Artigo – Cultivo do coqueiro (Cocos nucifera l) em sistemas integrados de produção e sua adequação ao programa de agricultura de baixo carbono (ABC) – 08/03/2020

Bovinos pastejam em sistema integrado com coqueiro e gliricídia em AL

Humberto Rollemberg Fontes*
José Henrique de Albuquerque Rangel**

De acordo com o Marco Referencial  a Integração Lavoura Pecuária Floresta, (ILPF) constitui-se numa “estratégia que visa a produção sustentável e que integra as atividades agrícolas, pecuárias e florestais na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado e que busca efeitos sinergéticos entre os componentes dos agroecossistemas, contemplando a adequação ambiental, a valorização do homem e a viabilidade econômica”. Por outro lado, o programa  ABC (Agricultura de Baixo Carbono) instituído pelo governo federal, contempla uma linha de crédito que disponibiliza recursos para financiar práticas adequadas, tecnologias adaptadas e sistemas eficientes que contribuam para mitigação da emissão de gases do efeito estufa. Entre os processos tecnológicos contemplados neste programa, destacam-se a Integração Lavoura Pecuária e Floresta (ILPF) e a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN). 

Encontra-se atualmente em forte expansão no Brasil a adoção dos sistemas ILPF, utilizando-se o cultivo do eucalipto consorciado com lavouras e gramíneas  forrageiras, visando o melhor aproveitamento da área,  o maior  conforto animal, possibilitando ainda a produção  da Carne Carbono Neutro (CCN), onde os gases emitidos pelos  animais seriam neutralizados com o  sequestro de carbono, o qual passa a ser  imobilizado principalmente no tronco das árvores.   Diante deste contexto, vislumbra-se a possibilidade de utilização da cultura do coqueiro como componente arbóreo, em sistemas integrados de produção com outras culturas e/ou associação com animais no Nordeste do Brasil, 

Com o objetivo de avaliar a adequação do cultivo do coqueiro às linhas de crédito contempladas pelo programa ABC, apresentamos a seguir os principais sistemas integrados de cultivo em uso na cultura do coqueiro, com base em resultados de pesquisa obtidos pela Embrapa Tabuleiros Costeiros e observações realizadas junto ao  produtor de coco.  Observa-se assim, que desde que realizadas as devidas adequações, seria  possível  o produtor de coco ser contemplado pelo supra citado programa, beneficiando-se assim de  linhas de crédito com menores taxas de juros e maiores prazos de carência.

1. ILF – Integração Lavoura x Floresta
Nos plantios realizados em sequeiro, é comum  o cultivo consorciado do coqueiro como outras  culturas tais como: mandioca, milho, feijão de corda  entre outras, sendo esta uma prática frequentemente utilizada  por pequenos produtores de coco que cultivam a variedade Gigante ao longo da  faixa litorânea do Nordeste. Nos sistemas irrigados, a associação com frutíferas (mamão e banana), também pode ser utilizada, sendo que neste caso, o plantio das culturas consorciadas pode ser realizado na zona de abrangência dos micro aspersores ou entre coqueiros, deslocando-se neste caso, um dos micro aspersores para atender as exigências hídricas da cultura consorciada.   

2. IPF – Integração Pecuária Floresta
Sistema tradicionalmente utilizado por produtores de coqueiros da variedade gigante, cultivados em sequeiro, utilizando principalmente a vegetação natural, onde predomina o capim gengibre (Paspalum maritimum Trind), que apresenta bom potencial forrageiro para bovinos e ovinos. Há situações também, onde se verifica a introdução de pastagens artificiais à base de capim Brachiaria spp. Em ambas as situações, esta prática deve  ser utilizada em plantios adultos evitando danos dos animais aos coqueiros na fase  jovem. A depender das condições edafoclimáticas locais, poderá ocorrer competição por água e nutrientes, especialmente por nitrogênio, que poderá ser compensado, em parte, pelo ganho adicional de carne e/ou leite, como também pelo controle natural das plantas daninhas, e pela produção adicional de esterco. Mais recentemente, tem-se observado incremento da produção intensiva de leite em associação com áreas cultivadas com coqueiros, neste caso, utilizando sistemas irrigados por aspersão, beneficiando as plantas forrageiras e indiretamente o coqueiro.

3. ILPF – Integração Lavoura x Pecuária x Floresta
Plantio de culturas consorciadas nas entrelinhas durante os primeiros anos de plantio (3 a 4 anos), incluindo na fase adulta o componente animal para pastejo da vegetação natural ou introduzindo-se a pastagem artificial implantada. Em sistemas mais intensivos, a cultura do milho poderia ser utilizada como base para produção de forragem, utilizando-se preferencialmente o plantio direto na palha  realizando-se o manejo da sua biomassa como cobertura morta após a colheita do grão. A utilização de maiores espaçamentos e a adoção de sistemas de plantio do coqueiro em quadrado,  a despeito de reduzir em 15% o número de coqueiros/área plantada, possibilitaria melhor aproveitamento da área disponível com outras culturas e/ou plantas forrageiras, com ganhos na produção como um todo..

4. FBN – Integração do cultivo do coqueiro com leguminosas arbóreas perenes, como a Gliricídia sepium, plantadas obedecendo à linha de plantio dos coqueiros, mantendo-se uma distância de aproximadamente 2,5 m em relação ao estipe. O plantio pode ser realizado também nas entrelinhas ou em área total, podendo ser realizado em faixas alternadas para facilitar o corte e trânsito de máquinas.  O plantio da gliricídia  pode ser realizado durante a fase de implantação do coqueiro ou mesmo em plantios adultos constituindo-se uma grande possibilidade de integração de culturas. A biomassa produzida pela gliricídia poderá ser utilizada  como adubo verde, através da   deposição  desse material na zona de coroamento do coqueiro através de cortes periódicos realizados durante o ano para fornecimento de nitrogênio (3%) fixado biologicamente, podendo,  eventualmente, ser utilizada para forrageamento animal em função do seu alto valor proteico para ruminantes (20 a 30%).

*Engenheiro-agrônomo – Mestre em fitotecnia
**Engenheiro-agrônomo – PhD em agricultura tropical
Pesquisadores da Embrapa Tabuleiros Costeiros

Artigo publicado na edição 14 da Revista da Associação de Engenheiros-agrônomos de Sergipe (AEASE).

Foto: Saulo Coelho 

Núcleo de Comunicação Organizacional
Embrapa Tabuleiros Costeiros

Contatos para a imprensa
tabuleiros-costeiros.imprensa@embrapa.br
Telefone: (79) 4009-1381

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Embrapa lança capacitação online sobre recuperação de pastagens degradadas – 06/04/2020

Além do curso, a plataforma disponibilizará, também de forma gratuita, publicações e vídeos de alguns trabalhos desenvolvidos em outras regiões do país

A Embrapa Milho e Sorgo preparou o curso online gratuito “Recuperação de Pastagens Degradadas”. O treinamento será oferecido no ambiente virtual de aprendizagem da Embrapa, de 6 de abril a 6 de maio de 2020.

 “Estamos enfrentando um momento delicado em todo o mundo e gostaríamos de contribuir com os profissionais do agro no Brasil, oferecendo um curso com uma temática bastante importante, para que possam reciclar e buscar novos conhecimentos durante esse período de isolamento”,  informa a coordenadora administrativa do curso Myriam Maia Nobre.

Com carga horária de 15 horas, o curso tem a proposta de mostrar três estratégias importantes para o produtor. Segundo o coordenador técnico-científico do curso, Emerson Borghi, o propósito do curso é apresentar conceitos, estratégias e ferramentas práticas e utilizáveis para os mais diferentes públicos.  

“Vamos demonstrar como identificar e reconhecer os diferentes estágios de degradação das pastagens, como diferenciar os processos de recuperação e renovação de pastagens e  propor estratégias planejadas e definidas a partir de critérios técnicos. E, finalmente,  falar sobre  como analisar, propor recomendações e escolher as melhores técnicas e manejos em razão da escolha da espécie forrageira e da sua forma correta de utilização”, disse Borghi.

Além do curso, a plataforma disponibilizará, também de forma gratuita, publicações e vídeos de alguns trabalhos desenvolvidos em outras regiões do país. “Esperamos que o curso possa ser útil a todos, nas mais diferentes regiões brasileiras”, finaliza o coordenador técnico-científico.

As inscrições são gratuitas e estarão abertas de 6 de abril a 6 de maio de 2020. Mesmo período de oferta da capacitação.

 

Serviço:

Curso: Recuperação de Pastagens Degradadas

Realização: Embrapa Milho e Sorgo

Vitrine de Capacitações on-line Embrapa:  https://www.embrapa.br/e-campo

Período de Realização: 6/4/2020 a 6/5/2020

Investimento: gratuito

Mais informações pelo e-mail: e-campo@embrapa.br

Inscrições pelo link: https://www.embrapa.br/e-campo
 
Sandra Brito (MTb 06230 MG)
Embrapa Milho e Sorgo

Contatos para a imprensa
milho-e-sorgo.imprensa@embrapa.br

Artigo: Pastagens a serviço da sociedade – 30/03/2020

 

As pastagens estão entre os ecossistemas mais extensos do mundo, abrangendo cerca de 40% da superfície sem gelo da Terra. As pastagens para produção pecuária são a maior classe de uso da terra no planeta, ocupando aproximadamente 3,5 bilhões de ha, e a fonte predominante de forragem para animais em pastejo no mundo. As pastagens são responsáveis por produzir alimentos para animais, para humanos e outros produtos agrícolas que proporcionam inúmeros benefícios à sociedade. Nós, humanos, somos fundamentalmente dependentes desses benefícios, os quais definimos como serviços ecossistêmicos, embora seu valor nem sempre seja reconhecido.

No entanto, apenas recentemente, começamos a entender as pastagens como fornecedoras de produtos importantes para a sociedade, o que inclui a forragem produzida para alimentar os animais. Isso resulta na produção de alimentos de origem animal destinados ao consumo humano (carne e leite), contribuindo com o atendimento da demanda global de alimentos e com a geração de outros produtos de origem animal (lã, medicamentos, cosméticos, couro, etc.).

Nos últimos anos, um amplo esforço de pesquisa vem sendo feito para auxiliar produtores na otimização da produção de forragem, ciclagem de nutrientes via palhada e excrementos dos animais, fixação de nitrogênio, habitat para garantir biodiversidade, manejo de pastagens e, por fim, aumentar a produção pecuária. Pastagens bem manejadas podem contribuir recarregando as bacias hidrográficas, filtrando a água à medida que se move pelo solo,  garantindo a conservação e evitando a degradação dos nossos solos. Isso é o resultado da manutenção da cobertura vegetal e da diversidade de espécies nas pastagens que auxiliam a minimizar a erosão do solo, a lixiviação de nutrientes para as águas subterrâneas ou o escoamento para as águas superficiais. Além de aumentar a matéria orgânica do solo e a reter mais água e nutrientes no solo.

Os ecossistemas de pastagens também são capazes de oferecer benefícios não materiais para as pessoas, como recreação ao ar livre, observação da vida selvagem, fotografia, manutenção de estilos de vida tradicionais, realização espiritual e projetos de pesquisa e educação. Portanto, as pessoas, especialmente os entusiastas da natureza, podem ser atraídas para visitar fazendas e desfrutar de atividades recreativas, como a observação de pássaros, por exemplo, hoje ainda pouco exploradas economicamente.

Nos próximos anos, na medida em que haja o reconhecimento pela sociedade, será preciso encontrar uma maneira de compensar os produtores por essa prestação de serviços. De Groot et al. (2012), estimando serviços de ecossistemas em escala global, calcularam que o valor médio de uma variedade de serviços nas pastagens era de U$ 4.605 por hectare/ano [convertidos em dólares de 2017 por Hodges et al. (2019)]. Seguindo essa mesma lógica, o estado de Mato Grosso, detentor do maior rebanho de bovinos do Brasil, com 23 milhões de hectares de pastagens destinados à indústria pecuária, teria o potencial de gerar mais de U$ 100 bilhões/ano em serviços ecossistêmicos.

Esse montante oferece uma perspectiva de valor dos serviços ecossistêmicos para a sociedade e para os pecuaristas, indicando o potencial que ainda há em melhorar o manejo de pastagens e na inserção de sistemas integrados de produção para promover uma indústria pecuária ainda mais sustentável.

 

References

de Groot R, Brander L, van der Ploeg S, et al (2012) Global estimates of the value of ecosystems and their services in monetary units. Ecosyst Serv 1:50–61. doi: 10.1016/j.ecoser.2012.07.005

Hodges AW, Court CD, Rahmani M, Stair CA (2019) Economic Contributions of Beef and Dairy Cattle and Allied Industries in Florida in 2017. Gainesville, FL

Millenium Ecosystem Assessment (2005) Ecosystems and Human Well-being: Synthesis. Island Press, Washington, DC.

 
 
Bruno Pedreira (Pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril)
Embrapa Agrossilvipastoril

Lynn E. Sollenberger (Professor do Departamento de Agronomia, Universidade da Flórida, Gainesville, FL, EUA)
Embrapa Agrossilvipastoril

Foto: Bruno Pedreira

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta oferecem diferentes vantagens ao produtor – 30/03/2020

Dia de Campo no CTZL apresentou benefícios dos sistemas ILPF para diferentes sistemas de produção e estratégias de recomposição ambiental

Com área ocupada de cerca de 15 milhões de hectares no Brasil, segundo estudo dados do Censo Agropecuário 2017 do IBGE, os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) favorecem diversas estratégias produtivas, entre elas a pecuária leiteira – com maior produção de leite e embriões – e a produção de madeira. Esses dois temas, além de estratégias de recomposição vegetal de áreas degradadas, foram apresentados no III Dia de Campo sobre Sistemas de ILPF na Pecuária Leiteira, realizado no Centro de Tecnologias para Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL) da Embrapa Cerrados (DF) no dia 13 de março. O evento contou com a participação de 108 produtores rurais e técnicos.

“Os benefícios da ILPF já são bastante conhecidos por todos. Queremos hoje mostrar a evolução, sobretudo, na aquisição de novos dados que ajudem na tomada de decisão e na difusão dessa tecnologia, que é genuinamente nacional. É um grande orgulho falarmos isso”, disse o chefe geral da Embrapa Cerrados, Claudio Karia, na abertura do Dia de Campo. 

O coordenador-geral de Mudanças Climáticas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Elvison Ramos, salientou a importância da ILPF para o setor produtivo e a inserção da tecnologia no Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC), que terá continuidade no período 2020-2030. “Os projetos de ILPF de duas fazendas vizinhas são diferentes. Este evento é importante por mostrar detalhes de como tem que ser feito esse processo, e são os detalhes que fazem a diferença”, disse.

Também estiveram presentes Luiz Carlos Ferreira, representando o secretário de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do DF, Luciano Mendes, e Marcelo Toledo, superintendente técnico da Associação dos Criadores de Zebu do Planalto (ACZP), que destacaram as parcerias dessas instituições com a Embrapa.

Mais leite, mais embriões

Os pesquisadores Isabel Ferreira e Carlos Frederico Martins, da Embrapa Cerrados, apresentaram os resultados de uma pesquisa que avaliou indicadores de produtividade, reprodução e conforto térmico de vacas Gir Leiteiro e Girolando meio-sangue no CTZL. Os animais foram colocados em pastejo a pleno sol e à sombra no sistema ILPF, cujas árvores ocupavam 8% da área usada (8 ha).

Foram medidos, entre 2017 e 2019, a qualidade e a quantidade de ovócitos e embriões; produção e composição do leite; produção e valor nutritivo da forragem; comportamento animal; temperatura animal, taxas de hormônios da tireoide; crescimento e produção de madeira; microclima e índices ambientais.

Para análise dos índices reprodutivos, foram realizadas 24 aspirações foliculares, sendo avaliados indicadores relacionados ao processo de fecundação in vitro. Enquanto no período chuvoso não houve diferença entre os tratamentos (sol e sombra) para as vacas Gir Leiteiro quanto a folículos totais, ovócitos totais e ovócitos viáveis, no período seco os índices foram respectivamente 1,2, 1,8 e 1,8 vezes maiores à sombra. “Mesmo sendo uma raça teoricamente adaptada, o Gir Leiteiro se beneficiou da sombra”, explicou Martins. Em relação às taxas reprodutivas, também não houve diferença no período chuvoso. 

No caso das vacas Girolando, a situação observada foi diferente. Tanto no período chuvoso como no seco, os animais a pleno sol produziram mais folículos totais, ovócitos totais e ovócitos viáveis. Quanto às taxas reprodutivas gerais (taxa de recuperação, viabilidade de ovócitos, taxa de clivagem e taxa de blastocistos) desses animais, não houve diferença estatística entre os tratamentos, apesar da tendência de índices maiores nos animais à sombra. 

A produção de embriões pelas vacas Gir Leiteiro não variou significativamente no período chuvoso, mas na seca as vacas à sombra produziram quatro vezes mais. Nas vacas Girolando, o mesmo ocorreu no período de chuva, porém os animais ao sol produziram mais embriões. Nesses animais, os ovócitos de pior qualidade (grau IV, impróprio para fecundação) foram mais encontrados no tratamento a pleno sol, representando 48% a mais na seca e 34% a mais nas águas.

Segundo Martins, os resultados estão de acordo com o observado em outros experimentos e na literatura científica quanto à tolerância ao calor. “O Gir é a raça que pior se comportou em relação a isso, enquanto o Girolando se portou melhor quanto a mecanismos de dissipação de calor. Ou seja, a sombra foi mais benéfica para o Gir, o que surpreende por ser uma raça indiana, mas também é importante para o Girolando”, disse.

Medida durante três anos, a produção de leite individual nas vacas Girolando foi semelhante no pleno sol e à sombra (cerca de 14,5 kg/leite/dia), enquanto nos animais Gir Leiteiro foi 22% maior no tratamento com sombra (cerca de 11 kg/leite/dia). Os animais foram suplementados à proporção de 1 kg de concentrado para cada 3 L de leite. A produção de leite por ha/ano foi de cerca de 9 mil kg/leite/ha/ano em cada sistema e sem diferença entre os tratamentos em 2017; 12,5 mil (sol) e 13 mil kg/leite/ha/ano (sombra) em 2018, com 11% a mais de produção na área com sombra (descontando-se os 8% da área ocupado pelas árvores); e cerca de 12,5 mil kg/leite em cada sistema, com 8% a mais de produção à sombra, em 2019.

Quanto à composição e qualidade do leite, as vacas Gir à sombra da ILPF obtiveram quantidade 6% maior de sólidos desengordurados e 12% a mais de lactose (indicando maior rendimento para a produção de queijo e derivados). Devido a um problema de acúmulo de lama no corredor, comum em propriedades leiteiras, a contagem de células somáticas no período chuvoso ficou 11% maior.

A produção de massa de forragem no período avaliado foi 22% menor na área com sombra devido à competição com as árvores por nutrientes e à menor radiação solar. “Resolvemos esse problema com o desbaste de metade das árvores para maior incidência de luz e equilíbrio na produção de forragem. Quando medimos a massa de forragem no terceiro ano, ela foi equivalente nos dois ambientes. Então, não houve prejuízo na produção de forragem”, explicou Isabel Ferreira, acrescentando que no sistema utilizado as árvores se distanciam em 3 metros na linha e em 25 metros nos entrerrenques, sendo a densidade equilibrada em 130 árvores/ha, após o desbaste.

O teor de proteína bruta do capim na sombra foi 30% superior, devido à maior ciclagem de nutrientes como o nitrogênio. Além disso, o teor de fibras foi menor, promovendo uma digestibilidade in vitro da matéria seca 6% maior. “Isso favorece o maior aproveitamento desses nutrientes pelo animal”, disse a pesquisadora. 

A taxa de lotação ao longo dos três anos foi 11% menor no sistema ILPF (16 a 20 vacas/ha) em relação ao pleno sol (20 a 24 vacas/ha e até 32 vacas/ha na chuva). Não houve diferença significativa no consumo de matéria seca total em função do percentual de peso vivo, mas houve leve tendência de maior consumo pelas vacas à sombra.
Quanto ao comportamento animal, o tempo de ingestão de pasto foi igual nos dois tratamentos, enquanto na sombra o tempo de ruminação foi 32% maior, o que indica melhor aproveitamento dos nutrientes do alimento. Os animais à sombra ficaram 16% menos tempo em ócio, o que é compensado com a maior ruminação.

A temperatura da superfície corporal, medida em diferentes partes dos animais, ficou em média 1,1ºC mais baixa nas vacas à sombra. O escore de ofegação, que traduz os movimentos respiratórios e permite aferir se o animal está em estresse de calor, foi igual em ambos tratamentos. Os hormônios tireoidianos T3 e T4 foram maiores sob a sombra, respectivamente 12% e 9%, indicando maior estresse pelo calor nas vacas a pleno sol.

Localizada ao longo do entrerrenque do sistema, a estação meteorológica mediu uma radiação solar em média 35% menor na área da ILPF. “Essa diferença explica a menor produção de forragem e o maior conforto térmico dos animais”, observou Isabel. A partir dos indicadores ambientais, é calculado o Índice de Temperatura de Globo Úmido (ITGU), que indica se os animais estão em estresse de calor ou não. No primeiro ano da avaliação, a sombra reduziu em até 6% o ITGU no período da manhã e em até 7% no período da tarde, na comparação com o pleno sol, trazendo o índice para valores inferiores a 80, a partir do qual já se considera que há estresse de calor em condições tropicais.

Segundo Isabel, até o final do ano será concluída a avaliação de retorno econômico a longo prazo, considerando o corte da madeira daqui a sete anos.

Renda com exploração de madeira

Pesquisador da Embrapa Florestas (Colombo, PR), Abílio Pacheco falou sobre a experiência pessoal com manejo silvicultural e produção madeireira em sistema de integração na própria fazenda, em Itumbiara (GO), mostrando como a atividade pode ser rentável. A mesma área de 250 ha com pastagem degradada que 10 anos atrás produzia 4@/ha/ano de boi, atualmente resulta em 18@/ha/ano de boi (com a arroba a um custo de R$ 93) e 45 m3/ha/ano de madeira.

No primeiro ano de adoção do sistema, foi semeada a soja de ciclo curto (100 dias) em toda a área de pasto degradado; o milheto foi o plantio de segunda safra e do eucalipto. No segundo ano, a soja foi novamente plantada, sendo sucedida pelo capim braquiária. “18 meses após a implantação do sistema, já posso entrar com os animais na área”, explicou, acrescentando que o plantio da soja contribuiu para a reversão de um fluxo de caixa negativo de R$ 79/ha para positivo de R$ 312/ha, e que o milheto consorciado com as árvores ajudou a controlar o grilo que se alimentava das mudas de eucalipto.

Segundo o pesquisador, as árvores atualmente estão trazendo mais retorno econômico que os animais no sistema da fazenda. “Quando introduzi o componente arbóreo, foi pensando em alavancar a atividade pecuária. Todos os dias, as árvores fazem fotossíntese e produzem madeira. Estamos produzindo 45 m^3/ha/ano sem gastar um litro de óleo diesel ou agrotóxico, sem uma hora/máquina. Você põe a natureza para trabalhar para você, sem contar os benefícios ambientais”, afirmou lembrando que as folhas que caem aportam matéria orgânica ao solo e que o sistema promove economia de água consumida pelos animais.

Pacheco detalhou as etapas e receitas para implantação de um sistema de Integração Pecuária-Floresta (IPF) – limpeza da área, combate à formiga, dessecação da linha de plantio, coveamento e adubação, escolha do material genético das árvores, tratamento das mudas, plantio das mudas, irrigação, adubação com boro, controle da braquiária ao redor das mudas, monitoramento das formigas e construção da cerca elétrica. Ele destacou a necessidade de se utilizar mudas de boa qualidade. “Produzir não é difícil. O difícil é comercializar, você tem que ter um produto de qualidade. Então, capriche na genética das mudas”, recomendou.

Recomposição da vegetação

O Dia de Campo também apresentou possibilidades de recomposição da vegetação nativa do Cerrado. Os pesquisadores Lidiamar Albuquerque, Ana Maria Costa e Felipe Ribeiro, da Embrapa Cerrados, falaram sobre a integração restauração ecológica à pecuária (IREP), como cultivos podem atrair a fauna nessa restauração e a plataforma WebAmbiente.

Lidiamar explicou que é possível integrar áreas em processo de restauração com áreas produtivas, o que contribui para a sustentabilidade ambiental, econômica e social. Ela apresentou um estudo comparativo do comportamento de espécies de árvores nativas de Cerrado (pau-pombo, ipê amarelo, ipê roxo, mirindiba, copaíba, ingá e mutamba) cujas mudas foram plantadas em linha para recomposição vegetal de uma área com capim próxima a um curso d’água. Parte da área recebeu o pastejo controlado de bovinos jovens, que nela entraram quando o capim tinha 30 cm de altura e saíram quando ficou com 15 cm de altura.

As principais conclusões são de que a IREP, sob manejo adequado, tem sido benéfica por controlar gramíneas, com redução média de 30% ao ano e diminuição do risco de incêndio; não afetar significativamente a sobrevivência e o crescimento das espécies nativas; e ser uma parceira estratégica para diminuição dos custos da restauração com o uso dos serviços prestados pelo boi (pastejo da braquiária), que indiretamente facilitam o crescimento das espécies nativas, restabelecendo o retorno dos serviços ambientais. “O importante é como manejar o gado jovem. Ele tem que sair da área antes que comece a faltar forragem, senão passará a comer as outras plantas”, apontou.

Cultivos como o do maracujá e da banana podem auxiliar na restauração ecológica ao atraírem aves, mamíferos, répteis e insetos dispersores de sementes e polinizadores. “É fato: fauna ajuda a plantar Cerrado. Plantar o Cerrado não é fácil nem barato, mas se podemos contar com os serviços ambientais proporcionados pela agricultura para nos ajudar e ainda retirar dinheiro com isso, é algo realmente muito bom”, disse Ana Maria.

Nesse sentido, ela mostrou dados de uma área cultivada com banana e três espécies de maracujá (Passiflora tenuifila, P. setacea cv. BRS Pérola do Cerrado e P. cincinnata cv. BRS Sertão Forte), fronteiriça a uma área de recuperação ambiental. Antes do experimento, a área não atraía a fauna dispersora de sementes, o que dificultava a recuperação do Cerrado. As bananeiras servem para o pousio de morcegos, que atuam como polinizadores de diversas espécies vegetais da região, enquanto cada espécie de maracujá tem diferentes propriedades de atração de fauna. 

Foi observado na área que P. tenuifila atrai aves e mamíferos, que se alimentam dos frutos, além de insetos (abelhas); o BRS Pérola do Cerrado atrai morcegos e abelhas e o BRS Sertão Forte atrai as mamangavas. Os próximos passos do trabalho são continuar o registro dos animais visitadores, além de avaliar o percentual de regenerantes após a instalação dos cultivos e o retorno econômico.

O pesquisador Felipe Ribeiro explicou o funcionamento da plataforma WebAmbiente. Focada na adequação ambiental da propriedade rural, ela reúne os conhecimentos sobre a flora nativa dos biomas brasileiros e informações do Código Florestal Brasileiro. A ferramenta oferece informações sobre espécies vegetais, experiências, preparo inicial da área e estratégias de plantio indicadas para que o produtor possa fazer simulações online e realizar a recuperação ambiental de áreas de Proteção Permanente (APP) e Reserva Legal (ARL). 

Dessa forma, o WebAmbiente, que já conta com mais de 3 mil usuários cadastrados, auxilia na elaboração dos Projetos de Recuperação Ambiental (PRA) das fazendas nos diferentes biomas brasileiros, em atendimento à legislação ambiental. “90% dos produtores têm menos de quatro módulos fiscais e estão procurando esse tipo de tecnologia. Estamos facilitando a vida deles com tecnologias apropriadas ao tamanho das propriedades”, disse Ribeiro.

Homenagem

Pesquisador recém-aposentado da Embrapa, João Kluthcouski foi homenageado no evento e recebeu do chefe geral da Embrapa Cerrados o crachá “Prata da Casa” e um diploma de reconhecimento. Um dos precursores e principais incentivadores da adoção dos sistemas de ILPF, ele trabalhou na Empresa entre 1974 e 2019, desenvolvendo sistemas sustentáveis de produção como Barreirão, Santa Fé e Santa Brígida.

“Tenho uma grande saudade dessa Empresa. É uma honra termos a Embrapa. O Brasil não entra em curto circuito porque nunca vai faltar alimento nas gôndolas dos mercados”, comentou. “Graças ao João e a outros pesquisadores da Embrapa, a ILPF se tornou o que é hoje. A agricultura brasileira e a Embrapa devem muito a ele”, observou Karia.

O Dia de Campo foi realizado em parceria com o MAPA, a Associação Brasileira dos Criadores de ZEBU (ABCZ), a ACZP, da Emater-DF e da Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap), com apoio da Belgo Bekaert Arames.
 
Breno Lobato (MTb 9417-MG)
Embrapa Cerrados

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Dica de leitura – Livro traz particularidades da ILPF nas regiões brasileiras e demonstra a viabilidade técnica e econômica dos sistemas – 30/03/2020

Saiba como a adoção de ILPF fez a produção leiteira de uma propriedade rural de Minas Gerais saltar de 400 para 1.000 litros diários ou como uma fazenda no Rio Grande do Sul conseguiu melhorar o desempenho dos terneiros e acelerar o ciclo de produção e comercializar animais com 18 a 24 meses, enquanto antes saiam apenas com 24 a 36 meses.

Essas e outras experiências de sucesso relacionadas aos Sistemas Integrados de Produção estão no livro que a Embrapa lançou recentemente. A obra “Sistemas de Integração Lavoura -Pecuária-Floresta (ILPF) – Estratégias regionais de Transferência de Tecnologia (TT), Avaliação de Adoção e de Impactos” foi produzido por especialistas da Embrapa e apresenta uma relevante diversidade de informações, a partir das experiências acumuladas nas últimas décadas e que apontam os sistemas ILPF, a IPF e a ILP como estratégia chave para que milhões de hectares de pastagens degradadas sejam recuperados e renovados.

Vários capítulos são dedicados a apresentar as visões regionais e estaduais dos sistemas ILPF do ponto de vista das equipes da Embrapa que atuam junto a técnicos e produtores que adotam ou que tenham interesse em adotar tais sistemas, o que faz do livro uma oportunidade para que o leitor encontre informações relevantes, do ponto de visto científico, sobre as especificidades da tecnologia de integração produtiva na sua região e no seu estado.

A avaliação de impactos ambientais dos sistemas ILPF também compõe a obra.  Foram avaliados pela metodologia Ambitec Agro – um software desenvolvido pela Embrapa que se serve de um conjunto de matrizes multicritério os quais integram indicadores de desempenho de inovações tecnológicas e práticas de manejo adotadas na realização de atividades rurais. As considerações apresentadas se basearam em seis estudos de caso em Unidades de Referência Tecnológica (URT), incluindo desde áreas de empresas rurais de grande porte até estabelecimentos familiares, e desde complexos esquemas de integração produtiva até simples Integração Lavoura-Pecuária (ILP), voltada apenas à reforma e recuperação das pastagens.

A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta visa promover a mudança do sistema de uso do solo, aumentar o índice de produtividade, melhorar de forma sustentável a produtividade e a qualidade dos produtos, além de recuperar áreas degradadas ou desmatadas com atividades produtivas, dentre outras.

Para o pesquisador Flávio Wruck da Embrapa Agrossilvipastoril (Sinop, MT), a adoção dos sistemas integrados de produção agropecuária tende a experimentar um crescimento substancial em todo o País. Um exemplo é o estado de Mato Grosso, onde prevê crescimento em ritmo constante nos próximos 10 anos, sobretudo da ILP.

“Deve continuar aumentando na taxa que cresce atualmente. Há regiões, como o sudoeste do estado, que é tradicionalmente área de pecuária, em que a lavoura está vindo com tudo, por meio da ILP. O potencial de crescimento é muito grande”, afirma.

Acesse o arquivo do livro, clicando aqui
 
Marcos Vicente (MTB 19.027 MG)
Embrapa Meio Ambiente

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Prêmio Rede ILPF de Jornalismo é adiado para 2021 – 27/03/2020

Em função do adiamento do II Congresso Mundial de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta para 3 a 6 de maio de 2021, devido à pandemia do Covid 19, as inscrições para o Prêmio Rede ILPF de Jornalismo serão suspensas temporariamente e o concurso terá seu cronograma alterado.

Conforme novo edital disponível no site www.ilpf.com.br, as inscrições serão reabertas em 1º de novembro de 2020 e poderão ser feitas até o dia 28 de março de 2021. O resultado será divulgado em 23 de abril de 2021 e a premiação ocorrerá no dia 3 de maio de 2021, durante o II Congresso Mundial de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, em Campo Grande (MS).

Para que não haja prejuízo aos jornalistas que já inscreveram seus trabalhos, ou que estão executando suas pautas, o período de veiculação aceito pelo edital manterá a data inicial de 1º de julho de 2019. Com a prorrogação, o prazo final de veiculação fica estendido até a data da inscrição.

Trabalhos já inscritos serão considerados pela comissão julgadora. Entretanto, como há limite de dois trabalhos por concorrente, caso deseje inscrever outros, serão consideradas as duas últimas inscrições.

Categorias

O Prêmio Rede ILPF de Jornalismo terá cinco categorias: imprensa escrita; jornalismo em áudio; jornalismo audiovisual; fotojornalismo; e profissionais da Rede ILPF.

A categoria imprensa escrita contemplará trabalhos em texto escrito, veiculados em jornais, revistas ou sites. A categoria jornalismo em áudio contemplará rádio e podcasts. Na categoria jornalismo audiovisual, poderão ser inscritas reportagens veiculadas em emissoras de televisão, web TV, plataformas de vídeo sob demanda e sites. Já a categoria fotojornalismo contemplará trabalhos fotográficos utilizados para ilustrar conteúdos jornalísticos em veículos impressos ou digitais.

A categoria para profissionais da Rede ILPF será exclusiva para jornalistas da Embrapa, Bradesco, Ceptis, Cocamar, John Deere, Soesp e Syngenta, instituições associadas da Rede ILPF. Poderão ser inscritos trabalhos em texto, áudio ou vídeo.

De acordo com o edital, o Prêmio Rede ILPF de Jornalismo tem como objetivos “estimular, divulgar, apoiar, incentivar e prestigiar trabalhos jornalísticos sobre sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), bem como contribuir para o melhor entendimento pela sociedade rural e urbana e pelo poder público acerca da importância da ILPF para a intensificação sustentável da produção agropecuária brasileira, possibilitando produzir mais, poupando terras, reduzindo as emissões de gases causadores do efeito estufa, evitando desmatamento e conservando os recursos naturais”.

O edital completo do concurso pode ser está disponível no site www.ilpf.com.br, no menu editais.

Foto: Gabriel Faria

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG)
Embrapa Agrossilvipastoril

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agrossilvipastoril.imprensa@embrapa.br

Congresso Mundial de ILPF é adiado para 2021 – 25/03/2020

A comissão organizadora do II Congresso Mundial sobre Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta decidiu adiar o evento para 3 a 6 de maio de 2021. O congresso seria realizado de 22 a 25 de junho deste ano, em Campo Grande.

A decisão se deu em decorrência da pandemia de coronavírus e das orientações da Organização Mundial de Saúde para conter a transmissão.

De acordo com o presidente da comissão organizadora e diretor de Inovação e Negócios da Embrapa, Cleber Soares, aqueles que desejarem o cancelamento da inscrição devem entrar em contato pelo e-mail wcclf2020@fbeventos.com. Os valores já pagos serão restituídos integralmente.

Cléber informa ainda que novo prazo de submissão de trabalhos será definido em breve.

O pesquisador da Embrapa Solos e CEO da Rede ILPF, co-realizadora do evento, Renato Rodrigues, explica que a nova data foi definida como forma de se antecipar, evitando sobreposição com outros congressos ou grandes eventos do setor agropecuário, já que devido à pandemia, muitos eventos que seriam realizados em 2020, serão remarcados para 2021. 

Foto: Gabriel Faria 
Gabriel Faria (mtb 15.624 MG)
Embrapa Agrossilvipastoril

Embrapa apresenta tecnologias sobre ILPF a pecuaristas na campanha “Amazonas sem Aftosa” – 19/03/2020

Jasiel Nunes fala dos benefícios do sistema ILPF

Pesquisadores da Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus,AM) participaram no sábado (14/3), na Comunidade Lago do Soares, município de Autazes-AM, da abertura da Campanha “Amazonas sem Aftosa”, promovida pela Agência de Defesa Animal e Florestal do Amazonas (ADAF/AM), com apresentação de palestra e de tecnologias sobre iLPF. Foi uma das últimas ações de transferência de tecnologia realizadas pela instituição antes da proibição devido à pandemia do coronavírus.

O pesquisador Jasiel Nunes apresentou a palestra “Recuperação de pastagens degradada por meio do sistema de integração Lavoura Pecuária e Floresta (iLPF)”, na qual mostrou o que é o sistema, seus benefícios, aspectos agronômicos, financeiro e ambiental. A palestra buscou sensibilizar os produtores rurais, lideranças locais e demais agentes multiplicadores a apoiarem e adotarem essa tecnologia, que é uma ação que deverá contribuir com alguns Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), dentre outros, relacionados a agricultura sustentável, mudanças climáticas e vida terrestre.

O pesquisador Silas Garcia, apresentou um painel, por meio de pôsteres, sobre as espécies nativas e exóticas recomendadas para implantação em sistema de iLPF, com destaque para o mogno, castanheira e andirobeira. A castanheira (Bertholletia excelsa), destaca-se na paisagem das pastagens do município de Autazes, graças a cultura dos povos da Amazônia. Os pecuaristas ao formarem as pastagens, protegem os indivíduos de castanheiras, bem como, a regeneração desta valiosa espécie. Assim, além dos frutos (castanha), aproveitam a madeira, quando os indivíduos morrem ou tombam pelo vento.

Enquanto a  andirobeira (Carapa guianensis) é uma espécie de múltiplos usos. De seus frutos são extraídos o óleo de andiroba, um precioso produto natural, demandado pela medicina popular e pelas indústrias de cosmético em geral. A madeira é semelhante ao do cedro (Cedrela odorata), portanto é uma espécie desejada pelos agricultores familiares da região. O mogno (Swietenia macrophylla) é uma espécie que fornece madeira nobre, para os mais diversos produtos da indústria moveleira e de artefatos.

Os produtores da região de Autazes e entorno receberam as informações técnicas sobre como produzir as mudas e plantar em suas propriedades estas espécies florestais de múltiplo uso.

O pesquisador Rogerio Perin enviou para o evento as informações técnicas sobre as principais forrageiras cultivadas na Amazônia. Já o bolsista de iniciação científica, David Marialva, apresentou os pôsteres sobre as forrageiras, destacando o Capim Quicuio (Brachiaria humidicola),as braquiárias (Brachiaria Brizantha : cultivar Maradu e cultivar Xaraés, o capim elefante (Pennisetum purpureum): cultivar BRS Capimaçu,uma espécie para silagem e a leguminosa amendoim forrageiro (Arachis pintoi), que está sendo testado pela Embrapa Amazônia Ocidental para futura recomendação aos produtores locais.

Os pesquisadores fazem parte do projeto “Estratégias para o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar com enfoque em sistemas agroflorestais (SAF), integração lavoura, pecuária, floresta (iLPF) e recuperação de pastagens degradadas (RAPD) na região amazônica” que é um projeto em rede na Região Amazônica, denominado AMAPEC.

Liderado pelo pesquisador Luciano Bastos Lopes, da Embrapa Agrossilvipastoril (Sinop/MT), o projeto tem o objetivo de promover a disseminação de processos, produtos e serviços voltados ao desenvolvimento sustentável da agricultura familiar na região amazônica, por meio da capacitação de produtores, agentes da assistência técnica e extensão rural e demais agentes multiplicadores, em tecnologias voltadas à recuperação de pastagens degradadas, sistemas de integração Lavoura Pecuária Floresta (iLPF) e Sistemas Agroflorestais (SAF).

Tem também por meta produzir materiais técnicos destinados a treinamentos e/ou consulta pelos profissionais de ATER e produtores rurais inseridos na agricultura familiar, com o intuito de popularização e disseminação de produtos/processos e tecnologias para a promoção do desenvolvimento sustentável na região amazônica. Validar tecnologias finalísticas com potencial para recuperação de pastagens, sistemas de integração Lavoura Pecuária Floresta (iLPF) e Sistemas Agroflorestais (SAF) na região amazônica e estabelecer “Unidades de Aprendizagem” em diferentes regiões do bioma amazônico para promoção e disseminação de tecnologias para recuperação de pastagens degradadas, sistemas de integração Lavoura Pecuária Floresta (iLPF) e Sistemas Agroflorestais (SAF).
 
Maria José Tupinambá (114 DRT-AM)
Embrapa Amazônia Ocidental

 

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Profissionais de cooperativas participam de capacitação até setembro na Embrapa Pecuária Sudeste – 13/03/2020

Participantes da capacitação visitam propriedade em Pirassununga

Técnicos de cooperativas vinculados à Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) participam de capacitação continuada sobre produção intensiva de leite na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP).Até setembro, cerca de 20 profissionais ligados ao sistema cooperativista de Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Mato Grosso serão qualificados de maneira participativa, aliando teoria e prática às realidades regionais. “Buscamos uma prática profissional sólida a partir da vivência e construção conjunta de conhecimento”, destaca o chefe de Transferência de Tecnologia, André Novo, da Embrapa. Segundo ele, o objetivo dessas ações de capacitação é promover o desenvolvimento da pecuária leiteira brasileira, contribuindo para tornar as propriedades sustentáveis e mais rentáveis.

As aulas sobre bovinocultura intensiva de leite foram divididas em sete módulos. No primeiro, que termina nesta sexta-feira (13), além da teoria, os participantes conheceram uma propriedade em Pirassununga, do programa Balde Cheio, que iniciou o processo de intensificação de seu sistema de produção.

De acordo com Fernando Ferreira Pinheiro, da OCB, os técnicos que estão em capacitação vão levar informações e assistência aos produtores rurais, viabilizando o aumento da produtividade leiteira nas propriedades atendidas. “Queremos, com isso, difundir as tecnologias e as pesquisas desenvolvidas. Além disso, trazemos os desafios de quem está na ponta para a Embrapa”, conta Pinheiro.

O segundo módulo ocorre de 14 a 16 de abril na Embrapa Pecuária Sudeste.

Capacitações

A Embrapa Pecuária Sudeste tem programas de capacitação continuada em produção de leite (Balde Cheio), sistemas de integração (ILP e ILPF) e produção de gado de corte (Bifequali TT). Os treinamentos contribuem para a formação de uma efetiva rede profissional e construção de conhecimento conjunto. Mais informações na página da Embrapa Pecuária Sudeste.

 
 
Gisele Rosso (MTb/3091/PR)
Embrapa Pecuária Sudeste

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Celso Moretti discute conectividade do agro e cita prioridades em aplicações digitais – 12/03/2020

Em palestra no evento Conectividade no Campo, realizado em Brasília, presidente defendeu avanços em agricultura digital, edição genômica, bioeconomia e sistemas integrados sustentáveis

Três instituições nacionais ligadas ao agro brasileiro uniram-se nesta semana para discutir os grandes desafios, oportunidades e soluções para um dos maiores gargalos da agropecuária nacional: a conectividade no campo. Promovido pelo jornal O Estado de São Paulo, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o evento foi aberto com uma palestra do presidente da Embrapa, Celso Moretti, que defendeu a importância da conectividade e a aplicação de tecnologias digitais para o aumento da produtividade do agro.

Ele iniciou sua apresentação defendendo mais uma vez o slogan da Embrapa: a agricultura brasileira é movida a ciência. “Isso é algo que vou continuar repetindo sempre para aqui na CNA, no Brasil e principalmente no exterior, que ainda desconhece a revolução que fizemos no nosso país. Em cinco décadas o Brasil foi capaz de criar um modelo sustentável e competitivo de agricultura tropical, sem paralelo no mundo, e totalmente baseado em Ciência. Foi um salto fantástico de produtividade com sustentabilidade”.

Moretti, no entanto, ponderou que se o agro brasileiro, que responde por 1/4 de toda a riqueza gerada no país, quiser dar um novo salto de produção e de produtividade, será necessário investir e ampliar a conectividade no campo, porque o acesso às inovações que o mundo urbano já começa a se acostumar vai depender fortemente da maior conectividade no mundo rural.

Segundo ele, em quatro décadas o mundo assistiu a uma evolução absurda das ferramentas digitais na agricultura. “Saímos de uma situação de mono usuário de computador, da internet comercial, do computador central, da pesquisa adaptativa,  para uma situação de sistemas integrados e complexos, Big Data, Internet das Coisas, robótica, drones, sensores e pesquisa sistêmica. Uma nova realidade, onde a conectividade é a chave para o sucesso”, afirmou. Hoje, 72% do campo brasileiro, segundo dados do IBGE, ainda não tem conectividade.

Pesquisas da Embrapa

Como a pesquisa tem contribuído para o avanço da agricultura digital? “Quase todos os nossos centros de pesquisa tem trabalhado fortemente no desenvolvimento de tecnologia e apoio à agricultura digital”, disse o presidente da Embrapa, citando alguns exemplos que já estão sendo aplicados, como sensores que medem a temperatura do animal e avaliam o conforto térmico sob sol ou sombra, dentro do sistema ILPF;  a detecção de doenças, recontagem de frutos, medição de características em animais, simulação de fenômenos, previsão de safras, monitoramento de logística e transporte, rastreabilidade e suporte à tomada de decisão do produtor.

Celso Moretti também informou que a Embrapa desenvolve pesquisas no campo digital com vários parceiros privados , se aproximando mais do setor produtivo. “Por meio de uma parceria com a Scheffer, por exemplo, instalamos sensores e drones em uma propriedade de Sapezal-MT e conseguimos avaliar uma série de parâmetros da safra de algodão, que vão desde a fertilidade, compactação e condutividade elétrica do solo, presença de nematoides e do bicudo, produtividade, aplicação de insumos, matéria orgânica etc”.

O resultado já consolidado de um parceria com o Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt), mostrou que esse monitoramento de fitonematóides na cultura do algodoeiro no Estado, envolvendo 260 fazendas e 2,5 mil talhões, pode possibilitar um aumento de produtividade de 10% na cultura, algo em torno de R$ 27 milhões na produção do MT. “É um exemplo, prático e real, de como o uso da agricultura digital pode contribuir para o desenvolvimento e a sustentabilidade do agro brasileiro”, assegurou o presidente.

Ele também citou que a Embrapa faz parte de um grande projeto internacional de desenvolvimento de agricultura de precisão, abrangendo Brasil, África do Sul, EUA e alguns países europeus, para adoção de sensores avançados do solo, que se conectam com máquinas, que se intercomunicam com centrais e que tomam a decisão se é o momento adequado de se irrigar nas propriedades rurais participantes. “Há ainda um desperdício muito grande de água aplicada na lavoura e essa experiência poderá ajudar a diminuir esse desperdício”, anunciou.

Nos últimos anos, centros de pesquisa da Embrapa já lançaram dezenas de aplicativos que hoje estão disponíveis para produtores rurais de muitas cadeias produtivas. De acordo com Moretti, a agricultura digital movimenta um ecossistema de inovação digital, formado por empresas, agritechs, startups, potenciais investidores, muitas delas estimuladas por hackatons e eventos promovidos pela Embrapa, como o Pontes para Inovação, Ideas for Milk, InovaPork, InovaAvi, Avança Café, Ideas for Farm, TechStart AgroDigital. Hoje já existem mais de 1.200 agritechs atuando no Brasil.

Prioridades de P&D

O presidente da Embrapa encerrou sua apresentação expondo quatro prioridades de P&D estabelecidas para que a programação da Embrapa possa avançar nos próximos anos com aplicações digitais. “Uma é a própria Agricultura Digital, onde pretendemos trabalhar mais fortemente com conceitos de plataformas digitais, de dados abertos (open data), identidade digital, blockchain, drones e inteligência artificial”, explicou. Uma segunda prioridade será a Edição Genômica, as chamadas ferramentas de tesouras genéticas, em que o avanço dependerá de maior capacidade de processamento (de alto desempenho) de grandes volumes de dados e maior investimento em bioinformática.

“Em Bioeconomia, precisaremos avançar na questão da visão computacional, em sistemas de gestão e georreferenciamento de biomassa e bases de dados heterogêneas. E por fim, dentro de Sistemas Integrados Sustentáveis, vamos precisar avançar em tecnologias embarcadas, automação, transmissão e comunicação de dados, em Internet das Coisas e em robôs”, anunciou.

Ao final de sua fala, Moretti destacou que na questão da Conectividade, o Brasil precisará reforçar iniciativas como o Plano Brasil Agro Conectado, Conecta Agro, Banco de Dados Colaborativo do Agricultor, unindo ações promovidas pelo Executivo, pelo Congresso Nacional e pela iniciativa privada. “Outra necessidade importante que já passou da hora de construirmos é a estratégia brasileira de  Inteligência Artificial. China e EUA já avançaram nisso e ainda temos uma avenida enorme no Brasil para seguir em frente”, enfatizou. A questão dos currículos nas universidades foi outro gargalo apontado: “Precisamos formar profissionais com novo perfil, unindo Ciências Agrárias, Veterinárias e Florestais com Ciências de Dados, Ciências Cognitivas, entre outras. Precisaremos ainda explorar sinergia entre Agricultura e Cidades Inteligentes, o urbano e o rural. A agricultura digital servindo como ferramenta de inclusão produtiva, tecnológica e social”, declarou. Moretti ainda sugeriu incluir as startups e o capital de risco no modelo de negócios e que será preciso internacionalizar  e explorar oportunidades do fluxo mundial de conhecimentos, incluindo o Sudeste Asiático, nas ações a serem promovidas pelo governo brasileiro.

Acesse aqui fotos do evento Conectividade no Campo.
 

Foto: Robinson Cipriano

Robinson Cipriano (MTb 1727/88-DF)
Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (SIRE)

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