Integração Lavoura-Pecuária favorece recuperação de pastagens e produção de alimento em período de seca – 09/10/2019

Um dos objetivos do sistema ILP é agregar diversas tecnologias, de manejo cultural, de práticas pecuárias e de conservação do solo e da água, para que a propriedade tenha maior estabilidade de produção.

Na região Central de Minas Gerais, a atividade agropecuária convive com dois problemas climáticos que são determinantes no rendimento das lavouras e da pecuária. Um deles é a estação seca no outono e inverno, quando ocorre falta de forragem para os animais. Outro é o veranico durante a estação chuvosa, com duração e período de ocorrência incertos.

A questão é agravada quando as pastagens estão degradadas, apresentando baixa disponibilidade de forragem de alimentos para os animais durante todo o ano. Uma das alternativas tecnológicas que pode ser utilizada para minimizar estes problemas, de forma econômica, é a estratégia Integração Lavoura-Pecuária (ILP).

O Sistema ILP combina atividades agrícolas e pecuárias em uma mesma área de forma sustentável. Um dos objetivos é agregar diversas tecnologias, de manejo cultural, de práticas pecuárias e de conservação do solo e da água, para que a propriedade tenha maior estabilidade de produção.

Com o objetivo de obtenção de coeficientes técnicos e para demonstrar o potencial da ILP na região, foi implantada na Embrapa Milho e Sorgo, na safra 2005/06, uma Unidade de Referência Tecnológica e de Pesquisa (URTP). Esta unidade incorpora lavouras anuais e a recria e terminação de bovinos de corte. Parte dos resultados obtidos foram apresentados no dia de campo sobre ILP, em 2 de outubro de 2019, na URTP.

O pesquisador Miguel Marques Gontijo Neto, da Embrapa Milho e Sorgo, considera que a implantação de uma lavoura anual, como o milho e o sorgo, cultivada de forma consorciada com os capins, favorece a obtenção de uma grande produção de grãos ou de forragem na propriedade, que podem ser ensilados e conservados para o período da seca.

“Esta recuperação acontece porque a utilização de uma cultura de ciclo curto, milho, sorgo ou mesmo a soja, pode pagar, total ou parcialmente, os custos de correção da fertilidade do solo em uma safra. Assim, no caso de lavouras de milho ou de sorgo, conseguimos produzir forragens, um alimento para o rebanho, para o período de entressafras, além de  recuperar a pastagem degradada”, complementa.

O pesquisador ressalta que em um planejamento para implantação de um sistema ILP, após escolher as lavouras e os consórcios, as culturas precisam ser rotacionadas entre as glebas. “Então o primeiro passo é recuperar uma área com pastagem degradada com um ou dois anos de lavoura. Na sequência passa-se para outras áreas, rotacionando as lavouras entre as todas as áreas da fazenda. Esta estratégia permite a recuperação das pastagens de toda a propriedade”, diz.

Gontijo acrescenta que não existe um modelo ou um pacote tecnológico a ser adotado em todas as áreas/propriedades. O produtor rural vai adotar o sistema de acordo com seu interesse, capacidade de investimento e as condições locais de solo e clima. “De acordo com as características da propriedade é que será encontrada a melhor combinação de culturas mais adequadas e as áreas que serão cultivadas anualmente. A estratégia ILP não apresenta restrições quanto ao tamanho da área e nível tecnológico do produtor, sendo viável para pequenos, médios e grandes produtores”, afirma.

“As culturas mais utilizadas por pecuaristas para recuperação de pastagens tem sido o milho e o sorgo, em função, principalmente, da produção de forragem para alimentar seus animais na estação seca do ano. Entretanto, às vezes, em regiões com restrição hídrica mais severa, o milheto pode também ser uma alternativa interessante para a consorciação e produção de forragem em relação ao milho ou o sorgo”, orienta.

Sobressemeadura de capim na soja

Outra alternativa testada, neste ano, pelos pesquisadores, na URT de Integração Lavoura-Pecuária da Embrapa Milho e Sorgo, foi a sobressemeadura de capim na soja.

De acordo com o engenheiro agrônomo Samuel Campos Abreu, na região Central de Minas Gerais, eles têm trabalhado e obtido resultados satisfatórios quando utilizam a soja para recuperação da fertilidade do solo de regiões com restrição hídrica. “Isto porque a adequação de épocas de semeaduras da soja com ciclos de cultivares mais tardias está permitindo resistir (escapar) ao veranico tradicional do mês de janeiro”, explica.

“Assim, a soja consegue passar este período de veranico ainda no estádio vegetativo e, depois, quando as chuvas retornam em fevereiro ou março, a soja volta à sua capacidade de produção de vagens em boas produtividades. Já o milho, por sua vez, difere desta condição, pois, quando seu plantio coincide com o veranico do mês de janeiro, o enchimento de grãos fica comprometido e ocorre baixa produtividade. Por isso, a soja tem-se mostrado uma cultura bem interessante para a recuperação de pastagens e composição de sistemas ILP na região Central de Minas”, afirma.

“Uma questão relevante é que quando falamos de sorgo, de milho e de milheto estamos utilizando a consorciação destas lavouras com capim, no momento do plantio. Então é usado o plantio consorciado destas culturas anuais com capim. Já no tocante à soja, em algumas regiões, tem sido possível fazer a sobressemeadura do capim, em sulcos nas entrelinhas da soja, quando a cultura se encontra nos estádios vegetativos R5-R6, resultando na formação de uma pastagem na entressafra”, ressalta Abreu.
 
Sandra Brito (MG 06230 JP)
Embrapa Milho e Sorgo

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Sistemas integrados crescem como alternativa para intensificar produção e aumentar rentabilidade – 09/10/2019

Seminário debate conjuntura do sistema de Integração Lavoura-Pecuária na produção agropecuária mineira

Atualmente, ocorre a intensificação do uso da terra, principalmente por meio de sistemas integrados. Essa tendência foi foco de debates em seminário sobre a conjuntura do sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) na produção agropecuária mineira, realizado na Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG).

Wallisson Lara, analista de Agronegócios da Assessoria Técnica do Sistema Faemg, destacou a necessidade de aumento da produção de alimentos. “Em 2050, será preciso alimentar 9 bilhões de pessoas. Hoje, a população mundial é de 7,6 bilhões de habitantes. Para suprir a demanda populacional, será preciso aumentar a produção de alimentos de qualidade em 70% até 2050. Isso será possível com intensificação sustentável, que tem como um exemplo a Integração Lavoura-Pecuária”, explica Wallisson.

Segundo o analista, fundamentos que poderão ser chave do sucesso são: gestão, investimentos em tecnologias de ponta, organização de produtores e indústrias para aumentar a eficiência das cadeias produtivas.

Os números atuais já demonstram como a adoção de tecnologias garante retorno aos produtores. A pecuária de corte (recria e engorda) com aplicação crescente de tecnologia apresentou rentabilidade de 3,6% em 2018. Já a mesma atividade com baixa tecnologia teve um déficit de 0,2%.

Nesse sentido, o pesquisador Rubens Miranda, da Embrapa Milho e Sorgo, analisa que a pecuária extensiva não apresenta perspectivas para o futuro. “Há uma necessidade de maior eficiência, de intensificação da produção. A pecuária extensiva, com pastagens degradadas, não se sustenta”, avalia.

O pesquisador apresentou dados dos Censos Agropecuários que revelam mudanças na pecuária ao longo dos últimos anos. Houve, por exemplo, uma inversão nas taxas de utilização de pastagens naturais para pastagens plantadas. Em 1975, eram mais de 125 milhões de hectares de pastagens naturais contra 39 milhões de hectares de pastagens plantadas.  Em 2017, passou-se para mais de 111 milhões de hectares pastagens plantadas, enquanto as naturais caíram para 46 milhões de hectares.

Rubens comentou uma estimativa, publicada no portal Compre Rural, de que 60% dos pecuaristas em atividade vão desaparecer em 20 anos. E apresentou números que demonstram oportunidades desfavoráveis à pecuária extensiva. O arrendamento de terras nas principais regiões produtoras de soja tem valores atrativos, chegando ao preço de 24 sacas de 60 quilos de soja por hectare no Paraná. Nessas regiões, torna-se mais interessante para o produtor arrendar seu terreno do que manter a atividade pecuária.

“É improvável que a pecuária predominantemente extensiva no Brasil se aproxime do perfil da atividade praticada nos Estados Unidos nos próximos anos. Contudo, há uma clara tendência de intensificação do uso da terra, principalmente por meio de sistemas integrados”, avalia o pesquisador.

Nos últimos anos, houve um crescimento expressivo desses sistemas no país. A área com algum tipo de adoção de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) era de 1,87 milhões de hectares no ano de 2005 e chegou a 15 milhões de hectares em 2017.

Nesse cenário, dentre as possibilidades de configuração dos sistemas, entre os produtores cujo foco predominante é a pecuária, a ILP é a mais adotada, com 83%; ILPF tem 9% de adoção; Integração Pecuária-Floresta (IPF), 7%; e a Integração Lavoura-Floresta (ILF), 1%.

A pesquisadora Márcia Cristina Teixeira da Silveira, da Embrapa Pecuária Sul (Bagé-RS), demonstrou que é possível melhorar a eficiência da produção sem, necessariamente, aumentar custos. “O manejo adequado de pastagens permite um incremento de produção a partir de conhecimento. Podemos produzir muito mais do que estamos produzindo, sem gastar mais para isso”, explica.

Márcia demonstrou que o custo de forragem em pastejo equivale a um terço do custo de outras fontes de alimento, como silagem, feno e concentrado. E destacou que ações de manejo são relações de causa e efeito. “Por isso, não se pode trabalhar com tentativa e erro. É preciso entender e conhecer os fatores de implantação da área, como escolha de sementes, preparo do solo, cuidados no plantio, e também a forma de utilização da pastagem”, afirmou.

A pesquisadora explica que, pensando em adoção de estratégias simples, o uso do manejo por altura tem trazido bons resultados. É uma estratégia que visa respeitar o crescimento de plantas e possibilitar aos animais consumirem no melhor momento e em quantidade.

“A planta nem sempre responde a dias de descanso e ocupação fixos. Tem ritmo de crescimento variável, de acordo com região, fertilizantes, condições climáticas. Por isso, a entrada e a saída do gado não devem seguir intervalos fixos. O ajuste da carga de animais deve ser feito de acordo com altura mínima e máxima, seguindo as recomendações para cada espécie”, explica Márcia.

A pesquisadora demonstrou que a relação entre massa e altura permite trabalhar com a altura como um parâmetro seguro para manejo de pastagens, a fim de garantir forragem em quantidade e qualidade aos animais. Ela destaca que uma mesma planta forrageira com diferentes manejos pode ter melhor ou pior valor nutritivo. Além disso, é possível colocar o gado para melhorar o solo via manejo correto do pasto e animal.

Há recomendações técnicas para as diversas espécies de forrageiras. A pesquisadora cita como exemplo a publicação “Uso da altura para ajuste de carga em pastagens”, que traz medidas recomendadas para entrada e saída de animais em áreas com diferentes gramíneas.
 

Foto: Sandra Brito
Marina Torres (MTb 08577/MG)
Milho e Sorgo

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ILP e terminação em confinamento garantem eficiência na recria de bovinos de corte – 09/10/2019

Bovinos confinados na Embrapa Milho e Sorgo

Maior investimento na fase de recria e um planejamento adequado na terminação dos animais por meio do sistema de confinamento. Essas são as principais orientações de dois especialistas que acompanharam as fases de recria e terminação de bovinos no sistema de Integração Lavoura-Pecuária implantado na Embrapa Milho e Sorgo no período agrícola de 2018/2019. 

Durante dia de campo realizado na primeira semana de outubro, os resultados foram apresentados pelos zootecnistas Leandro Sâmia e Bárbara Rodrigues. “Por se tratar de uma fase que apresenta a maior duração na pecuária nacional, uma redução no tempo da recria pode potencializar o ganho de peso, diminuir a idade do abate e melhorar a qualidade da carne. Consequentemente o produtor terá maior giro de capital e mais eficiência no uso da terra”, descreve Leandro, que é professor de Veterinária na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Segundo ele, deve-se buscar sempre animais de maior valor comercial, como bovinos originários de cruzamento industrial entre as raças ½ Nelore e ½ Aberdeen Angus. “Os animais cruzados atingiram um ganho médio diário de 2 kg em 105 dias de confinamento ou sete arrobas nesse mesmo período. Já os animais Nelore alcançaram 1,5 kg por dia ou 5,3 arrobas”, mostra a zootecnista Bárbara Rodrigues, doutoranda da UFMG.

Na visão dos especialistas, o produtor deve levar em consideração que os animais de cruzamento industrial são mais exigentes em relação aos da raça Nelore quanto à alimentação. Em regime de confinamento, a dieta é composta por 80% de concentrado (composto por milho, soja e núcleo, sendo este último uma mistura de fontes proteicas, minerais, vitaminas e aditivos) e 20% de volumoso (silagem de sorgo). “Nesse sistema intensivo, os animais cruzados se sobressaem”, destaca Bárbara Rodrigues.

Ainda segundo ela, o confinamento é uma boa estratégia para o produtor que precisa “terminar” os animais e liberar as pastagens novamente para a fase de recria. “Deve ser bem planejado, levando em consideração seus custos antes da tomada de decisão, para que o investimento seja satisfatório”, pondera. O projeto conduzido na Embrapa Milho e Sorgo tem o objetivo de avaliar o desempenho produtivo e econômico de bovinos zebuínos e cruzados recriados em pastagem em sistema de Integração Lavoura-Pecuária e terminados em confinamento.

Entenda o processo

Os bezerros de sete meses de idade – raças Nelore e ½ Nelore e ½ Aberdeen Angus – entram no sistema no período da seca (junho/julho) para pastejarem em quatro glebas, que totalizam 22 hectares, onde é feita a rotação de cultivos na primavera-verão, com a utilização do sistema de plantio direto. A cada ano, são feitos os seguintes plantios: soja com sobressemeio de capim braquiária ruziziensis, milho consorciado com capim braquiária brizanta e sorgo forrageiro com capim mombaça. O capim mombaça constitui a pastagem de primavera-verão destinada aos animais na recria, sendo subdividida em cinco piquetes de 1,1 hectare cada, utilizados em sistema de pastejo rotacionado. 

Os bezerros ficam de julho até o início do período das águas nas glebas de braquiária e depois vão para os piquetes rotacionados de capim mombaça. Esse sistema suporta os animais até maio ou junho do ano seguinte, quando entram para o confinamento. A soja, o milho e o sorgo são usados como alimentos na fase de terminação, tanto como silagem quanto como grãos na elaboração de concentrado. O experimento já vem sendo conduzido há 14 anos por uma equipe coordenada pelo pesquisador Ramon Costa Alvarenga, da Embrapa Milho e Sorgo.

Pastagens em sistema de integração

O plantio das culturas em cada gleba é feito de forma rotacionada. Assim, na gleba onde foi plantada soja no ano anterior, será feita a lavoura de milho-capim. Onde foi milho com braquiária será sorgo com capim. Onde foi sorgo-mombaça será pastagem; e onde foi pastagem será soja. 

O sistema de rotação oferece vantagens tanto para a agricultura quanto para a pecuária. No caso das lavouras, a rotação e a sucessão com capim melhora a estrutura do solo, promove maior aproveitamento de nutrientes, inclusive a reciclagem, diminui a pressão de pragas e aumenta a matéria orgânica, a disponibilidade de água no terreno e a quantidade de palhada, indispensável ao sistema de plantio direto. 

Para a pecuária, os nutrientes residuais das fertilizações das lavouras possibilitam a produção de forragem, especialmente no período da seca, a recuperação da produtividade da pastagem e a economia na implantação das áreas de pastejo.

A ILP intensifica o uso da propriedade e reduz os custos de produção, além de aumentar a estabilidade de renda do produtor. “Mesmo com as condições de distribuição irregular de chuva na região, temos conseguido produções satisfatórias em sistema de sequeiro”, mostra o pesquisador Ramon Alvarenga, reforçando as vantagens do plantio direto e da integração.

Tendência no mercado brasileiro

O sistema intensivo de engorda atende ao mercado de carnes premium, em que é oferecido um animal com bom acabamento de carcaça e abatido precocemente. Se atendidas essas exigências, o produtor consegue um preço melhor pelo produto. A iniciativa é da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), sendo que protocolos de rastreabilidade com menção de raças bovinas nos rótulos conferem uma certificação ainda maior à carne, pois são informadas as garantias que serão repassadas ao serviço de inspeção.

As carnes premium são tendência no mercado brasileiro. Para abastecer esse setor, de acordo com o médico veterinário Fabiano Alvim, da empresa De Heus Animal Nutrition, que atua na promoção da cadeia produtiva da pecuária, é necessário investir em nutrição e genética, além de se buscar um manejo eficiente de pastagens, com técnicas de semiconfinamento ou confinamento. “Por melhor que seja o manejo da pastagem, o pecuarista não consegue abater esse boi com menos de três anos. É aí que entram essas duas ferramentas, de semiconfinamento ou confinamento. Dessa forma, conseguimos antecipar o abate dos animais, com maior peso, oferecer um rendimento de carcaça bem acima dos 50% e aumentar a eficiência do sistema”, explica o veterinário.
 

Foto: Guilherme Viana
Guilherme Viana (MG 06566 JP)
Embrapa Milho e Sorgo

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Simpósio apresenta estratégias e desafios em sistemas integrados de produção – 09/10/2019

Sistema de ILPF

Estão abertas as inscrições para o V Simpósio de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) do Estado de São Paulo. O evento, realizado pela Embrapa Pecuária Sudeste e pelo Grupo de Estudos Luiz de Queiroz (GELQ – Esalq/USP), ocorre nos dias 29 e 30 de novembro em São Carlos (SP).

São oferecidas 160 vagas. As inscrições podem ser feitas aqui.
O simpósio vai apresentar e discutir as principais metodologias, inovações e soluções da ILP e da ILPF para ampliar a adoção e promover o manejo adequado desses sistemas de produção.

No primeiro dia, os participantes vão receber informações sobre adoção de sistemas integrados no Brasil, ILPF nos solos arenosos do Oeste Paulista, estratégias e desafios para intensificação sustentável do uso do solo, conforto térmico de bovinos em pastagens arborizadas e sustentabilidade da pecuária com ILPF. No dia 30, pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste vão demonstrar na prática a intensificação sustentável em sistemas de ILPF.

Sistemas integrados

Reúnem na mesma área diversas culturas, como grãos, carne, leite, energia e madeira.

A ILPF proporciona bem-estar animal, diversifica a produção, melhora a renda do pecuarista e diminui riscos financeiros. Além disso, tem
potencial para recuperar áreas degradadas, reduzir a emissão de gases de efeito estufa e desenvolver pastagens com melhor qualidade.

Não existe um modelo único, por isso é importante que o produtor conheça as possibilidades e busque a melhor alternativa de acordo com seu perfil, potencial da região e demandas de mercado.

Atualmente, existem linhas de financiamento específicas para a adoção dos sistemas de integração, como do Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC). O Plano ABC incentiva a implantação de modelos agropecuários sustentáveis. Além de linhas de créditos, promove ações de capacitação de técnicos e produtores para a ampliação da integração.

Serviço

V Simpósio de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) do Estado de São Paulo
Vagas: 160
Data: 29 e 30 de novembro de 2019
Informações: pecuaria-sudeste.eventos@embrapa.br

29 de novembro
Embrapa Instrumentação – Rua XV de novembro, 1452 – Centro.
Horário: 8h às 18h.

30 de novembro
Embrapa Pecuária Sudeste – Rodovia Washington Luiz, km 234.
Horário: 8h às 12 horas.

 

Foto: Juliana Sussai
 
Gisele Rosso (MTb/3091/PR)
Embrapa Pecuária Sudeste

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Publicação da Embrapa mostra que soja brasileira tem tecnologia para aumento de produção sem pressão por áreas de florestas – 26/09/2019

A soja, um dos principais carros-chefes da economia brasileira, fator de desenvolvimento de várias regiões do país e fonte de proteína que serve de base para produção animal e alimentação humana, tem seu sistema de produção consolidado e claramente ancorado em tecnologias que permitem produzir com sustentabilidade, sem aumento de pressão sobre áreas de florestas, mesmo considerando os cenários de aumento de demanda do grão nos próximos anos.

A análise integra um estudo conduzido por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que discutiu as perspectivas de crescimento da produção brasileira de soja e os fatores que serão decisivos na evolução do atendimento às demandas internacionais. O estudo foi lançado nesta quarta-feira, 25 de setembro, pela Embrapa Soja, durante o seminário: “Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja”, realizado em Londrina-PR. 

Com o título “O aumento da produção brasileira de soja representa uma ameaça para a floresta amazônica?”, o estudo procurou analisar se as perspectivas de aumento de demanda global, especialmente decorrente da guerra comercial entre EUA e China, poderiam causar maior pressão sobre a floresta amazônica, como tem sido sugerido no ambiente internacional. “Apesar da extensão de área ocupada atualmente, em torno de 36 milhões de hectares, e das perspectivas de crescimento da demanda, o aumento da produção de soja é um dos grandes desafios para o país, o que vai requerer engajamento de toda a cadeia produtiva. O Brasil tem uma agenda clara de pesquisa para garantir o crescimento sustentável dessa produção, que vai ocorrer primariamente em áreas já ocupadas por pastagens, que serão liberadas pelo contínuo desenvolvimento dos parâmetros zootécnicos da produção animal e pelo aumento da produtividade dentro do próprio sistema de produção de soja”, explica José Renato Bouças Farias, chefe-geral da Embrapa Soja.  

“O Brasil tem mapeado sistematicamente e projetado vários cenários internacionais de demanda do mercado de soja para as próximas décadas e desenvolvido estratégias para alcançar esses cenários de uma maneira sustentável”, explica Décio Gazzoni, pesquisador da Embrapa Soja e um dos autores do estudo. “O cultivo da soja no bioma Amazônico está absolutamente fora de qualquer cenário de expansão do volume de soja produzido no país, não apenas pelas questões ambientais e restrições legais, mas também por questões econômicas, de logística, técnicas e financeiras”, aponta. Nem mesmo a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que provoca aumento da demanda da soja brasileira, afeta essa tendência. 

Na análise dos pesquisadores da Embrapa, não há razões para associar a guerra comercial EUA-China ao aumento de áreas de soja na região amazônica. Uma análise dos mecanismos de mercado mostra que os estoques de soja podem subir ou descer devido a razões de curto prazo ou estruturais, afetando os preços. “É importante identificar se um sinal de preço está ancorado em razões conjunturais ou estruturais. O que se observa em relação ao momento atual é que os países estão reorganizando seus fluxos de exportação. É um momento de reacomodação de mercado.  O sinal não envolve um novo patamar de demanda por si mesmo. Representa apenas a reorganização dos fluxos de exportação. No final, novos fluxos comerciais serão estabelecidos, com um rearranjo entre países exportadores e importadores”, explica Gazzoni. Se o Brasil quiser redirecionar suas exportações para a China, abre-se uma oportunidade de mercado com a UE, rapidamente capturada pelos EUA e isso não implica na abertura de novas áreas. Além disso, a China está reduzindo suas importações de soja, por várias razões, mas especialmente porque o país está enfrentando uma redução na produção de suínos devido a razões sanitárias.

Além de preservar e manter a floresta como patrimônio nacional, o Brasil detém domínio tecnológico para dobrar a produção atual nas áreas que já cultivam soja ou recuperando áreas de pastagens degradadas. “A tecnologia de produção de soja tropical é baseada no uso intensivo de tecnologias de produção. Os incrementos da produção brasileira nos últimos anos estão diretamente associados às novas recomendações de manejo da cultura, ao potencial genético de cultivares e às novas perspectivas abertas pela combinação de áreas de pastagens degradadas em sistemas mais eficientes por meio da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF)”, explica Alexandre Cattelan, pesquisador da Embrapa Soja, co-autor do trabalho. “O crescimento do volume de produção está muito mais baseado no incremento de produtividade do que no aumento da área plantada e seguirá assim: o produtor brasileiro vem aumentando a eficiência produtiva fazendo ajustes em seus sistemas de produção e conseguido melhores resultados.”, destaca.

O estudo mostrou que a cadeia de soja está bem organizada e em alto nível tecnológico, não havendo necessidade de expansão de áreas de cultivo de soja na Amazônia. Casos práticos, como o desafio de produtividade promovido pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), mostram produtores alcançando recordes de produtividade em áreas bem manejadas. Em 2016/17, o vencedor do desafio alcançou uma produtividade 117% superior à média nacional. O atual recorde de produtividade de soja é de 2015 e foi de 8.520 kg/ ha, um número muito expressivo e 185% superior à média nacional. “Esses dados mostram o enorme potencial de aumento da produção nacional dentro das áreas atuais de produção”, explica Gazzoni.

O estudo conduzido pelos pesquisadores da Embrapa também comparou dados de desmatamento na região amazônica e a expansão da área usada para produção de soja no período de 2005 a 2018. “Os dados mostram que, o crescimento da área de soja ocorreu ao mesmo tempo em que houve redução do desmatamento. Isso indica que a incorporação de novas áreas tem ocorrido principalmente em áreas de pastagem”, explica Cattelan. De acordo com os pesquisadores, além do país possuir uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo, a própria iniciativa privada estabeleceu rigorosos compromissos com a preservação do bioma amazônico. “A exploração dessas áreas para soja não são adequadas nem ambientalmente e nem economicamente. Produtores enfrentam dificuldades enormes desde a recepção de insumos até a comercialização da soja, onde as grandes traders não recebem a soja que não atende os parâmetros da moratória”, explica Gazzoni.

Além de olhar para cenários futuros, o estudo também mostrou que as tecnologias atualmente disponíveis já permitem o incremento da produtividade e favorecem a sustentabilidade dos sistemas de produção comerciais de soja. O estudo aponta que, nas últimas décadas, o Brasil basicamente incrementou sua produção agrícola de outras formas – e não pelo desmatamento – e esses fatores-chave seguirão como norteadores da expansão da produção nas próximas décadas. Entre os exemplos apontados pelo crescimento sustentável da produção estão as tecnologias que permitiram melhoria das pastagens pela inserção da agricultura na recuperação do solo, entre eles o iLPF, estimado em  11,5 Mha em 2016. Outra inovação da agricultura tropical foi o processo de intensificação agrícola, ou seja, o uso de dois, às vezes três, ciclos de cultivo por ano, na mesma área (safra e safrinha), o que implica reduzir a área necessária para a mesma produção agrícola, também chamado de “efeito poupa-terra”.

 “O Brasil é um exemplo de eficiência produtiva com preservação. O sistema de produção está ancorado em tecnologias que são ambientalmente favoráveis, como a fixação biológica do nitrogênio (que dispensa adubo nitrogenado e por isso diminui as emissões de gases de efeito estufa e a contaminação de lençóis freáticos com nitratos), o plantio direto (que conserva o solo, retém água e fixa carbono), técnicas de manejo integrado de pragas e doenças, que formam um conjunto de tecnologias que reduzem, inclusive, a emissão de carbono na atmosfera”, explica o pesquisador Marco Nogueira, também autor do estudo. 
A tecnologia de produção brasileira está entre as mais avançadas do mundo. A agricultura tropical é um desafio, pois ao contrário dos países de clima temperado, não ocorre a redução da pressão fitossanitária naturalmente provocada durante o inverno. “Por isso, o Brasil precisou criar sua própria tecnologia de produção, que o torna líder em sistemas de produção sustentável em regiões tropicais. A agricultura brasileira está fortemente ancorada em um sistema de pesquisa agrícola que gera ciência e conhecimento que orientam a expansão de forma eficiente e sustentável da produção brasileira. 

O estudo completo está disponível em português e em inglês no site da Embrapa Soja: www.embrapa.br/soja

Versão português: https://www.embrapa.br/soja/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1111915/o-aumento-da-producao-brasileira-de-soja-representa-uma-ameaca-para-a-floresta-amazonica

Versão inglês: https://www.embrapa.br/soja/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1111175/does-the-brazilian-soybean-production-increase-pose-a-threat-on-the-amazon-rainforest

 

Carina Rufino (MTB 3914-PR)
Embrapa Soja

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Maior publicação sobre ILPF é lançada no Brasil – 30/09/2019

E-book tem 50 capítulos, 170 autores (nacionais e internacionais), de instituições públicas e privadas, e quase 900 páginas.

Nas mais de 800 páginas, o leitor fará uma imersão nos conceitos dos sistemas de integração

A Embrapa disponibiliza a partir desta terça-feira, 1º de outubro, gratuitamente, o e-book “ILPF – inovação com integração de lavoura, pecuária e floresta”. A obra editada pelos pesquisadores Davi José Bungenstab, Roberto Giolo, Valdemir Laura, Luiz Carlos Balbino e André Dominghetti é a maior sobre o tema voltada à agricultura tropical. Ela conta com 50 capítulos, 170 autores (nacionais e internacionais), de instituições públicas e privadas, e em quase 900 páginas reúne o que há de mais atual em relação aos sistemas integrados de produção, de forma objetiva e abrangente.

“Procuramos apresentar um panorama para as condições brasileiras e iniciativas internacionais relacionadas. A iniciativa nacional de incentivo aos sistemas de integração só é possível neste País, com maior eficiência de uso da terra e de recursos, e com a possibilidade de produzir até três safras ao ano”, afirma Roberto Giolo, um dos editores técnicos. A Empresa brasileira, por sua vez, é uma das pioneiras na tecnologia de sistemas integrados, sendo que o contexto de sustentabilidade agropecuária sempre esteve no escopo de seus projetos em quatro décadas. “Muitas vezes isolado, mas aos poucos se percebeu que esse contexto holístico é cada vez  mais necessário e, gradativamente, alinhamos tantas tecnologias a essa visão”, complementa Balbino, pesquisador com 25 anos de experiência no assunto.  

O esforço dos especialistas é uma prova de que a agricultura tem que se adaptar aos territórios, as adversidades climáticas, geográficas, sociais, gerar qualidade de vida, suprir necessidades nutricionais e ofertar experiência tanto pelo aspecto alimentar quanto pelo prazer do alimento. “Mas, sobretudo promover sustentabilidade: poupando terra, estocando carbono, conservando e produzindo água e ofertando serviços ambientais e os sistemas integrados possuem tais características e contribuem com benefícios para além da produtividade e da produção”, enfatiza o diretor de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Cleber Oliveira Soares. Ele reforça que a sustentabilidade será a moeda do futuro e as instituições serão cobradas pelo consumidor e pela sociedade em gerar ativos tecnológicos sustentáveis.

Secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Ministério da Agricultura, Pecuária de Abastecimento (MAPA), Fernando Silveira Camargo frisa ainda que o desenvolvimento tecnológico depende da inovação e essa, para ser efetiva e duradoura, precisa ser embasada em conhecimento sólido e comprovado. Para Camargo, a publicação além de estar nesse contexto, demonstra o esforço contínuo e conjunto dos cientistas.

 

Publicação
A primeira versão do livro foi em 2011. Devido à procura, a segunda edição ampliada já foi lançada em 2012 e, em 2014, chegou a versão em inglês. Nas mais de 800 páginas, o leitor fará uma imersão nos conceitos dos sistemas de integração, com os recentes resultados de pesquisa, obtidos em experimentos a campo.

A primeira parte do livro levanta temas estratégicos sobre o agronegócio, a contribuição para a neutralização de carbono, a intensificação e o papel dos sistemas integrados. A segunda engloba os diversos componentes do sistema e seus impactos na melhoria do processo produtivo. “É uma abordagem prática, que vai de instruções de como estabelecer árvores a sugestão de métodos para realizar a análise financeira e planejamento de fluxo de caixa”, observa o editor Davi Bungenstab. 

Já a terceira parte apresenta os sistemas nos principais Biomas brasileiros, com casos de sucesso e participação de produtores rurais inovadores, de todas as escalas de produção. Por fim, o último bloco traz o potencial desses modelos na África, na Europa e América do Sul.

Entre produção, edição e finalização, foram doze meses de dedicação, que envolveram as equipes da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS), Acre (Rio Branco-AC) e Amazônia Oriental (Belém-PA). 

Balbino lembra que para ampliar a adoção dessas tecnologias as parcerias público-privada e público-pública, como universidades e órgãos estaduais de pesquisa, são fundamentais. A publicação, em si, traz isso como pode ser utilizada em capacitações. Ela agregou especialistas de entidades como Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais, Universidade Federal da Grande Dourados (MS), Universidade Estadual de Goiás, Universidade Federal de Viçosa, Universidade de Boston (EUA), Universidade de Hohenheim (Alemanha), Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Humboldt-Universität zu Berlin (Alemanha), Universidade de Extremadura (Espanha), Integrated Crop-Livestock Systems Network of the Global Research Alliance, Faculdade de Ciências Agronômicas (Unesp-SP), dentre outras. 

“Trabalhar a adoção passa por fazer a tecnologia conhecida e vale ressaltar que esta não é a versão final do livro, ainda temos resultados a trazer nos próximos anos”, assinala o engenheiro agrônomo.

 

Destaques

Ao trazer para as páginas do E-book os modelos de outros países, os autores querem abrir o setor produtivo e a pesquisa às oportunidades existentes. Na Península Ibérica, por exemplo, as alterações climáticas afetarão tanto os sistemas florestais como agrícolas é o que afirma a pesquisadora do Instituto Politécnico de Bragança (Portugal), Marina Castro. Sendo assim, a implementação dos sistemas de integração, conhecido há mais de 20 anos na região, “otimizará o uso de recursos, tornando-se uma ferramenta eficiente e inovadora devido ao conjunto de respostas associadas à sustentabilidade que permite”.

A zootecnista comenta que os países mediterrâneos encaram os incêndios florestais com certa frequência, por razões naturais, como presença de vegetação inflamável; socioeconômicas, como o êxodo rural; e as mudanças climáticas, propriamente ditas. Os modelos integrados tendem a reduzir a combustão e para ela é preciso mostrar aos produtores florestais que o pastoreio de seus bosques é positivo, pois reduz riscos e ameaças ao rendimento da atividade. Entretanto, de acordo com Rosa Mosquera, professora da Universidade de Santiago de Compostela e ex-presidente da Federação Europeia de Sistemas Agroflorestais, a adoção não é fácil. Pesquisa da AFINET (Agroforestry Innovation Network), com mais de 300 agricultores em toda Europa, revelou que os maiores obstáculos para a implantação, segundo eles, são recursos financeiros, políticas públicas, capacitação e suporte técnico. 

Já a Colômbia, com grande variedade de zonas climáticas, tem investido nos últimos anos nos sistemas silvipastoris para pecuária de corte e/ou leiteira, segundo o pesquisador Luis Alfonso Valderrama da Universidade Nacional da Colômbia. Apesar da carência de informações técnicas de longo prazo, o zootecnista acredita que os estudos recentes permitirão aumentar e melhorar o conhecimento sobre as interações entre os componentes arbóreo-pastagem-solo-animal. 

Outro destaque na obra é em relação à dinâmica da água. Avaliações nos campos experimentais da Embrapa em Campo Grande (MS) tiveram como objetivo analisar a dinâmica espacial e temporal da água no solo de um sistema de ILPF de 7-8 anos. O sistema estudado mostrou sazonalidade distinta induzida pelas estações seca e chuvosa e a equipe da Universidade de Hohenheim (Alemanha) frisa que o trabalho mostrou a complexidade da atividade, o que exigirá análises profundas para se obter um cenário dessa dinâmica e preencher lacunas ainda existentes. 

Por último, a obra mostra a ascensão de marcas-conceito, como Carne Carbono Neutro (CCN), que futuramente se tornará Plataforma de Pecuária de Baixo Carbono. Os protocolos de certificação brasileiros, ativos desses conceitos, se tornarão marca registrada do produto nacional. 

 

Lançamento

O e-book “ILPF – inovação com integração de lavoura, pecuária e floresta” será lançado durante o Congresso Mundial da IUFRO (International Union of Forest Research Organizations) no dia 1º de outubro, no Side Events ILPF, no Small Theater. O Congresso acontece em Curitiba (PR) até o dia 5 e é coordenado pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e Embrapa.

 

Acesso

E-book “LPF – inovação com integração de lavoura, pecuária e floresta” disponível para download aqui.

 

Foto: Capa: Vítor Lobo

Colaboração: 

Gabriel Faria (MTB 15.624 MG JP), agrossilvipastoril.imprensa@embrapa.br
Embrapa Agrossilvipastoril

 
 
Dalízia Montenário de Aguiar (MTb 28/03/14/MS)
Embrapa Gado de Corte

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Embrapa investe em tecnologia para levar mais produtividade ao campo – 05/10/2019

Para trazer mais agilidade ao produtores e aumentar a produtividade, a Embrapa vem criando tecnologias que facilitam o planejamento e a tomada de decisão. Um exemplo são os softwares da família SIS, que são usados em larga escala em plantios florestais homogêneos e são disponibilizados gratuitamente no site do órgão. Em média, a Embrapa Florestas registra de 200 a 300 downloads por mês, por empresas brasileiras e do exterior e um público variado, formado por estudantes, engenheiros agrônomos, florestais e ambientais, consultores, pesquisadores e diretores ligados ao ramo florestal.

Segundo Edilson Batista de Oliveira, pesquisador da Embrapa Florestas, os softwares são bastante populares e têm uma série de aplicações, como avaliação técnica e econômica, certificação, carbono, ILPF, inventário florestal, manejo integrado de pragas, manejo florestal sustentável e planejamento florestal. Também servem para simular, por exemplo, crescimento e produção anual sem desbaste e com desbastes. Eles são utilizados para fazer simulações para manejo florestal de precisão.

“Antes, não se sabia o que poderíamos ter de resposta com um determinado tipo de manejo. Mas, agora, o programa dá o sortimento da madeira com base em tudo o que é colhido. Basta colocar dados do inventário e manejo e o programa gera diversas tabelas, entre elas a de sortimento, por classe de diâmetro”, explicou.

Dentro da tecnologia, disponível para inúmeras espécies, é possível encontrar diversos itens, como manual, análise econômica, sistema de produção e renda, equações para sortimento, vídeo e explicações sobre os softwares. Além disso, foram acrescentados diagramas de manejo por densidade, com a contribuição de uma turma da Universidade de Santa Maria. Assim, pode-se obter uma faixa que mostra o máximo que é recomendável para ter um povoamento para fazer desbaste e também o mínimo, isso em função de buscar um manejo priorizando a produção de toras pra finalidade industrial ou serraria.

Outra ferramenta disponível é o SATVeg (Sistema de Análise Temporal da Vegetação), também de uso gratuito, destinado à observação e análise de perfis temporais de índices vegetativos (NDVI e EVI), que expressam as variações da biomassa vegetal na superfície terrestre ao longo do tempo, oferecendo apoio a atividades de monitoramento agrícola e ambiental. Os índices gerados permitem ao usuário observar o comportamento da vegetação na superfície terrestre ao longo do tempo. O SATVeg fornece apoio na identificação do uso e cobertura da terra, bem como suas transições ao longo do tempo. “Esses índices auxiliam o governo com relação à legislação ambiental, como por exemplo no acompanhamento do reflorestamento pelo Novo Código Florestal”, destacou Vinícius Kuromoto, analista de transferência de tecnologia da Embrapa Informática Agropecuária.  

Ainda segundo Kuromoto, também foi criado, em uma parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Ministério do Meio Ambiente, o GeoPortal TerraClass, um ambiente virtual que organiza informações de uma série de mapeamentos realizados pelo projeto de pesquisa TerraClass nas áreas desmatadas do bioma Amazônia. Com a ferramenta, é possível identificar e analisar as dinâmicas do uso da terra na região, permitindo, de maneira rápida, compreender os principais fatores que determinam as mudanças naquele bioma, trazendo maior clareza à criação e execução de políticas públicas voltadas à região.

“Dentro do GeoPortal Terraclass, existe o serviço chamado Webgis Terraclass, que é um sistema que permite ao usuário visualizar e manipular mapas da série histórica do projeto Terraclass de maneira interativa, rápida e fácil”, complementou.

Com relação à arborização de pastagem, a Embrapa, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), desenvolveu o Arbopasto, um aplicativo que auxilia o produtor a escolher as espécies de árvore mais adequadas a cada pastagem. A tecnologia disponibiliza informações de 51 espécies arbóreas nativas da Amazônia Ocidental de forma rápida, por meio de uma série de funcionalidades, como filtros de busca para a procura por espécies considerando suas principais características. A ferramenta está disponível no GooglePlay, para dispositivos que operam com Android, e também pode ser acessado na internet por celulares, tablets, computadores e até Smart TVs com qualquer sistema. Ana Karina Salman, pesquisadora da Embrapa Rondônia, disse que “o Arbopasto é uma ferramenta indispensável para técnicos e produtores rurais planejarem a introdução do componente arbóreo em área de pastagem com as espécies mais adequadas”.

No campo da erva-mate, existem três aplicativos disponíveis: o Planin-Matte, que faz análise econômica dos plantios no Sul do Brasil; o Manejo-Matte, que tem a função de realizar diagnósticos de ervais plantados e sugerir melhorias no manejo; e o Ferti-Matte, que, a partir das informações da análise do solo adicionadas à ferramenta, faz a interpretação dos dados e entrega um cálculo sobre a recomendação dos macro nutrientes que determinado plantio necessita.  

De acordo com Ives Goulart, engenheiro agrônomo do setor de Inovação da Embrapa, no Planin-Matte, o técnico ou o produtor vão ao campo, analisam o talhão e respondem a perguntas práticas e objetivas sobre aquele talhão. A partir daí, o aplicativo processa os dados e prepara um diagnóstico, apontando quais são as melhorias que o produtor pode fazer no talhão. “Com esses aplicativos voltados para a erva-mate, o produtor consegue fazer toda a gestão dos plantios, ganhando tempo e aumento de produtividade”, garantiu Goulart.   

Confira os softwares disponíveis em http://www.cnpf.embrapa.br/software/

Acesse o SATVeg em https://www.satveg.cnptia.embrapa.br/

Conheça o GeoPortal TerraClass em https://www.terraclass.gov.br

Saiba mais sobre o Planin-Matte, Manejo-Matte e o Ferti-Matte em https://www.embrapa.br/en/florestas/transferencia-de-tecnologia/erva-mate/aplicativos

 

Pré-lançamento do livro sobre os 40 anos de pesquisa com eucalipto pela Embrapa Florestas acontece na IUFRO 2019 – 05/10/2019

Na sexta-feira (04/10), dentro da programação do XXV Congresso Mundial da IUFRO, a Embrapa Florestas vai realizar o pré-lançamento do livro “O eucalipto e a Embrapa: 40 anos de pesquisa e desenvolvimento”, para evidenciar o enorme potencial de retorno de investimentos financeiros em pesquisas que permitem gerar tecnologias para o uso sustentável da terra. O pré-lançamento será no Espaço Brasil, às 13h20.

A publicação, organizada pelos pesquisadores da Embrapa Florestas Edilson Batista de Oliveira e José Elidney Pinto Júnior, relata os 40 anos de esforços do órgão no processo de construção e oferta de conhecimento sobre o uso de espécies de eucaliptos e corímbias em plantios para fins comerciais e ambientais, além de seus benefícios sociais.

São mais de 30 capítulos, com muitas ilustrações gráficas e estatísticas, e cada capítulo apresenta uma síntese de atividades e ações desenvolvidas, com os resultados e inovações da pesquisa da Embrapa Florestas e de seus parceiros, bem como detalhes sobre novas tecnologias. Nas mais de 800 páginas, com assuntos variados e de grande atualidade para ajudar nas atividades profissionais, a publicação destaca, entre outras coisas, a estruturação da Embrapa para a pesquisa florestal e os inúmeros temas estudados, como produção de sementes e mudas, reintrodução do eucalipto no Brasil, softwares para manejo de precisão de eucaliptos em monocultivo, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e serviços ecossistêmicos do eucalipto. Além disso, o livro também mostra os avanços nas aplicações operacionais da análise genômica relacionados com eucaliptos e aborda as mudanças climáticas, emissões de gases de efeito estufa e as suas interações com cultura do eucalipto.

“Trata-se de uma excelente ferramenta para balizar o trabalho dos profissionais do setor florestal e serve também para mostrar que vale a pena investir na pesquisa florestal, pois a publicação mostra resultados concretos e significativos, como o fato de que de que as produtividades de plantios comerciais de eucaliptos no Brasil são as maiores do mundo, superando 40 metros cúbicos de hectares ao ano. O livro é, sem dúvida, um universo de tecnologias florestais relacionadas a eucalipto que pode ajudar no dia a dia do trabalho”, conclui Edilson Batista de Oliveira, pesquisador da Embrapa Florestas.

Realizado pela primeira vez na América Latina, o IUFRO2019 foi promovido pela Embrapa, Serviço Florestal Brasileiro e IUFRO.
 
Maureen Bertol (MTb8330)
Embrapa Florestas

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Prefeito de Curitiba pretende utilizar aplicativo da Embrapa nas escolas – 02/10/2019

O anúncio foi feito por Rafael Greca durante visita a exposição no XXV Congresso Mundial da IUFRO na manhã desta quarta-feira. O cubo com o Sistema Integração Lavoura Pecuária Floresta de realidade aumentada foi apresentado ao prefeito pelo jornalista José Heitor Vasconcellos, analista da Embrapa Milho e Sorgo. Imediatamente, Greca quis saber se poderia utilizar nas escolas. “Vamos trabalhar a Educação Ambiental com as crianças nas escolas de Curitiba com este aplicativo”, disse o prefeito com entusiasmo.

A cubo de realidade aumentada é feito de papel e utilizado juntamente com um aplicativo que pode ser baixado gratuitamente em dispositivos móveis. O cubo é uma das atrações do estande da Embrapa localizado no Espaço Brasil no XXV Congresso Mundial da IUFRO. No local, o visitante pode ainda fazer um passeio virtual por uma propriedade com sistema ILPF. Aproximadamente duzentas já passaram pela experiência sensorial de andar num pasto degradado, caminhar entre o gado e vivenciar o conforto térmico proporcionado pelas árvores.

Rafael Greca ficou por cerca de duas horas na exposição temática de produtos, tecnologias e serviços disponíveis no setor florestal. Percorreu todos os estandes ocupados pelos treze artesãos da prefeitura, conheceu tecnologias geradas por instituições públicas, recebeu mimos e comprou  uma escultura de um anjo barroco talhado em madeira feito pelo artesão Gilson Firmino, de Taboão da Serra, SP. “

Curitiba terá um shopping da madeira
O espaço é uma promessa do prefeito artesãos curitibanos que participam da exposição no parque de eventos. Greca disse que a ideia é criar o uma espécie de shopping no Largo de São Francisco, no centro histórico, com uma exposição permanente. “Curitiba é a cidade mais sustentável do Brasil, temos florestas famosas e temos um amplo setor de exploração sustentável. Precisamos fazer isto virar uma atração turística”, afirmou o prefeito.

Para  Greca, o XXV Congresso propiciou uma amostra da economia criativa que existe em Curitiba, e no Paraná, e deixou ainda lição de que o uso sustentável das florestas é possível.  “As árvores são a eternidade e a beleza da natureza, mas também podem ser transformadas em bens e serem apropriadas pelo homem, desde que exista inteligência em manejo florestal”, disse.

Realizado pela primeira vez na América Latina, o IUFRO2019 foi promovido pela Embrapa, Serviço Florestal Brasileiro e IUFRO.

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Ana Lucia Ferreira (MTb 16913)
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Estudantes de Curitiba visitam exposição do maior congresso de pesquisa florestal do mundo – 02/10/2019

Nesta quinta-feira, cerca de 600 estudantes de escolas públicas e privadas de Curitiba visitarão a exposição montada no XXV Congresso Mundial da União Internacional das Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO), que está sendo realizado na Expo Unimed. Serão 300 alunos no período da manhã e outros 300 durante a tarde.

Na visita os estudantes poderão conhecer um pouco sobre a importância das árvores e florestas e como a pesquisa científica atua visando a produção de madeira e de produtos não madeireiros, garantindo a conservação florestal.

Uma das atrações da exposição é o espaço Brasil, que mostra o que as instituições brasileiras de pesquisa florestal estão fazendo, como projetos de atuação em rede, parcerias internacionais, entre outros. Nesse estande, há também um túnel de realidade virtual onde é possível conhecer os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) de uma maneira lúdica e sensorial.

Além desse estande, a feira conta, ainda, com um espaço de sociobiodiversidade, que traz informações e produtos de todos os biomas brasileiros (Cerrado, Amazônia, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa); a mostra “Madeira e Arte”, com a exposição de trabalhos de artistas e artesãos curitibanos com matéria-prima florestal; a mostra fotográfica “Mulheres na floresta”; e o espaço Curitiba, idealizado pelo Instituto Municipal de Turismo.

Há ainda um estande apresentando a cidade de Estocolmo, capital da Suécia, que será a próxima sede do congresso.

Durante a visita, as crianças poderão ver também uma araucária de 25 anos, com cerca de um metro de altura. Este é o único bonsai do mundo desta espécie.    

A visita escolar ocorre no dia em que os 2.500 participantes do congresso estarão acompanhando visitas técnicas em áreas de produção, empresas do setor florestal, florestas e parques. 

O congresso mundial de pesquisa florestal tem organização local da Embrapa e do Serviço Florestal Brasileiro e promoção internacional da IUFRO. O evento está sendo realizado pela primeira vez na América Latina.  

Foto: La Imagem 

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG)
Embrapa Florestas

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