Pecuária de precisão permite monitorar animais em home office – 01/06/2020

Sensores instalados em colares permitem o monitoramento a distância

Todos os dias o pesquisador Alexandre Rossetto Garcia, da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP), acompanha de seu computador, em casa, o comportamento de bovinos de corte de um experimento que acontece na fazenda Canchim, onde está instalado o centro de pesquisa. Desde março, quando entrou em home office em função da pandemia de coronavírus, Alexandre e outros empregados da Embrapa reduziram ou eliminaram o acesso à fazenda para seguir as medidas de isolamento social. Mas, o trabalho não foi afetado com a medida.

Graças às ferramentas da pecuária de precisão, Rossetto monitora as atividades de cada animal. Os dados aparecem na tela depois de serem captados por sensores acoplados em colares que foram colocados nos bovinos e transmitidos por internet sem fio no campo. “Por enquanto esse sistema é utilizado na pesquisa agropecuária, mas logo poderá ser utilizado por produtores rurais. A tecnologia pode ajudar muito em uma situação como essa que estamos passando”, afirmou Rossetto.

O experimento envolve machos jovens que estão em uma área de ILPF (Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta), sistema que reúne no mesmo espaço os três tipos de atividades e que vem sendo difundido no Brasil. São, ao menos, seis pesquisadores trabalhando na avaliação das pastagens, dos animais, de uma leguminosa, do microclima, das árvores e de outros fatores.

Rossetto pesquisa o comportamento e o conforto térmico que os animais obtêm em função do sombreamento. Em maio ele esteve na sede da Embrapa Pecuária Sudeste apenas duas vezes, a última na semana do dia 25 para fazer coletas de dados dos animais no centro de manejo. “Temos a intenção de criar um projeto para fazer pesagens e avaliações complementares também de forma automática, por passagem ou outro sistema. Assim os animais não precisarão ser levados ao curral”, explicou.

ALERTAS

O pesquisador disse que o sistema de monitoramento emite alertas quando algum dos indicadores apresenta alteração. Há dois tipos de alerta: um de atenção, que avisa sobre uma mudança de padrão de comportamento do animal e sugere acompanhamento mais sistemático, e outro mais grave, quando sinaliza que o animal parou de se movimentar, por exemplo.

Nesse segundo caso, segundo Rossetto, o monitoramento mostra o aumento no tempo de repouso e ele aciona médicos veterinários que estão trabalhando em esquema de revezamento no campo experimental para verificar a situação in loco.

Os alertas podem chegar na tela do computador ou pelo celular. São bips sonoros acompanhados de uma mensagem comunicando a intercorrência.

 
Foto: Ana Maio 
Ana Maio (Mtb 21.928)
Embrapa Pecuária Sudeste

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Mais informações sobre o tema
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Embrapa participa de plataforma global para intensificação agrícola sustentável – 27/05/2020

A partir desta quinta-feira, 28 de maio, vinte e dois especialistas de países localizados no Hemisfério Sul estarão envolvidos em uma importante mobilização com o objetivo de acelerar a transformação da agricultura e dos sistemas alimentares globais frente a cenários que apontam muitos desafios para o futuro do planeta.

Durante 18 meses, cientistas e tomadores de decisão vão compor a nova Comissão de Intensificação da Agricultura Sustentável (CoSAI), iniciada pelo Programa de Pesquisa da rede CGIAR (Consultative Group on International Agricultural Research), responsável pela coordenação de programas de pesquisa agrícola internacional, para a redução da pobreza e a garantia da segurança alimentar em países em desenvolvimento. O resultado do trabalho da CoSai vai orientar investimentos em inovação agrícola que conciliem alimentação e sustentabilidade.

Entre os integrantes da comissão, o ex-presidente da Embrapa, pesquisador Maurício Lopes, é o único brasileiro do grupo, cujos integrantes foram escolhidos pela atuação em pesquisa, inovação e melhoria de políticas e programas voltados para a inovação em agricultura e alimentação no Hemisfério Sul. “Com mais de trinta anos de experiência em inovação para a agricultura tropical, creio que posso contribuir e também aprender muito”, diz ele.

Na sua opinião, a intensificação sustentável é um conceito que ganhará cada vez mais notoriedade, face ao crescimento da população mundial, mais urbanizada e exigente, em um planeta de recursos naturais finitos. “Haverá necessidade de mais e melhores alimentos para responder à demanda em quantidade e qualidade”, completa.  “E a Embrapa e o Brasil têm muito a contribuir para que esse conceito se consolide no futuro”.

Contribuição brasileira

Sobre as contribuições que a pesquisa agropecuária brasileira poderá levar para a CoSAI, o pesquisador ressalta que, mesmo tendo conquistado um alto nível de segurança alimentar e capacidade de produção de excedentes, o Brasil precisará ampliar sua capacidade de prover alimentos em mais quantidade, diversidade e padrão de qualidade. “Para isso, será necessária sofisticação tecnológica que amplie a eficiência na produção e no uso de recursos naturais”, afirma.

Maurício Lopes diz que o Brasil -, com a Embrapa e parceiros -, tem se destacado na capacidade de promover a expansão sustentável da produção agropecuária e cita, como exemplos avanços inéditos como o Plano ABC – Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, uma política pública que promove a recuperação de pastagens degradadas; a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF); o sistema de plantio direto (SPD); a fixação biológica de nitrogênio (FBN); florestas plantadas e o tratamento de dejetos animais.

“Por isso, chama a atenção do mundo o potencial de intensificação sustentável da agricultura brasileira, que garante a utilização de áreas agrícolas, de maneira segura, 365 dias ao ano, produzindo no mesmo espaço grãos, proteína animal, fibras e bioenergia, sem comprometer a parte do seu território com cobertura vegetal preservada”, completa.  O pesquisador ressalta ainda os avanços do Código Florestal Brasileiro, política pública que que garante proteção das florestas nativas e recursos hídricos nas propriedades rurais do país.

O foco da Comissão será promover a inovação que leve a mudanças transformadoras na agricultura e sistemas alimentares. De acordo com Maurício Lopes, ‘Inovação’ para a CoSAI inclui P&D formal, bem como inovações técnicas, políticas e institucionais que mobilizem e concedam autonomia aos vários atores do sistema alimentar, de agricultores a agentes do setor público e privado.  Por meio de processos de consulta pública, a CoSAI abordará questões críticas como a disponibilidade de fundos públicos e privados necessários para a promoção de uma agenda de inovação para a sustentabilidade na agricultura e nos sistemas alimentares.

Segundo Ruben Echeverría, presidente da CoSAI, os 22 comissários da África, Ásia e América Latina vão colaborar com sugestões para o encaminhamento de ações que contribuam com a superação de desafios do Hemisfério Sul. “Eles estão em uma posição única para trazer à luz o desenvolvimento e adoção de inovações que podem ajudar a atender as nossas necessidades alimentares, enquanto regeneram o ambiente natural”, comenta.

Izabella Koziel, diretora de programas de Pesquisa CGIAR sobre Água, Terra e Ecossistemas (WLE), destaca que o momento é de alerta. “Estamos no meio de uma crise mundial de saúde pública sem precedentes, que corre o risco de se transformar em crise alimentar e nutricional para milhões de famílias e pequenos agricultores”, diz.  “É hora de enfrentar as deficiências de nossos sistemas alimentares e reverter os impactos da agricultura na degradação dos ecossistemas e na perda de biodiversidade. Isso requer inovação – em políticas, instituições e instrumentos financeiros, bem como em ciência e tecnologia.”

Os comissários do CoSAI seguirão um processo de consulta aberta, que envolverá contribuições de organizações de agricultores a formuladores de políticas, pesquisadores e sociedade civil, para compartilhar soluções e debater aspectos práticos da implementação da intensificação agrícola sustentável. Também compete à comissão encomendar estudos relacionados a áreas em que haja necessidade de complementação, como, por exemplo, os fluxos de investimentos que apoiam a inovação agrícola no Hemisfério Sul, onde se concentram muitos problemas de produção e segurança alimentar.

Sobre a Comissão de Intensificação Agrícola Sustentável (CoSAI)

O CoSAI reúne especialistas em sistemas agrícolas e alimentares e tomadores de decisão do Hemisfério Sul e está colaborando com cientistas, líderes, empreendedores e organizações parceiras de todo o mundo. Apoiado pelo Programa de Pesquisa CGIAR sobre Água, Terra e Ecossistemas (WLE), a CoSAI recebe o suporte de um Secretariado sediado no Instituto Internacional de Gestão da Água (IWMI), no Sri Lanka.

 
 
Kátia Marsicano (MTb DF 3645)
Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire)

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Sistemas de produção sustentáveis de carne é um dos temas da Embrapa que será apresentado ao vivo na Agrotins – 27/05/2020

Animais criados em sistema com árvores ganham selo Carne Carbono Neutro (CCN) e sem o componente florestal, Carne Baixo Carbono (CBC). Ambos eficientes e sustentáveis

Roberto Giolo e Davi Bungenstab, dois pesquisadores da Embrapa, conversam nesta quinta-feira, 28, ao vivo no canal Agrotins (https://agrotins.to.gov.br/) à partir das 13h30 sobre sistemas de produção que neutralizam ou minimizam a emissão de metano pelos bovinos, viabilizando as chamadas carne carbono neutro (CCN) e a carne de baixo carbono (CBC).

A 20ª Feira Agrotecnológica do Tocantins (Agrotins), que começou hoje e vai até sexta-feira, dia 29/5, em formato 100% digital, terá a participação de mais de 20 Unidades da Embrapa, incluindo a Gado de Corte (MS) que vai falar dos resultados dos trabalhos que levou a criação dos selos CCN  e CBC ambos em finalização.

A programação da Agrotins este ano é totalmente virtual, tem como organizadora a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Aquicultura do Tocantins (Seagro), e proporcionará ao público durante todo o dia informações técnicas por meio de palestras ao vivo e gravadas, além de leilões de animais e exposição de máquinas, equipamentos e insumos. A Embrapa, que é parceira no evento, além das apresentações ao vivo e palestras gravadas permite o acesso gratuito a publicações, vídeos e programas de rádio realizados pelas suas equipes que divulgam resultados de pesquisas nas suas diversas áreas de atuação.

Roberto Giolo, em sua apresentação na tarde de quinta, vai explicar o que são sistemas de produção sustentáveis, como produzir uma carne diferenciada com baixa emissão de carbono ou neutro e certificada, vantagens dos sistemas e como e quem pode aderir aos programas para obtenção do selo.

A Embrapa trabalha estas questões há mais de 10 anos, sempre preocupada não só com a sustentabilidade mas também em atender a demanda da sociedade exigente por produtos mais saudáveis, ações que impactem menos o ambiente e que prezem o bem estar dos animais.  

Com a experiência técnica que possui, Giolo afirma que “os sistemas que emitem menos gases são mais eficientes como os de produção via integração lavoura-pecuária (ILP) ou integração-lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e com manejo adequado do solo que  neutralizam ou reduzem a emissão do gás metano pelos animais, um dos responsáveis pelo efeito estufa”.

O tempo da apresentação não será suficiente para abordar muitos detalhes, mas perguntas que os produtores e a sociedade gostariam de fazer serão respondidas no bate-papo, informa Giolo. “Inicialmente íamos abordar a produção de carne baixo carbono, a CBC, mas resolvemos ampliar a apresentação e falarmos da Plataforma de baixo carbono certificada que inclui a CCN e outros produtos que estão no planejamento para serem pesquisados como: bezerro carbono neutro, carbono nativo, couro carbono neutro dentre outros”. Falar da evolução das marcas, da importância de manter as pastagens bem manejadas, como valorizar mais o produto carne que inclui o produtor fazer uso das boas práticas agropecuárias e de certas tecnologias simples como a régua de manejo farão parte das falas dos pesquisadores Giolo e Davi.

pOs especialistas vão comentar a respeito da valorização do uso do selo na carne CBC e CCN. Também explicarão porque é interessante aderir a um ou a outro sistema de produção, momento em que irão falar das diferenças dos dois. Em resumo, para produzir a carne CBC a área não exige a presença de árvores; o solo é quem vai sequestrar parte do carbono, já a CCN a árvore é o componente principal na pastagem que neutraliza o carbono na sua totalidade. Para os especialistas os dois sistemas são eficientes e sustentáveis e a escolha de um ou de outro depende do perfil do produtor e de seus objetivos.

Vale alertar que para a obtenção do selo existe todo um protocolo a ser seguido pelo produtor com regras no ambiente onde serão criados, no trato dos animais, alimentação, sanidade etc.

Na pauta da apresentação está a abordagem econômica. A perspectiva do produto diferenciado é que o preço também será diferenciado.

Para saber mais sobre o tema a Embrapa sugere a leitura da publicação da série Documentos número 280, de março 2020, intitulada: “Diretrizes Técnicas para Produção de Carne com Baixa Emissão de Carbono Certificada em Pastagens Tropicais: Carne Baixo Carbono (CBC)”, disponível no endereço:

https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/211566/1/Diretrizes-tecnicas-para-producao-de-carne.pdf

Eliana Cezar (DRT 15.410/SP)
Embrapa Gado de Corte

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Pela internet, Embrapa Cerrados apresenta tecnologias sustentáveis na Agrotins 2020 100% Digital – 27/05/2020

Devido à pandemia do Covid-19, as feiras agropecuárias tiveram que se reinventar, migrando para ambientes digitais, como é o caso da Feira Agrotecnológica do Tocantins (Agrotins), tradicionalmente realizada em Palmas pelo governo local. Neste ano, a Agrotins 2020 100% Digital será visitada de 27 a 29 de maio totalmente por meio de uma plataforma on-line, com expositores, cursos, workshops, seminários e palestras ao vivo sobre as principais novidades em serviços, produtos e tecnologias para o campo. A Embrapa Cerrados (DF) estará presente com palestra e na vitrine virtual de tecnologias da Embrapa que contribuem para um Cerrado Sustentável, tema desta edição da feira – acesse a página temática criada pela Embrapa.

No dia 28 (quinta-feira), das 14h às 14h30, o pesquisador Felipe Ribeiro vai falar, ao vivo, sobre o tema Coleta, beneficiamento e armazenamento de sementes de espécies do cerrado. Segundo Ribeiro, considerando a tendência atual, a conservação dos recursos naturais exigirá, cada vez mais, não apenas a conservação dos remanescentes de vegetação nativa, mas também a recuperação do que já foi perdido. 

“A recuperação de áreas alteradas demanda semeadura direta e mesmo plantios de mudas nativas, o que não é possível sem a obtenção de sementes. Sendo assim, abordaremos a importância, as informações disponíveis e as perspectivas futuras na coleta, no beneficiamento e no armazenamento de sementes do Bioma Cerrado para o Programa de Regularização Ambiental (PRA) dos estados”, anuncia.

Vitrine virtual de tecnologias
Nesta edição da Agrotins, os estandes e plots físicos darão lugar à internet para a apresentação das novidades para o agricultor. Na página temática sobre a participação da Embrapa, além da programação de transmissões ao vivo, das publicações que podem ser baixadas gratuitamente, de conteúdos multimídia e de notícias, são apresentadas as soluções tecnológicas da Empresa voltadas ao público do evento. A Embrapa Cerrados apresentará cultivares e sistemas de produção desenvolvidos e adaptados para o Bioma Cerrado. 

Serão apresentadas as cultivares de mandioca de mesa de polpa amarela (BRS 399) e de polpa rosada (BRS 400 e BRS 401); de soja convencionais (BRS 7980 e BRS 8381) e transgênicas (BRS 7380RR, BRS 8781RR, BRS 8980IPRO e BRS 9180IPRO); de maracujás azedos (BRS Gigante Amarelo, BRS Rubi do Cerrado e BRS Sol do Cerrado), silvestres (BRS Pérola do Cerrado e BRS Sertão Forte) e doce (BRS Mel do Cerrado); além de diferentes espécies forrageiras: BRS Paiaguás, BRS Zuri, BRS Tamani, BRS Quênia, BRS RB331 Ypiporã, BRS Mandarim e BRS Bela.

O centro de pesquisas vai também destacar os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e o sistema de Integração Lavoura-Pecuária Boi Safrinha.

Assista ao vídeo de divulgação oficial da Agrotins 2020 100% Digital.

 
 
Breno Lobato (MTb 9417-MG)
Embrapa Cerrados

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Inscrições abertas para o curso “Introdução a Sistemas Integrados de Lavoura-Pecuária-Floresta” – 26/05/2020

A ILPF viabiliza maior eficiência do uso de insumos, mão de obra, equipamentos e recursos naturais

“Introdução a Sistemas Integrados de Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)” é o novo curso online gratuito da Embrapa Milho e Sorgo.  O treinamento será oferecido no ambiente virtual de aprendizagem da Embrapa, a partir do dia 26 de maio de 2020, com vagas limitadas.

A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é uma estratégia de produção sustentável que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais, realizadas na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado.

Esta tecnologia envolve sistemas produtivos diversificados, de origens vegetal e animal, realizados com o objetivo de otimizar os ciclos biológicos das plantas e dos animais, bem como dos insumos e dos seus respectivos resíduos. E pode contribuir, significativamente para a recuperação de áreas degradadas e para a manutenção e reconstituição da cobertura florestal.

A capacitação abordará uma visão geral sobre a ILPF e mostrará os pré-requisitos necessários para planejamento e implantação de diferentes modalidades e componentes do sistema.

 “A ILPF permite aumentar a produtividade, por meio da utilização de tecnologias e manejo adequado e viabiliza maior eficiência do uso de insumos, mão de obra, equipamentos e recursos naturais. Estes são alguns benefícios da adoção do sistema”, afirma Miguel Marques Gontijo Neto, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo e coordenador técnico do curso. “A diversificação das atividades, além da redução de riscos financeiros e climáticos, assegura incremento e estabilidade de renda na propriedade”, acrescenta.

O curso é destinado a estudantes, produtores, técnicos e demais profissionais atuantes no setor agropecuário, e terá 15 horas-aula. O aluno terá 30 dias para concluir o treinamento a partir da data de inscrição.

“A Embrapa Milho e Sorgo está ofertando uma série de cursos online gratuitos nesse período de isolamento social, e já contamos com mais de 30 mil inscritos. Estamos bastante satisfeitos em poder colaborar com os profissionais do Agro“, ressalta Myriam Maia Nobre, coordenadora administrativa da capacitação.

As inscrições são gratuitas e estarão abertas a partir do dia 26 de maio de 2020. O aluno terá 30 dias para concluir o curso a partir da data de inscrição.

Assista ao vídeo gravado pelo pesquisador Miguel Marques Gontijo. 

 

Serviço

Curso: Introdução a Sistemas Integrados de Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)

Realização: Embrapa Milho e Sorgo

Vitrine de Capacitações on-line Embrapa:  https://www.embrapa.br/e-campo

Inscrições a partir de 26/5/2020

Investimento: gratuito

Mais informações pelo e-mail: e-campo@embrapa.br

Inscrições pelo link: https://www.embrapa.br/e-campo

Foto: Gabriel Rezende 

Sandra Brito (MTb 06230 MG)
Embrapa Milho e Sorgo

Contatos para a imprensa
milho-e-sorgo.imprensa@embrapa.br

Em ILPF, escolha da árvore deve considerar mercado – 26/05/2020

Plantio de eucalipto em Macaé (RJ), em sistema integrado com pecuária

O produtor rural que optar pela integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) deve ter bem delineado o mercado que pretende atender com a madeira que vai produzir. A inclusão de árvores integradas à lavoura e à criação de animais é uma decisão importante por se tratar de um componente não muito conhecido de grande parte dos produtores. Mas existem agropecuaristas que estão investindo nos sistemas integrados completos com sucesso.

Além disso, aos poucos cresce o número de técnicos capacitados para orientar produtores em ILPF. A Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP) tem um programa de capacitação continuada que já treinou em quase cinco anos 39 técnicos e atualmente capacita mais 30 profissionais da Cocamar (Cooperativa Agroindustrial de Maringá). De acordo com Hélio Omote, da área de Transferência de Tecnologia do centro de pesquisa da Embrapa, esse treinamento da Cocamar em ILPF é teórico e, dentre outras tecnologias, apresenta aos técnicos a possibilidade de uso das árvores em sistemas de integração. A Rede ILPF, uma associação formada por empresas que apoiam a adoção da tecnologia, tem fomentado esses treinamentos em várias regiões do país.

QUALIDADE DA MADEIRA

O pesquisador José Ricardo Pezzopane, da Embrapa Pecuária Sudeste, disse que um dos aspectos a serem considerados pelo produtor é a qualidade da madeira que ele pretende comercializar. “Quando o preço da madeira de baixa qualidade está baixo, é preciso considerar a possibilidade de suprir o mercado de madeira de qualidade superior para compensar o investimento”, disse.

Essa orientação, segundo ele, passa por duas situações: a escolha do tipo de árvore e o manejo. Cuidados no plantio, definição de espaçamentos, controle de formigas, desrama e desbaste são algumas etapas que precisam ser cumpridas.

“O primeiro passo é o produtor verificar se as condições de clima e solo da propriedade são favoráveis para a espécie arbórea escolhida. Um exemplo, o Estado de São Paulo é limítrofe para a espécie Teca, que é muito valorizada, por condições de clima. Para eucaliptos existem diversas literaturas com recomendação de espécies/clones para as regiões. Outra premissa é mercadológica. Existem regiões com mercado ávido por determinados tipos de madeira em função da presença de indústrias moveleiras, celulose etc.”, disse Pezzopane.

NOVA FONTE DE RENDA

O consultor José Henrique Bazani, sócio da empresa de tecnologia florestal Geplant, acompanha uma propriedade em Macaé (RJ) que adotou a IPF (Integração Pecuária-Floresta), também chamada de sistema silvipastoril. Seus clientes queriam diversificar e estabelecer uma nova fonte de renda sem afetar a produção atual de carne.

Em 2017 foi implantada uma área piloto de 25 ha na fazenda para validação. “Como a região tinha pouca tradição florestal e é carente de informações sobre crescimento de árvores, implantamos também um teste de espécies de cultivares em uma área de aproximadamente 5 ha. O objetivo é gerar informação, ao longo do tempo, sobre a adaptação e desempenho das melhores essências florestais para aquela região”, afirmou Bazani.

De acordo com o consultor, a iniciativa está dando certo e a projeção é que a propriedade tenha 1.000 ha de área de sistema integrado pecuária-floresta. Para Bazani, a experiência tem sido desafiadora porque o conceito é novo para todos os envolvidos. “Nós, técnicos florestais, precisamos levar em consideração a presença do animal e do capim convivendo no meio das árvores. E o produtor passou a se preocupar com questões que, até então, não existiam na rotina da fazenda”, disse.

Bazani contou que as árvores foram plantadas com a operação de reforma da pastagem, que já estava prevista. “A gente aproveitou a oportunidade para ganhar tempo no isolamento das áreas até a entrada dos primeiros animais.”

Os eucaliptos foram plantados em linhas simples, com espaçamento de 15 m entre as árvores. Foram feitos o preparo do solo e a fertilização. Até o final do primeiro ano, houve a preocupação de manter as linhas de plantio das árvores livres de plantas daninhas e de capim. “Tivemos uma atenção especial com o controle de formigas, uma prática que nunca havia sido trabalhada dentro da propriedade. Hoje há um monitoramento semanal para evitar prejuízo futuro.”

Um ponto importante destacado por Bazani é a genética das árvores, ou seja, a definição da variedade que será introduzida no sistema. “Isso tem que ser pensado com muita responsabilidade porque o retorno é de longo prazo. No nosso caso, estamos falando em um corte final 15 e 18 anos de idade.

Como o volume de madeira será menor do que em uma plantação florestal pura, é preciso planejar os ganhos em relação à qualidade deste produto. “Ganhar em qualidade está associado a árvores de grandes dimensões e madeira de qualidade superior. É importante que se conheça qual o mercado que se pretende atingir no futuro? Quais as características que esse mercado exige da madeira? Quais as opções disponíveis?”, coloca Bazani.

Segundo ele, dentro do gênero eucaliptus há grande variedade de espécies e cultivares. Outras essências, como espécies do gênero Pinus, Teca e outras podem ser usadas no sistema. “Definir o mercado alvo é fundamental para escolher a espécie que vai usar, a característica da madeira que se quer produzir e qual o manejo será adotado”, conclui.

POUPANÇA DE MOGNO

Na região do Pontal do Paranapanema, no oeste paulista, um produtor decidiu fazer uma poupança para sua aposentadoria plantando mogno africano em um sistema integrado com pecuária. Felipe Melhado, técnico da CDRS (Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável) da região de Presidente Prudente, tem acompanhado a propriedade.

Trata-se da fazenda Ribeirão Claro, no município de Piquerobi, onde 100 alqueires, da área total de 223 alqueires, foram ocupados por uma floresta de mogno africano. De acordo com Felipe, são oito talhões, cada um com 10 mil a 15 mil árvores.

A ideia inicial era plantar eucalipto, mas na feira Agrishow o produtor conheceu o mogno africano. “Foi amor à primeira vista. Ele buscava uma cultura que fosse uma aposentadoria para ele. Não queria retorno imediato. Está apostando na madeira nobre, na movelaria de alto custo”, conta Felipe.

Mesmo sabendo que o eucalipto tem rotatividade maior – durante uma colheita do mogno poderia colher três vezes o eucalipto – o produtor apostou na rentabilidade da madeira para movelaria de alto valor.

A fazenda tem oito talhões e todo ano é plantado um novo. Ainda não foi feita nenhuma colheita e a previsão é que as árvores sejam colhidas quando tiverem entre 13 e 15 anos. “Estamos fazendo os inventários florestais e a empresa que acompanha essa parte informou que nossa floresta está acima da média de crescimento. A floresta mais velha tem seis anos e a previsão é colher de 12 mil a 15 mil árvores/ano.”

Os talhões têm espaçamentos variados. A partir do terceiro ano entra o gado de corte para se alimentar do capim (braquiária). São vacas de cria da raça Nelore, com bezerro ao pé. Felipe conta que uma das dificuldades enfrentadas é o interesse dos animais pela casca do mogno africano, “altamente palatável” para essas vacas. “Elas não podem ficar muito tempo na floresta, apesar de ser um ambiente que não traz estresse e de ter capim de boa qualidade.”

O técnico falou ainda que, futuramente, o sombreamento vai impedir o desenvolvimento do capim. “Mas o foco está na produção de mogno africano para o futuro.” Segundo ele, fazendo as contas, a rentabilidade do mogno africano daqui a alguns anos, se continuar como hoje, é muito positiva comparado com outro empreendimento.

Hoje metade da propriedade tem o mogno africano e a previsão é plantar mais 30 mil árvores. Nas outras áreas, o proprietário tem pasto rotacionado e está renovando a pastagem com plantio de milho e capim. Ou seja, além da IPF, a propriedade também faz a chamada ILP (Integração Lavoura-Pecuária). “A água da fazenda melhorou, as curvas de nível estão mais protegidas. A floresta traz benefícios para a conservação do solo”, finaliza.

Foto: Grupo Fazendas Boa Fé 
 
Ana Maio (Mtb 21.928)
Embrapa Pecuária Sudeste

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pecuaria-sudeste.imprensa@embrapa.br

Agrotins 2020 vai abordar temática florestal – 25/05/2020

De 27 a 29 de maio, a Embrapa Florestas participa da Agrotins 2020 – Feira Agrotecnológica do Tocantins, que realiza sua 20ª edição, de maneira histórica, em um formato 100% digital. A Embrapa Florestas participa do evento com tecnologias e soluções voltadas para a região do Matopiba, que compreende o bioma Cerrado dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, com apresentação de tecnologias na Vitrine Tecnológica Virtual e também com palestras com pesquisadores da área florestal que atuam na região.
 
Na Vitrine Tecnológica, estarão disponíveis informações sobre tecnologias, publicações e programas de rádio a respeito de diversos temas florestais.

Palestras com a temática florestal

Seis palestras da Embrapa Florestas estarão disponíveis para os participantes:

O pesquisador Alexandre Uhlmann vai tratar do tema “Ambiente físico, escolha de espécies e métodos de restauração de passivos ambientais”. O pesquisador vai abordar a importância de se considerar as diversas características de solo, clima e relevo na distribuição da vegetação e como tais fatores interferem na restauração de cerrados e florestas, com foco para o estado do Tocantins. 

“Tecnologias de produção florestal no Tocantins” será o tema abordado pelo pesquisador Alisson Moura. Uma das maiores demandas do setor florestal nas novas fronteiras é o desenvolvimento de materiais genéticos florestais adaptados às condições de clima e solo dessa região. Nesta palestra, serão apresentados e discutidos resultados preliminares de pesquisas conduzidas pela Embrapa e parceiros com a avaliação de clones de eucalipto no Tocantins, bem como a contextualização da silvicultura tocantinense. 

Já a pesquisadora Cristiane Fioravante Reis vai tratar do tema “Como escolher adequadamente o componente arbóreo para uso em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF)?”. Os sistemas de integração consistem em sistemas racionais de uso e manejo dos recursos naturais que integram consorciações de árvores, culturas agrícolas e/ou animais em busca de maiores ganhos. Na palestra serão abordados aspectos sobre como selecionar espécies arbóreas com características mais adequadas para os sistemas ILPF.

A palestra “Diversificação da renda na propriedade rural: ações práticas em Integração Lavoura-Pecuária-Floresta”, a ser feita pelo pesquisador Abílio Rodrigues Pacheco, vai mostrar alternativas na produção agrícola de forma economicamente viável para obtenção dos produtos grãos, carne e madeira em diferentes períodos, otimizando o uso do espaço de modo sustentável. Serão apresentadas as etapas para o aumento da eficiência do uso da terra, bem como para a diversificação da produção agrícola e, consequentemente, da renda. 

O pesquisador Marcelo Francia Arco-Verde vai falar sobre “Sistemas agroflorestais no enfoque da realidade do cerrado”. O estado do Tocantins, por meio de parceria entre a Seagro e Embrapa Florestas, tem realizado cursos e a implantação de sistemas agroflorestais em seis regiões. A palestra vai abordar os benefícios dos SAFs, a importância do planejamento e uma análise de como estão os SAFs implantados no estado por meio desta parceria.

Já os interessados em “Práticas Silviculturais em ILPF: Desrama” poderão assistir a uma palestra a ser dada pelo engenheiro agrônomo Emiliano Santarosa. Existem diversas práticas silviculturais importantes e que podem ser aplicadas nos sistemas ILPF, desde a escolha da espécie florestal, espaçamentos e arranjos, plantio, adubação, controle de pragas e doenças, até a aplicação das desramas e desbastes. A desrama é uma prática que deve ser aplicada com critério técnico por equipe treinada. A técnica consiste na remoção ou poda de ramos das árvores até determinada altura do tronco ou copa, visando favorecer a entrada de luminosidade no sistema ILPF, bem como a produção de madeira de melhor qualidade. Este planejamento e manejo de acordo com as recomendações técnicas são essenciais para a produtividade dos sistemas ILPF.

Foto: Cristiane Reis 

Manuela Bergamim (MTb 1951/ES)
Embrapa Florestas

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florestas.imprensa@embrapa.br

Katia Pichelli (colaboração) (MTb 3594/PR)
Embrapa Florestas

Embrapa mostra tecnologias usadas em fazenda com ILP em dia de campo online – 22/05/2020

As estratégias e tecnologias usadas em sistemas de integração lavoura-pecuária na fazenda Pontal, localizada em Nova Guarita, norte de Mato Grosso, serão apresentadas neste sábado, dia 23, em um dia de campo online promovido pela Embrapa Agrossilvipastoril, JP Agropecuária e Senar-MT. O evento será transmitido no canal da Embrapa no Youtube, a partir das 9h (horário de Brasília).

As inscrições podem ser feitas gratuitamente no site www.embrapa.br/agrossilvipastoril.

A Fazenda Pontal trabalha com cria de gado nelore em sistema ILP. Um diferencial da propriedade é a inversão da estação de monta, aproveitando a disponibilidade de forrageira nas pastagens formadas pós-colheita da soja.

No dia de campo, serão abordados temas como o manejo e adubação de pastagem na fazenda, o uso de consórcios forrageiros de segunda safra, a estação de monta invertida, a precocidade sexual em novilhas nelore, protocolos nutricionais, análise de solo e qualidade de sementes.

Durante toda a transmissão, José Leandro Peres, proprietário da fazenda, José Leandro Peres, Bruno Pedreira, pesquisador da Embrapa, e Orlando Oliveira Júnior, da área de Transferência de Tecnologia, irão interagir com os participantes, respondendo ao vivo as dúvidas que poderão ser enviadas em tempo real.

A Fazenda Pontal é parceira da Embrapa no desenvolvimento e validação de consórcios forrageiros para segunda safra, em projeto que conta com a participação da Universidade Federal do Mato Grosso, por meio do Grupo de Estudos em Pecuária Integrada (Gepi). A iniciativa tem patrocínio de empresas cujos produtos e serviços são usados na propriedade como Agro Baggio, Bellman, FrigoBom, Gerente de Pasto, Ouro Fino, Parceiros Agronegócios, Sicred, Soesp e Timac Agro. O trabalho conta, ainda, com apoio do Laboratório Solos e Plantas, Rede ILPF, Tulipa Agropecuária e Unipasto.

Amazônia em foco

O 4º Dia de Campo sobre ILP da JP Agropecuária e Embrapa Agrossilvipastoril – edição online, faz parte da programação” Amazônia em Foco”, promovida pelas unidades de pesquisa da Embrapa localizadas no bioma Amazônia.

A iniciativa está realizando lives abordando diferentes tecnologias desenvolvidas para a região. O primeiro evento abordou os desafios da cadeia produtiva do açaí na Amazônia, no último dia 15. Nesta sexta-feira, dia 22, às 16h, o tema será “Robustas Amazônicos: café com sustentabilidade”. 

No dia 29 o tema será sistemas agroflorestais e no dia 5 de junho será a vez da piscicultura. Todas as transmissões são feitas no canal da Embrapa no Youtube: youtube.com.br/embrapa.

 

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG)
Embrapa Agrossilvipastoril

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Amazônia em Foco: Segunda live da série fala sobre café na região – 19/05/2020

Em alusão ao Dia Nacional do Café (celebrado em 24 de maio), será realizada a segunda live da série “Amazônia em Foco”, com a temática “Robustas Amazônicos: café com sustentabilidade”. A transmissão ao vivo será nesta sexta-feira (22), às 16 horas (horário de Brasília), no canal da Embrapa no Youtube (www.youtube.com/embrapa). A participação do público ocorrerá por meio do espaço disponível para interação durante a conferência, com possibilidade de enviar perguntas para os debatedores.

“No Acre e Rondônia, as áreas cultivadas com café encontram-se em franca expansão, o que representa uma oportunidade de agregação de valor ao produto e da geração de empregos no campo”, afirma Eufran Amaral, chefe-geral da Embrapa Acre, um dos debatedores. 
Alaerto Marcolan, chefe-geral da Embrapa Rondônia, que também participará da live, destaca os Robustas Amazônicos como caso de sucesso. Segundo ele, trata-se de uma nova identidade ao café que agrega valor e promove transformação social na Amazônia. “É o reconhecimento de um café que tem características únicas, de uma região que não tem igual no mundo”, explica.

Também participam da live Enrique Alves, pesquisador da Embrapa Rondônia, e Edivan Azevedo, secretário de Produção e Agronegócio do Acre.

Café na Amazônia

O café é uma importante cultura de alcance global. O Brasil é o maior produtor e exportador, além de ter o segundo maior mercado consumidor. Na região Norte, Rondônia é o primeiro Estado no ranking de produção, sendo o quinto maior do país e o segundo da espécie canéfora. Para a safra de 2020, é esperada uma produção superior a 2,3 milhões de sacas.  O Acre é o segundo maior produtor de café da região, com produção de 32.817 sacas, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo Amaral, o cultivo das plantas perenes é uma estratégia de reincorporação produtiva de áreas degradas e o café pode ser cultivado, preferencialmente, em áreas já desmatadas como as capoeiras. “Além disso, o cafeeiro pode ser plantado em consórcios agroflorestais que, além de permitir um uso mais eficiente da propriedade, contribuem para o aumento do teor de matéria orgânica, da ciclagem de nutrientes e da infiltração de água, com redução da compactação do solo e da erosão”, afirma.

Amazônia em Foco

A primeira edição da série de lives “Amazônia em Foco” abordou os desafios da cadeia produtiva do açaí na Amazônia. A iniciativa é organizada pelas Unidades da Embrapa na Amazônia para abordar temas do desenvolvimento agropecuário da região. Os próximos assuntos abordados serão Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), Sistemas Agroflorestais (SAFs), piscicultura e pesquisa na Amazônia. 

Foto: Renata Silva 
Priscila Viudes (Mtb 030/MS)
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Artigo – Quem ama florestas, consome cafés sustentáveis – 18/05/2020

 

Produção sustentável de Robustas Amazônicos em Rondônia

Vivemos tempos em que as informações nos chegam nas mais diferentes plataformas e mídias, e isso é muito bom. Mas, essa popularização do conhecimento trouxe algo tão letal quanto à desinformação: a má informação. Quando estas notícias tratam de temas importantes como a preservação das florestas é preciso ter ainda mais cuidado.

É disso que vamos falar, da relação complexa entre a agricultura e a floresta. Não se pode ser inocente e dizer que a produção de alimentos no mundo não se deu com base no desmatamento. Isso sempre foi uma realidade e, em fronteiras agrícolas mundo afora, ainda pode ser observado. Mas, que fique bem claro, existe uma grande diferença entre produção sustentável de alimentos e degradação ambiental. O Brasil é muito rico em bons e maus exemplos e é necessário não generalizar para não criar preconceitos e julgamentos injustos. 

A Embrapa tem preconizado que a agricultura precisa ter um viés sustentável e busca, constantemente, em parceria com outras instituições, novas tecnologias com essa finalidade. Nesse contexto, há um novo modelo de produção agrícola integrada, que vem se tornando, a cada dia, mais popular no país, englobando diversas combinações entre os componentes agrícola, pecuário e florestal. 

Como resultado disso, temos diferentes sistemas integrados, como lavoura-pecuária-floresta (ILPF), lavoura-pecuária (ILP), silvipastoril (SSP) ou agroflorestais (SAF). Atualmente, são 15 milhões de hectares no país que utilizam os diferentes formatos da estratégia ILPF e a estimativa é de que, para os próximos 10 anos, sejam mais de 42 milhões. 

Se, no passado, a agricultura andava de mãos dadas com a degradação ambiental e o desmatamento, essa realidade já não é verdadeira para muitas das principais culturas alimentares do mundo e, dentre elas, destaca-se o café. 

Podemos dizer que esse grão que construiu cidades e é a bebida mais consumida no mundo, depois da água, pode representar uma ferramenta vital para a inclusão e desenvolvimento social, qualidade de vida e preservação ambiental no Brasil, principalmente, na região amazônica. Isso não é sonho, é realidade.

Adoção de tecnologias é o caminho da sustentabilidade
Na safra atual de 2020, a expectativa de produção do café no Brasil é de 60 milhões de sacas de 60 Kg, colhidas em 1,8 milhões de hectares. Mas, para demonstrar a evolução da cafeicultura nas duas últimas décadas serão comparadas duas safras de baixa produção (bienalidade negativa), 2001 e 2019. 

Em 2001, o Brasil possuía 2,6 milhões de hectares plantados com café – 2,2 milhões em produção e 400 mil em formação – que produziram 31 milhões de sacas. Para a safra de 2019, a produção foi de 49 milhões de sacas, cultivadas em 2,1 milhões de hectares – 1,8 milhões em produção e 319 mil em formação. 

Ao se observar o gráfico da série histórica da produção de café no Brasil – dados da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab, nota-se que entre os anos de 2001 e 2019 houve um decréscimo de 19% na área cultivada, cerca de 500 mil hectares a menos. Mas, ao contrário do se poderia imaginar, a produção do grão aumentou 58% no período. 

Esse maior rendimento das lavouras foi motivado, principalmente, pela incorporação de novas tecnologias no campo, que fizeram a produtividade média das áreas subir de 14 para 27 sacas por hectare, um aumento de 93%.

Além disso, apesar da renovação constante das lavouras, numa taxa média superior a 6% ao ano, isso não se refletiu em um aumento de área cultivada ao longo das duas últimas décadas. Demonstrando que, as áreas em formação são, em sua maioria, a substituição de plantios obsoletos por outros mais tecnológicos. 

Dentre as novas tecnologias incorporadas na cafeicultura, podemos citar: melhoramento e seleção genética, manejo de irrigação, arranjos espaciais eficientes, conservação do solo e manejo integrado de pragas e doenças. Tudo isso tornou as lavouras brasileiras mais sustentáveis e agronomicamente eficientes. 

Os números apresentados no gráfico abaixo demonstram que a evolução da cafeicultura no Brasil, passa longe do desmatamento. O país se consolida como a “nação do café”, sendo responsável por cerca de um terço da produção mundial.

 

Cafeicultura na Amazônia
O Brasil é um dos principais “players” da cadeia produtiva do café no mundo. É o maior produtor, exportador e segundo maior mercado consumidor. Possui uma cafeicultura plural e diversificada. Uma verdadeira paleta sensorial, reproduzida em aromas e sabores originados em lavouras das espécies arábica e canéfora (conilon e robusta), cultivadas de norte a sul do país. Um grande exemplo disso está numa das regiões mais emblemáticas do mundo: a Amazônia.

Para exemplificar o que acontece na produção de café nesta região vamos falar de Rondônia que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE é responsável por 97% de todo o café produzido na Amazônia. O estado é o quinto maior produtor de café do país e segundo da espécie canéfora. Se a cafeicultura no Brasil como um todo evoluiu, o salto na cadeia produtiva de Rondônia foi quântico. 

Café na Amazônia não é uma coisa recente. Segundo relatos históricos, a primeira lavoura de café do Brasil foi cultivada em terras do norte, no Estado do Pará, em 1727. Depois, foi levada para a região sudeste, mais evoluída à época, e se desenvolveu nos moldes como conhecemos hoje. O café só voltou a ter importância econômica para a região amazônica na década de 1970, com os pioneiros que foram desbravar a região. Eram migrantes vindos, principalmente, dos estados do Espírito Santo, Paraná e Minas Gerais. 

Foi um período de grande expansão territorial das lavouras na região norte, mas, o café produzido era considerado de baixa qualidade e as plantas pouco produtivas. Resultado de uma atividade agrícola de características quase extrativistas e de pouca eficiência de uso da terra. 

Assim como ocorreu em todo o país, a cafeicultura na Amazônia cresceu. Em 2001, o Estado de Rondônia já contava com 318 mil hectares de lavouras – 245 mil em produção e 73 mil em formação – que produziam 1,9 milhão de sacas e ainda mantinham um padrão de baixa tecnologia, com produtividade média de oito sacas por hectare. 

Atualmente, a expectativa de produção para a safra de 2020 é superior a 2,3 milhões de sacas, produzidas em uma área plantada 78% inferior à de 2001, e com 71 mil hectares, sendo 65 mil em produção e seis mil em formação. Em quase duas décadas, a produtividade evoluiu para 36 sacas por hectare, graças aos produtores que, a cada ano que passa se dedicam mais ao uso de tecnologias de base sustentável. 

Se o Brasil fez o dever de casa nos últimos anos, os cafeicultores da Amazônia estão fazendo tarefas extras. Pois, se existe uma região no globo terrestre que pode aumentar vertiginosamente a sua produção de café, sem que seja necessário um único hectare de desmatamento, ela está no Estado de Rondônia. 

Em cálculos simples, se retornarmos ao “status” de área cultivada de 2001 e a produtividade atual, o estado produziria mais de 11 milhões de sacas de café. Sim, a resposta para uma demanda crescente de produção mundial de café, pode encontrar seu lugar na Amazônia. Veja essa evolução surpreendente dos últimos anos no gráfico abaixo.


“Green forest trade” para os cafés amazônicos
Dito isto, fica claro que o recorrente argumento do vínculo entre a produção da cafeicultura e o desmatamento não procede. Não apenas a cafeicultura reduziu a área utilizada de lavouras, como se tornou mais eficiente e produtiva. E, ouso dizer que quem ama as florestas deveria consumir mais cafés brasileiros e, principalmente os amazônicos. O mercado mundial de café já valoriza muito o comércio justo – fair trade e poderia passar a pagar um “green forest trade” para os cafés amazônicos com viés ecológico.

A cafeicultura pode ser genuinamente sustentável e uma aliada à preservação das florestas. Por apresentar alto rendimento econômico por hectare, quando comparado a outras mais extensivas, é capaz de sustentar a qualidade de vida dos cafeicultores e suas famílias em pequenos módulos rurais. Isso representa menor pressão sobre a floresta e menor suscetibilidade desses agricultores a atividades ambientais predatórias. 

Apenas em Rondônia, os cafeicultores formam um verdadeiro exército de mais de 17 mil famílias que têm o café como principal fonte do seu sustento. Estes produtores são quase um quinto de todos os estabelecimentos rurais do estado. Manter a viabilidade econômica dessas famílias no campo deveria ser uma meta para toda a cadeia produtiva do café e de quem se preocupa com as florestas no Brasil e, principalmente na Amazônia.
 

Mais qualidade, inclusão e reconhecimento 
Uma demonstração da evolução da cafeicultura na região amazônica é que está em processo o reconhecimento do que será a primeira Indicação Geográfica de cafés canéfora sustentáveis no mundo. Trata-se da Região Matas de Rondônia que produz os Robustas Amazônicos, sendo responsável por, aproximadamente, 80% de todo o café produzido na Amazônia. 

Além disso, preservar a floresta nunca foi tão agradável e prazeroso. Os Robustas Amazônicos, cuja excentricidade e características sensoriais únicas têm conquistado a atenção dos consumidores de cafés finos no Brasil e no mundo, são tema do maior concurso da espécie no Brasil, o Concafé. Além de premiar, anualmente, os melhores cafés produzidos no estado, também condecora as lavouras mais sustentáveis. Não se trata apenas de produzir em quantidade e qualidade. A evolução da cadeia também precisa garantir a preservação do meio ambiente para as próximas gerações.

Na Amazônia, o café defende também o que muitas vezes está esquecido nos discursos de preservação e sustentabilidade: o fator humano. Os habitantes dessa região dependem dos recursos do meio para sobreviver e precisam buscar formas de uma convivência harmônica com o meio ambiente.

Rondônia tem dado bom exemplo. Iniciativas de inserção social estão acontecendo de forma orgânica e natural junto à cadeia produtiva. A cafeicultura amazônica nunca foi tão plural e inclusiva. Mulheres, jovens e indígenas são parte fundamental e movimentam as lavouras. A Aliança Internacional do Café – IWCA no Brasil tem em Rondônia um de seus capítulos mais bonitos. 

O protagonismo dos povos originais, que habitavam as florestas brasileiras antes de qualquer desbravador, também é uma conquista da cafeicultura Amazônica. Os indígenas, que cultivam há mais de 30 anos o café em suas terras, agora, começam a enxergar na produção de Robustas finos uma forma sustentável de obter recursos financeiros em meio à floresta. 

Por mais revolucionário que isso possa parecer, não deveria ser algo tão extraordinário assim. Não têm os cafés a sua origem nas clareiras e nas bordas das florestas africanas? Seria apenas uma espécie de resgate. O café na Amazônia é, além de tudo, uma fusão de aromas e sabores. Um grande “blend” (mistura), de tradição, tecnologia e origem.

Preservar a floresta amazônica significa manter a nossa capacidade de perder o fôlego diante das belezas e riquezas já descobertas e escondidas dessa região tão importante e emblemática. 

 

*Enrique Anastácio Alves é doutor na área de Engenharia Agrícola e, desde 2010, atua como pesquisador A na Embrapa, nas áreas de Colheita, pós-colheita do café e qualidade de bebida. Contato: enrique.alves@embrapa.br.

 

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