Práticas agropecuárias sustentáveis começam a influenciar o consumo de carne no Brasil – 03/09/2019

Preocupação com origem sustentável é maior entre consumidoras de altas renda e escolaridade e acima de 50 anos.

Pesquisa da Embrapa Pecuária Sudeste (SP) sobre o perfil do consumidor brasileiro mostra que mulheres com mais de 50 anos, renda elevada e grau de escolaridade superior são as que mais se preocupam com práticas sustentáveis relacionadas à criação de animais na hora de comprar carne. Trata-se de um nicho de mercado que valoriza a qualidade do produto em detrimento do preço e dá alta atenção às informações contidas nos rótulos. Grupos de consumidores como esse são capazes de motivar a expansão de práticas pecuárias sustentáveis que demonstrem cuidados com os animais, com o ambiente e com os trabalhadores envolvidos da produção.

O estudo, coordenado pela pesquisadora Marcela Vinholis com a participação dos pesquisadores  Waldomiro Barioni Júnior e Renata Tieko Nassu, foi apresentado durante a 64ª Reunião Anual da Região Brasileira da Sociedade Internacional de Biometria e 18º Simpósio de Estatística Aplicada à Experimentação Agronômica (RBras-Seagro), em Cuiabá (MT).

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores aplicaram 634 questionários, que resultaram em 402 respostas válidas. A sistematização e publicação foram realizadas recentemente. “Essa pesquisa pode representar uma oportunidade para a indústria de alimentos comunicar melhor o uso de práticas de produção ambientalmente mais sustentáveis como estratégia de diferenciação do produto no mercado brasileiro”, afirma Vinholis.

A pesquisa reconhece os consumidores como potenciais agentes de mudança. “Um comportamento mais responsável pode contribuir para o desenvolvimento sustentável”, explica a pesquisadora, lembrando que é importante continuar monitorando o comportamento dos consumidores para verificar se essas características se mantêm ao longo do tempo.

Pesquisadores falam sobre a pesquisa de consumo de carne no Brasil

Rótulos estimulam consumo responsável
O estudo revela também que os consumidores buscam nos rótulos informações sobre a origem do produto. “A indústria que produz carne diferenciada precisa estar atenta para não poluir os rótulos com excesso de informações”, destaca a pesquisadora.

Resultados sugerem que os consumidores são receptivos a mensagens da indústria sobre os benefícios ambientais na compra de produtos oriundos de práticas de produção ambientalmente mais sustentáveis. “O uso de selos e certificações nos rótulos é uma das possíveis estratégias para sinalizar atributos diferenciais e estimular um comportamento de consumo mais responsável”, acredita a pesquisadora. Um eventual excesso de informações pode gerar confusão e tornar-se um obstáculo para a mudança de comportamento..

[zt_persons slider=”no” pager=”no” controls=”no” auto=”no” item=”1″][zt_person name=”” position=”” phone=”” description=”” image=”images/noticia3/noticia3.jpg” imgtype=”circle” ][/zt_person][/zt_persons] [zt_testimonial autoPlay=”yes” numSlides=”1″ paging=”yes” controls=”yes”][zt_testimonial_item bgColor=”#f6f6f6″ textColor=”#747474″ name=”” company=”Foto: iStock” borderRadius=”4″]”Produção sustentável é tendência no exterior
A pesquisadora Renata Nassu trabalha diretamente com a qualidade da carne. Engenheira de alimentos, além do conhecimento, ela desenvolveu uma curiosidade natural pelo assunto. Sempre que viaja, gosta de visitar supermercados e observar os padrões de compra de consumidores. Segundo ela, nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália, os consumidores se preocupam com a rastreabilidade e valorizam carne sem antibiótico e sem hormônios. Redes de supermercados especializados em produtos diferenciados se multiplicam e ganham cada vez mais adeptos na busca por produtos mais sustentáveis. Renata Nassu relembra um fato curioso que notou em suas viagens: a venda em supermercados da carne moída “de um boi só”, o que permite ao consumidor saber de onde veio o produto que está comprando. “No Brasil o padrão é misturar carnes de vários indivíduos, mas lá eles estão agregando valor com essa identificação. É uma questão de transparência”, conta. Em São Carlos (SP), de acordo com a pesquisadora, já é possível encontrar prateleiras inteiras de produtos diferenciados nos supermercados. “É um nicho em crescimento no Brasil”, revela.”[/zt_testimonial_item][/zt_testimonial]


Produção integrada para a pecuária 

De acordo com os pesquisadores, o fato de o Brasil ser um importante exportador de carne bovina gera demandas por adoção de práticas de produção mais sustentáveis e que minimizem o impacto ambiental associado à produção pecuária convencional e extensiva. O estudo cita como exemplo os sistemas integrados de produção, aqueles que situam em uma mesma área a pecuária, a lavoura e, em alguns casos, a floresta.

“A adoção dos sistemas de produção integrados tem sido recomendada e estimulada para a recuperação e renovação de pastagens degradadas”, frisa a pesquisadora. Ela conta que esse modelo ajuda ainda na manutenção e reconstituição de cobertura florestal, pois prevê o uso de boas práticas agropecuárias, adequação da unidade produtiva à legislação ambiental e maior diversificação da renda.

Consumidoras associam carne sustentável à qualidade

Maria Luiza Giudicissi Valente (foto à esquerda), de São Carlos, representa o grupo de consumidoras diagnosticado na pesquisa. É mulher, empresária, tem curso superior, 52 anos e se preocupa com a qualidade dos alimentos que consome. “Eu pagaria mais por esse tipo de carne por respeito à vida dos animais, das pessoas que trabalham nessa cadeia e por respeito à minha família”, argumenta. A empresária imagina que essa carne seja proveniente de um sistema que aplique técnicas de conservação da natureza e respeite as pessoas envolvidas na produção, da fazenda ao frigorífico.

Segundo ela, a identificação desse produto nas prateleiras depende do rótulo, que informe a procedência por meio da rastreabilidade. “Deveria ter um código na embalagem que permitisse que a gente soubesse, imediatamente, na hora da compra, de que fazenda veio, como essa propriedade trabalha, como é a relação com os funcionários, o que o gado come, se ele se alimenta de transgênico, os remédios que ele toma, como é o pasto, se é orgânico ou que tipo de pesticidas eles usam”, opina.

A jornalista e blogueira Lylia Diógenes (foto à direita), de Brasília (DF), também se encaixa no perfil identificado na pesquisa. Ela tem 62 anos, nível de educação superior, consome carne regularmente e diz que pagaria a mais por um produto ambientalmente sustentável. “Considero que a saúde está em primeiro lugar e acredito que uma carne produzida de forma ambientalmente sustentável seja mais saudável. E sou adepta da máxima de Hipócrates: ‘Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio’”, cita.

Já a analista Paula Telles, pós-graduada em direito processual e moradora de Franca (SP), ainda não atingiu a faixa de 50 anos – tem 45 –, mas sugere que também pagaria mais pelo produto em questão. “Acho que pagaria sim, dependendo do nível da diferença que determinadas condutas podem causar. Mas teriam que me falar das condições do meio ambiente que são preservadas. Se eu souber disso, posso pagar sim”, afirmou. A pesquisa não levantou a porcentagem que os consumidores estariam dispostos a desembolsar a mais.

A jornalista e blogueira Lylia Diógenes (foto à direita), de Brasília (DF), também se encaixa no perfil identificado na pesquisa. Ela tem 62 anos, nível de educação superior, consome carne regularmente e diz que pagaria a mais por um produto ambientalmente sustentável. “Considero que a saúde está em primeiro lugar e acredito que uma carne produzida de forma ambientalmente sustentável seja mais saudável. E sou adepta da máxima de Hipócrates: ‘Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio’”, cita.

Já a analista Paula Telles, pós-graduada em direito processual e moradora de Franca (SP), ainda não atingiu a faixa de 50 anos – tem 45 –, mas sugere que também pagaria mais pelo produto em questão. “Acho que pagaria sim, dependendo do nível da diferença que determinadas condutas podem causar. Mas teriam que me falar das condições do meio ambiente que são preservadas. Se eu souber disso, posso pagar sim”, afirmou. A pesquisa não levantou a porcentagem que os consumidores estariam dispostos a desembolsar a mais.

Saudáveis, mas ainda muito caros para grande parte da população
A pesquisadora Marcela Vinholis explica que as práticas de produção mais sustentáveis costumam ser mais caras porque envolvem uma gama de tecnologias, como os sistemas integrados entre lavoura, pecuária e floresta (ILPF), produção orgânica, entre outras. Além disso, segundo ela, a baixa escala de produção também impacta o valor de mercado.

Muitas vezes, a produção diferenciada ocorre em pequenas propriedades rurais, que não conseguem diluir o custo no volume de produção, como a produção em massa.

“No caso dos cultivos orgânicos, o alto custo dos produtos reflete também os gastos com insumos, como fertilizantes específicos permitidos para esse tipo de produção”, explica.

“Em todos os casos, trata-se de um aspecto da qualidade do produto a que chamamos de ‘crença’. Ou seja, o consumidor tem que acreditar que o produto foi produzido com práticas mais sustentáveis. Ele não consegue avaliar de forma objetiva no momento da compra ou do consumo”, explica a cientista, e completa: “É diferente de um indicador mais palpável, como aparência ou sabor, que ele consegue visualizar ou sentir”.

“Para resolver esse problema, a maioria desses produtos diferenciados envolve a certificação do processo de produção, que visa sinalizar e garantir ao consumidor que aquela informação é crível. Isso também infere um custo adicional ao processo”, pondera a pesquisadora.
 

Ana Maio (MTb 21.928)
Embrapa Pecuária Sudeste

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Diálogo Brasil-Japão discute oportunidades de parcerias – 28/08/2019

Na segunda-feira (26) foi realizado em São Paulo o 4° Diálogo Brasil-Japão, que tratou de pautas de interesse mútuo relativas ao comércio bilateral e possibilidades de investimentos, em especial em infraestrutura e logística para escoamento de safra. O encontro foi realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com promoção do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e do Ministério da Agricultura, Floresta e Pesca do Japão (MAFF).

O ministro japonês da Agricultura, Floresta e Pesca, Takamori Yoshikawa, participou da abertura do evento. Ele ressaltou a intenção em promover o encontro foi para que a oportunidade “reforce ainda mais a cooperação entre os países”. Na ocasião, o presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, Jacyr Costa, afirmou que “esse diálogo estreitará os laços do agronegócio entre o Brasil e Japão”.

Durante o evento, a ministra Tereza Cristina defendeu a ampliação do comércio entre os dois países, além de destacar que a agricultura constitui o eixo central desse relacionamento. “Os imigrantes japoneses e seus descendentes tiveram um papel importante no desenvolvimento da agricultura brasileira, com a introdução de novas práticas e a ocupação de novos territórios”, enfatizou.

O presidente da Embrapa, Celso Moretti destacou na ocasião as excelentes oportunidades na bioeconomia: “a agricultura é multifuncional; temos várias oportunidades de uso da agricultura, não só na produção de alimentos, fibras e bioenergia, mas passa por alimentos, nutrição e saúde, biomassa, materiais de química verde e a questão também de tradição e gastronomia”.

Nas últimas quatro décadas, as ações de cooperação técnica desenvolvidas entre o Brasil e o Japão tiveram um papel fundamental no grande salto do agronegócio brasileiro. As transformações ocorridas no Cerrado, a partir das políticas de modernização da agricultura implantadas na década de 1970, com o apoio do Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer), via Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), possibilitaram uma nova configuração econômica da região, destacou a ministra.

“A cada dia produzimos mais no mesmo espaço de terra. Não fossem os ganhos de produtividade das últimas quatro décadas, seria necessário mais do que o triplo da área atual para se produzir a safra de 241 milhões de toneladas que estamos colhendo hoje no Brasil”, comemorou Tereza Cristina. “Graças a tecnologias de manejo e genética desenvolvidas em nosso País, principalmente pela Embrapa, o Brasil é hoje referência no cultivo de duas e, às vezes, três safras anuais, e nos sistemas integrados lavoura, pecuária e floresta.”

A participação japonesa na expansão agrícola e na ocupação do Cerrado foi fundamental e fez com que esse território assumisse importância estratégica para o desenvolvimento de uma agricultura moderna, com altos índices de produtividade, segundo a ministra. Assim, é importante reforçar as parcerias já existentes e buscar novos empreendimentos que sejam mutuamente vantajosos, de acordo com ela.

Terra de oportunidades

“O Brasil é uma terra de oportunidades e um destino confiável para o capital estrangeiro. Gostaria de destacar o potencial de investimentos em infraestrutura e logística em nosso País e, em especial, no escoamento da produção agrícola”, reforçou. O fluxo comercial do agronegócio entre o dois Brasil e o Japão, quarto maior importador mundial de produtos agrícolas, cresceu mais de 130% nas últimas duas décadas. Entretanto, em 2018, a participação do Brasil nas importações agrícolas do mercado japonês foi de apenas 3,2%, menos da metade da média mundial, que é de 6,9%.

O Brasil conta com uma das mais avançadas legislações ambientais do mundo, com o Código Florestal, que mostra o compromisso em seguir o caminho da sustentabilidade, defendeu Tereza Cristina. Dentre as várias iniciativas para adequar a agropecuária brasileira, o País criou o Programa de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC), que estimula a adoção de diversas tecnologias de produção sustentável. Um exemplo é o plantio direto na palha, que contribui para os compromissos de redução da emissão de gases de efeito estufa e ao mesmo tempo promove o aumento da produtividade e da rentabilidade no campo pelo uso racional do solo.

“Queremos ser referência mundial e globalizar esse padrão”, ressaltou. “Os exigentes compradores globais precisam ser informados sobre a realidade da produção dos alimentos no Brasil, desde a sua origem nas fazendas até a mesa do consumidor. É fundamental que o mundo conheça o exemplo que a agricultura brasileira tem a dar em aspectos ambientais, sociais e trabalhistas”, disse a ministra, enfatizando que a agricultura brasileira não poupa esforços a fim de produzir alimentos de qualidade.

Para o presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Japão, deputado federal Luiz Nishimori, a agricultura brasileira está consolidada e tem se preocupado com as questões ambientais e a preservação. O País tem um Código Florestal eficiente e está preparado para a abertura do mercado japonês, especialmente para o setor de carnes bovina e suína, mas também para outros produtos e frutas tropicais. O Brasil já é o principal fornecedor de produtos como carne de frango in natura, café verde, etanol e suco de laranja a esse mercado.

Pesquisa agropecuária

A contribuição da pesquisa agropecuária foi destacada pelo presidente da Empresa, Celso Moretti. “O Brasil desenvolveu uma agricultura baseada em ciência”, afirmou o presidente, ressaltando o papel da pesquisa pública e a contribuição das parcerias institucionais, incluindo as universidades, os serviços de extensão rural, os sistemas de pesquisa estadual e o setor privado.

Moretti citou as parcerias da Embrapa com o governo japonês, como o Prodecer, que ajudaram o Brasil a superar os desafios e desenvolver uma agricultura tropical sustentável. Entre as oportunidades atuais, destacou a plataforma de inteligência territorial estratégica desenvolvida pela Embrapa, um sistema da macrologística da agropecuária brasileira, que foca tanto a questão da produção como a da exportação.

Outra parceria importante é a elaboração de um projeto de pesquisa conjunto em automação e agricultura de precisão, que será submetido em um edital da Jica. Além disso, há várias oportunidades em temas ligados a agricultura 4.0, internet das coisas (IoT), inteligência artificial, sensores e biotecnologia, incluindo engenharia genética e edição genômica, desenvolvimento de espécies vegetais tolerantes à seca.

A agricultura 4.0, ou smart agriculture, foi tema da apresentação do secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Mapa, Fernando Camargo. Ele abordou as iniciativas, desafios e possibilidades de parcerias nessa área no Brasil. “A agricultura brasileira é hoje extremamente inovadora, com altíssima produtividade e naturalmente o Brasil é um dos países que mais contribui para a segurança alimentar no mundo”, reforçou o secretário.

Camargo chamou de grandes revoluções na agricultura, pelos impactos causados, a implantação das técnicas de plantio direto, na década de 1970, e os sistemas integrados (ILP e ILPF), a partir de 1990. “E o grande diferencial daqui pra frente, para o futuro da nossa agricultura, vai ser a agricultura 4.0, a agricultura digital. Acredito que o Japão tem uma convergência muito grande conosco”, salientou.

A transformação digital no campo vai ser intensiva em uso de grande volume de dados (big data) e analytics, IoT, inteligência artificial, aprendizado de máquina (machine learning), blockchain para rastreabilidade de produtos agropecuários, automação e robótica, e integração de dados, apontou o secretário. “É uma agricultura do Brasil que poucos conhecem, mas que já existe e é uma oportunidade para parceria”, salientou, avaliando que um dos principais desafios é melhorar a conectividade do País.

Clique aqui para acessar fotos do encontro.

Foto: Nadir Rodrigues
 
Nadir Rodrigues (MTb 26.948/SP)
Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (SIRE)

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Cooperativas do sul vêm buscar conhecimento sobre trigo do Cerrado – 13/08/2019

Produtividade do trigo do Cerrado alcança seis toneladas por hectare, frente a 2,8 t/ha da média nacional

Com uma produtividade de seis mil quilos por hectare, enquanto a média nacional é de 2,8 mil, o trigo do Cerrado chama atenção de técnicos e agrônomos do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, estados que tradicionalmente cultivam o grão no País. Inapto para a produção do grão há algumas décadas, o bioma hoje também se destaca pela qualidade do produto que oferece à indústria de panificação.

O aumento expressivo da produtividade, que passou de 2,5 mil quilos por hectare em 1970 para 6 mil quilos em 2016, com a adoção das cultivares desenvolvidas pela Embrapa Cerrados (DF), centro de pesquisa que possibilitou a implantação das lavouras na região, foi um dos pontos apresentados pelo pesquisador Julio Albrecht aos 24 representantes da região Sul ligados à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

“O Cerrado tem recorde de produtividade no Brasi e hoje é a terceira maior região produtora do Brasil, com cerca de 450 mil toneladas em 2017. E ainda temos os trigos de melhor qualidade para panificação do País, em função da genética que conseguimos e também das condições climáticas daqui”, garante o pesquisador.

Albrecht explica que esse resultado é fruto do trabalho de melhoramento genético, iniciado na década de 1970, a partir de variedades trazidas do sul do Brasil e do Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo (Cimmyt), do México, aliado ao clima diferenciado da região. Isso porque a colheita do grão em período de seca garante a qualidade industrial da produção, o que não ocorre nos estados do Sul.

O desafio da pesquisa foi justamente esse – desenvolver cultivares adaptadas à região do Cerrado. Além desse objetivo, os pesquisadores conseguiram ainda agregar às variedades uma força de glúten que as transformaram nas preferidas pela indústria de panificação. O pesquisador apresentou os diferenciais de algumas cultivares desenvolvidas pela Embrapa Cerrados, como a BRS 264, mais plantada na região, indicada para lavouras de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal, onde alcança produtividades de oito mil quilos por hectare, respectivamente. Ela é de ciclo super precoce, com desenvolvimento em 105 dias, e recomendada para plantio no sistema de produção integrado.

Outro ponto abordado por Albrecth foi a ausência de toxinas na farinha de trigo produzida no Cerrado do Brasil Central, porque nessa região não ocorre uma doença causada por fungo, chamada giberela, responsável por essa toxina. E mais uma vez o trigo produzido no Cerrado leva vantagem: “Nós somos livres dessa toxina. A nossa farinha é produzida dentro dos níveis internacionais, com quase zero da toxina produzida por esse fungo. Essa é outra grande vantagem no Cerrado do Brasil Central, produzir um trigo sem essas toxinas que são prejudiciais à saúde em determinados níveis”.

Sistemas integrados como opção
Aos integrantes da OCB o pesquisador Lourival Vilela abordou o uso de sistemas integrados, especialmente de lavoura e pecuária, como tecnologia capaz de aumentar a produtividade das áreas agrícolas. Ele falou da necessidade de os produtores rurais cuidarem dos pastos e realizarem os manejos adequados para garantir a sustentabilidade dos sistemas.

Vilela mostrou resultados de diferentes experimentos realizados no Centro-Oeste, com ênfase nos resultados obtidos em termos de produtividade. Em uma das propriedades onde foi implantado o sistema lavoura-pecuária, foram alcançadas as seguintes rentabilidades por hectare: soja – R$ 1.902,56; milho de verão – R$ 2.411,17; feijão – R$ 1.015,46; milho e gado – R$ 4.415,17; soja e gado – R$ 3.605,56.

Além de maior lucro, o pesquisador apresentou outras vantagens obtidas pelos sistemas integrados, como a intensificação do uso de mão de obra e maquinário. “A lavoura de soja ocupa apenas 42% do tempo das máquinas da propriedade. Já com o ILPF, os empregados e as máquinas ficam ocupadas 92% do tempo, praticamente o ano inteiro”, ressalta. Além disso, há uma melhoria já comprovada da qualidade química, física e biológica do solo com a implantação de pastagem nas lavouras.

A opção se mostrou interessante para os cooperados. “Conhecemos um pouco da tecnologia que é utilizada aqui para ver o que conseguimos extrair e levar para a nossa região, principalmente na questão relacionada ao manejo. Da própria palestra do Vilela, achei muito interessante o manejo da integração pecuária e agricultura. É isso o que temos que buscar, essa adaptação da realidade do Cerrado para a nossa realidade climática, os manejos diferenciados e a adaptação para o nosso nicho de mercado”, explica Leonardo Mafinni, gerente regional sul da Coperativa Agrícola Mista General Osório (Cotribá), de Ibirubá (RS). 

Jeferson Muhl, da Cooperativa dos Agricultores de Chapada (Coagril), também no Rio Grande do Sul, ressaltou a importância de buscar novos conhecimentos para melhorar seus trabalhos. “Nós viemos para conhecer uma outra realidade diferente da nossa. O conhecimento é muito importante e vimos muitas coisas proveitosas para usarmos lá”, afirma.

As palestras dos pesquisadores da Embrapa fazem parte da Capacitação na Cadeia Produtiva de Cereais de Inverno, organizada pelo Sistema OCB. A programação dos dias 6 e 7 de agosto incluiu ainda visitas técnicas a duas cooperativas, Cooperativa Agropecuária do Distrito Federal (Coopa-DF) e Cooperativa Agropecuária e Industrial (Cocari), em Cristalina (GO), para conhecer as lavouras, o moinho e o trabalho dessas instituições.

 

Foto: Fabiano Bastos
 
Juliana Miura (MTb 4563/DF)
Embrapa Cerrados

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Embrapa apresenta realidade aumentada com Integração Lavoura-Pecuária-Floresta na Expojuruá – 29/08/2019

Durante a Expojuruá 2019, o público terá a chance de vivenciar e conhecer as diversas etapas do sistema integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF). Por meio de realidade virtual, a tecnologia agropecuária será a atração no estande da Embrapa Acre. A feira acontece entre 29 de agosto e 1º de setembro, na avenida Mâncio Lima, em Cruzeiro do Sul (AC).

Com ajuda de óculos especial, os visitantes passarão por quinze estações que possibilitam a observação do processo de transformação de uma área degradada em produtiva e sustentável. “Esse tipo de instrumento é ótimo para as pessoas compreenderem a importância do iLPF. A experiência com a realidade aumentada vai mostrar desde a correção do solo para implantação de cultivos agrícolas, até a entrada do gado em uma pastagem reformada e o plantio de árvores”, comenta Priscila Viudes, analista de comunicação da Embrapa Acre.

O público também poderá conhecer os benefícios do sistema iLPF como o aprofundamento de raízes, descompactação do solo, ciclagem de nutrientes, conforto térmico e mitigação das emissões de gases de efeito estufa. Todo o percurso é acompanhado por um áudio explicativo, em português ou inglês. A tecnologia virtual é uma adaptação do aplicativo “Maquete virtual de ILPF em realidade aumentada”, lançado em 2017 pela Rede ILPF, que tem a participação de instituições de pesquisa das diferentes regiões, incluindo a Embrapa.

A realidade aumentada da integração Lavoura-Pecuária-Floresta foi um dos destaques na edição da Expoacre em Rio Branco, com cerca de 600 visitantes. A ação conta também com o apoio do Projeto Integrado da Amazônia, executado por meio do Fundo Amazônia, iniciativa gerenciada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

 

Foto: Fabiano Estanislau

 
Fabiano Estanislau (Mtb 453/AC) 
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Dia de Campo para assessores aproxima parlamento da ciência – 28/08/2019

“Na vida do cidadão brasileiro é impossível ele não consumir pelo menos uma tecnologia da Embrapa por dia. Ao acordar, ao tomar um copo de leite, uma xícara de café, ao comer um pão, há tecnologia da Embrapa”, destacou o diretor-executivo de Inovação e Tecnologia, Cleber Soares. Foi com esse objetivo, divulgar o impacto da ciência agropecuária para a sociedade, que no dia 23 foi realizado um Dia de Campo para assessores parlamentares na Embrapa Cerrados (DF). O encontro faz parte de um conjunto de ações para promover maior aproximação da Empresa com o parlamento.

Este foi o primeiro encontro voltado para assessores parlamentares e a expectativa é que outros centros de pesquisa promovam ações semelhantes em seus estados, convidando parlamentares e assessores técnicos para visitas a seus laboratórios e áreas de cultivos experimentais. “Os assessores parlamentares são profissionais de grande importância estratégica, pois fazem a ponte entre a ciência, a sociedade e o parlamento”, enfatizou o diretor, na abertura do evento.

Além de assessores parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, estiveram presentes no evento representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e de instituições com atuação no agronegócio brasileiro, entre elas, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Syngenta Brasil, além de representações dos governos estaduais em Brasília, como a do Estado do Maranhão.

Essa foi a primeira vez que Luiz Guilherme de Medeiros, assessor do deputado federal e presidente da Frente Parlamentar de Bioeconomia, Paulo Ganime (Novo, RJ), visitou um centro da Embrapa e acredita ser muito válida essa aproximação: “No momento em que estamos discutindo fortemente a questão da sustentabilidade, das queimadas na Amazônia, é importante dar conhecimento, tanto para o parlamento quanto para a sociedade, às pesquisas que a Embrapa está desenvolvendo para aumentar a produtividade agrícola e a sustentabilidade do trabalho do produtor brasileiro”. Medeiros afirmou que eventos como esse oferecem informações para que os assessores parlamentares entendam como podem ajudar a Empresa no processo legislativo e a agropecuária brasileira a se desenvolver melhor.

Ao receber os convidados, o diretor da Embrapa falou sobre a importância das tecnologias da Embrapa para o Brasil. “Nossas pesquisas contribuíram para aumentar a exportação de carne. Para se ter ideia do volume do produto, um em cada três bifes comercializados no mundo é produzido no Brasil”, destacou, citando ainda outros dados, como o fato de 97% da cevada produzida do País ter tecnologia da Embrapa.  Os resultados, segundo o diretor, mostram a importância de se investir em ciência, tecnologia e inovação na agricultura. “Isso muda a vida de um País”, destacou.

Soares lembrou que, em sua trajetória, a Embrapa fez com que o país mudasse de importador de alimentos para um dos maiores exportadores no mundo. “Neste ano vamos fechar a nossa produção de grãos com 240 milhões de toneladas. Somos um país que tem segurança e superávit alimentar, com uma agricultura baseada em mais de 300 cultivos, exportados para mais de 180 países no mundo inteiro, de grãos à carne, passando pelo leite e outros produtos. Somos um importante player na agricultura mundial”.

O diretor afirmou que isso se deu a partir de investimentos em ciência, tecnologia e inovação. Até há um tempo, segundo Soares, o cidadão brasileiro usava 56% do salário mínimo para comprar a cesta básica, atualmente ela custa em torno de 15% do salário mínimo. E finaliza: “A Embrapa ainda é uma Empresa jovem, com 46 anos de idade, que já fez muito pelo país e ainda pode fazer mais”.

Outro exemplo clássico da contribuição da ciência para o agronegócio foi a conquista da região central do Brasil, que até então era considerado uma terra inóspita e improdutiva. Para o chefe-geral da Embrapa Cerrados Cláudio Karia, o centro de pesquisa teve um papel essencial nesse processo. Segundo ele, os conhecimentos gerados, aliados à produção de novas cultivares, viabilizaram a produção do bioma. “Várias tecnologias e produtos desenvolvidos em nossos laboratórios viabilizaram a agricultura no Cerrado e graças a isso temos hoje uma agricultura bastante competitiva no mundo”, destacou.

Tecnologias em destaque
Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer melhor a atuação da Embrapa no país e, em especial, três importantes pesquisas relacionadas à conservação ambiental e à redução do uso de agrotóxicos: o WebAmbiente, sistemas de integração e tecnologias para o uso sustentável do solo.

O WebAmbiente, plataforma desenvolvida para ajudar os agricultores na adequação ambiental da propriedade rural para atender às exigências do Código Florestal Brasileiro, foi apresentado pelo pesquisador Felipe Ribeiro. Nele, estão contidas tecnologias desenvolvidas pela Embrapa para uso na adequação florestal. “Temos 90% dos imóveis rurais como propriedades de pequenos agricultores. Precisamos ter tecnologia para que esses imóveis possam se adequar à lei”.

A plataforma propõe, com base nas informações fornecidas pelos produtores, recomendações para preparo do solo, sistemas de recomposição mais adequados de acordo com a localização do imóvel rural e do seu estádio de degradação, e uma lista de espécies nativas que podem ser usadas na propriedade.

“Quando o produtor tem acesso à lista de opções de espécies florestais recomendadas para sua propriedade, para cada espécie há informações detalhadas sobre seu sistema de produção. Esse com certeza é o maior banco de espécies nativas que existe no planeta. É um produto que só nós, Brasil, temos e que nos diferencia dos outros países”, enfatiza o pesquisador.

O chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Cerrados, Marcelo Ayres, chama atenção para outro componente, o econômico. “O processo de recomposição florestal tem um custo enorme. Existem entre 15 e 17 milhões de hectares para serem reflorestados. A um custo mínimo de R$ 350 por hectare para semeadura direta, o valor a ser gasto ultrapassa R$ 5,2 trilhões. Quem vai pagar essa conta?”, reflete.

Ribeiro apresenta a questão para os assessores parlamentares presentes. Atualmente, o produtor rural recebe apenas pelos produtos que gera – grãos, carnes e fibras. “Qual é o ganho econômico que os sistemas de restauração vão gerar? Como podemos remunerar o produtor rural pela qualidade da água que ele oferta, pela saúde do solo e das pessoas, pelo sequestro de carbono?”, provoca. A questão do pagamento por serviços ambientais é uma pauta que está no Congresso Nacional para garantir o equilíbrio do sistema de produção, tanto ambiental como econômico.

Keide Lacerda, assessora parlamentar do senador Vanderlan Cardoso (PP, GO), presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado Federal, presente no Dia de Campo, defende que a Embrapa precisa dar maior visibilidade ao seu trabalho frente à Câmara e ao Senado Federal: “É importante os assessores e os parlamentares irem aos locais para verificar o trabalho que tem sido feito, assim como o de outros órgãos, empresas públicas e autarquias. Esse conhecimento ao qual tivemos acesso hoje é muito válido”. A assessora defende ainda que não haja cortes para a ciência: “Não há desenvolvimento sem inovação, não há desenvolvimento sem investimento. O Ministério da Ciência e Tecnologia, juntamente com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tem que mostrar o trabalho que a Embrapa faz”, completa.

Para Giovanna Turquino Simões, chefe da Assessoria Parlamentar do Mapa, o evento foi muito produtivo, pois permitiu aos participantes conhecerem melhor as pesquisas da Empresa. “Eventos deste tipo colaboram com a consolidação da imagem da Embrapa como uma das grandes impulsionadoras do agro brasileiro”, afirmou.

Sistemas de integração
Na estação sobre Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), o pesquisador Lourival Vilela destacou que que na década de 1970 a exploração do Cerrado era baseada na pecuária e na abertura de áreas para o plantio de arroz consorciado com capim braquiária. “Só que a agricultura deslanchou na região, graças a uma série de tecnologias de manejo e correção da fertilidade do solo, e a pecuária começou a ficar para trás em termos de inserção de tecnologias. Com a pesquisa em recuperação de pastagens, vieram os trabalhos com rotação lavoura-pastagem”, lembrou.

O experimento da Embrapa mais antigo em Integração Lavoura-Pecuária (ILP) atualmente está localizado na Embrapa Cerrados e foi implantado em 1991, com foco na intensificação do uso da área. “Hoje, podemos praticamente dobrar a produção de grãos no Cerrado sem a necessidade de desmatar um palmo de vegetação, simplesmente introduzindo um sistema desse nessas áreas, começando pela rotação”, explicou.

Segundo o pesquisador, nas fazendas que têm feito ILP, o número de animais por hectare aumentou de três a três vezes e meia em relação ao sistema de pastagens de baixa produtividade, permitindo produção de grãos e uma pecuária com ganhos. Os animais criados a pasto, no período da seca, chegam a ganhar até 1,5 kg/dia. “Aproveitamos esse sinergismo não só do ponto de vista da produção como também com foco na melhoria das propriedades do solo. Comparada ao sistema tradicional, a ILP quase dobra os estoques de carbono”, disse, acrescentando que em algumas situações tem sido possível reduzir em 20% o uso de adubo na propriedade graças à ciclagem de nutrientes no solo promovida pelo sistema.

Saúde do solo
O Dia de Campo foi finalizado na estação sobre uso sustentável do solo, apresentado pela pesquisadora Ieda Mendes. Ela relembrou as revoluções pelas quais passou a agricultura brasileira com a participação da Embrapa, sendo a primeira a construção da fertilidade do solo do Cerrado, iniciada na década de 1970, a partir de recomendações geradas pela pesquisa.

“O Brasil foi o primeiro país do mundo a fazer agricultura em solos inférteis. Nossa agricultura tropical é única, foi um processo disruptivo que mudou a cara do País”, comentou. Outra marca apontada foi o desenvolvimento de inoculantes com estirpes de rizóbios (bactérias fixadoras de nitrogênio) para a soja, que proporcionou uma economia para o Brasil de US$ 19 bilhões em 2018 em adubos nitrogenados, valor cerca de quatro vezes o orçamento anual da Embrapa.

A última revolução se deu a partir dos anos 2000, com a intensificação sustentável, como o sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. Com a introdução do Sistema Plantio Direto, técnica preservacionista adotada em 12 milhões de hectares, e o cultivo de braquiária em consórcio com a lavoura de grãos, houve uma mudança de foco para além da produtividade de grãos e carne, vislumbrando-se solos, plantas, animais e pessoas saudáveis. “A saúde do solo está muito ligada à qualidade ambiental. Solos saudáveis sequestram mais carbono, armazenam mais água, emitem menos gases de efeito estufa e reduzem o tempo de persistência dos pesticidas”, apontou a pesquisadora.

Ieda citou o exemplo de experimento da Fundação Mato Grosso, que comparou uma área com soja em monocultivo e outra com soja plantada após braquiária. Na safra 2013/2014, quando ocorreu um veranico, enquanto o monocultivo de soja produziu 29 sacos, a soja após a braquiária produziu 59 sacos por hectare, apesar de os solos serem quimicamente semelhantes nas duas áreas.

Com o resultado da bioanálise, que mede a atividade biológica do solo, foi solucionada a questão. “Verificamos que o solo com braquiária tinha muito mais atividade enzimática que o outro. Ou seja, havia um solo de baixíssima qualidade biológica (na soja monocultivo) e um solo saudável (soja após braquiária). Numa condição de estresse hídrico, o solo saudável teve uma tolerância muito melhor”, afirmou.

Ieda informou que a partir a safra 2019/2020 os laboratórios vão incluir a bioanálise nas análises de solo. “Pela primeira vez, o agricultor vai saber como está, de verdade, a saúde do seu solo. Somos o primeiro país do mundo a colocar esse parâmetro nas análises de solo”, destacou. Essa informação será um estímulo para quem está fazendo o manejo correto do solo e um alerta para o produtor que o está manejando de forma inadequada, convencendo-o a mudar de estratégia.

A pesquisadora finalizou a apresentação destacando a importância de instituições públicas de ciência: “Pesquisar a saúde do solo e sistemas de manejo que maximizem o sequestro de carbono e o armazenamento de água, por exemplo, só acontece realmente numa empresa de pesquisa pública como a Embrapa”.

Érico Leonardo Feltrin é servidor concursado da Câmara dos Deputados e atua como consultor legislativo na área de agricultura e política rural. Na função, ele escreve justificativas de projetos de lei, que precisam ser bem fundamentadas para dar credibilidade à proposta. Feltrin diz que durante a visita à Embrapa já teve algumas ideias: “Na questão da análise do solo e aplicação de fertilizantes, o conhecimento que eu tinha estava baseado na aplicação de fertilizante químico, e estou vendo que é uma questão bem mais complexa que envolve a biologia do solo e outras questões”. Por isso ele justifica que foi importante a visita à Embrapa Cerrados e ter um canal aberto com instituições como a Embrapa, que é referência para seu trabalho.

A gerente-adjunta de Relações Institucionais e Governamentais da Embrapa, Cynthia Cury, agradeceu aos visitantes pela participação no Dia de Campo. Ela ainda citou a tramitação, na Câmara e no Senado, de um projeto de lei sobre o pagamento por serviços ambientais. “É uma política pública e vocês estão mais do que nunca convencidos de sua importância. Contem com a Embrapa para a discussão e para subsidiar o trabalho de vocês”, disse aos visitantes.

O chefe-geral da Embrapa Cerrados, Cláudio Karia, encerrou o evento colocando como questão a necessidade de se repensar o papel e as prioridades da Embrapa. “Se não tivéssemos priorizado a soja no passado, não teríamos soja no Cerrado hoje. Acredito que, trabalhando em sintonia com as demandas que a sociedade nos coloca, como sustentabilidade e segurança alimentar, e junto com o governo, podemos viabilizar a nossa agricultura para que ela possa prover alimentos seguros e em quantidade e qualidade para a população, e ainda gerar excedentes. Esse é o propósito de uma empresa pública de pesquisa”, finalizou.

 

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Pesquisa aponta: sombra em sistema de ILPF ajuda a aumentar atividade do rebanho, com ganhos de produtividade – 27/08/2019

Fêmeas monitoradas com colares e sensores: pecuária de precisão

Fêmeas bovinas da raça Canchim monitoradas por 94 dias durante a primavera em sistema integrado lavoura-pecuária-floresta (ILPF) revelaram um nível de atividade mais alto do que aquelas que permaneceram o mesmo tempo em pastos a pleno sol. A pesquisa com esses resultados acaba de ser premiada como melhor trabalho científico do 29º Congresso Brasileiro de Zootecnia – Zootec 2019, realizado em Uberaba (MG) de 13 a 16 de agosto.

O estudo foi desenvolvido na Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP) pela equipe do pesquisador Alexandre Rossetto Garcia. A aluna de doutorado Andréa Barreto, orientada por ele, fez a apresentação no congresso e recebeu o prêmio. O Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal, ao qual ela está vinculada, foi criado por um convênio entre a UFPA (Universidade Federal do Pará), Embrapa e UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia).

O trabalho premiado se chama “Monitoramento eletrônico do comportamento de novilhas de corte mantidas em sistema de ILPF”. A equipe acompanha a rotina de animais por meio de colares eletrônicos com sensores colocados nos bovinos e de receptores que transmitem os dados a computadores da fazenda.

O monitoramento permite acompanhar os períodos em que os animais permanecem em ócio, em atividade ou em ruminação. Neste último caso, de acordo com Andréa, um sensor acústico permite saber se o gado está mastigando ou ruminando. “Também usamos um acelerômetro, aparelho que indica se o animal está em movimento”, disse ela.

Indicação de manejo

A boa notícia vem justamente dos períodos mais quentes do dia, manhã e tarde. Nessas horas, as fêmeas monitoradas sob a sombra das árvores se movimentaram seis minutos a mais em cada hora em comparação com as que estavam expostas ao sol. “Em um dia, isso representa mais de uma hora de movimentação a mais. Isso significa que essas fêmeas desenvolveram outras atividades”, explicou Rossetto.

De acordo com o pesquisador, a informação é relevante para definir estratégias de manejo, já que as fêmeas em sombra conseguem sair em busca de alimentos de melhor qualidade, ficam mais disponíveis para eventos reprodutivos e apresentaram melhores referências biológicas. “Esses eventos refletem na produtividade”, afirmou.

Além da movimentação nas duas áreas, a pesquisa avaliou o tempo de ócio – as fêmeas que estavam a pleno sol permaneceram mais tempo paradas (14%), em comparação com as que estavam sob as árvores, uma atitude típica de animais em desconforto térmico. “O monitoramento permite avaliar também se o ócio era normal ou se indicava algum problema de saúde”, falou Andréa.

Dados do microclima também foram coletados, como temperatura do ar, umidade relativa, velocidade do vento e chuvas. O monitoramento ocorreu em período integral (24 horas por dia). Os dados noturnos e da madrugada não apresentaram diferenças significativas.

Os pesquisadores também calcularam as médias dos índices de temperatura e umidade (ITU) e de globo negro e umidade (ITGU), que apontam quando o animal está em conforto térmico nas condições tropicais. Eles explicaram que quando o ITGU está entre 74 a 78, o animal já apresenta desconforto térmico. Na pesquisa, no período da tarde a pleno sol, esse índice chegou a 79,7, o que caracteriza condição de estresse térmico, enquanto no sistema sombreado as médias variaram de 74,1 a 77,5.

“A ILPF melhora as condições de microclima, atenuando o calor em função da presença das árvores, o que favoreceu a prática de atividades”, disse Andréa. Estudo anterior da equipe de Alexandre Rossetto já apontava que a presença de animais em área sombreada reduzia a procura por água.

As pesquisas vão prosseguir por meio de um projeto recém-aprovado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que vai avaliar o comportamento de touros no sistema integrado. A pesquisa de doutorado de Andréa, que tem foco em conforto térmico de bovinos a pasto, também continuará sendo desenvolvida na Embrapa de São Carlos.

São parceiros da pesquisa premiada, além das duas universidades do norte do país e Embrapa, a Universidade Federal Fluminense, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a empresa Cow Med, a Fapesp, Capes e CNPq.

Premiação

Andréa ficou entre os 12 pesquisadores selecionados no Zootec 2019 para apresentar seu trabalho de forma oral. Ao todo, o congresso recebeu 1.300 trabalhos e cerca de 1.500 participantes nos quatro dias de programação. “A organização escolheu as três melhores pesquisas de cada área para a apresentação”, contou. A banca era composta por pesquisadores que são referência no Brasil sobre os temas. A premiação como o melhor trabalho aconteceu na sexta à tarde, dia 16 de agosto.

Rossetto ficou orgulhoso com o resultado e estimula a aluna. “Esse tipo de monitoramento é tendência no agronegócio. Os jovens precisam se engajar nessa área porque a pecuária vai precisar de profissionais qualificados em pecuária de precisão.”

No ano passado, outra aluna orientada por Rossetto, Amanda Prudêncio Lemes, foi premiada na 32ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões, considerada o maior congresso de reprodução animal do país.
 
Ana Maio (Mtb 21.928) 
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Alagoas é palco de debates sobre Integração Lavoura – Pecuária – Floresta – 27/08/2019

Mesa de abertura do workshop

Alagoas sediou, de 20 a 22 de agosto, o primeiro encontro da série ‘ILPF no Nordeste: aprendizados e desafios’, com foco na troca de conhecimentos para o avanço das tecnologias de ILPF (Integração Lavoura – Pecuária – Floresta) em estados do Nordeste.

Os eventos são uma realização da Embrapa e parceiros em Alagoas, Paraíba e Pernambuco, com recursos da Associação Rede ILPF, uma parceria público-privada formada pela Embrapa, a cooperativa Cocamar e as empresas Bradesco, Ceptis, John Deere, Premix, Soesp e Syngenta.

O principal objetivo dos encontros técnicos é contribuir para a elevação dos índices socioeconômicos da região e capacitação de assistentes técnicos e produtores por meio do intercâmbio de conhecimento e experiências com pesquisadores e agentes técnicos.

Com palestras, mesas-redondas e apresentações de casos de sucesso, o workshop “ILPF em novos territórios agrícolas: o caso SEALBA’ aconteceu na sede da Federação da Agricultura e Pecuária no Estado de Alagoas (FAEAL), em Maceió, nos dias 20 e 21, e em Jequiá da Praia, no litoral sul de Alagoas, e Capela, no território da Mata Alagoana, no dia 22, com visitas técnicas a fazendas que vêm adotando ILPF com excelentes resultados.

O workshop foi uma co-realização da Embrapa com o Sebrae/AL com apoio da FAEAL, Emater/AL, Faped, Seagri-AL, FIEA e Associação dos Criadores de Alagoas. O foco das discussões desse primeiro encontro foi a promoção de ILPF na nova fronteira agrícola denominada SEALBA, formada por áreas com grande potencial produtivo em Sergipe, Alagoas e Nordeste da Bahia. 

A programação contou com apresentações de pesquisadores de diversas Unidades da Embrapa, dirigentes da Rede ILPF, consultores do Sebrae, agentes da Seagri e produtores com casos de sucesso.

Confira a galeria completa de imagens do evento na página da Embrapa na rede Flickr: https://www.flickr.com/photos/embrapa/48594249091/in/album-72157710452226662/

Discussões
No dia 20, a palestra de abertura foi do pesquisador da Embrapa Solos (Rio de Janeiro, RJ) e presidente da Rede ILPF Renato Rodrigues, que abordou as potencialidades dos sistemas ILPF no enfrentamento das mudanças climáticas. O pesquisador Marcus Cruz, da Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), e o superintendente da Seagri-AL Hibernon Cavalcante fizeram uma caracterização geográfica e da ocupação agrícola da nova fronteira do SEALBA.

André Sorio, consultor o programa de assistência técnica ao pequeno e médio pecuarista em Alagoas ‘Mais Pasto’, e Osmando Xavier, proprietário da fazenda Timbaúba, que tem sido referência na produção de leite orgânico, apresentaram e discutiram seus casos de sucesso.  

Edson Patto, da Embrapa Tabuleiros Costeiros, apresentou os resultados de pesquisas com foco nos benefícios para o solo a partir do consorciamento entre braquiárias, milho e soja na região do SEALBA. Roberto Giolo, da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande, MS), discutiu conceitos de Carne Carbono Neutro (CCN). Abilio Pacheco, que é pesquisador da Embrapa Florestas (Colombo, PR) e também proprietário de uma fazenda modelo em ILPF, debateu modelos potenciais do sistema para adoção no SEALBA.

No dia 21, Fabiana Alves, da Embrapa Gado de Corte, tratou do tema conforto animal e ambiência em ILPF. Vanderley Porfírio, da Embrapa Florestas, junto com o consultor alagoano Shirlan Medeiros, discutiram modelos de ILPF com eucalipto para a Zona da Mata. Salete de Moraes, da Embrapa Semiárido (Petrolina, PE), apresentou modelos de ILPF com potencial de adoção para o Semiárido.

A apresentação final ficou a cargo do pesquisador da Embrapa Alimentos e Territórios (Maceió, AL), que busco construir coletivamente uma proposta de transferência de tecnologia com foco na capacitação continuada em ILPF para técnicos de Alagoas.

Confira abaixo o vídeo do evento, com imagens das palestras e visitas e opiniões dos organizadores sobre os resultados.

Outros encontros
Com coordenação da pesquisadora da Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora, MG) Elizabeth Nogueira, a inciativa tem a participação de pesquisadores e agentes de mais sete Unidades da Embrapa – Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), Caprinos e Ovinos (Sobral, CE), Semiárido (Petrolina, PE), Algodão (Campina Grande, PB), Solos (Rio de Janeiro, RJ), Alimentos e Territórios (Maceió, AL) e Milho e Sorgo (sete Lagoas, MG).

Em outubro, Campina Grande, PB, sedia o seminário ‘Novas Visões e estratégias em ILPF’, que acontecerá no auditório da Embrapa Algodão, em data a ser confirmada. O evento acontecerá com apoio Faped. 

O foco será em novos conceitos e inovações que buscam agregar valor à produção integrada, como processos de certificação, qualificação da produção e serviços ambientais, além de produção de ovinos dentro do sistema e outras tecnologias.

De 19 a 22 de novembro, Petrolina, no Sertão de Pernambuco, sedia o último dos encontros, que integrará a programação do Semiárido Show 2019, nos auditórios do evento e em espaços abertos.

A programação inclui apresentações de vários pesquisadores da Embrapa, Rede ILPF e da Rede Adapta Sertão, além de dias de campo para apresentar a aplicação de tecnologias integradas adaptadas ao Semiárido.

Visitas
Na quinta (22), os participantes se dividiram em dois grupos para as visitas técnicas a fazendas que vêm adotando com sucesso práticas de ILPF.

Um grupo seguiu para a Fazenda Bandarra, em Capela, onde os proprietários e consultores vêm aplicando a integração entre eucalipto e pecuária.

O outro grupo visitou a Fazenda Bolandeira, em Jequiá da Praia, onde o proprietério Lucas França, por meio de intercâmbio técnico com agentes da Embrapa Tabuleiros Costeiros, implantou uma Unidade de Referência Tecnológica de integração entre coqueiro mestiço, pastagem para o gado de corte e a leguminosa arbustiva gliricídia.

“A demanda consistia em alternativas produtivas em áreas de produção de coco na região de baixada litorânea da região sul de Alagoas, uma vez que a cultura do coco é bastante difundida mas sofre grandes flutuações de preços de mercado ao longo do ano, relatando-se dois momentos de grandes baixas. Dessa forma, buscou-se por um sistema de produção que pudesse ser integrado e fazendo uso simultâneo das áreas de coqueirais da propriedade”, explica o veterinário e analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Tabuleiros Costeiros Samuel Souza, que atuou na implantação da URT.

“Desde que implementamos o sistema aqui na propriedade, tem sido impressionante o ganho de produtividade dos coqueiros, sem falar da qualidade do pasto e da redução de custos com adubo nitrogenado e suplementação para os animais por conta d gliricídia”, revela França.

O sistema sugerido e implantado foi o de produção de bovinos de corte (que sofre pouca variação de preço ao longo do ano) em sistema de pastejo rotacionado, enriquecido com leguminosa Gliricidia sepium para redução dos custos de alimentação dos animais e promovendo ciclagem de nutrientes (fixação de nitrogênio) para os coqueiros.

A recuperação das pastagens foi realizada utilizando o método de plantio direto, fazendo-se o plantio do milho juntamente com o adubo e as sementes de capim. Dessa forma, evita-se a degradação dos solos e permite-se uma renovação das pastagens com a implantação de espécies de gramíneas mais adaptadas, com maior valor nutritivo e mais indicadas para alimentação de bovinos de corte. 

“É importante ressaltar que os animais terão oferta de sombra dos coqueiros nas pastagens, promovendo um bem-estar e, consequentemente, aumento da conversão alimentar, permitindo maiores ganhos de peso dos animais na área”, destaca Samuel. 

Na propriedade a gliricídia é explorada em sistema consorciado, sendo implantada em linhas duplas e paralelas aos coqueiros, em toda extensão da área subdividida para realização do pastejo rotacionado. Esse sistema permite que a gliricídia atenda parcialmente às exigências nutricionais dos animais servindo de alimento em pastejo direto, e também promova a melhoria da produção dos coqueiros através da fixação de nitrogênio que servirá de adubo para o coqueiral. 

Essas estratégias buscam maior sustentabilidade dos pontos de vista econômico, por reduzir os custos de produção, e ambiental por fazer uso da terra com cobertura e preservação dos solos e também reduzir a necessidade de insumos químicos e de controle de pragas por tratar-se de um sistema integrado com várias culturas em constante simbiose.

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Foto: Saulo Coelho 
Saulo Coelho (MTb/SE 1065) 
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Desbaste de árvores mantém equilíbrio em sistemas integrados de produção – 21/08/2019

Desbaste mantém equilíbrio em sistemas integrados

O manejo das árvores em áreas de integração Lavoura-Pecuária–Floresta é estratégico para garantir o equilíbrio desse sistema de produção. O desbaste é uma das principais práticas para manter a produtividade da pastagem e melhorar a qualidade da madeira remanescente.

A retirada de parte das árvores favorece a incidência de luz necessária para o desenvolvimento da forrageira e da cultura agrícola. As que permanecem proporcionam conforto térmico aos animais.

De acordo com o pesquisador José Ricardo Pezzopane, da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP), vários são os benefícios da implantação do componente arbóreo em um sistema de produção, mas é importante o produtor saber qual sua finalidade para planejar o número de árvores por hectare. Se a finalidade for conforto térmico aos animais, não é necessário um número muito elevado. Cerca de 100 plantas por hectare são suficientes. No caso de agregar valor ao sistema, com o objetivo de obtenção de madeira, o ideal é mais de 150 por hectare.

O desbaste também depende da quantidade de árvores no sistema. Até 150 por hectare, geralmente, o produtor fará apenas o corte final. Se for eucalipto, em média, com 12 anos de idade. Em modelos com mais de 400 plantas por hectare, indica-se dois cortes em um ciclo de 12 anos para manter o equilíbrio do sistema.

Para saber o momento certo, Pezzopane recomenda o acompanhamento constante. “Monitorar o nível de retenção de luz pelas árvores. Quando esse nível passa de 35%, está na hora de fazer o desbaste”, explica. Verificar frequentemente o crescimento do diâmetro e da altura também contribui para definição do ponto ideal. A estabilização do crescimento das árvores é um indicativo para o manejo. Deve-se atentar ainda ao vigor das pastagens. Quando o pasto perde o potencial produtivo, a orientação é retirar algumas árvores. Outra recomendação é aproveitar as oportunidades de exploração da madeira para usos específicos na própria fazenda ou venda.

Em relação à idade do sistema, quando o produtor for fazer apenas um desbate, ele pode ser feito entre o sexto e o sétimo ano de implantação da ILPF. No caso de dois manejos, entre quatro e cinco anos, o primeiro; e, oito e nove, o segundo.

O pesquisador fala sobre a importância do desbaste no vídeo Manejo de árvores em ILPF.

 

Sistema experimental

Na área experimental de ILPF da Embrapa Pecuária Sudeste está sendo realizado o segundo desbaste. O manejo, que começou em agosto, vai retirar cerca de 800 eucaliptos em 12 hectares.

O sistema foi implantado em 2011 com aproximadamente quatro mil árvores. Metade foi retirada no primeiro desbaste, que ocorreu em 2016.

No experimento estão sendo avaliados vários dados para aprofundar o conhecimento sobre esse conceito de produção mais sustentável. Um dos objetivos da pesquisa, segundo Pezzopane, é quantificar qual o potencial de um sistema integrado com árvores em sequestrar o carbono da atmosfera por meio da madeira.
 

Foto: Gisele Rosso
Gisele Rosso (MTb/3091/PR) 
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Embrapa promove exposição no Congresso Nacional – 15/08/2019

Também está previsto um dia de campo com assessores parlamentares na Embrapa Cerrados

Agricultura Movida a Ciência é o tema da exposição da Embrapa que será inaugurada no Espaço Mário Covas, na Câmara dos Deputados. A mostra, que acontece de 19 a 23 de agosto, tem o objetivo de apresentar os resultados e impactos positivos da pesquisa agropecuária na economia, no meio ambiente e na mesa do brasileiro. Por meio dos painéis que serão instalados no local, a Embrapa quer mostrar aos parlamentares como vem contribuindo para a construção de diversas políticas públicas e o retorno para a sociedade a cada ano, o chamado lucro social.

Na quarta-feira (21), às 9h, será realizado um encontro entre a Diretoria da Embrapa, os chefes das Unidades do Distrito Federal e os parlamentares, no espaço da exposição. No dia 23, a Embrapa Cerrados receberá os assessores parlamentares para um dia de campo, de 9h às 12h, no centro de pesquisa, em Planaltina. Na programação, o presidente Celso Moretti receberá os convidados, que assistirão a uma apresentação sobre os resultados da pesquisa para a sociedade, com informações sobre o uso sustentável da água na agricultura. Em seguida, os assessores visitam três estações de trabalho sobre os temas: recursos naturais, sistema de produção sustentável e recuperação ambiental.

A mostra no Congresso e o dia de campo integram um conjunto de ações que a Empresa começou a colocar em prática a partir do Plano de Relacionamento com os Parlamentares, executado desde o começo do ano. 

Entre elas, o café da manhã com deputados e senadores realizado em março; a visita do presidente da Frente Parlamentar de Agropecuária, Alceu Moreira (MDB/RS), à Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em maio, para conhecer o Banco Genético da Embrapa e a pesquisa com insumos biológicos; o lançamento da publicação Agricultura Movida a Ciência e dos encartes das UDs, onde são apresentadas as principais linhas de pesquisa, seus temas e infraestrutura; a publicação Embrapa e Parlamentares, a produção de cartilha de orientação, no formato perguntas e respostas, dirigida aos gestores da Embrapa sobre o relacionamento com os parlamentares. Ainda está prevista uma audiência pública em setembro, onde a Embrapa apresentará suas estratégias de atuação aos congressistas.

Painéis em destaque

Nos painéis que serão exibidos ao público do Congresso Nacional, será apresentado um mapa com a localização das 43 UDs, com um convite aos deputados e senadores para que conheçam a Unidade de sua região. Todos os painéis terão um QRCode para que o conteúdo possa ser lido a partir de celulares.

Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN), Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) são alguns exemplos de tecnologias que geram economia de recursos para o produtor rural e contribuem para o aumento da produtividade na agricultura. Elas serão apresentadas aos parlamentares, a partir dos painéis, com destaque para seus resultados anuais.

A economia na cultura da soja, a partir da adoção do FBN, é de R$ 19,2 bilhões, em média. A tecnologia dispensa o uso da adubação nitrogenada, pois utiliza um processo natural que não polui o ambiente e garante maior rentabilidade.

O Zarc oferece ao produtor um mapeamento das áreas de produção, indicando as melhores datas de plantio das culturas para cada município brasileiro. Sua utilização reduz o risco de perdas por fatores climáticos. Os estudos atendem a mais de 40 culturas e consideram o tipo de solo, cultivares de diferentes ciclos e datas alternativas para o plantio. A cada ano, são economizados R$ 5,4 bilhões, em média, pela adoção do Zarc.

A ILPF, por sua vez, permite a integração de produção agrícola, plantio de florestas e produção pecuária em uma mesma área. A tecnologia tem ganhado espaço junto ao produtor rural. Atualmente, está implantada em 15,5 milhões de hectares.

Outro destaque da exposição será o Banco Genético da Embrapa, considerado o maior da América Latina e o quinto maior do mundo.

Políticas públicas

A participação da Embrapa na construção de políticas públicas também será tema da exposição. A mais recente, aprovada em julho, foi a Política Nacional de Ovinocaprinocultura, que vai garantir mais eficiência na produtividade, a melhoria da qualidade dos produtos gerados pelo setor e mais segurança alimentar. A Embrapa Caprinos e Ovinos e a Embrapa Pecuária Sul participaram diretamente com informações técnicas e científicas sobre o tema. Acesse aqui a matéria completa sobre o assunto.

Código Florestal, Pronasolos, Renovabio, Plano Safra da Agricultura Familiar, Saneamento Rural e Plano ABC também se destacam no painel Ciência e Políticas Públicas. Durante a 55ª Legislatura (2015-2019), a Embrapa contribuiu com 112 audiências públicas de diferentes comissões e executou R$ 41 milhões em emendas parlamentares.

“Um dos principais eixos de atuação da Embrapa é a geração de informações e conhecimentos que contribuam para a elaboração e o aperfeiçoamento das políticas públicas. Atuamos, inclusive, na articulação do diálogo institucional entre várias instâncias para que isso aconteça, seja participando de audiências públicas e grupos de trabalho, com os nossos pesquisadores, seja atuando fortemente junto às Câmaras Setoriais e Temáticas do Ministério da Agricultura e da Confederação Nacional de Agricultura, a CNA”, ressalta Cynthia Cury, gerente de Relações Institucionais e Governamentais da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas da Embrapa (Grig/Sire).

O futuro da agricultura brasileira

Outro objetivo da mostra é estimular o parlamentar a refletir sobre o futuro da agricultura brasileira e seus principais desafios. Entre eles, destacam-se a mudança do clima, a pesquisa em bioeconomia, a intensificação sustentável, a geração de alimentos com maior valor agregado, agricultura digital, gestão territorial e a nanotecnologia.

São desafios que a Embrapa já vem incorporando em suas atividades e que integram as megatendências do documento Visão 2030: o Futuro da Agricultura Brasileira, lançado em 2018.
 
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Adoção de ILPF depende de pesquisa, crédito e extensão rural – 07/08/2019

Sistemas integrados de produção

Um estudo demonstrou que a adoção de sistemas integrados no país depende de pesquisa, financiamento e orientação técnica. Esses modelos de produção, principalmente os que associam árvores, são importantes ferramentas no enfrentamento do aquecimento global. Além dos sistemas integrados, há o plantio direto, fixação biológica de nitrogênio, tratamento de dejetos animais, redução do desmatamento, plantio de florestas, entre outras medidas que contribuem para mitigar as emissões de gases de efeito estufa.

O trabalho da Embrapa Pecuária Sudeste, de São Carlos, em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), focou na integração de sistemas de produção e no papel das instituições na adoção dessa tecnologia.

A pesquisa baseou-se em um levantamento com produtores rurais de várias regiões do estado do Estado de São Paulo, realizado na safra 2016/2017, e em referências teóricas sobre o tema, como resoluções governamentais, planos nacionais, estaduais, etc.

“Mapear quais são as instituições, quais são as ’regras do jogo’, como elas são traduzidas e operacionalizadas e quem são os atores responsáveis por apoiar e estimular a adoção de sistemas de integração é relevante para se pensar em políticas públicas e em ações de transferência de tecnologias”, acredita a pesquisadora Marcela Vinholis, da Embrapa Pecuária Sudeste, que coordenou o estudo. Ainda, a pesquisadora destacou que conhecer as variáveis que interferem na decisão de diversificar a produção contribui para conhecer o que está funcionando, o que pode ser melhorado e onde estão os gargalos. “Você consegue visualizar onde é possível uma ação ou estratégia para incentivar a adoção. Por exemplo, as linhas de crédito específicas para ILPF estão bem desenhadas. No entanto, a maioria dos produtores não acessa essa modalidade de financiamento por desconhecimento”, ressalta Marcela.

 

Desde que o Brasil assumiu o compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa durante a Conferência de Mudança do Clima, em 2009, vêm sendo adotadas várias estratégias de mitigação, entre elas, a implantação de ILP/ILPF.

O desenho das instituições para que o Brasil alcance suas metas baseou-se em três pilares: pesquisa, capacitação e financiamento. Trabalhos científicos com foco em sistemas integrados têm gerado informações técnicas, econômicas e ambientais que dão suporte e confiança para o produtor investir nesses modelos. Foram abertos editais específicos por agências oficiais de fomento para estudo desses sistemas, empresas de pesquisa e desenvolvimento acrescentaram em suas agendas de trabalho a linha de pesquisa em sistemas de integração e instituições de ensino têm em suas grades curriculares disciplinas voltadas para capacitação de profissionais em ILP e ILPF.

Em relação à extensão rural, o estudo apontou que a falta de orientação técnica pode ser um limitante na ampliação de áreas com integração de culturas. Os técnicos são essenciais para a transferência de tecnologias e para levar informação para o produtor rural manejar e gerenciar os sistemas de integração, que são mais complexos do que sistemas solteiros de produção.

No que diz respeito a recursos para investimento e custeio, linhas de crédito específicas para a adoção de práticas e tecnologias mitigadoras de GEE, com destaque para o Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), aumentam a probabilidade de adoção desses modelos mais sustentáveis. O acesso a esse tipo de financiamento reduz a restrição orçamentária, incentivando os produtores a aceitarem projetos mais arriscados, porém com maior expectativa de retorno.

Além de pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste, fazem parte da pesquisa profissionais da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O suporte financeiro foi da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). 

 

Foto: Gisele Rosso
 
Gisele Rosso (MTb/3091/PR) 
Embrapa Pecuária Sudeste 

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