Adoção de ILPF faz produção leiteira saltar de 400 para mil litros diários – 11/03/2020

Este e outros relatos estão em livro escrito por 144 especialistas em sistemas integrados de produção

Uma propriedade em Minas Gerais, que após 10 anos de adoção das tecnologias de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), conseguiu que a produção de leite diária aumentasse de 400 litros para 1.000 litros ou a experiência do produtor Cláudio Roberto da Silva da Fazenda Santa Cândida, no Rio Grande do Sul, onde as ações do projeto ILPF se iniciaram em 2012, com o objetivo de melhorar o manejo da propriedade voltada ao cultivo de arroz irrigado e a engorda de gado. Com pastagens bem manejadas no sistema ILP, foi possível melhorar desempenho dos terneiros e acelerar o ciclo dos animais e comercializar animais com 18 a 24 meses, enquanto antes saiam apenas com 24 a 36 meses.

Estas e muitas outras experiências de sucesso relacionadas aos Sistemas Integrados de Produção estão no livro que a Embrapa acaba de lançar. A obra “Sistemas de Integração Lavoura -Pecuária-Floresta (ILPF) – Estratégias regionais de Transferência de Tecnologia (TT), Avaliação de Adoção e de Impactos” foi produzido por 114 especialistas em ILPF e apresenta uma relevante diversidade de informações, a partir das experiências acumuladas nas últimas décadas e que apontam os sistemas ILPF, a IPF e a ILP como estratégia chave para que milhões de hectares de pastagens degradadas sejam recuperados e renovados.

Em 14 capítulos traz particularidades relevantes do sistema produtivo das regiões brasileiras e também demonstra a viabilidade técnica e econômica da ILPF nesses diferentes biomas, mostrando que são factíveis com a realidade das atividades agrícolas e pecuárias em todas essas regiões. 

A ILPF é uma estratégia cada vez mais reconhecida como uma das alternativas para a sustentabilidade econômica e ambiental do agronegócio brasileiro ao promover a intensificação e a integração da produção com ganhos de produtividade, rentabilidade e aumento da oferta de alimentos, com reflexos na redução da pressão para a abertura de novas áreas, além de ofertar uma série de serviços ambientais, cujos benefícios extrapolam os limites da porteira da propriedade. 

Estratégia produtiva e o futuro 

O Brasil é atualmente é o maior produtor mundial de carne bovina, com praticamente toda a produção brasileira tendo por base os pastos. Estima-se que o país possua 170 milhões de hectares de pastagens e que 50% dessa área encontram-se em algum estágio de degradação. A Integração Lavoura-Pecuária (ILP) é uma tecnologia oportuna para sanar os problemas referentes a pastagens ralas, com espaços descobertos, muitos cupinzeiros e plantas invasoras. 

Mas ao que tudo indica, na pegada deixada pelo boi de uma pecuária extensiva, que deixou solos degradados pelo manejo inadequado, estas áreas agora estão sendo ocupadas pela agricultura, principalmente pela soja, cultura que apresentou maior avanço no país. 

Como exemplo, segundo o Censo Agropecuário 2017,  constatou-se que as áreas de soja cresceram 339,1% na região Norte e 83% no Centro-Oeste. Nesse contexto a integração produtiva, sobretudo a ILP, tem contribuído consideravelmente na reforma das pastagens e, em conjunto, tem viabilizado uma maior lotação de animais nas propriedades. Com a atividade agrícola em expansão na região Norte, explorando principalmente as áreas de pastagens degradadas, os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) vão se tornando a estratégia de contribuição para a sustentabilidade e aumento da produção da atividade agropecuária.

Para o pesquisador Flávio Wruck da Embrapa Agrossilvipastoril (Sinop, MT), a adoção dos sistemas integrados de produção agropecuária tende a experimentar um crescimento substancial em todo o País. Um exemplo é o estado de Mato Grosso, onde prevê crescimento em ritmo constante nos próximos 10 anos, sobretudo da ILP. “Deve continuar aumentando na taxa que cresce atualmente. Há regiões, como o sudoeste do estado, que é tradicionalmente área de pecuária, em que a lavoura está vindo com tudo, por meio da ILP. O potencial de crescimento é muito grande”, afirma.

Os sistemas com uso de árvores, principalmente os silvipastoris, também têm cenário favorável com a demanda de biomassa para atender ao complexo industrial de etanol de milho. 

“Temos de aguardar mais um ou dois anos para ter uma ideia se isso vai pegar ou não. Se pegar, temos boa chance de deslanchar. Se não pegar, acredito que vamos ficar nesse patamar de 5 a 10% da área total integrada”, prevê.

O livro

É um dos resultados do projeto “Sistematização de Informações e Avaliação da Adoção e dos impactos de Sistemas ILPF” no âmbito do Projeto em Rede “Transferência de tecnologias em rede para sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta”, finalizado em 2018, e que contou com o apoio financeiro da Associação Rede ILPF.

O capítulo introdutório é dedicado a realizar um histórico dos sistemas Integração Lavoura–Pecuária (ILP) no Cerrado, apresentando as suas diferentes modalidades, considerando o perfil e os objetivos da fazenda. Também apresenta as abordagens dos aspectos gerais da produção agropecuária nos estados, os principais sistemas ILPF e combinações de culturas, os critérios para orientar a seleção de áreas para as ações de TT, fatores para a adoção, oportunidades e entraves, além de relatos de experiências de sucesso.

Sete capítulos são dedicados a apresentar as visões regionais e estaduais dos sistemas ILPF do ponto de vista das equipes da Embrapa que atuam junto a técnicos e produtores que adotam ou que tenham interesse em adotar tais sistemas.

Os impactos ambientais também complementam a temática do livro. Os resultados da avaliação de impactos ambientais dos sistemas ILPF foram avaliados pela metodologia Ambitec Agro – um software que se serve de um conjunto de matrizes multicritério os quais integram indicadores de desempenho de inovações tecnológicas e práticas de manejo adotadas na realização de atividades rurais. As considerações apresentadas nesse capítulo se basearam em seis estudos de caso em Unidades de Referência Tecnológica (URT), incluindo desde áreas de empresas rurais de grande porte até estabelecimentos familiares, e desde complexos esquemas de integração produtiva até simples Integração Lavoura-Pecuária (ILP), voltada apenas à reforma e recuperação das pastagens.

Por fim, o livro ainda traz estimativas da contribuição dos sistemas integrados na redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), além das inferências sobre a evolução da adoção em períodos anteriores, tendo por base os dados da pesquisa de adoção conduzida pela Kleffmann Group para a safra 2015/2016. Nesse caso, os resultados vieram sanar uma importante lacuna no que diz respeito à linha de base de adoção de sistemas ILPF no País, a qual é fundamental para a aferição das metas compromissadas internacionalmente pelo governo brasileiro no tocante ao tema.

Conforme destacou o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) Ladislau Skorupa, um dos editores técnicos da publicação, a ideia de reunir informações em um livro nasceu quando as equipes da Embrapa ainda discutiam a priorização de áreas para ações de TT, bem como o nível de adoção nas diversas regiões, momento muito fértil para a reunião de informações sobre os sistemas ILPF adotados. Para ele, que também é presidente do Comitê Gestor do Portfólio ILPF da Embrapa, o processo de transferência de tecnologia nesses sistemas assume um papel fundamental no processo de inovação. Nesse sentido, “a publicação vem contribuir com um olhar no processo de adoção, levando em conta as peculiaridades dos diversos biomas brasileiros, as oportunidades e também as demandas do setor produtivo.”

Já o pesquisador da Embrapa Celso Manzatto, coordenador da Plataforma ABC, explica que o livro traz um conjunto de informações importantes e subsídios técnicos para embasar as tomadas de decisão referentes às políticas públicas voltadas à Agricultura de Baixo Carbono, sustentabilidade e aquecimento global. Ressalta que os mercados, especialmente da carne bovina, estão cada vez mais exigentes em relação à sustentabilidade da produção, como decorrência das mudanças climáticas e, a adoção de sistema ILPF representa a oportunidade de aumentar a produção, diminuir custos e se diferenciar no mercado com redução das emissões de gases de efeito estufa – uma opção sustentável com lucratividade. 
 
Ao final, a publicação traz estudos de caso do desempenho econômico de sistemas ILPF no estado de Mato Grosso, bem como projeções de impactos de tais sistemas sobre mudanças no uso da terra no Brasil.
 
Marcos Vicente (MTB 19.027 MG)
Embrapa Meio Ambiente

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Unidade de referência em ILPF busca aumento de oferta de alimento ao gado em Brotas, SP – 11/03/2020

URT em Brotas, SP

Está sendo implantada em Brotas, SP, mais uma alternativa de produção para sistemas diversificados na Unidade de Referência Tecnológica em Integração Lavoura-Pecuária-Floresta – URT ILPF no Sítio Nelson Guerreiro, com o apoio financeiro da Rede ILPF. A pesquisa busca oferecer opções de espécies forrageiras predominantemente lenhosas, para aumentar ainda mais a diversificação da oferta de alimento ao gado em sistemas ILPF.

Conforme a pesquisadora Priscila Oliveira, da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), serão testadas as forrageiras guandu-anão, leucena, feijão caupi (feijão de corda) e margaridão (Tithonia diversifolia).

Priscila também explica que como a diminuição dos custos de produção e dos riscos na atividade agropecuária é um objetivo buscado pelos produtores rurais, a diversificação da oferta de alimento em sistemas ILPF pela introdução de outras forrageiras que não o capim, pode ser uma forma viável de reduzir os custos de produção, por aumentar a fertilidade do solo e da oferta de forragem com maior qualidade nutricional aos animais.

“Este estudo foi uma demanda clara do setor produtivo, por meio da engenheira agrônoma e produtora rural Maria Fernanda Guerreiro, que adota ILPF desde 2009, a partir de uma parceria com a própria Embrapa”, continua a pesquisadora.

Ainda de acordo com Priscila, “a implantação das forrageiras ocorreu em janeiro deste ano e com a regularização das chuvas na região a germinação foi adequada e as espécies estão se estabelecendo bem. Neste primeiro ano de avaliação, serão obtidos dados de produção estacional de matéria seca e de participação da biomassa das espécies testadas, bem como dados do custo de implantação”.

Para a pesquisadora, o importante é haver mais opções de espécies que melhorem a fertilidade do solo para as diversas condições de propriedades rurais, especialmente aquelas nas quais a cultura da soja não se mostra viável economicamente.

A equipe do projeto é composta pela proprietária da URT ILPF, técnicos da Embrapa (Meio Ambiente, Pecuária Sudeste e Florestas), Unesp-Botucatu, Esalq e Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS-SAA-SP) e parceiros locais como a Pastobrás Sementes.

 

Cristina Tordin (MTB 28499)
Embrapa Meio Ambiente

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Pesquisadores da Holanda e da USP buscam parceria para pesquisa sobre solo – 11/03/2020

Um grupo de pesquisadores da Wageningen University & Research (WUR), da Holanda, e do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA/USP) visitou a Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP) na última quinta-feira (5).

O objetivo do encontro foi apresentar resultados da primeira fase do CANOPIES da WUR em parceria com o CENA. Segundo o chefe de P&D, Alexandre Berndt, a reunião com a equipe foi muito positiva para conhecer os principais resultados do projeto. O grupo criou um aplicativo que calcula as interações positivas e negativas entre cinco atributos dos solos agrícolas: produção de alimento, sequestro de carbono, abrigo para biodiversidade, regulação hídrica e ciclagem de nutrientes. “Discutimos a possibilidade de construir um modelo tropicalizado, ajustado inicialmente para o Estado de São Paulo, por meio de um projeto temático da FAPESP com o CENA/USP, Embrapa Pecuária Sudeste e Instrumentação, WUR, Fazenda da Toca e outros parceiros”, contou Berndt.

A ideia, de acordo com a professora Maria Victória Ballester, do CENA, é dar continuidade à pesquisa e ampliá-la.

Durante a visita, a equipe conheceu os experimentos com ILPF da Unidade. Os pesquisadores Alberto Bernardi e Alexandre Rossetto Garcia apresentaram os resultados já obtidos nesses sistemas com gado de corte. E, o chefe de TT, André Novo, falou sobre a ILPF com gado de leite. “Os resultados relatados com ILPF são excelentes. São sistemas muito bem desenhados, experimentos com muito rigor científico. É uma contribuição significativa para o avanço da pecuária sustentável. É um dos modelos de sistemas que queremos estudar”, contou Maria Victória.

Além da parceria com a Embrapa Pecuária Sudeste, o grupo pretende estabelecer cooperação com as unidades de Campinas (Informática Agropecuária), Jaguariúna (Meio Ambiente) e a Instrumentação.

Gisele Rosso (Mtb 3091/PR)
Embrapa Pecuária Sudeste
pecuaria-sudeste.nco@embrapa.br

Ana Maio
Jornalista do Núcleo de Comunicação Organizacional Embrapa Pecuária Sudeste

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
São Carlos (SP)

Plantio consorciado de seringueiras melhora renda de produtores familiares – 03/03/2020

Seringueiras plantadas em consórcio

Pesquisas realizadas pela Embrapa Amazônia Ocidental (AM) mostram que plantio de seringueiras consorciadas com outras espécies de interesse econômico é uma alternativa rentável para agricultores familiares amazonenses. Experimentos desenvolvidos com culturas anuais e perenes apontaram as espécies com maior potencial de geração de renda enquanto o produtor espera o tempo necessário à extração comercial de látex, que pode levar de seis a sete anos. Entre as anuais, o milho e o feijão-caupi (feijão-de-corda) se destacaram pela boa produtividade, com uma média de 30,1 mil espigas e 2.080 kg por hectare, respectivamente.

Segundo o pesquisador da Embrapa Everton Cordeiro, a proposta visa também atender à necessidade do Amazonas “O estado necessitava da retomada de uma cadeia fundamental para sua economia, a da heveicultura, que se reduziu muito, principalmente em decorrência do mal-das-folhas que dizimou os plantios comerciais de seringueira no século passado”, conta o cientista. As pesquisas estão sendo realizadas por meio de um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Os experimentos com cinco espécies perenes – cacau, guaraná, tucumã, banana e gliricídia – foram conduzidos nos campos experimentais da Embrapa em Manaus, Iranduba (Caldeirão) e Maués, além de uma unidade em área da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). As árvores de seringueira são plantadas com uma distância de três metros e, nas entrelinhas, são inseridas as espécies escolhidas. De acordo com Cordeiro, essas culturas foram escolhidas porque mantêm bom desenvolvimento mesmo com o sombreamento das seringueiras e também podem continuar dando frutos depois do início da extração de látex.

Três safras anuais nas entrelinhas
Já em relação às espécies anuais, são feitas avaliações com milho-verde e feijão-caupi plantados nas entrelinhas das seringueiras. Segundo o pesquisador da Embrapa Inocêncio Júnior de Oliveira, em decorrência das condições climáticas locais, é possível ao produtor obter três safras por ano agrícola nessas entrelinhas. O milho e o feijão-caupi foram cultivados em dois locais (campos experimentais de Manaus e do Caldeirão). “Em uma safra agrícola foi possível realizar dois cultivos de milho-verde e um de feijão-caupi, sendo o primeiro de milho semeado no final de novembro (seis linhas de milho entre duas linhas de seringueira), o segundo, no início de março e o do feijão-caupi (nove linhas entre duas linhas de seringueira) em junho,” explica.

Foram realizadas análise do solo, calagem, adubação de plantio e de cobertura e controle de plantas daninhas e pragas. Como resultado, registrou-se uma média de 30,1 mil espigas de milho-verde por hectare, com padrão comercial (comprimento da espiga sem palha maior de 15 cm e diâmetro da espiga sem palha maior que 3,5 cm).

Do feijão-caupi, foi colhida uma média de 2.080 kg por hectare. Para Oliveira, a produtividade média é boa e pode garantir uma renda considerável ao produtor até que se comece a extrair o látex. “O agricultor pode cultivar essas espécies anuais por quatro ou cinco anos, até que o sombreamento das seringueiras impeça um bom desenvolvimento dessas plantas”, complementa.

Sombra e solo fresco
Outra vantagem de adotar esse tipo de sistema é a proteção do solo, por meio do aumento do sombreamento que promove a diminuição da sua temperatura. “Além disso, com proteção é possível reduzir a taxa de mineralização da matéria orgânica, com consequente melhoria da estrutura do solo”, explica Oliveira.

Após as colheitas realizadas em 2019 e 2020, serão realizadas avaliações econômicas do sistema, com o objetivo de repassar aos produtores o quanto é necessário desembolsar e o resultado da comercialização ao adotar esse tipo de consorciação.

Nos experimentos, são utilizadas seringueiras desenvolvidas pela Embrapa Amazônia Ocidental desde 1999, obtidas de cruzamentos entre espécies diferentes que dão resistência aos danos causados pelo mal-das-folhas (veja quadro abaixo). Segundo Cordeiro, esses materiais possuem uma grande produtividade e podem chegar a uma produção entre 1,5 mil e dois mil quilos anuais de látex por hectare.

“Os resultados desses trabalhos podem contribuir com a retomada da heveicultura no Amazonas”, acredita o pesquisador. “Disponibilizamos cultivares de seringueiras resistentes ao mal-das-folhas, selecionadas a partir dos melhores materiais genéticos, ao pequeno produtor e à agroindústria e oferecendo o suporte necessário ao seu desenvolvimento no estado”, relata.

Seringueiras resistentes ao mal-das-folhas
A produção de látex a partir de seringais cultivados foi praticamente inviabilizado no Amazonas em decorrência da doença chamada mal-das-folhas, que impossibilitou a expansão de plantios comerciais na região da floresta tropical úmida.

Causada pelo fungo Microcyclus ulei, a doença dizimou lavouras de seringueira na Amazônia. Cordeiro conta que, atualmente, a produção de látex se dá praticamente por meio do extrativismo, a coleta em árvores na natureza. “Na floresta, as seringueira nativas estão distantes umas das outras e conseguem conviver com o fungo. Nos plantios, as árvores ficam mais próximas e a doença causa a morte da planta”, detalha. Desde a década de 20 do século passado, o fungo passou a ser o agente limitador da cultura e o principal responsável para que a atividade não continuasse seu desenvolvimento na região.

Para solucionar o problema, há cerca de quatro décadas, pesquisadores da Embrapa desenvolvem um programa de melhoramento genético de seringueiras com alta produtividade e resistência ao fungo. O resultado foi a disponibilização da seringueira tricomposta, formada a partir de cruzamentos entre espécies diferentes e com seleção dos melhores clones para formar árvores resistentes à doença, por meio de enxertos.

O nome “tricomposta” deve-se ao fato de que três partes da árvore (a base, o tronco e a copa) são formadas a partir de outras plantas de seringueira, combinadas por meio de enxertias. Para formar o porta-enxerto, base da árvore, são utilizadas sementes selecionadas de Hevea brasiliensis. O tronco, chamado de ‘painel’, vem da enxertia de um clone de outra variedade dessa mesma espécie, bastante produtiva em látex. Por fim, a copa é oriunda de clone resistente ao mal-das-folhas, resultado de cruzamentos entre as espécies Hevea guianensis, Hevea pauciflora e Hevea rigidifolia.

Ao todo, são necessários 25 meses para formar a muda de tricomposta, desde a semente até a fase de plantio. Durante esse tempo, são feitas as duas primeiras enxertias, além do manejo necessário para o desenvolvimento da planta. A terceira enxertia, da copa, é realizada com a muda já plantada na área de cultivo. “Mesmo com um ano a mais para produção dessa muda e custo maior, ela dá o retorno econômico ao longo do tempo porque produz mais cedo e com qualidade”, pontua o pesquisador. Ele explica que a tricomposta começa a produzir látex a partir de seis anos, um ano mais cedo que as seringueiras convencionais. A produção se estabiliza entre nove e dez anos e o plantio bem manejado pode ser explorado por 30 a 35 anos.

Foto: Everton Cordeiro

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Cultura da banana é inserida no Zoneamento Agrícola de Risco Climático – 10/03/2020

Inserção no Zarc deve incentivar e ampliar o cultivo de bananeiras

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) acaba de ser definido para os tipos de bananeira mais cultivados no Brasil: Cavendish (Nanica), Prata, Maçã e Terra. O Zarc é um sistema de dados que indica os riscos envolvidos para várias culturas agrícolas nas diferentes regiões do País. Ele é utilizado, por exemplo, por instituições financeiras para avaliação de crédito e seguro rural, uma vez que traz informações sobre as chances de sucesso de cada lavoura dependendo do local e da época em que for plantada. Desenvolvida pela Embrapa em 1996, a ferramenta também embasa políticas públicas de desenvolvimento agrícola. O sistema gera calendários de plantio que indicam quando e onde determinada cultura terá mais produtividade.

Por isso, especialistas comemoram a inserção da bananicultura no Zarc, afinal a fruta é a mais plantada e consumida no Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expectativa é que a presença da fruta no Zarc contribua para expandir os sistemas de cultivo no Brasil, ampliando a produção da cultura e as regiões produtoras, uma vez que as áreas aptas para a bananeira incluem praticamente todo o território nacional, à exceção de algumas regiões mais frias do sul do País. É uma cultura no Brasil dividida tanto entre grandes e pequenos produtores, que respondem por 48,6% da produção, de acordo com o Censo Rural 2017.

Para ter uma ideia, 18.873 estabelecimentos de agricultura familiar produzem banana, o equivalente a 79,8% do total de estabelecimentos.

O Zarc avalia elementos que influenciam diretamente o desenvolvimento da produção agrícola, como temperatura, chuvas, umidade relativa do ar, ocorrência de geadas, água disponível no solo, demanda hídrica da cultura, altitude, latitude e longitude No caso da bananeira, aspectos hídricos são determinantes para a segurança do cultivo. “Se a planta sofrer inicialmente um estresse hídrico ou térmico, pode comprometer a produção do primeiro ciclo. Por isso, se o local ou a época apresentar um risco maior, é esperado que os agentes financiadores tratem diferente comparado a um de menor risco. Toda essa informação que foi gerada e está publicada vai servir como base para políticas de crédito e seguro agrícola a serem aprimoradas ao longo dos próximos anos”, analisa o pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Maurício Coelho.

Atualização do Zarc

Segundo o pesquisador, que está à frente do Zarc de várias culturas no País, um dos aprimoramentos do sistema é a nova forma de se tratar o risco. “O Zarc para fruteiras costumava se basear na aptidão climática da região, que podia ser térmica ou hídrica. Agora, usamos modelos agrometeorológicos e simulamos riscos climáticos relacionados a variáveis importantes para o desenvolvimento da planta, como por exemplo o déficit de água no solo em fases críticas da cultura. Trabalhamos com esses modelos e, em função da distribuição espacial das variáveis climáticas, calculamos os riscos para o cultivo em nível municipal”, explica Coelho.

“Consideramos um risco de até 40% como limiar para produção; ou seja, para ser considerada viável, a cultura deve apresentar um risco menor que esse percentual. Em dez anos, esse índice significaria a perda de quatro anos de cultivos. Por isso, é considerado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) como crítico para o desenvolvimento da cultura. Também calculamos os riscos para o plantio, uma vez que há variação espacial e temporal das melhores épocas para estabelecer o pomar e garantir a produção no primeiro ciclo da banana”, continua.

Decreto fortalece Zarc


Em setembro, um decreto presidencial instituiu o Zarc como programa oficial do Governo Federal com a finalidade de melhorar a qualidade e a disponibilidade de dados e informações sobre riscos agroclimáticos no Brasil. “Essa é uma sinalização clara de interesse do governo, do ministério e da Secretaria de Política Agrícola em investir e melhorar a gestão de riscos do agricultor brasileiro”, afirma Eduardo Monteiro, pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária (SP) e coordenador geral do Zarc na Embrapa, cuja rede de trabalho contempla profissionais de 31 unidades de pesquisa. “Juntos, esses órgãos têm se esforçado para ampliar as ações de estudo e execução de zoneamento coordenadas pela Embrapa para atender às demandas das diferentes regiões produtoras, às culturas que ainda não têm o zoneamento e aos sistemas de produção integrados, com uma diferenciação também para cultivares tolerantes e não tolerantes. Ou seja, o Zarc também é uma forma de difusão de tecnologias e boas práticas agronômicas”, ressalta Monteiro.

Outra novidade é que o Conselho Monetário Nacional atualizou uma resolução do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), que permite a alocação do orçamento para o zoneamento agrícola: “Um problema muito grande que a Embrapa vinha enfrentando nos últimos anos era exatamente a falta de recursos para a execução dos trabalhos do Zarc,” revela o pesquisador.

Acesso ao crédito estimula a produção


O zoneamento em si tem uma importância muito grande porque é utilizado como informação básica de orientação em alguns programas de política agrícola, como o Proagro, que funciona como uma espécie de seguro agrícola; o Proagro Mais (modalidade destinada aos agricultores inscritos no Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar – Pronaf); e o Programa de Subvenção Federal ao Seguro Rural Privado (PSR), que utilizam as indicações de zoneamento para estabelecimento de condições de contrato. “Se o agricultor tem acesso ao crédito, ele planta mais, investe mais na lavoura, melhora o nível de tecnologia e aumenta a produtividade. Mas, se fizer de maneira equivocada, com maior exposição ao risco, tem grandes chances de perder, tornar-se inadimplente e ter dificuldades financeiras”, explica Monteiro.

Para ele, o Zarc deve ser considerado como um mecanismo de apoio à segurança econômica do produtor, à segurança alimentar do País e à manutenção dos agricultores na atividade. “Nenhuma outra prática econômica é tão dependente das condições meteorológicas como a agricultura, que está sujeita às variações anuais do tempo. Mesmo em regiões normalmente favoráveis podem ocorrer anos ou safras com condições adversas e gerar prejuízos ou uma frustração de safra”, conta Monteiro.

Outro aspecto importante para reduzir riscos, de acordo com o pesquisador, é aumentar a diversificação nos sistemas de produção, principalmente os integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). “A ILPF e suas combinações – lavoura-floresta ou lavoura-pecuária ou só pecuárias – têm uma dinâmica diferenciada e exatamente por causa dessas interações de espécies reduzem o risco em muitos casos, melhoram os níveis de produtividade, modificam o microclima e melhoram a fertilidade do solo.”

Foto: Divulgação Embrapa

 

O Zarc do cacau


O cacau é a terceira fruta com maior área plantada no Brasil. De acordo com dados do IBGE, foram colhidos cerca de 578 mil hectares em 2018, pouco menos que banana e citros – grupo formado por laranja, limão, tangerina, etc.

Segundo George Costa, pesquisador do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec) da Comissão Executiva de Planejamento da Lavoura Cacaueira (Ceplac) em Ilhéus (BA) e professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), o Brasil é o único país do mundo produtor e consumidor de cacau. “Todos os outros países que produzem não consomem o fruto. E o Brasil já foi o maior produtor, chegou a 400 mil toneladas anuais. Hoje, depois de 30 anos, não produz metade disso e o nosso consumo per capta é acima de um quilo”, conta.

Costa destaca o atual quinto lugar em produção mundial do Brasil e o alto consumo interno como os principais pontos que tornam a cultura estratégica. “Por isso, a importância de se fazer o estudo de zoneamento”, defende.

O Brasil é um país importador e a tendência é que essa realidade só mude com novas áreas de plantio, inclusive fora da zona úmida, onde a produtividade do cacau é maior. Tradicionalmente, o fruto é plantado sob sombra, num sistema de produção chamado de “cabruca”, que é o plantio sob mata raleada, mas a Ceplac já difunde várias outras possibilidades, como o cultivo irrigado. “É aí que entram a importância do Zarc e do conhecimento que a Ceplac acumulou nos seus 62 anos, além da Embrapa e de instituições parceiras como Uesc e Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB)”, destaca.

George lembra um acontecimento interessante já na parte final do trabalho em relação ao estado do Amazonas, que produz 1% do cacau do Brasil. “Tinha que ser dada uma dedicação especial porque é um estado que tem a cultura ainda muito singela e muito frágil. São ribeirinhos que colhem o cacau em canoas e vendem em bolsas, em sacos, que não sabem o que é commodity e que, em geral, são guardiões de algumas variedades mais típicas. As áreas de cacau não são plantadas, são extrativistas, sendo que a água e o período de cheia e seca da Amazônia têm muito a ver com isso. Ou seja, é um condicionante a mais, não dá para dizer que tem que irrigar tal mês, plantar tal variedade ou usar tal insumo. Tivemos o cuidado de ler mais e de buscar informações com colegas locais a respeito das especificidades do estado do Amazonas em relação ao cacau. Tem que ter um olhar diferenciado. Não é somente ter os dados; é a sensibilidade humana que faz a interpretação”, afirma.

Na Bahia, o Zarc do cacau foi validado em julho de 2019, em Salvador, durante reunião realizada na Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura do governo do estado com produtores, técnicos e representantes da cadeia produtiva.

Foto: Claudio Melo

Foto: iStock

Léa Cunha (MTb 1.633/BA)
Embrapa Mandioca e Fruticultura

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“Zarc de Produtividade” trará mais segurança ao produtor rural – 10/03/2020

Nova metodologia trará a probabilidade de obtenção de determinado rendimento em função de uma determinada data de semeadura, cultivar e tipo de solo

A partir de 2021, o agricultor brasileiro poderá, ao contratar o seguro rural, conhecer a probabilidade de produtividade de diferentes cultivos conforme a data de semeadura, a cultivar e o tipo de solo do município onde a lavoura for plantada. Uma nova metodologia de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) está sendo desenvolvida pela Embrapa e parceiros. Soja e milho devem ser as primeiras culturas agrícolas a serem contempladas com essas informações.

A Embrapa Cerrados (DF) lidera o projeto de pesquisa “Avaliação de Risco e Resiliência Agroclimática” (ARRA), iniciado em maio do ano passado e que conta com a participação de outros 19 centros de pesquisa da Embrapa. Os principais objetivos são desenvolver novas metodologias de avaliação de riscos, produtividade e resiliência agroclimática de sistemas de produção agrícola e construir um banco de dados agronômicos e agroclimáticos com as probabilidades de ocorrência de produtividades de diversas culturas agrícolas do País. A pesquisa tem aderência ao Programa Nacional de Zoneamento Agrícola de Risco Climático, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Líder do projeto, o pesquisador Fernando Macena explica que a ideia é substituir, de maneira gradativa, a metodologia atual do Zarc, que determina as datas de semeadura em função de um índice de estresse hídrico, por outra que trabalhe com a probabilidade de produtividade conforme a época de semeadura, a cultivar utilizada e o local da lavoura. “Estamos falando na probabilidade de se obter um determinado rendimento, em função de uma determinada data de semeadura, cultivar e tipo de solo. Ou seja, se eu plantar soja entre 10 e 20 de outubro em um determinado local, há 80% de probabilidade de se produzir no mínimo 4 mil kg/ha”, exemplifica. 

No Brasil, os principais riscos climáticos que limitam a produtividade das culturas agrícolas e causam perdas são, principalmente, o déficit hídrico quando ocorre nas fases mais críticas da cultura, o excesso de chuvas, temperaturas elevadas, a geada e a chuva na época da colheita. 

O desenvolvimento da metodologia leva em conta dados do clima (radiação solar, temperatura e umidade relativa do ar, velocidade do vento e evapotranspiração de referência); da planta (cultivar, ciclo, população de plantas); do solo (capacidade de armazenamento e disponibilidade de água) e do itinerário técnico da lavoura (adubação, correção, manejo da fertilidade do solo, entre outros), que são incorporados a modelos matemáticos de análise de riscos climáticos. 

Parte das atividades do projeto de pesquisa se baseia na ferramenta “elaboração do rendimento”. Dados sobre o desempenho das culturas são coletados em experimentos que utilizam irrigação e boas práticas de manejo quanto à adubação, controle de pragas e doenças, entre outros. Obtidos em condições de produção tidas como ideais, esses dados são usados para calibrar os modelos matemáticos de rendimento de cada cultura estudada, servindo assim de referência de produtividade potencial para os cálculos das probabilidades de produtividade em função dos dados climáticos históricos fornecidos por estações agrometeorológicas em cada município brasileiro.

O projeto, que tem duração de três anos, contempla algumas das principais culturas agrícolas do País – soja, milho, feijão, arroz, cacau, cana de açúcar e trigo, além do capim braquiária e da palma forrageira. Outra frente de trabalho é a adaptação da metodologia para sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

Um dos primeiros experimentos foi implantado na Embrapa Cerrados, onde atualmente são analisados o comportamento de cultivares e variedades de soja e milho (quatro de cada cultura) de diferentes ciclos. Feijão e cana de açúcar devem ser as próximas culturas a serem avaliadas. “Nossa calibração do modelo valerá para todo o Brasil Central”, diz Macena.

O pesquisador acrescenta que a pesquisa está conectada aos programas de melhoramento genético da Embrapa. “Nas áreas de validação de novas cultivares de soja e milho, por exemplo, validaremos a calibração do modelo de rendimento do Zarc”, explica. Dessa forma, os novos materiais serão lançados trazendo as recomendações para as melhores datas de plantio em função da probabilidade de produtividade. 

Macena observa que a nova metodologia trará maior segurança aos produtores, às instituições de crédito e ao governo, que fortalecerá a política pública do Zarc com informações mais sofisticadas. “Nossa expectativa é melhorar a tecnologia de previsão de riscos das principais culturas agrícolas do Brasil, com o objetivo de orientar para as melhores datas de semeadura visando à diminuição do risco para os produtores e das perdas pelos agentes que concedem crédito. É um benefício para a sociedade em geral”.

Sobre o Zarc

Desenvolvido pela Embrapa e parceiros, o método Zarc é aplicado no Brasil como política pública desde 1996, por meio do Mapa. O Zarc indica datas ou períodos de plantio/semeadura por cultura e por município, considerando as características do clima, o tipo de solo e o ciclo de cultivares, para evitar que adversidades climáticas coincidam com as fases mais sensíveis das culturas, minimizando as perdas agrícolas. A tecnologia é considerada uma ferramenta essencial de apoio à tomada de decisão para o planejamento e a execução de atividades agrícolas, para políticas públicas e, notadamente, à seguridade agrícola.

Os estudos de zoneamentos agrícolas de risco climático contemplam mais de 40 culturas de ciclo anual e perenes, além do zoneamento para o consórcio de milho com braquiária, alcançando 24 Unidades da Federação. Para ter acesso ao Proagro, ao Proagro Mais e à subvenção federal ao prêmio do seguro rural, o produtor deve observar as recomendações do Zarc. Além disso, agentes financeiros privados já estão condicionando a concessão do crédito rural ao uso do zoneamento agrícola de risco climático.

Foto: Breno Lobato 
Breno Lobato (MTb 9417-MG)
Embrapa Cerrados

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Embrapa Agrossilvipastoril abre inscrições para 10º Dia de Campo sobre Sistemas Integrados – 10/03/2020

Estão abertas as inscrições para o 10º Dia de Campo sobre Sistemas Integrados de Produção Agropecuária. O evento é promovido pela parceria entre Embrapa Agrossilvipastoril e Senar-MT e será realizado em Sinop (MT), nos dias 8 e 9 de abril.

Este é o maior evento de transferência de tecnologia promovido pela Embrapa em Mato Grosso. Realizado sempre na vitrine de tecnologias da Embrapa Agrossilvipastoril, o dia de campo é uma oportunidade de produtores, profissionais de assistência técnica e extensão rural, estudantes e outros profissionais ligados ao setor agropecuário verem as novidades da pesquisa agropecuária para sistemas produtivos.

Assim como nas últimas duas edições, o dia de campo deste ano será realizado em dois dias, com a mesma programação. A divisão é uma forma de dividir o público, melhorando a experiência e o conforto dos participantes.

As inscrições antecipadas podem ser feitas no site www.embrapa.br/agrossilvipastoril. O evento é gratuito.

Em caso de grupos organizados e caravanas, a comissão organizadora orienta que façam contato pelo e-mail agrossilvipastoril.eventos@embrapa.br informando número de participantes e dia de preferência para a participação.

Programação

O 10º Dia de Campo sobre Sistemas Integrados de Produção Agropecuária contará com um circuito composto por quatro estações de campo. Divididos em grupos, os participantes assistirão a apresentações de 40 minutos em cada uma delas. Após o término da quarta rodada, um quinto momento, também de 40 minutos, será destinado a quatro estações satélites.

Estas estações satélites são quatro novos temas em que o participante pode escolher qualquer um deles para acompanhar a apresentação. Caso prefira, ele pode retornar a uma das estações do circuito principal para tirar outras dúvidas com os palestrantes.

Estações principais

No circuito principal, a primeira estação terá como tema os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Respostas sobre até quando é viável fazer agricultura em meio às árvores e como conduzir corretamente o componente arbóreo para obter melhores resultados tanto na produção de madeira quanto na produtividade da lavoura e da pecuária serão apresentadas pelos pesquisadores da Embrapa Ciro Magalhães e Maurel Behling.

Na segunda estação o destaque será o Biomaphos, inoculante solubilizador de fósforo lançado pela Embrapa Milho e Sorgo e pela empresa Bioma em 2019. A indicação de uso e os principais resultados serão apresentados pelos pesquisadores Flávio Tardin, da Embrapa, e Lucas Bulegon, da Simbiose.

O manejo de plantas daninhas em sistemas produtivos será o tema da terceira estação, abordando os desafios do manejo na cultura do arroz e em cultivos solteiros ou consorciados com plantas de cobertura. Os pesquisadores Mábio Lacerda e Sidnei Cavalieri serão os palestrantes.

A quarta estação será voltada à pecuária, falando sobre a suplementação a pasto em sistemas integrados. A apresentação será feita por Thiago Prado, da Fortuna, e Miqueias Michetti, analista do Imea.

Estações satélite

Nas estações satélites, os participantes do dia de campo poderão escolher entre quatro opções de tema. Uma delas irá mostrar o capim BRS Capiaçu, com foco na produção e recomendação de uso. O analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Orlando Oliveira e o extensionista da Empaer Irapuan Rodrigues farão a apresentação. Os interessados poderão levar mudas do capim após o dia de campo.

Em outra estação, dando sequência ao acompanhamento que vem sendo feito nas últimas edições do dia de campo, serão mostrados novos resultados do uso de consórcios forrageiros de segunda safra. Os professores Arthur Behling e Onã Freddi falarão sobre as recomendações de uso, produção de biomassa e efeito dos consórcios na física do solo.

O mercado de soja convencional e resultados de produtividade das cultivares de soja recomendadas pelo Instituto Soja Livre serão o tema de outra estação satélite. O pesquisador da Embrapa Edison Ramos e o professor da UFMT Jonatas Musskopf falarão sobre os materiais e Marcos Antônio de Melo, da Caramuru, abordará a comercialização.

A quarta estação terá como tema a mandiocultura. Nela, a analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Suzinei Oliveira abordará a produção de mandioca de mesa, apresentando materiais recomendados para o estado de Mato Grosso.

Dia de campo

O 10º Dia de Campo sobre Sistemas Integrados de Produção Agropecuária é promovido pela parceria entra Embrapa Agrossilvipastoril e Senar-MT. O evento conta ainda com patrocínio da Acrinorte e da Unipasto. Apoiam o dia de campo a Acrimat, Bioma, Caramuru, empaer, Flora Sinop, Fortuna, Gepi, Imea, Instituto Soja Livre, Laboratório Solos e Plantas, Rede ILPF e UFMT.

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG)
Embrapa Agrossilvipastoril

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Vacas que pastejam na sombra produzem quatro vezes mais embriões – 10/03/2020

A pesquisa reforça a importância das condições confortáveis para o bom desempenho dos animais
 

Animais com acesso à sombra produziram 22% a mais de leite e com maior qualidade durante os 33 meses do experimento.
Essas vacas também produziram quatro vezes mais embriões em comparação às que pastejaram no sol no período mais quente do ano.
Leite produzido pelo rebanho sombreado apresentou 6% a mais de extrato seco desengordurado, valorizado pelos laticínios.
Presença das árvores chegou a reduzir em até 3% a temperatura corporal dos animais.
Resultados evidenciam importância dos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta.

Pesquisadores da Embrapa Cerrados (DF) verificaram que vacas Gir Leiteiro que tiveram acesso a áreas com sombra de eucalipto produziram quatro vezes mais embriões durante o período mais quente do ano e, ao longo do período do estudo (33 meses), 22% a mais de leite. A comprovação reforça a importância de oferecer aos animais condições confortáveis para o bom desempenho reprodutivo. Os resultados também estimulam a uso dos sistemas integrados com floresta, pois mantêm árvores nas pastagens.

De janeiro de 2017 a setembro de 2019, especialistas de diferentes áreas da Embrapa e da Universidade de Brasília (UnB) se dedicaram ao projeto “Conforto térmico, produtividade de leite e desempenho reprodutivo de vacas de raças zebuínas em sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) no Cerrado”.

“Identificamos que o uso da ILPF com vacas zebuínas leiteiras pode ser recomendado, pois além de aumentar a produtividade de leite e a quantidade de embriões produzidos, também melhora a qualidade do produto e do pasto, o valor nutritivo da forragem e os parâmetros fisiológicos e comportamentais das vacas”, afirma a pesquisadora Isabel Ferreira, líder do projeto.

Mais leite de melhor qualidade
Os estudos foram conduzidos no Centro de Tecnologia de Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL), localizado na região administrativa do Recanto das Emas (DF) e ligado à Embrapa Cerrados. Durante os 33 meses de experimento, os especialistas mediram o desempenho produtivo e reprodutivo de vacas Gir Leiteiro a pasto com a presença e ausência de sombra.

Eles observaram que em dias quentes os animais têm estresse por calor, o que compromete a produção e a composição do leite, a reprodução, a temperatura superficial e o comportamento ingestivo (ingestão, ruminação e repouso). A pesquisa identificou que o ambiente sombreado reduziu a temperatura da superfície corporal das vacas em diferentes pontos em até 3%.

Vacas à sombra: mais leite e embriões – ILPF

Além de aumentarem a produção de leite, as vacas Gir Leiteiro que tiveram acesso às áreas com sombra de árvores de eucalipto proporcionada pelo sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta também melhoraram a qualidade do produto, com 6% a mais de extrato seco desengordurado (extrato seco total, menos o teor de gordura), quando comparado ao que foi produzido pelos animais submetidos a pleno sol. “A presença das árvores melhora a rentabilidade do produtor de leite, tanto por causa do aumento da quantidade do produto, quanto pela possibilidade de melhor remuneração dos sólidos totais pelos laticínios e pela venda da madeira para diferentes usos”, enfatiza a especialista.

Estresse térmico: o mal que o calor em excesso faz aos animais

O estresse térmico ocorre quando o calor produzido pela vaca e aquele absorvido do ambiente são maiores que a capacidade do animal de perder calor. O bovino perde calor pela superfície da pele e pelo trato respiratório. Quando fica estressado por causa disso, o animal sofre alterações fisiológicas para diminuir o calor: fica ofegante e aumenta a frequência respiratória, a temperatura corporal, a ingestão de água, a salivação e a quantidade de suor.

A inserção das árvores no sistema de produção é um dos recursos que podem ser utilizados pelos produtores para diminuir as causas desse estresse térmico, já que além de bloquear a radiação solar, as árvores reduzem a temperatura e aumentam a umidade do ar.

 

Ilustração: Wellington Cavalcanti
Condições para ocorrência de estresse de calor e suas consequências

Quatro vezes mais embriões
Esse ambiente específico proporcionado pela sombra e a consequente diminuição da temperatura corporal dos animais impactou também na melhoria dos índices de reprodução dessas vacas em relação aos animais que estavam expostos ao sol. “Os animais que ficaram à sombra também produziram 16% mais folículos na superfície dos seus ovários, e 75% a mais de ovócitos totais foram recuperados pela aspiração folicular. O número de ovócitos viáveis aumentou em 81%, e o de embriões em quatro vezes. Consideramos uma diferença bastante importante”, afirma o pesquisador Carlos Frederico Martins.

Outro fator relevante identificado pelos especialistas foi que, com a sombra, o tempo de ruminação dos animais aumentou em 32%. Segundo Isabel Ferreira, essa elevação é desejável, pois quanto mais tempo o animal fica ruminando, mais ele divide as partículas de forragem e as deixam expostas para a fermentação animal. “Além disso, produzir mais saliva tem um efeito tampão no rúmen, o que favorece a digestão das fibras e disponibiliza mais nutrientes aos animais”, explica.

Árvores também beneficiam a pastagem
Os pesquisadores identificaram, ainda, que a qualidade da forragem também é impactada pela presença das árvores no pasto. A proteína bruta do capim no pasto com árvores foi 30% superior quando comparada à do capim do pasto solteiro, e a digestibilidade in vitro do capim sombreado foi 6% superior. Isso se deve principalmente, segundo os especialistas, à intensificação da degradação da matéria orgânica e da reciclagem de nitrogênio no solo sob influência do sombreamento e ao prolongamento do período juvenil da planta forrageira, o que permite maior tempo para a manutenção de níveis metabólicos mais elevados e, consequentemente, dos nutrientes disponíveis aos animais pelo pastejo.

Integração como alternativa sustentável de produção
Há alguns anos, a ideia de plantar árvores em áreas de pastagem poderia ser considerada fora de propósito. Atualmente, essa integração se mostra cada vez mais uma alternativa sustentável de produção agrícola. A adoção da tecnologia Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, em seus diferentes arranjos, cresce no Brasil cerca de 10% ao ano. Um dos benefícios do componente florestal no sistema ILPF, além da utilização da madeira para diversos fins, é oferecer conforto térmico aos animais devido à sombra proporcionada pelas árvores. De acordo com estudos conduzidos pela Embrapa, essa arborização produz diversos impactos positivos na produtividade dos animais.

Também participaram da pesquisa Álvaro Fonseca Neto, Artur Muller, Fernando Macena, Gustavo Braga, Heidi Cumpa, Juliana Caldas, Karina Pulrolnik, Roberto Guimarães e Sebastião Pedro, além da professora da UnB Concepta McManus.

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Juliana Caldas (MTb 4861/DF)
Embrapa Cerrados

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Rede ILPF realiza Dia de Campo em Curvelo, Minas Gerais – 05/03/2020

Conversão de pastagens degradadas em sistemas intensivos de produção agropecuária é o tema do Dia de Campo que acontecerá no dia 3 de abril, às 9 horas, na Unidade de Referência Tecnológica em Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), instalada na Fazenda Lagoa dos Currais, em Curvelo-MG.

O evento, organizado pela Embrapa, Rede ILPF e Fazenda Lagoa dos Currais, é direcionado a produtores rurais da região do Cerrado mineiro, a profissionais de assistência técnica e de vendas, estudantes e demais interessados.

Na ocasião, serão apresentadas alternativas tecnológicas e a viabilidade técnica e econômica de sistemas intensificados de produção (sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), implantados em áreas de pastagens degradadas na região Central de Minas.

De acordo com os organizadores, a necessidade de aprofundar conhecimentos no assunto é uma demanda de profissionais de assistência técnica da região, para que possam orientar nas técnicas adequadas os produtores rurais da atividade.

Esta iniciativa integra atividades do projeto “Estratégia ILPF para inovação agropecuária na região do Cerrado mineiro e áreas limítrofes”, da Embrapa Milho e Sorgo.

Sandra Brito (MTb 06230/MG)
Embrapa Milho e Sorgo
milho-e-sorgo.imprensa@embrapa.br
Telefone: (31) 3027-1223

Dia de campo no DF mostra Integração Lavoura-Pecuária-Floresta na pecuária leiteira – 06/03/2020

Vacas de raças leiteiras em sistema de ILPF

A Embrapa Cerrados vai apresentar, no dia 13 de março, conhecimentos e experiências com os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta na pecuária de leite, destacando resultados de pesquisas no Bioma Cerrado. Aberto ao público e com inscrições gratuitas, o III Dia de Campo sobre Sistemas de Integração Lavoura- Pecuária-Floresta (ILPF) na Pecuária Leiteira será realizado a partir das 8h30 no Centro de Tecnologias para Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL) da unidade de pesquisa, localizado no Gama (DF).

O evento contará com três estações técnicas apresentadas por pesquisadores da Embrapa e sobre os seguintes temas: “Estratégias de recomposição da vegetação nativa no Cerrado” (Lidiamar Albuquerque, Ana Maria Costa e José Felipe Ribeiro, da Embrapa Cerrados); “Indicadores de produtividade, reprodução e conforto térmico de bovinos leiteiros em sistema de ILPF” (Isabel Cristina Ferreira e Carlos Frederico Martins, da Embrapa Cerrados); e “Manejo silvicultural e produção madeireira em sistema de ILPF” (Abílio Rodrigues Pacheco, da Embrapa Florestas).

O Dia de Campo é uma realização da Embrapa Cerrados em parceria com a Associação Brasileira dos Criadores de ZEBU (ABCZ), a Associação dos Criadores de Zebu do Planalto (ACZP), da Emater-DF e da Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap), com apoio da Belgo Bekaert Arames.

O CTZL fica na Rodovia DF-180, Km 64, Ponte Alta, no Gama (DF). 

Localização pelo Google Maps: https://goo.gl/maps/GwGGHSW2KtLAvpun8

 

Programação – III Dia de Campo sobre Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) na Pecuária Leiteira

8h30 – Inscrições e abertura 
9h10 – Estação 1: Estratégias de recomposição da vegetação nativa no Cerrado
10h – Estação 2: Indicadores de produtividade, reprodução e conforto térmico de bovinos leiteiros em sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)
11h – Estação 3: Manejo silvicultural e produção madeireira em sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)
12h – Encerramento

Foto: Fabiano Bastos 

Breno Lobato (MTb 9417-MG)
Embrapa Cerrados

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