Projeto investe em cooperação com setor produtivo para inovação na caprinocultura e ovinocultura – 24/06/2020

Projeto aposta na integração com setor produtivo para superar desafios na caprinocultura e ovinocultura

Superar, por meio da inclusão tecnológica, os principais desafios para a produção sustentável de carne, leite e produtos derivados da caprinocultura e ovinocultura e apoiar as cooperativas de modo a favorecer a geração de renda para produtores rurais no Semiárido brasileiro. Esta é a perspectiva do projeto Agronordeste Agroindústria, ação integrada da Embrapa e da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo (SAF) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – com financiamento da SAF, do Projeto Dom Hélder Câmara e do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) – no âmbito do programa Agronordeste. E, para isso, o projeto aposta em um modelo de inovação com compartilhamento de conhecimentos e informações junto a diversos atores do setor produtivo.

Nos próximos dois anos, o projeto atuará em quatro polos produtivos de cinco estados nordestinos, compondo uma rota de apoio tecnológico de mais de 3.000 km, com meta de fazer a promoção da inovação por meio da disseminação de conhecimentos, capacitando, de forma direta, 550 técnicos e produtores multiplicadores, além da montagem de 20 unidades de referência tecnológica. As capacitações já tiveram início nesta semana, com um curso de atualização tecnológica para técnicos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). 

Nos territórios, estes multiplicadores experimentarão o uso de soluções tecnológicas diversas desenvolvidas pela Embrapa, de acordo com a natureza das demandas locais. Entre as possibilidades previstas estão o serviço AssessoNutri, para formulação de dietas de custo acessível; a Técnica Embrapa de Inseminação Artificial em Caprinos; o plantio de forrageiras adaptadas ao Semiárido; o aplicativo Orçamento Forrageiro, para gerenciar recursos alimentares aos rebanhos; o Controle Integrado de Verminose; os modelos de sistemas agroflorestais e ILPF para a Caatinga; as boas práticas para ordenha e para fabricação de produtos lácteos; os programas de melhoramento genético de rebanhos – Capragene e Genecoc; o manejo sanitário orientado a partir das informações da plataforma CIM Zoossanitário; as ferramentas voltadas para gestão da produção do Centro de Inteligência e Mercado de Caprinos e Ovinos; a produção de lácteos a partir de tecnologias da Embrapa; as orientações para cortes especiais de carnes ovina e caprina.

O projeto pretende desenvolver um modelo de inovação tecnológica que contemple o engajamento conjunto e o compartilhamento de conhecimentos entre atores diversos do setor produtivo. A ideia é atuar em rede para adaptar escalonar soluções tecnológicas para resolver os principais gargalos tecnológicos, criando uma grande onda de inovação que vá se disseminando em outros polos produtivos. Uma primeira etapa de mobilização foi realizada no mês de maio, com reuniões realizadas de forma remota (online), que envolveram produtores rurais, técnicos extensionistas e representantes de cooperativas, associações e agroindústrias dos territórios do Cariri Paraibano, Sertão Pernambucano, Sertão dos Inhamuns (CE), Bacia do Jacuípe (BA) e Vale do Itaim (PI). 

“Projetos assim só podem se dar certo se houver discussão na base, com pessoas que sabem os reais problemas e as necessidades de cada região”, avalia Mirionaldo Rodrigues, secretário-executivo da Associação dos Criadores de Ovinos e Caprinos do Município de Betânia do Piauí (Ascobetania), da região do Vale do Itaim. “Temos a expectativa de que esse programa se consolide e colabore com a necessidade do produtor, que é geração de renda”, acrescenta ele.

Nas reuniões, foram destacados os eixos principais de atuação da Embrapa em cada território, a partir de demandas identificadas. Alguns dos participantes puderam reforçar demandas tecnológicas e de governança, necessárias para a superação de gargalos produtivos. “Precisamos de um controle de qualidade do leite mais arrojado, de suporte para nutrição animal, buscar melhor qualidade dos produtos e baixar custos. É preciso dar celeridade prática a tudo isso”, destaca Rubens Remígio, gerente de Negócios da Cooperativa dos Produtores Rurais de Monteiro-PB (Capribom).

Com a mobilização, a expectativa é de um projeto onde a cooperação e o compartilhamento de conhecimentos tragam mais eficiência na adoção de soluções tecnológicas. “É uma grande aliança, em que a Embrapa vem com aporte de conhecimentos e tecnologias focadas na produção de caprinos e ovinos, acumulados ao longo do tempo, mas que se soma ao conhecimento de técnicos habituados a trabalhar nesses ambientes e de conhecimentos de produtores que, há 50, 60, 100 anos vão passando de pai para filho. Será importante o olhar dessas pessoas para avaliar impacto e possíveis fatores limitantes das tecnologias”, destaca o pesquisador Marco Bomfim, chefe-geral da Embrapa Caprinos e Ovinos.

Na avaliação do produtor rural Valcyr Rios, diretor do FrigBahia, de Pintadas-BA, esta atuação conjunta em um processo de inovação tecnológica pode render resultados positivos para comércio e agroindústria na ovinocultura de corte. “Este programa chegou em momento oportuno. Estamos apostando nessa iniciativa em que, com o poder do Estado, do cooperativismo e dos produtores, tenhamos um cordeiro ideal. É uma relação em que muitos ganham: o mercado terá carne de melhor qualidade, a indústria terá um ganho de carcaça melhor”, destaca ele.

Foto: Adilson Nóbrega 

Adilson Nóbrega (MTB/CE 01269 JP)
Embrapa Caprinos e Ovinos

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Embrapa Pecuária Sul completa 45 anos de trabalho para a pecuária Sul-brasileira – 12/06/2020

Unidade completa 45 anos de trabalho em 2020

Referência no desenvolvimento de tecnologias e conhecimentos para a bovinocultura de corte e de leite e ovinocultura, assim como para sistemas que integram pecuária e agricultura, a Embrapa Pecuária Sul completa, neste sábado, 13 de junho, 45 anos de trabalho de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) nos campos Sul-brasileiros, englobando sua atuação nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. 

Localizada em Bagé, na região da Campanha gaúcha, a Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária renova por mais um ano o compromisso com a sociedade de trabalhar a ciência visando a sustentabilidade dos sistemas produtivos e a qualidade dos seus produtos finais. Conforme o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, Daniel Montardo, o atual cenário coloca a empresa, cada vez mais, como partícipe do trabalho e discussão da pecuária dentro de grandes temas como clima, ambiente, saúde humana e bem-estar animal. 

“O agro no mundo todo vive um grande dilema, que é atender a demanda por alimentos saudáveis e nutritivos e, ao mesmo tempo, garantir a conservação dos ambientes de produção. Nós, na Embrapa, dispomos de dados técnicos e científicos que comprovam que a pecuária, com pastagens bem manejadas, pode prestar importantes serviços ambientais, como o sequestro de carbono. O leite e a carne têm elementos essenciais à saúde humana, inclusive nossas pesquisas comprovam que a carne oriunda de sistemas pastoris apresenta altos teores de ômega 3. Somado a isso, a pecuária desenvolvida nos campos Sul-brasileiros, e que vem contando com grande contribuição científica da Embrapa Pecuária Sul ao longo de 45 anos, pode ser feita com a preservação dos biomas e com a garantia de excelentes condições de bem-estar aos animais. Ou seja, já temos algumas respostas a muitos desses questionamentos contemporâneos. Temos que aprofundar os debates e as pesquisas para que os bons modelos pecuários se propaguem”, destacou Montardo.

Realidade consolidada na região, a diversificação da produção também é foco do olhar da Unidade. “Buscamos antever os cenários e desafios, para que a pecuária entre nesse contexto de forma integrada e eficiente, pois apesar de ainda estar fortemente baseada no campo nativo, que é um diferencial da nossa produção pecuária, vemos nossa região diversificando a matriz produtiva, com a fruticultura, vitivinicultura, oliveiras e lavouras de soja, além do arroz. Temos uma equipe multidisciplinar, muito capacitada e dedicada para encontrar as melhores soluções aos produtores e construir uma pecuária competitiva e duradoura”, diz o chefe-geral.

Conforme Montardo, a partir desse cenário, a agenda de PD&I da Unidade cada vez mais se voltará para modelos de produção pautados pela capacidade de garantir, ao mesmo tempo, sustentabilidade no uso dos recursos naturais, rentabilidade e saudabilidade dos produtos. “Já temos trabalhado nesse sentido, e buscaremos intensificar a parceria com o setor produtivo, buscando disponibilizar tecnologias com ampla adoção por parte dos produtores e, possibilitando, assim, benefícios para toda a sociedade”, completou Montardo. 

Contribuições para o setor produtivo 
Nessas mais de quatro décadas, o Centro de Pesquisa tem buscado acompanhar de perto as necessidades do setor produtivo, no intuito de atender às demandas dos diferentes setores envolvidos com a pecuária. Fundada no município de Bagé (RS), em 13 de junho de 1975, a unidade de pesquisa da Embrapa se destaca por contribuir para o fortalecimento da pecuária nos campos Sul-brasileiros, bem como para o aumento da competividade e sustentabilidade do setor pecuário.

A Embrapa acompanhou as mudanças ocorridas na região, buscando focar em projetos de pesquisa e inovação alinhados com os maiores problemas da pecuária do Sul do Brasil. “Podemos citar como foco prioritário hoje, por exemplo, o controle do carrapato, da Tristeza Parasitária Bovina (TPB), de plantas daninhas  como o capim-annoni e a oferta de cultivares adaptadas para a cadeia forrageira do Sul do Brasil. Também focamos no uso dessas cultivares e sua aplicação nos sistemas pecuários, incluindo a reorganização da produção e da oferta de sementes de qualidade”, destaca Montardo.

Na área de sanidade, um trabalho expoente da Unidade e parceiros usou a genômica para seleção de linhagens de bovinos mais resistentes ao carrapato, tecnologia que vem possibilitando avanços no combate ao parasita e a TPB. Também entram nessa linha tecnologias como o Serviço de Predições Genômicas, que permite ao produtor a avaliação de seu rebanho quanto à resistência ao carrapato, e o Índice Bioeconômico de Carcaças, que identifica touros capazes de gerar descendentes que produzam carne de alta qualidade. 

Em relação ao controle de plantas daninhas, o Método Integrado de Recuperação de Pastagens (Mirapasto) é uma tecnologia desenvolvida pela Unidade e que permite recuperar áreas degradadas com invasoras como o capim-annoni. Com o método, é possível alcançar índices de produtividade de 500 kg/ha/ano de carne, bem superior à variação entre 44 e 78 kg/ha/ano observada em áreas com alta taxa de infestação.

Também se destacam outras tecnologias que visam a uma pecuária mais competitiva e sustentável, como trabalhos de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), o desenvolvimento territorial em apoio à pecuária familiar e o esforço institucional para agregar valor aos produtos diferenciados de origem animal produzidos nos campos Sul-brasileiros. Na área de pesquisa-desenvolvimento se destaca o projeto Rede Leite, realizado no noroeste do Rio Grande do Sul, junto a produtores de leite, e o arranjo produtivo local de ovinocultores no Alto Camaquã, que tem elevado a produtividade e a qualidade de vida de agricultores familiares, assim como o apoio ao arranjo produtivo local do leite de Sant’anna do Livramento, e a coordenação, em parceria com a Embrapa Clima Temperado, do programa Balde Cheio no RS. 

Também se destaca o esforço da Unidade e parceiros para o fortalecimento da cadeia de ovinos no Sul do Brasil, com o desenvolvimento de novos produtos feitos com carne ovina, como bacon e presunto, por exemplo, além do trabalho com os genes Booroola e Vacaria – tecnologias que possibilitam o aumento do número de cordeiros nascidos por parto. 

Outras contribuições importantes da Unidade são: o Polo de Excelência em Genética Taurina (Pologen); a Rede de Pesquisa Pecuária Sustentável (Pecus), que vem informando sobre a emissão de gases de efeito estufa e sequestro de carbono na pecuária de corte do Rio Grande do Sul; o Programa Boas Práticas Agropecuárias em Bovinocultura de Corte, desenvolvido em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar); as Provas de Avaliação a Campo de Reprodutores (PAC), realizadas junto às associações de raça de bovinos de corte; as pesquisas com a biodiversidade dos campos Sul-brasileiros; e o Observatório da Pecuária de Corte, parceria com o Nespro da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que busca analisar informações da cadeia e projetar cenários para a pecuária de corte do Estado.
 
Felipe Rosa (14406/RS)
Embrapa Pecuária Sul

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Manuela Bergamim (1951/ES)
Embrapa Pecuária Sul

Agricultura de baixo carbono tem viabilidade econômica e ambiental no Maranhão, conclui estudo – 10/06/2020

Em 2018, o Brasil assumiu, na 24ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 24), o compromisso de reduzir 37% das emissões de gases do efeito estufa (GEE) até o ano de 2025 e uma redução de 43%  até o ano de 2030, em comparação com o que o País emitiu no ano base para os cálculos, o ano de 2005. Para alcançar essa meta, comprometeu-se em fortalecer o Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono), o qual contempla a recuperação de pastagens degradadas e a adoção de sistemas integrados de produção como medida mitigatória. A iniciativa também dissemina práticas de agricultura de baixa emissão de carbono e sensibiliza o produtor rural para que invista na sua propriedade para obter retorno econômico ao mesmo tempo que preserva o meio ambiente. 
    
Na Embrapa Cocais, acaba de ser encerrado o projeto “Caracterização e avaliação de indicadores de sustentabilidade de sistemas agropecuários baseados no portfólio de tecnologias do Plano da Agricultura de Baixa Emissão de Carbono no Estado do Maranhão”, mais conhecido por ABC Monitor, realizado de 2016 a 2020, cujo objetivo foi avaliar o desempenho ambiental referente às emissões de gases de efeito estufa e estoques de carbono no solo em 153 fazendas do Maranhão. Foram monitorados sistemas de produção no Cerrado maranhense por meio de Unidades de Referência Tecnológicas – URTs para indicar tecnologias a serem implantadas para sequestro de carbono e consequente diminuição das emissões dos Gases de Efeito Estufa – GEE. Entre elas, as referentes à recuperação de pastagens degradadas, sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e de Sistemas Agroflorestais (SAFs), Sistema Plantio Direto (SPD), Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), Florestas Plantadas (FP) e Tratamento de Dejetos Animais (TDA). O estudo foi feito em parceria com a Embrapa Cerrados, Embrapa Agrobiologia, Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Informática Agropecuária, Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do Maranhão – AGERP e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar.

Foi comprovado, segundo o pesquisador da Embrapa Cocais Antonio Carlos Freitas, que, no período de capitalização do Projeto ABC Cerrado, as fazendas melhoraram a qualidade do efetivo bovino e do manejo de pastagens: houve a diminuição de 9.757 animais e aumento de 6.804 hectares de pastagens em boas condições, por meio da substituição de pastagens nativas e recuperação de pastagens degradadas. Como resultado da adoção dessas recomendações do Projeto ABC Cerrado, essas fazendas capitaram -458.906 tCO2e numa área de abrangência de 112.699 hectares. “Com os devidos cálculos, constatou-se que a recuperação de pastagens degradadas no bioma Cerrado do Maranhão tem o potencial de mitigar 5,5 milhões de toneladas de Carbono equivalente (MtCO2) ao custo de R$ 1.333,00/ha. Assim, concluímos que a aplicação de tecnologias mitigadoras de GEEs tem viabilidade econômica e ambiental e que estas permitem o sequestro de carbono da atmosfera”, resume o pesquisador. 

De acordo com o Chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Cocais, João Batista Zonta, Projetos com foco na Agricultura de Baixo Carbono vem sendo desenvolvidos na Embrapa há muitos anos. O projeto ABC Monitor foi o primeiro liderado pela Embrapa Cocais. “Temos outras iniciativas em andamento, como por exemplo Unidades de Referência Tecnológica da Rede ILPF, nas quais apresentamos tecnologias para os produtores e técnicos de ATER. Esperamos trazer para o Maranhão ações vinculadas ao Programa da Embrapa Carne Carbono Neutro, que visa atestar a carne bovina produzida em sistemas de integração do tipo silvipastoril (pecuária-floresta) ou agrossilvipastoril (lavoura-pecuária-floresta) por meio de uso de protocolos específicos que possibilitam o processo de certificação. A agricultura de baixo carbono é um tema que não sairá da agenda da Unidade”.

 

Flávia Bessa (MTb 4469/DF)
Embrapa Cocais

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Fórum discute temas primordiais no Dia Mundial do Meio Ambiente – 09/06/2020

Palestrantes

Como será o mundo pós-pandemia e como o Brasil deverá se posicionar quanto ao cenário da segurança alimentar e da estabilidade ambiental do planeta? De que forma o país pode valorizar seus produtos, reforçar a competividade e encontrar formas de fortalecer o desenvolvimento econômico e social, mantendo a liderança no ranking dos maiores produtores e exportadores de alimentos?

Durante uma hora e meia, especialistas em áreas estratégicas, acompanhados por um público que superou a marca de 1.500 internautas, refletiram sobre as possibilidades, os erros e o potencial brasileiro de aproveitar as oportunidades de superar os desafios do mercado internacional, com sustentabilidade. Promovido pela Embrapa Meio Ambiente, na semana passada, no Dia Mundial do Meio Ambiente (5/6), o encontro fez parte do Fórum Agricultura e Meio Ambiente 2020. A transmissão foi feita pelo canal da Embrapa no YouTube.

A discussão técnica teve a presença do professor Marcos Fava Neves, da Faculdade de Economia e Administração da USP, e de Marcello Brito, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), com mediação do jornalista José Luiz Tejon.

Para contextualizar o desenvolvimento da agricultura brasileira e as formas de conciliação com a sustentabilidade, o presidente Celso Moretti, que participou da abertura, lembrou a trajetória do agro nas últimas cinco décadas, quando o país deixou a categoria de importador para se transformar em um dos maiores exportadores de alimentos.

“Em função do investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação, aliado ao desempenho de empresários rurais, foi possível ao Brasil alcançar o posto de um dos principais players globais de alimentos, fibra e bioenergia”, disse. Ele ressaltou a agenda de exportação nacional para mais de 180 países, por meio da agricultura movida a ciência. “Se eu pudesse sumarizar o que aconteceu, o faria em três grandes pilares: a transformação do cerrado em terras férteis, a tropicalização de cultivos e espécies, o desenvolvimento de uma plataforma sustentável do uso de intensificação, controle biológico, fixação biológica de nitrogênio e agricultura de baixo carbono”, destacou.

Moretti falou ainda sobre o Código Florestal, que tem disciplinado o uso da terra no país, e o Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), com o qual a Embrapa Meio Ambiente tem contribuído ao longo dos anos, gerando informações e possibilitando que o Brasil produza e alimente 1,4 bilhão de pessoas no mundo, de forma sustentável. “O produtor brasileiro, segundo dados de análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR), preserva um quarto do território nacional dentro das propriedades rurais”, destacou.

Contribuições à sustentabilidade

Sobre o trabalho da Embrapa Meio Ambiente, o presidente chamou a atenção para o desempenho nas discussões da política pública de biocombustíveis, o RenovaBio. “A Embrapa Meio Ambiente também participou ativamente dos debates em torno do uso racional de agrotóxicos, e em todo o trabalho relacionado à produção integrada”, completou.

Em participação realizada diretamente do Ministério da Agricultura (Mapa), Moretti transmitiu a mensagem de cumprimentos da ministra Tereza Cristina e destacou o trabalho desenvolvido pela pasta, buscando mostrar que a agricultura brasileira é competitiva e sustentável.  “A ministra tem viajado pelo mundo e já conseguiu a abertura de mercados para mais de 60 produtos brasileiros”, disse.

Marcelo Morandi, chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, agradeceu a presença de todos e também ao ex-secretário do Meio Ambiente de São Paulo e deputado Arnaldo Jardim, pelo apoio à Embrapa e à pesquisa agropecuária. Para o gestor, o Dia Mundial do Meio Ambiente é uma oportunidade de discutir temas importantes, que agregam valor ao agro brasileiro. “Sustentabilidade é um ativo ambiental, social e econômico, principalmente nesse cenário mundial que exige segurança alimentar e segurança ambiental. A Embrapa Meio Ambiente tem buscado sempre a sustentabilidade da agricultura, com base em inovação e tecnologia”, disse.

Marcello Brito, presidente da Abag, parabenizou os agroambientalistas que promovem, produzem e preservam o pais, que cresceu fazendo uso da terra. “Que país que tem um prato de comida saudável a menos de R$ 10? Ou seja, temos um agro extremamente relevante, com preservação e reservas legais, carbono armazenado para o bem mundial”, destacou. “E não sabemos ainda cuidar da Amazônia”, comentou. Brito disse que esse efeito negativo compromete a imagem do agro nacional. “Podemos produzir mais com menos desmatamento e fazer surgir o país da bioeconomia, das florestas e de alimentos, uma potência ambiental e alimentar”.

E lançou as questões: qual outro país pode ser ao mesmo tempo um megapotência ambiental e uma megapotência alimentar? Em que outro setor, senão o agroalimentar, o Brasil pode ser líder mundial? Em que outro país a bioeconomia da floresta pode se conectar tão bem com a bioeconomia do agronegócio consolidado? “A Amazônia tem que ser o foco e, se conseguirmos unir esses fatores, não haverá no mundo quem possa competir com o Brasil. Em 2019 se desmatou 30% a mais que em 2018”, lembrou. “Temos que pensar em temas cruciais, combater o desmatamento, aplicação de leis. O agro precisa levantar a bandeira e fazer uma campanha pelo Brasil”.

O mediador do debate, o jornalista José Luiz Tejon, chamou a atenção para o momento atual. “No livro ‘A Marcha da Insensatez: de Troia ao Vietnã’, da historiadora Barbara W. Tuchman, temos a oportunidade de refletir sobre como organizar a sensatez: é preciso produzir, preservar e promover, porque se a gente não promove, ninguém fica sabendo”, disse, referindo-se à importância da comunicação. O jornalista também deu como exemplo o faturamento da Amazon, que fatura o dobro do PIB dos estados do bioma Amazônia. “Isso é extremamente estimulante e motivador para que a gente tenha ideias sensatas para que o bioma possa acompanhar o faturamento de uma organização que tem o mesmo nome”, comparou.

Estratégias para o futuro

O professor Marcos Fava defendeu o posicionamento do Brasil como produtor de comida, “uma coisa que é simpática para pessoas”, ressaltando que a oportunidade está aberta e que é preciso desenvolver a sociedade brasileira, capturando e compartilhando resultados do agro. “Isso é possível de ser conquistado com base em uma estratégia baseada em três pilares: custo, diferenciação e ação coletiva”, explicou.

Sobre as formas de reforçar as estratégias voltadas a custos, o professor destacou o fortalecimento da educação e da capacitação, inovação, P&D, genética 5.0, gestão por metro quadrado da propriedade (em vez do conceito de hectare), crédito, financiamento, riscos, excelência operacional, eficiência de instituições, respeito aos contratos, confiança nas relações e digitalização. “Por exemplo, nos últimos meses, fomos muito criativos para desenvolver aplicativos que vão melhorar o home office, contribuindo com o nosso custo de produção, permitindo ligar compradores e vendedores de uma maneira sensacional”, explicou.

Infraestrutura de armazenagem, transporte, regionalização dos negócios locais, redução de transportes longos, economia circular, bioinsumos, controle biológico e combate ao desperdício também foram citados como motivadores de reflexão para que sejam atingidos os objetivos de desenvolvimento para o país no setor.

Para ele, a base da agenda no triângulo da busca de ser um fornecedor mundial de alimentos é o cuidado com os custos. O segundo pilar é a diferenciação: o Brasil deve se diferenciar pela excelência dos produtos, qualidade e segurança. “Comprar do Brasil deve construir valor, porque o Brasil, além de entregar um produto saudável, permite margem para revender, chegar ao varejo, ter produção certificada, contribuir para a redução da fome no mundo, pelos serviços oferecidos, pela conveniência, pelos cientistas que tem, pelas identidades de marca, pela comunicação, pelos casos de empresas e empreendedores que temos com uma história de sucesso pra contar”, disse. O professor chamou a atenção ainda para o fato de que trajetórias de pequenos, médios e grandes empreendedores ficam guardadas, podendo ser usadas para a busca dos diferenciais.

Segundo Fava, o Código Florestal deve ser mais explorado, assim como a questão ambiental, o bioetanol. “O Brasil é o pais que tem a maior participação de combustíveis renováveis na sua matriz, e São Paulo é a megalópole do mundo com a matriz de combustível mais limpa, e a gente não explora isso”, alertou. Ele destacou os 45% da energia renovável do Brasil, um país low carbon, e o sistema ILPF, vantagens que poderiam complementar a questão do custo e integrar valor para quem compra. “Sobre a Amazônia, talvez nem 10% dos 7,5 bilhões de habitantes do mundo sabe o que é”, disse.

Fava lembrou ainda dos brasileiros de origem indígena, cujo potencial deve ser valorizado pela sociedade mundial. “Temos inúmeros exemplos de potencial de diferenciação sensacional, palavras fortes que o Brasil tem, e elas entram na equação negativa”.

Definindo-se como fã da ação coletiva, do associativismo, das alianças estratégicas e das organizações, o professor disse que pra atingir esse posicionamento é preciso integrar. “Acredito que no pós-pandemia, com a mudança comportamental que parte da sociedade vai ter, esse tipo de organização vai voltar com força total”, comentou. “E acho que é possível o Brasil atingir esse posicionamento, mas é um trabalho a partir de agora, trazer o que hoje destrói para o lado que constrói, agregando tudo isso para ser visto na sociedade mundial, como o país que coloca comida na mesa do mundo”, concluiu.

Segundo o mediador, os debates deixaram claro que o futuro do agro brasileiro depende da integração da produção com a preservação. “Os mercados consumidores não aceitarão produtos originados de locais que não integrem produção com preservação. Produzir e preservar é uma equação onde todo mundo ganha”, disse Luiz Tejon.

 
 
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Dois partos de trigêmeos, raros em nelore, são registrados em experimento da Embrapa – 09/06/2020

O nascimento de trigêmeos em bovinos é algo raro. Principalmente em bovinos de corte. Na Embrapa Agrossilvipastoril a situação não só aconteceu uma vez, como se repetiu logo em seguida. Duas vacas do experimento de integração lavoura-pecuária-floresta com fêmeas nelore pariram três bezerros nos últimos dias.

Em um parto nasceram dois machos e uma fêmea e no outro duas fêmeas e um macho.

Após o primeiro nascimento triplo, o pesquisador e médico veterinário Luciano Lopes já estava surpreso, devido a raridade da situação. O segundo parto, ocorrido dois dias depois, aumentou ainda mais a surpresa.

“Partos gemelares acontecem, principalmente em rebanhos grandes, com muitos partos. Mas trigêmeos são muito raros, ainda mais em gado de corte. Esses nascimentos ocorrem com maior frequência em gado de leite por algumas características que esses animais têm”, explica o pesquisador.

O experimento conduzido pela Embrapa em parceria com a Acrimat, Acrinorte e Rede ILPF conta com 160 novilhas, que foram inseminadas por meio da técnica de inseminação artificial em tempo fixo (IATF), na qual são utilizados protocolos hormonais visando sincronizar o ciclo dos animais e estimulando a ovulação. Porém, nesse procedimento, não há a superovulação, como na técnica de transferência de embrião.

“Até o momento, não podemos dizer exatamente o que aconteceu. Pelo fato dos animais terem sido protocolados, o protocolo pode ter induzido a mais de uma ovulação. Mas não é o que a gente espera desse procedimento. Não é um protocolo de indução de múltiplas ovulações. Algum desbalanço ocasional que causou a captação de mais de um oócito, que se desenvolveu  no folículo,  chegaram a ovular e foram concebidos”, avalia Luciano Lopes.

 Embora o numericamente o nascimento de trigêmeos possa parecer melhor do que de apenas um, como é o comum, a situação não é desejável em uma fazenda.

“Três bezerros sacrificam muito a matriz e isso prejudica o retorno da ciclicidade dela. Além de favorecer muito a mortalidade desses bezerros. São animais leves, com dificuldade de mamar, vão demandar manejo mais intensificado da equipe da fazenda. Outro ponto importante é em relação à reprodução. Durante a gestação o embrião é prejudicado e os bezerros geralmente são inférteis”, explica o pesquisador.

Pesquisa

Os dois partos de trigêmeos foram os primeiros de um total de 160 novilhas inseminadas. O nascimento dos bezerros faz parte da pesquisa conduzida pela Embrapa Agrossilvipastoril que compara o desempenho de fêmeas nelore em quatro ambientes distintos: pecuária tradicional, integração lavoura-pecuária e integração pecuária-floresta com dois níveis de sombreamento (renques de linhas simples e linhas triplas de eucalipto).

São avaliados aspectos de reprodução, balanço hormonal, desenvolvimento folicular, sanidade animal e resposta imune. Dados preliminares indicam diferenças nos tratamentos, sinalizando que a presença de sombra favorece a imunidade e a precocidade dos animais.

A pesquisa é realizada em parceria com a Acrimat, que custeia parte das despesas de manejo e mão-de-obra e com a Acrinorte, que fornece os animais por meio de seus pecuaristas associados.

Foto: Gabriel Faria 

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG)
Embrapa Agrossilvipastoril

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Sistemas ILPF alteram a dinâmica de ocorrência de pragas – 09/06/2020

Menor ocorrência de pragas nos sistemas integrados reduz custos para o produtor e riscos de perdas de produção

• Uso de sistemas integrados afeta comportamento e ocorrência de insetos-praga.
• Em sistemas de ILP com rotação anual, não foram encontradas cigarrinhas nas pastagens, eliminando a aplicação de químicos de controle.
• Lagarta desfolhadora que ataca eucaliptos não ocorre em sistemas IPF, ILP e nem ILPF
• Sistemas integrados promovem aumento da biodiversidade de insetos e eleva a presença de inimigos naturais.
• Diversidade maior de microrganismos no solo também reduz incidência de doenças.

Aumento da ocorrência de inimigos naturais, ausência de cigarrinha na pastagem e de lagarta desfolhadora no eucalipto são algumas das diferenças em sistemas integrados de produção agropecuária quando comparadas a sistemas solteiros de cultivo.  As observações são resultado de pesquisas conduzidas na Embrapa Agrossilvipastoril (MT). Elas mostram mudanças na dinâmica de insetos em função da interação entre duas ou mais espécies e da estratégia de ILPF adotada.

Essa alteração no comportamento e na ocorrência de pragas traz benefícios tanto na diminuição dos custos com o controle quanto na redução dos riscos envolvendo perdas de produção. 

Em sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP), a modalidade de integração mais utilizada no País, quando a estratégia envolve a rotação anual, com lavoura no verão seguida de pastagem no inverno, não há a ocorrência da cigarrinha. A praga é uma das mais relevantes para as forrageiras. O inseto adulto suga a seiva da folha e libera enzimas que causam o amarelamento e posterior morte das folhas do capim. Com isso, o pasto perde produtividade e a capacidade de suporte de animais.

De acordo com o pesquisador Rafael Pitta, como nessa estratégia de ILP a pastagem é semeada entre fevereiro e março, a forrageira terá maior volume de massa já no fim do período chuvoso, o que não dá tempo para o desenvolvimento da praga devido a suas características biológicas. 

“Quando começam a reduzir as chuvas, a cigarrinha (foto à esquerda) deposita o ovo no solo e ele fica em estágio de hibernação esperando as próximas chuvas. O ovo de março, abril, só vai eclodir em setembro e outubro, quando começa novo período de chuvas. Nesse momento, o capim já está sendo dessecado para servir de palhada para a lavoura”, explica Pitta.

Com a ausência da praga, os produtores deixam de ter de fazer o controle químico da cigarrinha. Em áreas de pastagens solteiras, são necessárias, em média, duas aplicações de inseticidas a cada período chuvoso, custando cerca de R$ 80 por hectare somente em produtos. 

ILPF
Em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta com eucalipto, com renques de linhas triplas, a pesquisa mostrou que a lagarta desfolhadora (Glena unipennaria) não ocorre nos sistemas integrados. A praga é comum em sistemas de monocultivo de eucalipto e causou cerca de 50% de desfolha, no mesmo experimento, em áreas de controle cultivadas somente com a árvore. 

Conforme a pesquisa, a praga não foi encontrada em áreas de integração de árvores com lavoura (ILF) nem em sistemas silvipastoris (IPF). Como o mesmo ocorre na bordadura de monocultivos de eucalipto, pesquisadores chegaram à conclusão de que a incidência de luz é a responsável pela mudança no comportamento.

“Observamos isso em sistemas com linhas triplas de eucalipto. Talvez em áreas com maior número de linhas esse efeito da bordadura possa não ser observado em todas as árvores”, pondera o cientista.

A lagarta desfolhadora do eucalipto é uma praga de grande impacto na cultura, sobretudo em regiões com maior cultivo da espécie, como Minas Gerais e São Paulo. O controle pode ser feito com produtos químicos ou biológicos e é caro, uma vez que depende de maquinário específico e com grande consumo de água. 

Diversidade biológica na ILPF
A integração de lavoura com árvores também resultou em maior diversidade de espécies de insetos no sistema produtivo. A pesquisa mostrou que a biodiversidade presente nos monocultivos de eucalipto e de soja se somam nesses sistemas. Essa variedade aumenta a resiliência do sistema.

“Na lavoura de soja essa biodiversidade é maior ainda. Isso é importante pois, em um possível ataque de alguma praga, a existência de inimigos naturais reduz os danos que poderiam ser causados. Essa biodiversidade reduz o risco do produtor”, afirma Pitta.

Comportamento semelhante também já foi observado em pesquisas analisando os microrganismos do solo em sistemas ILPF. Nesse caso, a maior diversidade de organismos antagônicos, ou seja, que controlam agentes causadores de doenças, pode reduzir a incidência de fitopatologias.

“Os sistemas integrados mostram uma resiliência maior na manutenção desses inimigos naturais. Na nossa visão, trata-se de um sistema produtivo que favorece esses inimigos naturais, podendo torná-lo menos suscetível às doenças”, avalia o pesquisador e chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agrossilvipastoril, Anderson Ferreira.

Mudança de comportamento
Outra variável encontrada nos sistemas de integração lavoura-floresta é o comportamento de alguns insetos-praga. Na lavoura de soja, os percevejos marrons demonstraram maior ocorrência na faixa que não é afetada pela sombra das árvores. Já os percevejos barriga verde tiveram comportamento oposto, preferindo as áreas que ficam sombreadas em parte do dia. 

De acordo com Pitta, essa informação é relevante para direcionar a forma de amostragem no campo antes de decidir pelo controle da praga. Uma amostragem privilegiando áreas com sombra, ou a faixa central dos renques, pode não refletir a real situação do talhão. 

Efeito adverso 
Embora as pesquisas indiquem benefícios dos sistemas integrados, as observações mostraram ao menos um problema que deve ser observado pelos produtores. Em sistemas de ILPF há maior ocorrência de formigas cortadeiras. A praga é mais comum em silvicultura, mas, com a integração, acaba afetando também lavoura e pastagem.

Rafael Pitta explica que há quatro espécies mais comuns de formigas cortadeiras. Algumas delas preferem cortar gramíneas e outras leguminosas. Em ambos os casos, deve-se fazer o controle para evitar perdas.

“Na época da seca, tem que usar a isca granulada. Na época da chuva, a formiga não carrega a isca para o ninho, então a estratégia é usar o termonebulizador, injetando a fumaça no olheiro do formigueiro. Assim, o produto chegará a todas as câmaras do formigueiro”, explica o pesquisador.

Foto: Gabriel Faria

Gabriel Faria (MTb 15.624/MG)
Embrapa Agrossilvipastoril

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Adoção de ILPF aumenta renda e sustentabilidade em propriedade de Goiás – 08/06/2020

O Sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) tem como principal diferença permitir ao homem do campo poder realizar uma produção maior e mais diversificada de maneira econômica, social e ambientalmente sustentável.

É o caso da Fazenda Santa Barbara, de 48 hectares, localizada no município de Quirinópolis de Goiás, a 272 km de Goiânia, onde vive José Ferreira Pinto, mais conhecido como ‘Nego’.

Desde que adquiriu a propriedade, por volta de 1980, José Ferreira produziu arroz até a década de 1990, quando, não muito satisfeito com a renda, passou a se dedicar à pecuária leiteira como atividade principal. 

Devido a questões de custos operacionais e de mercado, no trato das vacas com silagem e ração, em 2016, o proprietário da Fazenda decidiu integrar à produção leiteira, o componente florestal, com o cultivo de eucalipto, algo totalmente novo e que transformou o cenário da propriedade.

A partir daí, com a implantação do Sistema Pecuária-Floresta (IPF) na propriedade ficou claro para ele as vantagens da adoção deste sistema como forma de incrementar a produção e produtividade leiteira, contribuindo no aumento de renda da família com a comercialização do eucalipto.

“Antes, só com a produção leiteira eu produzia, em média, 550 litros de leite/dia, num rebanho de 65 vacas, sendo 48 em lactação; isto me rendeu retorno de R$ 41.580,00 ao ano, considerando o custo operacional efetivo”, explica.

Mas, com a adoção do componente madeira, a propriedade passou a contar também com a renda de 40 metros de esteios (metro de lenha amontoada no campo) proveniente de aproximadamente 500 árvores/ha, vendidos ao preço de R$ 35,00 o metro da floresta, em pé. Isto incorporou uma renda extra de R$ 4.200,00 ha/ano. Ou seja, o componente floresta gerou, na propriedade, um aumento na renda em torno de 10%.

O eucalipto, neste processo, é essência florestal mais plantada, não só em Goiás, mas em todo território nacional, cultivado tanto em monocultivos quanto em sistemas agroflorestais (SAFs) nas modalidades de integração lavoura-pecuária-floresta (sistema Agrossilvipastoril), integração pecuária-floresta (sistema silvipastoril) e integração lavoura-floresta (sistema silviagrícola).

Para Abílio Pacheco, pesquisador da Embrapa Florestas, é importante considerar que, na adoção de IPF em Quirinópolis, além dos valores de produção que são mensurados, são incluídos aí, também, os incrementos indiretos, como a recuperação e renovação de pastagem, principalmente entre as faixas das árvores, seguido da cobertura do solo com braquiárias e valorização de créditos de carbono gerados pelas florestas.

Agricultura de Baixa Emissão de Carbono – Outras potencialidades de florestas plantadas em Goiás tratam sobre o aumento na utilização do eucalipto como multiproduto, ou seja, além do reconhecimento e ampliação do mérito do setor florestal na economia local, existe a valorização por créditos de carbono gerados pelas florestas em crescimento, que é incentivada por diversas ações governamentais brasileiras, com o objetivo de encorajar o desenvolvimento econômico, atrelado às questões de proteção e de sustentabilidade ambiental.

Entre as ações de emissão de baixo carbono, se destaca o Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC), criado pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A ação tem como objetivo buscar alternativas de baixa emissão de carbono de forma a assegurar a adoção de tecnologias que proporcionem a recuperação da capacidade produtiva dos solos para o aumento da produtividade e a redução da emissão de gases do efeito estufa.

O Plano ABC objetiva ainda recuperar cerca de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas, ampliar outros quatro milhões para uso dos sistemas agroflorestais e expandir a área de florestas plantadas em três milhões/ha no país.

Parcerias e assistência técnica – Além de oferecer sombra para os animais e cobertura para o solo, como foi destacado, o eucalipto supre as necessidades internas da propriedade. Mas, os produtores de Quirinópolis não estão sozinhos nesta ação; nesse processo de busca de novas alternativas e possibilidades de produção eles contam com o apoio e assistência técnica-operacional de associações e centros estadual de pesquisa e extensão.

Contam, ainda, com um componente diferenciado no serviço de assistência técnica da região, que é a parceria com o Instituto Rural de Desenvolvimento Social e Econômico de Goiás – Instituto Casa da Abelha, uma associação, sem fins lucrativos, que atua em rede com os pequenos produtores de leite da região, com sede em Quirinópolis. O Instituto conta com 300 associados, na maioria pequenos e médios produtores voltados à pecuária leiteira, que buscam por melhor produtividade e qualidade de vida no campo, auxiliando na estruturação e desenvolvimento de negócios da cadeia produtiva de leite. 

Foi a partir destas parcerias que José Ferreira pode perceber que, onde não dava mais nada para plantar, com a introdução do componente arbóreo, começou a surgir um efeito importante com o conforto térmico gerado pelas sombras das árvores, o que refletiu na produtividade animal, além de gerar renda adicional na comercialização de madeira.

Vendo o potencial de desenvolvimento para a região, outras instituições passaram a apoiar a implantação da URT em ILPF na região, além da Emater de Quirinópolis, da Embrapa Arroz e Feijão, Embrapa Florestas e da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de Goiás (Fapeg), dando suporte tanto na parte de orientações técnicas, estruturação, fomento à pesquisa e desenvolvimento. 

Passaram, também a apoiar a implantação do sistema ILPF na região o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Federação de Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (Senar Goiás) e a Prefeitura de Quirinópolis.

A partir desta experiência com os pequenos produtores rurais de Quirinópolis, ficam aparentes as vantagens da adoção do Sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que comprova ser possível ao agricultor alcançar melhores rendimentos na produção de alimentos como carne, leite e grãos ou madeira para energia, construção civil e movelaria, em áreas antropizadas (já alteradas pelo homem). Concomitante, tem-ser também a recuperação ou renovação de pastagens, entre as faixas de árvores, seguido de capim para pasto (Brachiaria ruzizienses), de forma mais rápida e econômica, tanto em pequenas propriedades ou em áreas maiores.

Hélio Magalhães (DRT MG 4911)
Embrapa Arroz e Feijão

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Telefone: 6235332108

Dia do Meio Ambiente: Embrapa recomenda boas práticas ambientais – 05/06/2020

Compostagem de restos de plantas

Utilizando os conceitos de boas práticas ambientais, a Embrapa Gado de Leite implementou diversas soluções em seus campos experimentais, que servem de modelo para o produtor na adoção de tecnologias sustentáveis em propriedades leiteiras. Por ocasião do “Dia do Meio Ambiente”, comemorado em cinco de junho, reunimos publicações que abordam, de forma prática, a conservação dos recursos naturais, o manejo dos recursos hídricos, aplicação de técnicas recomendadas para a conservação do solo, da biodiversidade, manejo de dejetos e de resíduos sólidos, que são alguns dos temas de pesquisa da Embrapa.

Um dos grandes desafios da agropecuária é aumentar a produtividade para atender a demanda crescente da população e ao mesmo tempo reduzir o impacto ambiental e preservar os recursos naturais, ressaltando o alinhamento das ações com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos na agenda das Nações Unidas.

A equipe técnica da Embrapa Gado de Leite orienta o produtor sobre a obrigatoriedade de inscrição de todas as propriedades no Cadastro Ambiental Rural (CAR), estabelecido pela Lei Federal número 12.651/2012. O CAR é um registro eletrônico que comprova a regularidade ambiental das propriedades, reunindo informações como área de preservação permanente (APP), reserva legal, servidões, construções etc.

Tecnologias para conservação do solo também estão entre as boas práticas ambientais recomendadas, como manejo das pastagens (rotacionado ou rotativo) e sistema de plantio direto. Vale citar também o tratamento de esgoto doméstico rural, um dos responsáveis pela contaminação de efluentes. O modelo que a Embrapa implantou sãos as fossas sépticas biodigestoras, que tratam o esgoto doméstico das residências funcionais nos campos experimentais. “A fossa séptica é uma tecnologia desenvolvida pela Embrapa que promove o saneamento básico de propriedades rurais a baixo custo”, diz a analista Vanessa Romário de Paula.

Outras tecnologias destacadas são a compostagem de restos de animais e plantas e a compostagem de carcaças de bovinos. Além de reduzir o número de resíduos destinados aos aterros sanitários, o material orgânico resultante da compostagem pode ser utilizado como adubo na propriedade, reduzindo custos com fertilizantes. Essa economia pode ser potencializada pela fertirrigação.

“Dejetos bovinos contêm altas concentrações de matéria orgânica e devem ser manejados e tratados adequadamente para não causar contaminação do solo, de águas superficiais e de lençóis freáticos, entre outros prejuízos ambientais”, conta o pesquisador Marcelo Otenio, que também assina o texto. Na Embrapa Gado de Leite, é utilizado em um de seus sistemas de produção, o biodigestor para o tratamento dos dejetos de bovinos.

O conjunto de boas práticas contempla ainda outras duas tecnologias pesquisadas na Embrapa: Integração Lavoura Pecuária Florestas (ILPF), que vem apresentando bons resultados tanto na questão ambiental, quanto no aumento da produtividade e redução dos custos de produção. Outra tecnologia é Compost barn, recentemente implantado no Campo Experimental de Coronel Pacheco. Este tipo de instalação permite que esterco e urina sejam misturados a um substrato orgânico (como serragem, maravalha ou palha de café) e, pelo processo de compostagem, seja transformado em adubo orgânico, sem contaminar o ambiente. 
 
Embrapa Gado de Leite

 
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Manejo do solo e sustentabilidade é tema de curso gratuito oferecido pela Embrapa – 04/06/2020

Estão abertas no período entre 04/06/2020 e 29/06/2020 as vagas para o curso “Manejo do solo com foco em sistemas integrados de produção”. Oferecida na modalidade a distância pela Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG), a capacitação é totalmente gratuita e é voltada para técnicos, estudantes, produtores e demais profissionais que atuam no setor agropecuário.

O treinamento será oferecido no ambiente virtual de aprendizagem da Embrapa (Plataforma e-Campo), com vagas limitadas e emissão de certificado, de acordo com o cumprimento de determinadas condições. O conteúdo do curso é composto por tópicos relacionados ao condicionamento do solo; à erosão; à construção de fertilidade; aos sistemas de preparo; e à compactação do solo.

De acordo com o pesquisador Ramon Alvarenga, coordenador técnico, um dos objetivos é mostrar ao aluno a importância do manejo do solo como a base da sustentabilidade dos sistemas integrados de produção. “Conhecer as etapas necessárias para um bom condicionamento do solo, descrever os tipos de erosão, as formas de manifestação e as práticas conservacionistas e adquirir uma visão geral sobre as etapas para construção da fertilidade, assim como dos sistemas de preparo, são também nossas metas”, adianta.

O curso, oferecido na modalidade autoinstrucional (não havendo tutoria técnico-científica), tem carga horária de 10 horas, e o participante terá 30 dias para concluir o treinamento a partir da data de inscrição. Assista ao vídeo gravado pelo pesquisador Ramon Costa Alvarenga. Clique no link www.youtube.com/watch?v=Ya55O2lJZBk&feature=youtu.be 

 

Serviço:

Curso: Manejo do solo com foco em sistemas integrados de produção

Realização: Embrapa Milho e Sorgo

Vitrine de Capacitações on-line Embrapa:  www.embrapa.br/e-campo 

Período de realização: inscrições a partir de 04/06/2020

Investimento: gratuito

Mais informações pelo e-mail: e-campo@embrapa.br 

Inscrições pelo link: www.embrapa.br/e-campo 

 

Pesquisadores conteudistas (minicurrículos estão nos links abaixo):

Ramon Costa Alvarenga

Alexandre Martins Abdão dos Passos

Antônio Marcos Coelho

Manoel Ricardo de Albuquerque Filho

Álvaro Vilela de Resende

Miguel Marques Gontijo Neto

Emerson Borghi
 
Guilherme Viana (MTb 06.566/MG)
Embrapa Milho e Sorgo

Contatos para a imprensa
milho-e-sorgo.imprensa@embrapa.br
Telefone: (31) 3027-1272

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