Pesquisa desenvolve protocolo para produzir carne neutralizando emissões de gases – 01/09/2020

  • Certificação identifica carne produzida em sistemas que neutralizam emissões de gases de efeito estufa.
  • CCN atribui diferencial competitivo ao produtor e abre portas para mercados internacionais exigentes.
  • Além da preocupação ambiental, protocolo abrange bem-estar animal, boas práticas e conformidades legais.
  • Selo CCN também confere rastreabilidade e atesta responsabilidade social do produtor

Pesquisadores da Embrapa desenvolveram um protocolo a ser seguido por fazendas interessadas em produzir carne mitigando os impactos causados pelas emissões de gases causadores de efeito estufa, os GEE. Considerada uma das fontes emissoras desses gases, especialmente por causa do gás metano gerado no processo de digestão dos ruminantes, a pecuária é capaz de compensar suas emissões ao integrar a produção com o plantio de árvores e manejo adequado das pastagens, por exemplo.

De olho nessa solução, cientistas da Embrapa Gado de Corte (MS) desenvolveram as diretrizes para compensar as emissões geradas no campo, baseando-se em experimentos com medições e estimativas de emissão e absorção de carbono-equivalente envolvidas na pecuária. O resultado foi o protocolo Carne Carbono Neutro, que tem como base os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta, ou silvipastoris. A propriedade pode pleitear o uso do selo CCN após a avaliação e aprovação de uma certificadora independente. “A Carne Carbono Neutro está baseada nesse protocolo, um conjunto de normas que devem ser seguidas pelos produtores e atestadas por uma certificadora credenciada pela Embrapa,” resume a pesquisadora Fabiana Villa Alves.

A presença de árvores integradas ao sistema produtivo é uma das exigências do protocolo. O produtor pode optar por integrar a pecuária com floresta (IPF) ou ainda inserir lavoura no sistema, conhecido como ILPF ou integração lavoura-pecuária-floresta.

Árvores são fundamentais
Os pesquisadores explicam que as árvores têm um papel crucial no sistema produtivo, pois será principalmente em seus troncos que ficará armazenado o carbono retirado da atmosfera e contabilizado no balanço para neutralizar as emissões.

É possível estimar a quantidade fixada de carbono considerando o volume de madeira produzido pelas árvores, com base em equações que utilizam a sua altura e o seu diâmetro (à altura do peito). Em experimentos de longa duração, pesquisadores concluíram que o ideal é manter entre 200 e 400 árvores por hectare para neutralizar as emissões de metano de um a três bovinos adultos por ano, considerando que geralmente apenas metade dessas árvores são destinadas para produção de madeira serrada, que é o que efetivamente entra no cálculo de neutralização de acordo com o protocolo CCN. 

As árvores plantadas também trazem outras vantagens. Além de recomporem a paisagem rural, ainda colaboram para o bem-estar animal, ao criar um microclima de temperatura mais amena, proporcionado pela oferta de sombra abundante. Além disso, diversificam a renda do produtor, funcionando como um investimento de longo prazo com o qual o pecuarista também lucrará ao vender a madeira, oferecendo mais segurança financeira à atividade.

“A integração sendo bem feita, a lucratividade torna-se bem interessante”, atesta o engenheiro-florestal Moacir Reis, diretor da fazenda Boa Aguada do grupo Mutum e presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore MS). O gestor é da opinião de que quando se trabalha com um único produto, a atividade fica muito vulnerável aos riscos econômicos, o que se reduz com a diversificação de renda. 

Para ajudar o produtor no manejo de árvores plantadas em sistemas integrados, a Embrapa desenvolveu o software SisILPF, que simula o desempenho de plantios e formas de manejar as árvores nos sistemas integrados, de acordo com os objetivos do produtor. A ferramenta oferece suporte para manejo de precisão, análise econômica e planejamento do componente florestal. Está disponível para as principais espécies de pinus e eucalipto.

A pesquisadora frisa que a certificação não é da propriedade como um todo, e sim da área de produção da CCN. Esta deve ter, necessariamente, um sistema de ILPF ou ILP. Caso o produtor pense em implantá-lo em uma área de pastagem, deve ter o cuidado de colocar os animais somente quando as árvores estiverem com, no mínimo, seis centímetros de diâmetro. Essa medida assegura que a entrada dos animais no sistema não causará danos às árvores, diminuindo o valor comercial da madeira que será produzida. É também exigida a apresentação do inventário florestal anual contínuo, para fins de monitoramento do sequestro de carbono. 

Com finalidade semelhante, é obrigatório o registro dos teores de carbono no solo, por meio de amostragens bianuais. Esses valores não podem diminuir ao longo do tempo. Plantas invasoras na área da pastagem devem ser controladas, e o produtor deve fazer a reposição de nutrientes no solo. Caso haja excedente de pastagem, outros animais poderão pastejar na área CCN desde que seja respeitada a lotação máxima e que os animais estejam devidamente identificados. Já os animais do Programa CCN não devem pastejar em áreas não certificadas.

O registro do rebanho deve ser controlado e apresentado, constando o número de animais na área, com datas de entrada e saída, além das mortes ocorridas. Devem ser registrados da mesma maneira o uso de insumos agrícolas, nutricionais e veterinários e de controle zootécnico. É obrigatório o controle, inclusive, da saída de animais para qualquer outra área. À certificadora deve ser enviada uma listagem com a identificação individual dos animais e toda movimentação deles. 

Para efeitos de certificação são aceitos animais machos, inteiros ou castrados, e fêmeas. Todos devem ser rastreáveis e receber identificação visualmente diferente dos demais animais do rebanho. O programa preconiza o uso de marcação alternativa à marcação a fogo e veta totalmente mutilações.

Além das emissões
O protocolo CCN não se restringe aos cuidados ambientais, abrange também diversas outras áreas, como a de segurança do alimento. São exigidos procedimentos de manejo sanitário dos animais, além de mecanismos que permitam a rastreabilidade do produto ao longo da cadeia. 

O calendário sanitário de vacinas para o rebanho deve ser seguido à risca, e de acordo com a região e estado da fazenda. Deve haver registro das vacinas e a aplicação deve ser feita na “tábua do pescoço”, lugar correto para isso, de acordo com os especialistas. O animal que apresentar abscesso de vacina será desclassificado. A indicação do local da aplicação é válida também para vermífugos e demais medicamentos injetáveis. Toda terapêutica utilizada nos animais do programa CCN deve ser registrada em livro específico que será vistoriado pela certificadora.

A produção deve estar 100% em conformidade com o Código Florestal Brasileiro (Lei nº 12.651/2012) e apresentar comprovante de regularidade junto ao Cadastro Ambiental Rural (CAR).

O selo é concedido somente a propriedades que apresentem responsabilidade social. É necessário mostrar que a legislação trabalhista está sendo cumprida. A certificação verifica se os colaboradores são devidamente remunerados, se contam com boas condições de moradia, higiene, alimentação e trabalho, como o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs), por exemplo.

Alimentação de qualidade para o gado
A fonte principal de alimentação para os animais deve ser o pasto, e eles devem ser suplementados o ano todo. A suplementação alimentar não deve exceder a taxa de 2% do peso vivo, sendo permitida a terminação com suplementação (“confinamento à pasto”) por até 105 dias. A água fornecida aos animais deve ser de boa qualidade e por fluxo corrente ou, na impossibilidade, por renovação frequente. 

No manejo da pastagem, as espécies disponibilizadas devem ser as indicadas para as condições de solo e clima da região, e o manejo deve adotar técnicas que garantam alimento em quantidade e qualidade suficientes aos animais. O documento salienta que atenção especial deve ser dada à implantação e condução da forrageira, pois seu manejo inadequado pode acarretar degradação da pastagem, inviabilizando a concessão do selo. Por isso, devem ser respeitadas as alturas mínimas de pastejo de acordo com a espécie e cultivar utilizada. A Embrapa possui ferramentas que auxiliam o produtor nessa tarefa, como a régua de manejo de pastagem

Produto 100% brasileiro

“A CCN é uma tecnologia genuinamente brasileira. Não fomos atrás de soluções do exterior, pelo contrário, somos hoje referência para especialistas que vem de outros países conhecer nossa tecnologia,” orgulha-se Fabiana Villa, ressaltando que o trabalho brasileiro tem embasado programas de mitigação de GEE na pecuária de outros países, como Austrália e Argentina.

Mais do que uma tecnologia, o CCN é uma marca-conceito capaz de transformar a produção de proteína animal nacional e internacionalmente. Essa é a opinião do pesquisador da Embrapa Cleber Oliveira Soares, atual diretor do Departamento de Apoio à Inovação Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “O conceito Carne Carbono Neutro contribuirá não só para a produção sustentável de proteína de origem animal no Brasil e nos trópicos, mas também para ganhos produtivos e ambientais em curto, médio e longos prazos,” prevê Soares.

“A vantagem da certificação CCN é que ela não exclui outras certificações, e pode ser agregada aos selos de raças específicas. No caso de bovinos, outras marcas-conceito, com a mesma lógica da CCN, estão sendo criadas, como o Bezerro Carbono Neutro e Couro Carbono Neutro, dentro do que a Embrapa chamou de “Plataforma Pecuária de Baixa Emissão de Carbono”. A tendência é a consolidação desse movimento em outras cadeias produtivas,” acredita Villa.

O mercado para a CCN
O mercado da carne vermelha é de 13,2 milhões de toneladas anuais exportadas. Só o Brasil exportou 2,2 milhões, em 2019. O mercado para uma carne especial como da CCN é promissor, assim como é crescente o número de consumidores que exigem qualidade e sustentabilidade dos produtos. Grupos frigoríficos têm se interessado e acompanhado a evolução da produção da CCN. No dia 27 de agosto, a Marfrig lançou uma linha de produtos especial com a marca Viva, criada para diferenciar carnes produzidas sob a certificação CCN.

O pesquisador da Embrapa Gado de Corte Roberto Giolo acredita que a carne brasileira será beneficiada com o selo CCN e atingirá mercados mais exigentes, tanto o interno como o externo, podendo aumentar a exportação brasileira. Entre os potenciais clientes estão países da Europa. 

Giolo acredita que o selo será um facilitador para o alcance das metas nacionais previstas no Plano de Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC), uma vez que incentivará a adoção de sistemas integrados de produção.

“O programa é inovador e com grande potencial de crescimento,” aposta Fabian Perez Gonçalves, da empresa SGS de serviços de certificação. Sergio Pimenta, da certificadora SBC, disse que ficou surpreso com a base tecnológica e científica do protocolo CCN. “É bem ampla e nunca vi algo tão detalhado. São muitos conceitos, e o selo vai incentivar produtores a adotarem as tecnologias necessárias,” declara. A SBC opera vários protocolos no Brasil e é a maior certificadora de animais de rastreamento para exportação.

 

Eliana Cezar (MTb 15.410/SP)
Embrapa Gado de Corte

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Acre livre de aftosa: Gestão da informação sobre rebanho contribuiu para reconhecimento como área livre da doença – 31/08/2020

No dia 1º de setembro entra em vigor a instrução normativa editada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que reconhece os estados do Acre, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia e parte dos territórios do Amazonas e Mato Grosso como livres de febre aftosa sem vacinação. No Acre, a parceria entre a Embrapa e o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) permitiu organizar as informações sobre o rebanho bovino de 3,4 milhões de cabeças e os dados sistematizados subsidiaram a emissão de relatórios enviados ao Mapa, requisito para o processo.

“Foi possível identificar que 95,2% das propriedades rurais do Estado possuem até 500 cabeças de gado. São 22.070 pequenas e médias unidades produtivas que concentram 1,9 milhão de cabeças de gado, quantitativo que representa 56% do rebanho do Acre”, afirma Judson Valentim, pesquisador da Embrapa Acre.

O conhecimento detalhado dos dados sobre a evolução e movimentação dos rebanhos pecuários do Acre também trouxe benefícios para a ciência, permitindo à Embrapa focar suas pesquisas nos segmentos mais importantes desta cadeia produtiva. “Em 2019, a pecuária gerou um Valor Bruto da Produção (VBP) de aproximadamente R$ 1 bilhão e foi responsável por cerca de 50% de todo o VBP agropecuário do Acre”, destaca Valentim.

Para José Francisco Thum, presidente do Idaf, a organização de informações, como a geolocalização de propriedades rurais e a análise de trânsito de animais, foi fundamental no processo de obtenção da área livre de aftosa sem vacinação e a Embrapa teve um papel importantíssimo nesse trabalho. “Por meio de um acordo de cooperação entre as duas instituições foi possível realizar algumas análises exigidas pelo Mapa para que a equipe pudesse tomar a decisão com maior segurança, baseada sempre em critérios técnicos”, conta.

Há 15 anos o Acre foi considerado área livre de aftosa, mas com exigência de vacinação de todo rebanho duas vezes por ano. O Mapa editou, no dia 11 de agosto, instrução normativa que desobriga o Acre da necessidade de vacinação do rebanho. “Isso significará a ampliação das possiblidades de acesso da carne produzida no Estado, a mercados externos que remuneram melhor um produto de qualidade, com certificação sanitária e produzido à pasto. Tanto a boa infraestrutura de fiscalização do Idaf como a gestão eficiente das informações do rebanho foram exigências do Mapa para garantir a efetividade do sistema de governança sanitária local”, afirma Judson Valentim.

Pequenas e médias propriedades

Atualmente, cerca de 80% dos 25 mil produtores rurais acreanos envolvidos com a atividade pecuária trabalham com a venda de bezerros. São comercializados cerca de 550 mil bezerros por ano, segundo dados levantados pela equipe do Idaf. Os animais são vendidos para médios e grandes produtores, que atuam com as fases de recria e engorda.

As propriedades com rebanhos de até quinhentas cabeças, status de produção pecuária predominante no Acre, desenvolvem, principalmente, a atividade de cria. “Com a certificação sanitária, certamente haverá maior demanda e valorização da produção de bezerros, uma importante fonte de renda familiar”, avalia Valentim.

Mercado de carne

No contexto do mercado de carnes, o reconhecimento de Área Livre Sem Vacinação possibilitará ao Acre, futuramente, alcançar novos mercados internacionais. De acordo com o presidente do Idaf, alguns países exigem essa condição sanitária e a instrução normativa do Mapa é um passo importante para o reconhecimento pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

“Quando conseguirmos esse reconhecimento na esfera internacional estaremos aptos a oferecer os produtos de origem animal do Acre para outros países. Com essa abertura, haverá uma tendência natural de valorização do rebanho acreano e, com isso, a melhor remuneração para os rodutores rurais do Estado, bem como o maior aperfeiçoamento do segmento pecuário e mais investimentos no setor agroindustrial, o que ampliará o uso de novas tecnologias no campo”, comenta Thum.

Para o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Acre, Assueiro Veronez, o status de zona Livre Aftosa significa ganhos na qualidade de carne e na confiança sanitária no produto. “O consumidor passou a ser muito exigente e conquistar mercados assim irá resultar em ganhos para toda a cadeia produtiva. Nós temos nichos muito valorizados que não compram a carne brasileira porque se pressupõe que havendo vacinação, é possível que o vírus esteja circulando e muitos países não querem correr riscos”, enfatiza.

Segundo Assueiro , são cerca de 40 anos de trabalho e parceria entre produtores rurais e poder público para que se chegasse nesse estágio. “Hoje nós temos o Fundo de Desenvolvimento da Pecuária do Acre (Fundepec) que arrecada recursos do produtor rural sempre que ele comercializa gado e esse fundo tem apoiado o Idaf com contratações de técnicos e infraestrutura. Agora precisamos trabalhar com o objetivo de manter esse status sem vacinação e para isso vamos precisar de atenção veterinária refinada e de um sistema de vigilância atuante”, ressalta.

De acordo com Edivan Azevedo, secretário de Produção e Agronegócio do Acre, os benefícios vão além dos ganhos econômicos. “Ao se fortalecer, a atividade pecuária gera renda, empregos e impostos, permitindo maior investimento na recuperação de áreas degradadas e já alteradas, que podem adotar o sistema integração lavoura e pecuária (ILP), integração lavoura pecuária e floresta (ILPF) e plantio direto, tecnologias geradas pela Embrapa e que estão disponíveis para aplicação no campo com apoio da extensão rural ofertada pelo Governo do Estado”, afirma.

A Embrapa atua para gerar e disponibilizar soluções de inovação para os produtores rurais, com foco na adoção de boas práticas de formação e manejo de pastagens, inclusive com uso de pastos consorciados com leguminosas como o amendoim forrageiro. “Também são prioridades da empresa as pesquisas para elevar o padrão genético dos rebanhos, utilizando touros melhoradores ou práticas de inseminação e cruzamentos industriais, e para melhorar a nutrição e manejo sanitário dos rebanhos, bem como o gerenciamento das propriedades rurais”, complementa Valentim.

Foto: Bruno Pena Carvalho 

Priscila Viudes (Mtb 030/MS)
Embrapa Acre

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Seagri-SE e Embrapa realizam atualização técnica sobre manejo da gliricídia – 28/08/2020

Pesquisadores da Embrapa e secr. da Agr. de SE (abaixo à esq.)

A produção, o manejo e a utilização de gliricídia para alimentação animal foram o tema central da capacitação online realizada pela Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), em parceria com a Embrapa no último dia 26 de agosto. 

A atualização sobre o tema contempla o processo de fortalecimento das ações relacionadas ao Projeto Sergipe de Combate à Desertificação no Alto Sertão Sergipano, uma ação realizada em alinhamento com o Ministério do Meio Ambiente – MMA e Programa das Nações Unidas – PNUD, com recursos do Fundo Global para o meio Ambiente (GEF). O curso foi ministrado pelo médico Veterinário e doutor em zootecnia da Embrapa, Rafael Dantas.

A Seagri já desenvolve uma parceria exitosa com o Governo Federal, por meio da Embrapa Semiárido (Petrolina, PE), com a implantação do Campo de Aprendizado Tecnológico – CAT no Alto Sertão sergipano. Agora, a parceria amplia-se, disponibilizando informações sobre inovação no cultivo consorciado de gliricídia com palma forrageira, como uma das atividades no Projeto Sergipe de Combate à Desertificação. O principal objetivo é fortalecer os projetos de assentamento de reforma agrária no estado.

O conteúdo técnico foi apresentado pelo pesquisador Rafael Dantas da Embrapa Semiárido, baseado na Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), com moderação da pesquisadora da Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora, MG) Elizabeth Fernandes, articuladora de ações de transferência de tecnologia em ILPF para o Nordeste. Rafael detalhou as técnicas de produção, manejo e utilização da gliricídia para alimentação animal dentro de um sistema integrado adaptado às condições do Semiárido.

O Superintendente do Ibama em Sergipe, Romeu Boto, participou do evento representando o Ministério do Meio Ambiente. Ele destacou que a capacitação dá sustentação na busca de resultados. “Esta é uma capacitação com foco em resultado. O lema do Ministério do Meio Ambiente é ‘ambientalismo de resultado’ e nosso foco é ampliar os resultados que o projeto pode integrar no contexto do estado de Sergipe. Então, essa capacitação vem suprir essa carência, para que se tenha a efetividade do consórcio da gliricídia com a palma, para uma produtividade ainda maior da bacia leiteira de Sergipe”.

“Essa é uma oportunidade ímpar de fazer esse trabalho em parceria com a Secretaria da Agricultura de Sergipe, com apoio do Ministério do Meio Ambiente. Faz muito anos que não tínhamos uma parceria tão forte com a Seagri de Sergipe. Ou seja, aqui a gente tem um caso típico de uma via de dupla mão, de forma que a Embrapa aporta a informação, traz inovação tecnológica e as políticas públicas faz o micro processo de inovação chegar ao produtor”, pontua o chefe Geral da EMBRAPA Semiárido, Pedro Carlos Gama da Silva.

O secretário de Estado da Agricultura, André Bomfim, reforçou a perspectiva de efetividade da capacitação. “A atualização técnica acontece num momento importante, porque antecede a fase da entrega de mais de 140 mil mudas de gliricídia, que acontecerá a partir do dia 31 de agosto. Só com a gliricídia serão beneficiadas 350 famílias neste primeiro ano. Até o final do projeto, nessa parceria com MMA, PNUD e demais entes estaduais, deverá beneficiar mais de 3 mil famílias. Em diálogo com os parceiros, entendemos a importância dessa planta, tanto no combate à desertificação quanto para a sustentação da bacia leiteira sergipana. Estamos falando de uma planta que é fixadora de nitrogênio, tem um teor de proteína considerável e é uma leguminosa que reduz o custo de produção para a cadeia leiteira”, conclui André Bomfim.

 

*Redação da Assessoria de Comunicação da Seagri-SE, com complementação de Saulo Coelho
 
Saulo Coelho (MTb/SE 1065)
Embrapa Tabuleiros Costeiros

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Webinar aponta mitos e verdades do agro – 28/08/2020

Gustavo Spadotti apresentou resultados dos estudos sobre atribuição, uso e ocupação das terras no Brasil

O analista Gustavo Spadotti, da Embrapa Territorial, esclareceu, no 2º webinar da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram), no dia 27 de agosto, alguns mitos e verdades do agro. Ele apontou quais dessas afirmações: O Brasil é o celeiro do mundo; Brasil só transporta por rodovias; No Brasil há equilíbrio entre produzir e preservar; O agro está destruindo a Amazônia, são verdadeiras ou mitos.

Dos temas abordados, o único verdadeiro é o equilíbrio entre produção e preservação. Para justificar a resposta, Spadotti apresentou resultados dos estudos sobre atribuição, uso e ocupação das terras no Brasil. Ele ressaltou o papel do agricultor no processo de proteção ambiental, em que 219 milhões de hectares são destinados à preservação nas propriedades rurais. 

“Dentro dos imóveis rurais, em média, 48% da área são destinadas à preservação da vegetação nativa. Ou seja, 26% do território brasileiro são preservados pelos produtores. Somando com os 30% das áreas protegidas por lei, em unidades de conservação e terras indígenas, e as áreas devolutas, o total é de 66% do território brasileiro destinados à proteção ao meio ambiente”, declarou. 

Para demonstrar o esforço financeiro dos produtores, Spadotti ainda citou resultados dos estudos de valoração da área preservada pela categoria. São cerca de 3 trilhões de reais de patrimônio fundiário imobilizado na preservação ambiental. Se os produtores utilizassem a área preservada para cultivo, de milho, por exemplo, o ganho anual seria de quase R$ 20 bilhões.

Na opinião do supervisor, o País precisa vencer a “batalha da comunicação” e transmitir para todo o mundo a mensagem de que no Brasil, produção e preservação andam de mãos dadas. “Para vencer essa batalha, precisamos de três coisas. Perícia, que é mostrar as boas práticas que realizamos. As armas, que são as entidades de classe. E a munição são os dados da Embrapa Territorial, disponíveis para embasar as argumentações sobre o tema”, afirmou.

Mitos

O Brasil não é o celeiro do mundo, mas é um grande “player”. Nos últimos 40 anos, o País transformou a agricultura tropical e obteve aumento de produtividade. “Se continuássemos com o nível de tecnologia dos anos 70, precisaríamos de mais de 130 milhões de hectares para nossa produção atual. Somos competitivos por causa da tecnologia e utilizamos apenas 7,8% do nosso território para produção de alimentos de origem vegetal”, destacou Spadotti.

Ele explicou que o aumento da produção agrícola pode seguir três caminhos: pela expansão das áreas cultivadas, pela intensificação do uso da terra, com sistemas de produção integrados, como ILPF (Integração Lavoura, Pecuária e Floresta) e pelo aumento da produtividade. Para garantir a competividade “pós-porteira”, Gustavo disse que é fundamental o país investir em logística para o escoamento de cargas.

Apesar da maior parte das cargas agrícolas (60%) escoarem por rodovias, é mito afirmar que o Brasil só transporta por este modal. Spadotti citou resultados de duas pesquisas, uma realizada pela Empresa de Pesquisa e Logística (ELP) e outra pela Embrapa Territorial em parceria com a Empresa Macrologística. Em alguns portos, de acordo com a última pesquisa, grande parte das cargas chega por ferrovias e hidrovias. Segundo Spadotti, a integração entre os modais é uma melhoria de custos de escoamento das cargas, que, consequentemente, reflete nas atividades do produtor.

Com o intuito de comprovar que é mito a afirmação de que o agro está destruindo a Amazônia, Spadotti mostrou gráficos com os índices de desmatamentos, expansão da pecuária e produção de soja. Também apresentou resultados de estudos que apontam a preservação de 86,2% do bioma. Ele defendeu a necessidade de gerir melhor as áreas já antropizadas, levando tecnologias para os produtores, e a elaboração de um plano para a Amazônia.

Assista a live aqui. 

 
 
Liliane Castelões (MTb 16.613/RJ)
Embrapa Territorial

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“Integração Lavoura-Pecuária-Floresta gerencia desafios com sustentabilidade, responsabilidade e ética”, diz diretor da Rede ILPF – 02/09/2020

 

O primeiro dia do Seminário internacional sobre Sistemas agrossilvipastoris na América Latina e Caribe, realizado ontem, 1º de setembro,  abordou as pesquisas e experiências nessa área no Brasil e na Colômbia. Hoje, dia 2 de setembro, será a vez da abordagem dos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta na Argentina e Paraguai. Da Argentina, virão Pablo Peri,  pesquisador do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária – INTA e os produtores Eduardo de Coulon e Jorge Esquivel. Do Paraguai, os engenheiros florestais Laura Quevedo, da Faculdade de Ciências Agrárias – FCA da Universidade Nacional de Assunção – UNA, e Rafael Ortiz, da Unique Wood Paraguay. Assista as palestras do primeiro dia aqui.

O evento está reunindo pesquisadores e produtores do Brasil e de mais sete países da América Latina e Caribe para apresentar os sistemas agrossilvipastoris a produtores, técnicos, comunidade científica e interessados no tema, e ainda trocar experiências das instituições de pesquisa que estudam e realizam experimentos nesses sistemas no Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, México, Colômbia, Chile e Cuba. O seminário, aberto gratuitamente a todos os públicos, está sendo realizado entre 16h e 19h e transmitido online por meio do canal da Embrapa no YouTube: https://www.youtube.com/Embrapa.

Relatos do Brasil 

Na abertura do evento, a chefe-geral da Embrapa Cocais, Maria de Lourdes Mendonça, frisou a importância da tecnologia Integração Lavoura-Pecuária-Floresta – ILPF para contribuir com o desafio de alimentar o mundo com sustentabilidade. A coordenadora da Rede Argentina de Ciência e Tecnologia Florestal, Ana Maria Lupi, falou de como instituições de pesquisa e ensino da América do Sul e Caribe se reuniram, desde 2018, para realizar ações conjuntas de divulgação em sistemas agrossilvipastoris. “Nosso objetivo é fortalecer essa rede, a RedSiip, e este evento é a primeira ação formal e pública de compartilhamento de estudos e experimentos realizados em seus respectivos países, inclusive com a participação importante dos produtores, usuários da tecnologia”.

O evento foi iniciado com a palestra do diretor da Rede ILPF, Renato Rodrigues, também pesquisador da Embrapa Solos. Rodrigues contextualizou o panorama atual, de crescimento populacional, esgotamento de recursos naturais, mudança do clima, degradação de solos e urbanização, cenário, segundo ele, em que é vital pensar em soluções cada vez mais urgentes. Para o pesquisador, lidar com esses desafios requer uma abordagem sistêmica que gerencia as complexidades de maneira sustentável, responsável e ética, valores essenciais para a produção, consumo e toda a cadeia produtiva.

Nesse sentido, Rodrigues falou que a adoção de tecnologias e sistemas sustentáveis de produção de alimentos é extremamente importante para se garantir segurança alimentar e nutricional da população e a preservação do meio ambiente, como a ILPF. “É uma tecnologia que não só aumenta a produção, mas também a qualidade do alimento produzido. Ainda é possível aumentar mais a produtividade desses sistemas, diversificar a produção, agregar valor a produtos, certificar propriedades, organizar as cadeias produtivas e criar novos mercados. Além disso, a ILPF pode ser utilizada em qualquer propriedade, levando em consideração as peculiaridades dos diversos biomas brasileiros. Estimamos que a área ocupada com ILPF ocupe hoje mais de 17 milhões de hectares e vamos trabalhar para atingir 30 milhões em 2030, reflexo também com nosso compromisso voluntário de emissões de gases de efeito estufa”, explicou.  

O diretor da Rede ILPF também relatou brevemente as principais mudanças da agropecuária brasileira nos últimos 40 anos: transformação de solos ácidos e pobres em solos férteis; tropicalização de sistemas de produção e desenvolvimento de uma plataforma de práticas sustentáveis e políticas públicas. “Como consequência desse trabalho orquestrado pela Embrapa em nível nacional em parceria com as instituições estaduais de pesquisa e ensino, a produção de alimentos cresceu cerca de 400% e a produtividade, 200%, poupando-se 250 milhões de hectares. Atualmente cerca de 66% do nosso território é de vegetação nativa e 30% é formado por pastagens, lavouras e florestas plantadas. Precisamos melhorar no quesito recuperação de pastagens degradadas, o que a ILPF tem papel fundamental”, finalizou. 

A Associação Rede ILPF é uma entidade privada, sem fins lucrativos e independente, formada a partir de uma parceria público-privada e tem o objetivo de acelerar a ampla adoção das tecnologias de ILPF por produtores rurais para a intensificação sustentável da agricultura brasileira.

O produtor Luciano Muniz, que também é professor da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, explicou que implantou há três anos uma Unidade de Referência Tecnológica – URT de ILPF em sua propriedade em Pindaré-Mirim-MA. “Na URT, testamos alguns componentes florestais, como babaçu e sabiá (nativos) e eucalipto (exótico). Estamos colaborando com essa experiência mostrando que a ILPF permite diversificar a produção com receita de três atividades produtivas ao mesmo tempo e ainda recuperar as pastagens degradadas e diminuir as emissões de gás carbono, o que faz da ILPF uma tecnologia de baixo carbono”, opinou o produtor. A UEMA é parceira da Embrapa Cocais nas pesquisas sobre ILPF no Maranhão.

Da Colômbia, falaram o pesquisador do Centro de Pesquisa em Sistemas Sustentáveis de Produção Agropecuária – Cipav, Julian Chara, e o produtor de El Doncello, Caquetá, Adrian Chindicué.  

O evento foi uma articulação da Embrapa Cocais, unidade da Embrapa no Maranhão, e tem coordenação das seguintes instituições, por país participante: Brasil – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/Embrapa Cocais, Associação Rede ILPF e Gintegra; Argentina – Rede Argentina de Ciência e Tecnologia Florestal – Conicet; Chile – Instituto de Ciências Agroalimentares, Animais e Ambientais – Universidade de O’Higgins; Colômbia – Centro de Pesquisa em Sistemas Sustentáveis de Produção Agropecuária; Cuba – Estação Experimental de Pastos e Forragens Indio Hatuey; México – Rede Temática de Sistemas Agroflorestales de México; Paraguai – Faculdade de Ciências Agrárias – Universidade Nacional de Assunção; Uruguai – Polo Agroflorestal – Casa da Universidade de Cerro Largo – Universidade da República e Rede Global de Sistemas Agrossilvipastoris.

Para conferir a programação e mais detalhes do evento acesse https://www.embrapa.br/web/portal/busca-de-eventos/-/evento/430060.

 
 
Flávia Bessa (MTb 4469/DF)
Embrapa Cocais

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Marfrig lança linha de carne carbono neutro em parceria com a Embrapa – 27/08/2020

Os produtos da marca Viva já estão sendo comercializados em supermercados de São Paulo.

A Marfrig e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) anunciaram hoje (27) o lançamento da marca Viva, uma nova linha de carnes com atributos de sustentabilidade. Desenvolvida pela Embrapa, a carne carbono neutro (CCN) é uma certificação do gado criado em sistemas de integração do tipo silvipastoril (pecuária-floresta) ou agrossilvipastoril (lavoura-pecuária-floresta, ILPF).  

Para desenvolver a Viva – que dá nome a diferentes cortes de carne bovina para grelha e dia a dia – a Marfrig investiu cerca de 10 milhões de reais. Os recursos foram alocados em pesquisa, certificação de propriedade, construção da marca, construção dos padrões de corte, divulgação, royalties, entre outros. A linha será vendida, a partir deste mês de forma exclusiva em 10 lojas selecionadas do Pão de Açúcar na cidade de São Paulo, e posteriormente a nível nacional. 

Os produtos da linha Viva são provenientes de animais inseridos em um sistema de produção pecuária-floresta, que neutraliza as emissões de metano dentro de um protocolo desenvolvido pela Embrapa. Essa compensação é assegurada a partir da certificação e verificação por auditorias independentes. Além disso, o protocolo garante produtos diferenciados e de alta qualidade, bem como todos os preceitos de bem-estar animal atendidos dentro do sistema de produção.

Produção sustentável 

“Ao incentivarmos a produção sustentável geramos valor para a empresa e para a cadeia de negócios. Além disso, o desenvolvimento da carne carbono neutro, em parceria com um dos mais respeitados centros de pesquisa e de inovação do agronegócio mundial – a Embrapa, reafirma o nosso compromisso com quatro dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU ” diz Miguel Gularte, CEO da Marfrig. São eles: combate às alterações climáticas, vida sobre a Terra, consumo e produção responsáveis e parcerias em prol das metas.

Para a Embrapa, a produção de carne carbono neutro fortalece o mercado interno e, futuramente, a exportação de carnes para países exigentes, diferenciando o produto brasileiro em questões de sustentabilidade. “É um projeto que conta com a participação de 12 centros de pesquisa da Embrapa, envolvendo uma rede de mais de 150 pesquisadores e ainda diversas instituições. O agro será o motor da retomada brasileira e vai precisar de parcerias como essa, unindo esforços dos setores público e privado”, enfatizou Celso Moretti, presidente da Embrapa.

“A parceria com a Marfrig posiciona a nossa carne em um novo patamar de percepção de valor nos mercados nacional e internacional, e atende a crescente demanda por práticas sustentáveis de produção e ações que garantam o bem-estar animal, com foco nos sistemas em integração, que contribuem tanto com a mitigação, quanto com a redução dos gases de efeito estufa”, afirma a diretora-executiva de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Adriana Regina Martin.

A diretora de Sustentabilidade do Pão de Açúcar, Susy Yoshimura, afirma que, além do consumo consciente, é importante fortalecer a curadoria de produtos mais sustentáveis, incentivando a cadeia de valor para inovação nos processos de produção com menor impacto socioambiental. “É um privilégio, em parceria com a Marfrig, oferecer com exclusividade o lançamento da linha Viva em nosso portfólio e ampliar as opções de carbono neutro aos nossos clientes que buscam produtos de qualidade e com atributos sustentáveis”, afirma.

Sob o ponto de vista do produtor, as vantagens da integração pecuária-floresta são evidentes não só em termos de ganho para o meio ambiente, mas também em conforto animal e produtividade. “A certificação CCN coroa a nossa dedicação a um projeto de integração que iniciamos em 2009”, diz Arthur Pollis, presidente da Santa Vergínia Agro, primeira propriedade rural no Brasil certificada com o selo CCN e fornecedora de gado para a Marfrig, no estado de Mato Grosso do Sul. 

Sobre o selo Carne Carbono Neutro

A principal finalidade da marca-conceito CCN desenvolvida pela Embrapa é atestar a produção de bovinos de corte em sistemas com a introdução obrigatória de árvores como diferencial. Nessas condições, a presença do componente arbóreo em sistemas de integração do tipo silvipastoril (pecuária-floresta, IPF) ou agrossilvipastoril (lavoura-pecuária-floresta, ILPF) neutraliza o metano entérico (exalado pelos animais), um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa que provoca o aquecimento global.

O conceito pode impulsionar a exportação, principalmente para o mercado europeu, que é muito exigente. A perspectiva é melhorar a visibilidade da carne brasileira e promover maior adoção dos sistemas ILPF e IPF no Brasil. Estudo realizado na Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS) mostra que cerca de 200 árvores por hectare seriam suficientes para neutralizar o metano emitido por 11 bovinos adultos por hectare ao ano, sendo que a taxa de lotação usual no Brasil é de um a 1,2 animais por hectare.

Sobre a Marfrig

A Marfrig é das companhias líderes em carne bovina no mundo, com receita líquida de 41,4 bilhões de reais em 2019, capacidade diária de abate de mais de 31,8 mil de cabeças de bovinos em suas unidades da América do Sul e América do Norte, bem como uma capacidade de produção de 232 000 toneladas de hambúrgueres por ano. Emprega mais de 30 000 colaboradores, distribuídos em 32 unidades produtivas, processa e comercializa carne in natura, produtos processados, pratos prontos à base de carne bovina, produtos complementares e derivados de carne, além de couro para os mercados doméstico e internacional. Reconhecida pela qualidade de seus produtos e por sua atuação sustentável, a Marfrig mantém projetos pioneiros para a preservação do meio ambiente e dos recursos naturais.

Sobre o Pão de Açúcar

Com lojas distribuídas em 13 estados do Brasil, o Pão de Açúcar oferece soluções eficientes e inovadoras para deixar a compra de seus consumidores mais fácil, prática e gostosa. Focada no segmento premium de varejo alimentar, a marca é parte do GPA, uma das maiores companhias do varejo nacional. O Pão de Açúcar é pioneiro em inciativas sustentáveis dentro do segmento supermercadista brasileiro e no lançamento de um programa de fidelidade, o Pão de Açúcar Mais, hoje com mais de 7 milhões de cadastrados. A marca está presente em supermercados (185 lojas), lojas de bairro (Minuto Pão de Açúcar, com 84 unidades), e-commerce (www.paodeacucar.com) e por meio de seu aplicativo – gratuito e disponível nas lojas App Store e Google Play.
 

Foto: Robinson Cipriano
Robinson Cipriano (MTb 1727/88-DF)
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Patricia Dantas
Marfrig

Seminário internacional on-line aborda sistemas agrossilvipastoris na América Latina e no Caribe – 26/08/2020

Foto: Joaquim Costa

Entre os dias 1 e 4 de setembro, palestrantes do  Brasil e mais sete países da América Latina e Caribe irão apresentar os sistemas agrossilvipastoris a produtores, técnicos, comunidade científica e interessados no tema, e ainda trocar experiências de instituições de pesquisa que estudam e realizam experimentos nesses sistemas no Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, México, Colômbia, Chile e Cuba. O seminário, aberto gratuitamente a todos os públicos, será realizado entre 16h e 19h e será transmitido online por meio do canal YouTube da Embrapa: https://www.youtube.com/Embrapa. 

O evento foi uma articulação da Embrapa Cocais, Unidade da Embrapa no Maranhão, e tem coordenação das seguintes instituições, por país participante: Brasil – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/Embrapa Cocais, Associação Rede ILPF e Gintegra; Argentina – Rede Argentina de Ciência e Tecnologia Florestal – Conicet; Chile – Instituto de Ciências Agroalimentares, Animais e Ambientais – Universidade de O’Higgins; Colômbia – Centro de Pesquisa em Sistemas Sustentáveis de Produção Agropecuária; Cuba – Estação Experimental de Pastos e Forragens Indio Hatuey; México – Rede Temática de Sistemas Agroflorestales de México; Paraguai – Faculdade de Ciências Agrárias – Universidade Nacional de Assunção; Uruguai – Polo Agroflorestal – Casa da Universidade de Cerro Largo – Universidade da República e Rede Global de Sistemas Agrossilvipastoris.

O pesquisador Joaquim Costa, da Embrapa Cocais, ressalta que cada país tem modelos específicos de sistemas agrossilvipastoris. “O seminário vai propiciar o intercâmbio de conhecimentos científicos e práticos e reforçar o valor da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta – ILPF, tecnologia desenvolvida pela Embrapa. A ILPF tem se mostrado eficiente em todo o Brasil, com retornos econômico, ambiental e social positivos. Com adoção de ILPF por pecuaristas, é possível aumento considerável na produtividade da pecuária nacional, mantendo as mesmas áreas atuais de pastagem, sem a necessidade de desmatamento e abertura de novas áreas. Na região Nordeste, a ILPF é fundamental aos sistemas produtivos pecuários, pois aumenta a renda do produtor e oferece meios de convivência com as adversidades climáticas”.

Para o diretor da Rede ILPF, Renato Rodrigues, pesquisador da Embrapa Solos, considerando o panorama atual, de crescimento populacional, esgotamento de recursos naturais, mudança do clima, degradação de solos e urbanização, é vital pensar em soluções. Lidar com esses desafios requer uma abordagem sistêmica que gerencia as complexidades de maneira sustentável, responsável e ética. Nesse sentido, Rodrigues acredita que, a adoção de tecnologias e sistemas sustentáveis de produção de alimentos é extremamente importante para se garantir segurança alimentar e nutricional da população e a preservação do meio ambiente, como a ILPF. “É uma tecnologia que pode ser utilizada em qualquer propriedade, levando em consideração as características locais e regionais. Estimamos que a área ocupada com ILPF ocupe hoje mais de 17 milhões de hectares e vamos trabalhar para atingir 30 milhões em 2030. Além disso, ainda é possível aumentar ainda mais a produtividade desses sistemas, diversificar a produção, agregar valor a produtos, certificar propriedades, organizar as cadeias produtivas e criar novos mercados”. A Associação Rede ILPF é uma entidade privada, sem fins lucrativos e independente, formada a partir de uma parceria público-privada e tem o objetivo de acelerar a ampla adoção das tecnologias de ILPF por produtores rurais para a intensificação sustentável da agricultura brasileira.

A família do professor e pesquisador da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, Luciano Muniz tem uma Unidade de Referência Tecnológica – URT de ILPF em sua propriedade, em Pindaré-Mirim-MA. Luciano destaca que a ILPF é uma tecnologia para a prática agropecuária de baixo carbono e que o Brasil tem compromisso de diminuir suas emissões de gás carbono até 2030. “Na URT, testamos alguns componentes florestais, como babaçu (natural) e eucalipto e sabiá (exóticos). Pretendemos colaborar com essa experiência mostrando que a ILPF permite diversificar a produção com receita de três atividades produtivas ao mesmo tempo e ainda recuperar as pastagens degradadas”, opinou o produtor. A UEMA é parceira da Embrapa Cocais nas pesquisas sobre ILPF no Maranhão.

Contribuições dos países estrangeiros – Para a pesquisadora da Rede Argentina de Ciência e Tecnologia Florestal Ana Maria Lupi, o principal desenvolvimento de sistemas silvipastoris na Argentina com florestas cultivadas ocorre nas províncias de Misiones, Corrientes, Neuquén e na área do Delta Bonaerense do Rio Paraná, enquanto a implantação desse sistema em floresta nativa está concentrada na Região da Patagônia e região do Chaco. “Atualmente, estão disponíveis informações para a implantação do sistema em escala comercial e seu posterior manejo nas mais diversas condições ambientais, o que possibilita avaliar economicamente as intervenções silviculturais e ter estratégias de gestão empresarial para aumentar a produtividade”. Um sistema inovador associado às florestas nativas é o Manejo de Florestas Nativas com Pecuária Integrada. “É um plano político-técnico, que permite estabelecer acordos intersetoriais para a articulação de instrumentos técnico-financeiros, de forma a otimizar os recursos do Estado e a aplicação das diretrizes por parte das províncias e produtores”, completa. No México, a biodiversidade existente favorece a presença de uma grande variedade de sistemas agrossilvipastoris associados às características das zonas áridas, semi-áridas, temperadas e tropicais, secas e úmidas. É o que conta o pesquisador José Manuel Palma García, da Rede temática de sistemas agroflorestales de México. “Observam-se as de tipo tradicional descrito pela Etnoagrofloresta como expressão cultural do território e as desenvolvidas por meio da ciência agrícola, todas elas refletidas numa vasta riqueza socioambiental e econômica”. Já no Chile, segundo a pesquisadora Paula Toro Mujica, do Instituto de Ciências Agroalimentares, Animais e Ambientais, pode-se encontrar distintos sistemas silvipastoris condicionados à diversidade climática e orientação produtiva. “Na zona centro do país, encontramos os sistemas silvipastoris tradicionais em que ovinos e / ou caprinos aproveitam as formações espinhais sob um clima mediterrâneo. Mais ao sul do país, em áreas de clima temperado, novas iniciativas buscam o manejo integrado de plantações de floresta nativa, pinus ou eucalipto, com bovinos e ovinos”, detalha. 

As inscrições para o seminário internacional podem ser feitas até dia 31 de agosto pelo link https://forms.gle/LsyY54WGwZGmSu5b9. Será emitido certificado, pela Embrapa, aos participantes. Para isso, será disponibilizada uma lista de frequência em cada apresentação, de cada país. Para obter o certificado, é necessário ter pelo menos 75% de presença até o final do evento. Para conferir a programação e mais detalhes do evento acesse https://www.embrapa.br/web/portal/busca-de-eventos/-/evento/430060.
 
Flávia Bessa (MTb 4469/DF)
Embrapa Cocais

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Eficiência na produção pecuária contribui para sustentabilidade – 24/08/2020

A produção a pasto traz bem-estar animal e fixação de carbono no solo

A carne brasileira é produzida majoritariamente em sistemas a pasto. Essa característica faz da pecuária nacional mais sustentável. De acordo com o produtor Caio Penido, presidente do Grupo de Trabalho de Pecuária Sustentável (GTPS) e do Instituto Mato-Grossense da Carne (IMAC), a produção a pasto traz bem-estar animal e fixação de carbono no solo. “No Brasil, além de uma carne de baixo carbono, em função desse sistema produtivo a pasto, temos toda a questão ambiental. O Código Florestal obriga o produtor rural a destinar de 20 a 80% da área de sua fazenda à conservação da vegetação nativa. Temos esses dois componentes que nossos concorrentes internacionais não têm. Biodiversidade garantida no sistema produtivo e a possibilidade de carne de baixas emissões”, explica.

Mas ainda há espaço para melhorar. De acordo com o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento, Alexandre Berndt, da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP), nossa pecuária caminha para ser cada vez mais sustentável. “É um país muito grande, com muita gente produzindo. Naturalmente, nem todos adotam as práticas sustentáveis. Mas é uma tendência. Observamos, empresas, produtores, cooperativas caminhando nesse sentido”, conta Berndt.

A Embrapa desenvolve pesquisas e tecnologias para tornar a pecuária eficiente e produzir mais alimento na mesma área e em harmonia com o meio ambiente. “Produzindo mais e melhor na mesma área ou em áreas menores, tiramos a pressão pela abertura de novas áreas”, explica Berndt. Os pesquisadores trabalham com sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e lavoura-pecuária-floresta (ILPF), estudos para redução de gases de efeito estufa, manejo hídrico, melhoramento genético, qualidade da carne e do leite, além de ferramentas de precisão e 4.0. O uso de identificação animal automatizada, dispositivos eletrônicos de pesagem e alimentação, sensores, termografia e estações meteorológicas automáticas possibilita a geração de dados com indicadores produtivos, comportamentais e fisiológicos em benefício da saúde, produtividade e bem-estar dos animais.

Soluções tecnológicas como, por exemplo, sistemas de integração (ILPF), recuperação de pastagens degradadas, uso de aditivos na nutrição, têm apresentado bons resultados na redução de emissões, no sequestro de carbono e contribuído para o desenvolvimento de uma agropecuária mais sustentável. Para Penido, é possível garantir a conservação, aumentar a oferta de alimento e reduzir as emissões. “No Brasil, podemos produzir mais, dentro da legislação ambiental brasileira”, fala o presidente do GTPS e do IMAC.

Biodiversidade

Para Penido, que também é fundador da Liga do Araguaia, o calcanhar de Aquiles do Brasil é o desmatamento ilegal. “A biodiversidade deveria ser o nosso grande diferencial competitivo no mercado internacional. Temos uma carne que carrega toda essa biodiversidade e isso deveria servir para agregar valor, mas não conseguimos em função de desmatamentos e incêndios florestais”, destaca. Penido acredita que é necessário fiscalizar e combater a ilegalidade. “Temos que qualificar esse desmatamento. Separar o joio do trigo. Como melhorar isso? É urgente implementar o código florestal e encontrar caminhos para que o produtor que tenha reserva legal na fazenda consiga se regularizar. Temos que mostrar que boa parte do setor não desmata. Uma vez que essas fazendas consigam ter o cadastro ambiental, poderemos então criar valor nos serviços ambientais prestados pela vegetação nativa conservada nas fazendas”, ressalvou.

O custo para o pecuarista produzir dentro do modelo do Código Florestal brasileiro é alto. Penido conta que para produzir numa área de pastagem, o produtor é obrigado a imobilizar uma parte do seu capital em floresta, além do custo para conservação anual, instalação de cercas para separar a mata nativa da área produtiva, manutenção dessas cercas, regularização ambiental, entre outros. “O produtor deve ser ressarcido por esse custo ambiental. A biodiversidade está prestando serviço para toda a sociedade, para toda a vida terrestre. Isso precisa ser monetizado”, destaca.

Debate

No dia 26 de agosto, a Embrapa Pecuária Sudeste promoveu uma live para debater a pecuária sustentável e de precisão. Participaram do evento comemorativo aos 45 anos do centro de pesquisa, além de Caio Penido, o produtor de orgânicos Marcos Palmeira e o pesquisador o Artur Chinelato, idealizador do programa Balde Cheio. Alexandre Berndt fez a moderação das discussões.

A live pode ser assistida no link: https://www.youtube.com/watch?v=4GwLAdof2lk

Foto: Juliana Sussai 

Gisele Rosso (Mtb 3091/PR)
Embrapa Pecuária Sudeste

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Artigo – Agricultura de Baixa Emissão de Carbono: tecnologias disponíveis – 14/08/2020

Feijão em plantio direto

Produzir alimentos, fibras e energia com o mínimo de emissão de carbono, especialmente na forma de gás carbônico (CO2), é o grande desafio para a moderna agricultura. Prática agrícola como o Sistema Plantio Direto é capaz de fixar quantidades significativas de CO2 no agroecossistema, contribuindo assim para a menor emissão desse gás para a atmosfera e, desta forma, mitigar o efeito estufa e o aquecimento global. Os sistemas de manejo do solo e de produção utilizados são fundamentais para a redução da emissão de CO2.

Em trabalhos já desenvolvidos pela Embrapa, fica evidente que, além de ser possível e viável o cultivo do algodoeiro em sistema plantio direto, houve um incremento de 55% do teor de carbono nos primeiros cinco centímetros de profundidade do solo, e em 20% na camada até 40 cm de profundidade. Com isso, em áreas cultivadas com o algodoeiro, menos carbono é emitido para a atmosfera. Além do algodoeiro é possível a utilização de outras culturas, nesta modalidade de cultivo, como soja, milho, feijão, arroz, olerícolas, dentre outras.

No sistema de plantio direto, o solo não é revolvido, é utilizada a rotação de cultura e o solo permanece coberto com palha ou material em crescimento. Nesse modelo de produção, além da redução da emissão de CO2, tem-se significativa redução dos processos erosivos e maior estabilidade da produção. Outra prática que se reveste da maior importância, quando o assunto é redução da emissão de CO2, é a recuperação de pastagens degradadas. Dos quase 200 milhões de hectares cultivados com pastagens no Brasil, estima-se que algo ao redor de 60% apresenta algum grau de degradação, com ocorrência em todos os biomas brasileiros.

Estima-se que, somente no bioma cerrado, mais de 30 milhões de hectares de pastagem apresenta algum grau de degradação e, destes, estima-se que cerca de 14 milhões de hectares estejam em Mato Grosso do Sul. O que tem haver a pastagem degradada com emissão de CO2? Tem tudo, pois se as plantas crescem menos devido à degradação, elas fixam menos CO2 via processo de fotossíntese, mas não deixam de emitir CO2. Se a produção de forragem é menor devido à degradação da pastagem, os animais irão permanecer por mais tempo no pasto para ganhar peso, e assim mais equivalente CO2 é emitido. Em síntese, sob as condições de pastagem degradada tem-se maior emissão de CO2 e menor produtividade, caracterizando a atividade pecuária como de baixa eficiência e poluidora. Exatamente ao contrário do conceito de intensificação ecológica, em que se produz mais alimento por unidade de área e que, ao mesmo tempo os impactos ambientais são minimizados.

A Embrapa, os institutos de pesquisa, as universidades e as fundações de pesquisa desenvolveram sistemas capazes de melhorar a produtividade da pecuária bem como de grãos e fibras, além de diversificar a fonte de renda como o plantio de espécies florestais, através da Integração Lavoura Pecuária e Florestas (ILPF), podendo em uma mesma área cultivar soja, pastagem e floresta, embora seja possível a utilização de sistemas mais simples como a Integração Lavoura Pecuária (ILP). Quando se utiliza o ILPF ou o ILP, a produtividade de carne é significativamente aumentada e ainda possibilita a produção de grãos, caracterizando-se como um sistema de intensificação sustentável. Assim, é possível aumentar a produção de carne, sem que haja necessidade de aumentar o rebanho, liberando áreas para a agricultura e reduzindo a emissão de CO2.

A grande extensão de pastagens degradadas constituem verdadeiros passivos ambientais, além da sua capacidade de acelerar processos erosivos que muitas vezes vão impactar áreas distantes. O objetivo é melhorar a produtividade agrícola, da pecuária e o ambiente de produção, onde a integração e a intensificação dos sistemas de produção constituem a chave do processo. Temos no Brasil, a iniciativa da Marca Conceito Carne Carbono Neutro (CCN), que é uma carne produzida em um sistema de produção que possibilita a sua certificação.

O Brasil possui diferentes tecnologias para redução da emissão de gases de efeito estufa. Existem também políticas públicas que incentivam a produção agrícola, pecuária e florestal em bases sustentáveis, como podemos citar o Plano de Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC), coordenado pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), executado pela Embrapa e pelo Senar. Com o objetivo de estimular a agricultura de baixo carbono, o Governo Federal criou no dia 21 de julho de 2020, a Comissão Executiva Nacional do Plano Setorial para Consolidação da Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura.

Tal iniciativa vem reforçar a preocupação e a importância que a sociedade brasileira dispensa ao tema.  No caso da região Centro-Oeste, existe disponibilidade de recursos financeiros via Fundo Constitucional do Centro Oeste (FCO), que financia iniciativas para recuperação de pastagens degradadas. No entanto, temos um grande desafio pela frente, que é demonstrar a possibilidade de se produzir soja, milho, café, algodão, feijão e carne em sistemas onde a emissão de CO2 é significativamente reduzida. Dessa forma, a recuperação das áreas com pastagem degradadas contribui para a melhoria da renda do produtor e para a diversificação da sua fonte de renda, além de melhorar a qualidade do ambiente.

Com isso é possível melhorar a qualidade de vida da população com a maior oferta de alimentos sem que para isso seja necessário a abertura de novas áreas agrícolas. O Brasil hoje ocupa posição de destaque na produção de grãos, carnes, fibras, celulose, suco de laranja, dentre outros produtos agrícolas. Continuar ocupando os mercados internacionais é um grande desafio que temos pela frente, pois os compradores externos estão cada vez mais exigentes no que se refere ao modelo de produção utilizado. Desta forma, não adianta apenas produzir mais, é preciso produzir com base sustentável. Temos tecnologias que, se incorporadas aos sistemas produtivos de grão, fibra, energia e carne, vão nos permitir aumentar a nossa produção, via aumento da produtividade e reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

Felizmente não são poucos os exemplos que temos deste modelo de produção no Brasil. Com isso precisamos melhorar, e podemos. Dada a importância deste assunto, está havendo conjugação de esforços entre entidades públicas, privadas e os agricultores para que a agricultura brasileira adote cada vez mais práticas que reduzam a emissão de CO2 nos sistemas de produção. 

Foto: Sebastião José de Araújo 

Fernando Mendes Lamas (Pesquisador)
Embrapa Agropecuária Oeste

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BIODIESEL WEEK: Palma de óleo, macaúba e canola são espécies promissoras para o biodiesel, diz pesquisador da Embrapa Agroenergia – 13/08/2020

Bruno Laviola foi um dos participantes da Biodiesel Week

O pesquisador da Embrapa Agroenergia Bruno Laviola foi um dos palestrantes do webinar “Novas matérias-primas para o biodiesel”, ocorrido no dia 11 de agosto. Entre os principais temas abordados, Laviola destacou a necessidade de diversificação de matéria-prima, as três oleaginosas com mais chances de sucesso para a produção de biodiesel e outras duas fontes que também devem ser consideradas.

Laviola iniciou sua participação destacando a importância da soja enquanto principal matéria-prima para a produção de biodiesel no Brasil. Entretanto, ele ressaltou a necessidade de diversifição de matéria-primas. De acordo com a Ubrabio, cerca de 70% do biodiesel no Brasil vem da soja, o que torna esse biocombustível vulnerável às oscilações de disponibilidade e de preço do grão no mercado.

“A soja foi e continuará sendo a principal matéria-prima para o biodiesel no Brasil, mas é importante que a gente tenha outras opções para que o País não fique na dependência dos riscos inerentes a uma ou poucas fontes de matérias-primas”, defendeu Laviola. “Além disso, a diversificação traz um componente ambiental, social e econômico muito importante, principalmente nas diferentes regiões do Brasil gerando novas fontes de renda”, explicou.

Diante desse cenário, o pesquisador da Embrapa enumerou as três oleaginosas preferenciais para a produção de biodiesel considerando aspectos como tecnologia e escala de produção, logística e valor de mercado dos óleos: palma de óleo (dendê), macaúba  e canola.

Sobre a palma de óleo, Laviola destacou como pontos fortes da oleaginosa a densidade energética (cerca de 4 mil kg de óleo/hectare – a soja produz 500 kg) que a torna a maior produtora de óleo no mundo e o preço altamente competitivo. Como desafios, citou a necessidade de aumentar a escala de produção.

“Hoje temos 250 mil hectares plantados de palma de óleo, mas um estudo de zoneamento agroecológico realizado em 2010 mostrou que temos mais de 30 milhões de áreas aptas já mapeadas que poderiam se utilizadas para o plantio desta oleaginosa”, disse Laviola.

A segunda espécie elencada pelo pesquisador como promissora para a produção de biodiesel é a macaúba. Segundo Laviola, trata-se de uma espécie perene e nativa do Brasil, ainda em domesticação e com múltiplas possibilidades de uso. Além disso, tem grande potencial produtivo, acima de 4 mil kg de óleo/hectare (semelhante à palma de óleo), segundo pesquisas realizadas pela Embrapa Agroenergia.

“Estamos investimento em melhoramento genético, bancos de germoplasma e seleção genética para encurtar o tempo do melhoramento e na seleção de plantas superiores com base no DNA para predizer o valor dessa oleaginosa para a geração de novas cultivares”, afirmou o pesquisador. 

A terceira espécie citada foi a canola, que é a terceira maior oleaginosa em termos de produção de óleo no mundo, ficando atrás apenas da palma e da soja. “O Brasil tem 40 mil hectares plantados com grande potencial de crescimento, sendo esta uma espécie anual e de ciclo muito curto, entre 90 e 120 dias”, destacou Laviola. A planta também tem o potencial de produzir entre 1 mil e 1,5 mil kg de óleo/hectare, tem o farelo rico em proteína (33%), preço semelhante ao da soja no mercado internacional e nenhuma toxicidade. 

“Uma das frentes de pesquisa da Embrapa Agroenergia são estudos para a tropicalização da canola. A produção nacional não atende o mercado alimentício e de biocombustíveis e ainda precisamos importar este insumo. O ideal seria aumentar a escala de produção desse óleo combinando soja e canola ou utilizando a canola como safrinha”, sugeriu o pesquisador.

Outras duas culturas citadas como promissoras por Laviola foram o óleo do milho, cuja produção para biodiesel vem crescendo no Brasil com o aumento de usinas produtoras e o sebo bovino, que pode ser trabalho em sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e diversificar a produção dos agricultores. 

O chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Alexandre Alonso, destacou a importância das parcerias privadas para estimular os trabalhos que têm sido realizados. “É preciso organizar uma rede com objetivos claros, que canalize recursos para os estudos e traga a iniciativa privada para o estabelecimento de modelos de parcerias”, destacou Alonso. 

Diversificação de matérias-primas é o maior desafio do setor

O respresentante do MCTI, Rafael Menezes, afirmou que o biodiesel está entre as prioridades das estratégia de ciência, tecnologia e inovação do governo e conta com um plano específico para atuar em pesquisa e desenvolvimento nessa área. Ele destacou como principal desafio para a produção de biodiesel a diversificação de fontes de matéria-prima.

“A produção de biodiesel está na dependência de uma única fonte de matéria-prima, o que, de erta forma, contrapõe o que era o objetivo inicial do programa de biodiesel, que era sustentar a sua cadeia de produção e uso com base na diversidade de matérias-primas existentes nas cinco regiões do País”, lembrou Menezes. 

Sobre este assunto, a professora e pesquisadora Juliana Lichston, do Laboratório de Investigação de Matrizes Vegetais Energéticas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), lembrou que o Brasil tem condições de produzir novas matérias-primas mesmo em áreas com clima pouco favorável à agricultura. Ela citou como exempo o cultivo do cártamo no Semiárido brasileiro. “Temos há quatro anos uma parceria com a Ben-Gurion University, de Israel, que possui um know how incrível em cultivo de plantas em ambientes desérticos”, afirmou a pesquisadora, destacando a busca por uma metodologia que possa ser adaptada à região semiárida do Brasil.  

Ainda sobre a diversificação de matérias-primas,o professor do Departamento de Aquicultura da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Roberto Derner, falou dos estudos com microalgas como matéria-prima para a produção de biodiesel. Segundo o pesquisador, é possível fazer biodiesel com praticamente todas as microalgas, embora algumas tenham maior teor de lipídeos de interesse. “As microalgas tem maior produtividade que outras matérias-primas e podem ser cultivadas em áreas impróprias para a agricultura convencional, com água e solo impróprios, o que é uma grande vantagem”, explicou Derner. 

O presidente da Ubrabio, Juan Diego Ferrés, finalizou o webinar lembrando da a falta de uma política que viabilize os diferentes estudos que têm sido realizados por grupos de pesquisa brasileiros. “Está faltando fomento e uma política transversal que enolva o Ministério da Agricultura e o Ministério do Desenvolvimento Regional, com olhar mais vinculado ao Nordeste. Está faltando unir as pontas que permitam que o enorme potencial brasileiro ganhe velocidade”, disse Ferrés. 

O webinar “Novas matérias-primas para o biodiesel” contou com a participação dos pesquisadores Bruno Laviola, da Embrapa Agroenergia; Juliana Espada Lichston, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); e Roberto Derner, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Também participaram do webinar o coordenador-geral de Estratégias e Negócios da Secretaria de Empreendedorismo e Inovação, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Rafael Menezes; e, como moderador, Rômulo Morandin, diretor de Operação da usina produtora de biodiesel Biopar.

Leilões de biodiesel poderão ter fim em 2022

O Ministério de Minas e Energia (MME) pretende extinguir o atual sistema de leilões de biodiesel em 2022. A afirmação pelo secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME, José Mauro Ferreira Coelho, ao participar do webinar “Leilões de biodiesel”, dentro da programação da Biodiesel Week.

Segundo José Mauro Ferreira, essa mudança na forma de comercialização de biodiesel é uma maneira de as empresas se adequarem à nova dinâmica do mercado. Recentemente, a Petrobras anunciou que pretende se retirar do sistema de leilões e vender refinarias. As medidas fazem parte de uma estratégia de desinvestimento adotada pela companhia.

Uma proposta de resolução com as diretrizes para o fim dos leilões está sendo finalizada pelo Ministério de Minas e Energia até o mês de setembro, quando será discutida pelo Comitê Técnico do programa Abastece Brasil. A intenção do governo é encaminhar essa proposta até dezembro ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para que ela seja avaliada.

De acordo com o secretário, o MME pretende fazer um período de transição ao longo do próximo ano, quando a proposta para o fim dos leilões passaria por um processo de consulta pública. A ideia de apresentar a resolução ao CNPE ainda este ano é para que o governo tenha todo o ano de 2021 para fazer as mudanças necessárias.

“Há todo um aspecto regulatório a ser trabalhado e a ANP vai trabalhar isso dentro da sua agenda regulatória, com consulta pública, com audiência pública, com tudo que faz parte da governança das resoluções da ANP”, explicou José Mauro Ferreira. “Assim, se realmente essas implementações que nós queremos fazer da nova forma de comercialização, mais aberta, dinâmica e sem os leilões for implementada, isso aconteceria só em 2022. Nós teríamos o ano de 2021 todo para fazer essas discussões e acertar tudo em relação aos aspectos regulatórios da nova forma de comercialização”, concluiu.

Já Sandro Barreto, gerente geral de Marketing da Petrobras, falou sobre as mudanças que estão sendo realizadas pela estatal. “Acredito que estamos diante de um novo momento de ruptura. Um momento de parar e pensar para frente. O [processo de] desinvestimento da Petrobras causa uma mudança no cenário de combustíveis como um todo no Brasil e o biodiesel é mais um dos produtos que vai ser afetado por esse desinvestimento. Vai ser afetado de diversas formas. A mais significativa é na participação da própria Petrobras nesse mercado”, afirmou o executivo da Petrobras.

O diretor executivo do portal BiodieselBR.com, Miguel Angelo Vedana, fez uma série de reflexões, entre elas os impactos causados pela saída da Petrobras do sistema de leilões.

“Até hoje nunca existiu leilão de biodiesel sem a Petrobras. Então, o desafio que as usinas e as distribuidoras têm é grande. É preciso se esforçar para que essa transição seja feita da forma menos dolorosa possível para todos. O governo está aberto a discutir e isso é importante. As usinas precisam estar preocupadas com isso. Todas as distribuidoras também têm de estar preocupadas em como vai ser a comercialização do biodiesel depois da saída da Petrobras, porque isso vai afetar fortemente as grandes e pequenas. Talvez mais as pequenas do que as grandes”, afirmou Miguel Angelo.

Para o presidente da Ubrabio, Juan Diego Ferrés, a maior preocupação é que se perca a dinâmica de construtividade do leilão. “Podemos evoluir para um modelo que transfira a responsabilidade hoje da Petrobras aos operadores de refinaria do ponto de vista de faturamento e logística”, propôs.

Uma das sessões mais aguardadas da Biodiesel Week, o webinar “Leilões de Biodiesel” foi acompanhado por cerca de 900 pessoas pelo canal da Ubrabio no YouTube. O seminário virtual foi moderado pelo diretor Corporativo do Grupo Oleoplan, Marcos Boff, vice-presidente Técnico da Ubrabio. Boff também fez uma alerta sobre a importância de dar o devido tratamento tributário nesse processo.

Preços
Durante os debates, Sandro Barreto também falou sobre a relação entre o sistema de leilões e o preço do biodiesel, mostrando que não há correlação direta entre os dois. “Não vejo o modelo como um incentivador de preço alto. O modelo de leilão busca um equilíbrio de mercado. O que nós temos visto é um desequilíbrio de oferta e demanda. O desequilíbrio de oferta e demanda causa preço alto”, explicou Barreto, que fez uma comparação com o etanol.

“A gente pode trazer um exemplo muito forte, que ocorreu no mercado de etanol, entre 2011 e 2012, quando houve um problema de safra e faltou etanol anidro, não havia leilão e o preço do etanol anidro foi nas alturas e passou dos R$ 3”, explicou Sandro Barreto.

Todas as palestras da Biodiesel Week estão disponíveis no canal da Ubrabio no YouTube. Para acessar, clique aqui.
 
Irene Santana (Mtb 11.354/DF)
Embrapa Agroenergia

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