatura, principalmente na questão de déficit hídrico nas regiões Centro-Oeste e Nordeste. Nesses estudos buscamos encontrar soluções como a adaptação das culturas para suportar esses extremos que poderão ocorrer ainda antes do final desse século”, finaliza Anderson Santi.

Oportunidades

Gilberto Cunha, agrometeorologista da Embrapa Trigo, reforça que a mudança do clima global não necessariamente traz só inconvenientes para a agricultura brasileira. “Em muitos aspectos, essa mudança, se usada com inteligência estratégica, pode trazer benefícios. Como exemplo bem conhecido, a inovação e a criação de novos negócios, como foi o caso da indústria de biocombustíveis, que se estabeleceu no rastro da onda da economia verde associada à mudança do clima”, afirma.

O pesquisador também faz menção ao selo de sustentabilidade que a agricultura brasileira pode alcançar com a adoção predominante do sistema plantio direto. “Nas nossas áreas que estão em cultivo, da nossa produção pecuária ser baseada em pastejo direto pelos animais e da possiblidade de intensificação do uso da terra, sem a necessidade de abertura de novas fronteiras agrícolas em áreas intocadas, a partir da integração de sistemas de produção, a exemplo da Integração entre Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF). Além das inúmeras possibilidades abertas pela nova bioeconomia, em que os nossos recursos naturais, pela diversidade de espécies, podem nos conferir um diferencial competitivo relevante”, diz.

Outro aspecto destacado por Cunha é que, efetivamente, está chovendo mais no sul do Brasil. “Isso, especialmente para os cultivos de verão, no caso da soja, tem sido benéfico, inclusive para a incorporação de novas áreas cultivadas com essa oleaginosa na metade sul do Rio Grande do Sul, onde, historicamente, chovia menos”, conclui.

O grande desafio para as instituições que lidam com ciência, tecnologia e inovação para agricultura, finaliza Cunha, “é criar a capacidade de adaptação das plantas cultivadas, seja pela via da mudança genética, com biologia avançada, ou por meio de novas práticas de manejo que confiram maior resiliência aos nossos sistemas agrícolas para lidar com um clima em evolução permanente. O caminho é o da ciência!”

Colaboração Matheus Wagner Basso

Estagiário de jornalismo na Embrapa Trigo

Foto: Everton Weber

Joseani M. Antunes (MTb 9693/RS)
Embrapa Trigo

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