Fazenda Laço de Ouro | Almas – TO – Março/2017

Em três anos, 60% da área de pastagem da fazenda Laço de Ouro foi recuperada

 

 

O sr. Neiçon Gomes tem uma propriedade rural no município de Almas, que fica na região Sudeste do Tocantins. A Embrapa e parceiros, tanto da área pública como da iniciativa privada, trabalham com integração lavoura-pecuária na Laço de Ouro desde a safra 2013/2014.

Conheça um pouco dessa história. Quem a resume é Pedro Alcântara, zootecnista que trabalha com transferência de tecnologia na Embrapa no Tocantins. Apesar do nome Embrapa Pesca e Aquicultura, a unidade da empresa no estado também trabalha com sistemas agrícolas.

“A Fazenda Laço de Ouro é uma típica propriedade de agricultura familiar do Sudeste do Tocantins. A principal atividade é a pecuária de corte, atuando na fase de cria. Em 2013, as pastagens da propriedade encontravam-se em elevado grau de degradação. Diante desta situação, os produtores, sr. Neiçon Gomes e sra. Neiva Gomes, procuraram o Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins (Ruraltins), instituição de assistência técnica e extensão rural oficial do estado, em busca de assistência técnica.

Na safra 2013/2014, iniciou-se um trabalho de recuperação das pastagens degradadas, coordenado pelo extensionista João de Albuquerque Filho, do Ruraltins, com o apoio técnico da Embrapa. Neste trabalho, a integração lavoura-pecuária, na modalidade Sistema Barreirão, foi utilizada. Inicialmente, o milho foi a cultura escolhida, sendo nas safras seguintes substituído pelo sorgo forrageiro. Na safra 2014/2015, a propriedade implantou um sistema de integração lavoura-pecuária-floresta com eucalipto.

Atualmente, cerca de 60% das pastagens da propriedade já foram recuperadas, o que elevou a capacidade de suporte e a produção de bezerros da fazenda, tendo a ILPF contribuído nesse processo”.

De acordo com o produtor Neiçon, hoje há três vezes mais gado na propriedade. Se em relativo pouco tempo já houve resultados bons como esses (mais da metade da área de pastagens recuperada e gado triplicado), pode-se continuar esperando mais evolução na Laço de Ouro. A ideia é que de fato ela seja uma propriedade referência para o Sudeste tocantinense. E está indo, firme, rumo a esse objetivo.

ILPF na fazenda Laço de Ouro, em Almas (TO)

 

Clenio Araujo (6279/MG) 
Embrapa Pesca e Aquicultura 
pesca-e-aquicultura.imprensa@embrapa.br 
Telefone: (63) 3229-7836

Fotos: Jefferson Christofoletti

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Fazenda São Paulo | Brasnorte – MT Fevereiro/2018

Fazenda em Mato Grosso utiliza melhor os recursos e garante diversificação nas fontes de renda

A necessidade de melhorar o manejo do solo, reduzir problemas com nematoides, fazer a rotação de culturas e evitar o desperdício de resíduos do armazém abriram os olhos do agricultor Vitório Herklotz para mudar o sistema produtivo na Fazenda São Paulo, localizada no município de Brasnorte, região oeste de Mato Grosso. A partir daí, passou a trabalhar com a integração lavoura-pecuária (ILP) e pecuária-floresta (IPF), mudando a perspectiva da atividade e diversificando as fontes de renda.

Na fazenda com cerca de 1.500 hectares de área produtiva, pelo menos 400 ha são usados constantemente com a ILP, outros 50 ha fazem parte de uma experiência com IPF. Nas áreas de lavoura, que compõem a maior parte do restante da propriedade, o milho plantado em segunda safra, após a soja, sempre vai consorciado com a braquiária Piatã, de modo a formar palhada para o plantio direto. Em caso de necessidade, essa palhada é logo convertida em pasto com uso de cercas elétricas. A única exceção são as lavouras de milho pipoca, que, pelas características da planta, não são consorciadas com o capim.

“A integração lavoura-pecuária surgiu pela necessidade da própria lavoura. Pela necessidade de diversificação e da sustentabilidade que a gente espera na agricultura. Por meio da pecuária me parece que o processo fica mais sustentável”, explica Vitório Herklotz.

Com a pecuária, a fazenda aproveita os resíduos do armazém de soja e da colheita do milho. A rotação com a pastagem reduz a incidência de nematoides como os de cisto e de galha e aumenta a quantidade de matéria orgânica. Outro benefício é a melhoria da atividade microbiana, elevando a fertilidade do solo e possibilitando o controle natural de pragas e doenças.

Vitório exemplifica o enriquecimento da microbiota do solo com um talhão que há três anos está com pastagem.

“Já está fechando o terceiro ano sem nenhum “cida”. Nem herbicida, nem fungicida, nem inseticida. Então nós damos um tempo para esse solo. Agora entrou a fertilização. Toda a matéria orgânica está sendo reciclada ali pela pecuária, o gado vai comendo, via urinando, vai defecando ali, vai ajeitando. Os micro-organismos têm bastante palha, isso sim é uma garantia de quando eu voltar a plantar soja vou ter resultado”, exemplifica.

A certeza do resultado vem da produtividade obtida com a soja após a pecuária. De acordo com o proprietário, as áreas em ILP chegam a produzir de 10 a 15 sacas a mais por hectare do que aquelas sem a integração. Para a pecuária, os ganhos também são vistos em maior taxa de lotação, maior taxa de prenhez nas vacas e ganho de peso dos animais.

De acordo com Vitório, a fazenda não trabalha com um período fixo de rotação entre a lavoura e a pecuária. A decisão é feita anualmente, de maneira estratégica, de acordo com as características do mercado. Um talhão de capim, por exemplo, que deveria ter voltado à agricultura há dois anos acabou sendo adubado novamente e continuou com a pecuária, que naquele momento tinha resultados mais interessantes do que a soja.

O produtor ressalta que na Fazenda São Paulo não se espera o pasto degradar para retornar à agricultura.

“A lavoura tem que voltar antes do pasto degradar. Você tem que ter palha sobrando lá no pasto para você ter o nível de matéria orgânica maior do que quando entrou a pastagem e não menor. O adubo que eu estou jogando no pasto hoje eu, no mínimo, estou produzindo comida. Na pior das hipóteses, vai sobrar alguma coisa para a lavoura lá para frente”, afirma Vitório Herklotz.

Atualmente a pecuária da fazenda São Paulo é feita no ciclo completo, com foco na cria com a inseminação artificial de angus em vacas nelore. Nas áreas de ILP, a taxa de lotação no período chuvoso chega a 7 u.a. por hectare e varia de 2 a 4 u.a. no período chuvoso. Os animais de corte ficam num semiconfinamento com suplementação de 1 a 1,5% do peso vivo.

 

 Mudança na perspectiva

A adoção da integração lavoura-pecuária trouxe nova perspectiva para o negócio da fazenda São Paulo. Além dos benefícios produtivos, a maior segurança financeira foi um ponto importante para o produtor.

“Financeiramente o que está mudando hoje? Nós estamos separando as cestas. Se aquela derrubar, aí não vai quebrar todos os ovos. Você tem uma lavoura hoje a ser colhida que padece de risco por causa da chuva. Eu nunca vi gado apodrecer na chuva ainda! Outra coisa, o que será do amanhã? É a pecuária ou é a agricultura? Eu acho que são os dois juntos. Acho que os dois juntos se somam, eles se potencializam”, afirma o produtor.

Vitório ainda destaca que a ILP é hoje a melhor alternativa para quem tem áreas arenosas.

“A gente já viu pelo o que está acontecendo com alguns produtores que se você tem áreas arenosas e você não entra com a pecuária, você está fadado ao fracasso. Pode até surgir tecnologia para as áreas de solos mais frágeis, mas hoje a tecnologia que existe para você conviver com esses solos de areia tem que passar pela pecuária”, alerta.

Integração pecuária-floresta

A busca pela diversificação e por uma alternativa de renda futura também levou o sr. Vitório a apostar na inclusão de árvores no sistema produtivo. Procurou por pesquisadores da Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT), e no fim de 2014 montou uma área de IPF em 50 ha da propriedade. O local é uma das Unidades de Referência Tecnológica e Econômica (URTE) acompanhadas pela Embrapa. É usado tanto para coleta de dados técnicos e econômicos, para a validação de tecnologia, quanto para transferência de conhecimentos por meio de cursos, dias de campo e visitas técnicas.

O espaço onde foi instalada a URTE era antes um plantio de acácia mangium em espaçamento 4×4 visando a produção de madeira para serraria. A experiência não saiu como planejado e as árvores acabaram sendo cortadas para uso como lenha no secador da fazenda.

Como a área estava com os tocos, o planejamento do sistema IPF foi feito segundo o alinhamento do plantio anterior, com os renques em distâncias múltiplas de quatro metros.

Para esse projeto foram usadas três clones de eucalipto (VM 01, I144 e H13) em linhas duplas ou simples, dois clones de teca (A1 e A3) em linhas duplas ou simples, e mogno (Khaya ivorensisKhaya anthoteca e Khaya senegalensis) em linha simples. Além das linhas de árvores plantadas em sentido leste-oeste, a área foi cercada por uma linha dupla de eucalipto como forma de proteção contra o forte vento que sopra no local.

O espaçamento entre renques varia de 8 a 20 metros, sendo que no menor espaçamento, usado apenas com o eucalipto, o objetivo é suprimir um renque a cada dois, para uso como biomassa, dobrando a distância entre os renques que ficarem, sendo esses destinados à serraria.

No primeiro ano, enquanto as árvores cresciam, a área não foi utilizada para a pecuária. No segundo ano, os tocos da acácia que estavam no entre-renques foram retirados e plantou-se o pasto com um consórcio de Mombaça com Piatã e Estililosantes Campo Grande.

De acordo com Vitório, a opção por não fazer agricultura enquanto as árvores cresciam foi em função de proteger a floresta.

“Com o uso muito intenso de herbicidas na agricultura para fazer plantio na palha, fica difícil fazer isso sem prejudicar a floresta”, explica se referindo à possibilidade de deriva do herbicida.

 Atualmente a área de IPF é pastejada por novilhas. Antes chegou-se a usar bezerros em engorda, porém a observação de certa predação nas árvores motivou a mudança no perfil do gado. A predação, inclusive, é uma grande preocupação do produtor, uma vez que pode prejudicar o crescimento da árvore, inviabilizar seu uso para serraria ou mesmo levar à morte.

“A maior dificuldade em algumas espécies é a predação da casca. Aí você tem que entender por que o gado está fazendo isso, ou selecionar as espécies que são menos suscetíveis. A teca vai indo muito bem. O eucalipto tem certa suscetibilidade e os mognos estão sendo os mais prejudicados. Mas a gente vê que a faixa etária do gado tem muito a ver com isso, a mineralização nem se fala, e o manejo do gado também”, observa o produtor.

Outro ponto que ele aponta é a necessidade de mão-de-obra para o manejo de poda, desrama e desbaste. A condução errada ou a falta do exercício de algumas dessas tarefas pode comprometer o resultado final do sistema produtivo.

Apesar das dificuldades e da complexidade do sistema, Vitório se mostra satisfeito com o sistema produtivo e confiante no resultados futuros. Para ele, a sustentabilidade que o sistema proporciona valem o esforço e o investimento.

“Com a pecuária e a floresta, você coloca o boi na sombra e coloca o boi para ajudar as árvores. Então essa associação, além de produtiva, ela me parece muito bela”, define o produtor.

 

Conheça mais sobre a integração na Fazenda São Paulo

Gabriel Faria
Jornalista (mtb 15.624 MG JP)
Embrapa Agrossilvipastoril
agrossilvipastoril.imprensa@embrapa.br

 

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Fazenda das Palmáceas | Estância – SE Novembro/2016

As folhas da gliricídia são usadas para alimentar caprinos, ovinos e bovinos

 

Em Sergipe, no município de Estância, próximo à badalada praia do Saco, o produtor Joseval Pina cultiva uma leguminosa consorciada com o seu coqueiral que parece que foi criada sob medida para o Nordeste.

No lugar do espaço vazio entre um coqueiro e outro, o terreno está repleto de gliricídia, uma planta que é uma verdadeira benção para aqueles que convivem com a seca. Muito resistente à seca, essa é uma fórmula nordestina para integrar a lavoura, pecuária e floresta (ILPF), pois a gliricídia é considerada um arbusto que pode crescer até próximo dos cinco metros. É o componente arbóreo do sistema ILPF.

E onde entra o componente animal, ou melhor, pecuária nesta história?

Acontece que Pina, como gosta de ser chamado, já foi presidente Associação dos Caprinos e Ovinos de Sergipe. Seus animais da raça Santa Inês já receberam diversos prêmios. Ele sempre frequenta as exposições agropecuárias e se preocupa com a qualidade do seu rebanho, sobretudo com o aperfeiçoamento genético dos animais. E para isso, ele está atento à nutrição e sanidade dos seus ovinos.

 “A gliricídia é um ótimo alimento com alto teor de proteína para meus carneiros e ovelhas”, ressalta Pina que recebeu assessoria da Embrapa na introdução da gliricídia no seu coqueiral.  Ele cultiva dois hectares de gliricídia no seu coqueiral.

O produtor tritura a gliricídia junto com capim elefante, milho e coloca em cochos para alimentar suas ovelhas da raça Santa Inês, Dorper e White Dorper.

E não é só isso. O pesquisador José Henrique Rangel, da Embrapa Tabuleiros Costeiros, enumera as vantagens da gliricídia.

“Utilizando-a com a integração lavoura, pecuária e floresta, a gliricídia nitrogena o solo, melhora a qualidade da matéria orgânica e os nutrientes nas áreas profundas do solo são reciclados para as camadas superiores e assim diminui-se o uso de fertilizante químico.

Ele acrescenta também que, ao integrar a gliricídia com coqueiro, aumenta a diversidade da fauna atraindo mais abelhas, insetos polinizadores, abrigando nos seus galhos pássaros e ninhos.

Quer mais?  “O pasto é mais verde e a gliricídia pode servir de cerca viva. Isso significa economia na dispendiosa estrutura para a contenção de gado no pasto.  É a solução ideal para o produtor consciente que deseja rentabilizar a produção, aumentar o lucro e que se preocupa com o meio ambiente”, complementa Rangel.

“Essa leguminosa é muito prática. Ela se reproduz através de semente ou de estacas. Basta uma estaca em uma cova e forma-se uma nova planta e, sem demora, está cheia de folhas comestíveis para o gado”, afirma ele.

A Embrapa Tabuleiros Costeiros pesquisou o plantio de gliricídia de várias formas de integração. Uma delas é o de alameda, junto com o pasto, milho ou feijão. Já é uma boa economia com ureia com a nitrogenação do solo. No sistema de alamedas, o ideal é o espaçamento de quatro por dois metros, onde o gado pode passar com facilidade.

O produtor pode optar pelo plantio adensado, se quiser alimentar os animais com gliricídia como forragem, feno e silagem ou até usar suas folhas e ramos como adubo verde. Nesse caso, não é possível o pastejo, pois não há espaço para o gado transitar. No entanto, é muito produtivo, pois é possível o corte a cada 70 dias na estação chuvosa e a cada 120 dias, na estação seca. Um hectare pode produzir em torno de 20 toneladas de folhas comestíveis para o gado, em cada corte. Como pode haver quatro cortes por ano. São oitenta toneladas anuais por hectare.

O pesquisador Rangel diz ainda que o produtor pode também formar um banco de proteína. Os animais são colocados para comer as folhas da gliricídia uma hora pela manhã e outra hora pela tarde e no tempo restante, o gado come outro tipo de pasto. Esse processo é recomendado para vacas de leite, pois o manejo dos animais é mais constante.

O pesquisador Humberto Rollemberg Fontes, também da Embrapa Tabuleiros Costeiros, indica a gliricídia como adubo verde em cultivo consorciado com coqueiro híbrido.

“Ao depositar a parte aérea da gliricídia na zona de coroamento do coqueiro híbrido, duas vezes ao ano, pode-se substituir  totalmente ou parte dos fertilizantes nitrogenados durante a fase de crescimento, proporcionando economia e maiores ganhos ambientais em função da redução do uso de insumos químicos”. 

Gliricídia é um ótimo alimento para os animais

 

Sistema silvipastoril com uso de gliricídia : parte 1 – Dia de Campo na TV

Sistema silvipastoril com uso de gliricídia : parte 2 – Dia de Campo na TV

Texto e fotos: 

Ivan Marinovic Brscan (1634/09/58/DF) 
Embrapa Tabuleiros Costeiros 
tabuleiros-costeiros.imprensa@embrapa.br 
Telefone: (79) 40091381

 

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Fazenda Don Aro | Machadinho D’Oeste – RO Janeiro/2018

Don Aro tem certificação de Boas Práticas Agropecuárias renovada pela Embrapa e avança nos resultados

O pecuarista de Rondônia, Giocondo Vale, vem apostando no sistema de integração lavoura-pecuária (ILP) para renovar a pastagem, recuperar o solo e, consequentemente, melhorar a produtividade e a lucratividade da fazenda. A adoção de um sistema sustentável de produção, segundo ele, é caminho sem volta e tem servido de modelo para outros produtores do estado e também do Brasil. “Para enriquecer o solo e produzir uma boa pastagem, nós pecuaristas precisamos da agricultura, que ajuda a diluir os custos e aumentar nossos ganhos futuros. Somos prova de que é possível ter uma empresa agropecuária e atuar de forma sustentável, sendo ecologicamente correto, economicamente viável e socialmente justo”, argumenta o produtor.

Sua fazenda, a Don Aro, localizada no município de Machadinho D’Oeste (RO), possui 1.680 hectares que se dividem da seguinte forma: 945 em produção, sendo 645 em uso para a pecuária  e 300 para o sistema de ILP. O restante, 270 hectares, são de mata nativa, reposição florestal plantada (76 ha) e as Áreas de Preservação Permanente (APPs) recuperadas. Conta com 1.200 animais na propriedade, onde se produz parte de animais cruzados entre as raças Aberdeen Angus e Nelore, permitindo maior precocidade reprodutiva e de abate, com carne de melhor qualidade e maciez.

Já são sete anos de investimentos em sistema de produção integrado em sua propriedade. Agora, com a pastagem renovada, o gado passou a consumir menor quantidade de suplementos minerais e proteicos e os ganhos também ocorreram na taxa de prenhez, desmama e engorda. Segundo ele, na estação 2016/2017 obteve um índice de prenhez de 95%, com auxílio da Inseminação Artificial por Tempo Fixo (IATF). As fêmeas estão sendo desmamadas com 8,35 arrobas e machos com 9,25, na média, aos 09 meses de idade. Das novilhas, 75% são emprenhadas entre 12 e 17 meses e os machos estão sendo abatidos com 20 arrobas aos 24 meses – a média dos pecuaristas da região é de 13 a 14 arrobas neste mesmo período. “Estes bons resultados têm permitido considerável aumento de ganhos, com expressiva melhora dos lucros. Saímos de meia unidade animal por área, há cinco anos, para três agora”, conta Giocondo Vale, que pretende chegar aos 2 mil animais na área produtiva da fazenda. O médico veterinário responsável pela propriedade, Hassan Oliveira Kassab afirma que os investimentos em genética, nutrição e protocolos sanitários respondem positivamente quando as pastagens são melhoradas, somando para os bons resultados obtidos.

O foco da fazenda Don Aro é a pecuária. Desta maneira, a integração Lavoura-Pecuária (ILP) adotada na propriedade é temporal, ou seja, uma área é utilizada por alguns anos integrando lavoura e pecuária e, na sequência, se estabelece somente pastagem com gado por mais alguns anos. “Assim, aproveitamos a consolidação dos solos feita pela agricultura, oferecendo uma pastagem de alta qualidade com custos diluídos. Num segundo momento, a partir de 2021, será plantado, após colheita da soja, o milho na safrinha, objetivando a produção de grãos para a terminação de bois no sistema grãos inteiros”, explica Giocondo Vale. Quanto ao componente florestal, a fazenda optou pelo plantio em blocos, que estão inseridos nas áreas de grãos ou de pecuária.

O caso da Fazenda Don Aro está servindo de modelo para Rondônia e Amazônia. As vantagens da ILPF em âmbito nacional são comprovadas por análises de viabilidade técnica, econômica, social e, principalmente, ambiental. Sua aplicação nos diferentes biomas e possibilidades de combinações entre agricultura, pecuária e floresta, sejam elas integrações agropastoris (lavoura e pecuária), silviagrícolas (floresta e lavoura), silvipastoris (pecuária e floresta), ou agrossilvipastoris (lavoura, pecuária e floresta), oferecem tanto ao produtor quanto ao sistema grande versatilidade e possibilitam que componentes culturais, econômicos e ambientais sejam considerados para a perfeita adequação à realidade da região.

Segundo o chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Rondônia Frederico Botelho, o sistema de integração lavoura-pecuária é o modelo mais adotado no estado, tanto pelo pecuarista como pelo agricultor. “Os pecuaristas buscam com a ILP amortizar os custos de recuperação de suas pastagens com a produção de grãos, aumentar a capacidade produtiva de suas pastagens e produzir pastagens de melhor qualidade. Já os agricultores buscam na ILP os benefícios que estes sistemas proporcionam para a fertilidade do solo (química, física e biológica), potencializa o uso do sistema de plantio direto na palha, e incrementa os índices de produtividade da propriedade”, explica. Além disso, ele complementa que, uma das grandes vantagens deste sistema para Rondônia, estado tipicamente pecuário – aproximadamente 13 milhões de cabeças, é a disponibilidade de forragens em quantidade e qualidade em um período em que em sua maioria as pastagens estão secas.

Certificação de Boas Práticas Agropecuárias da fazenda é renovada
As práticas incorporadas por Giocondo há anos encontraram no Programa de Boas Práticas Agropecuárias – Bovinos de Corte (BPA), coordenado pela Embrapa, orientações para que ele pudesse ajustar e melhorar as atividades realizadas em sua propriedade, tornando o sistema de produção mais sustentável, competitivo e rentável. A Fazenda Don Aro foi a primeira propriedade de Rondônia a receber o atestado de adequação pelo BPA, no ano de 2014, e ele foi renovado agora, em 2017. Foi ainda a segunda da região Norte a receber a classificação ouro, por atender a 100% dos itens obrigatórios e 90% dos altamente recomendáveis pelo Programa.

A adoção da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e suas variáveis não é obrigatória no BPA, mas é um item altamente recomendável dentro do programa. Sabendo disso, Giocondo Vale adotou o sistema e não se arrepende. “Num primeiro momento a produção em sistema integrado e a busca pela sustentabilidade em um empreendimento rural eram desconhecidas por grande parte da nossa região. Hoje percebemos as vantagens de uma produção integrada e sustentável”, reforça o pecuarista.

Para Giocondo Vale, a certificação do BPA abriu portas. “Consegui abertura para financiamento junto ao Banco da Amazônia, preços diferenciados em compra de sal e venda do rebanho e uma segurança junto à sociedade de que atuo de maneira sustentável”, declara.

Propriedade modelo em sustentabilidade na Amazônia
O município de Machadinho d’Oeste estava entre os 43 municípios da Amazônia que mais desmatavam na região e fez parte das ações do programa Arco Verde Terra Legal, do governo federal, que realizou ações para reduzir o desmatamento e promover o desenvolvimento sustentável da região, em uma parceria com Embrapa e outras instituições. Na contramão do desmatamento, Vale trabalha há 25 anos com a pecuária em 1.680 hectares de terras, sem a utilização de fogo e com práticas sustentáveis. A propriedade encontrasse adequada com as questões ambientais, preservando e mantendo coberta por vegetação nativa, reposições florestais em blocos e Áreas de Preservação Permanente (APPs) com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) já efetuado no órgão responsável.

A Fazenda Don Aro também é a primeira em Rondônia na aplicação do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), bem como do Plano ‘Lixo Zero’. Além da tríplice lavagem de agrotóxicos, é realizada a coleta seletiva com o devido destino de cada grupo, de acordo com a legislação. Ele também recuperou todas as APPs, com plantio de mudas de espécies nativas, e ainda tem o plantio de 11 mil pés de castanheiras-do-brasil, o maior plantio individual realizado por pessoa física no Brasil.

Segundo Vale, ser sustentável hoje em dia é mais do que um discurso apenas, tornou-se uma questão de necessidade até para que existam recursos para as gerações futuras. Para isso, é preciso mudar comportamentos e garantir a continuidade dos recursos.  “Conhecimento só para mim é inútil. Ele deve ser compartilhado, multiplicado aos quatro cantos. Acredito que não adianta meu negócio ir bem, o mundo deve ir no mesmo sentido. Nós vivenciamos a sustentabilidade no nosso dia-a-dia e aplicamos em todas as atividades da propriedade.”, argumenta Giocondo.

Tratados como parceiros de negócios, Giocondo conta que este ano, oito trabalhadores fixos, todos devidamente registrados, deverá receber até o 16º salário, pois têm participação nos lucros. “Eles colaboram produzindo e eu, como empresário, dou retorno a eles com uma série de benefícios. Somos como uma engrenagem, todos os dentes são necessários para que funcione e isso é reafirmado semanalmente à equipe”, explica.

Fazenda de RO ganha premiação nacional em sustentabilidade
A Don Aro ficou em segundo lugar no prêmio Fazenda Sustentável 2017, da Globo Rural. Foram 47 propriedades rurais de todo o Brasil inscritas. Na primeira etapa foram selecionados 13 finalistas e, destes, o três mais bem colocados. O concurso teve como principal critério o uso múltiplo da terra, a partir das boas práticas agropecuárias e eficiência no uso de recursos. As propriedade são avaliadas com base em critérios em que constam boas práticas agropecuárias e sociais, além da viabilidade econômica do negócio. A premiação aconteceu dia 5/12, em São Paulo (SP) e o proprietário da Don Aro, Giocondo Vale foi receber o prêmio, juntamente com sua família.

Conheça mais sobre a Fazenda Don Aro

https://don-aro.com/

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Sítio Nelson Guerreiro | Brotas – SP – Agosto/2018

Sítio diversifica fonte de renda com implantação de ILPF

  

Da monocultura para a diversificação. Até 2011, o sítio Nelson Guerreiro, localizado em Brotas, interior de São Paulo, tinha como única fonte de renda a laranja. Com a crise da citricultura, iniciada em 2005, os proprietários começaram a enfrentar problemas.   

Maria Fernanda Guerreiro e Luiz Fernando da Silva sentiram necessidade de diversificar as atividades do sítio para evitar mais prejuízos.

Com apoio da Embrapa Pecuária Sudeste, de São Carlos (SP), em 2011, os produtores adotaram o sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) em 45,9 hectares da área da fazenda.

Além de uma alternativa sustentável, o novo modelo produtivo implantado no sítio conciliou diversas atividades econômicas que envolveram agricultura, floresta e pecuária em uma mesma área.

Enquanto as árvores cresciam, foi cultivado milho e pastagem. Segundo Maria Fernanda, o retono dos animais variou de acordo com a área integrada.

“Em algumas os animais entraram após um ano do plantio dos eucaliptos, outras um pouco mais tarde. Ainda, tivemos áreas em que os animais não deixaram de entrar”, explicou.

Na propriedade, que antes era basicamente plantação de laranja, hoje predomina a diversificação. São plantados grãos, cana, eucalipto, pasto e citrus. Todos os produtos são beneficiados na própria fazenda e comercializados diretamente pelos pecuaristas.

São produzidos e vendidos fubá, lenha, carne e laranja.

“Conseguimos agregar valor à produção e comercializar nossas mercadorias sem atravessadores”, conta Luiz Fernando.

Conheça mais sobre esta experiência no vídeo abaixo:

ILPF no Sítio Nelson Guerreiro

Gisele Rosso (MTB 3089/PR) 
Embrapa Pecuária Sudeste 
 
Telefone: (16) 3411 5625

 

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Fazendas HP e Flamboyant | Umuarama – PR Junho/2015

O agricultor Gerson Bortoli, do município de Umuarama, situado no noroeste do Paraná, descobriu que o plantio da mandioca pode melhorar o pasto e que a inserção do milho no sistema agrícola pode aumentar a produtividade da soja.

  

O agricultor Gerson Bortoli, do município de Umuarama, situado no noroeste do Paraná, descobriu que o plantio da mandioca pode melhorar o pasto e que a inserção do milho no sistema agrícola pode aumentar a produtividade da soja. Com o discurso de planejamento a longo prazo, o empresário, que trabalha com Integração Lavoura-Pecuária (ILP) há oito anos, acompanha as mudanças do mercado e aproveita as oportunidades que surgem. “Nessa fazenda fiz um manejo diferente no milho com a braquiária (capim) que fará diminuir de 8 a 10 sacas (60 kg) de milho por hectare, mas que vai me proporcionar um ganho de 10 a 15 sacas (60kg)  a mais de soja na mesma área, chegando a uma produtividade de 60 sacas por hectare”, argumenta Gerson, sabendo que o mercado para a soja encontra-se muito mais rentável. “Ainda consigo aproveitar o pasto para alimentar o gado antes de plantar a soja em setembro”, continua seu raciocínio ao saber que a arroba do boi também esta em alta no mercado.

Proprietário de duas fazendas nesta região (HP e Flamboyant) conhecida como arenito, local com baixo teor de argila no solo, Bortoli vem utilizando o plantio de mandioca como estratégia para recuperar 148 hectares de pastagem. “Tripliquei o número de bois por hectare após recuperar as pastagens com a mandioca”, afirma. Os números alcançados pelo agricultor são cinco vezes maior que a média nacional. Hoje ele consegue trabalhar, sem perder a produção do pasto, com 5 unidade/animais por hectare.

Como a mandioca pode influenciar no ganho de peso do gado e o milho aumentar a produtividade da soja?

A palavra integração responde a estas duas questões. A região do arenito, noroeste do Paraná, onde o produtor Gerson Bortoli trabalha, apresenta baixos teores de argila – inferiores a 10% – altos teores de areia e níveis muito baixos de fósforo, potássio, cálcio, magnésio, matéria orgânica e também uma alta suscetibilidade à erosão. A média da lotação das pastagens na região é de 1,2 unidade/animais por hectare. Na fazenda HP, localizada no município de Perobam (PR), produtor Bortoli consegue trabalhar com 5 unidade/animais por hectare.

“Ao plantar a mandioca nesses 148 hectares, o produtor integrou a lavoura a uma pastagem degradada, e fez com que aumentasse a disponibilidade de nutrientes e diminuísse o risco de erosão do solo”, afirma o pesquisador da Embrapa, Julio Franchini. Esta integração fez com que a produção de pastagem após a colheita da mandioca aumentasse sua capacidade de alimentar o gado. Hoje o ganho de peso por animal na fazenda HP é de 800 a 1000 gramas  de peso vivo por animal/dia, o dobro do resultado obtido antes da recuperação de pastagem com a mandioca.

A recuperação da pastagem degradada com a mandioca foi complementada com uma boa condução a partir de adubação e inserção de nutrientes, porém em menor quantidade se comparada antes da integração. “Custa muito menos manter do que recuperar”, ressalta Gerson.

Além da questão da argila e outros nutrientes, a região apresenta altas temperaturas, o que aumenta o consumo de água pelas plantas. Em algumas medições em áreas sem cobertura das plantas, foram constatadas temperaturas de até 65 graus no solo. “O déficit hídrico é o principal fator que diminui a produtividade, principalmente associado com altas temperaturas nas fases de florescimento e enchimento dos grãos na soja”, explica  Franchini. Ao plantar o capim junto com o milho, o produtor proporciona a cobertura do solo, diminuição da temperatura do local, evita a erosão, incorpora nutrientes e aumenta a produtividade da soja. “Podemos estimar que as pastagens em sistema integrado na região aportam, em média, 400 kg de carbono por hectare na forma de matéria orgânica no solo e aumentam a conservação da água, além de reduzir a temperatura na superfície”, acrescenta o pesquisador.

A produtividade da soja no Paraná na safra 2013/2014 foi de 2.950kg (49 sacas) por hectare. Nesta mesma safra, Gerson Bortoli produziu 3.420 kg (57 sacas) por hectare na Fazenda Flamboyant, localizada no município de Umuarama (PR).  Para a safra 2014/2015, o produtor projeta aumentar ainda mais sua produtividade. “O tempo colaborou, acertamos na variedade, foi uma bela produção e com as técnicas implantadas temos obtido bastante êxito”, finaliza.

Vídeo – História de Sucesso ILPF – Fazenda Flamboyant

Vídeo História de Sucesso ILPF – Fazenda HP

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Sítio Ah Pashto | Rio de Janeiro – RJ – Agosto/2018

Sistema silvipastoril possibilita produção de leite, água de coco e lenha ao lado do mercado consumidor no Rio de Janeiro

 

A poucos metros da praia, cercado por condomínios residenciais no bairro do Recreio dos Bandeirantes, o pequeno sítio da família de Filippo Leta destoa completamente da paisagem urbana do Rio de Janeiro. Se não bastasse o fato inusitado de se manter mesmo com a valorização imobiliária da região, os 13 hectares são trabalhados de uma maneira intensificada e agroecológica, tendo a integração lavoura-pecuária-floresta como o grande alicerce.

Adquirido pelo avô quando migrou da Itália para o Brasil, o sítio já foi usado para a produção de hortaliças, de suínos, cabras, vacas, coco, entre outras culturas, sempre com a ideia do aproveitamento dos resíduos, do espaço e da integração entre as atividades.

Com a perda do avô, o jovem Filippo assumiu a condução do sítio que frequentava desde criança. O primeiro passo foi aprender sobre o fornecimento de alimento para o gado num sistema de produção baseado no pasto. Foi buscar no Zimbábue, na África, os ensinamentos que precisava. Aprendeu a metodologia de pastejo rotacionado preconizada pelo Instituto Savory, criado pelo ecologista Allan Savory.

“Usamos uma planilha e fazemos um planejamento do pastoreio dos animais, do movimento dos animais na terra. Um plano para época da seca e outro para a época das águas, respeitando sempre o tempo de descanso das plantas e a velocidade de crescimento delas, de acordo com a época do ano”, explica Filippo Leta.

Dessa forma, as 17 vacas Jersey que possui pastejam ao longo do ano por 25 piquetes, em uma área total de 8,3 hectares. Com base em mensuração diária da produção de matéria seca, o pastejo é feito em faixas delimitadas com cerca elétrica móvel dentro de cada piquete.  Com isso, os animais encontram sempre pastagem abundante, fazem um super pastejo e são levados para outra área. Dessa forma, só retornam à área pastejada semanas depois, dando tempo suficiente para recuperação da forrageira.

Filippo explica que a estratégia é uma mímica do que ocorre na natureza com os grandes rebanhos de herbívoros das savanas e pradarias. 

Entre as plantas forrageiras utilizadas no sítio estão a braquiária do brejo, o braquiarão e tifton. Além da pastagem, as vacas recebem 4 kg de concentrado à base de cevada por dia.

Em muitos dos piquetes os coqueiros plantados pelo avô garantem conforto térmico aos animais. Nos demais o próprio Filippo vem plantando linhas simples de eucalipto, acácia mangium, ingá, guapuruvu e, em alguns deles, novos coqueiros.  Além de gerar sombra e refresco para o gado no calor praiano do Rio de Janeiro, as árvores fornecem coco,  cuja água é envasada no próprio sítio e lenha, vendida em sacos pequenos no mercado local.

Porcos e cabras

O sítio tem como uma de suas principais atividades a produção de leite de cabra. Atualmente o rebanho conta com 70 cabras da raça Saanen. Os animais ficam em um capril também sombreado pelos coqueiros.

Com metade das cabras em lactação, a produção média diária é de 75 litros. Esta produção é transformada em queijo em um pequeno laticínio montado no sítio.

Outra fonte de renda é a venda de leitões caipiras. Mas os porcos não se limitam ao chiqueiro. As matrizes são usadas na ILPF como instrumentos para preparo de terra em piquetes que precisam ser recuperados.

“O porco entra como uma ferramenta de recuperação de pasto. Quando queremos replantar a forrageira, entramos com o porco funcionando realmente como um arado. Fazemos piquetes móveis com cerca elétrica, mantendo-os bem adensados. Eles vão fuçando, arando a terra, preparando, para depois entrarmos com a grade e plantarmos o pasto”, explica que já se prepara para também usar as galinhas poedeiras nesse processo.

Diversificação da produção

Buscando obter o melhor resultado em sua área, o produtor tem como uma de suas estratégias a diversificação da produção. Além disso, tem procurado agregar valor quando possível e trabalhar da melhor forma para aproveitar todos os recursos.

Uma das iniciativas foi criar a marca Ah Pashto para a água de coco e derivados de leite. A água de coco é envasada em uma agroindústria montada no sítio e vendida em uma rede de supermercados do Rio de Janeiro. Para aproveitar melhor a capacidade instalada, hoje além da produção própria, a fábrica compra coco de outros fornecedores.

O leite de vaca, após ser pasteurizado, é envasado no laticínio e vendido para consumo interno dos funcionários de uma rede de supermercados. Já o queijo feito com leite de cabra é vendido no comércio local, assim como os ovos, que são vendidos a granel.

A lenha de eucalipto que também é vendida pela família vem de outra propriedade no estado do Rio. Mas em breve também poderá ser obtida das árvores da ILPF.

Produção agroecológica e carbono neutro

Desde que assumiu a condução e operacionalização do sítio, Filippo deixou de utilizar qualquer tipo de agrotóxico na propriedade. De acordo com ele, o objetivo é o de encontrar soluções biológicas que tornem o sistema equilibrado e mais preparado para as adversidades.

“É claro que tivemos uma queda na produtividade logo nos primeiros anos, mas depois veio recuperando. Estamos tentando criar um sistema resiliente, com bastante matéria orgânica, para que as plantas sejam fortes o suficiente para poder conviver com essas pragas e sejam controladas biologicamente dentro do sistema”, afirma.

Dentre as estratégias para a maior resiliência do sistema, o aumento de matéria orgânica no solo é um dos pilares do trabalho. Além disso, a propriedade está ingressando no Projeto Pecuária Neutra, que visa mitigar as emissões de gases causadores de efeito estufa oriundos da fermentação entérica dos animais por meio da fixação de carbono pelas raízes das árvores usadas na ILPF.

Integração de pessoas

Atualmente o sítio conduzido por Filippo conta com 15 funcionários atuando tanto no campo quando nas agroindústrias. Todos eles jovens e cada um responsável por uma atividade no sistema produtivo.

“Precisa só de disposição e vontade. Eles estão dando conta do recado e estão mostrando que têm um trabalho digno e que a pecuária pode ser a solução. Não é só vilã. Faz parte de um sistema integrado de pessoas”, afirma o produtor.

Para ele o maior desafio em um sistema produtivo como o que tem adotado está nas pessoas.

“O maior desafio é mudar a cabeça, a consciência das pessoas de que esse é um sistema que pode funcionar e que a gente tem que ter a coragem de fazer. E também a capacitação das pessoas, para que elas entendam e olhem mais para o solo para poder aplicar esse tipo de manejo. O maior desafio não é a técnica ou o projeto em si, é trazer as pessoas para dentro do projeto”, avalia.

Nesse sentido, o produtor espera cada vez poder envolver mais pessoas, de modo a possibilitar maior aprendizagem sobre os sistemas integrados. Para isso, planeja formas de receber um maior número de visitas à sua propriedade.

“Não queremos ser demonstração de nada. Queremos ser uma área de aprendizagem, proporcionando a troca de experiências. E também incluir os jovens e crianças para que valorizem a agricultura e pecuária”, afirma.

 

Reportagem e fotos:

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG JP) 
Embrapa Agrosilvipastoril 
agrossilvipastoril.imprensa@embrapa.br 
Telefone: 66 3211-4227

 

 

 

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Chácara das Gabirobas | Coronel Xavier Chaves – MG – Outubro/2017

Dedicação do produtor impulsionada por uma boa assistência técnica resultam em uma fazenda modelo no uso da ILPF na pecuária leiteira

 

 

Situada a dois quilômetros da cidade de Coronel Xavier Chaves, na mesorregião dos Campos das Vertentes, Centro Sul de Minas Gerais, a Chácara das Gabirobas é uma propriedade transformada pela correta aplicação dos preceitos da tecnologia de integração entre lavoura, pecuária e floresta. Em menos de 10 anos uma propriedade improdutiva, infestada de pragas e com solo degradado se tornou uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) em Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) em parceria com a Emater-MG, a Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora-MG) e a prefeitura municipal.

A pequena fazenda pertence ao casal Vanderlei dos Reis Souza e Maura Juliana da Silva Souza. A pecuária leiteira é a atividade principal da propriedade. Além do casal, o pai de Vanderlei, João Ferreira de Souza, e as filhas Joyce e Maysa, de 17 e 15 anos respectivamente, ajudam nas tarefas da propriedade. As meninas com apuração e controle de dados. Hoje a Chácara das Gabirobas tem produção média anual de 238 litros de leite por dia, com um rebanho de 17 vacas, sendo 14 em lactação. Entre – janeiro de 2017 e outubro de 2017 cada litro de leite produzido teve um custo R$ 0,75 e foi vendido na média por R$1,05, com resultado positivo R$ 0,30 por litro considerando o Custo Operacional Efetivo. Até a três anos, o produtor tinha o rebanho três vezes maior, com o triplo da produção, mas realizou o replanejamento da atividade, visando maior disponibilidade de tempo para passar com a família, como viagens,  lazer e descanso.  O resultado, tanto antes como depois, é acima da média nacional. Outras atividades que contribuem para o aumento da renda da chácara incluem produção de madeira (eucalipto) e de queijo artesanal.

Mas nem sempre foi assim. Quando adquiriu a propriedade dos avós, em 2005, os 28 hectares da chácara eram um grande pasto degradado, totalmente improdutivo, infestado de formigas e cupins e sem qualquer benfeitoria. Onde hoje é a confortável casa da família, existia apenas um barranco. Foi quando Vanderlei procurou o escritório da Emater-MG em Coronel Xavier Chaves e tudo começou a mudar. A partir de 2008, a parceria com a Embrapa ajudou a transformar ainda mais o cenário da propriedade. A relação de confiança entre o representante da extensão rural, o produtor e os atores da pesquisa agropecuária foi o elemento fundamental para a transformação do sítio. A prefeitura municipal é consciente da importância da atividade leiteira para a região e também contribuiu.

Com apoio técnico da Emater-MG, a propriedade de Vanderlei foi incluída no programa Minas Sem Fome/Lavouras Comunitárias. Com a ajuda do financiamento do programa começaram as mudanças que transformariam a pequena e improdutiva chácara em um exemplo de propriedade familiar produtiva em menos de uma década. E tudo começou com o cultivo de feijão em sociedade com um produtor vizinho, o que ajudou a corrigir a acidez do solo.  O técnico da Emater que hoje acompanha a Chácara das Gabirobas, Leonardo Henrique Ferreira Calsavara, lembra que havia na propriedade um hectare de eucalipto, plantado pelo avô, mas sem qualquer técnica e desordenado. Vanderlei pensou eliminar completamente, mas o extensionista da Emater à época sugeriu que ele cortasse apenas algumas linhas centrais da espécie e deixasse outras. Por exemplo, a cada nove linhas cortadas, uma ficava. E assim foi se formando um pasto sombreado.

A partir de 2006, o leite entra em cena. A sociedade com o vizinho é desfeita por diferença de interesses, a amizade, no entanto, foi mantida e fortalecida. O período inicial da pecuária de leite na chácara foi difícil e repleto de desafios. E aí entram elementos fundamentais para que a relação entre produtor e extensão rural ganhe fluência e funcione na prática: a confiança e a perseverança. Calsavara recorda que Vanderlei procurava a Emater sempre que precisava ou queria fazer alguma intervenção na propriedade.

“Durante todo o processo, sempre dávamos feedback a ele, que por sua vez, nos passava dados e informações da produção. Isso aumentou sua confiança, a relação foi se estreitando”, relata.

O técnico da Emater ressalta a visão do produtor durante o processo inicial. 

“Ele enxergou o negócio. Viu na pecuária de leite com inovações tecnológicas e apoio a oportunidade de continuar no campo, aumentar a produção e rentabilidade, viver daquilo, ao invés de desistir de tudo e ser mais um a buscar o caminho da cidade e disputar uma vaga como empregado no concorrido e difícil mercado de trabalho”.

ILPF entra em cena

A partir de 2008, quando evidenciou-se que a melhor solução para a Chácara dos Gabirobas seria adotar um sistema de integração, a Embrapa Gado de Leite entrou em cena. A Emater-MG, por intermédio de Leonardo Calsavara, recorreu aos pesquisadores da Embrapa Gado de Leite para a implantação de um sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. Desde então, vários pesquisadores contribuíram com seus trabalhos, estudos, sugestões e acompanhamento em perfeita harmonia com o produtor e o técnico.

“O grande segredo do sucesso do trabalho realizado na Chácara das Gabirobas foi o casamento da extensão com a pesquisa, somado ao interesse do produtor. Nesta propriedade estão envolvidos diversos níveis organizacionais: associações de produtores, apoio municipal, estadual e federal com crédito, programas e pesquisa, cada um atuando dentro da sua competência e o produtor gerenciando tudo,” atesta o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Sérgio Rustichelli Teixeira, que acompanha a parte de gerenciamento da propriedade desde 2012.

A Chácara das Gabirobas possui hoje seis hectares de reserva legal, um hectare para atividade silvipastoril (monocultivo), 14 hectares de ILPF, seis hectares para pastagens Brachiaria brizantha c.v. Marandu e 1,7 hecatres com benfeitorias. O rebanho é formado com gado mestiço 7/8 em sistema a base de pasto. Para alimentação na época seca é produzida silagem de milho com pastagem adubada. Há fornecimento de concentrados para todas as categorias do rebanho, de acordo com produção e necessidades, principalmente para vacas em lactação, vacas pré-parto e bezerros(as) em cria e recria. Os insumos são comprados na Itambé via associação de produtores. O transporte dos alimentos do vendedor até a propriedade é feito pelo fornecedor. Na chácara são usados dois veículos, um uno e um trator, este adquirido com crédito rural.

Em 2011 foram construídas instalações de ordenha com ampla discussão de projeto envolvendo práticas de manejo na propriedade e financiamento externo. O sistema de ordenha é mecânico com quatro conjuntos, com fosso e espinha de peixe, sem bezerro. A partir de maio de 2013 foi iniciada coleta de dados financeiros e técnicos de toda a propriedade utilizando planilha Excel, trabalho que é executado pelas filhas, Joyce e Maysa . Estes dados têm por objetivo auxiliar a administração da propriedade e servir de base para divulgação de seus resultados, para cursos, palestras e artigos sobre gerenciamento de propriedades leiteiras .

Começo difícil

Quem circula pelas áreas de produção da Chácara dos Gabirobas ou analisa seus impressionantes dados zootécnicos para uma propriedade de base familiar não imagina as dificuldades enfrentadas para se chegar ao nível alcançado nos dias de hoje. Calsavara é direto ao afirmar que os primeiros meses de implantação da pecuária leiteira foram muito complicados. Vanderlei estava deixando a produção de feijão que já lhe trazia algum rendimento, mas para inserir a atividade leiteira seriam necessários alguns investimentos iniciais e muita paciência e, ainda por cima, ele teria que dispor de alguns bens.

“Os investimentos para começar a produção demoram um pouco a trazer retorno, é um momento delicado, quando o produtor pode desistir de tudo, descartar o projeto”, pondera.

Quando se decidiu que a implantação de um sistema de integração seria o melhor caminho para desenvolver a propriedade foram necessárias generosas doses de paciência e dedicação. O extensionista recorda que seria o primeiro sistema em toda a região, existia desconfiança se daria certo. Calsavara adverte que a desconfiança natural do início e o baixo retorno podem levar a negligenciar algumas práticas importantes para o futuro do projeto, como a capina, por exemplo, o que pode comprometer o desenvolvimento se não for feito de forma adequada. O controle de formigas deve ser levado muito a sério e a adubação idem.

“Se tudo não for feito conforme orientado o resultado pode ser prejudicado, se transformar num ciclo vicioso e por tudo a perder”.

Rustichelli reforça a importância do contato direto entre os envolvidos, produtor, extensionista e pesquisadores. As orientações de cada procedimento ou etapa devem ser precisas e a cobrança não pode ser caracterizada como um obstáculo.

“Cobrar gera estresse entre as partes, por isso o relacionamento com o produtor deve primar pela confiança, para não intimidar cobranças e questionamentos, pois se no estágio inicial tudo não for feito corretamente, o futuro do projeto fica seriamente comprometido”, ensina o pesquisador.

Planejamento

Todas essas importantes medidas para a implantação de um sistema ILPF  dependem de planejamento, pois todo esse trabalho incide em mão de obra.

“Afinal, como controlar cada item, mais a ordenha, a reprodução e a sanidade do rebanho, os afazeres pessoais, o dia-a-dia da fazenda?”, questiona Rustichelli. E é o produtor quem dá a receita.

“Não há outro jeito, o negócio é acordar às quatro horas da manhã e ficar na lida até o sol se por”, simplifica Vanderlei.

Na Chácara dos Gabirobas só Vanderlei e o seu pai, João Ferreira, é que trabalham na área produtiva. Dona Maura cuida de outras tarefas do sítio e da casa e as meninas, além de estudarem, são responsáveis pelas anotações dos dados da propriedade. Na época do aumento do fornecimento de volumosos ou nos finais de semana quando o serviço aperta, Vanderlei contrata um ajudante da região, que trabalha em outras fazendas e conhece bem o trabalho.

A importância de seguir o planejamento estabelecido evita equívocos comprometedores, conforme exemplifica o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Alexandre Brighenti, que também participou do projeto de implantação de ILPF na chácara.

No primeiro ano, com todas as dificuldades citadas, Vanderlei trabalhou quatro hectares. No segundo, ele queria passar para 10, mas não seria possível.

“Afinal não havia mão de obra suficiente para cuidar de um espaço tão grande. Ele também teria que inviabilizar temporariamente mais 10 hectares na propriedade, dificultando a locação do seu rebanho e a produção de forragem para alimentar o gado. No total, ele teria que imobilizar 50% de sua propriedade, seria prejuízo na certa e o grande risco de desistir de tudo”.

Brighenti complementa que o processo tem que ser gradual, pois é preciso dividir a propriedade para implantar.

“O eucalipto tem que chegar a um determinado estágio para se colocar o gado no local”, exemplifica.

 Calsavara enfatiza que o sucesso da Chácara dos Gabirobas desmistifica a questão de que a pecuária de leite não dá retorno.

“Como se consegue isso? Só com muita dedicação e seriedade de cada parte e utilizando a tecnologia MM, mão na massa”, brinca Calsavara.

Da parte da extensão, Calsavara aponta o desejo do bem comum, o foco na família do produtor.

“Para todos crescerem juntos, a relação deve ser de total confiança, a conversa direta olho no olho, a criação do vínculo. Querer bem é uma das razões principais para o sucesso do empreendimento, não adianta focar só em rentabilidade e em produção se a família não vai bem. É o pensamento que se espera do profissional da extensão rural”.

Vanderlei faz questão de reconhecer o apoio de todos que recebeu durante cada etapa do processo, desde a reestruturação da propriedade até a implantação dos projetos.

“Aceitar esse desafio de fazer a pequena chácara funcionar e ser produtiva foi a grande decisão da minha vida. Trabalho no que é meu, consigo sustentar minha família com dignidade e estou muito satisfeito. Todos os sacrifícios valeram muito. Hoje as meninas estão recebendo boa educação e já pensam em fazer cursos em que podem aplicar os conhecimentos em nosso negócio, como Veterinária e Agronomia. Isso significa que todo o trabalho feito aqui terá continuidade e ainda vai melhorar por muitos anos”, declarou com sorriso no rosto.

 

 

Marcos La Falce
marcos.lafalce@embrapa.br
Embrapa Gado de Leite

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Fazenda Encantada | Sapezal-MT Fevereiro/2021

 

Como produzir mais, sem aumentar a área da fazenda? Este desafio levou o Grupo Webler a optar pela integração lavoura-pecuária (ILP), que, além de aumentar a produtividade de grãos e carne da fazenda, reduziu custos de produção e tornou a propriedade mais sustentável.

Com maior produção de soja e carne, em menor área, o grupo pôde expandir a área destinada à cultura do algodão.

O próximo passo será integrar as árvores, já cultivadas em 256 hectares da fazenda, com a lavoura e a pecuária, completando o sistema ILPF. 

Assista ao vídeo produzido pela Syngenta, uma das associadas da Rede ILPF, e conheça um pouco mais sobre esse projeto inovador.

 

 

Fazenda Gravataí Agro | Itiquira – MT – Julho/2018

Trabalhando com base em informação e tecnologia, Gravataí Agro vira exemplo para produtores da região

Todos os anos centenas de pessoas, na maior parte produtores e profissionais ligados ao setor agropecuário da região sul de Mato Grosso, participam de um dia de campo na Gravataí Agro, no município de Itiquira (MT). O que leva todos eles anualmente ao mesmo local é conhecer um pouco mais do sistema produtivo adotado pela fazenda e identificar como aproveitar a experiência em suas propriedades ou naquelas em que assistem.

Desde 2011, quando Caetano Polato comprou a área na fronteira do Cerrado com o Pantanal, montou uma equipe técnica qualificada e investiu em sistemas produtivos mais eficientes. Encontrou na integração lavoura-pecuária a melhor das estratégias.

“Estamos buscando cada vez mais verticalizar a nossa produção, então a integração permite isso, pois ela favorece tanto a pecuária quanto a agricultura”, afirma o agrônomo da fazenda Bento Ferreira.

Com 10.600 hectares de área total, a propriedade tem 3.300 ha com pastagens permanentes e 4.060 ha destinados à lavoura.  Na safra, a soja é o carro chefe da parte agrícola, ocupando toda a área. Após a colheita da oleaginosa, cerca de 3.000 ha são usados na integração lavoura-pecuária. Em parte desta área é feita a semeadura imediata da pastagem, em outra parte o milho é cultivado em consórcio com braquiária.  

Com esse sistema, em maio, quando termina o período chuvoso, o gado formado principalmente por fêmeas nelore e aberdeen-angus é retirado das pastagens permanentes e levado para as áreas de integração. Assim, preserva-se a forrageira usada no período chuvoso e fornece-se alimento de qualidade para o gado durante seca.

“Estamos ganhando nesse período de até cinco arrobas por hectare. Ganhamos na parte da pecuária, pois temos pastagem de qualidade na hora que acaba o capim na área de pastagem permanente, e a agricultura também ganha muito com isso. Com o pastejo do gado a braquiária tem maior crescimento de raiz. Além disso, tem ainda no sistema o rola bosta, que vai incorporar a matéria orgânica no solo”, explica o gerente de pecuária da fazenda, Alexandre Barazetti.

Sistema Gravataí

Buscando sempre inovações que possibilitem a melhoria da produtividade e a sustentabilidade da atividade agropecuária, a fazenda Gravataí fez uma parceria com Embrapa e UFMT – campus Rondonópolis para o desenvolvimento de pesquisas com consórcios forrageiros. O trabalho iniciado em 2015 resultou no lançamento em 2018 do Sistema Gravataí

Trata-se de um consórcio de feijão-caupi com braquiária visando o pastejo em segunda safra. Os resultados mostraram que o sistema ajuda a aumentar a matéria orgânica no solo, melhora a qualidade da forrageira, aumenta o ganho de peso dos animais e proporciona elevação na produtividade de soja.

No grão, a diferença ficou em torno de 20 sacas por hectare a mais no acumulado de três safras, quando comparado a uma área sem a utilização do Sistema Gravataí. Já na pecuária, o uso da tecnologia resultou em até 100 gramas a mais de ganho de peso por dia.

Batizado com o nome da fazenda como forma de homenageá-la pela abertura dada à pesquisa, o Sistema Gravataí já vem sendo usado por vizinhos que conheceram a tecnologia e deve ocupar cada vez uma área maior na própria Gravataí Agro.

 

Confira abaixo uma palestra de Fernando Passos sobre o mercado da teca em Mato Grosso

 

ILPF

Além das pesquisas com consórcios, a parceria com a Embrapa rendeu a criação de uma Unidade de Referência Tecnológica e Econômica de ILPF na Gravataí Agro. Em dezembro de 2014, em uma área de 90 hectares, anteriormente com pastagem, foram plantados renques triplos de eucalipto. Com espaçamento de 3m entre as linhas e 2,5 entre as plantas, foram utilizadas nas laterais o clone I144 e na linha do meio o H13. O espaçamento entre os renques foi definido de modo a se ter duas passadas da barra de pulverização, ficando em 51 metros.

A irregularidade da chuva na área usada com a integração, localizada na borda da chapada que faz divisa com o Pantanal frustrou as duas safras de soja, que tiveram baixas produtividades. Em dezembro de 2016, com as árvores com diâmetro à altura do peito (DAP) de 10cm, foi semeada a braquiária Piatã e os gado entrou no sistema.

Os 90 ha foram divididos em quatro piquetes e tem sido feito o pastejo rotacionado, com média de 3 ua/ha. De acordo com as mensurações da fazenda, quando comparada com resultados de pastos sem árvores, a ILPF tem proporcionado um ganho superior em até 100g diárias por animal.

“Vimos que esse bem estar animal estava convertendo em ganho de carne. Isso nos encorajou a aumentar o sistema. Em dez 2017 implantamos mais um talhão”, relata Bento Ferreira.

A nova área, entretanto, contou com algumas alterações a partir da experiência inicial. Como está localizada ao lado da primeira área, optou-se por não fazer agricultura. Ajudou na decisão o fato da pastagem na área estar em boas condições.

A boa qualidade da pastagem também resultou em mudança no layout da área. Para remover menor área de forrageira, optou-se pelo plantio das mudas em renques quádruplos, com espaçamento entre linhas e entre plantas de 3m e distância entre renques de 100m.

 

Pecuária

A Gravataí Agro trabalha com recria e engorda de fêmeas nelore e aberdeen-angus. Inicialmente a opção por fêmeas foi devido ao menor custo para compra no momento de início da atividade. Porém, as vantagens no manejo, o menor consumo de alimentos e o giro mais rápido acabaram se mostrando uma boa estratégia. O pagamento de prêmio por frigoríficos tem corroborado com essa opção.

“Estamos tendo algumas vantagens na hora de vender. O frigorífico está nos bonificando pela qualidade da carne que nós temos. Estou tendo hoje na fêmea o preço que seria pago pelo macho. Um diferencial de preço em relação ao que o mercado paga a uma vaca de idade avançada, por ser uma novilha precoce”, explica Bento.

As novilhas chegam à fazenda com oito meses de idade. Um ano depois já são enviadas para o abate com cerca de 16 arrobas. A recria é feita nas áreas de pasto permanente durante o período chuvoso e nas áreas de ILP na seca.

Quando atingem aproximadamente 360 kg, no caso das nelores, e de 300 a 360 kg as aberdeen-angus, são formados lotes que são enviados a um dos dez módulos de semi-confinamento da fazenda. Cada um com aproximadamente 100 ha e 60 metros lineares de cocho.

“A estratégia de nutrição é ajustada conforme a disponibilidade e qualidade de capim no período. Nosso objetivo é ter um melhor aproveitamento do capim e proporcionar um bom desempenho de carcaça para esses animais, que ainda estão crescendo”, explica a zootecnista da Gravataí Agro Laziele Vilela.

 

Conheça mais sobre a fazenda 

 

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG JP) 
Embrapa Agrossilvipastoril 
agrossilvipastoril.imprensa@embrapa.br 
Telefone: 66 3211-4227

 

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[zt_testimonial autoPlay=”yes” numSlides=”1″ paging=”yes” controls=”yes”][zt_testimonial_item bgColor=”#f6f6f6″ textColor=”#747474″ name=”Alexandre Barazatti” company=”Gerente de pecuária da Gravataí Agro” borderRadius=”4″]”Para a integração lavoura-pecuária dar certo é preciso que a agricultura esteja totalmente envolvida com a pecuária e a pecuária totalmente envolvida na agricultura. Só da certo o sistema desse jeito, quando os dois ganham. Os dois têm de ser beneficiados.”[/zt_testimonial_item][/zt_testimonial]