Embrapa Cocais, UEMA e parceiros realizam dia de campo sobre Integração Lavoura-Pecuária-Floresta – 07/08/2019

No próximo dia 09 de agosto, será realizado, na Unidade de Referência Tecnológica (URT) da Fazenda Muniz em Pindaré-Mirim-MA, o III Dia de Campo sobre o Sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta – ILPF. O evento vai mostrar, em quatro estações cientificas e comerciais, as alternativas para o desenvolvimento sustentável da produção agropecuária da microrregião de Pindaré-Mirim, no estado do Maranhão. 

A realização é da Embrapa Cocais em parceria com a Universidade Estadual do Maranhão – UEMA e conta com também com apoio do Instituto Federal do Maranhão – IFMA, Banco da Amazônia, Rede ILPF, Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão – FAPEMA, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR e Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca – SAGRIMA, além de empresas privadas parceiras que colaboram para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis para a região.

Direcionado a agricultores, pecuaristas, técnicos, comerciantes, estudantes das ciências agrárias e formadores de opinião, o dia de campo vai tratar de temas como “ILPF como alternativa para recuperação de pastagens degradadas”, “Inovações no manejo de pastagens”, “Estratégias de manejo de plantas espontâneas em pastagens” e “Manejo nutricional de bovinos de corte”. O objetivo é mostrar os resultados das pesquisas realizadas na URT, bem como a viabilidade técnica e econômica da criação de bovinos de corte em sistema ILPF na região.

Luciano Muniz, professor da UEMA e coordenador do dia de campo, avalia os resultados já obtidos: “Estamos entrando no quinto ano de parceria UEMA e EMBRAPA e os bons resultados alcançados são perceptíveis não apenas na publicação de artigos com alto fator de impacto e capacitação de alunos de graduação e pós-graduação, mas, sobretudo na otimização de recursos produtivos e aumento da renda do produtor”. Segundo ele, a recuperação de pastagem degradadas e a redução das emissões de gases do efeito estufa são alguns dos compromissos ambientais firmados pelo Brasil na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em 2018, e o Maranhão está fazendo sua parte. 

Para o pesquisador da Embrapa Cocais Joaquim Costa, o sucesso do trabalho desenvolvido por meio de parcerias interinstitucionais é o que tem possibilitado realizar esses dias dia campo na URT de ILPF de Pindaré-Mirim. Esse será o terceiro evento, que também vai discutir as técnicas e benefícios dos Sistemas ILPF no aumento de produtividade, lucratividade e melhoria do solo. “Percebe-se que com o aumento da produtividade nas áreas de pastagem degradadas, não há necessidade de abertura de novas áreas de floresta para implantar a atividade agropecuária. Com a ILPF, é possível produzir mais sem causar danos ao meio ambiente”, afirma.

Sistema ILPF e Plano ABC – O Sistema de Integração Lavoura-Pecuária- Floresta é uma estratégia de produção que pode integrar diferentes sistemas produtivos, agrícolas, pecuários e florestais dentro de uma mesma área. Pode ser feita em cultivo consorciado, em sucessão ou em rotação, de forma que haja benefício mútuo para todas as atividades. 

Em 2018, o Brasil assumiu, na 24ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 24), o compromisso de reduzir 37% (trinta e sete por cento) das emissões de gases do efeito estufa (GEE) até o ano de 2025 e uma redução de 43% (quarenta e três por cento) até o ano de 2030, em comparação com o que o País emitiu no ano base para os cálculos, o ano de 2005. Para alcançar essa meta, comprometeu-se em fortalecer o Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono), o qual contempla a recuperação de pastagens degradadas e a adoção de sistemas integrados de produção como medida mitigatória, dentre os quais serão inseridos a restauração adicional de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e incremento de 5 milhões de hectares de sistemas de integração Lavoura Pecuária Floresta até o ano de 2030.

 

Flávia Bessa (MTb 4469/DF) 
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Colaboração: Valéria Apolinário e o Victor Reis) 
Embrapa Cocais 

Embrapa Agrossilvipastoril lança livro com relato de contribuições para agropecuária de Mato Grosso – 12/07/2019

A Embrapa Agrossilvipastoril acaba de lançar um livro digital com relatos sobre as contribuições da empresa para o setor agropecuário de Mato Grosso. A publicação conta com a participação de empregados de diferentes setores e mostra pesquisas desenvolvidas, resultados alcançados, ações de transferência de tecnologia e comunicação e também os processos administrativos.

“Embrapa Agrossilvipastoril: primeiras contribuições para o desenvolvimento de uma agropecuária sustentável” foi lançado no ano em que a Unidade de pesquisa completou dez anos de sua criação. O livro pode ser acessado no site www.embrapa.br/agrossilvipastoril e baixado gratuitamente em formato PDF.

“O intuito do livro é apresentar de forma concisa e objetiva o trabalho da Embrapa Agrossilvipastoril em todos os seus setores entre os anos de 2009 e 2016. Esta publicação está aqui sendo disponibilizada para a sociedade, organizada em seções e em capítulos que descrevem o trabalho realizado pela unidade desde seu estabelecimento”, afirma o chefe-geral da Embrapa Agrossilvipastoril e um dos editores do livro, Auster Farias.

Composição

Com relatos curtos sobre cada uma das ações de Pesquisa, Transferência de Tecnologia, Comunicação e Administrativas, a publicação contou com 243 autores entre empregados, bolsistas e parceiros institucionais.

Ao todo são 121 capítulos distribuídos em 11 partes: Água, Solo e Clima; Aproveitamento de Resíduos; Automação; Sistemas Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF); Produção Animal; Produção Vegetal; Recomposição Florestal; Recursos genéticos e melhoramento vegetal; Transferência de Tecnologia; Comunicação Organizacional; e Área de Gestão e Suporte às Atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Transferência de Tecnologias.

Além de Auster Farias, a publicação teve como editores técnicos os empregados Alexandre Nascimento, André Rossoni, Ciro Magalhães, Daniel Ituassú, Eulalia Hoogerheide, Fernanda Ikeda, Flávio Fernandes Junior, Gabriel Faria, Ingo Isernhagen, Laurimar Vendrusculo, Marina Morales e Roberta Carnevalli.
 
Gabriel Faria (mtb 15.624 MG) 
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Rede de parceiros discute Integração Lavoura – Pecuária – Floresta em estados do NE – 31/07/2019

Trocar conhecimentos e contribuir para o avanço das tecnologias de ILPF (Integração Lavoura – Pecuária – Floresta) em estados do Nordeste, com foco na elevação dos índices socioeconômicos da região e capacitação de assistentes técnicos e produtores, num rico intercâmbio com pesquisadores e agentes técnicos.

Esse é o principal objetivo da série de eventos ‘ILPF no Nordeste: aprendizados e desafios’, promovida pela Embrapa a parceiros em Alagoas, Paraíba e Pernambuco, com recursos da Rede ILPF, uma parceria público-privada formada pela Embrapa, a cooperativa Cocamar e as empresas Bradesco, Ceptis, John Deere, Premix, Soesp e Syngenta.

Com coordenação da pesquisadora da Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora, MG) Elizabeth Nogueira, a inciativa tem a participação de pesquisadores e agentes de mais sete Unidades da Embrapa – Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), Caprinos e Ovinos (Sobral, CE), Semiárido (Petrolina, PE), Algodão (Campina Grande, PB), Solos (Rio de Janeiro, RJ), Alimentos e Territórios (Maceió, AL) e Milho e Sorgo (sete Lagoas, MG).

Alagoas
A série de encontros tem início em Maceió, AL, com o workshop “ILPF em novo territórios agrícolas: o caso SEALBA’, de 20 a 22 de agosto, na sede da Federação da Agricultura e Pecuária no Estado de Alagoas (FAEAL), em co-realização com o Sebrae/AL e com apoio da FAEAL, Emater/AL, Faped, Seagri-AL, FIEA e Associação dos Criadores de Alagoas.

O foco das discussões desse primeiro encontro será a promoção de ILPF na nova fronteira agrícola denominada SEALBA, formada por áreas com grande potencial produtivo em Sergipe, Alagoas e Nordeste da Bahia. A programação terá apresentações de pesquisadores de diversas Unidades da Embrapa, dirigentes da Rede ILPF, consultores do Sebrae, agentes da Seagri e produtores com casos de sucesso.

No último dia acontecem visitas técnicas para que os participantes conheçam de perto casos de sucesso de uso de ILPF na região.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas junto ao Sebrae/AL pelo telefone 0800 570 0800. 

Paraíba
Em outubro, Campina Grande, PB, sedia o seminário ‘Novas Visões e estratégias em ILPF’, que acontecerá no auditório da Embrapa Algodão, em data a ser confirmada. O evento acontecerá com apoio Faped. 

O foco será em novos conceitos e inovações que buscam agregar valor à produção integrada, como processos de certificação, qualificação da produção e serviços ambientais, além de produção de ovinos dentro do sistema e outras tecnologias.

Pernambuco
De 19 a 22 de novembro, Petrolina, no Sertão de Pernambuco, sedia o último dos encontros, que integrará a programação do Semiárido Show 2019, nos auditórios do evento e em espaços abertos.

A programação inclui apresentações de vários pesquisadores da Embrapa, Rede ILPF e da Rede Adapta Sertão, além de dias de campo para apresentar a aplicação de tecnologias integradas adaptadas ao Semiárido.

 

PROGRAMAÇÃO

Workshop – ILPF em novos territórios agrícolas: o caso SEALBA
20 a 22 / Agosto / 2019 – Auditório da FAEAL – Maceió, AL

Dia 20 (8h-17h)

Abertura

ILPF e Mudanças Climáticas
Renato de Aragão Ribeiro Rodrigues – Associação Rede ILPF

A Região SEALBA: Caracterização e Ocupação Agropecuária 
Marcus Aurélio Cruz – Embrapa Tabuleiros Costeiros e Hibernon Cavalcante Albuquerque – Secretaria Agropecuária de Alagoas 

Casos de Sucesso no Território 
André Sorio (Consultor Programa Mais Pasto) e Osmando Xavier (Proprietário da Fazenda Timbaúba) 

Composição de ILP com Milho, Soja e Braquiárias para o SEALBA 
Edson Patto Pacheco – Embrapa Tabuleiros Costeiros 
  
Carne Carbono Neutro: novo conceito para carne sustentável certificada produzida em ILPF Roberto Giolo de Almeida – Embrapa Gado de Corte

Modelos Potenciais de ILPF para o SEALBA 
Abilio Rodrigues Pacheco – Embrapa Florestas 

Dia 21 (8h-12h30)

Conforto Animal e Ambiência em IPF 
Fabiana Villa Alves – Embrapa Gado de Corte

Modelos de ILPF com Eucalipto para Zona da Mata
Vanderley Porfírio – Embrapa Florestas e Shirlan Madeiros – Consultor Sebrae/AL  

Modelos de ILPF para o Semiárido
Salete Alves de Moraes – Embrapa Semiárido 

Proposta para Capacitação Continuada de Técnicos em ILPF 
Lineu Domit – Embrapa Alimentos e Territórios

Dia 22 (7h-13h)

Visitas técnicas a áreas experimentais e de produção

Seminário – Novas visões e estratégias em ILPF *(Programação a confirmar)
Outubro/2019 – Campina Grande, PB *(Data a confirmar)

1º Dia (8h-18h)

Abertura

Palestras:

Agregação de valor em Sistemas Integrados

Manejo de Espécies Nativas indicadas para Sistemas de ILPF no Nordeste

Interação do componente florestal com os animais e a pastagem

Pagamentos por Serviços Ambientais: afinal o que falta para ser implementado em ILPF? Rachel Bardy Prado – Embrapa Solos  

Certificação de Sistemas ILPF

2º Dia (8h-18h)

Recomendações de adubação para sistemas integrados

Produção de caprinos/ovinos em sistemas integrados 

Reunião dos membros da Rede de ILPF do Nordeste

Encontro – Modelos de ILPF para o semiárido
19 a 22 / Novembro / 2019 – Petrolina, PE

Dia 19 (8h-18h)

Abertura Pedro Carlos Gama da Silva – Embrapa Semiárido 

A importância do ILPF para o semiárido nordestino  
Renato de Aragão Ribeiro Rodrigues – Embrapa Solos/Rede ILPF   

ILPF no Nordeste  
José Henrique de Albuquerque Rangel e Samuel Figueiredo de Souza – Embrapa Tabuleiros Costeiros  

Modelos de cultivos de sistemas integrados para o Nordeste  
João Henrique Zonta e José Geraldo di Stefano – Embrapa Algodão

Rede Adapta Sertão Pecuária Regenerativa: A experiência da Rede Adapta Sertão
Danieli Cesano – Rede Adapta Sertão  

A contribuição da ILPF na melhoria da qualidade dos solos do Semiárido 
André Júlio do Amaral – Embrapa Solos

Encerramento  

Dias 20 a 22 (8h-17h)

Dias de Campo:
Sistema Glória de produção de Leite 
Rafael Dantas de Souza – Embrapa Semiárido e Samuel Figueiredo de Souza – Embrapa Tabuleiros Costeiros

Sistema Silvipastoril indicado para Caatinga 
Rafael Gonçalves Tonucci – Embrapa Caprinos e Ovinos

Modelos indicados para sistemas integrados no Sertão do Semiárido
Salete Alves de Moraes – Embrapa Semiárido       

Cursos:
Sistemas de IPF para o semiárido nordestino
Rafael Dantas de Souza – Embrapa Semiárido e Samuel Figueiredo de Souza – Embrapa Tabuleiros Costeiros 

Palestras:
Aproveitamento da mucilagem de sisal para alimentação de ovinos
Manoel Francisco de Sousa – Embrapa Algodão

ILPF como ferramenta para recuperação de solos e melhor aproveitamento da água em sistemas produtivos do Semiárido
José Geraldo Di Stefano – Embrapa Algodão

Componente florestal: Estratégias e Desafios para o Semiárido Brasileiro
Marcos Antônio Drumond – Embrapa Semiárido e José Henrique Rangel – Embrapa Tabuleiros Costeiros        

O Papel das Leguminosas no uso de Sistemas Integrados  
Paulo Ivan Fernandes Junior – Embrapa Semiárido
 

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Saulo Coelho (MTb/SE 1065) 
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Sistemas integrados foram tema do 4º Dia de Campo sobre segurança alimentar promovido pela Embrapa Caprinos e Ovinos – 29/07/2019

Produtores e técnicos de 18 municípios cearenses participaram do Dia de Campo sobre sistemas integrados como estratégia de segurança alimentar animal no semiárido, promovido pela Embrapa Caprinos e Ovinos no último dia 10 de julho. Durante o evento, os participantes conheceram o trabalho que vem sendo feito pela Unidade e trocaram ideias a respeito dos sistemas desenvolvidos considerando o uso sustentável da caatinga, com vistas ao aumento da produção e intensificação do uso de área.
Na programação foram abordados quatro temas: integração lavoura-pecuária-floresta, uma alternativa de raleamento feito em faixas; diferimento de pastagens, técnica de baixo custo usada para prolongar a oferta de alimento no período seco;  sistema de integração lavoura-pecuária utilizado nos campos experimentais da Unidade; e  cultivo da palma forrageira em sistemas integrados.

Marcia Maria Cavalcante Rocha trabalha com bovinos, mas afirma que vai aplicar na propriedade o que aprendeu durante o evento. “Principalmente sobre integração lavoura-pecuária-floresta em sistema de faixas, como foi apresentado, porque a gente já está iniciando alguma coisa em relação a ILPF mas esse sistema eu não tinha visto ainda. Achei muito interessante”.

O técnico Francisco José, que trabalha com criadores de caprinos e ovinos, diz que o que aprendeu durante o Dia de Campo será útil para a sua região. “São técnicas simples, mas de grande valia para eles e nós vamos fazer essa ponte e levar o que aprendemos aqui para a região”.

Para o coordenador geral de produção animal do Ministério da Agricultura, André Brugnara Soares, o evento foi muito bom. “Acho que a Embrapa Caprinos e Ovinos tem desempenhado um papel importantíssimo em propor sistemas de produção que respeitam as peculiaridades ecológicas do semiárido e trabalham em duas cadeias que merecem ser priorizadas nas ações de pesquisa e fomento.”

A chefe adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Caprinos e Ovinos, Ana Clara Cavalcante, explica que a ideia de eventos como este é levar para as propriedades as tecnologias desenvolvidas pela empresa. “O que fazemos aqui na Embrapa é a ciência que transforma, são ideias que vão para o campo para melhorar o sistema de produção, para tornar a pecuária uma atividade sustentável. Trabalhamos com soluções tecnológicas pensando em diferentes maneiras de fazer uso delas para aumentar a produção aqui no nosso ambiente. É uma oportunidade para trocar informações e para os criadores conhecerem as pessoas que estão por trás do desenvolvimento das tecnologias.”

A escolha do tema foi aprovada pelos participantes do evento, conforme avaliação do engenheiro-agrônomo da Embrapa, Lucas Oliveira, coordenador do Dia de Campo. Ele acredita que as temáticas apresentadas atraíram bastante a atenção dos participantes, com diversas perguntas aos palestrantes, principalmente com relação à implantação e ao uso das tecnologias apresentadas. “Este interesse demonstrado pelo público presente reforça a ideia de que os sistemas integrados estão cada vez mais se tornando uma alternativa viável para a produção animal no semiárido”.

Essa foi a quarta edição do Dia de Campo sobre segurança alimentar promovido pela Embrapa Caprinos e Ovinos e, segundo o chefe adjunto de Transferência de Tecnologia, Cícero Lucena, a empresa pretende continuar realizando anualmente o evento. “Trabalhamos na perspectiva de torna-lo uma referência na Unidade, uma tradição, para uma vez no ano a gente reunir os produtores e discutir um tema de segurança alimentar, que é de inquestionável importância uma vez que tem um grande impacto nos custos dos sistemas de produção”. 

 

Foto: Adriana Brandão

Adriana Brandão (MTB CE01067JP) 
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Líder na pecuária de corte, Mato Grosso perde posição na produção leiteira – 30/07/2019

Baixa adoção tecnológica é uma das causas do menor volume de leite produzido no estado

Um estudo conduzido em parceria entre o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a Rede ILPF e a Embrapa mostrou que a sazonalidade na produção de leite em Mato Grosso é maior do que na média nacional. Essa diferença entre a produção na safra e na entressafra é o principal fator que limita a indústria do setor no estado que abriga o maior rebanho de corte do Brasil e lidera a produção nacional de soja e algodão.

De acordo com o trabalho coordenado pelo zootecnista Miqueias Michetti, do Imea, o índice de sazonalidade em Mato Grosso entre 2011 e 2018 foi de 41%, enquanto no Brasil esse valor foi de 20%. A sazonalidade é a diferença entre a oferta de leite em diferentes períodos do ano.

A variação na produtividade mato-grossense é reflexo do sistema de produção de leite adotado no estado. A atividade é desenvolvida, majoritariamente, por agricultores familiares, em pequenas propriedades, com pouca tecnologia e baseadas na alimentação a pasto. Durante os meses chuvosos, há abundância de pastagem e a produção aumenta. No inverno, quando falta chuva em boa parte do estado, há pouca disponibilidade de capim e a produtividade das vacas despenca.

Essa oscilação na disponibilidade do produto, no entanto, traz consequências negativas para os laticínios, uma vez que há ociosidade superior a 50% da capacidade de produção em alguns meses do ano.

“Essa falta de eficiência na atividade de produção de leite em Mato Grosso pode ser um dos fatores que contribuem para a falta de um parque industrial consolidado e presença de indústrias com marcas nacionais no estado. Em virtude da insuficiência de oferta, os laticínios apresentam problemas relacionados à ociosidade da infraestrutura, da mão de obra empregada, o que impacta a regularidade no abastecimento dos mercados consumidores e no planejamento estratégico de médio e longo prazo”, explica Michetti.

Atualmente o estado conta com 60 laticínios, dos quais dez são de cooperativas de produtores. A muçarela é o principal produto produzido no estado, demandando metade do leite processado na indústria.

Preços mais estáveis
Embora a disponibilidade de leite em Mato Grosso se altere mais ao longo do ano do que em outras regiões do País, a pesquisa mostrou que a variação no preço do leite no estado é menos intensa. Enquanto na média nacional a variação chega a 14%, em Mato Grosso a variação média é de 11%.

Porém, esse efeito é causado pelo menor aumento dos preços pagos ao produtor na entressafra. Em média, em Mato Grosso se paga 23,29% a menos pelo litro do leite do que no restante do País. Durante a seca, de julho a setembro, a diferença chega a ser de 27,81%.

“Apesar de menor variação, a diferença entre os preços se acentuam nos períodos de entressafra. Dessa forma, o preço do leite não tem se mostrado um mecanismo que estimule a manutenção da produção de leite em Mato Grosso”, explica o zootecnista.

De acordo com os pesquisadores, uma das hipóteses para menor variação no preço do leite no estado durante o período de estiagem é a falta de competitividade dos laticínios devido ao desempenho regular causado pelos altos níveis de ociosidade.

Produção mato-grossense em queda
Líder nacional em produção de grãos e fibras, como soja e milho e algodão, e também na produção de carne bovina, o bom desempenho de Mato Grosso não se repete na pecuária de leite. O estado vem caindo de posição no ranking nacional de produção. Atualmente é o 10º maior produtor.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção em 2018 foi de 615,8 milhões de litros, o menor volume nos últimos 11 anos. 

As vacas de Mato Grosso produzem, em média, 1.637 litros por ano por cabeça, volume 35% menor que os animais do restante do país. A produção média por fazenda no estado também contribui para os números baixos. Entre 2006 e 2017 a média de produção diária por propriedade caiu de 45 para 41 litros, quanto no restante do Brasil esse número pulou de 41 para 70 litros.

Assistência técnica e tecnologia
De acordo com o analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agrossilvipastoril (MT) Orlando Lúcio de Oliveira Júnior, três fatores ajudam a explicar o cenário da pecuária leiteira em Mato Grosso. Um é a dificuldade de logística: um caminhão precisa se deslocar longas distâncias, em estradas ruins, para coletar o leite. Outro fator é a carência de assistência técnica, o que reflete em baixa adoção tecnológica e em problemas de qualidade do produto. O terceiro ponto é o pequeno mercado consumidor local. Com uma população pequena, o estado de Mato Grosso não consome toda a produção de leite e as indústrias são obrigadas a vender no Sudeste, onde enfrentam a concorrência de grandes empresas do setor.

Para Orlando, o cenário futuro não é promissor para a cadeia do leite em Mato Grosso. Ele destaca o fato de a média de idade dos produtores ser de 54 anos e de não estar havendo sucessão familiar na atividade, de acordo com diagnóstico feito pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato).

A despeito da retração dos números, a cadeia do leite tem grande importância social no campo, uma vez que é a principal fonte de renda de muitas famílias. Como forma de melhorar a produção e qualidade do produto, um grupo de entidades se esforça para qualificar a assistência técnica no estado.

A Embrapa, em parceria com Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer) e governo do estado desenvolve, desde 2011, um programa de capacitação. Extensionistas e técnicos participam de encontros presenciais em que são discutidos temas como nutrição animal, planejamento forrageiro, manejo de pastagem, manejo sanitário do rebanho, cuidados na ordenha, protocolos de reprodução, entre outros.

Um dos resultados dessas capacitações é a criação de Unidades de Referência Tecnológica (URT) coordenadas pelos técnicos. Esses espaços são utilizados em dias de campo e visitas técnicas e servem como difusores de tecnologias regionalmente.

ILPF e melhoria do rebanho

A Embrapa Agrossilvipastoril também mantém uma cooperação técnica voltada para a pecuária leiteira com a cooperativa Coopernova. São desenvolvidas pesquisas com a produção de leite em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), nas quais são estudados efeitos do conforto térmico gerado pelas árvores nos índices reprodutivos e na lactação.

Como parte do acordo, metade dos bezerros machos que nascem no campo experimental são destinados à Coopernova, para que possam contribuir com a melhoria do rebanho dos cooperados. Na pesquisa são utilizadas vacas girolandas.

Os resultados da pesquisa são apresentados aos produtores por meio de eventos técnicos, como dias de campo. 

 

Foto: Orlando Oliveira e Gabriel Faria 

Gabriel Faria (MTb 15.624/MG) 
Embrapa Agrossilvipastoril 

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Estudo revela por que sistemas de Integração Lavoura-Pecuária emitem menos óxido nitroso – 30/08/2019

 

Pesquisa mostra como a lavoura integrada com pastagem reduz emissões de gás de efeito estufa

Os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) emitem menos óxido nitroso (N2O), um importante gás de efeito estufa (GEE), quando comparados a lavouras em sistema de plantio convencional. É o que constata um estudo conduzido na Embrapa Cerrados (DF) que também detalha como isso ocorre. A pesquisa destaca que o uso de gramíneas forrageiras, que aportam matéria orgânica e aprofundam raízes no perfil do solo, influencia esse processo, assim como a presença de maiores volumes de agregados do solo com maiores diâmetros.

Entre as explicações para esse resultado, os cientistas observaram que as braquiárias, forrageiras plantadas para alimentar o gado, depositam matéria orgânica mais difícil de ser degradada e, além disso, a ILP proporciona solos com agregados maiores. Com mais carbono e nitrogênio acumulados nessas partículas, a matéria orgânica presente é protegida da decomposição feita pela microbiota, os microrganismos que habitam o solo.

“A tecnologia permite, em uma mesma área, produzir mais e em menor tempo (no caso dos animais) e esses fatores reduzem a intensidade de emissões, ou seja, emitimos menos gases de efeito estufa por quilo de alimento produzido”, detalha o pesquisador da Embrapa Solos (RJ) Renato Rodrigues, que preside o conselho da Associação Rede ILPF. “A integração ainda promove redução proporcional do uso de nitrogênio em comparação aos sistemas solteiros e gera menos revolvimento da terra, o que reduz as emissões de óxido nitroso”, completa o especialista.

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que as emissões de N2O nos sistemas agrícolas são influenciadas por condições edafoclimáticas (solo, clima, vegetação, entre outras), e que a disponibilidade de matéria orgânica do solo (MOS) é um fator chave no processo. O estudo avança na compreensão de como se dá o acúmulo de frações de MOS estáveis e lábeis (menos estáveis) nos solos sob ILP e as possíveis relações com as emissões de N2O. As avaliações foram realizadas em 2015, na área do experimento de longa duração em ILP, iniciado em 1991 na Embrapa Cerrados – o mais antigo do Brasil – sob solo argiloso.

 

Estudo publicado
Os resultados são apresentados no artigo “Understanding the relations between soil organic matter fractions and N2O emissions in a long-term integrated crop-livestock system”, publicado no European Journal of Soil Science. O trabalho é de autoria de Juliana Sato, doutoranda pela Universidade de Brasília (UnB), Cícero de Figueiredo (UnB), Robélio Marchão, Alexsandra de Oliveira, Lourival Vilela, Francisco Delvico (Embrapa Cerrados), Bruno Alves (Embrapa Agrobiologia) e Arminda de Carvalho (Embrapa Cerrados).

 

Como foi a pesquisa
O experimento compreende uma área total de 14 hectares (ha). Com dimensões de cerca de um hectare, as parcelas compararam sistemas de lavoura contínua (cultivada em plantio direto e convencional) com sistema integrado de rotação lavoura-pecuária, tendo o capim Brachiaria brizantha BRS Piatã como planta de cobertura. Em todos os três sistemas agrícolas, a espécie forrageira foi introduzida em consórcio com sorgo safrinha cultivado após a soja, visando à comparação das áreas, que receberam o mesmo manejo. Os tratos culturais variaram apenas quanto ao preparo do solo na lavoura contínua sob preparo convencional e à presença dos animais em pastejo no sistema ILP.

“Realizamos esse estudo em um experimento que simula as condições de fazenda, com mecanização em todas as etapas, o que permitiu maior robustez dos dados”, explica o pesquisador da Embrapa Robélio Marchão, atualmente responsável pela área experimental.

 

Brasil e o compromisso com o clima
O pesquisador da Embrapa Renato Rodrigues lembra que o Brasil assumiu compromissos voluntários de mitigação de emissões junto à Organização das Nações Unidas (ONU), durante a Conferência de Mudança do Clima de 2009. “Esses compromissos foram traduzidos em uma grande estratégia de adoção de tecnologias sustentáveis (ou de baixa emissão de carbono). A partir dessa política, teve origem o Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC), que entre outras tecnologias, previa a implantação de quatro milhões de hectares de ILP/ILPF no Brasil entre 2010 e 2020”, diz.

Em 2015, o Brasil assumiu novos compromissos no Acordo de Paris, com a intenção de implantar mais 20 milhões de hectares de ILPF e recuperação de pastagens degradadas entre 2021 e 2030.

 

Os cientistas quantificaram as emissões cumulativas de N2O por 146 dias ao longo do ciclo da cultura do sorgo. Uma área remanescente de Cerrado também foi avaliada como referência. As emissões acumuladas foram maiores no início do ciclo da cultura, em função da fertilização nitrogenada associada à ocorrência de chuvas, com precipitações diárias superiores a 40 mm. “Além disso, a ocorrência de veranicos (períodos sem chuva) na estação chuvosa no Cerrado promove condições de secagem e reumedecimento do solo, o que funciona como uma fonte importante para emissão de N2O em diferentes momentos da estação de crescimento dos cultivos”, explica a pesquisadora Alexsandra de Oliveira.

As maiores emissões acumuladas ao fim dos 146 dias foram observadas na área com lavoura em plantio convencional, com 1,8 kg/ha de N2O, enquanto as emissões da lavoura contínua sob plantio direto representaram metade dessa emissão (0,9 kg/ha). Dentre as áreas cultivadas, o sistema ILP foi o que apresentou as menores emissões acumuladas de N2O, com 0,79 kg/ha. Na área de Cerrado, considerada a referência positiva do estudo e onde as emissões diárias estão sempre próximas de zero, a emissão acumulada do período representou apenas 11% da emissão da lavoura em plantio convencional, considerada a referência negativa.

“A decomposição de resíduos da lavoura durante a sucessão de culturas na primeira e na segunda safras (soja e sorgo) e a presença de uma gramínea forrageira com e sem pastejo nos dois sistemas em plantio direto explicam as diferenças nos fluxos de N2O nos diferentes sistemas de manejo analisados”, relata a pesquisadora Arminda de Carvalho.

“As gramíneas forrageiras tropicais, sobretudo as braquiárias, quando encontram solos de fertilidade construída, como é o caso desse estudo, conseguem expressar todo o potencial de desenvolvimento do seu sistema radicular, que tem um importante efeito físico no solo, protegendo a MOS”, completa Marchão.

Cultivo convencional aumentou emissões

A pesquisa também analisou as frações de carbono do solo lábeis e estáveis em duas classes de agregados de solo – os macroagregados, com mais de 0,250 mm de diâmetro, e os microagregados, com menos de 0,250 mm de diâmetro. Nos macroagregados, foram encontradas as maiores proporções de MOS estável.

Os pesquisadores constataram que o cultivo convencional com revolvimento do solo reduziu todas as frações de carbono do solo, diminuiu a proteção física da matéria orgânica e o índice de humificação (formação de húmus) da MOS e, consequentemente, aumentou as emissões de N2O para a atmosfera.

Já o sistema ILP resultou no maior incremento em carbono do solo nas frações mais estáveis de MOS. Para os responsáveis pelo estudo, isso confirma a hipótese de que o acúmulo de carbono e nitrogênio nas frações mais estáveis de MOS, ao oferecer proteção física e química contra a ação de decomposição pela microbiota do solo, resulta em menores emissões de N2O.

“No sistema ILP, a MOS depositada pelas braquiárias é mais estável e mais difícil de ser degradada”, esclarece Marchão. Assim, os pesquisadores constaram que a compreensão do papel das frações de MOS é fundamental na busca pela mitigação dos gases de efeito estufa e na adaptação dos sistemas agrícolas às mudanças climáticas.

Os cientistas concluíram, ainda, que a agregação é um atributo chave que se correlaciona com os fluxos de N2O dos solos. Eles observaram que sistemas conservacionistas como ILP em plantio direto obtiveram maior diâmetro médio de agregados do solo entre os agroecossistemas analisados. Também constataram que a difusividade do oxigênio no perfil do solo, possibilitada pela formação de agregados, resultou na diminuição da emissão de N2O, o que também explica as menores emissões no sistema ILP.

Para os autores do estudo, os resultados mostram que os sistemas integrados apresentam potencialmente um balanço de carbono positivo, o que torna possível recomendá-los para a intensificação sustentável como alternativa para a mitigação e adaptação das mudanças climáticas.

 

Sistemas de integração e o N2O
Os sistemas de integração baseados na rotação pastagem-lavoura associada ao Sistema Plantio Direto têm sido importantes na intensificação sustentável do uso da terra no Brasil. Eles são mais eficientes na reciclagem de nutrientes, melhorando a qualidade do solo e aumentando a sua biodiversidade. Além disso, como já comprovado pela pesquisa, promovem sequestro de carbono, contribuindo para a mitigação das emissões de GEE.

As menores emissões de óxido nitroso por esses sistemas podem ser explicadas pela capacidade das raízes dos capins braquiárias de liberarem inibidores biológicos de nitrificação, que bloqueiam as rotas enzimáticas das bactérias do gênero Nitrossomonas, responsáveis pela oxidação da amônia, transformando-a em nitrito. O nitrito sofre nitrificação pelas bactérias Nitrobacter, tornando-se nitrato. O nitrato é então reduzido a gases de nitrogênio, entre eles o N2O, na desnitrificação promovida por bactérias heterotróficas.

Nas áreas com ILP, há uma maior mobilização de nitrogênio pelas pastagens na entressafra de grãos, o que reduz a disponibilidade desse elemento químico para a biomassa microbiana responsável pelos processos de nitrificação e desnitrificação.

Apesar de estar presente em proporções bem menores que o gás carbônico (CO2), o N2O possui capacidade cerca de 300 vezes maior que a do CO2 de reter calor na atmosfera. Além disso, pode absorver calor em lugares nos quais o CO2preferencialmente não absorve, permanecendo por mais de 100 anos na atmosfera até ser degradado naturalmente.

O Brasil é considerado o principal emissor de N2O da América Latina. As emissões do gás são influenciadas por uma série de fatores, como: manejo; elevada quantidade de água dos solos, que reduz a aeração e promove a anaerobiose; acidez do solo; o uso de fertilizantes nitrogenados; o plantio convencional, que interfere na aeração, na decomposição dos resíduos vegetais e na flora; e os excrementos de animais, que são fontes de nitrogênio e de carbono orgânico, que favorecem a atividade microbiana.

 

Foto: Robélio Marchão

Breno Lobato (MTb 9417/MG) 
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Congresso mostra a ILPF como estratégia para construção de fertilidade do solo – 29/08/2019

 

Simpósio sobre ILPF no Congresso Brasileiro de Ciência do Solo 

O uso de diferentes estratégias de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) na recuperação da fertilidade de solos com baixa fertilidade foi um dos temas abordados durante o XXXVII Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, realizado de 21 a 26 de julho em Cuiabá (MT). O tema foi apresentado e discutido em um simpósio na quarta-feira, dia 24, e também foi visto na prática em uma visita técnica a duas propriedades rurais na sexta-feira, dia 26.

Com o tema “ILPF como estratégia de intensificação sustentável do uso do solo”, o simpósio mostrou diferentes resultados de pesquisas e de experiências de produtores em que a ILP foi usada na recuperação de pastagens degradas.

Utilizando dados do Censo Agropecuário realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o pesquisador da Embrapa Cerrados Lourival Vilela mostrou que, entre 2006 e 2017, houve um aumento em 18% da área com pastagens degradadas no Brasil, chegando a 11,7 milhões de hectares. Estima-se em 100 milhões de hectares a área com pastagens no país.

De acordo com o pesquisador, como estes dados são feito a partir da autodeclaração dos entrevistados, é provável que o número seja ainda maior. Prova disso é que, ainda de acordo com o Censo Agropecuário, 82% das pastagens do país possuem taxa de lotação abaixo de 0,8 unidade animal por hectare. O número é bem abaixo da possibilidade de produção, caso as pastagens sejam bem manejadas.

“Se subirmos a média para 2 ua/ha, serão liberados 74,7 milhões de hectares para a agricultura”, calcula o pesquisador, mostrando que é possível mais que dobrar a produção agrícola sem a necessidade de abertura de novas áreas.

Para que possa haver esse ganho de produtividade, uma das melhores alternativas disponíveis para os produtores é a integração da pecuária com a lavoura. Além de custear as despesas com a recuperação do pasto e permitir o uso mais eficiente dos recursos, o consórcio traz benefícios para o solo.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Soja Osmar Conte, a ILP promove a diversificação das culturas, recupera as propriedades químicas do solo, melhora a cobertura, possibilita maior crescimento de raízes, aumenta a porosidade e o teor de matéria orgânica do solo. Com isso gera um ambiente mais diverso e propício para o desenvolvimento das plantas.

Entre os benefícios da ILP, Osmar destaca a maior capacidade de aprofundamento de raízes, o que permite às plantas buscar nutrientes e água em camadas mais profundas. Assim elas resistem melhor aos períodos de veranicos.

“A soja aprofunda mais as raízes quando plantada após a braquiária ruziziensis. Dobrando a profundidade das raízes, você dobra o número de dias de atendimento pleno de água para a planta”, explica.

Matéria orgânica

De acordo com o pesquisador, o incremento de 1% no teor de matéria orgânica no solo representa aumento na produção de 12 a 15 sacas de soja. Nesse sentido, o uso das forrageiras é o maior aliado do produtor, sobretudo pelo incremento gerado pelas raízes. Osmar explica que, conforme pesquisas realizadas na Embrapa Soja, 30% do ganho de produtividade devem-se à palha gerada pela forrageira e os 70% restantes às raízes.

Exemplo do que foi apresentado no simpósio pôde ser visto pelos participantes do congresso que estiveram no tour técnico de ILPF. Um grupo formado por cerca de 70 pessoas visitou duas fazendas que usam diferentes estratégias da tecnologia.

Em uma delas, no munício de Poconé (MT), no bioma Pantanal, era um exemplo de pastagem degradada. Com o uso da lavoura de soja, o produtor Raul Santos Costa Neto viu a produtividade da fazenda Lagoa Dourada dar um salto. Na primeira safra, em 2012/2013, colheu em média 42 sacas de soja. Cinco anos depois, colheu 72 sacas em média em 1.500 ha de lavouras. Além disso, foi, pelo segundo ano seguido, ganhador em Mato Grosso do prêmio de máxima produtividade de soja do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), chegando a 100 sacas/ha em um de seus talhões.

De acordo com o produtor, graças à ILP, pôde aumentar o teor de matéria orgânica média em seu solo de 1,5% para 3%. Em alguns pontos o índice ultrapassa os 5%.

Ampliação da área com ILPF

Além de permitir o aumento da produtividade de grãos e da pecuária, a ILPF é uma tecnologia mais eficiente no balanço de emissões de gases causadores do efeito estufa. Pastagens recuperadas, plantio direto na palha e o plantio de árvores são técnicas que ajudam a mitigar as emissões.

Por esse motivo políticas públicas como o Plano Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC) preveem o aumento da área com adoção de ILPF no Brasil em 5 milhões de hectares até 2030. Somando-se aos 15 milhões da meta de pastagens a serem recuperadas, são 20 milhões de hectares.

Para contribuir com esse resultado, a Associação Rede ILPF, uma parceria público privada formada pela Embrapa e instituições da iniciativa privada tem como meta ampliar a área com ILPF no Brasil dos atuais 15 milhões de ha para 35 milhões até 2030.

Para isso, explica o presidente do Conselho Gestor da Rede ILPF e pesquisador da Embrapa, Renato Rodrigues, a Associação está, entre outras ações, trabalhando no desenvolvimento de uma certificação de propriedades e de produtos gerados a partir da ILPF. O intuito, explica, é criar mercados diferenciados para a produção feita por meio da intensificação sustentável.

Já pensando nesse potencial mercado, produtores como Arno Schneider, da Estância Ana Sophia, em Santo Antônio do Leverger (MT), estão apostando no uso de árvores em ILPF. Atualmente ele já possui 140 hectares de ILPF com uso da teca. A maior parte é em sistema silvipastoril. Em algumas novas áreas está cultivando mandioca entre as linhas até que as árvores tenham tamanho suficiente para não serem prejudicadas pelo gado.

A experiência do produtor rural, que é referência no estado, também foi visitada durante o tour técnico do Congresso Brasileiro de Ciência do Solo. O local também já recebeu dias de campo promovidos pela Embrapa Agrossilvipastoril e é usado frequentemente em aulas práticas de cursos superiores de agronomia e engenharia florestal.

 

Foto: Gabriel Faria
 
Gabriel Faria (mtb 15.624 MG) 
Embrapa Agrossilvipastoril 

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Sistema de plantio direto na lavoura de mandioca é mais sustentável e rentável – 16/07/2019

Pesquisa mostra que o plantio direto, feito sobre a palhada da cultura anterior, é capaz de aumentar produtividade da mandioca em até 50%, além de elevar a qualidade do solo. Também chamado de plantio mínimo ou plantio reduzido, o sistema de plantio direto (SPD) é utilizado em grandes culturas de grãos, como milho, soja e trigo.

No Centro-Sul do Brasil, região de grande importância na produção brasileira de mandioca e que concentra 80% das indústrias brasileiras produtoras de fécula, o SPD tem sido testado com sucesso na cultura. Conhecida pela sua versatilidade e rusticidade, a mandioca também tem como característica esgotar rapidamente o solo quando não bem manejado, por isso, o SPD foi testado como alternativa para resolver o problema.

O trabalho foi desenvolvido por equipes da Embrapa, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), que observaram que a adoção de sistemas conservacionistas de produção poderia trazer vários benefícios para toda a cadeia produtiva, desde a redução de cerca de 90% das perdas de solo, diminuição de custos de preparo da área até a melhoria da qualidade do solo e da produtividade.

Entre os resultados alcançados, foi lançada uma variedade adequada ao plantio direto, a BRS CS01, que está em franca expansão na região, e outra cultivar está prestes a ser introduzida no mercado.

O plantio direto com mandioca
Basicamente, o plantio direto é um sistema que envolve o não revolvimento do solo, como acontece no sistema convencional. Ou seja, a implantação da cultura é realizada diretamente sobre uma palhada dessecada. “Não revolvendo o solo, existe maior preservação da matéria orgânica, diminui-se o risco de erosão, têm-se custos menores e a cultura fica em um ambiente melhor, com temperatura mais amena e maior manutenção da umidade”, explica o pesquisador Marco Rangel, lotado no campo avançado da Embrapa Mandioca e Fruticultura na Embrapa Soja, em Londrina (PR). O cientista frisa que essas vantagens têm potencial para agregar valor aos produtos processados, uma vez que os consumidores estão cada vez mais exigentes em relação à sustentabilidade do meio ambiente.

O desafio da adaptação
A ideia de adaptar o SPD à cultura surgiu porque a maior parte da mandioca do Centro-Sul está plantada sobre um solo de arenito, bastante suscetível à erosão. “O que se faz comumente aqui é ‘tombar’ a pastagem e fazer várias operações de preparação do solo, de modo que ele fica muito mais sujeito à erosão, o que não podemos aceitar mais. A mandioca entrou na região para promover a reforma da pastagem”, destaca Rangel.

O solo chamado Arenito do Oeste é ainda mais suscetível à erosão por causa da falta de estrutura e da chuva comum na região, salienta o engenheiro-agrônomo Emerson Fey, professor da Unioeste no campus de Marechal Cândido Rondon e parceiro de das pesquisas da Embrapa no Centro-Sul. “A grande vantagem do plantio direto é a proteção do solo. O impacto da gota de chuva é menor e não se perde água”, explica.

Segundo Rangel, nas regiões onde existe rotação de culturas anuais foi mais fácil adaptar o plantio direto. “Isso aconteceu porque já existia um preparo anterior do solo. Porém, nas regiões de pastagem, com o solo já empobrecido, tivemos de ajustar o sistema para que a mandioca viesse a produzir da mesma forma que no convencional. Com os parceiros, desenvolvemos as variedades e uma máquina plantadora e chegamos a um conjunto de fatores que tornou possível o uso do plantio direto”, informa o pesquisador da Embrapa.Nos preparos conservacionistas mantém-se pelo menos 30% do solo coberto com palha após o plantio utilizando equipamentos como escarificadores ou subsoladores que rompem o solo sem inverter as camadas, como ocorre com os arados de aivecas, de discos e grades.

 “Normalmente, o produtor já usa a plantadora específica para mandioca, que deposita as manivas no sulco de plantio em condições adequadas para a brotação e o desenvolvimento das plantas. Com algumas adaptações nessa plantadora, com o sulcador e o disco para cortar a palhada, o plantio direto já fica viabilizado. Conforme a escala, o produtor também pode fazer manualmente”, assegura o pesquisador.

Estudo pioneiro
Experiente no sistema de plantio direto para soja e milho, Fey inovou ao apresentar, em 2010, sua tese de doutorado na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) sobre o tema “Aperfeiçoamento de um mecanismo sulcador para plantio direto de mandioca”, em que desenvolveu uma haste sulcadora com pequeno número de componentes, com processo de fabricação simples, de baixo custo e com bom funcionamento. “A produtividade obtida com a cultura da mandioca em preparo convencional e em Sistema Plantio Direto foi semelhante, evidenciando que essa técnica pode ser utilizada para o cultivo sem comprometer a produtividade e ainda melhorando a sustentabilidade”, afirma o agrônomo.

Cuidados e adaptações do plantio direto
A depender do tipo de palha, da região e do clima, fazem-se alguns ajustes. “Logicamente, é preciso um certo tempo para se ganhar estabilidade, verificar a dinâmica de nutrientes, a resposta das raízes etc. A produtividade não vai aumentar no primeiro ano e o produtor tem de estar ciente que podem ser necessárias adaptações. O excesso de palhada de braquiária na linha de plantio, por exemplo, pode atrapalhar o início da produção. A solução seria, então, remover um pouco dessa palhada”, detalha.

Em áreas em que já é feita rotação de culturas, pode-se usar palhada de qualquer cultura: milho, soja, aveia preta ou trigo. “Já está praticamente concluído o desenvolvimento do plantio direto sobre pastagens, que também são bastante extensas na região noroeste do Paraná”, informa Rangel. A apropriação do SPD na Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é considerada uma boa oportunidade pelo pesquisador.

O cientista alerta para alguns cuidados prévios antes de aderir ao SPD. “O produtor tem de estar preparado para enfrentar esse ambiente diferente, principalmente com relação ao solo. As partes física e química desse solo devem estar bem adequadas”, recomenda Rangel alertando para a importância do uso de uma plantadora adaptada e de variedades adequadas, uma vez que nem todas se adaptam bem ao plantio direto.  “O programa de melhoramento genético da mandioca da Embrapa trabalha fortemente para identificar genótipos que tenham comportamento superior e, ao mesmo tempo, estável dentro desse sistema.  “Acreditamos que esse sistema possa trazer benefícios a toda a mandiocultura”, aposta o cientista.

Condições e locais 
No Centro-Sul do País, o cultivo de mandioca em plantio direto pode ser feito desde metade de maio até o fim de agosto nos locais onde a temperatura média é mais alta, e de agosto até outubro, quando é mais baixa. Em relação à estabilidade térmica do solo, experimentos demonstraram que, com o SPD, a regulação média de frio vai de 17,6o C para 18,3o C e quente, de 38,5o C a 30,3o C, considerada bastante positiva para a mandioca, uma vez que reduz a amplitude térmica.

O que dizem os produtores

Sigmar Herpich, da Associação Técnica das Indústrias de Mandioca (Atimop), é um dos entusiastas do sistema. “Nós já temos o plantio direto para outras culturas principais aqui na nossa região, como soja e milho. Sobre a palhada do milho safrinha, principalmente, aveia ou trigo se faz o plantio direto de mandioca, que tem várias vantagens em relação ao convencional, especialmente na conservação de solo. A variedade BRS CS01 se apresentou muito eficaz nesse sistema de plantio. Isso é muito gratificante para os agricultores e, consequentemente, para nós que representamos a indústria”, frisa.

Victor Vendramin, de Paranavaí (PR), é um dos produtores parceiros das pesquisas desde 2016. “A primeira diferença, vista de imediato, é a conservação da umidade pela cobertura de palha. Nós estamos desenvolvendo esse plantio direto em palhada de pastagem, no caso, Braquiária brizantha, basicamente com o solo do preparo convencional, no qual a terra é revolvida”, explica.

Segundo o produtor, no sistema convencional, mesmo que a chuva aconteça depois de ter mexido no solo, a umidade dura por cerca de sete dias em média, ficando apta para plantio de cinco a sete dias. Em plantio direto, com a cobertura da palha, essa umidade dura de 20 a 30 dias. Por isso, há um aumento de, pelo menos, três vezes no tempo para realizar o plantio.

Além do aumento da janela de plantio, Vendramin salienta a conservação de carbono no solo. “Evitando revolver o solo, você tem conservação de carbono, que é bem difícil de constituir, e a agregação das partículas de solo, porque em solo arenoso é muito difícil ter essa melhoria. O plantio direto deixa o solo mais fofo, mais agregado e com maior teor de matéria orgânica”, relata.

O produtor conta que não houve uma diminuição da produtividade com a adoção do sistema e que espera essa melhoria com o uso das variedades da Embrapa. “Acredito que, quando essas variedades contarem com quantidade de manivas suficientes para escala comercial, a preocupação em relação à produtividade será sanada”, salienta.

Ao deixar de investir em mais operações de preparo de solo, o produtor notou redução de custos, o que deve se refletir em lucro maior. “O custo do óleo diesel, das máquinas e do operador diminuiu, assim como a depreciação e manutenção dos equipamentos. Se tiver equipamento próprio, a economia é de R$ 1.752,20/alqueire, mas se o serviço for terceirizado, o valor fica em R$ 2.350,00/alqueire”, informa.

 

Foto: Ildos Parizotto

Léa Cunha (MTb 1633/BA) 
Embrapa Mandioca e Fruticultura 

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Embrapa lança e-book gratuito no Congresso Brasileiro de Ciência do Solo – 23/07/2019

 

A Embrapa está lançando durante o Congresso Brasileiro de Ciência do Solo (CBCS), que acontece nesta semana em Cuiabá (MT), entre os dias 21 e 26 de julho, a publicação ‘Pesquisas coligadas da IX Reunião Brasileira de Classificação e Correlação de Solos (RCC)’, disponível para download gratuito no formato Epub. O livro reúne os conteúdos complementares dos trabalhos de campo da IX RCC, realizados no Acre em 2010. A primeira parte do conteúdo havia sido publicado no Guia de Campo, em 2013.

“O Acre possui solos com características próprias, diferentes até de outras terras da Amazônia, com alta atividade de argila, por exemplo”, ressalta José Francisco Lumbreras, pesquisador da Embrapa Solos e um dos cinco editores da publicação, fruto do trabalho conjunto de 33 autores de diferentes instituições de pesquisas do País. Lumbreras apresenta o livro durante o lançamento oficial no CBCS, nesta terça-feira (23/7), a partir das 17 horas.  

A IX RCC contou com a presença de 71 participantes de 36 instituições das cinco regiões do Brasil, com a organização da Embrapa Acre e da Secretaria do Meio Ambiente do estado. Os estudos tiveram o objetivo de alavancar o conhecimento técnico-científico sobre os solos sedimentares da Bacia do Acre, que sofreram mudanças em sua formação pelo surgimento da Cordilheira dos Andes. O conhecimento levantado em campo e interpretado pelas equipes envolvidas foi incorporado na última edição do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, atualizado em 2018.

Solos arenosos
A Embrapa Solos também acaba de publicar o Epub ‘Anais do III Simpósio Brasileiro de Solos Arenosos – Intensificação  agropecuária sustentável em solos arenosos’, disponível para download gratuito e que reúne os trabalhos apresentados durante o evento realizado em maio, em Campo Grande (MS). O conteúdo vem ao encontro da temática central do Congresso Brasileiro de Ciência do Solo deste ano, que é a “Intensificação sustentável em sistemas de produção”. O evento está promovendo uma ampla discussão sobre o papel das práticas de manejo do solo com o objetivo de assegurar a sustentabilidade da produção agrícola, principalmente em solos arenosos e de baixa fertilidade, que compõem a maior parte das áreas em produção no Centro-Oeste e novas fronteiras agrícolas como a do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e a do SEALBA (Sergipe, Alagoas e Bahia).

De um tempo para cá, os solos arenosos, antes considerados solos marginais na agricultura, vêm sendo cultivados em diferentes regiões do País, principalmente em partes do Paraná, Centro-Oeste e Nordeste. “A pesquisa desenvolveu tecnologias que viabilizam o cultivo dessa terra, que é de alto risco, por causa da sua baixa retenção de água e de nutrientes. Entre essas tecnologias destaco a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e o cultivo de gramíneas em sucessão com o cultivo de grãos. Isso tem viabilizado muitas áreas no País”, diz o pesquisador da Embrapa Solos Wenceslau Teixeira, um dos editores dos Anais do III Simpósio Brasileiro de Solos Arenosos, ao lado do também pesquisador Guilherme Donagemma.

“Essas tecnologias [para intensificação sustentável em sistemas de produção] não repercutem só no Brasil, muitos países da África e Ásia têm problemas com solos arenosos. Então, se conseguirmos avançar no manejo dos solos arenosos, teremos um impacto mundial”, completa Wenceslau.

Outras publicações de destaque
A Embrapa Solos criou uma página para destacar essas e outras publicações disponíveis para download gratuito, em formato Epub e PDF – acesse aqui.

Três das mais recentes, além desses últimos lançamentos, são a 5ª edição do ‘Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS)’, a 3ª edição do ‘Manual de Métodos e Análise de Solo’ e o livro de perguntas e repostas ‘Solos para Todos’.

Referência para pesquisadores, técnicos agrícolas, estudantes e produtores desde 1997, o SiBCS ganhou uma inédita versão em inglês. A quinta edição traz ajustes e correções de conceitos básicos relativos a definição de solo, caracteres e horizontes diagnósticos, bem como alterações de redação, redefinição da seção de controle, eliminação ou incorporação de classes de solos em todos os níveis categóricos.

A terceira edição do ‘Manual de Métodos de Análise de Solo’ marca uma extensa atualização e ampliação da obra, contemplando não somente a revisão e atualização das metodologias já constantes das edições anteriores, como também a inclusão de novas metodologias, ampliando o seu escopo de utilização. O manual divide as metodologias de análises do solo em cinco áreas de interesse para os laboratórios: análises físicas; químicas; matéria orgânica; mineralogia e micromorfologia.

Já a nova edição do ‘Solos para Todos’ traz 271 perguntas e respostas sobre estudo do solo, fertilidade do solo e nutrição de plantas, compostagem e análises de solo e água. São respostas, redigidas em linguagem didática, para questionamentos do público acadêmico, de pequenos produtores rurais, de associações de produtores, de extensionistas rurais e da sociedade em geral recebidos ao longo dos anos pelo SAC Embrapa.

 

Acesse os links abaixo para baixar as publicações em destaque:
– Sistema Brasileiro de Classificação de Solos – 5ª edição (disponível também na versão PDF)
– Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (versão em inglês) – (disponível também na versão PDF)
– Manual de Métodos de Análise de Solo – 3ª edição (disponível também na versão PDF)
– Solos para Todos – perguntas e respostas – (disponível também na versão PDF)
– Anais do III Simpósio Brasileiro de Solos Arenosos – Intensificação  agropecuária sustentável em solos arenosos – (disponível também na versão PDF)
– Pesquisas coligadas da IX Reunião Brasileira de Classificação e Correlação de Solos (RCC) – (disponível também na versão PDF)
   >> Conheça também a página temática Solos Brasileiros

 

Dicas: softwares para ler Epub

Algumas das publicações da Embrapa estão disponíveis apenas em formato Epub. Para abrir esses arquivos é necessário ter, no celular ou no computador, um destes softwares gratuitos:

Celulares Android: alguns dispositivos já vêm com o Google Play Livros, mas para ler melhor nossas publicações recomendamos o Reasily;

Celulares e computadores da Apple: iBooks;

Windows e Linux: Calibre.

 

Fernando Gregio 
Embrapa Solos 

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Carlos Dias 
Embrapa Solos 

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Artigo – Tecnologia brasileira e supersafra de milho – 26/07/2019

Rubens Miranda, Frederico Durães, João Carlos Garcia, Sidney Parentoni, Derli Prudente Santana, Antônio Álvaro Purcino e Eliseu Alves

Pesquisadores da Embrapa

 

Até os anos 1980 considerava-se difícil o Brasil atingir o patamar de 60 milhões de toneladas de milho por ano. Entretanto, acréscimos de produtividade, nos quais a tecnologia teve a mais alta relevância, foram fundamentais para se atingir o atual patamar histórico de aproximadamente 100 milhões de toneladas, o que consolida o Brasil como o terceiro maior produtor mundial e o segundo maior exportador desse cereal. Nesse período, a produção de milho no país passou por significantes avanços e adaptações.

O primeiro fator a ser ressaltado é que a produção mudou a época de plantio. Em 2008/2009, 66% da produção foi colhida na primeira safra — plantada no início da estação chuvosa, em setembro/outubro —, enquanto a segunda safra — plantada após a colheita da soja, em janeiro — respondeu por 34%. Esses percentuais se inverteram em 2018/2019, com o milho sucedendo a soja e respondendo por mais de 70% da produção.

A segunda safra ou “safrinha”, viabilizada com o advento de cultivares de soja precoce, possibilitou uma melhor inserção do milho numa segunda época de plantio, mudando o foco de monocultivo para sistemas rotacionados ou em sucessão de produção. O sistema de produção soja/milho, além da adequação de cultivares, exigiu ajustes no espaçamento, densidade de plantio, uso adequado de nutrientes e corretivos e no manejo integrado de insetos e plantas invasoras. Como grande vantagem, esses sistemas permitem a exploração de até três culturas numa mesma área, num mesmo ano.

A produção também mudou espacialmente. Há 10 anos as regiões Sudeste e Sul respondiam por 58% da produção, enquanto, hoje, somente o Centro-Oeste colhe 53% do milho no Brasil, e Mato Grosso passou a ser o maior produtor de milho no país. Em consequência das mudanças nas regiões de plantio, ocorreram também mudanças no tamanho das lavouras, que apresentaram aumentos sem precedentes nos últimos anos. O resultado prático desse processo de aumento do tamanho das lavouras foi favorecer a adoção de tecnologias vinculadas à mecanização.

As tecnologias de sementes também apresentaram mudanças que beneficiaram o aumento da produção de milho no Brasil. Uma dessas mudanças foi a liberação para plantio comercial de sementes geneticamente modificadas (OGM) de milho para controle de insetos (Bt) e de plantas invasoras (RR). Essas sementes OGMs foram liberadas para plantio comercial em 2007, e na safra 2009/2010 foram cultivadas em 37% da área plantada com milho. A adoção das cultivares OGMs foi muito rápida e hoje perfazem aproximadamente 84% do mercado de sementes de milho.

Entre 2009/2010 e 2017/2018, a tecnologia Bt no milho proporcionou um aumento considerável na produção de grãos ao longo dos anos. As estimativas dos ganhos de produtividade por hectare, segundo estudos recentes, variaram entre 12 e 13,7 sacas por hectare no milho verão, e entre 4,9 e 7,7 sacas por hectare no milho de segunda safra. Tais ganhos foram oriundos de um manejo mais eficiente no controle de insetos, proporcionado pela tecnologia, e não por um maior potencial produtivo das cultivares ou do aumento no uso dos insumos.

A genética e o acréscimo da taxa de adoção de sementes certificadas também foram relevantes para o aumento da produtividade do grão no país. Segundo a Associação Paulista de Produtores de Sementes e Mudas, na safra 2018/2019, foram comercializados 19,7 milhões de sacos de semente para uma área plantada de 17,2 milhões de hectares (Conab). Esse quadro dá um indicativo de que a quantidade de sementes salvas e piratas no mercado reduziu substancialmente sua participação no mercado e também que muitos produtores passaram a realizar plantios com uso mais intensivo de sementes (utilizando mais do que um saco padrão de 60.000 sementes/hectare).

Em termos de genética, novamente segundo dados da APPS, na safra 2008/2009, os híbridos simples responderam por 62% do mercado de sementes comercializadas, enquanto esse percentual aumentou para 82,6% na safra 2018/2019. Ou seja, ocorreu uma melhora qualitativa da genética das sementes de milho comercializadas.

A despeito da relevância, as tecnologias de sementes não explicam todo o ganho de produtividade das lavouras brasileiras de milho na última década. Existem ganhos na adoção de tecnologias/conhecimentos de manejo e sistemas de produção que também foram fundamentais. A difusão do Plantio Direto e os Sistemas Integrados de Plantio (ILP ou ILPF) são bons exemplos. Sistemas integrados são mais sustentáveis e facilitam a recuperação de pastagens degradadas, o que permite acréscimos nas áreas de cultivo com lavouras e pastagens sem a necessidade de expansão de novas áreas de floresta ou cerrado.

O milho é uma importante matéria-prima com centenas de aplicações industriais e é um componente primordial na fabricação de ração animal, base da produção de leite, ovos, carne de suínos e aves. Mais recentemente, a produção de etanol de milho passou a agregar maior valor a esse cereal, e pode aumentar a sustentabilidade dessa lavoura em várias regiões brasileiras.

O conhecimento, novas tecnologias, políticas públicas e empreendedorismo permitirão ao Brasil produzir sistematicamente mais de 100 milhões de toneladas de milho, promover a segurança alimentar dos brasileiros e consolidar o Brasil como um grande celeiro mundial, contribuindo para o bem-estar dos 9 bilhões de seres humanos que habitarão nosso planeta em 2050. Esses nove bilhões de consumidores comparecerão ao mercado como compradores, no Brasil, na Ásia, na Europa, na América e, enfim, no mundo inteiro, gerando poderosa alavanca que garante que quem produz sempre terá para quem vender, remunerando, assim, o trabalho realizado e os insumos gastos na produção.
 

Foto: Eduardo Henrique Oliveira
Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (SIRE) 

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