Live aborda oportunidades de uso da ILPF no Nordeste – 11/08/2020

Nesta quarta-feira, 12 de agosto, acontece a live “Oportunidade de uso da ILPF na Região Nordeste”, a penúltima do ciclo de eventos regionais sobre os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta realizados por meio da Rede ILPF.

A live será transmitida, às 19 horas, pelo Canal da Embrapa no Youtube e pela página da Rede ILPF no Facebook. A gravação ficará disponível no Youtube, para aqueles que não puderem acompanhar ao vivo.

Participam da mesa redonda o pesquisador José Henrique Rangel (Embrapa Tabuleiros Costeiros) e os analistas Sergio Guilherme de Azevedo (Embrapa Semiárido) e Marcos Lopes Teixeira (Embrapa Meio-Norte). A mediação será feita pela jornalista da Embrapa Meio-Norte, Eugênia Ribeiro. O público participante poderá fazer suas perguntas por meio do chat.

A integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) é uma estratégia de produção agropecuária que integra diferentes sistemas produtivos, agrícolas, pecuários e florestais, dentro da mesma área. Pode ocorrer em cultivo consorciado, em rotação ou sucessão, de forma que haja interação entre os componentes, gerando benefícios mútuos.

A ILPF pode ser adotada de diferentes formas, com inúmeras culturas e diversas espécies animais, adequando-se às características regionais, às condições climáticas, ao mercado local e ao perfil do produtor. Pode ser adotada por pequenos, médios e grandes produtores

No Brasil, a área estimada com ILPF é de 11,5 milhões de hectares. Destes, segundo pesquisa encomendada pela Rede ILPF, 1,3 milhões de hectares estão na Região Nordeste.

Durante a live, os participantes debaterão sobre o uso da ILPF nos diversos biomas presentes na Região Nordeste. Eles apresentarão experiências e resultados de pesquisas com sistemas integrados no Semiárido, na Zona da Mata, no Agreste, no litoral e no Cerrado da região denominada de Matopiba, que compreende parte dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Ciclo de lives

Este ciclo de lives sobre as oportunidades de uso da ILPF nas regiões brasileiras é promovido pela Embrapa, por meio da Rede ILPF. O primeiro evento abordou a região Sul, seguido pelo Centro-Oeste e pelo Sudeste. Após o evento do Nordeste, será realizada, no dia 19 de agosto, a última live do ciclo, sobre as oportunidades de uso da ILPF na Região Norte.

Os pesquisadores Gladys Beatriz Martínez (Embrapa Amazônia Oriental) e Vicente Godinho Embrapa Rondônia) serão os convidados ao lado de Marcus Ubiratan Vieira, gestor da fazenda Mogi Guaçu (Paragominas-PA). A mediação será feita pela jornalista Ana Laura Lima.  

Onde assistir ao ciclo de lives

Lives estarão disponíveis Após a transmissão ao vivo, todos os debates gravados ficarão disponíveis no Canal da Embrapa no Youtube, na playlist sobre ILPF. Nesta playlist há mais de 250 vídeos técnicos relacionados à integração lavoura-pecuária-floresta. No mesmo canal há ainda uma playlist chamada Palestras sobre ILPF, que reúne mais de 170 palestras realizadas em dias de campo e outros eventos com o tema da ILPF.
 
Eugênia Ribeiro (MTb 1091/PI)
Embrapa Meio-Norte

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Centro de Manejo mais moderno e eficiente prioriza o bem-estar animal e prevê menos estresse aos animais – 10/08/2020

Em breve novo Centro de Manejo que prioriza o bem-estar animal entra em funcionamento

A Embrapa Gado de Corte, localizada em Mato Grosso do Sul, é um Centro Nacional de Pesquisa, com área total em torno de 4,7 mil hectares, distribuídos em duas bases físicas. A maior – Fazenda Sede – distante 12 km da capital Campo Grande e com pouco mais de três mil hectares, é onde se encontram instalados os escritórios e áreas experimentais em saúde, nutrição, melhoramento genético animal e vegetal, reprodução, sistemas em integração e manejo animal. Com 43 anos de idade, a Unidade necessariamente já passou, e ainda passa, por reformas e manutenções constantes de suas instalações, para que elas possam acompanhar o desenvolvimento de tecnologias ali produzidas.

Uma das conquistas do Centro que se tornou realidade, e deverá ser entregue até final de setembro, é o novo Centro de Manejo de Baixo-Estresse, construído em substituição ao antigo Curral do “Retiro do Rochedo” montado  quando a Unidade foi fundada. A instalação estava obsoleta e não atendia mais as demandas atuais de pesquisa e operacionais. Diante deste cenário, a pesquisadora Fabiana Villa Alves, zootecnista, que atua nas áreas de sistemas de produção sustentáveis e de bem-estar animal, propôs um novo projeto de curral para substituir o antigo, seguindo os preceitos de bem-estar animal, principalmente, no tocante à atenuação do estresse que normalmente ocorre durante o manejo, tanto para os animais quanto para as pessoas que participam dele. Segundo Fabiana Alves, a intenção é transformar este novo Centro de Manejo em uma Unidade de Referência Tecnológica de Bem-estar Animal (URT-BEA) da Embrapa, priorizando o manejo racional dos animais.

A pesquisadora estudou vários modelos até chegar em um desenho. Ela diz que será a instalação mais moderna da Unidade e que atenderá com eficiência as necessidades dos projetos de pesquisa que usam a estrutura como apoio. A corrida estava só começando. Além da construção da estrutura em si, o Centro de Manejo teria que possuir um tronco de contenção satisfatório – lugar onde o animal é imobilizado para receber vacinas, medicamentos, coletar sangue, ser pesado, entre outros procedimentos de rotina ou de pesquisa. 

Com um custo total da obra estimado em 400 mil reais, a maior parte dos recursos (construção do curral anti-estresse e cobertura com telhado antitérmico) veio do Acordo de Cooperação Técnica do projeto Carne Carbono Neutro (CCN), assinado entre a Marfrig Global Foods e a Embrapa, do qual a pesquisadora é a gestora. A Unidade arcou com os custos de demolição do antigo Centro, terraplanagem e construção da base estrutural (fundação). Outra parceria foi necessária e viabilizada pela especialista, desta vez com a Beckhauser – empresa fabricante de troncos de contenção e balanças, que doou para a Embrapa Gado de Corte um dos mais modernos troncos de contenção disponíveis no mercado.

A elaboração do projeto do novo curral teve início no final de 2019, e as obras iniciaram em maio de 2020, com a demolição da antiga estrutura e preparação do terreno para receber a nova, cuja finalização está prevista para o final do mês de setembro próximo. Este novo Centro de Manejo, assim como seu velho antecessor, atenderá várias áreas de pesquisa da Embrapa como as de Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), nutrição, manejo de forrageiras, além das áreas com rebanho geral localizadas em seu entorno. Construído em concreto protendido, de alta durabilidade, possibilitará o manejo de até 200 animais por dia, com maior segurança para pesquisadores, funcionários e estagiários. “É o primeiro curral operante na Embrapa Gado de Corte que leva em conta o Bem-Estar Animal”, diz entusiasmada a pesquisadora Fabiana Alves.

Estrutura do Centro de Manejo será mais eficiente

O projeto foi pensado conjuntamente com a empresa Currais Itabira, do Grupo Premobras, do Espírito Santo, que executa a obra. O desenho leva em conta o comportamento dos bovinos, para que eles tenham o menor estresse possível durante o manejo. 

Montado em uma área total de 600m², seu formato é circular e todas as paredes são fechadas, para que os animais não se distraiam e caminhem sem muito esforço até o fim, que na verdade, é o tronco de contenção. Além da estrutura central com seringa, tronco coletivo, tronco de contenção com balança, apartador e embarcador, o centro de manejo possui cinco mangas de apoio, dois corredores, divisões e cercas com 10 fios de cordoalha galvanizada, 17 porteiras em aço, esteios e vigas em concreto protendido auto adensável. Todas as plataformas e escadas possuem corrimão e guarda-corpo com 1,0 m de altura, atendendo as normas da legislação trabalhista em vigor e oferecendo maior segurança e conforto durante o manejo. A cobertura, em telha branca antitérmica, prevê calhas e condutores para captação de água da chuva, que será armazenada em um reservatório, evitando o acúmulo de lama no entorno do curral. Além disso, a água armazenada será utilizada tanto pelos animais, abastecendo os bebedouros, quanto para a limpeza do curral, trazendo economia na conta de água da Unidade, e aumentando a sustentabilidade do projeto dentro do conceito de “economia circular”.

Outra vantagem desta instalação é o material utilizado, o concreto protendido auto-adensável, que oferece maior qualidade e durabilidade à estrutura. A tecnologia é alemã e foi aperfeiçoada para uso no Brasil para exercer o máximo de segurança e eficiência nos serviços cotidianos da fazenda. Sua resistência é 100% maior do que o concreto convencional, e sua vida útil 50% maior.

O cimento utilizado é resistente a corrosão e o aço de protensão é 3,5 vezes mais duradouro que o aço convencional utilizado em construção civil, desenvolvendo alta compactação e impermeabilidade. “Toda essa tecnologia garante ao produto resistência e durabilidade contra intempéries climáticas, urina, fezes, suor e impactos do gado”, ressalta o fabricante. Ainda segundo a Currais Itabira, as peças pré-moldadas resistem mais à flexão, sem abrir fissuras. Assim, a estrutura não apodrece, não deteriora, não sofre corrosão e não se incendeia em caso de eventuais queimadas, comuns em áreas rurais. Tudo somado, tem-se menor necessidade de intervenções de reparo, com paralização das atividades, e menor gasto com manutenções.

“Uma estrutura deste porte e qualidade requer um tronco de contenção e balança à altura. O modelo escolhido é totalmente automatizado e revestido em polipropileno com tratamento anti-UV, material reciclável, mais resistente que a madeira, e que facilita a limpeza. Além disso, é mais silencioso durante o uso, proporcionando maior conforto acústico aos animais e aos trabalhadores”, explica Fabiana Alves. Ela ainda acrescenta: “O piso também é anti-estresse, emborrachado, feito com material reciclado de alta resistência. O aço utilizado na estrutura possui tratamento anticorrosivo e pintura eletrostática, sendo que todos os parafusos são zincados e as porcas são autotravantes, sem pontas vivas”.

Um dos benefícios da nova estrutura será o maior bem-estar aos animais

Fabiana Alves destaca uma série de benefícios dessa nova estrutura, dentre eles a instalação do tronco mais moderno hoje disponível no mundo, totalmente automatizado, da marca Beckhauser. “Não existe hoje em operação na Embrapa um tronco mais moderno que este. Com ele, nós vamos poder fazer algumas mensurações comparativas, de como era o nível de estresse do animal quando contido num tronco convencional e como será com esse novo tronco, mais moderno e eficiente”. 

É a Embrapa na era da modernidade e da tecnologia priorizando o Bem-Estar Animal. Manejar o rebanho de forma mais adequada e eficiente é uma das prioridades da empresa e esse trabalho passa por algumas mudanças, tanto comportamentais, como estruturais, já em curso. O fato de a empresa procurar equipamentos com ótimo custo-benefício para trabalhar uma pecuária mais sustentável, com respeito aos trabalhadores, ao ambiente e ao bem-estar animal, faz parte de sua evolução técnica e cumprimento de sua missão. 

Embora em um primeiro momento o custo do novo Centro de Manejo possa ser considerado alto, há que se analisar os benefícios que certamente a tecnologia proporcionará. Para a pesquisadora Fabiana Alves “o investimento se paga ao longo dos anos com menores perdas e redução de riscos, maior agilidade no manejo, diminuição de mão-de-obra, facilidade de manejo e, principalmente, menor custo de manutenção. Isso sem contar a questão de proporcionar um manejo mais racional e maior bem-estar aos animais”. 

Além dos benefícios já citados, a especialista destaca que na nova estrutura tecnológica, além da realização de operações de manejo para os animais de pesquisas, serão organizados cursos, dias de campo e outros eventos para disseminar os benefícios que estruturas deste tipo podem trazer aos produtores.

O novo Centro de Manejo será parte da Unidade de Referência Tecnológica (URT) em Bem-Estar Animal (BEA) da Embrapa Gado de Corte, cuja inauguração está prevista para o próximo mês de novembro.
 
Eliana Cezar (DRT 15.410)
Embrapa Gado de Corte

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Embrapa aponta tendências do agro em Congresso da Abag – 06/08/2020

Celso Moretti, presidente da Embrapa, abordou as grandes tendências para o futuro da agricultura brasileira durante o 19º Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), na segunda-feira (3). Agricultura digital, bioeconomia, edição genômica e sistemas integrados de produção foram os destaques apontados pelo pesquisador, que também chamou a atenção para o desafio da conectividade no campo.

Moretti fez a apresentação de abertura do painel “O agro e a nova dinâmica econômica, social e ambiental”. O debate painel teve como questão condutora: “o que será este mundo pós-pandemia e qual será o papel do agro?”. Participaram da discussão José Roberto Mendonça de Barros, sócio-diretor da AMB Associados, Luiz Felipe Pondé, filósofo e colunista do jornal Folha de S. Paulo e André Guimarães, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM),  com moderação de William Waack, jornalista e apresentador da CNN Brasil.

O presidente da Embrapa expôs as tendências da agricultura e seu contexto no Brasil. Ele destacou que o agronegócio é um dos setores mais pujantes da economia nacional, responsável por cerca de 22% do PIB, gerando um em cada cinco empregos e quase metade de todas as exportações. “Apesar da pandemia do coronavírus, alcançamos uma safra de grãos de mais de 251 milhões de toneladas. O Brasil ficou em primeiro lugar na produção de soja, e passamos de mais de 100 milhões de toneladas de milho. O agro brasileiro foi um dos poucos setores que apresentaram resultados positivos no primeiro trimestre”, disse. 

A primeira tendência destacada em sua apresentação é a agricultura digital e a necessidade de conectividade no campo, “determinante para o crescimento da produção brasileira nos próximos anos.”

Para ele, “é uma área que cresce fortemente, com o uso de sensores, drones, internet das coisas, apesar da dificuldade brasileira de conectividade”. Moretti chamou a atenção para o fato de que, de acordo com dados recentes do IBGE, 72% das propriedades rurais ainda não têm conectividade. Segundo o presidente, esta é uma limitação que implicará em desafios para o crescimento da produção brasileira nos próximos anos.

Outra tendência é a bioeconomia ou economia de base biológica. “O Brasil, por ser um país que reúne uma das maiores biodiversidades do mundo, tem uma fantástica oportunidade de geração de emprego, renda e divisas a partir da bioeconomia”, disse. Como exemplo recente, destacou o Biomaphos, que reduz a importação de adubo fosfatado. Também falou da descoberta de cientistas da Embrapa, em expedição nos rios da Amazônia, de microrganismos que poderão ser utilizados como biopesticidas ou em outros tipos de indústrias.

Saiba mais:

– Embrapa e Bioma lançam primeiro inoculante nacional para fósforo
– Novos microrganismos de interesse econômico são encontrados em rios amazônicos
A terceira tendência apontada pelo presidente da Embrapa é a edição genômica de plantas. “O uso de tesouras biotecnológicas para adaptar a soja a condições de seca ou mesmo à resistência de pragas ou doenças é uma realidade”. A última tendência que destacou são os sistemas integrados de produção. “A ILPF no Brasil já ocupa uma área de 15 milhões de hectares, possibilitando que o país coloque no mercado o conceito de Carne Carbono Neutro”, disse.

Ao final de sua apresentação, Moretti enfatizou que, com a covid-19, acentuou-se a preocupação mundial com a sanidade dos rebanhos. Ele citou a peste suína africana como um dos desafios recentes. “Sanidade dos rebanhos, segurança dos alimentos consumidos, saúde humana e sustentabilidade dos sistemas produtivos são preocupações que se acentuaram com a pandemia”, afirmou. 

“O Brasil possui uma série de políticas públicas que contribuem para a sustentabilidade ambiental. Há o Renovabio (o estímulo à produção sustentável de biocombustíveis), o Plano ABC, o Código Florestal, que limita a expansão da área cultivada”. Para Moretti, enfrentar a batalha de comunicação no exterior e entender como esse novo consumidor, que tem mais acesso a informações, vai enxergar esse mercado dos produtos brasileiros em todo o mundo será um dos desafios para o agronegócio.

Ministra destaca papel da Embrapa

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, também participou do evento. Ela defendeu a sustentabilidade do agronegócio brasileiro. “O Brasil é o único país do mundo que consegue produzir e preservar. Nossa pecuária vem crescendo muito sem desmatar”, disse ela na abertura do congresso.

Tereza Cristina explicou que, após a pandemia, o mundo será ainda mais exigente em sanidade e sustentabilidade. “Precisamos exercitar cada vez mais a sustentabilidade no agro brasileiro. Por isso, tivemos a preocupação de trazer no Plano Safra 2020/21 várias linhas com recursos exclusivos à sustentabilidade”, afirmou. Ela destacou o papel da Embrapa, que fornece tecnologias para o produtor evoluir nas práticas agrícolas. “Nenhum país tem tecnologia e pesquisa de ponta como a que a Embrapa oferece”, enfatizou.

A ministra abordou ainda a diversificação da pauta exportadora do agro brasileiro, destacando as mais de 70 aberturas de mercado em sua gestão. “Estamos diversificando a pauta exportadora para alimentos como gergelim e grão-de-bico e aumentando a produção nacional de alimentos como trigo”, exemplificou. 

O mundo pós-pandemia

Para José Roberto Mendonça de Barros, um dos debatedores do terceiro painel, num mundo pós-pandemia não haverá tantas novidades, mas diversos aspectos serão acentuados. “As pesquisas mostram que as pessoas estão mais atentas a uma vida mais simples, à origem das coisas e a um contato mais direto com a natureza. Como consumidores, as pessoas estarão ligadas à qualidade dos alimentos, à sua origem, a aceitar mais facilmente a rastreabilidade dos produtos. E, como trabalhadores, a percepção é que nós teremos uma aceleração da digitalização em todas as áreas”, afirmou.

O executivo destacou que a agricultura brasileira é sustentável. “Temos um conjunto de tecnologias que permitiu o aumento contínuo de produtividade, o que gera resultado econômico. Desde sempre nosso agro disputa mercado no exterior com sucesso, sendo o mais competitivo do mundo e sem subsídios”.

Segundo André Guimarães, do Ipam, embora o Brasil tenha diminuído seu crescimento em decorrência da pandemia, o agro segue em alta. Por outro lado, ele defendeu que é preciso rever o modelo de desenvolvimento. “Ou conseguimos resolver a equação do clima ou não seremos sustentáveis. A dependência das chuvas para a agricultura, por exemplo, nos torna dependentes das florestas tropicais. Por isso precisamos investir em tecnologias, melhores sementes e também em reconstruir nossa reputação, mostrando para o mundo que estamos unidos e não polarizados. O meio ambiente não é externalidade para o agro, é um aspecto intrínseco para a produção no Brasil. Sem a Amazônia em pé não teremos reputação, atratividade de capitais e chuvas para a produção”, afirmou.

Já o filósofo Luiz Felipe Pondé fez uma análise histórica da pandemia. “Daqui a cinco anos ninguém se lembrará desta pandemia, assim como meses atrás ninguém se lembrava da gripe espanhola”, disse. Para ele, a pandemia evidencia o que já é tendência mundial: um consumidor mais exigente, preocupado com o meio ambiente, e a digitalização dos negócios, realidades postas antes da covid-19.

O congresso da Abag foi realizado de forma virtual e reuniu cerca de 8 mil participantes. 

Saiba mais sobre o Congresso Brasileiro do Agronegócio
 
Maria Clara Guaraldo (MTb 5027/MG)
Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire)

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Recuperar pastagens degradadas é oportunidade para crescimento de ILPF – 04/08/2020

O Centro-Oeste concentra grandes condições para a expansão dos sistemas integrados de produção, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Os mais de 31 milhões de hectares de pastagens degradadas (60% da área de todo o Brasil) podem ser a principal contribuição da região para alcançar a meta estabelecida pela Rede ILPF para 2030 – ter no País 30 milhões de hectares com o sistema.

Atualmente a estimativa é que esse número esteja por volta de 15 milhões. O primeiro levantamento realizado, na safra 2015/2016, apontou a adoção do ILPF em 11,5 milhões de hectares. Desses, 40% estavam localizados no Centro-Oeste e ainda há grande potencial para elevar esse número, uma vez que a região lidera a produção de grãos e a atividade pecuária no Brasil.

“Nós temos uma grande oportunidade de expansão, sobretudo quando olhamos para as áreas de pastagem. Se começarmos a incorporá-las no processo de recuperação com sistemas de integração lavoura-pecuária, vamos atingir facilmente esses 30 milhões previstos”, garante Lourival Vilela, pesquisador da Embrapa Cerrados (DF). Ele foi um dos debatedores na live “Oportunidades do uso do ILPF na região Centro-Oeste”, transmitida pelo canal da Embrapa no YouTube.

Os participantes da mesa redonda apostam no aumento da adoção dos sistemas integrados pelas diversas vantagens que eles oferecem. Vilela explica que a introdução de um sistema pode reduzir o custo da recuperação de pastagens. Ele conta que no Oeste da Bahia, em área de solos arenosos, os produtores têm conseguido aumentar a produção de soja em seis a dez sacos por hectare com a rotação lavoura-pasto. “Eu diria, sou muito otimista, que esse é um caminho sem volta. O agricultor que hoje não trabalhar com a construção do perfil de solo e com manejos eficientes, não só para pastagem, mas para produção de grãos, é um indivíduo que, com o tempo, se não se adequar, ele sai do negócio”, acredita.

Júlio César Salton, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste (MS), fala de uma nova fronteira agrícola a ser desenvolvida no estado. Trata-se de uma vasta área de solos arenosos, hoje ocupados com pastos degradados. “Falando em números, apenas no Mato Grosso do Sul, nós chegamos a valores de 2 a 3 milhões de hectares. Então é muita área disponível e em condições de ser transformada economicamente e transformar toda essa grande região que necessita de opções econômicas”, conta. Salton reforça que o Mato Grosso do Sul conta com infraestrutura, logística e serviços estruturados para que os produtos agropecuários cheguem aos mercados internos ou sejam destinados à exportação.

Para além dessas vantagens, a introdução da floresta no sistema ainda parece ser uma dificuldade para os produtores. Gabriel Faria, jornalista da Embrapa Agrossilvipastoril (MT) e moderador do debate, apresentou o dado de que cerca de 80% dos sistemas integrados são compostos por lavoura e pecuária (ILP). Maurel Behling, pesquisador desse centro de pesquisa, explica que o componente arbóreo aumenta a eficiência dos sistemas, que terá melhor aproveitamento dos recursos da área, principalmente da adubação realizada.

Ele acrescenta: “[Com a adoção do ILPF], passamos a ver o solo com outro olhar, pensando na construção de um perfil de solo, e aí tem a braquiária exercendo um papel fundamental já consolidado na construção desse perfil, com suas raízes buscando nutrientes que antes eram perdidos em profundidade, retornando com eles para a superfície e devolvendo principalmente vida para esse solo, porque solo vivo é um solo produtivo. [O componente arbóreo] traz propriedades emergentes que alavancam o sistema e possibilitam produtividades superiores daquelas com monocultivos”.

Apesar de aumentar a complexidade do manejo da propriedade, o pesquisador informa que a floresta pode adicionar renda ao sistema. Ele explica que no passado, houve uma grande oferta de eucalipto, o que desestimulou a atividade. Hoje, Behling garante que o cenário é muito positivo: “Atualmente, esse cenário mudou totalmente com a questão das usinas de etanol de milho. Mato Grosso tem uma perspectiva, para os próximos dez anos, de aumentar em torno 500 mil hectares de eucalipto só para atender essas usinas de etanol. Estão surgindo muitas oportunidades em muitas regiões, muitos nichos com potencial para produção de biomassa. Isso cria muita oportunidade para o componente florestal. Aqui no Mato Grosso, foi anunciada, também recentemente, no Vale do Araguaia, uma planta de celulose que vai demandar em torno de 200 hectares de eucalipto”.

Ainda que haja um mercado crescente para biomassa, o especialista lembra que ela não é tão bem remunerada como a teca, por exemplo, espécie que tem se destacado no estado em sistemas agrossilvipastoris e pode ser destinada à produção de madeira, possibilitando cobrir os custos da propriedade. Portanto, a recomendação é sempre verificar a existência de mercado para o produto.

Salton fala da implantação de sistemas integrados em pequenas propriedades. Ele conta sobre o acompanhamento de uma área destinada ao cultivo de mandioca, onde foi feito o plantio direto das manivas na pastagem dessecada. Os resultados foram espetaculares, segundo o pesquisador, não só em relação à produtividade, mas também em termos de redução dos custos com as capinas. O pesquisador conta que esse consórcio, com o uso do plantio direto, reduziu o problema da erosão do solo, muito comum em áreas de plantio de mandioca, onde o solo fica muito exposto.

Várias perguntas foram feitas pelo público no chat da live. Um dos espectadores, Ronaldo Trecenti, questionou se a Bioanálise de Solo (BioAS), tecnologia lançada há uma semana pela Embrapa Cerrados, pode estimular a adoção da ILP e da ILPF. Em relação à questão, Vilela explica que essa é uma ferramenta importante, que pode ajudar muito os produtores na condução e avaliação dos sistemas integrados: “Algumas vezes, a análise química não explica a produtividade. A atividade enzimática é uma forma de o produtor perceber se o sistema dele está indo no caminho certo ou no caminho errado com relação à melhoria das propriedades químicas, físicas e biológicos do seu solo. É uma grande ferramenta para esses sistemas”.

 

Sistemas integrados como futuro da produção de alimentos
Segundo Lourival Vilela, o ILPF é um sistema conservacionista e como tal, é reconhecido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) como estratégia-chave para garantir a segurança alimentar no futuro, sem prejudicar o ambiente. 

“Quando nós começamos, no passado, eu fazia um plantio de soja por ano. Depois veio um plantio de safrinha. Há muitas regiões em que você planta cinco anos e colhe dois – tem prejuízo em três anos. Com a introdução da pecuária hoje, eu consigo produzir o ano todo e o boi sanfona desapareceu nessas áreas.”, conta.

Outro ponto que torna o Centro-Oeste um potencial para a expansão dos sistemas integrados é o conhecimento técnico que já se tem na região, segundo Vilela: “Temos produtores e técnicos bem preparados e temos produtores que estão buscando melhorar seus sistemas de produção o tempo todo. Se nós tivermos um mercado comprador demandando essa produção de grãos e carne, hoje há uma demanda grande por proteína no mundo, nós estamos com a faca e o queijo na mão em termos de potencial de expansão da ILP e ILPF na região Centro-Oeste”. 

O debate da situação dos sistemas integrados no Centro-Oeste faz parte de um ciclo de cinco lives, uma por região, que está sendo organizada pela Rede ILPF. A próxima discutirá as oportunidades para o Sudeste será na quarta-feira (5 de agosto), às 19h, no canal da Embrapa no YouTube

A live completa “Oportunidades do uso do ILPF na região Centro-Oeste” está disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=Ml_t9D8HOjQ.

 
 
Juliana Miura (8570/99 DF)
Embrapa Cerrados

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Publicação apresenta fatores que influenciam produtores paulistas na adoção de sistemas integrados – 04/08/2020

A Embrapa Pecuária Sudeste disponibilizou publicação sobre um estudo que investigou quais fatores são levados em consideração pelos produtores do estado de São Paulo para adotar ou não sistemas integrados de produção.

O Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento “Adoção de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) em São Paulo” é resultado de levantamento conduzido durante a safra 2016/2017. Foram entrevistados 175 produtores rurais de várias regiões do estado – 52% utilizavam algum tipo de integração e 48% não. Dentro da amostra que fazia integração: 38% dos pecuaristas adotavam lavoura-pecuária (ILP) e 14%, pecuária-floresta (IPF).

Os fatores que mais influenciaram na hora da adoção tanto de ILP como IPF foram o exemplo de outro produtor e o apoio dos técnicos da extensão rural. O crédito rural também está entre ou fatores de adesão. No entanto, boa parte dos entrevistados não sabia que havia linha de financiamento específica para adoção dessa tecnologia, como do Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC). Apenas 11% dos que adotam ILP tiveram acesso a esse crédito e, do IPF, 8%.

De acordo com Marcela Vinholis, pesquisadora que coordenou o estudo, identificar os fatores que levam um produtor a diversificar a produção é útil para se pensar em políticas públicas e em ações de transferência de tecnologias para ampliar a adoção desses sistemas mais sustentáveis.

A pesquisa obteve outras informações relevantes, como perfil desses pecuaristas (idade, escolaridade, histórico e experiência), características dos sistemas de produção (rebanho, máquinas, uso do solo, etc.) e das propriedades (características do solo, tamanho, localização, mercado regional, etc.), acesso a crédito rural, a informações técnicas e expectativas com sistemas de integração.

O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste, profissionais da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O suporte financeiro foi da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O documento está disponível para acesso no site da Embrapa Pecuária Sudeste em Publicações – www.embrapa/pecuaria-sudeste/publicacoes

 
 
Gisele Rosso (Mtb 3091/PR)
Embrapa Pecuária Sudeste

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Embrapa Cerrados celebra 45 anos com lançamento da tecnologia de bioanálise de solo – 29/07/2020

 Os 45 anos de criação da Embrapa Cerrados, centro de pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) localizada em Planaltina (DF), completados no último dia 1º de julho, foram celebrados este ano de uma forma impensada tempos atrás. Desta vez, o auditório lotado deu lugar a uma transmissão virtual, mas não menos calorosa. As mudanças não tiraram o brilho das comemorações que tiveram que se adaptar à atual situação de pandemia. E o ponto alto do evento, realizado na tarde do dia 23 de julho, foi o lançamento da tecnologia de Bioanálise de Solo (BioAS).

“Com esse formato virtual, perde-se o olho no olho e a proximidade que estamos acostumados. Mas, por outro lado, permite a participação de mais pessoas tanto da Embrapa, quanto de fora. Assim, temos aqui maior representatividade da sociedade o que considero extremamente positivo, já que é para ela que devemos prestar contas”, afirmou Claudio Karia, chefe-geral da Embrapa Cerrados. Centenas de pessoas de diversas regiões do país, e até do exterior, acompanharam o evento tanto ao vivo, quanto posteriormente (acesse aqui a gravação)

Celso Moretti, presidente da Embrapa, participou da solenidade e destacou que a história da instituição se confunde com a própria conquista dos cerrados brasileiros. “Ao longo dessa trajetória, a Embrapa Cerrados fez uma série de entregas importantes, tanto tangíveis, quanto intangíveis. O desenvolvimento de uma plataforma de produção sustentável, junto com a tropicalização de cultivos e com a transformação dos solos ácidos em terras férteis, está no cerne, na base, dessa fantástica transformação que tivemos no Brasil nessas últimas cinco décadas”, afirmou.  

“Costumo dizer que segurança alimentar, produção de alimentos, fibra, bioenergia, tem a ver com paz social. Imagine se nesse momento que estamos vivendo da Covid 19 nós não tivéssemos o apoio dos produtores rurais”, indagou Moretti. Ele ressaltou a importância do Cerrado para a segurança alimentar não só do Brasil, mas de toda a população mundial. “Com o que nós produzimos hoje, alimentamos 1,4 bilhão de pessoas no globo, são sete brasis. Principalmente nesse momento difícil que nós vivemos de pandemia, ter segurança alimentar, capacidade de produzir, transportar os alimentos e fazer com que esses alimentos cheguem até as cidades é algo notável”, enfatizou.

“É motivo de muito orgulho termos colaborado na transformação de uma área que era considerada inapta para a agricultura em uma das mais importantes produtoras de alimentos para o mundo. Tudo com base em ciência, feita no Brasil, para o Brasil e para grande parte do mundo tropical”, afirmou Claudio Karia, chefe-geral e empregado da Embrapa há 33 anos. Ele destacou algumas tecnologias desenvolvidas ao longo desse período que permitiram a inserção do Cerrado na matriz de produção, como a correção e manutenção da fertilidade dos solos e a tropicalização das culturas da soja e do trigo.

Outra importante contribuição destacada pelo chefe-geral foram as pesquisas relacionadas a insumos biológicos ou bioinsumos. Elas resultaram, ainda nos anos 80, no lançamento de quatro estirpes de bactérias fixadoras de nitrogênio (rizóbios) e, atualmente, ainda são recomendadas para a inoculação da cultura da soja. Até hoje, segundo ele, esse é o bioinsumo mais utilizado pela agricultura brasileira. Os estudos sobre fixação biológica de nitrogênio começaram junto com a Embrapa Cerrados, em 1975. Essas pesquisas são contínuas e dentre os benefícios da tecnologia estão o aumento de produtividade e a economia no uso de fertilizantes nitrogenados.

Karia citou ainda outras tecnologias de destaque, como sistemas de produção integrados (ILP e ILPF), metodologia de zoneamento de risco climático, estudos e metodologias para a recuperação de áreas degradadas e domesticação de diversas espécies nativas para aproveitamento alimentar e madeireiro. “Diante de tantas conquistas, parece que não temos mais desafios, o que não é verdade”, pontuou. Segundo ele, os objetivos agora são diferentes e não menos desafiadores. “Temos o propósito de produzir alimentos até 2050, segundo estimativas da FAO, para quase 10 bilhões de pessoas. E eu tenho certeza que, nesse sentido, se espera muito do Brasil”, afirmou.

E, como o foco de produção atual é produzir com sustentabilidade, a solução passa, segundo ele, necessariamente, pela pesquisa, desenvolvimento e inovação. “Sem isso não vamos superar os problemas que estão por vir. Precisamos trabalhar com mecanismos de rastreabilidade e certificação dos nossos produtos para que a gente não perca mercado. E temos também que, obviamente, diminuir os riscos de perda na produção e na distribuição”, disse. Nesse contexto, Karia citou a tecnologia da bioanálise, lançada durante o evento. “Ela vai servir de motivação para que os produtores utilizem boas práticas agrícolas”, acredita. 

Parceiros

O evento apresentou, ainda, o depoimento de representantes de instituições parceiras da Embrapa Cerrados, como Zirlene Pinheiro, presidente da Fundação Bahia. “Temos uma honra muito grande em ter a Embrapa como parceira intelectual. Parceria essa que trouxe, através da pesquisa, o desenvolvimento e inovação para a agricultura do oeste baiano”, afirmou. “A partir da criação da Embrapa Cerrados, o Brasil começou a deixar de ser importador de alimentos para, 20 anos depois, estar lado a lado dos maiores players mundiais na exportação de grãos. Tudo isso se deve à ciência e à tecnologia. Não fossem os pacotes tecnológicos e a parceria da Embrapa Cerrados nada teria tanto sucesso como teve”, afirmou Emiliano Botelho, presidente da Campo. 

O pesquisador Roberto Guimarães Junior falou em nome dos empregados da Embrapa Cerrados. Na empresa há 13 anos, ele contou que considera fator fundamental para o seu desenvolvimento profissional ter tido a oportunidade de conviver com pessoas de destaque, essenciais para o desenvolvimento da agricultura no Cerrado. “Acredito fortemente que uma empresa que consegue transmitir a sua cultura, valores e princípios ao longo das gerações é uma instituição que vai frutificar e perdurar. Eu sou muito grato por ser empregado da Embrapa e, por meio do meu trabalho, poder contribuir com algo útil para a sociedade brasileira”, afirmou.

Atualmente, a instituição possui cerca de 500 colaboradores, entre pesquisadores, analistas, técnicos, assistentes, estagiários, bolsistas e terceirizados. “A dedicação e o empenho dos nossos empregados e colaboradores é que garantiam o protagonismo no desenvolvimento de tecnologias para a região nas últimas quatro décadas”, arrematou Karia.

BioAS

A cereja do bolo das comemorações dos 45 anos da Embrapa Cerrados foi o lançamento da tecnologia de Bioanálise de Solos. Ela foi apresentada pela pesquisadora Ieda Mendes. “Depois de vinte anos de estudos, e com uma alegria enorme, estamos entregando para a sociedade essa tecnologia. O sonho virou realidade. Se nossa agricultura tropical já era de destaque, a partir do momento em que o agricultor tiver acesso aos avaliadores de saúde do solo (os bioindicadores) ela vai ficar fantástica”, acredita. Ao final da apresentação, a especialista respondeu perguntas enviadas pelos internautas por meio do chat interativo.

Acesse aqui informações sobre a tecnologia de Bioanálise de Solos (BioAS)

Acesse aqui a relação de laboratórios habilitados pela Embrapa
 
Juliana Caldas (MTb 4861/DF)
Embrapa Cerrados

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Telefone: (61) 3388 9945

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Oportunidades de uso da ILPF no Centro-Oeste serão discutidas em live nesta quarta-feira – 27/07/2020

Na próxima quarta-feira, dia 29 de julho, será a vez da Região Centro-Oeste no ciclo de lives sobre as oportunidades de uso dos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta nas regiões brasileiras. A iniciativa da Embrapa, por meio da Rede ILPF, tem um evento online por semana e este será o segundo da série.

A live será transmitida às 19h pelo Canal da Embrapa no Youtube e pela página da Rede ILPF no Facebook. A gravação ficará disponível posteriormente no Youtube, para aqueles que não puderem acompanhar ao vivo.

Moderado pelo jornalista Gabriel Faria, o evento terá formato de mesa redonda. Participam os pesquisadores Lourival Vilela, da Embrapa Cerrados, Júlio César Salton, da Embrapa Agropecuária Oeste, e Maurel Behling, da Embrapa Agrossilvipastoril. O público participante poderá fazer suas perguntas e tirar suas dúvidas por meio do chat.

ILPF no Centro-Oeste

De acordo com pesquisa encomendada pela Rede ILPF, a região Centro-Oeste possui cerca de 40% da área com sistemas integrados de produção agropecuária no Brasil. Estima-se que essa área esteja entre 5 e 6 milhões de hectares, sendo que 80% são com integração lavoura-pecuária.

Mato Grosso do Sul e Mato Grosso são os dois estados com maior área com sistemas ILPF no país, enquanto Goiás e Distrito Federal juntos, ocupam a quinta posição. Embora ocupe a posição de destaque, há grande potencial de aumento da adoção da ILPF na região.

A necessidade de recuperação de pastagens degradadas, aumento de matéria orgânica no solo, rotação de culturas são exemplos de demandas do campo que podem ser resolvidas por meio da ILP. Da mesma forma, a melhoria do bem-estar animal, aumento de produtividade da pecuária e a demanda por biomassa por usinas de etanol de milho, são exemplos de oportunidades para uso do componente arbóreo nos sistemas produtivos.

Foto: Arte: Renato Tardin

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG)
Embrapa Agrossilvipastoril

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Embrapa lança publicação com estimativas parciais de adoção de tecnologias do Plano ABC para a redução das emissões de GEE – 24/07/2020

ILPF com eucalipto e soja

Atualmente, o grande desafio para o setor agropecuário, segundo vários estudos, é manter a trajetória de aumento constante da produção, gerando segurança alimentar com sustentabilidade socioambiental.  Esse desafio surge em meio aos debates e às pressões sociais por um novo modelo de desenvolvimento, que seja capaz de conciliar crescimento econômico e conservação do meio ambiente, aumentando a resiliência dos sistemas produtivos e reduzindo as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE).

Pensando nisso, a Embrapa e seus parceiros, por meio das ações da Plataforma Multi-institucional de Monitoramento das Reduções de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) na Agropecuária (Plataforma ABC), situada na Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), desenvolveram metodologias e estratégias para monitorar os avanços e os resultados do Plano ABC, destacando-se a proposta recente e inédita de um método de monitoramento, relatório e verificação (MRV), de baixo custo, passível de uso em larga escala no território nacional.

A publicação Mitigação das emissões de Gases de Efeitos Estufa pela adoção das tecnologias do Plano ABC: estimativas parciais apresenta um primeiro estudo efetuado sobre as tecnologias preconizadas pela Plataforma ABC (TECABC), de interpretação dos dados disponíveis sobre a adoção das tecnologias e os fatores de emissão para acompanhamento do Plano ABC em todo território nacional, cujo objetivo foi subsidiar a execução do Plano e gerar dados para sua modernização.

Avaliado e aprovado previamente pelo Comitê Diretor da Plataforma ABC em maio de 2018, o trabalho teve como objetivos discutir e analisar a lógica produtiva das tecnologias em agricultura de baixo carbono, realizar uma estimativa inicial da contribuição do Plano ABC para a mitigação das emissões de GEE, ressaltando-se as variações e incertezas dos dados disponíveis sobre a adoção das TECABC, a diversidade de sistemas de produção e manejo do solo e a ausência de coeficientes de emissões regionalizados.

De acordo com os autores, “o estudo comprova o compromisso do estado brasileiro em relação à sustentabilidade da agropecuária, setor que representa a base do complexo agroindustrial responsável pelo superávit da balança comercial, além de ratificar sua responsabilidade com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS 13), o que prevê medidas urgentes para combater as mudanças climáticas e seus impactos”.

O pesquisador Celso Manzatto, um dos autores da publicação e coordenador da Plataforma ABC, diz que a implementação e o monitoramento em larga escala da adoção de TECABC, bem como a estruturação de estatísticas, bases de dados e coeficientes de emissão são demandas atuais de mercado sobre a sustentabilidade do agronegócio brasileiro e oportunidade de negocios nas finanças verdes. Entretanto, demandam a implementação da atuação da Plataforma ABC, a internalização e a integração institucional dos diversos atores do tema − pesquisadores, técnicos, extensionistas e produtores rurais, visando à definição de metodologias e responsabilidades por meio de uma Rede Colaborativa, cujas ferramentas de monitoramento em larga escala já estão disponíveis e validadas. “O desenvolvimento de uma metodologia de Monitoramento, Relatório e Verificação (MRV) recomendada pelo IPCC é ainda uma meta do Plano ABC a ser cumprida”, enfatiza ele.

Fundamentado em bases científicas e tecnológicas, o Plano ABC reuniu as mais eficientes tecnologias de produção, que resultam em ganhos produtivos, longevidade, resiliência e contribuem também para a redução das emissões de GEE. “Com isso, torna-se imprescindível o acompanhamento das ações e a verificação do avanço da adoção das tecnologias, tanto para reconhecer o sucesso do Plano ABC quanto para compreender onde podemos avançar”, explica Manzatto.

Sobre o Plano ABC

A modernização e o crescimento do setor agropecuário permitiram ao Brasil elevar sua produção e produtividade, aproveitando a diversidade de suas condições edafoclimáticas. Neste contexto, o Brasil foi pioneiro em reunir estratégias de fomento de tecnologias sustentáveis no Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas, visando à consolidação de uma economia de baixa emissão de carbono na agricultura (Plano ABC), o qual logrou sucesso e foi base para a construção de políticas regionais. Trata-se do maior plano de fomento a tecnologias sustentáveis de produção do mundo, e que em 2020 completa 10 anos de execução.

Para o monitoramento da adoção das TECABC, o Plano ABC previu ainda a criação da Plataforma ABC, com o objetivo de avaliar a contribuição da mitigação das emissões de GEE (milhões de Mg CO2eq), decorrentes da implementação desta política pública. Segundo os pesquisadores, isto foi feito por que “a metodologia utilizada nos Inventários Nacionais de Emissões de GEE não refletem as variações dos estoques de carbono no solo relacionadas às práticas de manejo agrícola, histórico de uso da terra e tempo de adoção das tecnologias”, dizem.

Para mais informações sobre agricultura de baixa emissão de carbono, consulte a página da Embrapa: https://www.embrapa.br/tema-agricultura-de-baixo-carbono
Foto: Gabriel Faria. 

Eliana Lima (MTb 22.047/SP)
Embapa Meio Ambiente

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Telefone: (19) 3311.2748

 

Base de dados geoespaciais abrangerá os Tabuleiros Costeiros – 21/07/2020

As informações sobre os Tabuleiros Costeiros irão apoiar a tomada de decisão dos setores público e privado

  • Informações geoespaciais reúnem recursos naturais e aspectos socioeconômicos de relevância agrícola e ambiental.
  • Dados irão subsidiar políticas públicas para a região e decisões do setor produtivo.
  • Maior conjunto de dados já reunido sobre a região estará disponível ao público.
  • Área abrange quase todo o Nordeste, da Bahia ao Ceará.

Um grupo de 48 especialistas de diferentes instituições organizou a mais completa e integrada base de dados georreferenciados sobre a paisagem dos Tabuleiros Costeiros do Nordeste. Informações sobre recursos naturais e dados socioeconômicos georreferenciados estarão disponíveis ao público gratuitamente na internet, até o fim de 2020, e poderão ser usados por gestores públicos, pela iniciativa privada e pela própria pesquisa para subsidiar trabalhos na região. Um empreendedor agrícola poderá usar o mapa de dados pluviométricos para planejar uma plantação, por exemplo, e um gestor público será capaz de direcionar ações de desenvolvimento para áreas mais necessitadas baseando-se nos dados socioeconômicos mapeados. Essas são apenas algumas aplicações desse valioso banco de informações sobre os Tabuleiros Costeiros.

Trata-se de uma região pouco conhecida do público leigo, mas que, após definições com base em estudos territoriais profundos, abrange 575 municípios, alcançando sete dos nove estados nordestinos, estendendo-se da Bahia ao Ceará, ficando de fora apenas o Maranhão e o Piauí. 

A extensão total é de aproximadamente 224 mil quilômetros quadrados, incluindo os ambientes de Tabuleiros Costeiros, Baixada Litorânea e área de transição climática para o Semiárido, denominada Agreste. O total de habitantes na área de atuação chega a 23,6 milhões, de acordo com o censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essa é a área de atuação da Unidade da Embrapa com sede em Aracaju, capital sergipana. Um espaço territorial extenso, peculiar e diverso em seu perfil produtivo, com áreas tradicionais de monocultivo da cana, conjuntos de municípios com vocação leiteira, para hortaliças, raízes, coco, ovinos e caprinos e novas culturas menos convencionais e sistemas integrados, e uma grande maioria de propriedades pequenas de base familiar, tudo isso a distâncias não muito longas dos grandes centros urbanos do litoral nordestino.

O tamanho do esforço
O levantamento foi fruto de cinco anos de pesquisas articuladas em rede de 48 especialistas, sendo pesquisadores de três Unidades da Embrapa – Tabuleiros Costeiros (SE), Solos (RJ) e Territorial (SP), além de órgãos públicos de desenvolvimento regional, como a Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA) e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos de Sergipe (Semarh-SE), além de instituições de ensino superior, como as Universidades Federais de Sergipe, Paraíba, Campina Grande e Pernambuco.

Base de dados

O pesquisador da Embrapa Marcus Cruz, líder do projeto em rede que gerou a base de dados, ressalta que a GeoTC, como foi batizada pelos cientistas, deverá ser um ponto focal para estudos, pesquisas e geração de subsídios para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para o crescimento da agricultura de forma sustentável na região de atuação da Embrapa Tabuleiros Costeiros.

Segundo Cruz, o objetivo principal foi organizar e disponibilizar informações geoespaciais sobre recursos naturais – solos, água, clima e vegetação – e aspectos socioeconômicos de relevância agrícola e ambiental na região – com interfaces claras, completas e objetivas para os usuários.

A conjugação das bases de dados previamente organizadas e disponíveis, bem como as discussões em grupo realizadas durante o desenvolvimento do projeto, contribuíram para a definição de diretrizes e a identificação de sinais de mudanças relevantes na região. Essas informações irão apoiar a tomada de decisão dos setores público e privado, aumentando a sua capacidade de responder às oportunidades e aos riscos que se apresentem ao setor agrícola e ao desenvolvimento da região.

“Com essas informações organizadas e acessíveis ao público, pretendemos subsidiar o planejamento e desenvolvimento de ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a região, bem como a formulação de políticas públicas, não só para a agricultura, mas para o desenvolvimento econômico e social amplo”, afirma o pesquisador.

“A diversidade temática de demandas relacionadas ao foco de atuação da Embrapa Tabuleiros Costeiros requer uma sistematização integrada das informações disponíveis sobre os recursos naturais e os aspectos socioeconômicos que interagem na região, que são subsídio essencial para o planejamento adequado das ações”, argumenta Cruz.

Ele defende que o conhecimento organizado, na forma de informações com referência espacial, é indispensável para o eficiente planejamento da pesquisa e das políticas.

A região
Em 2014, foram adotadas medidas para atualizar o foco espacial das ações da Embrapa Tabuleiros Costeiros. Uma equipe de especialistas da Unidade revisitou os critérios de inclusão de municípios na unidade de paisagem – precipitação média anual de chuvas, índice de aridez e risco de seca – e adotou novas premissas para a definição das chamadas Áreas Adjacentes.

A adoção desses critérios levou à atualização da área para as dimensões atuais, com quase 600 municípios, mais de 22 milhões de hectares e cerca de 24 milhões de habitantes, da faixa litorânea aos limites com o Semiárido onde, um dia, a Mata Atlântica dominava a paisagem.

Para conhecer os municípios que compõem os Tabuleiros Costeiros nordestinos e as Áreas Adjacentes acesse o resumo do estudo realizado pela comissão de especialistas. O estudo completo, intitulado “Delimitação da Área Foco de Atuação da Embrapa Tabuleiros Costeiros e Principais Aspectos Fisiográficos”, está disponível aqui. Há também a base de dados Sidra, no site do IBGE, que a partir de 2016, em parceria coma Embrapa Tabuleiros Costeiros, disponibilizou dados agrícolas e econômicos para o grupo de 575 cidades.

Os Tabuleiros Costeiros se caracterizam predominantemente por áreas de relevo de plano a ondulado, com altitude média de 50 a 100 metros, e platôs de origem sedimentar que apresentam grau de entalhamento variável, ora com vales estreitos e encostas acentuadas, ora abertos com encostas suaves e fundos com amplas várzeas. De modo geral, os solos são profundos e de baixa fertilidade. O clima tropical úmido, com precipitação variando de 1200-2000 mm anuais, condiciona a ocorrência da vegetação natural e as práticas agropecuárias.

A zona mais úmida é de domínio da cana-de-açúcar e a zona mais seca, da pecuária extensiva à semiextensiva, com atividades agrícolas limitadas em médias e pequenas propriedades. O nível de intensificação e de diversificação agrícola desses sistemas depende diretamente da pluviosidade.

A principal atividade pecuária é a bovinocultura de corte e de leite, que vem passando por processo de intensificação com a introdução de pastagens. A agricultura é bastante diversificada, pois são encontradas unidades produtivas de diversos tamanhos e perfis, além de inúmeras propriedades pequenas de base familiar. Entre as principais culturas estão o milho, feijão, arroz, mandioca, hortaliças e fruteiras (laranja, banana, caju, abacaxi, entre outras), além da cana-de-açúcar, coco e fumo.

Conheça a região chamada Sealba

O conhecimento mais aprofundado das características específicas de solo e clima nos Tabuleiros Costeiros, viabilizado pela integração de dados ao longo do desenvolvimento da GeoTC, tornou possível lançar um olhar mais criterioso, inovador e arrojado sobre as potencialidades produtivas e de diversificação dos Tabuleiros Costeiros.

Isso fez com que estudos de inteligência territorial paralelos, conduzidos por meio de um projeto especial da Embrapa Tabuleiros Costeiros, identificassem uma nova fronteira agrícola no Nordeste, que engloba municípios de Sergipe, Alagoas e Bahia.

Denominada Sealba – um acrônimo formado pelas siglas dos estados componentes, de forma semelhante à região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a região apresenta seu principal período chuvoso no outono-inverno, enquanto as demais regiões produtoras de grãos do Brasil têm seu período chuvoso na primavera-verão. 

Isso resulta em benefícios fundamentais, como colheita em época diferenciada do restante do Brasil (possibilidade de obtenção de melhores preços); possibilidade de aquisição de sementes de melhor qualidade fisiológica (sementes colhidas na região Centro-Sul e Matopiba em março e abril, quando o plantio no Sealba é de abril a junho); oportunidade de terceirização de máquinas agrícolas provenientes dessas outras regiões; desenvolvimento da soja em temperaturas mais favoráveis (como o cultivo é realizado no outono/inverno, as temperaturas, principalmente as noturnas, são mais favoráveis às necessidades da planta); oportunidade de o Sealba se tornar uma região produtora de sementes de soja de alta qualidade para o abastecimento das demais regiões; maior teor de proteína nos grãos de soja (estudos iniciais apontam teores de proteína chegando a 43% nos grãos da soja produzida no agreste sergipano – isso resulta em uma maior qualidade do farelo produzido a partir da soja da região).

Os resultados de pesquisas no Sealba nos últimos anos com cultivares de soja, milho, sistemas integrados com a gramínea braquiária e outras culturas têm despertado grande interesse entre os produtores pela diversificação. Só em Alagoas, áreas integradas com plantios de soja em alternativa ao monocultivo da cana, saltaram de 300 hectares em 2014 para quase 6 mil em 2019. 

Aumentos na adoção de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e suas variações também têm sido significativos. 

A ampliação dos conhecimentos e tecnologias de inteligência territorial nos Tabuleiros Costeiros e Sealba tem contribuído significativamente para o desenvolvimento de cadeias produtivas e políticas públicas associadas, como a recente validação do Zoneamento Agrícola de Risco Climático dos plantios consorciados de milho com braquiária na região, a instituição da Comissão e do Programa Estadual de Incentivo à Produção de Grãos de Alagoas, entre outras iniciativas.

Saulo Coelho (MTb 1065/SE)
Embrapa Tabuleiros Costeiros

Contatos para a imprensa
tabuleiros-costeiros.imprensa@embrapa.br

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LIVE vai apresentar ILPF na Região Sul – 17/07/2020

A Região Sul conta com mais de 2,5 milhões de hectares em áreas com sistemas de produção integrados. A live “Oportunidades no uso da Integração Lavoura-pecuária-floresta (ILPF) no Sul” vai apresentar diferentes visões do sistema reunindo representantes da pesquisa, assistência técnica e produtor rural. Marcada para o dia 22/07, às 19h, a live sobre a Região Sul abre a série que vai apresentar a ILPF nos diferentes biomas brasileiros, através de encontros virtuais sempre às quartas-feiras, às 19h, no canal da Embrapa no YouTube e através do perfil da Rede ILPF no Facebook.

A Integração Lavoura-pecuária-floresta é um sistema de produção que busca otimizar o uso da terra, aumentando a produtividade e promovendo a diversificação na propriedade. Hoje o Brasil conta com mais de 15 milhões de hectares com ILPF e a meta é duplicar esta área até 2030.

Na Região Sul, são mais de 2,5 milhões de hectares (ha) com áreas em integração, sendo 416 mil ha no Paraná, 678 mil ha em Santa Catarina e 1.457 mil ha no Rio Grande do Sul.

No Brasil, entre os produtores que adotam ILPF, aproximadamente 16% da área total da propriedade é destinado aos sistemas integrados. No Rio Grande do Sul, os produtores destinam, em média, 38% da propriedade para ILPF, principalmente na integração da lavoura com pecuária, já que o componente florestal está presente somente em 17% dos casos.

Limitações e oportunidades na adoção do sistema ILPF serão discutidos por Renato Fontaneli, pesquisador da Embrapa Trigo, Ilvandro Barreto de Melo, assistente técnico da Emater/RS-ASCAR  e o produtor rural Ruben Kudiess, com moderação de Joseani Antunes, jornalista da Embrapa. A promoção é da Rede ILPF com realização da Embrapa.

LIVE
Oportunidades da ILPF no Sul
quarta-feira, 22 de julho de 2020
YouTube www.youtube.com/embrapa
Facebook https://www.facebook.com/RedeILPF/

 

Joseani M. Antunes (MTb 9693/RS)
Embrapa Trigo

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