Fazenda Esperança | Rio Branco – AC – Maio/2018

Integração de culturas transformou área improdutiva em fonte de renda para agricultores

Com 140 hectares de pastagens, a propriedade do casal Francineide da Paiva Silva e Arildo de Souza Monteiro, no projeto de assentamento Moreno Maia, em Rio Branco (AC), tinha uma área que estava prestes a ser abandonada.

“Essa era a única parte que deu problema, o solo era muito seco. Tudo que a gente plantava aqui não dava certo e estávamos pensando até em isolar o local quando propuseram instalar esse sistema de Integração Lavoura-Pecuária- Floresta (ILPF). Deu tão certo que depois da colheita do milho eu resolvi voltar a criar galinhas, porque tinha alimento em abundância para essa criação que eu gosto tanto”, conta Francineide, mais conhecida como dona Boneca.

A história começou quando o casal participou de um curso sobre ILPF na Embrapa e percebeu que poderia reformar aquela parcela da pastagem. Depois disso, eles cederam dois hectares para uma unidade de demonstrativa, instalada em novembro de 2013, pela equipe da Embrapa Acre. Em quatro anos, a família produziu, nas entrelinhas das árvores, milho, feijão, mandioca, melancia, abóbora e em 2017 instalou um cultivo de maracujá.

A produtividade surpreendeu a todos: o milho obteve uma média de 4 toneladas por hectare, já o feijão chegou a produzir aproximadamente 1000 quilos por hectare, enquanto a média do Acre é de 550 quilos por hectare. A mandioca ficou em torno de 28 toneladas por hectare.

“Foi uma produção excelente para a região, com culturas típicas da agricultura familiar, em que só o preparo do solo foi mecanizado”, conta o pesquisador da Embrapa Acre, Tadário Kamel, que coordenou a ação. 

“No primeiro ano quase que não conseguimos colher todo o milho, porque era colheita manual e produziu demais. No segundo ano nós tivemos que contratar pessoal para ajudar”, afirma dona Boneca.

Passo a passo

Para instalação do sistema ILPF, o primeiro passo foi verificar se a área tinha aptidão agrícola, com relevo plano, característica importante para o cultivo de grãos na região.  

“Depois vieram as etapas típicas de um projeto agrícola. Fizemos a coleta de amostras de solo, as análises para cálculo de calagem a adubação e partir daí o preparo do solo. O plantio do milho foi realizado junto com as árvores desde o primeiro ano. Na sequência, vieram os tratos culturais para as árvores: poda, adubação e controle de formigas e o manejo da lavoura”, comenta Kamel.

Segundo Kamel, o plantio das árvores concomitante à cultura agrícola tem o objetivo de aumentar a taxa de sobrevivência das árvores.

“O efeito residual da adubação do cultivo agrícola melhora o desempenho do crescimento das árvores, tanto em altura quanto em diâmetro. Os espaçamentos mais utilizados são de 18 a 30 metros na entrelinha das árvores e na linha de 3 a 5 metros entre plantas. Nessa Unidade Demonstrativa, foi utilizado o espaçamento de 20 metros entre as árvores, com linhas simples, recomendadas para arborização de pastagens e para que se tenha uma maior distribuição da sombra”.

Árvores Nativas

Além do tradicional eucalipto, o sistema adotado na área da dona Boneca conta com duas espécies florestais nativas da região amazônica: o  bordão-de-velho (Samanea tubulosa) e o mulateiro (Calicophyllum spruceanum). A escolha dessas duas espécies se baseou em resultados de pesquisas anteriores, realizadas em sistemas silvipastoris, que combinaram árvores, pastagens e gado na região de Rio Branco (AC).

O bordão-de-velho é uma leguminosa, de ocorrência espontânea, com alta capacidade de fixar nitrogênio, característica que ajuda a melhorar a fertilidade do solo e o valor nutritivo da pastagem. Segundo Kamel, nas áreas a pleno sol, o teor de proteína bruta na forragem foi de 8,5%, enquanto à sombra da copa do bordão-de-velho esse índice subiu para 11,45%. Já o crescimento da pastagem sob a copa da árvore aumentou em 25% em relação ao pasto a pleno sol.

A escolha do mulateiro está mais relacionada aos benefícios proporcionados pelas características da árvore e pelo valor comercial da madeira. Essa espécie nativa de grande porte e crescimento rápido possui copa de formato oval e densidade rala, permitindo ao mesmo tempo luz e sombreamento moderados, condições que influenciam positivamente a qualidade da forragem.
 

Resultados

“Tinha muita gente dizendo que não iria dar certo, que seria melhor nem cultivar nada em uma área como essa. Mas tem dado lucros e ainda têm as árvores lindas que estão crescendo. A gente já viu muitos cultivos bonitos aqui dentro e eu nem imaginaria que conseguiria reformar a pastagem tão rápido. Cada dia eu aprendo mais e quero ver de novo o capim crescer para eu colocar minhas vacas de leite aqui nessa área”, conta dona Boneca.

Para o pesquisador Tadário Kamel, o empreendedorismo do Arildo e da dona Boneca chamou a atenção.

“O aspecto que mais me deixou satisfeito, além do caráter técnico, foi a capacidade do casal de empreender. Eles  acreditaram na tecnologia ILPF e incorporaram os conceitos dos sistemas integrados. Os produtores rurais tem gerado renda, usando a própria mão-de-obra na manutenção de culturas típicas da agricultura familiar, importantes na região norte”, comemora.

 

Caso de sucesso: uso de ILPF na Agricultura Familiar

 

 

 

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Fazenda Santa Maria | Rio Crespo – RO – Abril/2018

 Com ILP, fazenda Santa Maria quadruplica a produtividade da pecuária

Os irmãos José Carlos Pignaton e Saulo Pignaton estão promovendo uma verdadeira revolução produtiva em Rondônia com a adoção da Integração Lavoura-Pecuária (ILP). O sistema está implantado na Fazenda Santa Maria, em Rio Crespo, a 198 km de Porto Velho. São 4.500 hectares em que 2 mil hectares são agricultáveis, apenas 800 estão ocupados por pastagens, mas com isso se produz 68,5% mais carne do que em 2015. Quando implantaram a ILP, a lotação era de 1,33 UA (unidade animal) e a produção de 6,91 arrobas por hectare (@/ha). Em 2016, esses índices subiram e devem chegar a 3,67 UA e 28,5@/ha em 2020.

Os irmãos foram do Espírito Santo para Rondônia em 1998 para trabalharem com madeira e adquiriram a fazenda em 2002 com foco na pecuária, cria, recria e engorda. E foi depois de um surto de cigarrinha, em 2013, que eles começaram a repensar a forma de lidar com a pecuária, inserindo a agricultura na área. “Há quatro anos nós plantamos soja e há dois nós confinamos o rebanho, dando prioridade à engorda”, diz Saulo, complementando que também tem gado a pasto, num sistema de semiconfinamento que segue depois para o confinamento.  Na área em que cultiva a soja, faz uma safrinha com a Brachiaria Ruziziensis, utilizada como cobertura de solo e fonte de alimento para animais na entre safra.

O produtor destaca que o preparo do solo para o plantio da soja e a compra de máquinas de alto custo são desafiadores para a implementação da ILP, mas são investimentos que, segundo ele, valem a pena. “A pecuária para ser lucrativa precisa de investimentos”, destaca Saulo Pignaton.

De acordo com o engenheiro agrônomo da Embrapa Rondônia, Frederico Botelho, a integração Lavoura-Pecuária em Rondônia se ajusta bem à realidade do estado, que tem na pecuária uma de suas principais atividades. A ILP em Rondônia vem se expandindo em áreas de pastagens degradadas, tornando essas áreas cada vez mais produtivas e eficientes. No estado, Botelho destaca dois tipos principais de integração: a realizada por pecuaristas que recuperaram suas pastagens com o cultivo das lavouras; e os agricultores que estão vindo de outras regiões para ocupar áreas de pastagens degradadas, com foco na agricultura, e que na entre safra, incorporam a pecuária em seus sistemas, incrementando os ganhos com o uso de áreas que estariam ociosas.

 

Conheça mais sobre a ILPF da Fazenda Santa Maria

 

 

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Fazenda das Palmáceas | Estância – SE Novembro/2016

As folhas da gliricídia são usadas para alimentar caprinos, ovinos e bovinos

 

Em Sergipe, no município de Estância, próximo à badalada praia do Saco, o produtor Joseval Pina cultiva uma leguminosa consorciada com o seu coqueiral que parece que foi criada sob medida para o Nordeste.

No lugar do espaço vazio entre um coqueiro e outro, o terreno está repleto de gliricídia, uma planta que é uma verdadeira benção para aqueles que convivem com a seca. Muito resistente à seca, essa é uma fórmula nordestina para integrar a lavoura, pecuária e floresta (ILPF), pois a gliricídia é considerada um arbusto que pode crescer até próximo dos cinco metros. É o componente arbóreo do sistema ILPF.

E onde entra o componente animal, ou melhor, pecuária nesta história?

Acontece que Pina, como gosta de ser chamado, já foi presidente Associação dos Caprinos e Ovinos de Sergipe. Seus animais da raça Santa Inês já receberam diversos prêmios. Ele sempre frequenta as exposições agropecuárias e se preocupa com a qualidade do seu rebanho, sobretudo com o aperfeiçoamento genético dos animais. E para isso, ele está atento à nutrição e sanidade dos seus ovinos.

 “A gliricídia é um ótimo alimento com alto teor de proteína para meus carneiros e ovelhas”, ressalta Pina que recebeu assessoria da Embrapa na introdução da gliricídia no seu coqueiral.  Ele cultiva dois hectares de gliricídia no seu coqueiral.

O produtor tritura a gliricídia junto com capim elefante, milho e coloca em cochos para alimentar suas ovelhas da raça Santa Inês, Dorper e White Dorper.

E não é só isso. O pesquisador José Henrique Rangel, da Embrapa Tabuleiros Costeiros, enumera as vantagens da gliricídia.

“Utilizando-a com a integração lavoura, pecuária e floresta, a gliricídia nitrogena o solo, melhora a qualidade da matéria orgânica e os nutrientes nas áreas profundas do solo são reciclados para as camadas superiores e assim diminui-se o uso de fertilizante químico.

Ele acrescenta também que, ao integrar a gliricídia com coqueiro, aumenta a diversidade da fauna atraindo mais abelhas, insetos polinizadores, abrigando nos seus galhos pássaros e ninhos.

Quer mais?  “O pasto é mais verde e a gliricídia pode servir de cerca viva. Isso significa economia na dispendiosa estrutura para a contenção de gado no pasto.  É a solução ideal para o produtor consciente que deseja rentabilizar a produção, aumentar o lucro e que se preocupa com o meio ambiente”, complementa Rangel.

“Essa leguminosa é muito prática. Ela se reproduz através de semente ou de estacas. Basta uma estaca em uma cova e forma-se uma nova planta e, sem demora, está cheia de folhas comestíveis para o gado”, afirma ele.

A Embrapa Tabuleiros Costeiros pesquisou o plantio de gliricídia de várias formas de integração. Uma delas é o de alameda, junto com o pasto, milho ou feijão. Já é uma boa economia com ureia com a nitrogenação do solo. No sistema de alamedas, o ideal é o espaçamento de quatro por dois metros, onde o gado pode passar com facilidade.

O produtor pode optar pelo plantio adensado, se quiser alimentar os animais com gliricídia como forragem, feno e silagem ou até usar suas folhas e ramos como adubo verde. Nesse caso, não é possível o pastejo, pois não há espaço para o gado transitar. No entanto, é muito produtivo, pois é possível o corte a cada 70 dias na estação chuvosa e a cada 120 dias, na estação seca. Um hectare pode produzir em torno de 20 toneladas de folhas comestíveis para o gado, em cada corte. Como pode haver quatro cortes por ano. São oitenta toneladas anuais por hectare.

O pesquisador Rangel diz ainda que o produtor pode também formar um banco de proteína. Os animais são colocados para comer as folhas da gliricídia uma hora pela manhã e outra hora pela tarde e no tempo restante, o gado come outro tipo de pasto. Esse processo é recomendado para vacas de leite, pois o manejo dos animais é mais constante.

O pesquisador Humberto Rollemberg Fontes, também da Embrapa Tabuleiros Costeiros, indica a gliricídia como adubo verde em cultivo consorciado com coqueiro híbrido.

“Ao depositar a parte aérea da gliricídia na zona de coroamento do coqueiro híbrido, duas vezes ao ano, pode-se substituir  totalmente ou parte dos fertilizantes nitrogenados durante a fase de crescimento, proporcionando economia e maiores ganhos ambientais em função da redução do uso de insumos químicos”. 

Gliricídia é um ótimo alimento para os animais

 

Sistema silvipastoril com uso de gliricídia : parte 1 – Dia de Campo na TV

Sistema silvipastoril com uso de gliricídia : parte 2 – Dia de Campo na TV

Texto e fotos: 

Ivan Marinovic Brscan (1634/09/58/DF) 
Embrapa Tabuleiros Costeiros 
tabuleiros-costeiros.imprensa@embrapa.br 
Telefone: (79) 40091381

 

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Fazenda Don Aro | Machadinho D’Oeste – RO Janeiro/2018

Don Aro tem certificação de Boas Práticas Agropecuárias renovada pela Embrapa e avança nos resultados

O pecuarista de Rondônia, Giocondo Vale, vem apostando no sistema de integração lavoura-pecuária (ILP) para renovar a pastagem, recuperar o solo e, consequentemente, melhorar a produtividade e a lucratividade da fazenda. A adoção de um sistema sustentável de produção, segundo ele, é caminho sem volta e tem servido de modelo para outros produtores do estado e também do Brasil. “Para enriquecer o solo e produzir uma boa pastagem, nós pecuaristas precisamos da agricultura, que ajuda a diluir os custos e aumentar nossos ganhos futuros. Somos prova de que é possível ter uma empresa agropecuária e atuar de forma sustentável, sendo ecologicamente correto, economicamente viável e socialmente justo”, argumenta o produtor.

Sua fazenda, a Don Aro, localizada no município de Machadinho D’Oeste (RO), possui 1.680 hectares que se dividem da seguinte forma: 945 em produção, sendo 645 em uso para a pecuária  e 300 para o sistema de ILP. O restante, 270 hectares, são de mata nativa, reposição florestal plantada (76 ha) e as Áreas de Preservação Permanente (APPs) recuperadas. Conta com 1.200 animais na propriedade, onde se produz parte de animais cruzados entre as raças Aberdeen Angus e Nelore, permitindo maior precocidade reprodutiva e de abate, com carne de melhor qualidade e maciez.

Já são sete anos de investimentos em sistema de produção integrado em sua propriedade. Agora, com a pastagem renovada, o gado passou a consumir menor quantidade de suplementos minerais e proteicos e os ganhos também ocorreram na taxa de prenhez, desmama e engorda. Segundo ele, na estação 2016/2017 obteve um índice de prenhez de 95%, com auxílio da Inseminação Artificial por Tempo Fixo (IATF). As fêmeas estão sendo desmamadas com 8,35 arrobas e machos com 9,25, na média, aos 09 meses de idade. Das novilhas, 75% são emprenhadas entre 12 e 17 meses e os machos estão sendo abatidos com 20 arrobas aos 24 meses – a média dos pecuaristas da região é de 13 a 14 arrobas neste mesmo período. “Estes bons resultados têm permitido considerável aumento de ganhos, com expressiva melhora dos lucros. Saímos de meia unidade animal por área, há cinco anos, para três agora”, conta Giocondo Vale, que pretende chegar aos 2 mil animais na área produtiva da fazenda. O médico veterinário responsável pela propriedade, Hassan Oliveira Kassab afirma que os investimentos em genética, nutrição e protocolos sanitários respondem positivamente quando as pastagens são melhoradas, somando para os bons resultados obtidos.

O foco da fazenda Don Aro é a pecuária. Desta maneira, a integração Lavoura-Pecuária (ILP) adotada na propriedade é temporal, ou seja, uma área é utilizada por alguns anos integrando lavoura e pecuária e, na sequência, se estabelece somente pastagem com gado por mais alguns anos. “Assim, aproveitamos a consolidação dos solos feita pela agricultura, oferecendo uma pastagem de alta qualidade com custos diluídos. Num segundo momento, a partir de 2021, será plantado, após colheita da soja, o milho na safrinha, objetivando a produção de grãos para a terminação de bois no sistema grãos inteiros”, explica Giocondo Vale. Quanto ao componente florestal, a fazenda optou pelo plantio em blocos, que estão inseridos nas áreas de grãos ou de pecuária.

O caso da Fazenda Don Aro está servindo de modelo para Rondônia e Amazônia. As vantagens da ILPF em âmbito nacional são comprovadas por análises de viabilidade técnica, econômica, social e, principalmente, ambiental. Sua aplicação nos diferentes biomas e possibilidades de combinações entre agricultura, pecuária e floresta, sejam elas integrações agropastoris (lavoura e pecuária), silviagrícolas (floresta e lavoura), silvipastoris (pecuária e floresta), ou agrossilvipastoris (lavoura, pecuária e floresta), oferecem tanto ao produtor quanto ao sistema grande versatilidade e possibilitam que componentes culturais, econômicos e ambientais sejam considerados para a perfeita adequação à realidade da região.

Segundo o chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Rondônia Frederico Botelho, o sistema de integração lavoura-pecuária é o modelo mais adotado no estado, tanto pelo pecuarista como pelo agricultor. “Os pecuaristas buscam com a ILP amortizar os custos de recuperação de suas pastagens com a produção de grãos, aumentar a capacidade produtiva de suas pastagens e produzir pastagens de melhor qualidade. Já os agricultores buscam na ILP os benefícios que estes sistemas proporcionam para a fertilidade do solo (química, física e biológica), potencializa o uso do sistema de plantio direto na palha, e incrementa os índices de produtividade da propriedade”, explica. Além disso, ele complementa que, uma das grandes vantagens deste sistema para Rondônia, estado tipicamente pecuário – aproximadamente 13 milhões de cabeças, é a disponibilidade de forragens em quantidade e qualidade em um período em que em sua maioria as pastagens estão secas.

Certificação de Boas Práticas Agropecuárias da fazenda é renovada
As práticas incorporadas por Giocondo há anos encontraram no Programa de Boas Práticas Agropecuárias – Bovinos de Corte (BPA), coordenado pela Embrapa, orientações para que ele pudesse ajustar e melhorar as atividades realizadas em sua propriedade, tornando o sistema de produção mais sustentável, competitivo e rentável. A Fazenda Don Aro foi a primeira propriedade de Rondônia a receber o atestado de adequação pelo BPA, no ano de 2014, e ele foi renovado agora, em 2017. Foi ainda a segunda da região Norte a receber a classificação ouro, por atender a 100% dos itens obrigatórios e 90% dos altamente recomendáveis pelo Programa.

A adoção da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e suas variáveis não é obrigatória no BPA, mas é um item altamente recomendável dentro do programa. Sabendo disso, Giocondo Vale adotou o sistema e não se arrepende. “Num primeiro momento a produção em sistema integrado e a busca pela sustentabilidade em um empreendimento rural eram desconhecidas por grande parte da nossa região. Hoje percebemos as vantagens de uma produção integrada e sustentável”, reforça o pecuarista.

Para Giocondo Vale, a certificação do BPA abriu portas. “Consegui abertura para financiamento junto ao Banco da Amazônia, preços diferenciados em compra de sal e venda do rebanho e uma segurança junto à sociedade de que atuo de maneira sustentável”, declara.

Propriedade modelo em sustentabilidade na Amazônia
O município de Machadinho d’Oeste estava entre os 43 municípios da Amazônia que mais desmatavam na região e fez parte das ações do programa Arco Verde Terra Legal, do governo federal, que realizou ações para reduzir o desmatamento e promover o desenvolvimento sustentável da região, em uma parceria com Embrapa e outras instituições. Na contramão do desmatamento, Vale trabalha há 25 anos com a pecuária em 1.680 hectares de terras, sem a utilização de fogo e com práticas sustentáveis. A propriedade encontrasse adequada com as questões ambientais, preservando e mantendo coberta por vegetação nativa, reposições florestais em blocos e Áreas de Preservação Permanente (APPs) com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) já efetuado no órgão responsável.

A Fazenda Don Aro também é a primeira em Rondônia na aplicação do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), bem como do Plano ‘Lixo Zero’. Além da tríplice lavagem de agrotóxicos, é realizada a coleta seletiva com o devido destino de cada grupo, de acordo com a legislação. Ele também recuperou todas as APPs, com plantio de mudas de espécies nativas, e ainda tem o plantio de 11 mil pés de castanheiras-do-brasil, o maior plantio individual realizado por pessoa física no Brasil.

Segundo Vale, ser sustentável hoje em dia é mais do que um discurso apenas, tornou-se uma questão de necessidade até para que existam recursos para as gerações futuras. Para isso, é preciso mudar comportamentos e garantir a continuidade dos recursos.  “Conhecimento só para mim é inútil. Ele deve ser compartilhado, multiplicado aos quatro cantos. Acredito que não adianta meu negócio ir bem, o mundo deve ir no mesmo sentido. Nós vivenciamos a sustentabilidade no nosso dia-a-dia e aplicamos em todas as atividades da propriedade.”, argumenta Giocondo.

Tratados como parceiros de negócios, Giocondo conta que este ano, oito trabalhadores fixos, todos devidamente registrados, deverá receber até o 16º salário, pois têm participação nos lucros. “Eles colaboram produzindo e eu, como empresário, dou retorno a eles com uma série de benefícios. Somos como uma engrenagem, todos os dentes são necessários para que funcione e isso é reafirmado semanalmente à equipe”, explica.

Fazenda de RO ganha premiação nacional em sustentabilidade
A Don Aro ficou em segundo lugar no prêmio Fazenda Sustentável 2017, da Globo Rural. Foram 47 propriedades rurais de todo o Brasil inscritas. Na primeira etapa foram selecionados 13 finalistas e, destes, o três mais bem colocados. O concurso teve como principal critério o uso múltiplo da terra, a partir das boas práticas agropecuárias e eficiência no uso de recursos. As propriedade são avaliadas com base em critérios em que constam boas práticas agropecuárias e sociais, além da viabilidade econômica do negócio. A premiação aconteceu dia 5/12, em São Paulo (SP) e o proprietário da Don Aro, Giocondo Vale foi receber o prêmio, juntamente com sua família.

Conheça mais sobre a Fazenda Don Aro

https://don-aro.com/

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Fazenda São Matheus | Selvíria – MS – Março/2015

Fazenda São Matheus produz soja em região de solos arenosos e ainda teve suas pastagens recuperadas por meio de ILP

 

O produtor rural Mateus Arantes, proprietário da fazenda São Matheus, (fazenda que deu o nome ao sistema), localizada em Selvíria (MS), na região do Bolsão, está muito satisfeito com o uso da Integração-Lavoura-Pecuária (ILP) que proporcionou a recuperação de pastagens e apresenta resultados financeiros positivos com o passar dos anos.

“Ainda no primeiro ano de implantação do Sistema São Mateus, a produção da safra de soja foi suficiente para pagar os gastos com a implantação do sistema, como insumos para correção química do solo, aquisição de sementes de pastagens adequadas ao solo arenoso e de sementes de soja”, explica Arantes.

Curiosamente, Mateus destaca que um dos maiores obstáculos para a adoção da ILP é o costume arraigado da monocultura no cenário nacional.

“A adoção do ILP demanda o desenvolvimento de novas habilidades por parte dos pecuaristas e dos agricultores, incentivando uma saudável troca de experiências e o fortalecimento de parcerias em favor do aumento da produtividade do campo, porém, isso envolve a quebra de paradigmas”, analisa ele.

Região do Bolsão

A região da Costa Leste de Mato Grosso do Sul, também conhecida como Bolsão-Sul-Mato-Grossense, possui solos arenosos e chuvas distribuídas durante o ano de forma irregular. Há muitos anos, acreditava-se que, por esses motivos, seria impossível implantar a agricultura, especialmente o cultivo de soja, na região.

Mas, depois de nove anos de trabalho com soja, pastagem e pecuária, profissionais da Embrapa e da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), obtiveram resultados impressionantes. A média produtiva de carne subiu de seis para 20 arrobas por hectare e ainda foram obtidas 50 sacas de soja por hectare, em média, no mesmo sistema.

Isso significa que a prática da ILP viabiliza a agricultura na região, sem abandonar a pecuária. O sistema utilizado no Mato Grosso do Sul foi batizado como Sistema São Mateus (SSMateus). O destaque dessa tecnologia, validada pela Embrapa Agropecuária Oeste (MS) e Embrapa Gado de Corte (MS), é a correção química e física do solo antes de implantar a lavoura, além da formação de palhada para o plantio direto da soja.

“Após a colheita, a área é usada como pasto por dois anos, depois a soja retorna e assim vão se alternando”, explica o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Júlio Cesar Salton.

Se adotada e conduzida de modo adequado e por um período suficientemente longo, o cultivo de soja, por meio de rotação de culturas, incluindo pastagens, apresenta inúmeras vantagens ao pecuarista: produção diversificada de alimentos e outros produtos agrícolas, melhoria das características físicas, químicas e biológicas do solo; auxílio no controle de plantas daninhas, doenças e pragas; reposição de matéria orgânica e proteção do solo  contra a ação dos agentes climáticos.

O plantio de braquiária costuma quebrar o ciclo de doenças e pragas que atacam a soja.

“Porém, é bom lembrar também que soja não substitui a pastagem. Ela entra nas propriedades como uma boa alternativa rentável”, ressalta o pesquisador.

Confira mais informações sobre o sistema São Mateus no vídeo abaixo:

Sistema São Mateus: Uma estratégia de recuperação de pastagens em solos arenosos

 

 

Christiane Congro Comas (Mtb-SC 00825/9 JP)
Embrapa Agropecuária Oeste
agropecuaria-oeste.imprensa@embrapa.br
Telefone: (67) 3416-6884

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Fazendas HP e Flamboyant | Umuarama – PR Junho/2015

O agricultor Gerson Bortoli, do município de Umuarama, situado no noroeste do Paraná, descobriu que o plantio da mandioca pode melhorar o pasto e que a inserção do milho no sistema agrícola pode aumentar a produtividade da soja.

  

O agricultor Gerson Bortoli, do município de Umuarama, situado no noroeste do Paraná, descobriu que o plantio da mandioca pode melhorar o pasto e que a inserção do milho no sistema agrícola pode aumentar a produtividade da soja. Com o discurso de planejamento a longo prazo, o empresário, que trabalha com Integração Lavoura-Pecuária (ILP) há oito anos, acompanha as mudanças do mercado e aproveita as oportunidades que surgem. “Nessa fazenda fiz um manejo diferente no milho com a braquiária (capim) que fará diminuir de 8 a 10 sacas (60 kg) de milho por hectare, mas que vai me proporcionar um ganho de 10 a 15 sacas (60kg)  a mais de soja na mesma área, chegando a uma produtividade de 60 sacas por hectare”, argumenta Gerson, sabendo que o mercado para a soja encontra-se muito mais rentável. “Ainda consigo aproveitar o pasto para alimentar o gado antes de plantar a soja em setembro”, continua seu raciocínio ao saber que a arroba do boi também esta em alta no mercado.

Proprietário de duas fazendas nesta região (HP e Flamboyant) conhecida como arenito, local com baixo teor de argila no solo, Bortoli vem utilizando o plantio de mandioca como estratégia para recuperar 148 hectares de pastagem. “Tripliquei o número de bois por hectare após recuperar as pastagens com a mandioca”, afirma. Os números alcançados pelo agricultor são cinco vezes maior que a média nacional. Hoje ele consegue trabalhar, sem perder a produção do pasto, com 5 unidade/animais por hectare.

Como a mandioca pode influenciar no ganho de peso do gado e o milho aumentar a produtividade da soja?

A palavra integração responde a estas duas questões. A região do arenito, noroeste do Paraná, onde o produtor Gerson Bortoli trabalha, apresenta baixos teores de argila – inferiores a 10% – altos teores de areia e níveis muito baixos de fósforo, potássio, cálcio, magnésio, matéria orgânica e também uma alta suscetibilidade à erosão. A média da lotação das pastagens na região é de 1,2 unidade/animais por hectare. Na fazenda HP, localizada no município de Perobam (PR), produtor Bortoli consegue trabalhar com 5 unidade/animais por hectare.

“Ao plantar a mandioca nesses 148 hectares, o produtor integrou a lavoura a uma pastagem degradada, e fez com que aumentasse a disponibilidade de nutrientes e diminuísse o risco de erosão do solo”, afirma o pesquisador da Embrapa, Julio Franchini. Esta integração fez com que a produção de pastagem após a colheita da mandioca aumentasse sua capacidade de alimentar o gado. Hoje o ganho de peso por animal na fazenda HP é de 800 a 1000 gramas  de peso vivo por animal/dia, o dobro do resultado obtido antes da recuperação de pastagem com a mandioca.

A recuperação da pastagem degradada com a mandioca foi complementada com uma boa condução a partir de adubação e inserção de nutrientes, porém em menor quantidade se comparada antes da integração. “Custa muito menos manter do que recuperar”, ressalta Gerson.

Além da questão da argila e outros nutrientes, a região apresenta altas temperaturas, o que aumenta o consumo de água pelas plantas. Em algumas medições em áreas sem cobertura das plantas, foram constatadas temperaturas de até 65 graus no solo. “O déficit hídrico é o principal fator que diminui a produtividade, principalmente associado com altas temperaturas nas fases de florescimento e enchimento dos grãos na soja”, explica  Franchini. Ao plantar o capim junto com o milho, o produtor proporciona a cobertura do solo, diminuição da temperatura do local, evita a erosão, incorpora nutrientes e aumenta a produtividade da soja. “Podemos estimar que as pastagens em sistema integrado na região aportam, em média, 400 kg de carbono por hectare na forma de matéria orgânica no solo e aumentam a conservação da água, além de reduzir a temperatura na superfície”, acrescenta o pesquisador.

A produtividade da soja no Paraná na safra 2013/2014 foi de 2.950kg (49 sacas) por hectare. Nesta mesma safra, Gerson Bortoli produziu 3.420 kg (57 sacas) por hectare na Fazenda Flamboyant, localizada no município de Umuarama (PR).  Para a safra 2014/2015, o produtor projeta aumentar ainda mais sua produtividade. “O tempo colaborou, acertamos na variedade, foi uma bela produção e com as técnicas implantadas temos obtido bastante êxito”, finaliza.

Vídeo – História de Sucesso ILPF – Fazenda Flamboyant

Vídeo História de Sucesso ILPF – Fazenda HP

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[zt_testimonial autoPlay=”yes” numSlides=”1″ paging=”yes” controls=”yes”][zt_testimonial_item bgColor=”#f6f6f6″ textColor=”#747474″ name=”Gerson Bortoli” company=”Proprietário de duas fazendas nesta região (HP e Flamboyant) conhecida como arenito, local com baixo teor de argila no solo , Bortoli vem utilizando o plantio de mandioca como estratégia para recuperar 148 hectares de pastagem. Umuarama – PR” borderRadius=”4″]”Nessa fazenda fiz um manejo diferente no milho com a braquiária (capim) que fará diminuir de 8 a 10 sacas (60 kg) de milho por hectare, mas que vai me proporcionar um ganho de 10 a 15 sacas (60kg) a mais de soja na mesma área, chegando a uma produtividade de 60 sacas por hectare”, argumenta Gerson, sabendo que o mercado para a soja encontra-se muito mais rentável.”[/zt_testimonial_item][/zt_testimonial]

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Fazenda Califórnia | Altonia – PR – Novembro/2016

Para o produtor Armando Gasparetto, que já reformou 100% da propriedade por meio da integração, a prática é solução para a pecuária

 

 

Localizada na região de Altonia-PR, a Fazenda Califórnia é mais uma propriedade que progride de forma significativa com a implantação da Prática de Integração Lavoura-Pecuária (ILP).

Para o coordenador de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) da Cocamar, Renato Watanabe, a maior vantagem dessa prática é a possibilidade de reforma das pastagens custeada pela soja.

“Essa operação, ao contrario da reforma tradicional, não revolve o solo, mas mantém cobertura durante todo o processo. Isso diminui muito a chance de ocorrer erosão na área. Desta forma, além de potencializar a produção pecuária existe uma valorização da propriedade”, explica Renato.

Procurado pelo técnico agrícola Eleandro Zanolli, que lá em 2008 começava um projeto particular com objetivo de testar a prática de ILP, o cooperado da Cocamar, Armando Gasparetto aceitou a proposta de mudanças na forma da produção rural, com perspectivas de melhoras. Desde aquele momento, tem tido grande progresso, tanto na produção agrícola quanto na pecuária.

“Foi a primeira propriedade que procurei. Esse cooperado é muito aberto para opiniões e quando mostrei a ele como era o projeto, tive aceitação imediata”, conta Zanolli, técnico agrícola responsável pela propriedade.

O cooperado conta que, depois de muitas conversas, decidiu arriscar e colocar em prática a integração. “Antes eu lidava só com a pecuária, mas o pasto não aguentava muitos animais. Ele [técnico responsável] me convenceu e eu decidi começar.”

Apesar do receio de início, Armando Gasparetto elogia os resultados da prática de ILP e não enxerga um futuro sem a integração lavoura-pecuária.

“Antigamente, quando falavam de reformar o pasto, já ficava preocupado. Hoje, acredito que sem a integração é impossível trabalhar. Essa prática foi a solução pra mim, indico e aconselho a todos que conheço”, declara o pecuarista.

O técnico responsável, Eleandro Zanolli explica que no primeiro ano de teste as melhoras começaram a aparecer, mas não tão intensas como agora. Para que os resultados chegassem aos índices atuais, foram necessárias algumas mudanças.

“Começamos plantando soja no verão e milho no inverno, os dois juntamente com a cultura de braquiária. Não tivemos muito sucesso no começo, devido ao clima e a altitude”, explica Zanolli.

Depois desse um ano de teste, o cultivo continuou apenas com a soja, capim e a criação de gado. O principal objetivo da mudança era o ganho de peso dos animais, resultando no maior número de abates ao ano. “Antes, os animais ganhavam peso no verão e perdiam no inverno. O produtor passava até dois anos sem realizar o abate”, conta o técnico agrícola.

A prática de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) possibilita a melhora do solo e do pasto, resultando no ganho de peso do gado em todas as estações do ano, já que mesmo no inverno o campo se mantém em bom estado.

Além de todas essas vantagens, o coordenador de ILPF da Cocamar, Renato Watanabe acredita que mesmo estando em um país de proporções continentais, a pressão pela preservação de áreas de mata por porte do mercado internacional é cada vez maior. 

“A ILPF permite intensificar a produção, e pode consolidar  nosso país como o principal produtor mundial de alimentos preservando nossas florestas.”

Dentre os resultados positivos, obtidos na Fazenda Califórnia, Armando Gasparetto presencia o ganho de peso diário do gado de 1,240 Kg, numa região onde a média diária é cerca de 250 g. O cooperado da Cocamar, que passava até dois anos sem abater animais, já fez três cortes só nesse ano e acredita em mais um até o fim de 2016. A meta para daqui a dois anos, é alcançar a média de um abate a cada 60 dias.

Ao longo dos 252 alqueires todo o solo já passou pela prática da Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e 100% do terreno foi recuperado. As expectativas do técnico agrícola responsável, Eleandro Zanolli, são ainda maiores.

“O pecuarista precisa quebrar esse paradigma de que a soja vai prejudicar o gado. Um condiciona o outro, um depende do outro. Acredito que essa prática tem a tendência de aumentar cada vez mais.”

Lucros

Para a implantação da prática de integração é necessário investimento do produtor, seja com a correção do solo ou custo operacional com maquinário, entre outras necessidades. Entretanto, todo esse capital é revertido logo após o primeiro ano de integração.

Zanolli explica que após todos esses anos de trabalho na Fazenda Califórnia, atualmente toda a soja colhida é estocada em depósitos na Cocamar e vendida ao longo do tempo.

“Os ganhos com a soja mantém todos os gastos da propriedade, incluindo medicamentos e cultivo do solo. Já os resultados com o abate do gado são livres para o produtor.”

Mesmo com pouca experiência com a soja, no início da reforma, Armando Gasparetto enxerga a integração como solução para a realidade que vive.

“No começo fiquei muito receoso por aqui ser muito quente e pelo solo arenito. Com todo esse tempo de trabalho enxergo, hoje, que a solução do arenito é a integração. A agricultura e a pecuária precisam se integrar”, finaliza.

Mesmo sendo uma prática com mais complexidade para ser gerido, já que muitos processos acontecem ao mesmo tempo dentro da propriedade, o sucesso pode ser alcançado por meio de planejamento e contando com apoio competente e eficaz.

“A intensidade de operações que a agricultura exige também assusta os pecuaristas no inicio, porém rapidamente estas operações entram na rotina da fazenda e o agricultor. A Cocamar vem apoiando a parceria entre lavoreiros e pecuaristas, onde a soja fica por conta de agricultores profissionais que devolvem a pastagem reformada para o pecuarista desenvolver uma pecuária altamente produtiva”, finaliza Watanabe.

 

 

Amanda Gomes
Comunicação Organizacional – Cocamar

Comunicação Organizacional – CocamarAmanda Gomes
Comunicação Organizacional – Cocamar

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Sítio Ah Pashto | Rio de Janeiro – RJ – Agosto/2018

Sistema silvipastoril possibilita produção de leite, água de coco e lenha ao lado do mercado consumidor no Rio de Janeiro

 

A poucos metros da praia, cercado por condomínios residenciais no bairro do Recreio dos Bandeirantes, o pequeno sítio da família de Filippo Leta destoa completamente da paisagem urbana do Rio de Janeiro. Se não bastasse o fato inusitado de se manter mesmo com a valorização imobiliária da região, os 13 hectares são trabalhados de uma maneira intensificada e agroecológica, tendo a integração lavoura-pecuária-floresta como o grande alicerce.

Adquirido pelo avô quando migrou da Itália para o Brasil, o sítio já foi usado para a produção de hortaliças, de suínos, cabras, vacas, coco, entre outras culturas, sempre com a ideia do aproveitamento dos resíduos, do espaço e da integração entre as atividades.

Com a perda do avô, o jovem Filippo assumiu a condução do sítio que frequentava desde criança. O primeiro passo foi aprender sobre o fornecimento de alimento para o gado num sistema de produção baseado no pasto. Foi buscar no Zimbábue, na África, os ensinamentos que precisava. Aprendeu a metodologia de pastejo rotacionado preconizada pelo Instituto Savory, criado pelo ecologista Allan Savory.

“Usamos uma planilha e fazemos um planejamento do pastoreio dos animais, do movimento dos animais na terra. Um plano para época da seca e outro para a época das águas, respeitando sempre o tempo de descanso das plantas e a velocidade de crescimento delas, de acordo com a época do ano”, explica Filippo Leta.

Dessa forma, as 17 vacas Jersey que possui pastejam ao longo do ano por 25 piquetes, em uma área total de 8,3 hectares. Com base em mensuração diária da produção de matéria seca, o pastejo é feito em faixas delimitadas com cerca elétrica móvel dentro de cada piquete.  Com isso, os animais encontram sempre pastagem abundante, fazem um super pastejo e são levados para outra área. Dessa forma, só retornam à área pastejada semanas depois, dando tempo suficiente para recuperação da forrageira.

Filippo explica que a estratégia é uma mímica do que ocorre na natureza com os grandes rebanhos de herbívoros das savanas e pradarias. 

Entre as plantas forrageiras utilizadas no sítio estão a braquiária do brejo, o braquiarão e tifton. Além da pastagem, as vacas recebem 4 kg de concentrado à base de cevada por dia.

Em muitos dos piquetes os coqueiros plantados pelo avô garantem conforto térmico aos animais. Nos demais o próprio Filippo vem plantando linhas simples de eucalipto, acácia mangium, ingá, guapuruvu e, em alguns deles, novos coqueiros.  Além de gerar sombra e refresco para o gado no calor praiano do Rio de Janeiro, as árvores fornecem coco,  cuja água é envasada no próprio sítio e lenha, vendida em sacos pequenos no mercado local.

Porcos e cabras

O sítio tem como uma de suas principais atividades a produção de leite de cabra. Atualmente o rebanho conta com 70 cabras da raça Saanen. Os animais ficam em um capril também sombreado pelos coqueiros.

Com metade das cabras em lactação, a produção média diária é de 75 litros. Esta produção é transformada em queijo em um pequeno laticínio montado no sítio.

Outra fonte de renda é a venda de leitões caipiras. Mas os porcos não se limitam ao chiqueiro. As matrizes são usadas na ILPF como instrumentos para preparo de terra em piquetes que precisam ser recuperados.

“O porco entra como uma ferramenta de recuperação de pasto. Quando queremos replantar a forrageira, entramos com o porco funcionando realmente como um arado. Fazemos piquetes móveis com cerca elétrica, mantendo-os bem adensados. Eles vão fuçando, arando a terra, preparando, para depois entrarmos com a grade e plantarmos o pasto”, explica que já se prepara para também usar as galinhas poedeiras nesse processo.

Diversificação da produção

Buscando obter o melhor resultado em sua área, o produtor tem como uma de suas estratégias a diversificação da produção. Além disso, tem procurado agregar valor quando possível e trabalhar da melhor forma para aproveitar todos os recursos.

Uma das iniciativas foi criar a marca Ah Pashto para a água de coco e derivados de leite. A água de coco é envasada em uma agroindústria montada no sítio e vendida em uma rede de supermercados do Rio de Janeiro. Para aproveitar melhor a capacidade instalada, hoje além da produção própria, a fábrica compra coco de outros fornecedores.

O leite de vaca, após ser pasteurizado, é envasado no laticínio e vendido para consumo interno dos funcionários de uma rede de supermercados. Já o queijo feito com leite de cabra é vendido no comércio local, assim como os ovos, que são vendidos a granel.

A lenha de eucalipto que também é vendida pela família vem de outra propriedade no estado do Rio. Mas em breve também poderá ser obtida das árvores da ILPF.

Produção agroecológica e carbono neutro

Desde que assumiu a condução e operacionalização do sítio, Filippo deixou de utilizar qualquer tipo de agrotóxico na propriedade. De acordo com ele, o objetivo é o de encontrar soluções biológicas que tornem o sistema equilibrado e mais preparado para as adversidades.

“É claro que tivemos uma queda na produtividade logo nos primeiros anos, mas depois veio recuperando. Estamos tentando criar um sistema resiliente, com bastante matéria orgânica, para que as plantas sejam fortes o suficiente para poder conviver com essas pragas e sejam controladas biologicamente dentro do sistema”, afirma.

Dentre as estratégias para a maior resiliência do sistema, o aumento de matéria orgânica no solo é um dos pilares do trabalho. Além disso, a propriedade está ingressando no Projeto Pecuária Neutra, que visa mitigar as emissões de gases causadores de efeito estufa oriundos da fermentação entérica dos animais por meio da fixação de carbono pelas raízes das árvores usadas na ILPF.

Integração de pessoas

Atualmente o sítio conduzido por Filippo conta com 15 funcionários atuando tanto no campo quando nas agroindústrias. Todos eles jovens e cada um responsável por uma atividade no sistema produtivo.

“Precisa só de disposição e vontade. Eles estão dando conta do recado e estão mostrando que têm um trabalho digno e que a pecuária pode ser a solução. Não é só vilã. Faz parte de um sistema integrado de pessoas”, afirma o produtor.

Para ele o maior desafio em um sistema produtivo como o que tem adotado está nas pessoas.

“O maior desafio é mudar a cabeça, a consciência das pessoas de que esse é um sistema que pode funcionar e que a gente tem que ter a coragem de fazer. E também a capacitação das pessoas, para que elas entendam e olhem mais para o solo para poder aplicar esse tipo de manejo. O maior desafio não é a técnica ou o projeto em si, é trazer as pessoas para dentro do projeto”, avalia.

Nesse sentido, o produtor espera cada vez poder envolver mais pessoas, de modo a possibilitar maior aprendizagem sobre os sistemas integrados. Para isso, planeja formas de receber um maior número de visitas à sua propriedade.

“Não queremos ser demonstração de nada. Queremos ser uma área de aprendizagem, proporcionando a troca de experiências. E também incluir os jovens e crianças para que valorizem a agricultura e pecuária”, afirma.

 

Reportagem e fotos:

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG JP) 
Embrapa Agrosilvipastoril 
agrossilvipastoril.imprensa@embrapa.br 
Telefone: 66 3211-4227

 

 

 

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Chácara das Gabirobas | Coronel Xavier Chaves – MG – Outubro/2017

Dedicação do produtor impulsionada por uma boa assistência técnica resultam em uma fazenda modelo no uso da ILPF na pecuária leiteira

 

 

Situada a dois quilômetros da cidade de Coronel Xavier Chaves, na mesorregião dos Campos das Vertentes, Centro Sul de Minas Gerais, a Chácara das Gabirobas é uma propriedade transformada pela correta aplicação dos preceitos da tecnologia de integração entre lavoura, pecuária e floresta. Em menos de 10 anos uma propriedade improdutiva, infestada de pragas e com solo degradado se tornou uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) em Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) em parceria com a Emater-MG, a Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora-MG) e a prefeitura municipal.

A pequena fazenda pertence ao casal Vanderlei dos Reis Souza e Maura Juliana da Silva Souza. A pecuária leiteira é a atividade principal da propriedade. Além do casal, o pai de Vanderlei, João Ferreira de Souza, e as filhas Joyce e Maysa, de 17 e 15 anos respectivamente, ajudam nas tarefas da propriedade. As meninas com apuração e controle de dados. Hoje a Chácara das Gabirobas tem produção média anual de 238 litros de leite por dia, com um rebanho de 17 vacas, sendo 14 em lactação. Entre – janeiro de 2017 e outubro de 2017 cada litro de leite produzido teve um custo R$ 0,75 e foi vendido na média por R$1,05, com resultado positivo R$ 0,30 por litro considerando o Custo Operacional Efetivo. Até a três anos, o produtor tinha o rebanho três vezes maior, com o triplo da produção, mas realizou o replanejamento da atividade, visando maior disponibilidade de tempo para passar com a família, como viagens,  lazer e descanso.  O resultado, tanto antes como depois, é acima da média nacional. Outras atividades que contribuem para o aumento da renda da chácara incluem produção de madeira (eucalipto) e de queijo artesanal.

Mas nem sempre foi assim. Quando adquiriu a propriedade dos avós, em 2005, os 28 hectares da chácara eram um grande pasto degradado, totalmente improdutivo, infestado de formigas e cupins e sem qualquer benfeitoria. Onde hoje é a confortável casa da família, existia apenas um barranco. Foi quando Vanderlei procurou o escritório da Emater-MG em Coronel Xavier Chaves e tudo começou a mudar. A partir de 2008, a parceria com a Embrapa ajudou a transformar ainda mais o cenário da propriedade. A relação de confiança entre o representante da extensão rural, o produtor e os atores da pesquisa agropecuária foi o elemento fundamental para a transformação do sítio. A prefeitura municipal é consciente da importância da atividade leiteira para a região e também contribuiu.

Com apoio técnico da Emater-MG, a propriedade de Vanderlei foi incluída no programa Minas Sem Fome/Lavouras Comunitárias. Com a ajuda do financiamento do programa começaram as mudanças que transformariam a pequena e improdutiva chácara em um exemplo de propriedade familiar produtiva em menos de uma década. E tudo começou com o cultivo de feijão em sociedade com um produtor vizinho, o que ajudou a corrigir a acidez do solo.  O técnico da Emater que hoje acompanha a Chácara das Gabirobas, Leonardo Henrique Ferreira Calsavara, lembra que havia na propriedade um hectare de eucalipto, plantado pelo avô, mas sem qualquer técnica e desordenado. Vanderlei pensou eliminar completamente, mas o extensionista da Emater à época sugeriu que ele cortasse apenas algumas linhas centrais da espécie e deixasse outras. Por exemplo, a cada nove linhas cortadas, uma ficava. E assim foi se formando um pasto sombreado.

A partir de 2006, o leite entra em cena. A sociedade com o vizinho é desfeita por diferença de interesses, a amizade, no entanto, foi mantida e fortalecida. O período inicial da pecuária de leite na chácara foi difícil e repleto de desafios. E aí entram elementos fundamentais para que a relação entre produtor e extensão rural ganhe fluência e funcione na prática: a confiança e a perseverança. Calsavara recorda que Vanderlei procurava a Emater sempre que precisava ou queria fazer alguma intervenção na propriedade.

“Durante todo o processo, sempre dávamos feedback a ele, que por sua vez, nos passava dados e informações da produção. Isso aumentou sua confiança, a relação foi se estreitando”, relata.

O técnico da Emater ressalta a visão do produtor durante o processo inicial. 

“Ele enxergou o negócio. Viu na pecuária de leite com inovações tecnológicas e apoio a oportunidade de continuar no campo, aumentar a produção e rentabilidade, viver daquilo, ao invés de desistir de tudo e ser mais um a buscar o caminho da cidade e disputar uma vaga como empregado no concorrido e difícil mercado de trabalho”.

ILPF entra em cena

A partir de 2008, quando evidenciou-se que a melhor solução para a Chácara dos Gabirobas seria adotar um sistema de integração, a Embrapa Gado de Leite entrou em cena. A Emater-MG, por intermédio de Leonardo Calsavara, recorreu aos pesquisadores da Embrapa Gado de Leite para a implantação de um sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. Desde então, vários pesquisadores contribuíram com seus trabalhos, estudos, sugestões e acompanhamento em perfeita harmonia com o produtor e o técnico.

“O grande segredo do sucesso do trabalho realizado na Chácara das Gabirobas foi o casamento da extensão com a pesquisa, somado ao interesse do produtor. Nesta propriedade estão envolvidos diversos níveis organizacionais: associações de produtores, apoio municipal, estadual e federal com crédito, programas e pesquisa, cada um atuando dentro da sua competência e o produtor gerenciando tudo,” atesta o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Sérgio Rustichelli Teixeira, que acompanha a parte de gerenciamento da propriedade desde 2012.

A Chácara das Gabirobas possui hoje seis hectares de reserva legal, um hectare para atividade silvipastoril (monocultivo), 14 hectares de ILPF, seis hectares para pastagens Brachiaria brizantha c.v. Marandu e 1,7 hecatres com benfeitorias. O rebanho é formado com gado mestiço 7/8 em sistema a base de pasto. Para alimentação na época seca é produzida silagem de milho com pastagem adubada. Há fornecimento de concentrados para todas as categorias do rebanho, de acordo com produção e necessidades, principalmente para vacas em lactação, vacas pré-parto e bezerros(as) em cria e recria. Os insumos são comprados na Itambé via associação de produtores. O transporte dos alimentos do vendedor até a propriedade é feito pelo fornecedor. Na chácara são usados dois veículos, um uno e um trator, este adquirido com crédito rural.

Em 2011 foram construídas instalações de ordenha com ampla discussão de projeto envolvendo práticas de manejo na propriedade e financiamento externo. O sistema de ordenha é mecânico com quatro conjuntos, com fosso e espinha de peixe, sem bezerro. A partir de maio de 2013 foi iniciada coleta de dados financeiros e técnicos de toda a propriedade utilizando planilha Excel, trabalho que é executado pelas filhas, Joyce e Maysa . Estes dados têm por objetivo auxiliar a administração da propriedade e servir de base para divulgação de seus resultados, para cursos, palestras e artigos sobre gerenciamento de propriedades leiteiras .

Começo difícil

Quem circula pelas áreas de produção da Chácara dos Gabirobas ou analisa seus impressionantes dados zootécnicos para uma propriedade de base familiar não imagina as dificuldades enfrentadas para se chegar ao nível alcançado nos dias de hoje. Calsavara é direto ao afirmar que os primeiros meses de implantação da pecuária leiteira foram muito complicados. Vanderlei estava deixando a produção de feijão que já lhe trazia algum rendimento, mas para inserir a atividade leiteira seriam necessários alguns investimentos iniciais e muita paciência e, ainda por cima, ele teria que dispor de alguns bens.

“Os investimentos para começar a produção demoram um pouco a trazer retorno, é um momento delicado, quando o produtor pode desistir de tudo, descartar o projeto”, pondera.

Quando se decidiu que a implantação de um sistema de integração seria o melhor caminho para desenvolver a propriedade foram necessárias generosas doses de paciência e dedicação. O extensionista recorda que seria o primeiro sistema em toda a região, existia desconfiança se daria certo. Calsavara adverte que a desconfiança natural do início e o baixo retorno podem levar a negligenciar algumas práticas importantes para o futuro do projeto, como a capina, por exemplo, o que pode comprometer o desenvolvimento se não for feito de forma adequada. O controle de formigas deve ser levado muito a sério e a adubação idem.

“Se tudo não for feito conforme orientado o resultado pode ser prejudicado, se transformar num ciclo vicioso e por tudo a perder”.

Rustichelli reforça a importância do contato direto entre os envolvidos, produtor, extensionista e pesquisadores. As orientações de cada procedimento ou etapa devem ser precisas e a cobrança não pode ser caracterizada como um obstáculo.

“Cobrar gera estresse entre as partes, por isso o relacionamento com o produtor deve primar pela confiança, para não intimidar cobranças e questionamentos, pois se no estágio inicial tudo não for feito corretamente, o futuro do projeto fica seriamente comprometido”, ensina o pesquisador.

Planejamento

Todas essas importantes medidas para a implantação de um sistema ILPF  dependem de planejamento, pois todo esse trabalho incide em mão de obra.

“Afinal, como controlar cada item, mais a ordenha, a reprodução e a sanidade do rebanho, os afazeres pessoais, o dia-a-dia da fazenda?”, questiona Rustichelli. E é o produtor quem dá a receita.

“Não há outro jeito, o negócio é acordar às quatro horas da manhã e ficar na lida até o sol se por”, simplifica Vanderlei.

Na Chácara dos Gabirobas só Vanderlei e o seu pai, João Ferreira, é que trabalham na área produtiva. Dona Maura cuida de outras tarefas do sítio e da casa e as meninas, além de estudarem, são responsáveis pelas anotações dos dados da propriedade. Na época do aumento do fornecimento de volumosos ou nos finais de semana quando o serviço aperta, Vanderlei contrata um ajudante da região, que trabalha em outras fazendas e conhece bem o trabalho.

A importância de seguir o planejamento estabelecido evita equívocos comprometedores, conforme exemplifica o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Alexandre Brighenti, que também participou do projeto de implantação de ILPF na chácara.

No primeiro ano, com todas as dificuldades citadas, Vanderlei trabalhou quatro hectares. No segundo, ele queria passar para 10, mas não seria possível.

“Afinal não havia mão de obra suficiente para cuidar de um espaço tão grande. Ele também teria que inviabilizar temporariamente mais 10 hectares na propriedade, dificultando a locação do seu rebanho e a produção de forragem para alimentar o gado. No total, ele teria que imobilizar 50% de sua propriedade, seria prejuízo na certa e o grande risco de desistir de tudo”.

Brighenti complementa que o processo tem que ser gradual, pois é preciso dividir a propriedade para implantar.

“O eucalipto tem que chegar a um determinado estágio para se colocar o gado no local”, exemplifica.

 Calsavara enfatiza que o sucesso da Chácara dos Gabirobas desmistifica a questão de que a pecuária de leite não dá retorno.

“Como se consegue isso? Só com muita dedicação e seriedade de cada parte e utilizando a tecnologia MM, mão na massa”, brinca Calsavara.

Da parte da extensão, Calsavara aponta o desejo do bem comum, o foco na família do produtor.

“Para todos crescerem juntos, a relação deve ser de total confiança, a conversa direta olho no olho, a criação do vínculo. Querer bem é uma das razões principais para o sucesso do empreendimento, não adianta focar só em rentabilidade e em produção se a família não vai bem. É o pensamento que se espera do profissional da extensão rural”.

Vanderlei faz questão de reconhecer o apoio de todos que recebeu durante cada etapa do processo, desde a reestruturação da propriedade até a implantação dos projetos.

“Aceitar esse desafio de fazer a pequena chácara funcionar e ser produtiva foi a grande decisão da minha vida. Trabalho no que é meu, consigo sustentar minha família com dignidade e estou muito satisfeito. Todos os sacrifícios valeram muito. Hoje as meninas estão recebendo boa educação e já pensam em fazer cursos em que podem aplicar os conhecimentos em nosso negócio, como Veterinária e Agronomia. Isso significa que todo o trabalho feito aqui terá continuidade e ainda vai melhorar por muitos anos”, declarou com sorriso no rosto.

 

 

Marcos La Falce
marcos.lafalce@embrapa.br
Embrapa Gado de Leite

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[zt_testimonial autoPlay=”yes” numSlides=”1″ paging=”yes” controls=”yes”][zt_testimonial_item bgColor=”#f6f6f6″ textColor=”#747474″ name=”Vanderlei dos Reis Souza” company=”Proprietário” borderRadius=”4″]”Aceitar esse desafio de fazer a pequena chácara funcionar e ser produtiva foi a grande decisão da minha vida. Trabalho no que é meu, consigo sustentar minha família com dignidade e estou muito satisfeito. Todos os sacrifícios valeram muito.”[/zt_testimonial_item][/zt_testimonial]

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Fazenda Maringá | Cristalina – GO – Junho/2016

Com boi irrigado, fazenda recupera o solo e a renda do produtor

  

Garantir um ambiente produtivo por meio da mudança no modelo de gestão e a inserção de uma nova variável: a precisão das atividades e dos dados gerados no campo. Essa é a receita da Fazenda Maringá, em Cristalina (GO), para a busca de um manejo sustentável do solo e da água. A propriedade adotou o que chama de “boi irrigado” em consórcio com gramíneas para a recuperação de áreas com nematoides e vem desenvolvendo experimentos com espécies consorciadas para viabilizar o Sistema Plantio Direto.

Com uma área total de plantio de 1,5 mil hectares, a fazenda mantém 500 hectares irrigados por pivô central há 10 anos. As culturas trabalhadas são soja, milho, feijão e trigo, tanto em sistema sequeiro como irrigado. “Nosso grande desafio foi tentar entender por que estava havendo a diminuição da rentabilidade por hectare”, diz o produtor e engenheiro agrônomo Leandro Sato.

A fazenda começou a estudar melhor o solo, as atividades desenvolvidas na propriedade e as influências externas. A partir do que foi observado, buscou caminhos para melhorar a conservação do solo e da água, fundamental para a atividade agrícola. “O desafio começou a partir de problemas de doenças de solo que estavam ocorrendo em áreas irrigadas, principalmente”, lembra o produtor, apontando que essas áreas tiveram as maiores reduções de rentabilidade.

“Foi aí que se iniciou a implantação do novo foco de produção de ambientes produtivos, que é a base para qualquer tipo de cultura, integração ou sistema a ser instalado na propriedade”, explica. Para isso, foi preciso mudar todo o modelo de gestão, com a inserção da variável precisão em todas as operações da fazenda e dos dados coletados, para garantir uma base de informações para a tomada de decisão mais precisa.

Entre as primeiras ações adotadas sob o novo modelo de gestão está o que Sato chama de “boi irrigado”. “A princípio, tínhamos tomado a decisão de implantar uma forrageira para curar o solo que existia em baixo de um pivô (de irrigação) de 80 hectares. Manter a forrageira por dois a três anos por si só para curar esse solo é inviável. Então, decidimos trazer o também o gado para consumir esse pasto e intensificar a cura do solo. De carona, obtivemos as vantagens da diversificação da atividade, principalmente numa época em que a bovinocultura está numa condição muito boa de mercado”, explica.

O boi irrigado, segundo Sato, é um sistema intensivo, cuja lotação na fazenda pode chegar a seis UA (unidade animal) por hectare, com ganho médio diário de peso de até 900 gramas por cabeça. Entre as vantagens do boi irrigado, além dos ganhos com a bovinocultura em si, o produtor destaca o trabalho feito pela forrageira no perfil do solo.

“A infiltração (de água) melhorou muito devido ao desenvolvimento de três ou mais metros de raízes da forrageira, melhorando o problema de drenagem que tínhamos nessa área. E, lentamente, (houve) a construção de um perfil de solo mais fundo, chegando a uma camada humificada de até 35 cm após três anos de implantação da forrageira”, conta.

A Fazenda Maringá destina quatro hectares de área para experimentos com novas culturas, plantas forrageiras e plantas de cobertura de solo. O objetivo da área experimental é gerar informações na propriedade sobre o que está disponível para uso em diferentes situações.

“As plantas de cobertura são utilizadas em área irrigada em várias épocas do ano. Para cada época, verificamos a cultura que se desenvolve melhor em determinado espaçamento, exigindo tal adubação. Todas essas informações geradas dentro da propriedade trazem uma grande flexibilidade para utilizar essas plantas nos diversos objetivos que temos em nossas atividades”, explica Sato.

Também são testados consórcios de forrageiras com plantas de cobertura; de forrageiras com leguminosas para adicionar vantagem no teor proteico na dieta animal; de milho com crotalárias ou com feijão guandu buscando viabilizar a cobertura de solo na entressafra de grãos sem prejuízo para a cultura principal.

Sato observa que os resultados iniciais foram de incremento significativo da cultura principal graças aos benefícios da planta forrageira, que atua no mesmo ciclo. “Essas informações vão viabilizar o Sistema Plantio Direto como ele realmente deve ser: utilizando plantas de cobertura durante 365 dias no ano para fazer o plantio direto em cima de uma quantidade de massa seca suficiente para trazer os benefícios à cultura do próximo ano”, afirma.

ILPF na Fazenda Maringá

 

Clenio Araujo (6279/MG) 
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Fotos: Jefferson Christofoletti

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