Metodologia seleciona árvores nativas para sistemas silvipastoris – 23/12/2019

Pesquisadores da Embrapa desenvolveram uma metodologia inovadora para a avaliação de espécies arbóreas de crescimento espontâneo em áreas de pastagem, com a adoção de critérios objetivos e atributos fáceis e rápidos de serem avaliados. O resultado foi publicado no livro Guia Arbopasto e embasou o aplicativo Arbopasto.

O método classifica e ranqueia espécies arbóreas com base em sua aptidão para produção de madeira e o fornecimento de serviços múltiplos em sistemas silvipastoris. Para a Amazônia, o sistema descreveu 51 espécies nativas com crescimento espontâneo nas pastagens.

A metodologia utilizada pelos pesquisadores pode ser facilmente replicada em diferentes regiões do País. “Há uma infinidade de espécies arbóreas nativas nos diferentes biomas brasileiros, muitas vezes são pouco conhecidas e estudadas, mas que podem apresentar um potencial para uso na arborização de pastagens. Onde houver árvore de regeneração natural em pastagem, a metodologia pode ser utilizada”, explica a pesquisadora da Embrapa Rondônia Ana Karina Salman.

Segundo ela, alguns grupos de pesquisa nas regiões Nordeste e Centro-Oeste do Brasil já manifestaram interesse em replicar a metodologia em outros biomas, como Caatinga e Cerrado. “Precisamos reconhecer que é preciso disponibilizar ferramentas que auxiliem outros pesquisadores nessa tarefa. Daí a importância dessa metodologia”, complementa Salman.

A arborização de pastagens, sistemas silvipastoris e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) são opções sustentáveis e cada vez mais presentes no dia a dia dos pecuaristas brasileiros. Mesmo com o importante papel das árvores como fornecedoras de produtos e serviços para a atividade pecuária, ainda há pouca informação sobre o uso de espécies arbóreas nativas da flora brasileira nesses sistemas.

Foco nas árvores nativas
Apesar da riqueza da flora arbórea brasileira, a maioria dos sistemas silvipastoris implantados no Brasil ainda utiliza espécies arbóreas exóticas. O desafio é identificar, caracterizar e domesticar as espécies nativas, tornando-as tão ou mais atrativas que as exóticas. O objetivo principal é que se tenha nas pastagens um número de árvores que garanta a sustentabilidade do sistema, com benefícios a todos os componentes ao longo dos anos e com práticas adequadas de manejo.

Para o pesquisador da Embrapa Acre Carlos Maurício de Andrade, a simples arborização de uma área de pastagem não deve ser confundida com um sistema silvipastoril. “No Brasil, a média de árvores em meio às forrageiras varia de 4% a 5%, quando se recomenda que a área de sombra gerada pelas copas das árvores seja de no mínimo 10% e não ultrapasse 40% ou 50% da área da pastagem, desde que as espécies usadas tenham arquitetura de copa adequada. Assim, é possível manter níveis satisfatórios de luz para o crescimento da pastagem, mantendo convivência positiva de árvores, animais e pastagem no sistema”, argumenta.

A metodologia
Dada a complexidade desses sistemas de integração, em que o componente arbóreo interage com o pasto, com os animais e, eventualmente, com culturas agrícolas, a metodologia utilizada pelos pesquisadores na Amazônia Ocidental brasileira classificou as espécies de acordo com um conjunto de 15 atributos específicos, levando em conta a importância para diferentes modalidades de sistemas.

Diferentemente dos demais, esse método tem critérios objetivos e padronizados para a seleção. É apropriado para ser utilizado como estratégia de pesquisa exploratória para definição das espécies arbóreas a serem testadas em ensaios de introdução e avaliação e em modelos de sistemas silvipastoris para ensaios de longa duração. Também pode ser aplicado na identificação de árvores ideais para compor diversas modalidades de sistemas silvipastoris, em diferentes regiões, desde que sejam seguidos os critérios definidos e as etapas necessárias.

Um dos primeiros passos da metodologia consiste na escolha do conjunto de espécies que serão avaliadas. Para isso, pode-se recorrer a bases de dados sobre as árvores nativas da região ou, preferencialmente, a estudos exploratórios que levantaram as espécies que ocorrem em pastagens cultivadas. Essa lista inicial deve ser considerada ponto de partida para os levantamentos de campo.

É importante a definição pelo grupo de trabalho das características que serão avaliadas. Elas devem estar relacionadas à facilidade de produção de mudas, velocidade de crescimento, resistência ao fogo e capacidade de regeneração natural em pastagens. E também à influência das árvores no crescimento do pasto sob as suas copas, com o aproveitamento de produtos das árvores, sejam frutos ou a madeira, e com o bem-estar animal.

A coleta de dados em campo deve ser realizada em propriedades rurais com pastagens com idade superior a dez anos e com bom grau de arborização. A presença de um mateiro (parataxonomista) experiente na equipe de campo é fundamental para assegurar a correta identificação das árvores a serem avaliadas, em tempo hábil.

Uma vez identificada pelo mateiro, a árvore deve ser georreferenciada com uso de aparelho GPS portátil e avaliada com relação a diversas variáveis. Além disso, é importante que cada árvore avaliada seja fotografada em detalhes. Essas imagens podem ser utilizadas em publicações sobre as espécies arbóreas estudadas e também são necessárias para conferir algum detalhe sobre a caracterização da espécie, confirmar a sua inclusão em determinada classe, ou assegurar que todas as árvores avaliadas pertencem à mesma espécie botânica.

Também devem ser feitas anotações sobre o estádio fenológico da árvore, incluindo floração, frutificação, presença de frutos maduros e perda de folhas parcial ou total. Informações úteis para o melhor conhecimento da espécie e sua futura multiplicação.

Os pesquisadores explicam que não basta identificar as características importantes e classificar as espécies com base nessas características. É necessário também encontrar uma maneira objetiva de ordená-las com base no seu grau de aptidão de uso em uma determinada modalidade de sistema silvipastoril. Uma forma de fazer isso é definindo a importância relativa de cada característica para a seleção. A equipe deve dar um peso para cada característica conforme sua importância.

Biodiversidade florestal pouco conhecida
O Brasil possui ampla e variada biodiversidade florestal e o conhecimento aliado à exploração racional e eficiente pode oferecer uma gama de possibilidades em cada região. As informações levantadas pela metodologia utilizada pelos pesquisadores abrem um leque de possibilidades, que vão desde a inovação no uso até o aprendizado da maneira mais adequada de manejo de espécies arbóreas nativas já conhecidas ou pouco estudadas.

Os pesquisadores alertam sobre a necessidade de mais estudos científicos sobre a susceptibilidade das espécies arbóreas nativas quanto ao ataque de pragas e doenças, sobre o potencial tóxico e forrageiro dos frutos produzidos, e sobre a velocidade de crescimento dessas espécies arbóreas, entre outros que possam ser úteis para a sustentabilidade do ecossistema aliada à produção agropecuária.

Foto: Carlos Maurício

Renata Silva (MTb 12361/MG)
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Alagoas investe em capacitação sobre ILPF para técnicos e extensionistas – 20/12/2019

 

Técnicos extensionistas de Alagoas começaram, agora em dezembro/2019, um treinamento para adoção do sistema de Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta em suas propriedades. A ideia é ampliar a área com sistemas silvipastoris (pecuária consorciada com plantios florestais) na Zona da Mata e na Zona do Agreste de Alagoas. O processo de capacitação continuada acontecerá em, pelo menos, sete módulos e,  e  além da parte teórica, prevê a instalação de áreas demonstrativas em propriedades rurais.

O primeiro módulo reuniu 34 participantes e teve como foco a conversão de pastagens em sistemas silvipastoris. “O componente arbóreo é um dos grandes diferenciais dos sistemas de integração. Além de proporcionar conforto térmico aos animais e gerar renda com a madeira, é o que mitiga o efeito das mudanças climáticas, com o sequestro de carbono. No entanto, é um componente que também necessita de planejamento e manejo adequados para que cumpra efetivamente seu objetivo”, explica Vanderley Porfírio-da-Silva, pesquisador da Embrapa Florestas e instrutor deste módulo.

O consultor Ademilson Neris dos Santos, da empresa Fazenda Eficiente, avalia que a realização do curso foi um marco importante na pecuária do estado, pois é algo inovador que pode gerar resultados acima da expectativa. “O conhecimento de novas tecnologias auxilia na melhor tomada de decisão dentro das empresas rurais. A partir da realização do curso, o sistema silvipastoril será uma das opções a serem consideradas quando da implantação de novos projetos ou até mesmo adequações de projetos já existentes”. 

Na parte teórica, os participantes tiveram contato com informações como usos e formas de sistemas silvipastoris, exemplos nas diferentes regiões do país, conversão de pastagem convencional em sistema silvipastoril, fundamentos do sistema, critérios para implantação e manejo das árvores. Na prática, os participantes elaboraram projetos para conversão de pastagem convencional em sistemas silvipastoris, focados nas realidades onde atuam, e agora vão a campo implantar os projetos. “Essa dinâmica pretende dar continuidade ao aprendizado de forma efetiva e também fomentar discussões baseadas na realidade nos próximos módulos”, afirma o pesquisador.

Para Diogo Lôbo, consultor em implantação de sistema de pastoreio Voisin e que trabalha com gestão e reprodução de pecuária de leite e corte em Alagoas, “o curso foi inovador. Foram muitas informações novas, desde a parte de conforto térmico dos animais quanto melhoria da produtividade de pasto, e possibilidade de aumento da rentabilidade por hectare ao ano”. 

Alberon Cabral Toledo, Diretor de Planejamento do Sindicato de Energia do Estado de Alagoas, explica que há uma mudança no estado do cultivo da cana de açúcar para a pecuária. Com isso, identificaram oportunidade para agregar o cultivo de eucalipto com a introdução dos sistemas silvipastoris. “A motivação é que também melhora a qualidade da pecuária e queremos fazer bem feito desde o começo, por isso o apoio e incentivo a esse trabalho com a Embrapa”, explica.

Lineu Domitt, pesquisador da Embrapa e um dos organizadores da capacitação continuada, acredita que a ampla parceria que se estabeleceu para a realização do projeto vai possibilitar um processo contínuo, com diversos módulos e fases. “O objetivo é termos técnicos muito capacitados, que possam atender a demanda dos produtores rurais que queiram implantar o silvipastoril, sejam com qual espécie for” à medida que os módulos da capacitação continuada evoluírem, podem acontecer novos arranjos e identificadas novas necessidades”.

A “Capacitação Continuada de Técnicos em ILPF nas Zonas da Mata e do Agreste – ILPF em Alagoas” é uma iniciativa da Embrapa, Sebrae e Federação das Indústrias do Estado de Alagoas e conta com a parceria nacional da Associação Rede ILPF e parceria local da Emater/AL; Seagri/AL; Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; DFA/AL; FAEAL; UFAL; IFAL e Banco do Nordeste e Banco do Brasil.
 

Foto: Vanderley Porfírio-da-Silva
Katia Pichelli (MTb 3594/PR)
Embrapa Florestas

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Rede ILPF lança prêmio de jornalismo – 20/12/2019

Jornalistas de todo o país já podem se inscrever no Prêmio Rede ILPF de Jornalismo. O edital foi lançado pela Associação Rede ILPF e contempla reportagens sobre o tema integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) publicadas entre 1º de julho de 2019 e 15 de maio de 2020.

Nesta primeira edição, o Prêmio terá cinco categorias: imprensa escrita; jornalismo em áudio; jornalismo audiovisual; fotojornalismo; e profissionais da Rede ILPF.

A categoria imprensa escrita contemplará trabalhos em texto escrito, veiculados em jornais, revistas ou sites. A categoria jornalismo em áudio contemplará rádio e podcasts. Na categoria jornalismo audiovisual poderão ser inscritas reportagens veiculadas em emissoras de televisão, web TV, plataformas de vídeo sob demanda e sites. Já a categoria fotojornalismo contemplará trabalhos fotográficos utilizados para ilustrar conteúdos jornalísticos em veículos impressos ou digitais.

A categoria profissionais da Rede ILPF será exclusiva para jornalistas das instituições associadas da Rede ILPF. Poderão ser inscritos trabalhos em texto, áudio ou vídeo.

De acordo com o edital, o Prêmio Rede ILPF de Jornalismo tem como objetivos “estimular, divulgar, apoiar, incentivar e prestigiar trabalhos jornalísticos sobre sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), bem como contribuir para o melhor entendimento pela sociedade rural e urbana e pelo poder público acerca da importância da ILPF para a intensificação sustentável da produção agropecuária brasileira, possibilitando produzir mais, poupando terras, reduzindo as emissões de gases causadores do efeito estufa, evitando desmatamento e conservando os recursos naturais”.

Inscrições

As inscrições para o Prêmio Rede ILPF de Jornalismo poderão ser feitas até o dia 15 de maio de 2020, no site www.ilpf.com.br, no menu “editais”. Os resultados serão divulgados em 10 de junho de 2020 e a entrega da premiação será durante o II Congresso Mundial de ILPF, em Campo Grande (MS), de 22 a 26 de junho de 2020.

Os vencedores de cada categoria receberão troféu, certificado e o direito a fazer uma press trip para uma das Unidades de Referência Tecnológica de ILPF apoiadas pela Rede ILPF, à livre escolha.

Temática

Poderão se inscrever no Prêmio Rede ILPF de Jornalismo as reportagens que tenham relação direta com os sistemas integrados de produção agropecuária, seja na modalidade ILP, ILF, IPF ou ILPF.

Podem ser abordadas as mais diversas questões como tecnologia, experiências exitosas, assistência técnica, mão-de-obra, manejo, linhas de crédito, infraestrutura, logística, benefícios da tecnologia, contribuições para produção sustentável, política pública, desafios para adoção da tecnologia e mercado.

Rede ILPF

A Rede ILPF é uma associação formada e co-financiada pelas empresas Bradesco, Ceptis, Cocamar, John Deere, Premix, Soesp, Syngenta e pela Embrapa. Foi iniciada em 2012 e tem o objetivo de acelerar uma ampla adoção das tecnologias de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) por produtores rurais como parte de um esforço visando a intensificação sustentável da agricultura brasileira

A Rede ILPF atualmente apoia uma rede com 16 Unidades de Referência Tecnológica (URT) e 12 Unidades de Referência Tecnológica e de Pesquisa (URTP), distribuídas entre os biomas brasileiros e envolvendo a participação de 22 Unidades de Pesquisa da Embrapa.

Foto: Gabriel Faria

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG)
Embrapa Agrossilvipastoril

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Oeste da Bahia terá zoneamento de risco climático para consórcio milho-braquiária – 19/12/2019

Fernando Macena explicou o funcionamento do ZARC para os participantes da reunião técnica

Os produtores do Oeste da Bahia poderão acessar o seguro agrícola para o consórcio milho-braquiária a partir da próxima safra. Com a implementação do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) esse arranjo poderá ser mais adotado na região.

Especialmente nessa área do estado, onde os solos são arenosos, a braquiária contribui muito para o desenvolvimento das lavouras, já que esse capim auxilia na construção do perfil do solo, ajudando na infiltração e no armazenamento de água no solo para os cultivos sucessivos, além de contribuir para o controle de doenças e de plantas daninhas. Seu consórcio com o milho garante melhor produtividade e maior sustentabilidade da produção agrícola.

O Zarc faz a análise de risco, considerando a variabilidade climática, as características do solo e a ecofisiologica da cultura, e indica a época mais adequada para o plantio. O zoneamento faz parte do Programa de Garantia de Atividade Agropecuária (Proagro), além de ser usado por várias instituições financeiras para a concessão do crédito rural.

A ferramenta foi construída a partir de modelos matemáticos com informações climáticas e dados gerados em áreas de pesquisa agrícola. Mas, para que ela seja realmente adequada à realidade da região, a Embrapa inclui a etapa de validação pelo setor produtivo.

Em Luís Eduardo Magalhães (BA), a reunião técnica realizada no dia 16, contou com a participação de cerca de 30 pessoas, entre produtores rurais, consultores, gestores públicos, representantes de bancos, cooperativas e do setor privado.

Foram feitas apresentações sobre gestão e manejo de lavouras de grãos frente às variações climáticas e da metodologia usada, além da demonstração do aplicativo móvel para celular Zarc Plantio Certo. 

Importantes contribuições surgiram durante as discussões, como a sugestão de aumentar a rede de estações meteorológicas com a incorporação de bases particulares credenciadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), já que são poucas as bases oficiais existentes na região. Dessa forma, haverá um aumento da base de dados para a construção dos mapas para os anos seguintes. 

Segundo o supervisor de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Sérgio Abud, é importante ouvir a opinião do produtor rural para conhecer a realidade em que eles trabalham, se os riscos que eles consideram são os mesmos identificados pela pesquisa. “A validação dá maior segurança para os coordenadores em relação aos dados que foram obtidos em áreas experimentais de pesquisa”, explica.

“O Zarc é resultado da antiga batalha do setor produtivo para reduzir o risco da atividade agrícola, e que só é possível com a interação entre os setores público e privado”, comentou o pesquisador Fernando Macena, acrescentando que uma das metas prioritárias do Programa Agir – Agro Gestão Integrada de Riscos (ProAgir), recém-lançado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), é a ampliação e o contínuo aprimoramento do método.

A equipe da Embrapa Cerrados também visitou algumas propriedades rurais da região para entender o momento pelo qual estão passando, de atraso no início das chuvas, e orientou os produtores sobre como a ferramenta pode ser usada para ajuda-los na escolha dos melhores períodos de plantio quando há pouca chuva, como vem ocorrendo nos últimos anos. 

O Zarc
Ferramenta tecnológica de análise de risco que considera a variabilidade climática, as características do solo e as características ecofisiológicas da cultura, o Zarc permite quantificar o risco para cada época de semeadura e para cada local, indicando a época mais adequada de plantio, além de contribuir para o aumento da produção e da produtividade agrícola, bem como para a racionalização do crédito agrícola, a redução de perdas, a proteção do solo e do meio ambiente.

Adotada como política pública desde 1996, a metodologia foi desenvolvida pela Embrapa, envolvendo atualmente 25 unidades de pesquisa e mais de 100 pesquisadores no aprimoramento e na atualização do modelo para mais de 40 culturas, com alcance de 24 Unidades da Federação. As recomendações geram portarias pelo Mapa, permitindo o acesso ao Proagro, ao Proagro Mais e à subvenção federal ao prêmio do seguro rural.

Para o pesquisador Fernando Macena, da Embrapa Cerrados, existe uma grande dificuldade para a construção do Zarc do consórcio milho-braquiária, pois se trata de sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), que pode ser implantado de diversas formas e com diferentes objetivos. “É difícil contemplar essa dinâmica. Há produtores que aplicam herbicida (para dessecar a braquiária), outros querem fazer pastagem. Por isso é complexo elaborar o Zarc para esse consórcio”, afirmou. 

Dos quase 15 milhões de hectares de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) no Brasil, de acordo com o Censo Agropecuário 2017 do IBGE, 83% representam sistemas de ILP como o consórcio milho-braquiária, que proporcionam diversos benefícios econômicos, como aumento da produção de grãos, carne e leite; sociais, como a geração de empregos; e ambientais, como a mitigação de gases efeito estufa, sequestro de carbono e a redução da pressão para a abertura de novas áreas.

Uma particularidade do consórcio é que ele consome mais água da chuva que a cultura solteira do milho, encurtando a janela de plantio. “Por outro lado, a braquiária, que não sofre tanto com os veranicos, prepara um perfil maior de exploração do solo, proporcionando mais água ao sistema. A planta que limita o sistema é o milho”, explicou o pesquisador.

O Zarc visa à indicação de datas ou períodos mais adequados de semeadura do milho consorciado com a braquiária por município, considerando a característica do clima, o tipo de solo e o ciclo da cultivar, de modo a evitar que adversidades climáticas coincidam com as fases mais sensíveis das culturas, minimizando perdas agrícolas.

São utilizados como parâmetros de entrada dados sobre clima (chuvas, evapotranspiração de referência, temperatura mínima a cada período de 10 dias), solo (profundidade efetiva do sistema radicular e capacidade de armazenamento de água) e da cultura do milho (ciclo, fases da planta, coeficiente de cultura para consumo de água e profundidade do sistema radicular). Esses parâmetros geram o Índice de Satisfação de Necessidade de Água (ISNA) para as fases críticas da cultura, que no caso do milho são a de plantio/emergência e de florescimento e frutificação. 

Para a indicação das datas de plantio em decêndios (períodos de 10 dias), a metodologia leva em conta o ciclo da cultura (precoce, médio ou tardio) e classifica os solos de acordo com a textura – arenosa (teor de argila entre 10% e 15% e baixa capacidade de retenção de água), média (15% a 35% de argila e média capacidade de retenção de água) ou argilosa (35% ou mais de argila e alta capacidade de retenção de água). 

Essas informações baseiam os mapas do Zarc, que apontam o risco climático do plantio/semeadura a cada decêndio nas diferentes regiões do País. O risco pode variar de 80% (oito anos de sucesso do plantio a cada 10 anos), 70% (sete anos de sucesso a cada 10 anos) ou 60% (seis anos de sucesso a cada 10 anos). “Não dizemos que o produtor não pode plantar fora dessas datas, estamos falando dos riscos”, esclareceu Macena.

Para o público presente, o pesquisador demonstrou o uso da ferramenta simulando os riscos  de plantio do milho safra e safrinha em consórcio com a braquiária em diferentes decêndios, considerando alguns ciclos (precoce e médio) e tipos de solos (médio e argiloso). Ele explicou que as séries de decêndios são atualizadas visando contemplar veranicos e eventos climáticos adversos como os fenômenos El Niño e La Niña, que produzem diferentes efeitos de acordo com a região do Brasil.

Facilidade à mão
O aplicativo móvel Zarc – Plantio Certo, disponível na loja de aplicativos da Embrapa, fornece as épocas “ideais” para o plantio de 43 culturas (por município, ciclo da planta e tipo de solo), a cultivar mais apropriada para determinado propósito (em 12 culturas) e as condições climáticas antes e durante a safra. Antes, era preciso acessar as tabelas divulgadas apenas nas portarias publicadas no Diário Oficial da União ou no site do Mapa. 

Segundo a pesquisadora da Embrapa Cerrados, Alexsandra Duarte, as informações do aplicativo são simples e palatáveis para facilitar a decisão do produtor. “A ideia é que seja um insumo tecnológico, servindo de orientação no momento de decidir qual pacote (tecnológico) utilizar”, disse. A pesquisadora demonstrou o uso do Zarc Plantio Certo com o plantio do milho em Brasília (DF), apontando as diversas variáveis informadas.

Zarc é validado para o DF e Entorno
Em reunião técnica realizada na Embrapa Cerrados no dia 4 de dezembro, cerca de 30 pesquisadores, técnicos, extensionistas, produtores rurais e representantes de cooperativas discutiram a validação do Zarc para o consórcio milho-braquiária para o Distrito Federal e Entorno. 

Ferramenta tecnológica de análise de risco que considera a variabilidade climática, as características do solo e as características ecofisiológicas da cultura, o Zarc permite quantificar o risco para cada época de semeadura e para cada local, indicando a época de plantio mais adequada, além de contribuir para o aumento da produção e da produtividade agrícola, bem como para a racionalização do crédito agrícola, a redução de perdas, a proteção do solo e do meio ambiente.

As informações servirão de base para um relatório que será elaborado pelos pesquisadores da área de agroclimatologia da Embrapa Cerrados e encaminhado ao Comitê Gestor do Zoneamento Agrícola de Risco Climático da Embrapa. O comitê fornecerá as informações ao Mapa para que seja publicada uma portaria disciplinando o Zarc para o consórcio milho-braquiária para o Distrito Federal e Entorno.

 
Foto: Breno Lobato 
Breno Lobato (MTb 9417-MG)
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Projeto ILP no Taim recupera 50% do campo nativo no entorno de reserva no RS – 19/12/2019

Produtores do entorno do Taim visitaram duas áreas comparativas para identificar a possibilidade de recuperação do campo nativo.

Manejo adequado recupera pastagem nativa com plantio de lavoura de arroz, em sistem a ILP. Projeto apresenta resultados de cinco anos de pesquisa na zona de amortecimento da Reserva Ecológica do Taim, no sul do estado do Rio Grande do Sul.

Durante a tarde de campo Integração Lavoura-Pecuária na Zona de Amortecimento do Taim, pesquisadores mostraram aos produtores ao entorno da Reserva Ecológica do Taim, como é possível fazer pecuária sustentável.

A atividade trouxe resultados comparativos entre duas áreas: uma com tecnologias de manejo de pastagem de primeiro ano, e outra, com tecnologias de manejo de pastagem entre quatro e cinco anos. As condições atuais do espaço demonstrativo, com maior tempo de instalação, realizadas na fazenda Santa Cândida, de propriedade de Cláudio Roberto da Silva, indicaram bons números de cobertura de pastagens e de produção animal.

Um dos grandes benefícios alcançados neste experimento de integração lavoura-pecuária, após um período da área destinada à cultura de arroz, foi a recuperação de mais de cinquenta por cento do campo nativo. Segundo o pesquisador Jamir Silva, o experimento chega ao seu objetivo principal fazer com que o solo esteja coberto, o que preconiza o sistema de ILP. “Saímos de uma lavoura de arroz, entramos com uma pastagem de inverno, manejada de forma ajustada a carga animal, entramos numa fase de ressemeadura, o que permitiu que o campo nativo recomeçasse a aparecer no segundo e terceiros anos do experiment, chegando até o quarto e quinto ano dessa forma, ou seja, ao encontrar um campo nativo fechado, recuperado”, explicou Silva.

Para o produtor parceiro Claudio Roberto da Silva a grande preocupação dos produtores era com a questão ambiental, por ser uma zona de amortecimento, era preciso fazer um trabalho diferente e com mais cuidados. “Chegamos a conclusão que a pior situação de avaliação de um solo é identificar pastagens comuns e degradadas, e desde que decidimos a implantar pastagens com adubação nós obtivemos um solo protegido com massa verde, o que nos permitiu alcançar o acordo que tínhamos entre nós produtores: produzir mais e preservar mais”, disse Claúdio.   

Assim como o produtor, a Estação Ecológica do Taim, através do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, parceiro envolvido neste projeto, vê as vantagens para toda uma região. No entedimento do chefe da Estação Ecológica do Taim/ICMBIO, Ronaldo Costa, esta atividade vem atender o que a Estação pretende para esse local. ” É um novo modelo de produção agropecuária de arroz e pecuária ao redor da Estação Ecológica do Taim mais sustentável, com mais cuidado em relação a diversidade do solo, fauna e flora, e principalmente, com o aumento da produtividade na atividade produtiva”, considerou Costa.

A tarde de campo foi realizada no dia 3 de dezembro, numa produção conjunta do projeto Integração Lavoura-Pecuária-Floresta da Embrapa, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente, Estação Ecológica do Taim, Emater/Rs-Ascar e Programa Juntos para Competir.
 

Foto: Cristiane Betemps
Cristiane Betemps (MTb 7418/RS)
Embrapa Clima Temperado

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Zarc para o consórcio milho-braquiária é apresentado em Minas Gerais – 20/12/2019

Fernando Macena explicou o uso do Zarc, simulando os riscos de plantio dos milhos safra e safrinha em consórcio com a braquiária em diferentes decêndios.

Pesquisadores da Embrapa realizam Reunião Técnica em Belo Horizonte-MG para apresentar e validar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) a ser utilizado para o consórcio milho-braquiária no Estado de Minas Gerais.

A solenidade aconteceu em Belo Horizonte na Superintendência Federal de Agricultura Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (SFA-MG) e contou com a presença de membros do Comitê Gestor do Plano ABC- Minas Gerais, representantes de produtores rurais, agentes financeiros e do chefe-adjunto de transferência de tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo, Lauro José Moreira Guimarães.

A metodologia Zarc foi apresentada pelo pesquisador Fernando Antônio Macena da Silva, da Embrapa Cerrados. “O Zarc é uma tecnologia desenvolvida pela Embrapa para auxiliar os produtores na escolha da melhor época de plantio e semeadura”, disse Macena. O método de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) foi desenvolvido pela Embrapa e por parceiros, e é aplicado no Brasil oficialmente desde 1996, por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) é uma ferramenta de análise de risco, que considera a variabilidade climática, características de solo e características ecofisiológicas da cultura. Também permite quantificar o risco para cada época de semeadura e para cada local.

Macena ressaltou que por ser um instrumento indireto de transferência de tecnologia, o Zarc tem grande potencial de expansão quando inclui aspectos regionalizados e outros sistemas de produção. “O Zarc contribui para o aumento da produtividade agrícola e para a racionalização do crédito agrícola, redução de perdas, proteção do solo e do meio ambiente”, disse.

Na reunião foram apresentados os dados pesquisados referentes ao consórcio milho-braquiária no Estado de Minas Gerais aos parceiros do grupo gestor. Neste sistema, o Zarc busca indicar datas ou períodos de semeadura do milho consorciado com a braquiária por município, considerando a característica do clima, o tipo de solo e ciclo da cultivar.  Desse modo, evita que adversidades climáticas coincidam com a fase mais sensível das culturas e minimiza as perdas agrícolas.

“A presença do grupo para validação dos dados é relevante para que juntos possamos sugerir as melhorias necessárias ao sistema. Com a experiência de campo que vocês têm em Minas Gerais, poderemos juntos concluir as informações, para que as portarias do Ministério da Agricultura sejam publicadas de forma mais assertiva. Este é um instrumento de política pública para fomentar o custeio agrícola. O produtor só tem acesso ao crédito rural se seguir as orientações dos Zarc. Por isso, é importante a participação de vocês para esta validação e orientações aos agricultores”, orientou Macena.

O pesquisador ressaltou também o conceito do sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), considerado para a pesquisa do Zarc. A ILPF pode ser utilizada em diferentes configurações, combinando-se dois ou três componentes em um sistema produtivo. Em pesquisa encomendada pela Rede de Fomento ILPF, realizada pelo Kleffmann Group, na safra 2015/2016 estimou-se que o Brasil conta com 11,5 milhões hectares com sistema integrados de produção agrícola, o que corresponde a 20% da área agrícola do País. E Minas Gerais tem 5,45% da área agrícola do estado utilizando ILPF, correspondente a 1.046.878 ha.

Metodologia do Zarc

Conforme cita o Mapa, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático foi usado pela primeira vez na safra 1996, para a cultura do trigo. Recebe revisão anual e é publicado na forma de portarias, no Diário Oficial da União e no site do ministério. Atualmente, os estudos de zoneamentos agrícolas de risco climático já contemplam 40 culturas, sendo 15 de ciclo anual e 24 permanentes, além do zoneamento para o consórcio de milho com braquiária, alcançando 24 Unidades da Federação. Para fazer jus ao Proagro, ao Proagro Mais e à subvenção federal ao prêmio do seguro rural, o produtor deve observar as recomendações desse pacote tecnológico. Além disso, alguns agentes financeiros já estão condicionando a concessão do crédito rural ao uso do zoneamento. 

Na atualidade, o Zarc é implementado anualmente por meio da seguinte estrutura: coordenação (Mapa); metodologia (Embrapa); e aplicação (Embrapa). Os usuários diretos são os produtores e os agentes vinculados ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária – Proagro, ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária da Agricultura Familiar – Proagro Mais, e as seguradoras.

São utilizados como parâmetros de entrada dados sobre clima (chuvas, evapotranspiração de referência, temperatura mínima a cada período de 10 dias), solo (profundidade efetiva do sistema radicular e capacidade de armazenamento de água) e da cultura do milho (ciclo, fases da planta, coeficiente de cultura para consumo de água e profundidade do sistema radicular). Esses parâmetros geram o Índice de Satisfação de Necessidade de Água (ISNA) para as fases críticas da cultura, que no caso do milho são a de plantio/emergência e de florescimento e frutificação.

Para a indicação das datas de plantio em decêndios (períodos de 10 dias), a metodologia leva em conta o ciclo da cultura (precoce, médio ou tardio) e classifica os solos de acordo com a textura – arenosa (teor de argila entre 10% e 15% e baixa capacidade de retenção de água), média (15% a 35% de argila e média capacidade de retenção de água) ou argilosa (35% ou mais de argila e alta capacidade de retenção de água).

Essas informações baseiam os mapas do Zarc, que apontam o risco climático do plantio/semeadura a cada decêndio nas diferentes regiões do País. O risco pode variar de 80% (oito anos de sucesso do plantio a cada 10 anos), 70% (sete anos de sucesso a cada 10 anos) ou 60% (seis anos de sucesso a cada 10 anos).

O pesquisador demonstrou o uso da ferramenta simulando os riscos de plantio dos milhos safra e safrinha em consórcio com a braquiária em diferentes decêndios, considerando alguns ciclos (precoce e médio) e tipos de solos (médio e argiloso). Macena explicou que as séries de decêndios são atualizadas visando contemplar veranicos e eventos climáticos adversos, como os fenômenos El Niño e La Niña, que produzem diferentes efeitos de acordo com a região do Brasil.

A metodologia desenvolvida pela Embrapa, tem sua aplicação coordenada pelo Ministério da Agricultura, por meio de Portarias que normatizam sua utilização pelos agricultores.  Após receber considerações e relatório do público presente, Fernando explicou que enviará o documento final, com as sugestões recebidas para o Comitê Gestor do Zoneamento Agrícola de Risco Climático da Embrapa. Em seguida, o documento final será encaminhado para o Mapa, que fará a publicação da portaria regulamentadora do Zarc.

Aplicativo Zarc – Plantio Certo

Após a apresentação do Zarc para o consórcio milho-braquiária para Minas Gerais, o pesquisador Miguel Marques Gontijo Neto apresentou o aplicativo Zarc – Plantio Certo, lançado recentemente pela Embrapa. O app recupera informações úteis para o gerenciamento da produção de culturas agrícolas.

O aplicativo móvel Plantio Certo foi desenvolvido para que o produtor possa acessar de forma prática dados do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), e verificar as melhores datas de plantio de 43 culturas no Brasil. Por meio de quatro variáveis: município, tipo de solo, cultura e ciclo da planta, o sistema apresenta a época do ano mais indicada para a semeadura e as taxas associadas de risco de perdas – até 20%, 30% e 40%.

Além de trazer as informações do Zarc, o aplicativo contempla dados disponibilizados pelo sistema Agritempo e pela plataforma AgroAPI Embrapa, oferecendo análises mais detalhadas sobre as condições de armazenamento de água no solo a partir da data de semeadura informada pelo usuário. Também é possível visualizar os dados sobre precipitação, número de dias sem chuvas e as temperaturas mínima e máxima, por decêndios. O aplicativo Zarc – Plantio Certo foi desenvolvido para o sistema operacional Android e está disponível gratuitamente na loja de aplicativos da Embrapa.

Para acessar o Aplicativo Zarc- Plantio Certo clique:
https://play.google.com/store/apps/details?id=embrapa.br.zonamento&hl=pt-BR
 

Foto: Sandra Brito
Sandra Brito (MTb 06230 MG)
Embrapa Milho e Sorgo

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Eucalipto cresce mais em sistemas ILPF comparado ao plantio em monocultura – 17/12/2019

Árvores no sistema ILPF promovem conforto térmico

A inserção de árvores nos sistemas integrados de produção agropecuária, como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), ainda encontra resistência por parte de alguns produtores. Cada vez mais, entretanto, dados de pesquisas mostram que, se bem manejado, o componente arbóreo gera ganhos produtivos e econômicos.

Pesquisa realizada na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT), em uma área de ILPF com Eucalyptus urograndis plantado em linhas triplas e renques distantes 30 metros, mostrou que nos cinco anos iniciais, as árvores no sistema integrado cresceram 18% a mais do que árvores plantadas em monocultura. As árvores da ILPF ganharam em média 3,8 cm/ano, enquanto aquelas em silvicultura solteira ganharam 3,2 cm/ano.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul Hélio Tonini, a diferença evidencia a maior competição por luz na monocultura. Embora o crescimento fosse distinto, não havia se verificado variação significativa no volume de madeira entre os indivíduos comparados.

O manejo das árvores, com a retirada das linhas laterais e manutenção da linha central, entretanto, mudou esse quadro. Em dois anos, o ganho em volume da área de ILPF com linha simples chegou a ser 54% maior do que na área com monocultura e 25% maior do que na área com renques de linhas triplas.

“Antes do desbaste (foto à direita) havia um efeito de competição muito grande. As linhas das bordas acabam suprimindo o crescimento da linha central. A média de crescimento do renque era alta, mas, se pegássemos somente a linha central, pensando em serraria, ela estava perdendo em crescimento. Quando fizemos o desbaste, convertendo de linhas triplas para simples, ele retomou o crescimento e isso possibilitou o ganho”, explica o pesquisador da Embrapa Maurel Behling.

As árvores suprimidas no decorrer do experimento foram utilizadas para produção de postes, outdoors e também como lenha. Em uma situação de fazenda, isso representa renda para o produtor antes mesmo do corte final da madeira.

Manejo beneficiou todos os componentes do sistema

Esse manejo das árvores suprimindo as linhas laterais do renque triplo também resultou em maior ganho para o sistema. Nos tratamentos em que havia lavoura, a soja chegou a ter perda de produtividade de 24% no quinto ano, quando comparada a uma lavoura solteira. Após o desbaste, porém, recuperou a produtividade, igualando à lavoura sem árvores. A pecuária também se beneficiou da maior entrada de luz para as pastagens, preservando a sombra para os animais. No sistema com árvore, o ganho de peso de novilhos nelore por hectare em um ano foi de 40 arrobas, cerca de 30% maior do que em um sistema sem árvores.

Behling explica que a decisão sobre o manejo das árvores deve ser tomada de acordo com a estratégia definida e com o propósito do uso da madeira.

“Se o objetivo é usar como biomassa, quanto menos intervenções, melhor, já que há um custo elevado de mão de obra para as podas e desramas. Agora, se o objetivo é ter madeira de qualidade para serraria, os manejos são necessários. Para isso, o valor agregado da madeira tem que compensar as despesas do produtor”, pondera.

“F” além do eucalipto

De acordo com dados da Associação Rede ILPF, dos 11,5 milhões de hectares com sistemas ILPF no Brasil na safra 2015/2016, somente 17% eram em configuração com árvores. O eucalipto ocupa a maior parte dessa área. Porém, não é a única espécie.

Pesquisas desenvolvidas pela Embrapa em seus campos experimentais e em áreas comerciais, as chamadas Unidades de Referência Tecnológica (URT), testam e validam o uso de outras espécies. Os resultados têm servido para comprovar a viabilidade de algumas delas, para gerar dúvidas sobre outras e também para descartar algumas.

Em Mato Grosso, uma espécie que tem se sobressaído é a teca (foto à esquerda). Com alto valor agregado, a árvore tem um cenário econômico favorável e boas características silviculturais.

“Assim como o eucalipto, a teca já tem seu manejo consolidado. Além disso, ela se adapta bem às condições climáticas e tem alto valor agregado, chegando a R$ 1.500/m³”, explica Behling.

O bom rendimento financeiro, entretanto, vem à custa de uma longa espera até a teca atingir ponto de corte. Em monocultivos, os primeiros cortes ocorrem com 20 a 25 anos. Na ILPF, no entanto, a tendência é de haver redução na espera em até cinco anos. Isso ocorre devido à menor competição por luz entre as árvores. A expectativa em algumas URTs de ILPF é de se fazer o corte aos 18 anos.

Uma desvantagem da teca é a perda de folhas no período seco em algumas regiões, reduzindo o conforto térmico para o gado.

“A desfolha varia de acordo com as características de solo e clima de cada local. Mas se o objetivo do produtor é ter conforto térmico para o gado, uma opção é fazer um consórcio, usando a teca com outras espécies”, argumenta o pesquisador da Embrapa.

Nas regiões Sul e Sudeste, espécies como a grevília, o pinus e a bracatinga têm se destacado no uso em sistemas integrados.

Na Região Norte, experiências com nativas, como o bordão-de-velho, mulateiro, taxi branco e cedro-doce, mostram que é possível usá-las tanto em plantios em renques quanto conduzindo a regeneração natural nas pastagens. Algumas delas são madeireiras, outras prestam serviços ao sistema. O bordão-de-velho é um exemplo. Como leguminosa, além de fornecer sombra, ele fixa nitrogênio no solo e suas vagens podem ser usadas na alimentação animal. O mesmo ocorre com a gliricídia, espécie muito utilizada em sistemas ILPF no Nordeste e que tem como principal função alimentar o gado.

A desvantagem de algumas espécies nativas é a lentidão no crescimento, o que exige em alguns casos de sistemas com pecuária que as mudas sejam protegidas com cerca, para evitar danos causados pelo gado.

O risco é que os animais predem o tronco das árvores ou mesmo as quebrem. A predação, inclusive, tem sido o maior entrave ao uso do mogno africano em ILPF. Os danos causados pelos dentes dos animais provocam deformações no tronco e prejudicam o crescimento.

 Algumas espécies frutíferas também têm se mostrado viáveis, principalmente para pequenos agricultores. Exemplos bem-sucedidos com o uso de pequizeiro, coqueiro, baru, guariroba, goiabeira e cajueiro mostram a versatilidade dos sistemas ILPF.

Baixa viabilidade

Outras espécies florestais como paricá (pinho-cuiabano) e pau-de-balsa (foto à direita) a até chegam a ter características desejáveis para a ILPF, como o rápido crescimento e interesse de mercado. Entretanto, por demandarem manejo de condução de copa e por terem baixo valor agregado, na maioria das vezes não são economicamente viáveis. O mesmo ocorre com o bapuruvu.

A acácia mangium também demanda manejo quando destinada à serraria. Porém, por ser uma leguminosa, é uma boa alterativa para solos arenosos. Além disso, é possível agregar uma renda extra com a produção de melato, um mel produzido por abelhas a partir da seiva secretada pelas árvores.

Já o mogno brasileiro e o cedro enfrentam problemas com pragas, como a broca do ponteiro (Hypsypyla grandella), que inviabilizam a utilização nos sistemas ILPF.

Configuração das árvores na ILPF
Além da escolha da espécie, um aspecto importante para a utilização de árvores em sistemas integrados é o planejamento da configuração. A primeira questão a se levar em conta é qual é o carro-chefe do sistema. As árvores, a pecuária ou a agricultura? A resposta a essa pergunta ajudará a pensar na quantidade de árvores usadas e também na orientação do plantio.

Em terrenos com declividade acima de 3%, os princípios da conservação do solo devem vir em primeiro lugar. Dessa forma o plantio deve ser feito em nível. Já em áreas planas, recomenda-se o plantio sentido leste-oeste.

“Esse é o sentido do movimento do sol, o que favorece a quantidade de radiação luminosa que entra e é distribuída nos espaços entre os renques. Dessa forma, ocorre um benefício às culturas intercalares, que passam a ter maior potencial fotossintético”, explica a pesquisadora da Embrapa Cerrados Karina Pulrolnik.

O espaçamento entre os renques geralmente é definido pelo maquinário utilizado na fazenda.

“O produtor deve verificar qual é a operação mais cara que ele faz na área. Se for a colheita, fazemos múltiplos da largura da colheitadeira. Se forem as pulverizações, utilizamos a barra do pulverizador como referência. Sempre lembrando de deixar de um metro a um metro e meio de margem em cada lateral para evitar danos às árvores e facilitar a manobra”, explica o pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril Flávio Wruck.

A escolha da configuração dos renques, se com linhas simples, duplas, triplas ou múltiplas, depende dos objetivos do produtor. Se ele tem a finalidade de produzir madeira para serraria, renques simples ou triplos são mais indicados. Se quiser produzir biomassa, duplos, triplos ou múltiplos podem ser a alternativa. No caso de renques triplos, somente a linha central será conduzida para serraria.

Behling explica que com linha simples tem-se a adição de renda, uma vez que as árvores ocupam apenas o espaço dos próprios troncos, representando cerca de 5% do total da área. Na medida em que se aumenta o número de linhas, há uma substituição de renda, uma vez que o espaço ocupado pelas árvores e pela projeção da sombra delas é maior.

“A melhor opção vai depender de um conjunto de fatores. Se tenho uma situação restritiva de logística e de mercado, a adição de renda será a melhor opção. Se eu tenho uma condição com logística favorável e uma grande demanda por biomassa, a substituição de renda passa a ser mais interessante para o produtor”, explica o cientista, lembrando ainda de aspectos decisivos, como a disponibilidade de mão de obra.

[zt_testimonial autoPlay=”yes” numSlides=”1″ paging=”yes” controls=”yes”][zt_testimonial_item bgColor=”#f6f6f6″ textColor=”#747474″ name=” ” company=” ” borderRadius=”4″]”Árvores trazem mais água e mitigam emissões
As vantagens da utilização das árvores em sistemas ILPF vão além dos ganhos diretos. Estudos mostram importantes benefícios para o meio ambiente, como a maior infiltração de água no solo e a mitigação das emissões de gases de efeito estufa. De acordo com medições feitas na Embrapa Agrossilvipastoril, enquanto na sucessão de soja na safra por milho com braquiária na safrinha o escoamento foi de 2,4% do total de precipitação, no sistema silviagrícola esse número foi de apenas 1,7%. Em um local onde chove cerca de 2.000 mm/ano, isso representa 14 litros a mais de água infiltrando por metro quadrado. Em um hectare, são mais 140 mil litros disponíveis para as plantas ou abastecendo o lençol freático. A absorção de CO2 no processo de fotossíntese e o acúmulo de carbono em sua biomassa fazem das árvores importantes compensadores nas emissões de gases causadores de efeito estufa em um sistema produtivo. De acordo com informações do programa da Embrapa Carne Carbono Neutro, um sistema ILPF ou IPF, com uso de pecuária de corte, com 227 árvores de eucalipto por hectare, é capaz de compensar as emissões de metano de 7,1 UA/ha/ano aos três anos de plantio das árvores e 10,8 UA/ha/ano aos seis anos. Em um sistema mais adensado, com 357 árvores por hectare, a compensação equivale a 12,8 e 17,5 UA/ha/ano, respectivamente. Como a capacidade de sequestro de carbono é maior do que o potencial de emissão de metano, esses sistemas são considerados mitigadores de emissões de gases causadores do efeito estufa e do aquecimento global.”[/zt_testimonial_item][/zt_testimonial]

 

Foto: Gabriel Faria

Gabriel Faria (MTb 15.624/MG)
Embrapa Agrossilvipastoril

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Mais informações sobre o tema
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Programa investirá R$ 7 milhões em inovação tecnológica para caprinocultura e ovinocultura no Semiárido – 12/12/2019

Pequenos produtores de caprinos e ovinos do Semiárido brasileiro terão, a partir de 2020, uma nova oportunidade de incremento às suas atividades. Nesta quarta-feira (11), foi assinado, em Brasília (DF), o Termo de Execução para implementação do programa Agroindústria AgroNordeste, com duração de dois anos, que destinará R$ 7 milhões para ações de incentivo à inovação tecnológica em regiões do Nordeste onde a produção de caprinos e ovinos é a principal fonte de renda. O documento foi assinado pela ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Tereza Cristina, pelo presidente da Embrapa, Celso Moretti, e pelo secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério, Fernando Schwanke.

O Agroindústria AgroNordeste será executado, de forma integrada, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Embrapa, com atuação nos polos produtivos de caprinos e ovinos da Bacia do Jacuípe (BA), Cariri Paraibano, Sertão de Pernambuco, Sertão dos Inhamuns (CE) e Vale do Itaim (PI). O objetivo é contribuir com soluções tecnológicas para superar desafios à produção sustentável de carne, leite e seus derivados, contribuindo para o aumento da renda nas regiões produtoras.

Além da atuação junto a propriedades rurais, o programa também contemplará o incentivo a agroindústrias, laticínios e cooperativas, beneficiando o setor produtivo de forma mais abrangente. “O programa está focado em fortalecer cooperativismo e associativismo nos territórios, tomando como referência exemplos já consolidados de produção e acesso ao mercado por parte de agroindústrias e produtores rurais. A ideia é levar a inovação tecnológica, em interação com assistência técnica e cooperativas, para alavancar esses ambientes de inovação”, destaca Marco Bomfim, chefe-geral da Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral,CE).

Entre as ações previstas para as regiões estão a implantação de estratégias para controle de parasitoses em caprinos e ovinos; a capacitação de 550 técnicos e produtores locais em temas como inseminação artificial de caprinos leiteiros, assessoramento nutricional e orçamentação forrageira; implantação de unidades com sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) para recuperação de áreas degradadas.

Os investimentos em infraestrutura nos cinco polos produtivos também garantirão um conjunto de serviços e de suporte laboratorial, como a realização de mais de 30 mil análises para mapeamento e controle de doenças; uma central de controle da qualidade do leite que dará suporte à certificação de produtos; um serviço de assessoramento nutricional para análise de alimentos e orientação na formulação de dietas para os rebanhos de pequenos ruminantes.

De acordo com Marco Bomfim, chefe-geral da Embrapa Caprinos, essa estrutura de serviços poderá garantir também um engajamento mais forte de técnicos extensionistas na construção de soluções para a atividade produtiva nas regiões. “A parceria com instituições de ensino nos territórios – universidades e institutos federais – vai estruturar serviços de apoio em que jovens técnicos poderão se envolver”, ressalta ele.

Segundo Marco, a articulação para a construção do Agroindústria AgroNordeste teve início durante a IX Semana da Caprinocultura e da Ovinocultura Brasileiras (SECOB), realizada em setembro deste ano em Sobral (CE), e contou com participação do diretor do Departamento de Estruturação Produtiva do Ministério, Avay Miranda Júnior e do secretário Fernando Schwanke. 

Para Schawnke, o desenvolvimento do semiárido passa pelo investimento na pecuária, principalmente na caprinocultura e na ovinocultura. Os recursos, de acordo com ele, serão importantes para aprimorar a produção na região e incrementar renda dos produtores. 

Agroindústria Agronordeste

O programa Agroindústria AgroNordeste prevê, em dois anos de atuação, atuar diretamente em quatro polos produtivos de cinco estados do Nordeste, abrangendo uma rota de apoio tecnológico de mais de 3.000 km, além da montagem de 20 Unidades de Referência Tecnológica. O projeto será coordenado pela Embrapa e terá como público-alvo pequenos agricultores familiares, buscando sinergia com outras políticas de apoio à atividade produtiva como o Programa AgroNordeste (MAPA), o Programa Rota do Cordeiro (Embrapa/Ministério do Desenvolvimento Regional) e o Programa InovaSocial (Embrapa/BNDES).

A partir dos estudos já realizados pela Embrapa, foram elencadas metas em seis áreas prioritárias: Controle e prevenção de doenças; Melhoramento Genético de caprinos e ovinos; Segurança alimentar dos rebanhos; Viabilidade econômica e gestão da propriedade; Agregação de valor a produtos cárneos e lácteos; Capacitação continuada e atualização tecnológica. As ações a serem desenvolvidas em cada microrregião foram baseadas nos desafios elencados;

O programa prevê também uma caravana tecnológica que percorrerá os polos de atuação do projeto, aproximando agentes de pesquisa, técnicos de extensão e produtores rurais, identificando questões que podem ser objetos de pesquisa na Embrapa e em outras instituições de C&T. Serão produzidos ainda, como apoio ao processo de inclusão tecnológica, vídeos tutoriais curtos e serão criados espaços virtuais (por meio de espaços de videoconferência), onde Embrapa, técnicos e produtores terão canal permanente de diálogo e intercâmbio de informações.

Com informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Foto: Jorge Duarte 
Adilson Nóbrega (MTB/CE 01269 JP)
Embrapa Caprinos e Ovinos

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Telefone: (88) 3112.7413

ZARC do consórcio milho-braquiária para o DF e Entorno é validado na Embrapa Cerrados – 09/12/2019

Fernando Macena explicou o funcionamento do ZARC para os participantes da reunião técnica

Em reunião técnica realizada na Embrapa Cerrados (DF) no dia 4 de dezembro, cerca de 30 pesquisadores, técnicos, extensionistas, produtores rurais e representantes de cooperativas discutiram a validação do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para o consórcio milho-braquiária para o Distrito Federal e Entorno.

Ferramenta tecnológica de análise de risco que considera a variabilidade climática, as características do solo e as características ecofisiológicas da cultura, o ZARC permite quantificar o risco para cada época de semeadura e para cada local, indicando a época mais adequada de plantio, além de contribuir para o aumento da produção e da produtividade agrícola, bem como para a racionalização do crédito agrícola, a redução de perdas, a proteção do solo e do meio ambiente.

Adotada como política pública desde 1996, a metodologia foi desenvolvida pela Embrapa, envolvendo atualmente 25 unidades de pesquisa e mais de 100 pesquisadores no aprimoramento e na atualização do ZARC para mais de 40 culturas, com alcance de 24 Unidades da Federação. As recomendações geram portarias pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), permitindo o acesso ao Proagro, ao Proagro Mais e à subvenção federal ao prêmio do seguro rural.

“O ZARC é resultado da antiga batalha do setor produtivo para reduzir o risco da atividade agrícola, e que só é possível com a interação entre os setores público e privado”, comentou o pesquisador Fernando Macena, acrescentando que uma das metas prioritárias do Programa Agir – Agro Gestão Integrada de Riscos (ProAgir), recém-lançado pelo MAPA, é a ampliação e o contínuo aprimoramento do método.

Metodologia

Ao apresentar a metodologia utilizada no ZARC para o consórcio milho-braquiária, Macena destacou a complexidade desse sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), que pode ser implantado de diversas formas e com diferentes objetivos. “É difícil contemplar essa dinâmica. Há produtores que aplicam herbicida (para dessecar a braquiária), outros querem fazer pastagem. Por isso é complexo elaborar o ZARC para esse consórcio”, afirmou. 

Dos quase 15 milhões de hectares de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) no Brasil, de acordo com o Censo Agropecuário 2017 do IBGE, 83% representam sistemas de ILP como o consórcio milho-braquiária, que proporcionam diversos benefícios econômicos, como aumento da produção de grãos, carne e leite; sociais, como a geração de empregos; e ambientais, como a mitigação de gases efeito estufa, sequestro de carbono e a redução da pressão para a abertura de novas áreas.

Uma particularidade do consórcio é que ele consome mais água da chuva que a cultura solteira do milho, encurtando a janela de plantio. “Por outro lado, a braquiária, que não sofre tanto com os veranicos, prepara um perfil maior de exploração do solo, proporcionando mais água ao sistema. A planta que limita o sistema é o milho”, explicou o pesquisador.

O ZARC para o consórcio milho-braquiária visa à indicação de datas ou períodos mais adequados de semeadura do milho consorciado com a braquiária por município, considerando a característica do clima, o tipo de solo e o ciclo da cultivar, de modo a evitar que adversidades climáticas coincidam com as fases mais sensíveis das culturas, minimizando perdas agrícolas.

São utilizados como parâmetros de entrada dados sobre clima (chuvas, evapotranspiração de referência, temperatura mínima a cada período de 10 dias), solo (profundidade efetiva do sistema radicular e capacidade de armazenamento de água) e da cultura do milho (ciclo, fases da planta, coeficiente de cultura para consumo de água e profundidade do sistema radicular). Esses parâmetros geram o Índice de Satisfação de Necessidade de Água (ISNA) para as fases críticas da cultura, que no caso do milho são a de plantio/emergência e de florescimento e frutificação. 

Para a indicação das datas de plantio em decêndios (períodos de 10 dias), a metodologia leva em conta o ciclo da cultura (precoce, médio ou tardio) e classifica os solos de acordo com a textura – arenosa (teor de argila entre 10% e 15% e baixa capacidade de retenção de água), média (15% a 35% de argila e média capacidade de retenção de água) ou argilosa (35% ou mais de argila e alta capacidade de retenção de água). 
Essas informações baseiam os mapas do ZARC, que apontam o risco climático do plantio/semeadura a cada decêndio nas diferentes regiões do País. O risco pode variar de 80% (oito anos de sucesso do plantio a cada 10 anos), 70% (sete anos de sucesso a cada 10 anos) ou 60% (seis anos de sucesso a cada 10 anos). “Não dizemos que o produtor não pode plantar fora dessas datas, estamos falando dos riscos”, esclareceu Macena.

O pesquisador demonstrou o uso da ferramenta simulando os riscos de plantio do milho safra e safrinha em consórcio com a braquiária em diferentes decêndios, considerando alguns ciclos (precoce e médio) e tipos de solos (médio e argiloso). Ele explicou que as séries de decêndios são atualizadas visando contemplar veranicos e eventos climáticos adversos como os fenômenos El Niño e La Niña, que produzem diferentes efeitos de acordo com a região do Brasil.

Aplicativo

A pesquisadora Alexsandra Duarte apresentou o aplicativo móvel ZARC – Plantio Certo, disponível na loja de aplicativos da Embrapa. Entre outras informações, o aplicativo fornece as épocas “ideais” para o plantio de 43 culturas (por município, ciclo da planta e tipo de solo), a cultivar mais apropriada para determinado propósito (em 12 culturas) e as condições climáticas antes e durante a safra.

Alexsandra destacou que as informações do aplicativo são simples e palatáveis para facilitar a decisão do produtor. “A ideia é que seja um insumo tecnológico, servindo de orientação no momento de decidir qual pacote (tecnológico) utilizar”, disse. A pesquisadora demonstrou o uso do ZARC Plantio Certo com o plantio do milho em Brasília (DF), apontando as diversas variáveis informadas.

Ao final da reunião técnica, os participantes relataram por escrito a situação dos riscos de plantio do consórcio milho-braquiária estipulados para a região, apontando possíveis ressalvas ao ZARC proposto. 

As informações servirão de base para um relatório que será elaborado pelos pesquisadores da área de agroclimatologia da Embrapa Cerrados e encaminhado ao Comitê Gestor do Zoneamento Agrícola de Risco Climático da Embrapa. O comitê fornecerá as informações ao MAPA para que seja publicada uma portaria disciplinando o ZARC para o consórcio milho-braquiária para o Distrito Federal e Entorno.

Como ação de continuidade, no dia 16 de dezembro, a Embrapa Cerrados realizará a reunião técnica de validação do consórcio milho-braquiária para o Oeste da Bahia em Luís Eduardo Magalhães (BA).
 

Foto: Breno Lobato
Breno Lobato (MTb 9417-MG)
Embrapa Cerrados

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brenolobato@gmail.com
Telefone: (61) 3388-9945

Seminário no Rio de Janeiro discute oportunidades e negócios em serviços ecossistêmicos – 03/12/2019

O “I Seminário Oportunidades e Negócios em Serviços Ecossistêmicos”, realizado na Casa Firjan, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 29/11, foi organizado em parceria entre a  Embrapa e o Fundo Amazônia/BNDES. O objetivo foi promover a interação de diferentes representantes de setores-chave para o desenvolvimento sustentável do País, visando a alavancar parcerias e negócios no tema serviços ecossistêmicos.

Cerca de 150 pessoas acompanharam as discussões, que foram divididas em quatro paineis. Em pauta, a relação dos serviços ecossistêmicos com as políticas públicas e com a rotina de grandes empresas, as oportunidades de negócios e projetos que despontam no Brasil e no mundo e as ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação que estão se destacando, especialmente no campo da agropecuária. 

Ao final do seminário houve o lançamento oficial do Marco Referencial em Serviços Ecossistêmicos, obra elaborada por pesquisadores de 13 unidades da Embrapa. O documento que vai nortear as ações referentes a serviços ambientais no Brasil, ajudando técnicos, produtores, cientistas e a sociedade em geral a compreender e aplicar os conceitos e termos dessa nova área. O livro já está disponível para download, nos formatos PDF e Epubsaiba mais aqui.

“Nosso desejo é que essa publicação consolide a importância dos serviços ecossistêmicos no meio rural como agregadores de valor à agropecuária, valorizando os produtos da sociobiodiversidade. É preciso também enaltecer o homem do campo como aliado da conservação da natureza e como o principal ator da adequação agroambiental da paisagem rural”, ressalta a pesquisadora da Embrapa Solos Rachel Prado, presidente do portfólio de serviços ambientais da Embrapa. 

Os serviços ecossistêmicos podem ser explicados como os benefícios da natureza, como oferta de água, fibras, alimentos, polinização, fertilidade do solo e outros. Esses serviços são vitais para o bem-estar humano e também para as atividades econômicas. “Sobretudo para a agricultura, que provê e demanda serviços ecossistêmicos, já que a degradação dos recursos naturais e o seu comprometimento não são externos aos sistemas de produção, mas afetam a própria sustentabilidade das atividades agropecuárias”, acrescenta o pesquisador da Embrapa Solos Rodrigo Ferraz. 

Participaram dos debates especialistas de organizações como Embrapa, Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), The Nature Conservancy, IBGE, Instituto Estadual do Ambiente (INEA/RJ), Fundação Getúlio Vargas (FGV), Firjan, Conselho Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Instituto de Manejo e Certificação Florestal e agrícola (IMAFLORA), re-Nature, Rede ILPF e Cocamar.

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Foto: Fernando Gregio

Fernando Gregio (MTb 42.280/SP)
Embrapa Solos

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