Sistemas integrados de produção são debatidos em evento virtual – 18/09/2020

 

Com o objetivo de proporcionar trocas de experiências e nivelar o conhecimento, entre pesquisadores, agricultores e assistência técnica, será realizado esse mês, o Seminário Técnico Virtual sobre Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP). O evento acontecerá em duas etapas.

A ILP é um sistema de produção intensiva que envolve algum tipo de interação entre as atividades agrícola e pecuária. “Nesses sistemas, a produção é diversificada e tem como base o uso de práticas como a sucessão, rotação e consórcio de culturas em plantio direto. Como resultado há redução de riscos, melhorias na qualidade do solo, entre outros benefícios, o que proporciona maior sustentabilidade e rentabilidade ao produtor”, disse Rodrigo Arroyo Garcia, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste.

Para participar do evento virtual gratuito, os interessados devem se inscrever no link (https://bit.ly/3ks7KZs). Após se inscreverem os participantes, vão receber um link em seus e-mails em que terão acesso ao conteúdo, que faz parte da primeira etapa do evento. “Nossa intenção é otimizar o tempo dos inscritos, que poderão conhecer algumas experiências relacionadas ao ILP no Mato Grosso do Sul. Para isso, estamos disponibilizando vídeos curtos com casos de sucesso, que poderão ser assistidos pelos participantes do evento, conforme a disponibilidade de tempo de cada um”, explica Luiz Armando Zago Machado, também pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste. Ele informou ainda que além de assistirem os vídeos, os participantes poderão enviar suas dúvidas com antecedência para o e-mail “agropecuária-oeste.eventos@embrapa.br”.

A segunda etapa do evento, será realizada no dia 23 de setembro, das 8h às 12h (9h às 13s, horário de Brasília), no Canal da Embrapa no YouTube. “Nessa ocasião, teremos palestras proferidas por técnicos e produtores, o que possibilitará a troca de conhecimentos sobre o sistema. Será uma oportunidade de estimular a adoção da tecnologia e possibilitar que os interessados que ainda não utilizam o sistema ILP possam obter mais informações sobre o assunto, por isso também vamos transmitir o evento pelo Canal da Embrapa no Youtube”, acrescentou Zago.

Assista o vídeo com convite para o evento. https://www.youtube.com/watch?v=Hs33wZnZoFA

O evento é uma realização da Embrapa Agropecuária Oeste e Associação das Empresas de Assistência Técnica Rural do MS (AASTEC) e conta com apoio da Aprosoja, Fundação MS e Unoeste.  

Histórico – No dia 5 de setembro do ano passado, aconteceu presencialmente a primeira edição do Seminário Técnico sobre ILP, na Embrapa Agropecuária Oeste. Na ocasião, os participantes puderam trocar experiências que contribuíram com o avanço das pesquisas relacionadas ao ILP. Confira a matéria “Sistema de Integração-Lavoura-Pecuária é tema de reunião na Embrapa” 
 
 
Christiane Congro Comas (MTb 825/9/SC)
Embrapa Agropecuária Oeste

Press inquiries
agropecuaria-oeste.imprensa@embrapa.br
Phone number: (67) 9-9944-9224 (WhatsApp)

Embrapa e Universidade de Nottingham assinam parceria em projetos na área de alimentação – 17/09/2020

Projetos de três unidades da Embrapa acabam de ser beneficiados com recursos da Universidade de Nottingham (UoN), Reino Unido. A articulação, que resultou na cooperação científica foi liderada pelo Labex Europa, que, durante dois anos, coordenou a preparação do acordo firmado no âmbito do Programa Future Food –  Beacon of Excellence, parte de um programa de investimento nas áreas de ciência das plantas e animais. O foco da iniciativa é a integração da pesquisa direcionada por desafios, treinamentos e atividades de intercâmbio de conhecimento. Serão beneficiados seis projetos, da Embrapa Arroz e Feijão (3), Embrapa Gado de Leite (2) e Embrapa Trigo (1).

Segundo o pesquisador Pedro Machado, então coordenador do Labex Europa (2016-2019), depois de visitas de delegações da instituição ao Brasil, foram identificados na Embrapa pontos de interesse comum que poderiam resultar em cooperações. “Foram feitos contatos com as unidades descentralizadas que tinham em seus portfólios e projetos em andamento no SEG alguma relação com as linhas de pesquisa do programa nas quais havia interesse em colaborar”, contou ele.

Os projetos incluídos na cooperação científica são “Avaliação de cultivares brasileiras de trigo e cevada quanto à tolerância de germinação na espiga em pré-colheita” (Embrapa Trigo, liderado pelo pesquisador Pedro Scheeren); “Multimicrobioma alimentar e sua associação com a eficiência alimentar em bovinos leiteiros” e “Multimicrobioma do rúmen e sua associação com a eficiência alimentar e as emissões de metano em bovinos leiteiros” (Embrapa Gado de Leite, ambos liderados pela pesquisadora Mariana Campos); “Avaliação da intensificação sustentável de sistemas ILPF no Brasil”, “Melhorando a tolerância combinatória ao estresse abiótico em arroz de terras altas” e “Alimentos nutritivos à base de feijão – Melhoria do conteúdo de minerais por meio da triagem ionômica” (da Embrapa Arroz e Feijão, liderados por Carlos Magri, e pelos pesquisadores Adriano Castro e Priscila Bassinello, respectivamente).

Na opinião de Vinícius Guimarães, atual coordenador do Labex Europa, o resultado da negociação trouxe oportunidades para a pesquisa, mas demandou esforço na articulação e envolveu a participação dos dois coordenadores do Labex, o anterior e o atual. “Trabalhamos juntos no alinhamento às exigências contratuais até a liberação dos recursos no Brasil, por meio da Fundação Arthur Bernardes – Funarbe”, explicou. “Apesar de todas as dificuldades, continuaremos com estreita relação com uma importante instituição, além do apoio financeiro para as pesquisas em momento de restrição orçamentária”.

Resultados promissores

O especialista Carlos Magri, da Embrapa Arroz e Feijão, coordena o projeto responsável por elaborar uma ferramenta, a partir da qual será possível fazer levantamentos nas propriedades rurais, incluindo as práticas usadas para a produção, participação na renda das diferentes atividades econômicas e ainda o monitorar perspectivas de competitividade na atividade leiteira e impactos ambientais decorrentes de outras ações na propriedade.  “A proposta tem o objetivo de construir métodos para a conscientização da sustentabilidade em sistemas de cultivo brasileiros”, disse, ressaltando ter sido esse o principal aspecto que despertou o interesse da instituição estrangeira.

Com o recurso da Universidade de Nottingham, o pesquisador explica que a ferramenta em construção poderá ser transformada numa ferramenta computacional e utilizada em outras regiões. “Os produtores terão uma contabilidade não só financeira, mas ambiental e social de seu negócio, e a pesquisa agrícola terá uma real avaliação de impactos das tecnologias usadas, simular impactos de pesquisas em andamento, além de ser uma fonte de captação de demandas”, comentou. Para Magri, existe ainda a possibilidade de ser usada como fonte de informações para formulação de políticas públicas ou indicativos relacionados a investimentos que favoreçam o produtor.

Na área de nutrição e saúde humana, o projeto liderado pela pesquisadora Priscila Bassinello, também da Embrapa Arroz e Feijão, objetiva a triagem e a seleção de materiais com maiores conteúdos de alguns minerais, que estejam biodisponíveis para aproveitamento pelo organismo humano. “A ideia é encontrar fontes mais ricas nesses minerais, a partir das quais possam ser desenvolvidos produtos à base desses feijões mais nutritivos e farinhas para indústria de alimentos, proporcionando dietas mais ricas”, disse, ressaltando o potencial de aproveitamento como fonte de proteína vegetal análoga à proteína animal.  

Segundo ela, o objetivo inicialmente é promover, na Universidade de Nottingham, a triagem de 340 genótipos por meio do método ionômico. “Nós realizamos a seleção, a multiplicação no campo, o preparo das amostras (transformada em farinha), mas a análise será feita na instituição parceira”, explicou. O interesse dos pesquisadores da UoN é a variabilidade genética do feijoeiro, que pertence ao grupo das pulses, atualmente em destaque na pauta de produtos benéficos à saúde.

Priscila acredita que a parceria vai contribuir com o desenvolvimento de produtos à base de feijão, diversificando opções de dieta para o consumidor. Ela destacou ainda a possibilidade de novas pesquisas envolvendo bioensaios, ou seja testes para avaliação real do consumo na saúde humana. A cooperação bilateral também prevê o custeio de capacitações e treinamentos de pesquisadores da Embrapa e da Universidade de Nottingham em seus respectivos laboratórios e campos experimentais.

Arroz de terras altas

Da mesma unidade, o pesquisador Adriano Castro coordena o projeto Melhorando a tolerância combinatória ao estresse abiótico em arroz de terras altas, denominado Sustentarroz, liderado pela pesquisadora Anna Cristina Lanna. “O estudo pretende desenvolver formas de mitigar os efeitos da deficiência hídrica e da baixa disponibilidade de fósforo no solo do Cerrado, pelo uso de bioinsumos e adubação”, disse.

Serão utilizados microrganismos multifuncionais, disponíveis no banco de germoplasma da Embrapa Arroz e Feijão, e silício, como estratégia para redução dos problemas causados pelos estresses. O pesquisador explica que resultados prévios já demonstraram haver grande potencial na utilização dos microrganismos e silício. “Nesse projeto buscamos usar níveis distintos de fósforo e água, genótipos tolerantes e suscetíveis, microrganismos e silício, para avaliar a resposta da planta”, completa.
 
O interesse da instituição estrangeira, segundo ele, deve-se ao fato de a Universidade de Nottingham, através do Future Food Beacon, reconhecer o grande potencial na cultura do arroz de terras altas para enfrentar o desafio de fornecer quantidades suficientes de alimentos a uma população crescente em um ambiente de mudanças climáticas.  O recurso investido será utilizado para a condução das atividades de pesquisa e manutenção de um estudante brasileiro de doutorado na Universidade de Nottingham, que deverá trabalhar no processamento e análise de amostras coletadas nos experimentos conduzidos no Brasil e em Nottingham.

Identificação de novos marcadores genéticos

De acordo com Pedro Luiz Scheeren, pesquisador da Embrapa Trigo e coordenador do Projeto de Melhoramento de Trigo para o Brasil, a pesquisa que será realizada em parceria com a Universidade de Nottingham é sobre o estresse causado pelo excesso de chuvas no final do ciclo do trigo e da cevada, causando a germinação na espiga em pré-colheita (GPC). “Este é um problema comum nos dois países e este estudo visa a caracterização detalhada de um conjunto de cultivares brasileiras de trigo e de cevada em relação à tolerância à GPC”, explica ele.

A caracterização (fenotipagem) em relação à GPC será realizada em duas etapas: na maturação fisiológica das sementes e na maturação de colheita. A partir da caracterização, algumas cultivares serão selecionadas para realizar cruzamentos estratégicos para a formação de populações que possibilitem estudos de herança e ajudem no entendimento da transmissão genética da resistência à germinação. “A fenotipagem será realizada na Embrapa Trigo  e a genotipagem das linhagens das populações criadas ficará a cargo da UoN”, explicou.

A vantagem da parceria entre as duas instituições no desenvolvimento do projeto é o conhecimento e a identificação de novos marcadores genéticos, facilitará a identificação de genótipos mais resistentes e reduzirá o tempo para a seleção e criação de novas cultivares de trigo e cevada mais resistentes à GPC. “Toda a cadeia desses cereais será beneficiada, desde os produtores de trigo e cevada, produzindo grãos com melhor qualidade física, até os consumidores, que terão acesso a produtos processados de melhor qualidade”, completou.

Eficiência alimentar e emissões de metano

Da Embrapa Gado de Leite, dois projetos serão beneficiados com a cooperação, ambos coordenados pela pesquisadora Mariana Campos. Um tem o objetivo de estabelecer as relações entre eficiência alimentar e emissões de metano de animais Girolando, do nascimento até o final da primeira lactação, e correlacionar a emissão de metano, os índices de eficiência alimentar e o desempenho animal ao sequenciamento genético da microbioma ruminal, além de identificar os biomarcadores para animais mais eficientes. E o segundo prevê a avaliação da associação da eficiência alimentar e o status imunológico, o microbioma ruminal, vaginal e do leite de bovinos leiteiros das raças Holandês (que será realizado no reino Unido) e Gir (que será realizado na Embrapa Gado de Leite).

“A importância da parceria, além do know how da Universidade de Nottingham, é a possibilidade de recursos para o fazer o sequenciamento do microbioma dos animais dos projetos aprovados e avaliar possíveis biomarcardores para animais mais eficientes, em relação à eficiência alimentar, ou seja, animais que consomem menos e produzem a mesma quantidade ou quantidade maior de leite”, explica ela. “Como a nutrição é a parte mais cara no sistema de produção, quanto mais eficientes são esses animais em relação à eficiência alimentar, mais rentáveis e lucrativos podem são os sistemas e consequentemente, será mais interessante para o produtor”, conclui a pesquisadora.
 
 
Katia Marsicano (MTb DF 3645)
Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas

Press inquiries
imprensa@embrapa.br
Phone number: (61) 3448 1861
Rodrigo Barros
Embrapa Arroz e Feijão

Press inquiries
arroz-e-feijao.imprensa@embrapa.br
Phone number: (62) 3533-2108
Rubens Neiva ((MTB 5445))
Embrapa Gado de Leite

Press inquiries
gado-de-leite.imprensa@embrapa.br
Phone number: (32) 3311-7532

Intensificação sustentável foi tema do primeiro Agroenergia Convida – 16/09/2020

Alexandre Alonso e Maurício Lopes foram os debatedores do Agroenergia Convida sobre Intensificação Sustentável

Usar os recursos de forma intensiva, mas de maneira segura e sustentável e ao mesmo tempo produzir mais por unidade de área e/ou tempo. Em resumo, este é conceito de Intensificação Sustentável, tema escolhido para o primeiro “Agroenergia Convida”, uma série de lives mensais que a Embrapa Agroenergia realizará a partir de setembro. O episódio de estreia contou com a participação dos pesquisadores da Embrapa Agroenergia Maurício Antônio Lopes, ex-presidente da Embrapa, e Alexandre Alonso Alves, atual chefe-geral da Unidade. 
 
No início da conversa, informal no formato mas densa no conteúdo, como definiu Alonso, Maurício Lopes contextualizou o tema para os espectadores. A intensificação sustentável, segundo ele, surge em meados da década de 1990 como resposta ao aumento da demanda mundial por alimentos. “Através da intensificação sustentável podemos harmonizar a relação da sociedade com a natureza. Esse é um tema que cresceu em importância, pois não é possível seguir em direção ao futuro com o padrão de produção e consumo que temos hoje”, acredita Lopes.
 
Para o Brasil, essa temática teria importância destacada uma vez que a maior parte do seu território fica no chamado “cinturão tropical”, onde estão as mais perfeitas condições para se exercitar o modelo de intensificação. “É possível, como já foi demonstrado pela agricultura brasileira, utilizar a terra o ano inteiro utilizando tecnologias amigáveis com a natureza”, disse o ex-presidente da Embrapa. “O Brasil pode ser tornar uma grande referência e padrão no desenvolvimento do conceito de intensificação sustentável”, complementou.
 
Biodiversidade x Bioinsumos
 
Como exemplo do que já foi feito no Brasil  em intensificação sustentável, Lopes citou as tecnologias  que aumentaram a fertilidade do solo, como o plantio direto na palha e a fixação biológica de nitrogênio, e outras como o desenvolvimento de variedades de ciclo curto que permitiram a combinação de safras.
 
Para Alexandre Alonso, o conceito de intensificação sustentável vai além da criação de novas variedades, processos e práticas agrícolas, já que a biodiversidade também pode ser utilizada de maneira inteligente e sustentável para desenvolver novos bioinsumos nas propriedades rurais, promovendo sua intensificação. 
 
“Na Embrapa Agroenergia já trabalhamos sob esse conceito, desenvolvendo biofertilizantes, biodefensivos e bioativos a partir da rica biodiversidade brasileiras e de biomassas agrícolas. Na outra ponta, a intensificação do sistema como um todo também parte do pressuposto de que você precisa desenvolver novos processos industriais para a transformação de parte da biomassa em bioprodutos, biocombustíveis, bioenergia etc. Também atuamos nesse sentido desenvolvendo novos processos em três dos nossos quatro grandes eixos de pesquisa”, explicou Alonso. 
 
“Talvez não seja demais pensar num futuro em que o negócio agrícola se sofistique a ponto de, com a intensificação que vai gerar mais coprodutos, resíduos e biomassa, abrir caminhos para desenvolver produtos interessantes que fluam das fazendas para as indústrias’, complementou Lopes. 
 
Serviços ambientais e medição da sustentabilidade 
 
A intensificação sustentável da agricultura do ponto de vista da prestação de relevantes serviços ambientais, não apenas mitigando as emissões de CO2 do sistema mas também promovendo a captura e o armazenamento no solo desse CO2,  foi outro assunto debatido por Lopes e Alonso durante o Agroenergia Convida.
 
“Uma vertente interessante e que ainda precisa ser explorada (e a Embrapa Agroenergia tem tudo para atuar nisso) são os estudos de medidas de sustentabilidade como a Análise do Ciclo de Vida (ACV) de sistemas produtivos. A partir daí chegamos em números de descarbonização e ancoramos as nossas pesquisas no contexto de novas políticas públicas como o RenovaBio”, afirmou Alonso. 
 
Para Lopes, sustentabilidade é um termo que vem se desgastando ao longo dos anos e, por esse motivo, é importante avançar mais no sentido de medir com números sólidos e boa ciência o impacto real das práticas sustentáveis que o Brasil vem adotando nos últimos anos.  
 
O ex-presidente da Embrapa lembrou que a sociedade quer ter a informação do quão seguro são os processos e alimentos que está consumindo, e que há uma preocupação muito grande com a regeneração da capacidade do planeta para as gerações futuras. Segundo Lopes, a intensificação sustentável é pré-condição para alcançar modelos de produção mais sustentáveis no futuro.
 
“É inevitável que tenhamos de incorporar práticas que nos permitam medir como estamos avançando na direção de modelos mais sustentáveis de produção”, afirmou. 
 

Cana-de-açúcar: um exemplo
 
Um exemplo de cultura onde a intensificação sustentável pode ser claramente percebida é a cana-de-açúcar, gramínea da qual não se desperdiça nada. “O Brasil aprendeu a usar essa espécie de maneira extremamente sofisticada”, exemplificou Maurício Lopes, citando os inúmeros usos da planta como a produção de combustível renovável e bioeletricidade. 
 
“O setor de biocombustíveis e bioenergia é um exemplo desse modelo de intensificação em que, como foi citado, a cana-de-açúcar é uma referência interessante da qual se produz um alimento (açúcar), um biocombustível (etanol), bioeletricidade (bagaço). Novas tecnologias permitirão num futuro breve a obtenção de combustíveis de segunda geração, além de polímeros, plásticos e combustíveis avançados”, complementou Alexandre Alonso. “ Cada vez que você coloca um componente novo nesse sistema, um produto novo, você acaba intensificando o sistema como um todo”, complementou. 
 
Políticas públicas
 
Conhecimento e boas políticas públicas são, na opinião de Lopes, as duas coisas que marcaram a trajetória da agricultura brasileira. “O Brasil tem sido ao longo dos últimos anos pródigo no desenvolvimento de políticas públicas para a alimentação”, disse.  Código Florestal, RenovaBio e Plano ABC foram exemplos de políticas públicas citadas por Lopes que permitiram o desenvolvimento de um modelo de agricultura intensificada com apoio da agricultura de baixo carbono. 
 
Alonso complementa que, aliado a estes fatores, há ainda o empreendedorismo do produtor rural brasileiro, sempre disposto a adotar novas tecnologias e explorar novos mercados. E tudo isso com sustentabilidade, usando de maneira racional os recursos disponíveis. 
 
“A RenovaCalc (a calculadora do RenovaBio) mostrou de maneira bastante clara que é de fato possível fazer agricultura intensiva e ainda descarbonizar a economia, a atmosfera, a partir da diferença entre as emissões de CO2 do combustível renovável e dos combustíveis fósseis que deixam de ser utilizados”, complementou Alonso.
 
 
Novos mercados 
 
Para Lopes, a agricultura também abre caminhos para se impactar de forma positiva muitas outras cadeias produtivas e vertentes de negócio. “Indústrias inteiras poderão ser impactadas na medida em que intensificamos a agricultura”, afirmou.
 
Ao imaginarem o futuro, Lopes e Alonso destacaram que as novas tecnologias da informação e comunicação geram oportunidades de aplicações específicas e permitirão um salto e um ganho no conceito de intensificação sustentável.
 
A utilização da robótica, as fazendas verticais, a automação dos sistemas e o manejo sitio-específico com o uso de drones e aplicação de algoritmos foram algumas das inovações já existentes mencionadas por Lopes. Alexandre Alonso complementou: “As fazendas poderão ser integradas também às chamadas ‘biorrefinarias’, permitindo a produção de uma grande variedade de bioprodutos a partir da biomassa. Essa e outras áreas onde a Embrapa Agroenergia atua de maneira destacada são um novo campo de futuro”, complementou. 
 
Para Maurício Lopes, é preciso olhar a intensificação sustentável também na perspectiva social. “Vejo uma oportunidade para a agricultura fazer uma interface mais forte com a vertente da gastronomia, com o aumento de espécies para prover novos sabores e alimentos, numa interrelação também com o turismo, de forma a alcançar outras cadeias de valor e oportunidades de criação de riqueza, bem-estar e fortalecimento da cultura local”, afirmou. 
 
Para concluir, Lopes disse o grande desafio que se impõe é “harmonizar a agricultura com a natureza”. Não é possível, segundo o pesquisador, continuar com o modelo de produção e consumo atuais.  “A natureza é naturalmente intensificada. O conceito de economia circular é uma tentativa de mimetizar o que a natureza já faz”. 
O vídeo do primeiro Agroenergia Convida está disponível aqui.
 
Para Maurício Lopes, é preciso olhar a intensificação sustentável também na perspectiva social. “Vejo uma oportunidade para a agricultura fazer uma interface mais forte com a vertente da gastronomia, com o aumento de espécies para prover novos sabores e alimentos, numa interrelação também com o turismo, de forma a alcançar outras cadeias de valor e oportunidades de criação de riqueza, bem-estar e fortalecimento da cultura local”, afirmou. 
 
 
Irene Santana (Mtb 11.354/DF)
Embrapa Agroenergia

Press inquiries
agroenergia.imprensa@embrapa.br
Phone number: (61) 3448-1581

Embrapa Rondônia participa do Agrolab Amazônia em painéis e com tecnologias – 16/09/2020

A Feira do Agronegócio “Conecta Sebrae Agrolab Amazônia” será totalmente digital, em plataforma com ambiente 3D. A abertura oficial do evento ocorre no dia 17/9, com a presença do Vice-Presidente da República general Hamilton Mourão, do presidente da Embrapa Celso Moretti e demais autoridades e representantes de instituições parceiras. A programação seguirá nos dias 22, 23 e 24/9, sempre das 10h às 18h, horário de Brasília. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no endereço: www.agrolabamazonia.com, onde também consta a programação completa e mais detalhes desta ação. O evento é uma realização do Sebrae em Rondônia, em conjunto com diversas entidades parceiras. 

A Embrapa estará presente no evento também com participação em sete painéis e no estande virtual da Empresa, que reunirá mais de 70 soluções tecnológicas voltadas para a região Amazônica, de 20 Unidades espalhadas por todo o país, todo este conteúdo pode ser acessado no endereço www.embrapa.br/agrolab-amazonia. A Embrapa Rondônia terá à disposição do público, no estande virtual, 18 tecnologias voltadas para pecuária, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e café. Além disso, fará mediação de dois painéis, “Ambiente de negócios e bioeconomia na Amazônia” e “Carne Carbono Neutro”, assim como a apresentação de painel com o tema “Castanha-da-Amazônia: ações e estudos para o fortalecimento organizacional de pequenos negócios”.

O Agrolab Amazônia tem foco no desenvolvimento e sustentabilidade da Amazônia, busca uma integração regional e também conectar a Amazônia ao Brasil e ao mundo, sendo conduzido por autoridades, especialistas e demais atores renomados em assuntos que envolvem a região. Segundo o coordenador desta ação pela Embrapa Rondônia, Rhuan Lima, o desenvolvimento com sustentabilidade envolve a adoção de tecnologias pelo setor produtivo. Esta participação permitirá apresentar ao público algumas das diversas tecnologias para a o desenvolvimento sustentável da região. 

Em um ambiente totalmente virtual, o evento reunirá setor produtivo, instituições, poder público e empresas para a discussão de temas de relevância para o agro na Amazônia, por meio de fóruns, painéis, palestras, oficinas, rodadas de negócio e muitas atrações que estarão presentes nos estandes virtuais. Os participantes, ao se inscreverem, terão um avatar e poderão navegar pelos ambientes virtuais criados. O evento será bilíngue e com tradução em libras. Estão programadas cerca de 25 palestras e painéis simultâneos por dia, além de fóruns de governança realizados pelo Parlamento Amazônico, reunião de Governadores da Amazônia Legal e demais entidades representativas.

Tecnologias da Embrapa Rondônia
Para este evento, a Embrapa Rondônia apresentará tecnologias recomendadas para a região Amazônica para as principais atividades agropecuárias da região.  

Aplicativo +Leite – realiza o diagnóstico produtivo da fazenda leiteira de forma rápida, simples e intuitiva. Com ao uso do aplicativo, em apenas uma visita, no tempo necessário para o técnico avaliar todas as vacas do rebanho, já é possível obter o diagnóstico zooténico. Esta solução tecnológica foi desenvolvida pela Embrapa em parceria com o Instituto Federal de Rondônia – Campus Porto Velho Calama. Acesse esta tecnologia: https://bit.ly/32zoFTP

SAGABov – tecnologia simples e acessível para a avaliação de carcaça bovina. Com este dispositivo prático, desenvolvido pela Embrapa, o próprio produtor pode avaliar, de forma rápida e precisa, o acabamento da carcaça dos bovinos destinados ao abate, ou seja, a espessura de gordura, uma das principais características relacionadas à qualidade da carne bovina. O SAGABov, sigla para Sistema de Avaliação do Grau de Acabamento Bovino, é formado por duas hastes articuladas que, ao serem encostadas da garupa formam um ângulo que indica graus de acabamento: baixo, adequado e excessivo. Acesse esta tecnologia: https://bit.ly/35vSzKq 

VETSCORE – dispositivo para avaliação da condição corporal de fêmeas bovinas das raças Nelore, Girolanda e Angus. Trata-se de uma ferramenta de baixo custo, confiável, de simples utilização e resultado imediato. A leitura da condição nutricional em que o animal se encontra é indicada por cores no visor do Vetscore: vermelha (baixa), verde (adequada) e amarela (alta). Permite que o produtor possa fazer correções no manejo alimentar buscando maior retorno produtivo e financeiro. Acesse esta tecnologia: https://bit.ly/2RnuaOZ 

Aplicativo Arbopasto – auxilia o produtor a escolher as espécies de árvores mais adequadas à cada pastagem. Nele, são disponibilizadas informações de 51 espécies arbóreas nativas da Amazônia Ocidental, de forma rápida e intuitiva. Está disponível para dispositivos móveis com sistema operacional Android, IOS, Windows Phone e Web. Possui uma série de funcionalidades, entre elas, filtros de busca para a procura por espécies considerando seus nomes comuns ou científicos ou pela combinação de duas ou mais características de interesse para arborização de pastagens. Acesse esta tecnologia: https://bit.ly/35Ajt3D 

Planilha para Cálculo de Sombra Projetada por Árvores – auxilia no cálculo da área de sombra, e outros parâmetros, projetadas por árvores isoladas ou em renques. A planilha pode auxiliar no planejamento de experimentos e outros projetos que requeiram conhecer a extensão e direção do sombreamento proporcionado por árvores, como nas áreas de integração lavoura-pecuária-floresta, sistemas agroflorestais e paisagismo. Acesse esta tecnologia: https://bit.ly/3hvOvfF

10 cultivares de cafés Robustas Amazônicos – são cultivares híbridas de conilon e robusta, desenvolvidas a partir da caracterização individualizada de cada clone, algo inédito na cultura do café da região amazônica. Estas dez tecnologias proporcionam liberdade de escolha e agregação de valor à lavoura. Além de o cafeicultor saber quais clones deverão ser combinados na lavoura, será possível também escolher cada material de acordo com as características desejadas: produtividade, qualidade da bebida, resistência a doenças, entre outras. Estes materiais são adaptados às condições edafoclimáticas da região amazônica. Mais informações sobre esta tecnologia: https://bit.ly/3khGD33.

Solarizador de substrato para produção de mudas livres de nematóides – equipamento que utiliza a energia solar como fonte para aquecimento e pasteurização de solo. Possibilita eliminar nematóides fitopatogênico de substratos naturais na produção de mudas de cafeeiro. Trata-se de uma adaptação do Coletor solar para desinfestação de substratos (solarizador) original, desenvolvido por Ghini e colaboradores. Acesse esta tecnologia: https://bit.ly/32uM2hd 

Poda de formação dos cafeeiros – técnica indicada para a formação precoce da copa dos cafeeiros conilon e robusta. Ela é benéfica por aumentar a produção na primeira safra e possibilitar a padronização das podas de produção, pois as hastes apresentarão a mesma idade. Acesse esta tecnologia: https://bit.ly/2ZTgdNt 

Terreiro Barcaça Seca Café – tecnologia desenvolvida pela Embrapa Rondônia para a secagem de café com qualidade. A estrutura é simples e tem um custo acessível, oferecendo aos produtores a liberdade de gerenciar o processo de secagem. Além disso diminui a utilização de mão de obra, já que não é necessário fazer a amontoa do café nos períodos de chuva, ou mesmo durante a noite. O terreiro também pode ser utilizado para secagem de outros produtos como arroz, feijão, cacau, etc. Acesse esta tecnologia: https://bit.ly/3bZUDvp 
 

Participação da Embrapa Rondônia nos Painéis:
– 22/9, às 11h40 (horário de Brasília)
Painel: Ambiente de negócios e bioeconomia na Amazônia
Palestrantes: Fábio Calderaro (Suframa), Antônio Tafuri (ABDI) e Guy de Capdeville (Embrapa)
Moderador: Alaerto Marcolan (Embrapa Rondônia)

– 23/9, das 11h40 às 12h40 (horário de Brasília)
Palestra: Carne Carbono Neutro
Palestrante: Roberto Giolo (Embrapa Gado de Corte)
Moderador: Rhuan Amorim de Lima – (Embrapa Rondônia)

– 24/9, das 11h40 às 12h40 (horário de Brasília)
Painel: Castanha-da-Amazonia: ações e estudos para o fortalecimento organizacional de pequenos negócios
Palestrantes: André Machado (Giz) e Lúcia Wadt (Embrapa Rondônia)
Moderador: Andreia Bavaresco (Instituto Internacional de Educação do Brasil – IEB)

Saiba mais: https://www.embrapa.br/agrolab-amazonia
 
Renata Silva (MTb 12361/MG)
Embrapa Rondônia

Contatos para a imprensa
rondonia.imprensa@embrapa.br
Telefone: (69) 3219-5011

Embrapa apresentará mais de 70 tecnologias no Agrolab Amazônia – 15/09/2020

Mais de 20 centros de pesquisa da Embrapa vão apresentar tecnologias

Entre os dias 22 e 24 de setembro, durante o evento Conecta Sebrae Agrolab Amazônia, a Embrapa vai apresentar mais de 70 soluções tecnológicas a empreendedores e produtores rurais da Amazônia Legal. A feira totalmente digital é promovida pelo Sebrae com o objetivo de fortalecer o mercado local e integrar estratégias de desenvolvimento e sustentabilidade na região. São quase 300 expositores e mais de 50 eventos na programação que terá rodadas de negócios e de investimento com representantes de países da Europa, Ásia, Oriente Médio e Américas Latina e do Norte. As inscrições são gratuitas pelo site do evento

A presença do vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, é esperada na abertura do evento, às 18h desta quinta-feira (17/09), que terá a participação do presidente da Embrapa, Celso Moretti e de embaixadores do Peru e de Israel, entre outros. A programação será divulgada em ecossistemas de inovação internacionais, como o da Estônia, e um painel divulgará produtos amazônicos voltados à nutrição e saúde a mais de 20 importadores chineses. A Coreia do Sul promoverá oficina junto a produtores locais interessados em exportar para aquele país.  

Para a diretora-executiva de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Adriana Martin, a iniciativa do Sebrae na promoção da feira Agrolab Amazônia abre  oportunidades de parcerias e negócios a partir dos ativos apresentados ao setor produtivo e investidores locais e internacionais. “O contato com integrantes de ecossistemas internacionais oferece espaço para falarmos sobre temas como a bioeconomia e divulgar iniciativas como o selo da Carne Carbono Neutro (CCN) e o sistema ILPF tão importantes para a sustentabilidade da atividade agropecuária e florestal para a região amazônica”, avalia.

Além de fazer uso de plataforma gamificada e em ambiente 3D para apresentar produtos e serviços em estandes virtuais, pesquisadores e gestores da Embrapa integram a programação de palestras e painéis. A feira tem início no dia 22/09, quando Moretti vai moderar o painel sobre Estratégias para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, com a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Teresa Cristina.  

Na mesma data, o diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Guy de Capdeville, palestra no painel: Ambiente de negócios e bioeconomia na Amazônia. As palestras da Embrapa tratarão de temas como o selo Carne Carbono Neutro (CCN), o sistema de Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), o programa Balde Cheio com oportunidades da bacia leitura no Tocantins e, ainda, o fortalecimento organizacional de pequenos negócios vinculados à castanha-da-amazônia. 

Soluções Tecnológicas

No estande virtual da Embrapa os participantes da feira vão encontrar mais de 70 soluções tecnológicas, resultado do trabalho de 22 centros de pesquisa e já disponíveis para adoção. Com potencial para agregar valor à produção rural da região, as tecnologias, produtos e processos têm foco na conservação da biodiversidade, na gestão da propriedade e da produção, no manejo e controle de doenças, nas produções vegetal e animal, bem como em sistemas integrados, inteligência territorial e solos.  Clique aqui para acessar as tecnologias.

A participação da Embrapa no Agrolab Amazônia está sendo coordenada pela Secretaria de Inovação e Negócios (SIN) por meio da Gerência de Marketing, com participação da Embrapa Acre, Embrapa Agrobiologia, Embrapa Agroenergia, Embrapa Agroindústria de Alimentos, Embrapa Amapá, Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Amazônia Ocidental, Embrapa Caprinos e Ovinos, Embrapa Informática Agropecuária, Embrapa Instrumentação, Embrapa Meio Ambiente, Embrapa Meio Norte, Embrapa Pecuária Sul, Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Embrapa Rondônia, Embrapa Solos, Embrapa Territorial e ainda: Embrapa Hortaliças, Embrapa Gado de Corte, Embrapa Gado de Leite, Embrapa Agrossilvipastoril e Embrapa Pecuária Sudeste. 

Palestras e Painéis

22/09  às 10h (horário de BSB)
Painel: Estratégias para o desenvolvimento sustentável da Amazônia 

Palestrantes: – Tereza Cristina – Ministra da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento; Evandro Padovani – Secretário de Agricultura do Governo de Rondônia e Carlos Melles – presidente do Sebrae Nacional 

Moderador:  Celso Moretti – Presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)

22/09 às 11h40 (horário de BSB)
Painel: Ambiente de negócios e bioeconomia na Amazônia 

Palestrantes:  Guy de Capdeville – diretor executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa 

Debatedores: Antônio Carlos Tafuri – especialista da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI); Fábio Calderaro – Coordenador-geral de Planejamento e Programação Orcamentária da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) 

Moderador: Alaerto Marcolan – pesquisador da Embrapa Rondônia

23/09  às 11h40 (horário de BSB)
Palestra: Carne Carbono Neutro Palestrantes: – Roberto Giolo – pesquisador Embrapa Gado de Corte; Tadário Kamel de Oliveira – pesquisador Embrapa Acre; Paulo Pianez – Diretor de Sustentabilidade e Comunicação da ‎Marfrig Global Foods  Moderador: Rhuan Amorim de Lima – analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Rondônia 

24/09 às 11h40 (horário de BSB)
Palestra: Transição agroecológica: etapas e boas práticas para uma produção agropecuária mais sustentável 

Palestrante:  Mariane Vidal – pesquisadora da Embrapa Hortaliças

24/09 às 11h40 (horário de BSB)
Painel: Castanha-da-Amazônia: ações e estudos para o fortalecimento organizacional de pequenos negócios 

Palestrantes:  Lúcia Wadt – pesquisadora da Embrapa Rondônia; André Machado – Assessor técnico da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) 

Moderadora:  Andreia Bavaresco – coordenadora técnica do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB)

24/09 às 15h – (horário de BSB)
Painel: Integração Lavoura, Pecuária e Floresta – case da Fazenda Don Aro.  

Palestrantes: Luiz Lourenço – presidente do conselho de administração da Cocamar; Alysson Paolinelli – ex-ministro da Agricultura e atual presidente-executivo da Abramilho; Giocondo Vale – produtor de Machadinho D’Oeste 

Mediador: Flávio Jesus Wruck – chefe-adjunto de Transferência de Tecnologias da Embrapa Agrossilvipastoril

24/09 às 15h (horário de BSB)
Palestra: Programa Balde Cheio e as oportunidades de negócios na bacia leiteira da região de Tocantina 

Palestrante: André Luiz Monteiro Novo – chefe-adjunto de Transferência de Tecnologias da Embrapa Pecuária Sudeste 

Serviço:
Feira agropecuária: Conecta Sebrae  – Agrolab Amazônia
Solenidade de abertura: 17 de setembro de 2020, às 18h de Brasília
Data: de 22 a 24 de setembro de 2020
Evento virtual: https://www.agrolabamazonia.com/
Inscrições gratuitas: https://agrolabamazonia.com/#inscricao 
Horário: plataforma com acesso 24h

 
Valéria Cristina Costa (Mtb. 15533/SP)
Secretaria de Inovação e Negócios (SIN)

Contatos para a imprensa
imprensa@embrapa.br

Assistentes técnicos de AL participam de capacitação on-line em ILPF – 14/09/2020

Cerca de 25 assistentes técnicos alagoanos participam, nos dias 15, 22 e 29 de setembro, da capacitação on-line ‘ILPF na Zona da Mata e Agreste de Alagoas’. Idealizado pela Embrapa Alimentos e Territórios (Maceió, AL), o curso é uma continuação de treinamentos presenciais realizados em 2019, e é coordenado pela Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE).

A “Capacitação Continuada de Técnicos em ILPF nas Zonas da Mata e do Agreste – ILPF em Alagoas” é uma iniciativa da Embrapa, do Sebrae e da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas e conta com a parceria nacional da Associação Rede ILPF e parceria local da Emater/AL, Seagri/AL, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (DFA/AL), Faeal; Ufal; Ifal, Banco do Nordeste e Banco do Brasil.

O treinamento contribui para o objetivo principal de ampliar a área utilizada com sistemas silvipastoris na Zona da Mata e Zona do Agreste de Alagoas. A iniciativa envolve ações em duas frentes – a instalação em campo de áreas demonstrativas das soluções tecnológicas e a capacitação continuada de assessores técnicos, a maioria dos quais ligados à Emater/AL, que atenderão a demandas de produtores para implantação de sistemas integrados adaptados às regiões.

Por conta da pandemia de covid-19, os encontros acontecem em 2020 por meio virtual, na plataforma Conferência Web, mantida pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), da qual a Embrapa é membro.

Os três módulos compreendem os componentes florestal (dia 15) e de lavoura e pasto (dias 22 e 29). Compartilham conhecimentos pesquisadores de diversas Unidades da Embrapa – Florestas (Colombo, PR), Agrossilvipastoril (Sinop, MT), Gado de Corte (Campo Grande, MS) e Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE).

“Para ampliar a adoção de sistemas de ILPF no Nordeste, é fundamental reciclar e capacitar de forma contínua assessores e consultores técnicos, para que se tornem efetivos multiplicadores”, afirma o pesquisador Lineu Domit, que foi chefe de Transferência de Tecnologia da nova unidade de Alagoas em 2019 e coordenou a formulação do projeto.

Os técnicos da Emater/AL atuam como responsáveis pelas Unidades de Referência Tecnológica (URTs) instaladas em campo nos dois territórios alagoanos, e colaboram no planejamento, implantação e manejo do componente arbóreo em sistemas silvipastoris, na arborização depastagens.

 

Sistema
O sistema silvipastoril envolve atividades pecuárias e florestais realizadas na mesma área, em cultivo consorciado de árvores e pastagens. São estratégias de uso da terra que visam a sustentabilidade econômica, social e ambiental. 

Nesse sistema, a produção pecuária é beneficiada pela melhoria das condições ambientais, contribuindo para o bem-estar animal. A criação de animais ao ar livre, em uma pastagem adequadamente arborizada, é capaz de contribuir para o sequestro de carbono, para menor emissão de óxido nitroso e para a mitigação da emissão de gás metano pelos ruminantes – gases que são componentes importantes no aquecimento da atmosfera global (efeito estufa). 

Esse tipo de produção integrada também contribui para a proteção do solo contra a erosão, recuperação de pastagens degradadas e ciclagem de nutrientes. Além de diversificar as fontes de renda da propriedade rural, é também uma alternativa para incorporar a produção de madeira ao empreendimento pecuário e obter renda oriunda do componente arbóreo. 

Por envolverem conhecimentos e práticas de diversas áreas da atividade agropecuária, são sistemas que necessitam de planejamento técnico, manejo e adequação às condições de cada local de cultivo e produção.

Programação

15/9 
9h-11h 
Componente Florestal

  • Mudas
  • Correção do solo e adubação
  • Plantio e tratos culturais
  • Tratos fitossanitários iniciais

Palestrantes: Vanderley Porfirio, Marcos Rezende (Embrapa Florestas)

11h-12h
Estudo de caso: Instalações de URTs em Alagoas e discussões
Palestrantes: Marcos Rezende e Diogo Lobo

22/9 
9h-11h 
Componentes Lavoura e Pasto

Integração lavoura/pasto para recuperação em áreas de pastagem degradada

  • Plantio em SPD – Escolha e regulagem dos equipamentos, sementes e fertilizantes, plantio 
  • Manejo e tratos culturais do sistema
  • Colheita da lavoura
  • Manejo da pastagem após colheita da lavoura

Palestrantes: José Henrique Rangel, Samuel Figueiredo, Edson Patto Pacheco (Embrapa Tabuleiros Costeiros)

29/9
9h-11h
Recuperação e manutenção de pastagens com ILPF
Palestrante: Bruno Carneiro E Pedreira (Embrapa Agrosilvopastril)


 
 
Saulo Coelho (MTb/SE 1065)
Embrapa Tabuleiros Costeiros

Contatos para a imprensa
tabuleiros-costeiros.imprensa@embrapa.br
Telefone: (79) 4009-1381
 
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Seminário internacional reúne relatos sobre uso de sistemas agrossilvipastoris em oito países – 10/09/2020

O Seminário internacional sobre Sistemas agrossilvipastoris na América Latina e Caribe foi realizado de 1º a 4 de setembro e reuniu experiências de oito países com uso dessa estratégia produtiva.

Na abertura do evento, a chefe-geral da Embrapa Cocais, Maria de Lourdes Mendonça, frisou a importância da tecnologia Integração Lavoura-Pecuária-Floresta – ILPF para contribuir com o desafio de alimentar o mundo com sustentabilidade. A coordenadora da Rede Argentina de Ciência e Tecnologia Florestal, Ana Maria Lupi, falou de como instituições de pesquisa e ensino da América do Sul e Caribe se reuniram, desde 2018, para realizar ações conjuntas de divulgação em sistemas agrossilvipastoris. “Nosso objetivo é fortalecer essa rede, a RedSiip, e este evento é a primeira ação formal e pública de compartilhamento de estudos e experimentos realizados em seus respectivos países, inclusive com a participação importante dos produtores, usuários da tecnologia”.

O evento foi iniciado com a palestra do diretor da Rede ILPF, Renato Rodrigues, também pesquisador da Embrapa Solos. Rodrigues contextualizou o panorama atual, de crescimento populacional, esgotamento de recursos naturais, mudança do clima, degradação de solos e urbanização, cenário, segundo ele, em que é vital pensar em soluções cada vez mais urgentes. Para o pesquisador, lidar com esses desafios requer uma abordagem sistêmica que gerencia as complexidades de maneira sustentável, responsável e ética, valores essenciais para a produção, consumo e toda a cadeia produtiva.

Nesse sentido, Rodrigues falou que a adoção de tecnologias e sistemas sustentáveis de produção de alimentos é extremamente importante para se garantir segurança alimentar e nutricional da população e a preservação do meio ambiente, como a ILPF. “É uma tecnologia que não só aumenta a produção, mas também a qualidade do alimento produzido. Ainda é possível aumentar mais a produtividade desses sistemas, diversificar a produção, agregar valor a produtos, certificar propriedades, organizar as cadeias produtivas e criar novos mercados. Além disso, a ILPF pode ser utilizada em qualquer propriedade, levando em consideração as peculiaridades dos diversos biomas brasileiros. Estimamos que a área ocupada com ILPF ocupe hoje mais de 17 milhões de hectares e vamos trabalhar para atingir 30 milhões em 2030, reflexo também com nosso compromisso voluntário de emissões de gases de efeito estufa”, explicou. 

O diretor da Rede ILPF também relatou brevemente as principais mudanças da agropecuária brasileira nos últimos 40 anos: transformação de solos ácidos e pobres em solos férteis; tropicalização de sistemas de produção e desenvolvimento de uma plataforma de práticas sustentáveis e políticas públicas. “Como consequência desse trabalho orquestrado pela Embrapa em nível nacional em parceria com as instituições estaduais de pesquisa e ensino, a produção de alimentos cresceu cerca de 400% e a produtividade, 200%, poupando-se 250 milhões de hectares. Atualmente cerca de 66% do nosso território é de vegetação nativa e 30% é formado por pastagens, lavouras e florestas plantadas. Precisamos melhorar no quesito recuperação de pastagens degradadas, o que a ILPF tem papel fundamental”, finalizou.

A Associação Rede ILPF é uma entidade privada, sem fins lucrativos e independente, formada a partir de uma parceria público-privada e tem o objetivo de acelerar a ampla adoção das tecnologias de ILPF por produtores rurais para a intensificação sustentável da agricultura brasileira.

O produtor Luciano Muniz, que também é professor da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, explicou que implantou há três anos uma Unidade de Referência Tecnológica – URT de ILPF em sua propriedade em Pindaré-Mirim-MA. “Na URT, testamos alguns componentes florestais, como babaçu e sabiá (nativos) e eucalipto (exótico). Estamos colaborando com essa experiência mostrando que a ILPF permite diversificar a produção com receita de três atividades produtivas ao mesmo tempo e ainda recuperar as pastagens degradadas e diminuir as emissões de gás carbono, o que faz da ILPF uma tecnologia de baixo carbono”, opinou o produtor. A UEMA é parceira da Embrapa Cocais nas pesquisas sobre ILPF no Maranhão.

O evento foi uma articulação da Embrapa Cocais, unidade da Embrapa no Maranhão, e tem coordenação das seguintes instituições, por país participante: Brasil – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/Embrapa Cocais, Associação Rede ILPF e Gintegra; Argentina – Rede Argentina de Ciência e Tecnologia Florestal – Conicet; Chile – Instituto de Ciências Agroalimentares, Animais e Ambientais – Universidade de O’Higgins; Colômbia – Centro de Pesquisa em Sistemas Sustentáveis de Produção Agropecuária; Cuba – Estação Experimental de Pastos e Forragens Indio Hatuey; México – Rede Temática de Sistemas Agroflorestales de México; Paraguai – Faculdade de Ciências Agrárias – Universidade Nacional de Assunção; Uruguai – Polo Agroflorestal – Casa da Universidade de Cerro Largo – Universidade da República e Rede Global de Sistemas Agrossilvipastoris.

Confira as apresentações de cada país:

Brasil – https://www.youtube.com/watch?v=DPSdWq2BTek&list=PLoelF-OuDCfGoj5P08oHEaYi7h7tSFcZ4&index=9&t=0s

Colômbia – https://www.youtube.com/watch?v=0e-7HJnfG0A&list=PLoelF-OuDCfGoj5P08oHEaYi7h7tSFcZ4&index=8&t=0s

Argentina – https://www.youtube.com/watch?v=c6L34JyR55Q&list=PLoelF-OuDCfGoj5P08oHEaYi7h7tSFcZ4&index=7&t=0s

Paraguai – https://www.youtube.com/watch?v=yT977R_No4Q&list=PLoelF-OuDCfGoj5P08oHEaYi7h7tSFcZ4&index=6&t=0s

Uruguai – https://www.youtube.com/watch?v=Y2d3MfrkwMs&list=PLoelF-OuDCfGoj5P08oHEaYi7h7tSFcZ4&index=5&t=0s

México – https://www.youtube.com/watch?v=OVO6gZkhKKo&list=PLoelF-OuDCfGoj5P08oHEaYi7h7tSFcZ4&index=4&t=0s

Chile – https://www.youtube.com/watch?v=iHoTS_N2Jbc&list=PLoelF-OuDCfGoj5P08oHEaYi7h7tSFcZ4&index=3&t=0s

Cuba – https://www.youtube.com/watch?v=tIGVBZG9-Bs&list=PLoelF-OuDCfGoj5P08oHEaYi7h7tSFcZ4&index=2&t=0s

 

Flávia Bessa (MTb 4469/DF)
Embrapa Cocais

Contatos para a imprensa
cocais.imprensa@embrapa.br
Telefone: 98 3878-2222

Pesquisadores identificam 20 novas espécies de microminhocas no Cerrado – 08/09/2020

O Cerrado abriga 20 potenciais novas espécies e um novo gênero de enquitreídeos (Oligochaeta, Annelida), também conhecidos como microminhocas

  • Descoberta no Distrito Federal é resultado do primeiro estudo da diversidade desse grupo da fauna invertebrada no bioma.
  • Resultado mostra que Cerrado é tão rico nesse tipo de fauna quanto a Amazônia ou a Mata Atlântica.
  • Menores que as minhocas, os enquitreídeos também são bons indicadores da qualidade do solo e da sua biodiversidade.

Pesquisa realizada em solos do Distrito Federal e de Goiás revela que o Cerrado abriga 20 potenciais novas espécies e um novo gênero de enquitreídeos (Oligochaeta, Annelida), também conhecidos como microminhocas, organismos que ocorrem em quase todos os solos do mundo. A publicação dessas espécies e gênero ainda depende de confirmações de algumas dessas características e análises mais detalhadas.

Os exemplares foram coletados em solo de vegetação natural e em áreas agrícolas e pertencem a seis gêneros diferentes. Este é o primeiro levantamento quantitativo e qualitativo da população de enquitreídeos no Cerrado realizado com metodologia padronizada e recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF). 

Os levantamentos mostraram que o Cerrado é tão rico nesses organismos quanto florestas de outros biomas brasileiros com temperaturas mais amenas e maiores índices pluviométricos.

A pesquisadora da Embrapa Cerrados (DF) Cintia Niva, coordenadora do estudo, diz que os resultados são surpreendentes: “A ideia geral era que havia poucas microminhocas no Cerrado devido ao prolongado período de seca, já que esses invertebrados precisam de solos úmidos para sobreviver. No entanto, os dados obtidos mostram que temos aqui uma população tão abundante e rica quanto à da Mata Atlântica e à da Amazônia, e composta por várias espécies possivelmente endêmicas, ou seja, restritas ao Cerrado”.

As microminhocas

Os enquitreídeos são parentes próximos das conhecidas minhocas, mas com tamanho bem menor e praticamente sem pigmentação, deixando transparecer seus órgãos internos quando observados no microscópio. 

No Cerrado, a maioria deles têm até um centímetro de comprimento e dois milímetros de diâmetro corporal. Na Mata Atlântica, já foram encontrados exemplares de até quatro centímetros de comprimento. 

A importância do estudo das microminhocas está relacionada às funções que elas desempenham no ecossistema, uma vez que contribuem para a decomposição de matéria orgânica, ciclagem de nutrientes, formação do solo e cadeia alimentar. Apenas 62 espécies terrestres ou semiaquáticas são conhecidas até hoje na América Latina (dessas, 47 existem no Brasil), e 710 válidas em todo o mundo. A pesquisadora conta que há uma hipótese que considera a América do Sul como o centro de origem das microminhocas, o que eleva a expectativa de uma alta diversidade no continente à medida que mais áreas são estudadas.

Os dados servirão de base para o uso desse grupo de organismos como indicadores da conservação da diversidade e da qualidade do solo como habitat no Cerrado em diferentes sistemas de produção. “Ainda existe uma carência de métricas que possam auxiliar no diagnóstico de qualidade do solo, especialmente com base na biodiversidade. Por isso, os trabalhos com bioindicadores são importantes para estimar a sustentabilidade dos ambientes”, explica Niva. 

Demandas da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) incluem a necessidade de sistemas de produção sustentáveis, proteção à vida terrestre e ação contra as mudanças climáticas. Nesse cenário, os sistemas produtivos devem promover a redução da perda de biodiversidade e garantir a prestação de serviços ecossistêmicos. “Para que isso ocorra, é imprescindível conhecer a biodiversidade que temos no solo para poder desenvolver ferramentas úteis no monitoramento e agregar mais valor aos sistemas produtivos”, completa a pesquisadora.

Indicadoras da qualidade do solo
Os seres que habitam o solo são os responsáveis por mantê-lo em saudável funcionamento. Mas nem sempre eles recebem a devida atenção. Apesar disso, alguém pode se perguntar por que não estudar apenas as minhocas como referência da saúde do solo.

“Apesar de os enquitreídeos e as minhocas contribuírem para os mesmos serviços ecossistêmicos, como a ciclagem de nutrientes e a estrutura do solo, eles os fazem de forma diferente em função de seu tamanho corporal e de sua posição na cadeia alimentar”, responde Cintia Niva:

Os enquitreídeos também têm susceptibilidades diferentes à qualidade do solo e seu habitat, e por isso, muitas vezes, ocorrem em locais onde as minhocas são pouco abundantes. Portanto, a relevância ecológica, sua ampla distribuição geográfica e sensibilidade a mudanças no meio ambiente tornam as microminhocas potenciais candidatas para o monitoramento de sistemas. 

Vegetação nativa x áreas de produção 
As amostras foram coletadas entre 2016 e 2018 em área de vegetação natural do Parque Nacional de Brasília, do Jardim Botânico de Brasília e de área de Cerradão na Embrapa Cerrados.

Para as áreas cultivadas, foram coletados solos dos agrossistemas: integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF); integração lavoura-pecuária (ILP); silvipastoril; plantio de eucalipto; pastagens e sistema agroecológico.

De modo geral, percebeu-se que a densidade e a riqueza de microminhocas é maior em solos de vegetação nativa, o que pode ser atribuído à maior disponibilidade e à qualidade do material orgânico e ao menor grau de atividade antrópica no solo. Altas densidades são encontradas também em áreas cultivadas, mas a diversidade de espécies é menor.

Nas áreas cultivadas, mais de 85% dos enquitreídeos encontrados pertencem ao gênero Enchytraeus. “Pesquisas anteriores caracterizam essas espécies como r-estrategistas, ou seja, elas se reproduzem rapidamente e têm facilidade de se adaptar a ambientes alterados, o que explica sua predominância em áreas agrícolas”, justifica Niva.

A atividade agropecuária modifica as condições do solo como habitat, ao mesmo tempo em que reduz a população de gêneros e espécies predominantes em área de vegetação nativa, que aparentemente são mais sensíveis, como é o caso de Guaranidrilus (o gênero mais abundante em áreas naturais). Essas condições favorecem o aumento de populações de espécies menos sensíveis, ou mais tolerantes, e com facilidade de adaptação e reprodução.

Microminhoca Guaranidrilus 1

 

Metodologia apropriada 
Para essa pesquisa, a coleta e a extração de enquitreídeos foi realizada de acordo com o protocolo internacional ISO 23611-3, o mesmo adotado nos estudos pioneiros na Amazônia e na Mata Atlântica.

As amostras, colunas de solo com tamanho padronizado, foram mantidas refrigeradas. Após a extração dos organismos por um equipamento específico, eles foram separados e analisados em até dois dias, já que as características taxonômicas são mais visíveis, sob microscópio óptico, em indivíduos ainda vivos.

Posteriormente, os exemplares foram fixados em líquido preservante. A determinação e confirmação da espécie são realizadas pelo taxônomo Rüdiger Maria Schmelz, da Universidade da Coruña (UDC), Espanha, pois não existe taxônomo especializado ativo nesse grupo no Brasil.

Vários estudos da fauna edáfica realizados com outros métodos têm demonstrado a presença das microminhocas em diversos ecossistemas (naturais e cultivados) na América do Sul, algumas vezes com densidades populacionais expressivas. Esses estudos, entretanto, não determinaram sua diversidade, o que dificulta a comparação dos dados e a avaliação mais precisa da eficiência dos enquitreídeos como bioindicadores.

A hipótese inicial era de que a abundância de microminhocas na região de clima tropical seria menor do que em regiões de clima temperado. “Estudos na floresta ombrófila mista no estado do Paraná relatam densidade média de 12 mil indivíduos por metro quadrado e na Amazônia, menos de cinco mil. Contrariando a hipótese inicial, a pesquisa indicou que a densidade no bioma Cerrado é 13 mil, em média, na época chuvosa e, em algumas situações, chegamos a encontrar 30 mil”, comemora a pesquisadora.

Apesar disso, foi registrado grande encolhimento da população nos períodos de seca no solo, até cinco centímetros de profundidade. “Provavelmente, a sobrevivência desses seres durante o período de seca depende de alguma estratégia que ainda precisa ser investigada, como quiescência [período de dormência ou hibernação] ou migração para camadas mais profundas do solo”, supõe. Segundo Niva, a umidade é um fator importante para os enquitreídeos, pois eles respiram pela pele. A pesquisadora relata que observou uma redução forte na população em 2016, provavelmente pela seca extrema e prolongada que ocorreu naquele ano.

Em regiões de clima temperado, as microminhocas já são usadas na avaliação da qualidade biológica do solo em diferentes sistemas de uso, de impactos relacionados ao desmatamento, ao aquecimento global, entre outros. A pesquisadora afirma que elas também são bons organismos-teste em ensaios de laboratório e de campo para indicar o grau de contaminação do solo em relação à toxidade de produtos químicos, metais pesados, derivados de petróleo e até dejetos industriais e domésticos. “Na Embrapa, já testamos o efeito de solos com cinzas, pós de rocha e agrotóxicos usando os enquitreídeos em laboratório. A expectativa é que os enquitreídeos sejam usados como bioindicadores também no bioma Cerrado”, finaliza Cintia Niva.

Microminhoca Hemienchytraeus

 

Juliana Miura (MTb 4.563/DF)
Embrapa Cerrados

Contatos para a imprensa
cerrados.imprensa@embrapa.br
Telefone: (61) 3388-9945

Chile e Cuba finalizam Seminário Internacional sobre Integração Lavoura-Pecuária-Floresta – 04/09/2020

Hoje, 4 de setembro, é o último dia do Seminário Internacional sobre “Sistemas Agrossilvipastoris na América Latina e Caribe: pesquisa e experiência”. Chile e Cuba são os países que irão apresentar seus conhecimentos e práticas adquiridos. Às 16h, o pesquisador Sotomayor Garreton, do Instituto Florestal do Chile – INFOR, e o produtor Pablo Mata Almonacid (El caso del prédio “San Gabriel”) farão seus relatos. Às 17h30, será a vez de Cuba com os relatos do pesquisador Jesús Manuel Iglesias Gómez, da Estação Experimental de Pastos e Forragens Indio Hatuey – EEPyF-IH, e do produtor Pablo Brichel (Finca La Palma). O seminário, aberto gratuitamente a todos os públicos, está sendo transmitido online por meio do canal da Embrapa no YouTube: https://www.youtube.com/Embrapa desde o dia 1 de setembro. Assista as palestras já realizadas podem ser assistidas aqui.

O evento está reunindo pesquisadores e produtores do Brasil e de mais sete países da América Latina e Caribe para apresentar os sistemas agrossilvipastoris a produtores, técnicos, comunidade científica e interessados no tema, e ainda trocar experiências das instituições de pesquisa que estudam e realizam experimentos nesses sistemas no Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, México, Colômbia, Chile e Cuba.

O pesquisador Joaquim Costa, da Embrapa Cocais, destaca que o evento está sendo bastante proveitoso, por permitir a troca de conhecimentos entre pesquisadores e produtores. “Os pesquisadores mostram os cenários desses sistemas em seus países e as pesquisas realizadas e os produtores mostram sua experiência e visão com a adoção da tecnologia. É a pesquisa participativa, o que fortalece os resultados. Espera-se que este seminário internacional fortaleça a rede entre esses países com o objetivo de captar recursos para difusão desses sistemas em cada um dos países envolvidos. A ILPF é uma tecnologia que se adapta aos diversos biomas e às necessidade dos produtores, além de permitir mais sustentabilidade econômica social e ambiental”.

O evento foi uma articulação da Embrapa Cocais, unidade da Embrapa no Maranhão, e tem coordenação das seguintes instituições, por país participante: Brasil – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/Embrapa Cocais, Associação Rede ILPF e Gintegra; Argentina – Rede Argentina de Ciência e Tecnologia Florestal – Conicet; Chile – Instituto de Ciências Agroalimentares, Animais e Ambientais – Universidade de O’Higgins; Colômbia – Centro de Pesquisa em Sistemas Sustentáveis de Produção Agropecuária; Cuba – Estação Experimental de Pastos e Forragens Indio Hatuey; México – Rede Temática de Sistemas Agroflorestales de México; Paraguai – Faculdade de Ciências Agrárias – Universidade Nacional de Assunção; Uruguai – Polo Agroflorestal – Casa da Universidade de Cerro Largo – Universidade da República e Rede Global de Sistemas Agrossilvipastoris.
 
Flávia Bessa (MTb 4469/DF)
Embrapa Cocais

Contatos para a imprensa
cocais.imprensa@embrapa.br
Telefone: 98 3878-2222

Presidente da Embrapa destaca papel da pesquisa agropecuária no futuro da alimentação – 03/09/2020

Presidente da Embrapa, Celso Moretti realiza palestra técnica promovida pela Embrapa Arroz e Feijão e Embrapa Florestas

O presidente da Embrapa, Celso Moretti, fez palestra técnica sobre os desafios da inovação,  em evento promovido pela Embrapa Arroz e Feijão (Santo Antônio de Goiás, GO) e Embrapa Florestas (Colombo, PR) na manhã de terça-feira, primeiro de setembro. Moretti mostrou que, investindo em ciência, tecnologia e inovação agropecuária o Brasil continuará sendo um país ainda mais importante na alimentação do planeta.

Celso Moretti destacou as cinco décadas recentes de inovação agropecuária no Brasil a partir da ciência que tiraram o país da condição de importador de alimentos, onde predominava a insegurança alimentar, crises de abastecimento e pobreza rural, para a condição de grande exportador de alimentos e gerador de tecnologias. A partir deste histórico, ele apresentou cinco cenários distintos que deverão, de algum modo, induzir as pesquisas e contribuições da Embrapa.

Para o presidente da Embrapa a produção de alimentos, fibras e bioenergia no cinturão tropical continuará sendo um dos grandes desafios por conta das mudanças climáticas, e das intempéries do solo devido ao calor, a temperatura e a chuva. Na visão dele, isso envolve também maior pressão de pragas e doenças que estão mais propicias à multiplicação, comparado aos climas de inverno europeus, onde a neve e o frio ajudam a controlar melhor as pragas e doenças no campo.

“Em cinco décadas o Brasil foi capaz de criar um modelo sustentável e competitivo de agricultura tropical, sem paralelo no mundo. Tudo isto só foi possível porque temos um sistema de pesquisa e inovação agropecuária no qual fazem parte Embrapa, universidades federais, estaduais e privadas, o sistema estadual de pesquisa agropecuária e, obviamente, o setor privado que compõem este robusto sistema de pesquisa e inovação agropecuária”.

O modelo brasileiro de agricultura movida a ciência tem alavancado a agropecuária nestes quase 50 anos, em que o sistema público de pesquisa se destaca como modelo de inovação aberta e baseada em processos de pesquisa, desenvolvimento e inovação que tem gerado um volume de entregas vigorosos para a sociedade brasileira.

O presidente destacou, como exemplo, a fixação biológica de nitrogênio que possibilitou a milhões de hectares de soja no Brasil não precisarem de adubo nitrogenado. A tecnologia gerou uma economia de 22 bilhões de reais, só em 2019, e o país deixou de emitir 100 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera, contribuindo com a mitigação de gás de efeito estufa. “Isto mostra que, só com uma tecnologia desenvolvida, é capaz de pagar seis anos de orçamento de pesquisa da Embrapa. Atualmente o país investe 1,2% do PIB em ciência, tecnologia e inovação. Isto nos coloca em 14º lugar em geração de conhecimento, mas o Brasil hoje ocupa o 66º lugar em inovação”.

Brasil terá papel ainda mais fundamental

O presidente da Embrapa destacou que dados das Nações Unidas mostram que, em 2030, o planeta deverá ter algo entre 8,5 bilhões de pessoas. Também indicam que, com exceção da Europa, os demais continentes terão incremento da população, um maior processo de urbanização e em alguns lugares, mais concentração de renda e aumento da longevidade.

Os cenários apontam, ainda, um aumento de 35% de demanda por alimento, 40% de energia e em torno de 50% por água. Para ele, o Brasil com as tecnologias disponíveis e os investimentos que deverão ser feitos em ciência, tecnologia e inovação agropecuária continuarão sendo extremamente importantes no cenário de 2030.

Entre as apostas neste cenário futuro em que a Embrapa vislumbra está a edição genômica de plantas, animais e microrganismos. A Empresa hoje tem projetos em andamento na cadeia produtiva da soja, buscando a adaptação da seca e resistência a nematoides e na cadeia produtiva do feijão comum para redução do escurecimento do tegumento.

O zoneamento agrícola de risco climático foi também apontado para a necessidade de que a gestão de riscos esteja integrada à produção agrícola. Também chama a atenção o futuro dos bioprodutos, resultados da emergente bioeconomia, ou seja, a economia de base biológica, cada vez mais importante. Como exemplo recente, Moretti chamou a atenção para o bioinsumo que permitiu a disponibilidade de fósforo que estava armazenado no solo. Ele explicou que a diversificação da matriz produtiva dá novas opções aos produtores. Se, por um lado, o monocultivo fortalece a especialização, por exemplo, por outro, corre-se riscos com pragas, doenças e outros fenômenos repentinos que possam afetar a produção.  

Outro destaque é a intensificação sustentável com a integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF), considerada uma oportunidade de aumentar a renda do produtor, dividindo em diferentes cadeias na lavoura, na pecuária e no componente florestal. A agricultura digital foi apontada pelo presidente da Embrapa como uma realidade para o agro brasileiro. O uso de drones, sensores e inteligência artificial, análise de grandes massas de dados de big data tornam urgente a necessidade de melhorar o sistema de conexão de internet no ambiente rural.

Uma perspectiva importante, segundo o presidente da Embrapa, é a tendência de consumo de proteína vegetal. Para ele, esta é uma realidade que vem crescendo em muitos países e o Brasil, como  grande produtor de proteína animal, precisa estar atento para este movimento voltado, também, para a cadeia produtiva vegetal.

Pesquisa está preparada

Os microbiomas completam o conjunto de tendências apontadas por Celso Moretti. De acordo com o presidente da Embrapa, os estudos sobre os microrganismos localizados em volta do sistema radicular ou no rúmen de animais podem ajudar a produzir melhores tecnologias, como é o caso das bactérias que solubilizam o fósforo e de bactérias que melhoram o metabolismo de ruminantes.

Celso Moretti também abordou a importância da convergência tecnológica, reunindo o uso de conhecimento de bio, nano e de geotecnologia juntos no mesmo ambiente. Ele indica que a pesquisa pública brasileira está preparada para seguir dando sua contribuição no futuro, do mesmo modo que deu até o momento. Para isso, atua em várias frentes, mas mantém atenção especial a temas que, no momento, tem maior capacidade de gerar impacto amplo na produção de alimentos e na sustentabilidade.

A palestra técnica online foi transmitida pelo canal Embrapa no youtube e faz parte da programação de eventos promovidos pela Embrapa Arroz e Feijão e Embrapa Florestas, sendo coordenado pela pesquisadora da Embrapa Floresta, Cristiane Fioravante Reis. O evento teve participantes de várias instituições do país e do exterior, das Unidades da Embrapa, as universidades federais e estaduais, representantes do setor produtivo, consultores e executivos do setor público, da iniciativa privada, além das Organizações Federais e Estaduais de Pesquisa Agropecuária.

Foto: Jorge Duarte 

Hélio Magalhães (DRT MG 4911)
Embrapa Arroz e Feijão

Contatos para a imprensa
cnpaf.arroz-e-feijao.imprensa@embrapa.br
Telefone: 6235332108