ILPF em Números

Em estudo publicado por Polidoro  et  al.  (2020) estimou-se que na safra 2020/2021, o Brasil aumentou a área com sistemas de integração para 17.431.533 ha.

   

Configurações

A ILPF pode ser utilizada em diferentes configurações, combinando dois ou três componentes em um sistema produtivo.

Benefícios

A ILPF é uma tecnologia sustentável, pois envolve as complexidades sociais, ambientais e econômicas, garantindo benefícios, tais como:

Tecnologia em expansão

Da  safra  2015/2016  até  a  safra  de  2020/2021,  houve  um aumento estimado  de 52% de áreas com ILPF no Brasil. O gráfico abaixo mostra a expansão do sistema produtivo.

 

Compromissos

A meta estipulada pelo Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC) em 2009 era de aumentar em 4 milhões de hectares a área com ILPF em todo o país até 2020.
Entre 2010 e 2015 o incremento de 5,96 milhões de hectares foi responsável pelo sequestro de 21,8 milhões de toneladas de CO 2 eq.

A ratificação do Acordo de Paris sobre mudança do Clima pelo governo brasileiro, em 2016, adicionou à meta do Plano ABC o incremento de mais 5 milhões de hectares com sistema ILPF, totalizando nove milhões de hectares até 2030.

Como adotar ILPF

A integração lavoura-pecuária-floresta é uma estratégia produtiva, que pode ser adotada em qualquer perfil de propriedade rural, desde que as condições de clima, solo e relevo não sejam restritivas.

Antes de iniciar um projeto de ILPF, o produtor rural deve se atentar a alguns pontos importantes, como a sua aptidão, a existência de mercado para os produtos que pretende produzir, a logística para escoamento de safra e para chegada de insumos, a disponibilidade de mão-de-obra e a disponibilidade de assistência técnica qualificada.

A definição do tipo de ILPF que será adotada, a estratégia de rotação das culturas, o espaçamento entre os renques de árvores ou as espécies utilizadas, caso envolva o componente arbóreo, devem ser feitos com base em uma análise geral do cenário interno e externo.

Para ajudar nessas tomadas de decisão e orientar a elaboração de um projeto adequado às características e objetivos de cada propriedade, o ideal é contar com apoio de um profissional de assistência técnica ou extensão rural capacitado e com conhecimento em sistemas integrados de produção agropecuária.

As empresas de extensão rural dos estados são uma importante referência. Outra opção é contratar um profissional que tenha participado dos programas de capacitação coordenados pela Embrapa ou pela Rede ILPF. Nesse caso, o interessado deve procurar a Unidade da Embrapa mais próxima e solicitar a indicação de um técnico que tenha sido capacitado em ILPF.

Se você é consultor ou atua na assistência técnica e gostaria de participar de uma capacitação sobre ILPF, manifeste seu interesse pelo e-mail contato@redeilpf.org.br. Avisaremos assim que um novo processo de capacitação for iniciado.

O governo federal dispõe de linhas de crédito que podem ser utilizadas em projetos de integração lavoura-pecuária-floresta. Conheça alguns deles:

Linhas de Crédito

PRONAF
O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) financia projetos individuais ou coletivos, que gerem renda aos agricultores familiares e assentados da reforma agrária. O acesso ao Pronaf inicia-se na discussão da família sobre a necessidade do crédito, seja ele para o custeio da safra ou atividade agroindustrial, seja para o investimento em máquinas, equipamentos ou infraestrutura de produção e serviços agropecuários ou não agropecuários.
Após a decisão do que financiar, a família deve procurar o sindicato rural ou a empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater). Para os beneficiários da reforma agrária e do crédito fundiário, o agricultor deve procurar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ou a Unidade Técnica Estadual (UTE).
Programa ABC
O Programa ABC foi criado em 2010 pelo Governo Federal e concede benefícios e créditos para os agricultores que querem adotar técnicas agrícolas sustentáveis.
A taxa de juros do Programa é a menor fixada para o crédito rural destinado à agricultura empresarial é de 5,5% ao ano.  
Além do sistema de ILPF, o Programa ABC também incentiva iniciativas relacionadas ao plantio direto na palha, fixação biológica de nitrogênio, recuperação de áreas degradadas, plantio de florestas e tratamento de resíduos animais. Para obter o financiamento, é preciso procurar sua agência bancária para obter informações quanto à aptidão ao crédito, documentação necessária para o encaminhamento da proposta e garantias.

Embrapa e Senar-MT mostram tecnologias de ILPF para o Vale do Xingu – 30/05/2019

Neste sábado, dia 1º, a parceria entre Embrapa e Senar-MT promoverá o 13º dia de campo da integração lavoura-pecuária-floresta no Vale do Xingu. O evento será na fazenda Planalto, em Serra Nova Dourada (MT).

Este será o primeiro evento nesta propriedade, localizada na região nordeste de Mato Grosso. Os dias de campos anteriores foram realizados em outros municípios próximos, como Querência e Canarana.

O dia de campo terá três estações de campo. A primeira delas abordará as experiências com integração lavoura-pecuária na Fazenda Planalto e a estratégia nutricional visando aumento de produtividade e lucratividades, por meio do estudo de caso da Agropecuária Agro-Oeste.

A segunda abordará a implantação e manejo de pastagens.

Na terceira estação serão apresentados sistemas modernos de integração lavoura-pecuária além de ser destacada a importância das análises de solos e plantas em sistemas agropecuários.

O dia de campo terá início às 8h, com credenciamento dos participantes e abertura. O evento é destinado a produtores rurais, técnicos, extensionistas e estudantes da área de agrárias. As inscrições poderão ser feitas no local do evento.

Este é o sexto dia de campo realizado em 2019 por meio da parceria entre Embrapa e Senar. Antes já foram realizados eventos em Terra Nova do Norte, Itiquira, Nova Guarita, Sinop e Brasnorte.

No evento de Serra Nova Dourada conta com patrocínio da Unipasto, Laboratório Solos e Plantas e Bellman.

 

 

Foto: Gabriel Faria

Parcerias fortalecem a pecuária sustentável na Amazônia – 29/05/2019

A ILPF é uma das tecnologias para a pecuária sustentável

Quase um terço do rebanho bovino brasileiro se encontra na região amazônica e a sustentabilidade dessa atividade, nos aspectos econômico, social e ambiental, é o objetivo do evento “Pecuária Rentável de Baixo Carbono na Amazônia”, que será realizado nesta quinta-feira, dia 30 de maio, na sede da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA). Pesquisadores, empresários, produtores rurais, gestores públicos e organizações não-governamentais vão conhecer experiências, fortalecer a cooperação e debater soluções para a cadeia produtiva da pecuária no estado do Pará.

Os dados preliminares do Censo agropecuário 2017 (IBGE) mostram que o Pará tem o quinto maior rebanho bovino do país e o segundo da Amazônia, com quase 16 milhões de cabeças de gado. Esse rebanho está distribuído em praticamente todo o estado, mas com maior concentração nas regiões sudeste e sul do Pará, com destaque aos municípios de São Félix do Xingu, Itupiranga, Novo Repartimento e Marabá. 

No evento, especialistas da organização Solidaridad Brasil e da Universidade de Wageningen (Holanda) vão apresentar o estudo “Os pequenos grandes: Desafios da pecuária de cria sustentável na Amazônia e o potencial dos Núcleos de Inovação e Aprendizagem (NIAs)”, realizado pelas duas instituições em parceria com o Grupo de Trabalho de Pecuária Sustentável (GTPS) e apoio do Governo dos Países Baixos. De acordo com Raquel Motta, pesquisadora da Universidade de Wageningen, o estudo analisou a pecuária de cria no Sudeste do Pará e identificou experiências existentes para fornecer alternativas economicamente viáveis, ambientalmente sustentáveis e socialmente inclusivas para a intensificação dessa atividade na região.

Para a gerente de Projetos da Solidaridad Brasil, Joyce Brandão, o estudo joga luz tanto no potencial de mitigação das emissões de Gases do Efeito Estufa quanto nas oportunidades para os pecuaristas de pequena escala. “Não podemos falar de desmatamento sem a melhoria das práticas agropecuárias. E os NIAs permitiriam, além do acesso a técnicas de gestão e produção, a inserção deles na cadeia produtiva”, disse.

“O estudo é resultado de uma parceria institucional que valida o modelo integrado em desenvolvimento pela Solidaridad no Pará e indica caminhos para o ganho de escala e impacto positivo. Além de o modelo incrementar a renda dos produtores e reduzir a pressão de desmatamento, ele permite que as novas gerações permaneçam no campo por enxergarem novas oportunidades econômicas”, completa o gerente de País da Solidaridad Brasil, Rodrigo Castro.

O chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Amazônia Oriental, Bruno Giovany de Maria, diz que alguns produtores já utilizam tecnologias que melhoram produtividade, renda e sustentabilidade ambiental para a atividade pecuária de corte e de leite na região. “O trabalho é fruto da intensa parceria da pesquisa com o segmento produtivo. O que precisamos é ampliar o acesso às tecnologias e melhorar a qualidade dos rebanhos e das pastagens”, afirma. Ele cita as técnicas de manejo e recuperação de pastagens e os sistemas agrossilvipastoris, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, que serão apresentadas no evento.

O evento, realizado pela Embaixada do Reino dos Países Baixos, Universidade de Wageningen, Solidaridad Brasil e Embrapa Amazônia Oriental, representa um passo inicial para a cooperação entre o Brasil e os Países Baixos focada em parcerias comerciais e na troca de conhecimentos no âmbito da agricultura e pecuária de baixo carbono na Amazônia. A programação contará com a participação da Iniciativa para o Comércio Sustentável (IDH), Imazon, Federação da Agricultura do Estado do Pará, além de representantes de empresas multinacionais, exportadores, instituições de crédito agrícola, ONGs e prefeituras.

Sobre a Solidaridad Brasil

Solidaridad Brasil é uma organização internacional sem fins lucrativos com mais de 50 anos de experiência e atuação em 44 países no desenvolvimento de cadeias de valor socialmente inclusivas, ambientalmente responsáveis e economicamente rentáveis nos campos da agropecuária e da mineração artesanal. Realiza parcerias e soluções inovadoras junto a empresas, governos e comércio nos setores que atua, para apoiar agricultores e pecuaristas a produzir mais e melhor, promovendo a transição para uma produção agropecuária que respeite o planeta. Desde 2015, a Solidaridad mantém em Novo Repartimento (PA) o projeto Territórios Inclusivos e Sustentáveis na Amazônia. Ele oferece assistência técnica para 150 produtores familiares na recuperação de áreas de pastagens degradadas. São usados sistemas agroflorestais com cacau e intensificação da pecuária de cria de baixo carbono. Dessa forma, promove o incremento de renda para os pequenos produtores e a manutenção de florestas. Assista ao vídeo: http://bit.ly/2ECVZwE.

Serviço

Lançamento do estudo Os pequenos grandes: Desafios da pecuária de cria sustentável na Amazônia e o potencial dos Núcleos de Inovação e Aprendizagem (NIAs)

Data: 30/05/2019

Horário: 9h às 16h

Local: Embrapa Amazônia Oriental (Trav. Dr. Enéas Pinheiro, s/n, esquina com a Perimetral)

 

Foto: Ronaldo Rosa

Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é tema de seminário regional – 23/05/2019

Apresentar as inovações desenvolvidas pela Embrapa e parceiros voltadas aos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) que possam ser replicadas no bioma Caatinga. Este é o principal objetivo do Seminário Nordeste – Inovações na Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), evento promovido pela Embrapa e pela Rede Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (Rede ILPF), em parceria com a Federação da Agropecuária do Estado do Ceará (FAEC) e o XXIII PECNORDESTE – será realizado entre os dias 13 a 15 de junho de 2019, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza (CE).

Para tanto, pesquisadores e especialistas sobre o tema apresentarão, ao longo dos dias 13 e 14, os resultados concretos obtidos pelas Unidades de Referência Tecnológica (URTs) de ILPF a um público formado prioritariamente por técnicos, extensionistas, produtores rurais, empresas, associações, ONGs e órgãos governamentais. No dia 15 (sábado) será realizada uma visita técnica à Fazenda Grangeiro, no município de Paracuru (CE), onde os participantes do seminário poderão conhecer uma experiência de Integração Lavoura-Pecuária que une a produção de coco à criação de bovinos leiteiros. Embora a participação no seminário seja gratuita, o acesso à visita é limitado. Informações e inscrições podem ser feitas no site: https://www.sympla.com.br/seminario-integracao-lavoura-pecuaria-floresta__527539

Segundo Renato Rodrigues, presidente do Conselho Gestor da Rede ILPF e pesquisador da Embrapa Solos (RJ), a disseminação da ILPF na Região Nordeste ainda é um pouco tímida, embora haja um potencial muito grande. A Bahia é o estado que mais se vale esse sistema de produção em números absolutos, enquanto o Rio Grande do Norte já utiliza a tecnologia em 10% de sua área produtiva.

Renato Rodrigues afirma haver uma expectativa bastante elevada em relação ao seminário, pois acredita que o ILPF representa uma ferramenta de desenvolvimento para região: “Queremos fazer um trabalho de políticas públicas e de estímulo aos governo federal para que tenhamos uma ampliação do uso dessa tecnologia no Nordeste. Não vamos chegar com nenhuma receita pronta. Cada região vai precisar se adaptar para que o produtor possa extrair os benefícios que a tecnologia pode oferecer, como a adaptação à mudança do clima, o aumento de renda e da qualidade de vida, bem como a possibilidade de fixação do homem no campo a partir da formação de uma mão de obra mais especializada e capacitada”, argumenta.

Para William Marchió, diretor executivo da Associação Rede ILPF, a Embrapa dispõe de arranjos produtivos com aptidão para serem empregados no semiárido e na caatinga com excelentes resultados técnicos e econômicos também nestes ambientes mais desafiadores. “A Integração é uma tecnologia de produção sustentável, auxiliando na mitigação da emissão de gases de efeito estufa e na adaptação às mudanças climáticas”, afirma.

Agregação de valor à biodiversidade

Pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical (CE) e coordenador do seminário, João Pratagil afirma que a região pode se beneficiar de dois eixos de ação da ILPF: a agregação de valor a produtos como espécies nativas da Caatinga e óleos essenciais, bem como da utilização dos resultados da avaliação de espécies florestais da Embrapa para o Polo Moveleiro de Marco, município cearense que sedia as principais empresas madeireiras e moveleiras do Estado.

Pratagil ressalta ainda o modelo de transferência de tecnologia empregado. A Associação Rede ILPF é uma parceria público-privada formada pela Embrapa, Cocamar, Bradesco, Syngenta, John Deere, Soesp, Cepits e Premix. “Com o fomento à transferência de tecnologia e ao desenvolvimento tecnológico da ILPF para os biomas brasileiros, essas empresas e cooperativas se beneficiam com o crescimento e o dinamismo da economia: o aumento da produção repercute no aumento da demanda de maquinário, implementos agrícolas, insumos, como os fertilizantes e defensivos, e até mesmo na concessão de crédito aos agricultores e pecuaristas”.

PECNORDESTE

A realização do Seminário Nordeste: Inovações na ILPF ocorre em paralelo ao XXIII Seminário Nordestino de Pecuária (XXIII PECNORDESTE), que traz como tema deste ano “Tecnologia e inovação para uma pecuária competitiva”. Historicamente, o evento reúne um público de 30.000 visitantes, dentre os quais pecuaristas, agricultores, técnicos, pesquisadores, estudantes e empreendedores das cadeias produtivas do agronegócio e da agropecuária familiar.

 

O que é a ILPF?

A integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) é uma estratégia de produção que integra diferentes sistemas produtivos, agrícolas, pecuários e florestais dentro de uma mesma área, podendo ser feita em cultivo consorciado, em sucessão ou em rotação, de forma que haja benefício mútuo para todas as atividades. Essa forma de sistema integrado busca otimizar o uso da terra, elevando os patamares de produtividade, diversificando a produção e gerando produtos de qualidade.

 

Serviço

Seminário Nordeste: Inovações na Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)

Datas:

13 a 14 de junho de 2019, das 8 horas às 17h30 – Mesas Redondas e Workshop, no Centro de Eventos do Ceará (Av. Washington Soares, 999 – Edson Queiroz, Fortaleza – CE).

15 de junho de 2019, a partir das 7 horas – Visita técnica à Fazenda Grangeiro, em Paracuru (CE).

 

Ricardo Moura (DRT 1681 jpce)

Embrapa Agroindústria Tropical

 

agroindustria-tropical.imprensa@embrapa.br

Estado da Bahia recebe URT Carne Carbono Neutro – 21/05/2019

Propriedades no Recôncavo Baiano recebem URTs CCN 

O Recôncavo Baiano é o mais novo local de instalação de Unidades de Referência Tecnológica (URT) da Embrapa. O objetivo é avaliar a produção de bovinos de corte em sistema silvipastoril para a produção de Carne Carbono Neutro (cria, recria e terminação), em solos do tipo Massapé, até 2021. Os pesquisadores da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS) e Florestas (Colombo-PR) contam com suporte da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura do Estado da Bahia para conduzir os experimentos.
 
“A URT é uma das formas que a Embrapa encontra de transferir as tecnologias usadas dentro dos nossos centros para o meio rural. A implantação do ILPF é o meio utilizado para efetivar essa troca. Para os animais, há um aumento de produtividade, pois, com a existência das árvores, conseguimos oferecer um conforto térmico, por exemplo, e isso impacta na qualidade da carne produzida nessa fazenda”, explica a pesquisadora da Embrapa e um das responsáveis pela proposta Fabiana Villa.
 
Para o pecuarista, Emílio Azevedo, proprietário de uma fazendas onde uma das URT será instalada, “a Embrapa nos apresentou os resultados que já foram obtidos em outros estados e, por já ter uma vivência com outras ações de preservação ambiental, decidimos implementar aqui. A expectativa é que, ao fim do ciclo do eucalipto, possamos ter uma renda adicional com a colheita do eucalipto”, acredita Azevedo.
 
A área da URT tem ao redor de 15 hectares e nela os pesquisadores monitorarão os componentes solo, forrageiro, microclimático, animal e socioeconômico do sistema para ao fim “sistematizar informações referentes ao microclima, produção forrageira, carbono no solo, desempenho animal e socioeconomia, visando o cálculo da neutralização de gases de efeito estufa, no Recôncavo Baiano”, detalha Roberto Giolo, pesquisador da Embrapa. O engenheiro agrônomo ainda comenta que a espécie forrageira empregada será braquiária; a arbórea, eucalipto; e os animais, raça Nelore.
 
Villa e Giolo ressaltam que o trabalho focará nas possibilidades dos sistemas integrados para a região Nordeste do País, onde é possível além do uso de gado de corte e eucalipto integrar bovinos de leite e ovinos com espécies frutíferas ou nativas, por exemplo, como componente florestal. Com iniciativas ainda incipientes na região, eles apostam no potencial de crescimento da tecnologia.
 
Carne carbono neutro
A carne carbono neutro (CCN) é produzida em sistemas integrados com a presença de árvores plantadas, que são responsáveis pelo sequestro de carbono e possibilitam a neutralização da emissão de metano dos animais em pastejo, além de proporcionar conforto térmico ao gado. O foco do sistema é o componente florestal.
 
Os pesquisadores avaliam que há elevado potencial de gerar produtos direcionados para o segmento premium, seja para mercados de nicho no Brasil ou para exportação atendendo às exigências por práticas sustentáveis do mercado europeu, por exemplo. Estima-se que, no Brasil, o conceito CCN pode atingir 1,5 milhão de hectares ou 1% do rebanho brasileiro, o que equivale a aproximadamente 2,2 milhões de cabeças de gado.
 
 
Foto: Secom Bahia

Dalízia Montenário de Aguiar (MTb 28/03/14/MS) 
Embrapa Gado de Corte