12ª Semana de Integração Tecnológica tem início em Sete Lagoas – 21/05/2019

Vitrine de Tecnologias da Embrapa Milho e Sorgo

Em sua 12ª edição, a Semana de Integração Tecnológica acontece em Sete Lagoas, de 20 a 24 de maio, e apresenta o tema “Bioeconomia na Agropecuária: do Conhecimento à Inovação”. A solenidade de abertura contou com lançamentos de tecnologias, assinaturas de acordo de cooperação técnica entre instituições e reflexões sobre a importância da pesquisa agropecuária pública.

A semana tem o objetivo de integrar os vários setores que compõem o segmento agropecuário de Minas Gerais e promover o diálogo e a troca de experiências entre produtores rurais, pesquisadores, técnicos de extensão rural, universidades e empresas agropecuárias. Neste ano, comemora os mais de 17 mil participantes em todas as edições.

Na solenidade, compareceram representantes dos meios científico e agropecuário, como o ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli, a secretária de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Ana Maria Soares Valentini, o diretor-presidente da Emater-MG Gustavo Laterza, o presidente em exercício da Epamig Trazilbo José de Paula Júnior, o chefe do Departamento de Ciências Agrárias da UFSJ Édio Luiz da Costa, prefeitos de municípios da região e outras lideranças.

O chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo Antônio Álvaro Corsetti Purcino agradeceu a presença dos empregados, colaboradores e parceiros que se empenharam para a realização da SIT. Ele mencionou que, com o passar dos anos, a semana ultrapassou os limites regionais. “Estamos cada vez mais envolvendo novas parcerias e trazendo novos desafios para orientar nosso grupo de pesquisas e de transferência de tecnologias. Nossas ações buscam contribuir para o desenvolvimento do agronegócio mineiro. Este ano já tivemos mais de 23 mil visitas em nosso site. E esperamos superar o público de 2018, que foi superior a três mil pessoas”.

O coordenador do evento, Fredson Ferreira Chaves, ressaltou que a SIT é uma oportunidade de transferência de tecnologia, negociação e parceria com as instituições. “A SIT iniciou em 2008 e vem crescendo a cada edição. Em 2019, nós contamos com a participação de mais de cinco estados da nossa Federação. Só de Minas Gerais são 50 municípios”.

Chaves ressaltou a importância da mobilização de público por todos os parceiros. “O Senar confirmou um grupo de 400 produtores das mais diversas regiões de Minas. Teremos também a presença de 80 extensionistas da Emater. Já a Epamig, a cada ano, aumenta a participação de sua equipe e realizará o Dia de Campo da Pecuária Leiteira, na Fazenda Santa Rita”.

Por sua vez, a Universidade Federal de São João del-Rei, presente desde a primeira edição, comemora 10 anos de existência em Sete Lagoas.  “Almejamos que esta semana integre o calendário acadêmico da universidade”, pontuou o coordenador.

A secretária de Estado da Agricultura, Ana Maria Soares Valentini, destacou que entre os ganhos que a SIT traz está a integração dos setores que compõe o segmento agropecuário de Minas Gerais. “Como produtora rural, eu sei que esta oportunidade é ímpar para estabelecermos diálogos com especialistas que têm contribuído para que a agricultura tropical seja uma referência na produção de alimentos. De acordo com dados da FAO, em 2050, o mundo precisará produzir mais 70% do que produz hoje, para alimentar uma população mundial de aproximadamente 9,1 bilhões de pessoas. Para suprir esta demanda crescente de alimentos é necessário investir em tecnologias, para caminharmos para a próxima revolução verde. Temos que aproximar a agricultura 4.0 dos produtores, ou seja, propagar o uso de drones, satélites, de sensores. Compreender e adotar como rotina a internet das coisas e tantas outras inovações que estão por vir. E não deixar em nenhum momento de nos preocuparmos com as mudanças climáticas”, disse.

Em relação à pesquisa, Valentini explanou sobre sua experiência Programa de Desenvolvimento para o Cerrado. Na época, a Embrapa, a Epamig e as Universidades, com apoio da extensão rural, disponibilizaram tecnologias que foram um grande incentivo para que os produtores pudessem produzir na região. “Esta integração levou o Brasil a um patamar diferenciado na produção de grãos, consequentemente promoveu o desenvolvimento da produção de proteína animal”, afirmou.

Aquecimento global

Ao final da solenidade, um dos maiores especialistas em estudos sobre aquecimento global, o cientista Carlos Afonso Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apresentou a palestra “Mudanças climáticas, agricultura e sustentabilidade”. Carlos Nobre é considerado uma das referências no País, na área de mudanças climáticas globais.

Segundo ele, as flutuações das mudanças climáticas são impactantes para a agricultura, e os extremos estão ficando mais frequentes. “É uma realidade que já existe”, afirmou.

Entre as soluções citadas pelo cientista estão as tecnologias do Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC) e do Plano Nacional de Recuperação Vegetal Nativa (Planaveg). O Plano ABC é composto por sete programas, incluindo a recuperação de pastagens degradadas e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). “Os sistemas ILP e ILPF apresentam enorme potencial para tornar a agricultura e a pecuária adaptáveis às mudanças climáticas. O sombreamento proporcionado pelo sistema ILPF pode aumentar a produção de carne entre 100 gramas e 200 gramas por dia, e a produção de leite em torno de dois e meio por cento”, enfatizou Nobre.

Termo de Cooperação Técnica

A Embrapa Milho e Sorgo firmou Termo de Cooperação Técnica com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). Este acordo, denominado “Socialização do conhecimento em sistemas integrados de produção agropecuária nos Vales do Médio Jequitinhonha, Baixo Jequitinhonha e Alto Rio Pardo”, busca incentivar a adoção dos princípios de Boas Práticas Agrícolas.

“Este trabalho promoverá soluções não só para o Nordeste de Minas, mas para todo o Estado”, disse o presidente da Emater, Gustavo Laterza de Deus.

Lançamento de produto e Vitrine de Tecnologias

Na oportunidade, a Embrapa lançou uma nova cultivar de milho – o híbrido triplo BRS 3042. Essa cultivar apresenta ciclo precoce e possui alta resistência ao acamamento e ao quebramento, além de possuir características agronômicas equilibradas.  “Associa estabilidade de produção com adaptação ampla para cultivo, com destaque para a safrinha do Brasil Central”, enumerou o pesquisador Paulo Evaristo de Oliveira Guimarães, supervisor do Núcleo de Recursos Genéticos e Desenvolvimento de Cultivares da Embrapa Milho e Sorgo. Outro diferencial da cultivar é a excelente relação custo-benefício quanto à produtividade e ao menor custo de sementes.

Após a solenidade, realizada no Auditório Renato de Oliveira Coimbra, os participantes visitaram a Vitrine de Tecnologias.

Realização

Esta edição da SIT é realizada pela Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Serviço Nacional de Aprendizagem RuralAdministração Regional de Minas Gerais (Sistema Faemg – Senar Minas) e Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Participam também as Unidades da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS), Gado de Leite (Juiz de Fora-MG), Hortaliças (Brasília-DF), Informática Agropecuária (Campinas-SP), Meio Ambiente (Jaguariúna-SP), Pecuária Sudeste (São Carlos-SP), Rondônia (Porto Velho-RO), Semiárido (Petrolina-PE) e Solos (Rio de Janeiro-RJ).

A semana conta com o apoio do Canal Rural, Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais – CCPR/Itambé, Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped), Rede ILPF, Sementes Mineirão, Ikeda e Solar Volt e outras empresas do agronegócio mineiro.

A programação oferece mais de 40 cursos, dias de campo, giros tecnológicos, palestras e seminários técnicos que acontecerão na Embrapa Milho e Sorgo, na Epamig e na UFSJ.

 

Foto: Marina Torres

Dia de campo mostra tecnologias de produção sustentável em Brasnorte (MT) – 20/05/2019

Unidade de Referência Tecnológica de integração pecuária-floresta, na fazenda São Paulo

Na próxima sexta-feira, dia 24, a parceria entre Embrapa e Senar-MT promoverá na Fazenda São Paulo, município de Brasnorte (MT), o 2º Dia de Campo sobre Tecnologias de Produção Agropecuária Sustentável. As inscrições para o evento são gratuitas e podem ser feitas antecipadamente.

De propriedade de Vitório Herklotz, a Fazenda São Paulo é uma das Unidades de Referência Tecnológica de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) acompanhadas pela Embrapa Agrossilvipastoril. Durante o dia de campo será possível conhecer a estratégia produtiva adotada no local, acompanhar o desenvolvimento do sistema e seus resultados.

O dia de campo tem como público prioritário produtores rurais, técnicos, extensionistas e consultores, profissionais ligados ao setor agropecuário e estudantes de ciências agrárias. As inscrições podem ser feitas antecipadamente no site www.embrapa.br/agrossilvipastoril. Também será possível se inscrever no dia e local do evento, a partir das 8h.

A Fazenda São Paulo fica na BR 364, Km 944, entre Campo Novo do Parecis e Brasnorte.

Programação

A programação do dia de campo terá início às 8h30. Após a abertura, serão feitas duas apresentações para todos os participantes. Primeiramente o proprietário, Vitório Herklotz falará sobre a integração lavoura-pecuária na Fazenda são Paulo, com foco no manejo em solos arenosos. Na sequência, a professora da UFMT Fernanda Macitelli abordará a importância do bem-estar na produção e na qualidade da carne bovina.

O circuito de estações de campo terá início logo em seguida, com o público sendo dividido em três grupos. Todos passarão por três estações temáticas.

Em uma delas, o pesquisador da Embrapa Maurel Behling abordará a condução e os principais resultados dos sistemas IPF da Fazenda São Paulo no ano agrícola 2018-19. Ele dividirá a estação com o professor Márcio Magalhães, da Unemat, que falará sobre atributos químicos e aptidão do solo em ILPF.

Em outra estação, Artur Faria, da UFMT, apresentará os princípios básicos da implantação e manejo das pastagens em sistemas integrados e Júlia Raquel de Sá, da The Nature Conservancy (TNC) falará sobre a valoração dos serviços ecossistêmicos.

Na terceira estação o tema será os microrganismos. Daniela Campos, da UFMT, falará sobre sua utilização em sistemas sustentáveis e Renato Cândido Alves, do Laboratório Solos & Planta abordará a importância das análises microbiológicas do solo nos sistemas ILPF.

 

Foto: Gabriel Faria

Maior festival de divulgação científica do país aborda realidades virtual e aumentada – 16/05/2019

Aplicativos permitem conhecer ILPF por meio de realidades virtual e aumentada 

As realidades virtual (RV) e aumentada (RA) são tecnologias usadas atualmente em diversas áreas, como entretenimento, educação, ciência, medicina e também na agropecuária. A Embrapa utiliza hoje RA e RV como ferramentas didáticas para demonstrar  suas pesquisas sobre o sistema de  Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). 

Os aplicativos foram desenvolvidos pelos jornalistas Gabriel Faria e José Heitor Vasconcellos,  com o objetivo de facilitar o entendimento e a interação dos usuários  com os   principais conceitos desse sistema.

“É possível que a pessoa veja e compreenda o funcionamento da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e seus efeitos no solo, nas plantas, os benefícios para o meio ambiente e para o bem-estar dos animais”, explica José Heitor.

Esses recursos serão apresentados no Pint of Science 2019, considerado o maior festival de divulgação científica do Brasil. O evento ocorre simultaneamente em várias cidades do mundo entre os dias 20 e 22 de maio.

Em Belo Horizonte-MG, serão 15 palestras de assuntos diversos. No dia 20 (segunda-feira), será discutido o tema “realidades aumentada e virtual: da sala de aula às práticas agropecuárias”, com José Heitor Vasconcellos (Embrapa Milho e Sorgo) e Pedro Kassio de Carvalho (Instituto Metodista Izabela Hendrix). A conversa ocorre das 19h30 às 21h, em A Cafeteria MM Gerdau, que fica no Museu das Minas e do Metal, na Praça da Liberdade, s/n – Funcionários.

O Pint of Science busca levar informações científicas para a sociedade em locais descontraídos, como bares. O objetivo do festival é evitar intermediários entre o cientista e a comunidade, estabelecendo um canal direto de conversa. Confira a programação completa em https://pintofscience.com.br/programacao/

 

Foto: Ana Maio

12ª SIT terá seminário sobre realidade aumentada e realidade virtual – 15/05/2019

ILPF em realidade virtual – Foto: Rede ILPF

O Seminário de Aplicativos, Realidade Virtual e Realidade Aumentada na Agricultura será realizado no dia 22 de maio, na Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas.    

Segundo um dos coordenadores desse evento, José Heitor Vasconcellos, da Embrapa, o seminário irá discutir temas que estão revolucionando a forma de interação com o produtor rural, como a agricultura digital, o mercado para os aplicativos agrícolas e as novas ferramentas para informação, conhecimento e transferência de tecnologia.

“Os participantes do encontro receberão um cubo de realidade aumentada sobre Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e poderão também conhecer esse sistema por meio de um túnel de realidade virtual”, ressalta Vasconcellos.
 
Esse seminário faz parte da 12ª Semana de Integração Tecnológica (SIT), que é realizada pela Embrapa Milho e Sorgo (MG) em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Administração Regional de Minas Gerais (Sistema Faemg – Senar Minas) e Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). A semana conta também com o apoio do Canal Rural, Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped) e outras empresas do agronegócio mineiro.

A SIT recebe um público de aproximadamente 3.000 pessoas, entre produtores, extensionistas, professores, pesquisadores e estudantes, a cada edição.
 
A programação de 2019 está bastante variada e conta com a participação de programadores, designers, empreendedores e gerentes de produtos, pesquisadores e extensionistas.

Veja a programação completa em:  https://www.sit2019.com.br/index.php?page=seminarios

ILPF é destaque em palestra na Expozebu 2019 – 10/05/2019

João K mostrou a oportunidade do Brasil para intensificar a produção de forma sustentável com os sistemas ILPF

Os benefícios dos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), atualmente presentes em cerca de 15 milhões de hectares no Brasil, foram apresentados pelo pesquisador João Kluthcouski (João K), da Embrapa Cerrados, em palestra realizada no dia 3 de maio, em Uberaba (MG), durante a Expozebu 2019. A palestra integrou a programação do 10º Encontro Rural Jovem, promovido pela ABCZ Jovem em parceria com a Sociedade Rural Brasileira, e contou com a participação de cerca de 600 pessoas, entre estudantes e jovens produtores rurais.

João K iniciou a apresentação elencando os saltos qualitativos na agropecuária brasileira desde a década de 1970 com a introdução e o melhoramento de forrageiras tropicais, a introdução e o melhoramento da raça bovina Nelore e outras, o domínio na correção de acidez e adubação dos solos, a tropicalização da soja, o Sistema Plantio Direto (SPD) e a safra e safrinha num mesmo período de chuvas. “Temos hoje o melhor zebu, o melhor capim, a melhor soja. Os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e ILPF são a síntese de todas essas revoluções”, comentou.

Por outro lado, o pesquisador elencou os limitantes mais frequentes relacionados aos solos na agropecuária brasileira – compactação, baixa fertilidade do perfil, necessidade de calagem na dose recomendada e na profundidade de incorporação, baixo teor de matéria orgânica do solo, inadequações na Fixação Biológica de Nitrogênio, manejo inadequado das pastagens, necessidade de palhada de cobertura do solo no Sistema Plantio Direto, inadequação na rotação de culturas, entre outros. “Ainda temos muitas informações para gerar e transferir. Esses são alguns exemplos da nossa missão”, apontou.

Oportunidade

Ele apresentou dados sobre o uso da terra no Brasil, destacando a estimativa de que 100 milhões de ha de pastagens estejam degradados e que cerca de 82% dos pastos degradados, sendo que a taxa de lotação média é muito baixa – 0,8 unidade animal (UA)/ha. “Essa é a nossa oportunidade”, afirmou, referindo-se às possibilidades tecnológicas de recuperação de pastagens que permitem dobrar a produção de grãos, triplicar a capacidade de suporte das pastagens, ofertar empregos com menores investimentos, regularizar a distribuição de renda e melhorar a qualidade ambiental.

A primeira possibilidade é a recuperação ou renovação de pastagens, que envolve a correção da acidez do solo, adubação, destruição de cupinzeiros e de plantas daninhas e a descompactação do solo. O processo pode ser de forma direta, com práticas mecânicas, químicas e agronômicas, ou indireta, com o uso de ILP ou de pastagens anuais. 

“O retorno da recuperação se dá pelo boi, o que nem sempre tem sido possível. Na integração, o objetivo é a lavoura subsidiar, senão totalmente, a maior parte dos custos (da recuperação), e fornecer uma pastagem de alta qualidade. Na verdade, tem ocorrido que a lavoura não só subsidia, como dá lucro”, explicou João K, acrescentando que os sistemas de integração permitem quatro safras por ano (soja, milho, boi e palhada).

O pesquisador falou sobre as diferentes formas de integração, seja por consórcio, sucessão ou rotação de culturas agrícolas e espécies forrageiras. Como exemplos de consórcios, ele citou o Sistema Barreirão (culturas anuais com braquiárias para a recuperação e renovação de pastagens degradadas em solos degradados); o Sistema Santa Brígida (culturas anuais, capim e leguminosas para diversificação da forragem e formação de palhada); e o Sistema Santa Fé (produção de forragem para a entressafra e palhada para o Sistema Plantio Direto).

Braquiária

O papel da braquiária nos sistemas de integração foi destacado pelo pesquisador, que citou diversos benefícios da gramínea, como aumento da biomassa de cobertura, recuperação de pastagens, aumento de matéria orgânica, da reciclagem de nutrientes e da retenção de água no solo. João K mostrou imagens de trincheiras abertas para evidenciar a profundidade e a profusão das raízes da braquiária no perfil do solo. “Não é simplesmente um sistema radicular, é imobilização de carbono no perfil, geração de canais para a entrada de água, é aumento da atividade biológica do solo. E é por isso que a soja produz mais depois de uma braquiária”, disse.

Segundo João K, entre os principais sinergismos dos sistemas ILP estão a potencialização do Sistema Plantio Direto e a possibilidade de gado precoce em pastagens de qualidade.

Ao falar sobre sucessão em ILP, ele citou como exemplo a sucessão soja, milheto, sorgo pastejo e forrageiras perenes. “Todas as culturas de grãos e espécies forrageiras são contempladas por sistemas de integração, que servem para 1 ha ou para 1 milhão ha e são adaptáveis para todas as regiões”, disse. 

Já a rotação pode ser feita com o plantio, no verão, de soja em área degradada e pastos anuais no inverno por dois anos para recuperar o solo. Em seguida, é feita a transição para o milho consorciado com braquiária por outros dois anos. O milho é então colhido e o gado se alimenta do capim.

Sobre a introdução do componente florestal no sistema de integração, João K lembrou que as árvores formam cortinas que minimiza o efeito dos ventos, principais responsáveis pela secagem de pastos no Brasil, além de proporcionar conforto animal e renda com a madeira.

Os sistemas de integração também viabilizam o chamado “boi safrinha”, quando os animais são engordados na entressafra de grãos alimentando-se, por pelo menos três meses, da pastagem formada após consórcios de milho com capim ou com o plantio direto de forrageira anuais e perenes após a cultura da soja.

Diversas modalidades

João K abordou os benefícios de outras modalidades de ILP, como o Sistema São Mateus, destinado à recuperação de pastagem com soja após correção de solo e plantio do pasto no primeiro ano; o Sistema Santa Ana, que proporciona a recuperação de pastagens com produção de silagem; a formação do feno tropical, com elevado teor de proteína, a partir dos consórcios de Brachiaria ruziziensis com feijão caupi ou guandu; a introdução do girassol nos sistemas de integração no Cerrado; o Sistema São Francisco, com sobressemeadura de capim em culturas de grãos em fim de ciclo; o Sistema Vacaria, que recupera pastagens com a dessecação parcial do pasto e o plantio de culturas agrícolas.

Em seguida, o pesquisador apresentou dados sobre a evolução da fazenda Santa Brígida, em Ipameri (GO) após a implantação do sistema ILPF em 2006. A fertilidade do solo tem melhorado a cada safra, com teores crescentes de fósforo e matéria orgânica. As safras de soja e de milho, bem como o número de arrobas produzidas pela pecuária, são maiores a cada ano, e o sistema ainda fornece palhada suficiente para o Sistema Plantio Direto.

Outro caso de sucesso é o do Grupo Viacava, que tem propriedades de pecuária nos solos arenosos do Oeste de São Paulo. A introdução do sistema ILP com rotação de culturas promoveu o aumento da matéria orgânica do solo, garantiu a manutenção dos resíduos vegetais que formam a palhada sobre o solo, viabilizando o Sistema Plantio Direto e eliminando o preparo de solo. As pastagens formadas estão possibilitando a expressão da qualidade genética dos animais, com novilhas superprecoces de 10 a 14 meses sendo emprenhadas, com taxa de prenhez superior a 80%.

Um aspecto importante dos sistemas de integração mencionado pelo pesquisador é a mecanização da semeadura das forrageiras. Além de ser feita a lanço, pode ser realizada com plantadeira, motossemeadora, matraca e até avião agrícola.

Ao final, João K destacou os benefícios sociais promovidos pela ILPF. “A pecuária extensiva gera poucos empregos. Quando você integra os sistemas, emprega mais pessoas”, afirmou, mostrando o exemplo da Fazenda Santa Brígida, que de três empregados em 2006 passou para 28 em 2018.

 

Foto: Breno Lobato

Pecuária e meio ambiente serão temas de seminário da 12ª SIT – 10/05/2019

12ª Semana de Integração Tecnológica terá seminário sobre pecuária e meio ambiente

O sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) com foco no componente pecuário e no meio ambiente é o tema do seminário que acontecerá dia 21 de maio, durante a 12ª Semana de Integração Tecnológica, na Embrapa Milho e Sorgo.

O sistema é uma estratégia de produção sustentável, que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais, realizadas na mesma área. Pode ser feito em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado. Assim, promove uma cooperação entre os componentes do agrossistema e favorece o meio ambiente e o bem-estar dos animais e contempla quatro modalidades de sistemas: Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), Lavoura-Pecuária (ILP),  Pecuária-Floresta (IPF) e Lavoura-Floresta (ILF).

O coordenador do seminário, Sinval Resende Lopes ressalata que o ILP contribui para diversificar as alternativas de renda na propriedade, favorecendo tanto a produção de silagem de qualidade quanto a formação e renovação da pastagem. “Além disso, promove a segurança alimentar, pois agrega diferentes meios de produção (vegetal e animal), proporcionando aumento no indicador saúde ambiental e pessoal, pela redução da emissão de poluentes atmosféricos e hídricos”, comenta.

Serão apresentadas as seguintes palestras: “Cultivares e desempenho de pastagens em sistemas ILPF”; “O sistema ILPF pode melhorar o bem-estar dos animais?”;  “Sistema ILPF na produção de Carne Carbono Neutro”; “Depoimento de produtor de leite sobre a eficiência do sistema ILP na propriedade”.

À tarde, haverá um Dia de Campo, na Unidade de Referência Tecnológica e de Pesquisa e na Vitrine de Tecnologias da Embrapa Milho e Sorgo. Serão quatro estações, com os temas: 1) “O sistema Integração Lavoura-Pecuária”; 2) “Desempenho animal no sistema ILP”; 3) “Cultivares e desempenho de pastagens” e 4) “Alternativas de consórcios no Sistema ILP”.

As inscrições são gratuitas, pelo site  http://www.sit2019.com.br/index.php?page=seminarios

A 12ª SIT acontecerá em Sete Lagoas-MG, de 20 a 24 de maio de 2019, com o tema “Bioeconomia na Agropecuária: do conhecimento à inovação”.

Serviço

Evento: 12ª SIT (Semana de Integração Tecnológica)

Seminário: Sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) com foco no componente florestal e no meio ambiente

Coordenadores: Marco Aurélio Noce e Sinval Resende Lopes

Palestrantes: Pesquisadores José Alexandre Agiova da Costa (Embrapa Caprinos e Ovinos); Rodrigo da Costa Gomes e Rosângela Maria Simeão (Embrapa Gado de Corte); Emerson Borghi, Miguel Marques Gontijo e Ramon Costa Alvarenga (Embrapa Milho e Sorgo); Alexandre Rossetto Garcia (Embrapa Pecuária Sudeste); José Augusto Lopes da Silva (Granja Santana); Débora Brito (Sicoob Credioeste) e Sinval Lopes (Embrapa Milho e Sorgo).

Data: 21/05/2019 (terça-feira)

Horário: das 08h30 às 17h00

Locais: Auditório Renato de Oliveira Coimbra e Vitrine de Tecnologias (ambos localizados na Embrapa Milho e Sorgo)

Vagas: 350

Site: www.sit2019.com.br/index.php

Mais informações: contato@sit2019.com.br

 

Foto: Sandra Brito

Inovações no zoneamento de risco climático buscam maior aplicabilidade – 09/05/2019

Entre os instrumentos de políticas públicas que o produtor tem às mãos para amenizar os riscos está o zoneamento agrícola de risco climático (Zarc), iniciado em 1996, disponibilizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e sob responsabilidade da Embrapa. O Zarc possibilita reduzir, sensivelmente, os riscos na atividade e permite seguridade agrícola, a partir de orientações em relação a melhor época de plantio e semeadura das culturas.

Em solos arenosos, frágeis em fertilidade, sua utilização minimiza perdas. A resolução é dos pesquisadores da Embrapa Carlos Ricardo Fietz e Balbino Evangelista, integrantes da Rede do Zarc. Entre os principais desafios da ferramenta, eles apontam a disponibilização de dados organizados e padronizados, de forma que o produtor não tenha somente data de semeadura, mas informações sobre manejo, boas práticas, recomendações, dentre outras.

“O maior desafio é transformar os dados que possuímos em informações que precisamos”, resume Evangelista (Palmas-TO), especialista em agroclimatologia. Para isso, a Empresa desenvolve o projeto “Avaliação de Riscos e Resiliência Agroclimática – ARRA”, que tem como objetivo desenvolver, adaptar e aprimorar metodologias de avaliação de riscos, produtividade e resiliência agroclimática de sistemas de produção, a fim de acompanhar as mudanças agrícolas e socioeconômicas, os avanços tecnológicos e o desenvolvimento das culturas.

Uma das mudanças e mencionada pelos pesquisadores são os sistemas integrados. Os envolvidos na proposta buscam desenvolver uma metodologia de ZARC para sistemas integrados (ILP e ILPF) e culturas perenes. Atualmente, segundo o especialista em agrometeorologia Ricardo Fietz (Dourados-MS), a construção do ZARC envolve uma equipe multidisciplinar com 80 profissionais de 31 Unidades de Pesquisa, atuando em 44 culturas.

Coordenador de Risco Agropecuário, do Departamento de Gestão de Riscos Secretaria de Política Agrícola do Mapa, Hugo Rodrigues, comenta que com o intuito de tornar o ZARC mais atrativo, o Ministério disponibilizou em 2017, o Painel de Indicação de Risco, no site da instituição. Para facilitar a interpretação e em formato amigável, o painel apresenta a indicação de risco em cada decêndio do ano, por cultura, grupo de cultivar e tipo de solo. Outra possibilidade é o aumento das faixas de risco climático, agora em 20%, 30% e 40%. 

Fietz, Evangelista e Rodrigues participaram do Painel “Inserção de solos arenosos no zoneamento de risco climático (Zarc) para cultivo de grãos”, que aconteceu hoje (9) no Simpósio Brasileiro de Solos Arenosos, na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Campo Grande (MS). Os solos arenosos são de texturas mais leves, frágeis e representam ao redor de 10% dos solos brasileiros. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, entre 15 e 20%, e o equivalente no Bioma Cerrado.

Simpósio – O III Simpósio Brasileiro de Solos Arenosos é promovido pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS) e realizado pela Embrapa e UEMS, com o tema “Intensificação agropecuária sustentável em solos arenosos” e programação composta por palestras, mesas-redondas, apresentações de resumos e visita técnica. O evento acontece entre os dias 7 e 10 de maio, na UEMS (Campo Grande-MS).

 

Foto: ZARC da cultura de milho

Estratégias para recuperação de pastagens degradadas são apresentadas em Dia de Campo e Giro Técnico da Expozebu 2019 – 09/05/2019

Dia de Campo e Giro Técnico da Expozebu 2019 receberam cerca de 500 produtores e estudantes

Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), medidas para manter a produtividade do pasto e a fertilidade do solo, além de um estudo sobre a produção de leite em um sistema ILPF, tendo como pano de fundo a recuperação das áreas com pastagens degradadas, foram os temas apresentados no Dia de Campo e no Giro Técnico realizados pela Embrapa e a Associação dos Criadores de Zebu (ABCZ) de 1º a 3 de maio em Uberaba (MG), durante a 85ª Edição da Expozebu, maior feira de zebuínos do mundo.

Nos três dias, participaram cerca de 500 pessoas, entre produtores, técnicos e alunos de cursos de ciências agrárias. As apresentações foram realizadas na Estância Orestes Prata Tibery Junior por pesquisadores da Embrapa Cerrados (DF) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), além de representantes comerciais do Grupo Vittia e da Agroceres, empresas apoiadoras dos eventos juntamente com a Major, o Governo de Minas Gerais e a Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto).

Na primeira estação, o pesquisador João Kluthcouski (João K), da Embrapa Cerrados, falou sobre as modalidades dos sistemas ILP e ILPF. Ele estabeleceu a cronologia das “revoluções verdes” brasileiras, com a correção de acidez e adubação dos solos tropicais, a tropicalização e o melhoramento da soja, a introdução e o melhoramento de forrageiras tropicais, a introdução e o melhoramento do gado zebu, o Sistema Plantio Direto (SPD) e a safra e safrinha num mesmo período de chuvas. “Todas essas revoluções estão juntas nos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária”, afirmou.

Os sistemas de integração se constituem no consórcio, na sucessão ou na rotação de culturas agrícolas e espécies forrageiras, viabilizando a produção de grãos, carne ou leite e de madeira (quando a árvore é inserida) na mesma área e melhorando a qualidade do solo, além de aumentar a produtividade. De modo geral, a sequência do sistema se dá com o plantio e colheita da soja, plantio de milho consorciado com braquiária, formação do pasto após a colheita do milho, pastejo dos animais para engorda na entressafra e vedação de área para a formação de palhada para proteger gerar matéria orgânica para o solo. “São quatro colheitas em 12 meses numa mesma área. E se tiver árvore, a cada seis anos há uma quinta colheita”, resumiu João K.

“A integração se baseia no sinergismo, com benefícios para a agricultura e a pecuária. E por ser um sistema bom, ele já está em15 milhões de ha no Brasil, ou seja, 25% da área cultivada com culturas temporárias”, disse. Segundo o pesquisador, os sistemas de integração permitem a diversificação da produção, a intensificação do uso da terra, a redução de custos e a minimização de riscos. “Essas são as premissas da agropecuária do futuro”, destacou o pesquisador. 

Em seguida, ele apresentou as diversas modalidades existentes de sistemas de integração: Sistema Barreirão (recuperação ou renovação de pastagens degradadas com consórcio de cultura anual com capim); Sistema Santa Fé (consórcio de cultura anual e capim para a produção de forragem na entressafra e palhada para Plantio Direto); Sistema Santa Brígida (consórcio de cultura anual, capim e guandu, uma leguminosa forrageira); Sistema São Mateus (recuperação de pastagem com soja após correção de solo e plantio do pasto no primeiro ano); Sistema Santa Ana (recuperação de pastagens com silagem); Sistema São Francisco (sobressemeadura de sementes de pastagens em culturas no final do ciclo); Sistema Gravataí (consórcio de feijão-caupi e capim); e Sistema Vacaria (recuperação de pastagens com dessecação parcial e introdução de cultura agrícola).

Ao mostrar um desenho ilustrativo do consórcio de culturas anuais com forrageiras, o pesquisador destacou o papel das braquiárias, que têm sistemas radiculares profundos e adensados, formando malhas no solo. “Quando você desseca a braquiária, cada raiz vira um canal de entrada de água. E 80% da raiz é carbono que está imobilizado por muito tempo”, explicou, ao falar sobre o papel mitigador da emissão de gases de efeito estufa dos sistemas de integração.

Ao final, João K lembrou que existem máquinas que podem ser utilizadas por pequenos produtores para iniciarem os sistemas de integração, como a motossemeadora, um equipamento movido a bateria que pode ser acoplada a motocicletas, tratores, colhedoras e até mesmo pulverizadores. De baixo custo, o equipamento foi desenhado para a sobressemeadura do capim em soja. “A máquina foi desenvolvida para o pequeno produtor, mas até o grande está usando, acoplando-a a pulverizadores autopropelidos”, finalizou.

Fazenda sustentável

O pesquisador Luiz Adriano Cordeiro, também da Embrapa Cerrados, apresentou a estação “Fazenda Produtiva Sustentável: recuperação/estabelecimento de pastagens após colheita de milho silagem consorciado com capim”. Ele destacou os benefícios do sistema ILP para a pecuária (pastagens de melhor qualidade, amortização dos custos com a recuperação dos pastos, oferta de forragem na seca, maior produção de carne ou leite e mais liquidez e rentabilidade) e para a agricultura (mais resíduos vegetais sobre o solo, evitando a erosão; palhada das pastagens para Plantio Direto; melhor qualidade do solo; maior produtividade de grãos com redução de custos e maior rentabilidade adicional da pecuária na seca).

Segundo Cordeiro, a partir do momento em que se utiliza a agricultura para amortizar os custos da reforma de pastagens, há o benefício do pasto mais barato ou de graça. “Mas não é só isso. Ao estabelecer o pasto no fim das chuvas, o produtor terá uma pastagem de outono-inverno. Esse pasto não pendoa e, se há umidade no solo e 300 kg/ha de adubo (da lavoura anterior), as plantas vão aprofundar as raízes, absorver nutrientes e emitir folhas, mesmo na seca”, explicou. Por outro lado, o lavoureiro que utiliza a pecuária no sistema pode obter uma expressiva massa de palhada para o Plantio Direto da safra seguinte.

Cordeiro demonstrou ser possível aumentar a produtividade de um pasto com 0,8 unidade animal (UA)/ha e produção de 4@/ha/ano, situação que representa cerca de 80% da realidade das pastagens do Cerrado, para mais de 5 UA/ha produzindo de 20 a 30 @/ha/ano com a adoção do sistema ILP de capim com milho para silagem. 

Com uma pequena plantadeira ou uma distribuidora de sementes, uma grade aradora, calcário, gesso e adubo, o pecuarista pode fazer ILP com milho silagem e capim. “Use a silagem com a sua estrutura de fazenda, rodando nas áreas todos os anos, para recuperar o pasto. Já é um grande avanço, você dilui o custo da atividade fazendo que a silagem pague o custo da reforma de pasto”, disse o pesquisador. “São coisas simples que o produtor já fazia, só que separadamente”, completou.

O pesquisador falou sobre os sistemas implantados na estação para a recuperação de pastos degradados e a formação de silagem e de nova pastagem. São quatro áreas de 1 ha cada, sendo três com consórcio milho e Brachiaria brizantha BRS Paiaguás e uma com pastagem solteira BRS Paiaguás, todas plantadas no mesmo dia. A primeira área foi ocupada por pasto no primeiro ano, por soja no segundo e pelo consórcio milho e capim no terceiro. Na segunda, o capim do primeiro ano deu lugar ao consórcio no segundo e no terceiro anos. Na terceira, o consórcio foi plantado após dois anos com pastagem. Na quarta área, são três anos com pasto. As diferenças de cor e de porte do milho são visíveis, sendo a primeira área mais vistosa em virtude da safra anterior de soja.

As estimativas de capacidade produtiva das áreas são, respectivamente, 40 t/ha de milho, 4.000 kg de matéria seca (MS)/ha de pasto, taxa de lotação de 5 UA/ha, ganho de peso médio de 800 g/cab/dia e produção de 18@/ha de animal no primeiro sistema; 35 t/ha de milho, 4.000 kg de MS/ha de pasto, 5 UA/ha, ganho de peso médio de 800 g/cab/dia e 18@/ha no segundo; 30 t/ha de milho, 3.500 kg MS/ha de pasto, 3 UA/ha, ganho de peso médio de 500 g/cab/dia e 12@/ha no terceiro; e 2.500 kg MS/ha de pasto, 2 UA/ha, ganho de peso médio de 300 g/cab/dia e 8@/ha no quarto.

“Nos três primeiros sistemas, quem paga o investimento é a cultura do milho. No quarto, a produtividade do pasto de primeiro ano é boa, mas quem paga o investimento é somente a arroba do boi”, observou Cordeiro, que também destacou a maior capacidade de suporte dos sistemas de integração em relação à pastagem solteira recuperada.

Pecuária leiteira na ILPF

Na estação sobre produção de leite e comportamento das vacas em sistema ILPF, a pesquisadora Isabel Ferreira, da Embrapa Cerrados, apresentou resultados parciais de dois anos de experimento realizado no Centro de Tecnologias para Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL) da Unidade, em Brasília (DF) com vacas Gir e Girolando. 

O estudo está no terceiro ano e tem medido as variáveis produção de leite, produção e valor nutritivo de forragem, comportamento animal, reprodução (quantidade e qualidade de ovócitos e embriões), produção de metano ruminal, temperatura animal, taxas de hormônios, microclima (temperatura, radiação, pluviosidade, velocidade do vento), crescimento e produção de madeira, além de índices ambientais. Os animais permanecem em áreas com ILPF e de pastagem a pleno sol – ambas de 8 ha divididos em 12 piquetes.

A produção de leite por área a pleno sol foi de 9.181 kg/ha/ano em 2017 e 12.299 kg/ha/ano em 2018, enquanto na sobra das árvores do sistema foram produzidos 8.239 kg/ha/ano em 2017 e 12.672 kg/ha/ano em 2018, ano em que foi feito o desbaste das árvores e os animais eram mais uniformes. Ao se descontar a área das árvores, a produção de leite por área na sombra foi de 9.004 kg/ha/ano em 2017 e 13.699 kg/ha/ano em 2018. 

Já a produção média individual das vacas a pleno sol nos dois anos foi de 12,4 kg/dia e de 13,1 kg/dia na sombra. “Observamos que a produção de leite das vacas que estão à sombra tende a aumentar. E isso está muito associado aos picos de temperatura máxima, quando a produção chegou a aumentar 17% no primeiro ano e 4,8% no segundo, quando o calor foi menor com a antecipação das chuvas”, explicou a pesquisadora.

A produção de matéria seca (MS) de forragem de P. maximum cv. Mombaça a pleno sol foi de 5,7 kg/ha nos dois anos (amostras coletadas entre fevereiro e maio), e de 3,5 kg/ha (2017) e 4,4 kg/ha (2018) na área de sombra. Por outro lado, o teor de proteína bruta foi de 8,3% da MS a pleno sol e de 11,5% da MS na sombra da ILPF (diferença de 38%). A digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) foi de 64,4% a pleno sol de 72,6% na sobra.

Quanto ao comportamento animal, foi observado que os animais sob a sombra passaram 52% mais tempo ruminando que a pleno sol. A pleno sol, por outro lado, o tempo de ócio dos animais foi 22% maior. Sob a sombra, as vacas também ficaram 14% a mais de tempo em pé e 15% mais tempo no piquete, enquanto a pleno sol os animais permaneceram 21% mais tempo deitadas e 41% a mais de tempo no corredor.

A pesquisadora apontou uma mudança no comportamento dos animais: “As vacas da área a pleno sol vêm beber água e ficam deitadas na área de lazer. Já as da sombra bebem água, voltam ao piquete e começam a ruminação em pé. Se a vaca está ruminando muito, vai produzir ácidos graxos no rúmen, requisito básico para a produção de leite. O tempo a mais de ruminação é um fator que favorece a produção de leite”.

Pastagem produtiva

Fernando Franco, pesquisador da Epamig, abordou o manejo da fertilidade do solo para formar e manter pastagens produtivas e longevas. Ele lembrou que o Brasil tem de 80 a 100 milhões de hectares de pastagens em situação de degradação, o que impacta o meio ambiente e a economia do País e a saúde financeira do produtor. “O pecuarista trabalha com uma espécie perene. Isso é uma vantagem que se torna desvantagem para quem não se preocupa em fazer a manutenção correta da pastagem”, apontou.

Por isso, é necessário cuidar da fertilidade do solo, que segundo pesquisador, vai além da disponibilidade de nutrientes: “É um solo que tenha cobertura, possibilidade de infiltração e retenção de água, nutrientes disponíveis, acumule carbono e tenha atividade biológica, com ciclagem de nutrientes. Temos que fazer que os atributos químicos, físicos e biológicos do solo estejam bem equilibrados e interajam de forma sinérgica”, comentou, salientando que para se ter uma pastagem de qualidade é preciso resgatar a fertilidade do solo observando-se esses fatores.

O pesquisador também citou a necessidade do ajuste da carga animal e da análise constante do teor de nitrogênio e de fósforo nas folhas, o que embasaria a reposição periódica desses nutrientes para manutenção da qualidade e da produtividade da pastagem, evitando assim o processo de degradação. “O mínimo que tem que ser feito é a análise anual do solo”, disse. 

Ele também salientou a importância da escolha da espécie forrageira na renovação da pastagem. “É preciso adequar o nível de tecnologia disponível e a condição do solo à exigência cultivar. A distribuição de sementes, é outro ponto crítico. Deve ser homogênea para evitar o surgimento de plantas daninhas”, recomendou.

Em casos de compactação e erosão do solo sob a pastagem, Franco indica o revolvimento e a construção de terraços e bolsões, medidas necessárias, mas que encarecem a recuperação das pastagens. “Mas se depois de formar o pasto o produtor colocar uma alta taxa de lotação e sem manejo algum, no segundo ano ele terá que mexer novamente na área”, alertou, acrescentando que um pasto bem formado e bem manejado pode ter vida útil mais longa. “A possibilidade de ganhar dinheiro é dando longevidade à pastagem”.

Outros fatores importantes para a tomada de decisão quanto à estratégia de recuperação ou de reforma das pastagens apontados Por Franco são a disponibilidade de caixa, a possibilidade de financiamento, a necessidade de aumento da capacidade de suporte, entre outras. “Pastagem recuperada se paga tranquilamente, desde que bem manejada, e é agregação de valor à terra”, frisou.

Como exemplo de sistema sustentável, o pesquisador da Epamig apresentou o caso de uma fazenda em Gurinhatã (MG), onde uma área de 1 ha em que o milho semeado com capim Marandu (Brachiaria brizantha) obteve produtividade de 80 sc/ha. “Isso garantiu ao produtor a formação do pasto quase de graça. E o solo, que é arenoso, está protegido pela cobertura (da braquiária). É uma medida de sustentabilidade”, afirmou.

A última estação foi dividida entre os representantes do Grupo Vittia e da Agroceres. Eles apresentaram produtos de biotecnologia e manejo nutricional em pastagens. Os participantes também puderam tirar dúvidas sobre os sistemas de integração e cultivares forrageiras com a pesquisadora Giovana Maciel, da Embrapa Cerrados.

Realidade no campo

Produtores que percorreram as estações consideraram os conteúdos do Dia de Campo adequados à realidade dos pecuaristas do Triângulo Mineiro. “Está dentro das necessidades do produtor, que convive com baixas produtividades e degradação dos pastos. É o caso da nossa região, onde o pessoal faz pastejo contínuo, sem manejo. Acho que a integração é uma saída”, comentou Adaoneli Rodrigues, de Santa Vitória (MG).

Calixto Jorge Sobrinho, de Frutal (MG), concordou com Adaoneli. A maior parte da propriedade está atualmente arrendada para uma usina de cana de açúcar. “Futuramente, penso em formar pasto nessa área, talvez consorciando milho com capim, ainda que aos poucos”, projetou. 
Para Vinicius Oliveira Jorge, que acompanhava Calixto, a estação sobre produção de leite em ILPF foi a que mais lhe chamou a atenção. “Não imaginava a importância do sombreamento, que influencia na produção de leite”, comentou.

 

Foto: Breno Lobato

Cultivo de cana-de-açúcar entra como opção em solos arenosos – 08/05/2019

Especialistas discutem cultivo da cana-de-açúcar em solos arenosos

Os estudos em solos arenosos avançaram ao longo dos anos e as pesquisas com cana-de-açúcar também. Uma aposta dos pesquisadores é inserir a cultura na integração lavoura-pecuária e tê-la como terceira opção. O foco da ciência é claro, a diversificação melhora o sistema produtivo e, consequentemente, agrega-se valor e renda à atividade agrícola. 

“A produtividade dos canaviais caiu com a mecanização e o baixo investimento, os preços também não estão favoráveis, seja do açúcar ou do etanol. Desta forma, agregar outras fontes de renda, como lavoura e pecuária, é estratégico para a estabilidade econômica da atividade. Além disso, o sistema traz evidentes melhorias para o solo, inclusive com quebras de ciclos de pragas e doenças, o que aumenta a sustentabilidade como um todo”, afirma o pesquisador da Embrapa (Dourados, MS), César José da Silva, que desenvolve estudos na área em Mato Grosso do Sul.
 
Com projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de queda na safra 2019/2020 de cana-de-açúcar, em 0,7%, a diversificação toma força, ao menos para produtores como Ana Nery Terra Souza, do grupo Água Tirada (Maracaju-MS), que investe na “integração agricultura-pecuária-cana e com bons índices de lucratividade, desde que se tenha o manejo correto e o processo de implantação do sistema tenha assistência técnica”, observa. A pecuarista ressalta ainda que em regiões de veranico, a opção de uma 3ª cultura, mais resistente, é fundamental para evitar grandes perdas. 

O especialista em manejo e conservação da Embrapa comenta que a postura da produtora Ana Nery se enquadra nos perfis encontrados nas pesquisas, em que há pecuaristas tradicionais, que nas décadas de 80 e 90 tornaram-se lavoureiros e, recentemente, diversificaram com o plantio de cana; e há pecuaristas tradicionais, que arrendaram áreas para as usinas de cana-de-açúcar e, recentemente, voltaram a ter posse das terras e inseriram a lavoura no sistema produtivo.

Independente do perfil, Silva destaca que não há um modelo fechado de produção. Para cada situação, há uma modelagem adequada. “Você pode ter duas safras de soja, intercaladas com culturas de inverno e cana-de-açúcar ou rotação de culturas. Tudo depende do foco do produtor: lavoura? Pecuária? Ou cana?”. 

Outro fator que independe do perfil é o conceito conservacionista. O ciclo de sustentabilidade envolve o manejo e a rotação de culturas. O manejo passa pela adoção do sistema plantio direto ou, no máximo, com preparo de solo reduzido. Para o pesquisador Denizart Bolonhezi, do Instituto Agronômico (IAC/SP), a canavicultura conservacionista consiste em revolver em menos de 25% o solo, manter em mais de 30% os resíduos na superfície, rotacionar em dois anos e as consequências são “redução de insumos externos, menor impacto ambiental e estabilidade de produção. Quanto mais complexo, mais estável”, frisa. 

Por fim, os engenheiros agrônomos deixam um recado para os produtores rurais: “em solos arenosos, os resultados são mais rapidamente constatados”. Silva, Bolonhezi e Terra Souza participaram do Painel “Cultivo da cana-de-açúcar em solos arenosos”, que aconteceu hoje (8) no Simpósio Brasileiro de Solos Arenosos, na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Campo Grande, e segue até sexta-feira. O especialista Tedson Luis de Freitas Azevedo (Usina Zilor/SP) também se apresentou no painel. Os solos arenosos são de texturas mais leves, frágeis e representam ao redor de 10% dos solos brasileiros. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, entre 15 e 20%, e o equivalente no Bioma Cerrado.   

Simpósio – III Simpósio Brasileiro de Solos Arenosos é promovido pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS) e realizado pela Embrapa e UEMS, com o tema “Intensificação agropecuária sustentável em solos arenosos” e programação composta por palestras, mesas-redondas, apresentações de resumos e visita técnica. O evento acontece entre os dias 7 e 10 de maio, na UEMS (Campo Grande-MS).

 

Foto: Dalízia Aguiar

Em abertura de Simpósio, solos arenosos destacam-se como fronteira agrícola – 07/05/2019

Coordenador desta edição, o pesquisador Guilherme Donagemma (Embrapa Solos-RJ) conta a trajetória do evento.

Com o tema “Intensificação agropecuária sustentável em solos arenosos”, teve início hoje (7) no auditório da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Campo Grande (MS), a terceira edição do Simpósio Brasileiro de Solos Arenosos. O público, ao redor de 250 pessoas, participou de mesas-redondas e palestras e é formado por pesquisadores, técnicos, acadêmicos, produtores e autoridades.

Coordenador desta edição, o pesquisador Guilherme Donagemma (Embrapa Solos, RJ) comentou a trajetória do evento, iniciado em 2014 em Presidente Prudente (SP), e ressaltou o esforço para discutir o tema devido à sua importância, como fronteira agrícola. “Não somente para o Estado de Mato Grosso do Sul, que tem extensas áreas, mas em regiões como de Matopiba. O que pretendemos é direcionar as pesquisas em solos arenosos, subsidiar a formação de políticas públicas, auxiliar os produtores na tomada de decisão e prover de informação e tecnologias os técnicos da extensão rural e assistência técnica”, afirma o especialista em física do solo. 

Ele acrescenta que os solos arenosos representam, aproximadamente, 10% dos solos brasileiros. Em Mato Grosso do Sul está entre 15 e 20% e os índices são semelhantes para o Bioma Cerrado. Considerados com baixa aptidão agrícola, os arenosos quebraram paradigmas ao elevar a produtividade de grãos e carne, a partir da intensificação sustentável, por meio de sistemas integrados de produção, e gestão hídrica. 

O pesquisador José Carlos Polidoro, chefe-geral da Embrapa Solos (RJ), complementa que a relação com os recursos naturais, como solo e água, precisa mudar, imediatamente. A transformação passa pelo uso de tecnologias, considerando que no mínimo há 40 anos há informações disponíveis sobre esse ‘novo’ sistema de produção. A principal delas, segundo Polidoro, é o zoneamento agroecológico, previsto legalmente, mas realidade em quatro Estados da Federação. MS é um deles e está na 3ª fase de desenvolvimento, com recursos do Governo do Estado e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para conclusão nos próximos anos. 

A relação homem-solo-água, a manutenção do meio ambiente, a sustentabilidade produtiva são preocupações na agenda de políticas públicas de Mato Grosso do Sul, principalmente, com a expansão agrícola no Estado, é o que afirma o superintendente de Ciência e Tecnologia, Produção e Agricultura Familiar de MS, Rogério Beretta. Contudo, “é possível perceber, no campo e aos poucos, que os trabalhos da pesquisa são aproveitados pelo produtor rural.”

Entre as autoridades presentes na abertura estavam os chefes-gerais da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande), Ronney Mamede, e Agropecuária Oeste (Dourados, MS), Guilherme Asmus; o presidente do Sistema Famasul, Maurício Saito; o presidente da Aprosoja/MS, Juliano Schmaedecke; o diretor da Fundação MS, André Dobashi; o presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Alessandro Coelho; o gerente-executivo da Biosul, Érico Paredes; o vereador de Campo Grande, Vinícius Siqueira; e o diretor do Núcleo Regional Centro-Oeste da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, Robélio Marchão. 

Simpósio – O III Simpósio Brasileiro de Solos Arenosos é promovido pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS) e realizado pela Embrapa e UEMS, com o tema “Intensificação agropecuária sustentável em solos arenosos” e programação composta por palestras, mesas-redondas, apresentações de resumos e visita técnica. O evento acontece entre os dias 7 e 10 de maio, na UEMS (Campo Grande-MS).

 

Foto: Dalízia Aguiar