Programação comemora 45 anos da Embrapa Semiárido – 16/07/2020

Neste ano de 2020, a Embrapa Semiárido completa 45 anos de atuação voltada para a sustentabilidade da agropecuária na região semiárida brasileira. Em comemoração, o centro de pesquisa divulga uma programação que conta com uma série de palestras, capacitações e outros eventos, em suas mais diversas áreas de atuação, todos realizados de forma online. 

O centro de pesquisa foi criado em março de 1975, com a missão de gerar conhecimentos, tecnologias e inovações para promover a produção agropecuária no ambiente quente e seco do Semiárido, que predomina no Nordeste e norte de Minas Gerais. Desde então, vem desenvolvendo inúmeras pesquisas com foco na agropecuária dependente de chuva, na agricultura irrigada, bem como no uso sustentável dos recursos naturais.

Entre as suas principais contribuições ao longo desses anos está a adaptação de fruteiras às condições de solo e clima da região, em parceria com outras instituições e com o setor produtivo. O resultado desse trabalho é produção de uva e manga, já consolidada no mercado, além das novas culturas que vêm sendo introduzidas mais recentemente, como a maçã, o caqui e a pera.

A Empresa também vem se dedicando ao desenvolvimento e lançamento de variedades de plantas mais adaptadas para o cultivo comercial na região, como a cebola BRS Alfa São Francisco, tolerante a temperaturas elevadas, cultivares de feijão-caupi tolerantes à seca e com maior teor de proteína nos grãos, clones de umbuzeiro, além da primeira variedade de maracujá-da-caatinga, a BRS Sertão Forte.

Outros resultados favorecem não somente a região, mas todo o país, a exemplo do desenvolvimento da BRS Guaraçá, porta-enxerto para goiabeira resistente ao nematoide das galhas, um dos mais importantes problemas da cultura em todo o mundo.

A atuação da Embrapa Semiárido se destaca, ainda, no desenvolvimento e recomendação de práticas agropecuárias, como o uso de reguladores vegetais e estratégias de aplicação para manejo da floração das mangueiras – o que permite a produção em qualquer época do ano –, protocolo para multiplicação de parasitoides exóticos para o controle biológico de mosca-das-frutas,  manejo integrado de pragas do melão e de podridões na manga, dietas para alimentação animal com base em recursos forrageiros regionais, entre outros.

O centro de pesquisa também tem atuado em programas e políticas públicas de promoção do desenvolvimento regional, tendo realizado trabalhos pioneiros com uso de águas salinas e com captação e uso de água de chuva, que resultaram em programas que garantem à população rural do Semiárido o acesso a água para consumo e para produção.

A Unidade lidera atualmente importantes portifólios de pesquisa da Embrapa voltados para a Convivência com a Seca, Agricultura Irrigada e Fruticultura Tropical. Suas pesquisas e ações também englobam temas como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), Agroecologia e Inovação Social, Agricultura de Baixo Carbono, agricultura biossalina, conservação da raça Sindi, entre outros.

Para conhecer mais sobre a atuação da Embrapa Semiárido acesse o site www.embrapa.br/semiarido e acompanhe a programação de eventos.

 

PROGRAMAÇÃO

Dia 24/07 Live: Dia do Agricultor Familiar – Link em breve
Dias 24/07 a 02/08: Garoa no Campo #Inovação – Maratona para ideação de soluções inovadoras na Agropecuária
Dia 27, às 18h Live: Forrageiras para o Semiárido (Cactáceas) – Link em breve

 

CURSOS ONLINE

Fertirrigação – aplicação de fertilizantes e agroquímicos via água de irrigação
Produção e tecnologia de sementes e mudas

 

EVENTOS GRAVADOS

Live: ILPF no Nordeste – Aprendizados e desafios
Live: “Dá para ter lucro com pecuária no Nordeste”
Live: “Tecnologias pós-colheita de frutas tropicais e as demandas de mercado”
Palestra Digital: “Aplicação da espectroscopia Vis-NIR na avaliação e monitoramento da qualidade de frutas”
Live: “Os 5 desafios da aquicultura no Nordeste – do litoral ao Semiárido”
Palestra: “Efectos sobre Enfermedades, Insectos e Malezas”
Webinar: “Mapeando e interpretando o Nordeste do Brasil”
Seminário virtual: “Impactos potenciais da Covid-19 sobre a fruticultura tropical”
Webinar: “O efeito da quarentena no mercado da manga”

 

Fernanda Birolo (MTb 81/AC)
Embrapa Semiárido

Contatos para a imprensa
semiarido.imprensa@embrapa.br
Telefone: (87) 3866-3600
 
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

ILPF promove intensificação agropecuária sustentável – 15/07/2020

Animais em sistemas integrados de produção na Embrapa Pecuária Sudeste

Pesquisador apresenta resultados obtidos em sistemas de integração em webinar internacional da Global Research Alliance

Os sistemas de integração Lavoura-Pecuária- Floresta (ILPF) são considerados estratégia de intensificação agrícola sustentável. Esses modelos são importantes para mitigação de emissões agropecuárias de gases de efeito estufa, demonstrando que é possível as propriedades agropecuárias serem eficientes e sustentáveis.

Em evento virtual no dia 14 de julho, realizado pela Global Research Alliance (GRA), o pesquisador Alberto Bernardi, da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP) apresentou resultados de pesquisa obtidos nesses sistemas tropicais, destacando os benefícios técnicos e ambientais da ILPF. Cerca de 50 especialistas de vários países participaram do webinar.

O objetivo da instituição organizadora é compartilhar soluções inovadoras para lidar com as emissões agrícolas de gases de efeito estufa. “O evento foi uma oportunidade para apresentar o trabalho que a equipe da Embrapa está desenvolvendo nos sistemas integrados. Além de ressaltar o importante papel da agricultura brasileira, feita com responsabilidade e conhecimentos que contribuem de forma muito eficiente para a sustentabilidade”, contou Bernardi.

De acordo com ele, a Global Research Alliance reúne pesquisadores de diversos países para encontrar maneiras de cultivar mais alimentos sem aumentar as emissões de gases de efeito estufa.

“A GRA fornece uma estrutura de ação voluntária para aumentar a cooperação e o investimento em atividades de pesquisa para reduzir a intensidade das emissões de GEE dos sistemas de produção agrícola e aumentar seu potencial de sequestro de carbono no solo, além de melhorar sua eficiência, produtividade, resiliência e capacidade de adaptação, contribuindo assim de maneira sustentável aos esforços gerais de mitigação, enquanto ainda ajuda a cumprir os objetivos de segurança alimentar”, destacou o engenheiro agrônomo da Embrapa.

ILPF

A tecnologia, que integra atividades anuais de cultivo, árvores e pecuária na mesma área e na mesma safra, é indicada pela Embrapa para aumentar a produtividade sem aumento de uso da terra e, ainda, com redução de emissão de gases do efeito estufa.

Vários são os benefícios proporcionados, entre eles diversificação da renda na propriedade rural, redução dos custos de produção, bem-estar animal, melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo, aumento da ciclagem e a eficiência de utilização dos nutrientes e recuperação de áreas com pastagens degradadas.

A Embrapa Pecuária Sudeste tem pesquisas com sistemas de integração desde 2005 em diversos aspectos desses modelos de produção.

Capacitação técnica continuada

Desde 2015, o centro de pesquisa treina profissionais da extensão rural para ampliar a área de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Integração lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) na região Sudeste.

O programa de Capacitação Continuada tem o objetivo de formar os profissionais em sistemas de produção integrada por meio de módulos teóricos e atividades práticas de implantação de Unidades de Referência Tecnológica (URT). A iniciativa busca formar uma rede de multiplicadores de transferência de tecnologia com capacidade de aumentar a adoção desses modelos.

O processo tem duração de dois anos. Durante a capacitação, os técnicos devem implantar uma URT de ILP ou ILPF para reproduzir modelos sustentáveis e diversificados com supervisão de profissionais da Embrapa.

 

Gisele Rosso (Mtb 3091/PR)
Embrapa Pecuária Sudeste

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Artigo – Agricultura e Meio Ambiente no pós-Covid19: o imperativo da sustentabilidade – 14/07/2020

Resgatando o conceito de sustentabilidade, cunhado em 1987 no “Relatório Nosso Futuro Comum” da Comissão Brundtland, entendemos o desenvolvimento sustentável como aquele capaz de “atender as necessidades atuais sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender suas próprias necessidades”. Neste sentido, o relatório afirma que “o desenvolvimento sustentável requer que as sociedades atendam às necessidades humanas tanto pelo aumento do potencial produtivo como pela garantia de oportunidades iguais para todos”.

Mais recentemente, em 2015, houve o lançamento de outro marco que mostra a amplitude da sustentabilidade. Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) são uma coleção de 17 objetivos globais projetados para ser um “plano para alcançar um futuro melhor e mais sustentável para todos”. Os ODS, estabelecidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas trazem metas ambiciosas que devem ser alcançados até 2030, conhecida como Agenda 2030.

Sustentabilidade, portanto, não é um conceito abstrato. Ela se transforma em um ativo quando temos métricas adequadas que conjugam economia, meio ambiente e pessoas na mesma equação, onde o resultado é positivo para todos. É um imperativo, trazido à discussão pelas mudanças do clima que vivemos nas últimas décadas e acelerado pela recente, ainda em curso, pandemia que paralisou o mundo e mexeu com o status quo do planeta.

Na última reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, ficou muito clara a mudança de postura frente a estas questões. As palavras de Klaus Shwab, fundador do evento, de que o atual modelo econômico não é sustentável e vai ter que mudar para incorporar tolerância zero com a corrupção, proteção ao meio ambiente, uso ético de informações privadas e respeito aos direitos humanos em toda a cadeia de fornecedores repercute em todos os países.

Daqui em diante não podemos mais dizer que meio ambiente é apenas objeto de ativistas de diferentes espectros ideológicos, de onguistas ou de europeus. Ao contrário, os maiores líderes mundiais de negócios e investidores estão entendendo que a mudança é importante e urgente.

É questão de mercado, de negócio. É criar vantagem competitiva. E vale para todo tipo e tamanho de produtor. Envolve agregação de valor (certificações de origem, sequestro de carbono, manutenção da biodiversidade), construção de marca e imagem, conquista de consumidores, desde pequenos circuitos curtos de comercialização até os grandes mercados internacionais. E diz respeito também à própria sobrevivência e longevidade do negócio.

Então, sustentabilidade é algo concreto, mensurável, que pode ser construído e pode ser precificado. E entrou definitivamente na agenda da agricultura. É inexorável esse caminho. Estamos inseridos em mercados globais que exigem isso, e já temos consciência que não há outra forma de seguirmos adiante.

Temas como a intensificação produtiva sustentável, sistemas de produção de base ecológica, defesa sanitária, melhor uso de agrotóxicos, novos insumos derivados da biodiversidade, segurança dos alimentos, geração e pagamento por serviços ambientais, dentre outros, estão na agenda nacional e internacional. Todos estão de olho no Brasil. Somos um grande player neste jogo e nossos movimentos serão sempre monitorados com lupa.

O caminho percorrido

Se no passado o aumento da produção era baseado na ampliação de área sem maior preocupação com as consequências, hoje o crescimento da agricultura e pecuária está pautado pelo ganho de produtividade e com preocupação ambiental. Assim, os avanços em produtividade garantem efeitos poupa-recursos, além de aprofundar a consciência ambiental dos produtores.

De fato, a agropecuária brasileira vem fortemente sendo beneficiada por tecnologias próprias para o mundo tropical, desenvolvidas especialmente a partir da década de 70, que teve como marco a fundação da Embrapa, em 1972. Desde então, com o fortalecimento da ciência voltada para a agricultura, o país passou a experimentar crescimentos extraordinários impulsionados por ganhos de produtividade por hectare. Nestes quase 50 anos, e mais intensificado nas últimas três décadas, a área plantada com grãos cresceu 61 % no país, enquanto a produção aumentou 312%, cinco vezes mais.

Para exemplificar segue uma simples conta: se tivéssemos mantido a produtividade média por hectare que o país tinha em 1990, seriam necessários mais 95 milhões de hectares para colher a safra obtida em 2016/17. Em outras palavras, poupamos estes 95 milhões de hectares de florestas ou cerrados do desmatamento para fins de uso agrícola. Hoje a safra de grãos do país ultrapassa os 250 milhões de toneladas, enquanto o uso da terra gira em torno de 29% do território nacional para produção agropecuária, aqui incluindo além dos grãos, frutas, hortaliças, culturas perenes, culturas energéticas, fibras e produção de proteína animal. É, portanto, imenso o potencial de crescimento do agronegócio brasileiro. Em todos os casos, a área plantada cresceu menos do que a produção, poupando mudança maior de uso da terra.

Temos um arcabouço legal e de políticas públicas robusto. Não podemos deixar de citar aqui exemplos que conversam diretamente com a agricultura: Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC), a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), o Programa Nacional de Solos do Brasil (Pronasolos), o Programa de Bioinsumos, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) a Lei de Pagamentos de Serviços Ambientais em construção no Congresso, a ratificação do Acordo de Nagoia sobre biodiversidade e outros marcos importantes. Sem, é claro, esquecer do Código Florestal Brasileiro, que mesmo ainda carecendo de plena implementação é um marco sem igual em nenhum outro país e que nos permite ter APP e Reserva Legal convivendo com a área produtiva dentro de cada fazenda do país.

Temos que reconhecer que, para além destes acertos, cometemos erros no passado. E ainda alguns perduram no presente. Como consequência, existem hoje no Brasil cerca de 50 milhões de hectares de áreas degradadas. Mas, essa área já antropizada e de baixa produtividade pode ser um grande trunfo para a transformação. Temos um forte “ecossistema” de geração conhecimentos, tecnologias e inovação que podem tornar essas áreas produtivas e, assim, multiplicar a produção de alimentos, fibras e bioenergia sem necessidade de avançar sobre qualquer vegetação nativa.

Um exemplo que podemos tirar do projeto MapBiomas – uma rede brasileira de 15 instituições de pesquisa que mapeou todas as mudanças no uso da terra no Brasil desde 1985 até 2017 – é o que ocorreu no estado de São Paulo. A área de cultivo agrícola dobrou desde 2000, crescendo essencialmente sobre as pastagens sem que o Estado diminuísse a produção pecuária. Com isso, a Mata Atlântica cresceu. São Paulo hoje tem mais floresta, mais agricultura e mais boi. Isso permite tratar a sustentabilidade como negócio, aumentando a produção, a produtividade e a renda, agregando valor e fortalecendo a imagem do agronegócio.

O papel de cada um e de todos

A sustentabilidade só é possível quando todos os atores estão envolvidos em todo o “ciclo de vida” da geração de riqueza. Isso inclui desde aqueles que estão antes da porteira como as indústrias de insumos e máquinas, seguido daqueles diretamente envolvido nos sistemas produtivos dentro da porteira, bem como os distribuidores e consumidores – que hoje são agentes de mudança fundamental, assumindo protagonismo crescente na regulação de mercados, especialmente de alimentos. Inclui também, de forma transversal ao longo de toda essa cadeia, os agentes públicos (governos), responsáveis pela regulação dos sistemas e geração de políticas públicas efetivas e, finalmente, as organizações públicas e privadas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I), responsáveis pelo desenvolvimento de tecnologias e conhecimentos que irão alimentar todo o ciclo.

É claro que temos desafios enormes pela frente e não é sem esforço e, às vezes, com conflitos de ideias e interesses que vamos ter que avançar. Mas há uma certeza: qualquer novo padrão tecnológico na agricultura terá que se nortear pela consolidação de sistemas de produção limpos, com balanço positivo de carbono, que integrem as cadeias, promovam a inclusão produtiva e gerem e remunerem as externalidades positivas.

O acelerado avanço das tecnologias da informação e de comunicação, com a proliferação das mídias sociais e plataformas digitais, está modificando radicalmente as relações entre empresas produtoras de alimentos e os consumidores. Maior acesso a computadores e celulares, internet de baixo custo e Wi-Fi estão propiciando aos consumidores grande acesso à informação e compartilhamento de experiências e avaliações de produtos e marcas, que ampliam seu poder na tomada de decisão no momento da compra. As mudanças indicadas pelos consumidores estipulam que a produção de alimentos precisa atender a distintos atributos: sensorialidade e prazer, saudabilidade e bem-estar, conveniência e praticidade, confiabilidade e qualidade e sustentabilidade e ética.

A prática, não só o discurso, de uma agricultura sustentável não é mais uma opção, mas sim uma necessidade imperativa para aqueles que querem permanecer no negócio e para agregar aqueles, especialmente pequenos, que ainda estão fora do mercado.

Portanto, há espaço para ampliar a produção e a conservação. E reforço: produzir, crescer e preservar tem que ser uma relação ganha-ganha-ganha. O Brasil está pronto para ser o maior produtor mundial de alimentos em bases sustentáveis. Depende de como vamos usar todos esses recursos naturais, tecnológicos e sociais que temos. Há oportunidades se abrindo para todos os tipos e tamanho de propriedade desde a agricultura de base ecológica até grandes sistemas produtivos. O grau de dificuldade de inserção neste conceito de sustentabilidade depende da situação da propriedade, do acesso a conhecimento e tecnologias e, obviamente, da capacidade de investimento e expectativa de retorno.

O mundo e as oportunidades pós Covid-19

Como já apontado por vários especialistas, o mundo pós-pandemia será dominado pela combinação de três “S” – Saúde, Sanidade e Sustentabilidade.

Isso está alinhado com o que afirma Jeffrey D. Sachs, diretor do SDSN (Sustainable Development Solutions Network) sobre o recém divulgado relatório Sustainable Development Report 2020: “os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são necessários mais do que nunca. Seus princípios fundamentais de inclusão social, acesso universal a serviços públicos e cooperação global são as diretrizes para combater a Covid-19, bem como para a recuperação liderada por investimentos que o mundo deve adotar para superar crise econômica causada pela pandemia.

O relatório deste ano se concentra na luta de curto prazo para vencer a pandemia Covid-19, enfatizando a importância das estratégias de saúde pública e nas transformações de longo prazo para guiar a fase de recuperação. Como mostra o relatório, houve um claro progresso nos ODS antes da pandemia. Com políticas sólidas e forte cooperação global, podemos restaurar esse progresso na próxima década”.

Todos investimentos de agora para frente serão avaliados também – e talvez até como critério sine qua non – pela sua capacidade de geração de desenvolvimento sustentável. Um exemplo recente no Brasil foi o anúncio de um road map para investimentos em Agricultura Sustentável (Destravando o Potencial de Investimentos Verdes para Agricultura no Brasil) em uma parceria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Climate Bonds Initiative (CBI). O plano apresenta vertentes para investimentos que vão desde o estabelecimento de ações de regularização ambiental (PRA, derivado do Código Florestal), passando pelo desenvolvimento de bioinsumos para a agricultura, sistemas de produção pecuária sustentável como os processos de ILPF, energia renovável e biocombustíveis, florestas, até investimentos em infraestrutura de transporte e logística de baixa emissão de carbono.

Uma preocupação que o Brasil precisa ter é a geração e inserção de dados atuais em fóruns e bases internacionais, que permitirão assegurar ao país maior confiabilidade e credibilidade nos mercados e na elaboração de inventários e avaliações de impacto, como por exemplo em análises de ciclo de vida, pegadas ambientais de carbono e hídrica, entre outros. Muitos destes critérios hoje se configuram como barreiras não tarifárias para inserção em mercados internacionais e para investimentos.

Assim, a geração de dados confiáveis e com credibilidade internacional é essencial para garantir a competitividade de nossa agropecuária e desmistificar dados errôneos ou parciais e para corrigir erros de rumo interno em nossas políticas públicas e iniciativas tanto de governo quanto do setor produtivo.

Já provamos que produzir e preservar é possível. Em 2030 podemos ser o maior produtor mundial de alimentos e ao mesmo tempo ser um país com imensa área preservada, a maior do mundo tropical. Para isso, precisamos valorizar nossa agricultura, melhorar a imagem do país no cenário internacional e investir na diversificação dos sistemas produtivos, fortalecer as cadeias de valor, viabilizar estratégias de pagamento por serviços ambientais e investir na formação profissional. Podemos e devemos zerar o desmatamento, acabar com a ocupação ilegal de terras públicas, defender as áreas protegidas e aprofundar os ganhos de produtividade.

“A sustentabilidade é uma jornada, não um episódio”, como afirmou Tensie Whelan, diretora do Centro de Sustentabilidade da NYU Stern School of Business. Mas, trilhar essa jornada só é possível com conhecimentos e tecnologias que permitam o melhor uso dos nossos recursos naturais. E para pavimentar esse caminho é necessário investir de forma consistente. Esse foi o combustível que nos trouxe até aqui e que pode nos levar mais adiante, de forma competitiva. Tomo a liberdade então de acrescentar um quarto “S” às prioridades para a pós-pandemia: Science – aqui em inglês, denotando também sua universalidade. Esse quarto elemento que é transversal às dimensões de Saúde, Sanidade e Sustentabilidade nos permitirá alcançar os almejados objetivos. Nenhuma nação se sustenta no longo prazo sem investir em ciência.

As regras do jogo estão postas. Teremos uma nova oportunidade para mostrar vantagem competitiva após a saída do safety car, que recolocou todos os competidores na mesma volta – quem, como eu, é fã de F1 entenderá! Resta saber se vamos aproveitar esta relargada para consolidar o Brasil como a potência agroambiental que podemos ser. Temos que fazer as escolhas certas.

* Engenheiro agrônomo, mestre e doutor em Agronomia/Fitopatologia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), pesquisador e chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente.

 

Foto: Arte: Dudu Rosa.

Marcelo A. B. Morandi
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Não invasiva, termografia é usada para monitorar bem-estar animal – 13/07/2020

 

Tela apresentada no workshop, com imagens termográficas

 

O uso da termografia infravermelha tem mostrado grande potencial e poderá ser ampliado nas pesquisas que avaliam o conforto térmico animal em sistemas integrados de produção. A técnica permite mapear um corpo ou uma região para distinguir áreas de diferentes temperaturas por meio da visualização artificial da luz dentro do espectro infravermelho. O método é considerado não invasivo, permite análises à distância, gera imagens bidimensionais, é portátil e permite o registro em vídeos.

O tema foi debatido na última sexta (10) no Workshop “Compartilhando experiências” (Brasil/Itália), organizado pelo pesquisador Alexandre Rossetto Garcia, da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP).

O evento faz parte do projeto “Do céu às células – uma abordagem multidimensional do conforto térmico animal em sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)”, liderado por Rossetto, e teve a participação dos pesquisadores Leonardo Nanni Costa, da Universidade de Bolonha, e Fabio Luzi, da Universidade de Milão. José Ricardo Pezzopane e Alberto Bernardi, da Embrapa, além de outras pesquisadoras italianas, acompanharam o workshop em ambiente virtual.

O projeto

Rossetto apresentou a evolução do projeto Do Céu às Células, que começou em 2019 e termina no ano que vem, com financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Foram mostrados os principais benefícios das sombras das árvores na fisiologia de bovinos de corte, que permitem indicar a ILPF como estratégia produtiva para melhorar o bem-estar animal e a produtividade.

O pesquisador mostrou com imagens aéreas, de termografias e fotografias convencionais, resultados parciais já obtidos. Apresentou o sistema de captação de dados por sensores instalados em colares em animais das raças Canchim e Nelore; os gráficos que identificam deslocamento, ócio e ruminação, obtidos a partir de mais de 41 mil horas de monitoramento; os trabalhos que estão avaliando as características do pelo e a estrutura morfológica da pele de bovinos; além de outros dados envolvendo os efeitos do sombreamento no conforto térmico dos animais.

De acordo com Rossetto, “embora as causas do desconforto térmico sejam diurnas, as consequências negativas também se manifestam no período noturno”.

Itália

Os pesquisadores europeus também apresentaram trabalhos que desenvolvem na Itália, além daqueles conectados ao projeto Do Céu às Células. O agrônomo Fabio Luzi e a física Veronica Redaelli relataram o uso de termografia em pequenos animais, cavalos, répteis, primatas não humanos, suínos, aves e bovinos.

Além dos animais, a termografia pode ser usada para monitorar o ambiente e a alimentação fornecida a eles, como a silagem. A técnica também é útil para monitorar situações críticas como o transporte de animais.

Leonardo Nanni falou sobre a avaliação do bem-estar animal ante e pós-morte, apresentou o conceito de dor e os comportamentos associados a ela, seja na vocalização, temperatura, postura e locomoção. O pesquisador e sua equipe mostraram também estudos que codificam e quantificam as expressões faciais de dor em ovinos, trabalho que tem como base as expressões humanas, mas é desenvolvido com apoio de instrumentos eletrônicos.

Segundo Nanni, o uso da termografia vem ganhando relevância nos estudos sobre bem-estar animal justamente por não ser invasiva.

Parcerias

O projeto Do Céu às Células tem parcerias também com as empresas Cowmed e Airscout Brasil, especializadas em monitoramento animal e ambiental, com a UFF (Universidade Federal Fluminense), USP (Universidade de São Paulo), UFPA (Universidade Federal do Pará) e Ufra (Universidade Federal Rural da Amazônia). Há financiamentos da Fapesp, CNPq e Capes, além de recursos da própria Embrapa por meio da Rede de Pesquisa em Agricultura de Precisão, chamada Rede AP. A Rede ILPF também é cofinanciadora do projeto.

A programação do evento também teve momento dedicado às discussões do Projeto Sprint, recém aprovado na Fapesp, no qual todos os pesquisadores convidados também são participantes. Esse projeto trata da mobilidade da equipe envolvida, permitindo deslocamentos para encontros presenciais.

 

Ana Maio (Mtb 21.928)
Embrapa Pecuária Sudeste

Contatos para a imprensa

Especialistas debatem ILPF no Nordeste em transmissão ao vivo – 10/07/2020

Diante do ‘novo normal’ em tempos de pandemia e isolamento social, as discussões e intercâmbio de experiências sobre ILPF (Integração Lavoura – Pecuária – Floresta) no Nordeste acontecem em 2020 nos ambientes virtuais.

Especialistas da Embrapa participam, na quarta (15), da transmissão ao vivo ‘ILPF no Nordeste: aprendizados e desafios’, que acontece às 14h no canal da Embrapa no Youtube, com transmissão simultânea no site da Rede de Pesquisa e Inovação em Leite (RepiLeite), na página da Embrapa Gado de Leite no Facebook e no seu perfil no Instagram.

Compõem a bancada virtual os pesquisadores André Amaral, da Embrapa Solos (UEP Recife), João Henrique Zonta, da Embrapa Algodão, Rafael Dantas, da Embrapa Semiárido e Rafael Tonucci, da Embrapa Caprinos e Ovinos, além do técnico Samuel Souza, da Embrapa Tabuleiros Costeiros. A moderação fica por conta da pesquisadora Elizabeth Nogueira, da Embrapa Gado de Leite.

O objetivo é trocar conhecimentos e contribuir para o avanço das tecnologias de ILPF em estados do Nordeste, com foco na elevação dos índices socioeconômicos da região e capacitação de assistentes técnicos e produtores, num rico intercâmbio com pesquisadores e agentes técnicos.

A transmissão ao vivo é uma continuidade dos bem sucedidos eventos presenciais realizados em 2019 em Alagoas, Paraíba e Pernambuco, com grande participação e retorno positivo de produtores, agentes públicos e pesquisadores. A iniciativa promovida pela Embrapa e parceiros nos três estados contou com recursos da Rede ILPF, uma parceria público-privada formada pela Embrapa, a cooperativa Cocamar e as empresas Bradesco, Ceptis, John Deere, Premix, Soesp e Syngenta.

SERVIÇO
O que: Transmissão ao vivo ‘ILPF no Nordeste: aprendizados e desafios’
Quando: 15 de julho (quarta)
Horário: 14h
Onde: Youtube da Embrapa, Site da RepiLeite, perfis da Embrapa Gado de Leite no FacebookInstagram
Quem: Especialistas de seis Unidades da Embrapa
 
Saulo Coelho (MTb/SE 1065)
Embrapa Tabuleiros Costeiros

Contatos para a imprensa
tabuleiros-costeiros.imprensa@embrapa.br
Telefone: (79) 4009-1381

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Ciclo de lives aborda oportunidades de uso da ILPF nas regiões brasileiras – 10/07/2020

A partir do dia 22 de julho, a Rede ILPF promoverá um ciclo de cinco lives abordando as oportunidades de uso dos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta nas regiões brasileiras. A cada semana, sempre às quartas-feiras, às 19h (horário de Brasília), o evento terá o foco em uma das regiões. A transmissão será feita pelo canal da Embrapa no Youtube (www.youtube.com/embrapa) e pelo perfil da Rede ILPF no Facebook.

Cada evento online terá três convidados, que participarão de uma mesa redonda coordenada por um moderador. O público poderá participar fazendo suas perguntas, que serão respondidas ao longo dos 90 minutos de live.

O primeiro evento, no dia 22, será o da região Sul. Participarão como convidados o pesquisador da Embrapa Trigo Renato Fontaneli, o produtor Ruben Kudiess e o extensionista da Emater-RS Ilvandro de Melo. A mediação será da jornalista Joseani Antunes.

A região Centro-Oeste será o foco da segunda live, no dia 29 de julho. Os convidados serão os pesquisadores da Embrapa Lourival Vilela (Cerrados), Júlio Salton (Agropecuária Oeste) e Maurel Behling (Agrossilvipastoril). O jornalista Gabriel Faria será o moderador.

A terceira live do ciclo será sobre as oportunidades de uso da ILPF na região Sudeste, no dia 5 de agosto. Os convidados serão os pesquisadores da Embrapa Roberta Carnevalli (Gado de Leite), Emerson Borghi (Milho e Sorgo) e Alberto Bernardi (Pecuária Sudeste). O jornalista José Heitor Vasconcelos fará a moderação.

A ILPF na região Nordeste será discutida no dia 12 de agosto, com participação dos pesquisadores da Embrapa Marcos Lopes (Meio Norte), José Rangel (Tabuleiros Costeiros) e do analista José Geraldo di Stefano (Algodão). A jornalista Maria Eugênia Ribeiro será a moderadora.

A última das cinco lives prevista neste ciclo será sobre as oportunidades de uso da ILPF na região Norte do país, no dia 19 de agosto. Os pesquisadores da Embrapa Gladys Beatriz Martínez (Amazônia Oriental) e Vicente Godinho (Rondônia) serão os convidados ao lado do gestor da fazenda Mogi Guaçu (Paragominas-PA), Marcus Ubiratan Vieira. A mediação será feita pela jornalista Ana Laura Lima.  

Após a transmissão ao vivo, todas as lives ficarão disponíveis no Canal da Embrapa no Youtube, na playlist sobre ILPF. Nesta playlist há mais de 250 vídeos técnicos relacionados à integração lavoura-pecuária-floresta. No mesmo canal há ainda uma playlist chamada Palestras sobre ILPF, que reúne mais de 170 palestras realizadas em dias de campo e outros eventos com o tema da ILPF.

 

 

Imagem: Renato Tardin

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG)
Embrapa Agrossilvipastoril

Contatos para a imprensa
agrossilvipastoril.imprensa@embrapa.br

Embrapa firma parceria com o governo do Pará – 08/07/2020

Acordo tem prazo de 12 meses

A Embrapa Amazônia Oriental e o Governo do Pará firmaram acordo de cooperação técnica nesta quarta-feira (8) para a transferência de tecnologias para a região Sul do estado. O Programa Embrapa de Tecnologia Sustentáveis vai atuar na formação de agentes multiplicadores nos municípios de São Felix do Xingu, Tucumã, Canaã dos Carajás e Parauapebas.

O ato foi assinado durante reunião de trabalho realizada pelo governador Helder Barbalho e Hamilton Mourão, vice-presidente da República e presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, no Palácio dos Despachos, em Belém. O encontro também contou com a presença de Adriano Venturieri, chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, de representantes do setor produtivo, técnicos da Vice-presidência da República, além de secretários e dirigentes do governo estadual.

O público das capacitações programadas é constituído, principalmente, por técnicos da extensão rural que atuam nos quatro municípios. Durante um ano, eles terão uma formação continuada em seis módulos voltados para tecnologias sustentáveis para a produção agropecuária. Os conteúdos abrangem manejo e conservação dos solos, recuperação de pastagens, pecuária sustentável, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), sistemas agroflorestais e restauração florestal.

De acordo com Adriano Venturieri, os módulos serão ministrados por especialistas da instituição e vão apresentar tecnologias já testadas e validadas pelas pesquisas. “São práticas que podem elevar a produtividade numa mesma área e reduzir a pressão pelo desmatamento”, afirma Venturieri. Caberá aos extensionistas levar as tecnologias até os produtores rurais. Em função da pandemia do coronavírus, as atividades presenciais vão aguardar pela flexibilização das medidas de isolamento social.

Além da qualificação dos técnicos em extensão rural, a parceria também prevê disponibilizar o aplicativo Agrotag e ajustá-lo às necessidades do governo estadual. Desenvolvido pela Embrapa Meio Ambiente, a ferramenta permite  a coleta de dados e informações nas propriedades rurais. “Essa parceria vai oferecer tecnologias não apenas ao produtor rural, mas também aplicações que vão fortalecer nossas estratégias de atuação nessas áreas”, disse Helder Barbalho, governador do Pará.

A parceria com a Embrapa se dá no contexto do programa Territórios Sustentáveis do governo do Pará. Além da transferência de tecnologia para os produtores rurais, a gestão estadual vai promover ações de regularização fundiária e oferta de crédito com o objetivo de conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação da floresta.

 

Com informações da Agência Pará

 

Foto: Marcos Santos/Agência Pará 
 
Vinicius Soares Braga (MTb 12.416/RS)
Embrapa Amazônia Oriental

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Cientistas usam saquinhos de chá para avaliar qualidade do solo – 07/07/2020

A metodologia holandesa chamada Tea Bag Index (TBI) está sendo usada por cientistas da Embrapa Pecuária Sudeste em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

Pesquisadores estão enterrando saquinhos de chá para avaliar a qualidade do solo em sistemas produtivos. Trata-se de uma metodologia holandesa chamada Tea Bag Index (TBI) e está sendo usada por cientistas da Embrapa Pecuária Sudeste em parceria com o Departamento de Ciências Ambientais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). 

A técnica permite acompanhar a taxa de decomposição da matéria orgânica contida em cada saquinho e comparar esse valor entre os diferentes sistemas produtivos. “Em geral, quanto mais o solo decompõe matéria orgânica, mais qualidade ele tem. É sinal de que a comunidade microbiana está funcionando”, explica o professor da UFSCar Marcel Tanaka.

Ele conta que vem aplicando o método em áreas de restauro florestal (recuperação vegetal). Sua equipe enterra saquinhos de chá em matas ciliares para observar a recuperação dessas áreas e consequente retomada de serviços ambientais prestados pela vegetação. Entre eles, a preservação de corpos d’água – as árvores retêm sedimentos que deixam de atingir lagos, córregos, rios e outros – e aumento da infiltração de água no solo – sem árvores, é maior a evaporação da água. Além disso, com as matas restauradas, aumenta o sequestro de carbono da atmosfera e a ciclagem de nutrientes.

Da vegetação nativa para a agropecuária

O método estava restrito a essas áreas de restauro, até que, em 2019, o pesquisador da Embrapa Alberto Bernardi (foto à direita) passou a aplicá-lo em sistemas produtivos. O experimento utilizou cerca de 400 saquinhos que foram enterrados a uma profundidade de oito centímetros em áreas de sistemas integrados, nas quais são praticados simultaneamente a pecuária, o plantio de lavoura e de florestas (geralmente eucaliptos), chamada de ILPF (integração lavoura-pecuária-floresta). O chá foi colocado nas linhas e entrelinhas dos eucaliptos.

Após três meses, os saquinhos foram retirados para análise. O material foi processado na UFSCar em um equipamento chamado Mufla, um tipo de estufa com altas temperaturas usada em laboratórios. Como no conteúdo dos saquinhos havia terra, fungos e outros microrganismos, foi preciso “queimar” essas amostras a 500 graus. “O que sobra são cinzas e material inorgânico”, explica Tanaka.

No campo experimental da Embrapa em São Carlos, o TBI foi aplicado em áreas sombreadas nas quais estão plantadas árvores do sistema integrado e em pastos a pleno sol, sem sombreamento. Para evitar que os saquinhos se perdessem com o tempo, foi colocado um tubo de PVC marrom em cada ponto do solo estudado.  Durante o experimento, foi preciso providenciar a manutenção de alguns pontos por causa da presença de animais no local. “É a primeira vez que a tecnologia está sendo usada na presença de gado”, revela o professor da UFSCar.

Esse estudo faz parte da tese de doutorado de Débora Bessi (foto à esquerda), graduada em gestão ambiental que deve finalizar seu trabalho em 2021. Ela vai completar sua pesquisa com dados sobre análise química e física do solo que foram feitas pelo laboratório da Embrapa. “É importante conhecer essas propriedades porque elas vão condicionar os processos de decomposição. A partir desses números, será possível saber o que acontece”, declara Bernardi. A Embrapa também forneceu dados meteorológicos daquela área.

“Partimos do pressuposto que o sistema ILPF altera o solo. A expectativa é que aumentem a decomposição e as atividades orgânicas e que o solo passe a reter mais carbono,” estima o pesquisador da Embrapa. Com isso, a integração estaria contribuindo para equilibrar a emissão de gases de efeito estufa pela pecuária. 

Não é qualquer chá

O chá utilizado nos experimentos é padronizado e não está disponível no Brasil. Pelas 20 caixas adquiridas, o projeto pagou cerca de 90 euros (cerca de R$ 540).

A metodologia Tea Bag Index vem sendo aplicada em um experimento global e todos os países envolvidos estão usando o mesmo produto. A ideia é conhecer os processos de decomposição de solos de diferentes regiões do planeta para propor soluções e tecnologias que reduzam os impactos das mudanças climáticas.

No site Teatime4Science há mais informações sobre essa pesquisa mundial. “Os saquinhos de chá podem fornecer informações vitais sobre o ciclo global do carbono. E os consumidores em todo o mundo podem melhorar a modelagem climática sem muito esforço ou equipamento”, consta na apresentação do projeto.

Marcel Tanaka (foto) explicou que, antes dessa metodologia, já havia experimentos que colocavam matéria-prima orgânica dentro de saquinhos de nylon, geralmente folhas. Estes saquinhos eram enterrados e depois recuperados para análise. “O problema é que a matéria orgânica de uma determinada região pode ser muito diferente de outras regiões. Assim, não haveria como padronizar um estudo global”, detalha o professor.

Quando a tese de Bessi for publicada, os resultados desse experimento serão repassados ao projeto mundial para que o Brasil passe a integrar o grupo de países que está adotando o “plantio de chá” em favor da pesquisa.

Esse estudo na Embrapa é financiado pela Rede ILPF, uma associação que reúne instituições públicas e privadas com o objetivo de acelerar a adoção das tecnologias de integração lavoura-pecuária-floresta por produtores rurais como parte de um esforço para intensificar a agricultura brasileira de forma sustentável. 

Foto: Luiz Paiva

Ana Maio (MTb 21.928)
Embrapa Pecuária Sudeste

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Técnicos se reúnem em Minas Gerais para validar zoneamento do milho – 03/07/2020

O objetivo desta reunião é fazer a validação do Zarc para a cultura do milho 1ª e 2ª safras para o estado de Minas Gerais

Profissionais do setor produtivo agropecuário de Minas Gerais se reuniram para fazer a validação do Zoneamento Agrícola do Risco Climático para a 1ª e 2ª safras do milho no estado. Mais de 100 pessoas participaram da reunião online, em 25 de junho, promovida pela Embrapa Milho e Sorgo em parceria com duas outras Unidades da empresa, Embrapa Cerrados e Embrapa Informática Agropecuária.

O chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo, Frederico Durães, fez a abertura da reunião de validação de Minas Gerais e ressaltou que  o Zarc dá suporte às iniciativas pública e privada, que integram outras políticas de mercado, de inovações tecnológicas e o marco legal para a eficiência de desempenho e segurança das safras agrícolas. “A reunião de validação da metodologia Zarc, por espécie agrícola, é uma oportunidade para uma junção de saberes técnico-científicos e de produção e mercado, dos vários agentes de interesse para uma região, em um período de uma safra agrícola”, disse Durães.

Os dados do Zarc Milho para Minas Gerais foram organizados pelos pesquisadores Aryeverton Fortes de Oliveira e José Eduardo Monteiro (Embrapa Informática Agropecuária); Fernando Antônio Macena da Silva (Embrapa Cerrados); Balbino Antônio Evangelista (Embrapa Pesca e Aquicultura); Daniel Pereira Guimarães  e Camilo Lelis de Andrade (Embrapa Milho e Sorgo).  Atualmente,  Minas Gerais cultiva 721.900 e 465.100 hectares de área com milho na primeira e segunda safra, respectivamente, conforme dados da Conab.

“O Zarc é uma ferramenta de análise de risco climático que considera a variabilidade climática, com isso ela permite indicar as datas de semeadura, com menor risco climático para os municípios do estado. “O objetivo desta reunião é fazer a validação do Zarc para a cultura do milho 1ª e 2ª safras para o estado de Minas Gerais e avaliar as possíveis inconsistências nos resultados gerados. Pois, uma vez validados, os resultados serão enviados para o Ministério da Agricultura”, explicou Fernando Macena.

 

Daniel Guimarães apresentou a metodologia do Zarc para o milho safra e safrinha (segunda safra). Ele mostrou como os fatores climáticos determinam a produtividade agrícola. “O que fazemos é avaliar os riscos climáticos e um estudo de probabilidades. Todo processo de modelação envolve determinação de limites de cortes. Avaliamos também como funciona a interação de três fatores: clima, solo e cultura, bem como o balanço hídrico”.

Já Eduardo Monteiro detalhou os dados apurados para a safra e safrinha do milho nas diversas regiões do estado de Minas Gerais. Ele ressaltou que o objetivo desta reunião é mostrar os resultados, a metodologia e os parâmetros de modelagem. “Assim podemos fazer os ajustes. O zoneamento segue, na maioria dos casos, considerando as culturas de sequeiro. Mas, também, existe o zoneamento para cultura irrigada”, disse.

 

“O ex-ministro da agricultura Alysson Paolinelli também compareceu à reunião. Ele destacou a importância da cultura do milho, cereal mais requerido no mundo hoje. E fez um chamamento para o aumento de produção de alimentos para poder suprir a demanda estimada pela FAO até o ano 2050. “Nós precisamos urgentemente ampliar a nossa oferta, especialmente de milho e de sorgo. E nós temos condições de produzir mais. A forma de aumentar a produção, estamos discutindo aqui. Uma delas é seguir as orientações do zoneamento, com as épocas de plantio e todas as outras condições que se estabelecem, com a melhora da adubação e do manejo”, disse.

 

 “O Brasil pode atender essa demanda fabulosa que nós vamos ter daqui até 2050. E isso pode ser resolvido sem precisar ampliar um metro quadrado de área, basta que se irrigue. Esta é uma solução prática, mais econômica. A não ser no caso do ILPF, em que você recupera pastagens. Hoje nós temos quase dois milhões de hectares irrigados na região do cerrado. Estas irrigações estão permitindo três safras. Isso é muito bom. Essas três safras se encaixam perfeitamente na necessidade do mercado atual”, concluiu o ministro.

Zarc

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) é um instrumento de política agrícola e gestão de riscos na agricultura, coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O zoneamento é elaborado em duas etapas: a modelagem e a validação dos resultados.  As reuniões para validação para as safras de milho acontecem no Brasil nos meses de junho e julho de 2020.
 

A modelagem consiste em utilizar modelos que permitem indicar períodos mais apropriados de plantio, por município, levando em consideração o ciclo das cultivares e o tipo de solo, de modo a minimizar a chance de que adversidades climáticas coincidam com a fase mais sensível das culturas. Esta etapa, coordenada pela Embrapa, é elaborada por uma equipe multidisciplinar de especialistas utilizando metodologias desenvolvidas por várias instituições.
 

O chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo, Lauro José Moreira Guimarães, considerou a responsabilidade da equipe do Zarc. “A gente vê a complexidade que é rodar um sistema desses. E as contribuições dos convidados enriquecem e esclarecem melhor a situação de cada região. Precisamos entender o que o agricultor está fazendo. E ficar atentos aos benefícios que estas ferramentas podem trazer para as atividades agrícolas”.

Para validar os resultados apresentados nesta reunião, em Minas Gerais, participaram representantes de instituições públicas e privadas, cooperativas de agricultores, técnicos extensionistas, produtores e pesquisadores da Embrapa. Estes profissionais contribuíram para avaliar se os resultados obtidos com a modelagem estão de acordo com a realidade no campo. Assim, podem ser feitos os ajustes, e pode ser concluído o relatório que será enviado ao Mapa.

 

Zoneamento

Confira no site do Mapa o cronograma de reuniões de validação do Zarc.

Ao todo, onze culturas serão revisadas em 2020, pela Embrapa Informática Agropecuária e pelo Departamento de Gestão de Riscos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), através de um convênio com o Banco Central do Brasil, que possibilitou a ampliação das pesquisas até 2021. A primeira cultura é o milho. As reuniões estão sendo realizadas por teleconferência e começaram em junho de 2020.
 

Os agricultores que seguem as recomendações do Zarc estão menos sujeitos aos riscos climáticos e ainda poderão ser beneficiados pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e pelo Programa de Subvenção ao prêmio do Seguro Rural (PSR). Muitos agentes financeiros só liberam o crédito rural para cultivos em áreas zoneadas e para o plantio de cultivares indicadas nas portarias de zoneamento.
 
Foto: Sandra Brito 

Sandra Brito (MTb 06230 MG)
Embrapa Milho e Sorgo

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Embrapa divulga estudo inédito sobre tendências para a cadeia de carne bovina – 03/07/2020

Pecuária de corte em sistema ILPF

Um dos pilares do agronegócio brasileiro, a cadeia da pecuária de corte movimentou o correspondente a 8,7% do PIB do país em 2018, totalizando R$ 597,22 bilhões. Para os próximos anos, o setor continuará a crescer, sustentado por um mercado consumidor de carne bovina crescente, com o aumento considerável da demanda, em especial pelos países asiáticos, como China e Hong Kong. Os dois países, só em 2018, compraram o correspondente a 43,6% de todo o montante exportado.

A busca por cortes diferenciados e de denominação de origem abrirão novas oportunidades de agregação de valor. No entanto, o maior grau de exigência do consumidor será um gatilho transformador da atividade, bem como a concorrência com outras fontes de proteína, que forçarão a cadeia a produzir melhor. O bem-estar animal será mandatório, desde a cria ao abate.

Os dados são do estudo que integra a mais recente edição da série “Desafios do Agronegócio Brasileiro”, elaborada por pesquisadores da Embrapa que integram o Centro de Inteligência da Carne Bovina da Embrapa Gado de Corte (Cicarne) e o Sistema Agropensa. Participaram do estudo os pesquisadores Guilherme Malafaia, Fernando Dias, Paulo Biscola e Elísio Contini e o analista Adalberto Araújo.

De acordo com os autores, a inovação digital será uma das duas maiores forças disruptivas para o mercado nas próximas duas décadas e acelerará o processo de transformação da cadeia, injetando gestão e inteligência na atividade. Terá papel central na certificação, rastreabilidade e qualidade do produto carne.

A busca por soluções sustentáveis transformará toda a cadeia produtiva, desde a indústria de insumos até a carne na prateleira do supermercado. Tecnologias de ponta como a biotecnologia moderna aumentarão a eficiência produtiva, com ganhos para os produtores e consumidores finais.

As tendências para a cadeia de carne bovina do país vão exigir melhor gestão do negócio, digitalização e intensificação produtiva por parte dos pecuaristas para que seja alcançado o potencial de incremento de 23% da produção nos próximos oito anos, diz o estudo. 

Por outro lado, o impacto social será muito relevante – pois muitos pecuaristas não conseguirão se adaptar e deixarão a atividade.  “Vamos ter menos produtores, que serão mais tecnificados e terão maior volume de produção. Quem for pequeno ou se organiza em cooperativas, em associações, em rede, ou não sobreviverá”, afirma o pesquisador Elísio Contini.

De acordo com o especialista, a previsão é que poderão deixar a atividade quase metade dos 1,3 milhão de pecuaristas hoje em atividade, apesar de promissora projeção de o país se consolidar como líder global nesse mercado.

“Parcela considerável vai ser excluída da atividade e substituída por fazendas corporativas. Até 2040, cerca de 50% dos produtores devem sair do mercado”, afirma o coordenador do Cicarne, Guilherme Malafaia.

Mais carne em menos área

As projeções elaboradas pelo estudo indicam que os próximos anos serão de muito desenvolvimento e sucesso para os bons gestores. A pecuária brasileira produzirá mais carne em menos área, liberando terras para a agricultura e silvicultura. O setor ocupará espaço no cenário internacional, exportando desde genética a produtos altamente especializados e de elevado valor agregado. “O Brasil terá uma pecuária altamente tecnificada, profissional, competitiva e uma referência global, não só pelo gigantismo, mas também por sua tecnologia, qualidade, segurança e sustentabilidade”, afirmam os autores.

Eles chamam atenção também para os impactos da covid-19 no mercado e na produção da carne bovina. A pandemia colocará no topo do debate global a preocupação com a sanidade animal, onde devem crescer as exigências e consistência sobre os sistemas de vigilância e controle de doenças que atingem animais e humanos. “Esta pode ser uma grande oportunidade para a cadeia da carne bovina mostrar ao mundo, de forma transparente, como os nossos processos produtivos, tanto no campo como na indústria, são confiáveis”, afirmam.

De acordo com o estudo, a maior transformação será no processo de distribuição, seja de insumos, gado ou da carne. A relevância da sanidade, qualidade e sustentabilidade crescerá via interação digital com o consumidor final. Entretanto, torna-se de fundamental importância a promoção de melhorias no sistema de conectividade no território brasileiro, especialmente, no campo.

“É de fundamental importância a criação e fortalecimento dos diálogos entre stakeholders em rede no setor de carne bovina. A integração e coordenação da cadeia é extremamente necessária e estratégica. É preciso romper a cultura demarcada pela falta de relacionamentos sistêmicos e avançar em modelos colaborativos em rede, já realizado com êxito por países como Austrália, Canadá, China, Estados Unidos, Reino Unido e Uruguai. A Câmara Setorial da Bovinocultura de Corte do Ministério da Agricultura poderia ser um fórum propício para germinar uma ação nesse sentido”, afirma Elísio Contini.

Desafio para o escoamento das exportações

A concentração das exportações de carne bovina nos portos das regiões Sul e Sudeste evidencia os corredores de exportação dos estados brasileiros produtores de carne situados nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste. No caso dos frigoríficos de Mato Grosso, por exemplo, as rodovias BR-364 e BR-163 estão entre as principais vias de escoamento da produção do território destinada à exportação, convergindo aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR). Já a produção do território goiano segue, sobretudo, pelas BR-153, BR-364 e a BR-050, em direção ao porto de Santos.

No entanto, o estudo apontou a necessidade de reorientar a matriz de transporte para maior integração entre os percursos rodoviário e ferroviário. O transporte rodoviário poderia ser realizado entre os frigoríficos e os pátios de transbordo da ferrovia, por ser o mais flexível, com maior disponibilidade de vias de acesso e rapidez na entrega. Por sua vez, o modal ferroviário seria adequado para o transporte de carga por longas distâncias, desde os pátios da ferrovia até os portos litorâneos. Em relação à logística de exportação da carne bovina, nota-se uma concentração em alguns portos da região Sul e Sudeste.

Para diminuir essa concentração, sugere-se maior exportação pelos portos do Nordeste e Norte brasileiro, quando o produto tiver como destino os portos da Europa, do Oriente Médio e da América do Norte.

As projeções para a pecuária brasileira mostram que o setor deve apresentar um significativo crescimento nos próximos anos e a expectativa é que a produção de carne bovina no Brasil continue a crescer na próxima década. Segundo projeções do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), no período de 2018 a 2028, a produção de carne bovina do Brasil deverá crescer 2,1% ao ano. Neste contexto, espera-se atingir 12,15 milhões toneladas produzidas em 2028, com 22,7% de variação em relação a 2018.

Clique aqui para acesso à NT na página do Agropensa.

*Com informações da nota técnica 04 da Série “Desafios do Agronegócio Brasileiro”, Sistema Agropensa.

Foto: Gabriel Faria 
 
Maria Clara Guaraldo (MTb 5027/MG)
Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire)

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