A intensificação agropecuária passa pelos sistemas integrados – 07/05/2019

Sistemas integrados não escolhem clima, nem solo

A produção agropecuária intensificada permitiu que as regiões de solos arenosos no País se transformassem social, econômico e ambientalmente, quebrou paradigmas. Os desafios de se produzir em areia foram superados a partir da adoção de tecnologias, por parte dos produtores rurais, e o avanço das pesquisas na área. 

Um exemplo que reúne adoção e pesquisa são os sistemas integrados de produção, capazes de recuperar áreas degradadas, trazendo produtividade a locais improváveis. A tecnologia não escolhe solo, clima e nem tamanho de propriedade, podendo ser aplicada em qualquer região do Brasil, dada as devidas peculiaridades. Com potencial para atingir 15 milhões de hectares no País, com algum modelo de integração, os sistemas, atualmente, ocupam 11,47 milhões de hectares.

Alguns desses hectares estão em Ipameri (Goiás), na Fazenda Santa Brígida. Em 2006, a propriedade tinha prejuízos de R$ 200 reais/hectare. Hoje o lucro líquido é de R$ 2.700 reais/hectares, gerando R$ 16 milhões/ano. “São sistemas que permitem aumentar a produção, alimentar a população, mitigar os gases de efeito estufa, reduzir desperdícios e atenuar prejuízos”, enumera William Marchió, diretor-executivo da Associação Rede Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (Rede ILPF). A Santa Brígida tornou-se uma vitrine de sustentabilidade ao produzir durante os 12 meses do ano.

A meta da Rede ILPF é chegar a 35 milhões de hectares, até 2030, revela Marchió. Para isso, a Rede conta com os parceiros, entre eles, a Cocamar Cooperativa Agroindustrial (PR), que ao levar a cultura da soja às regiões arenosas promoveu uma transformação no campo ao avançar sob pastos degradados, é o que afirma o presidente da instituição, Luiz Lourenço.  

Presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja/MS), Juliano Schmaedecke, também é outro aliado. Ele conta que o Estado de Mato Grosso do Sul nos últimos três anos apresenta índices de produtividade da soja em alta. Nesta safra 2018/2019, o aumento foi de 10% e ele credita, dentre outros fatores, a produção em áreas, antes degradadas, recuperadas com o uso de sistemas integrados. “Ao redor de 30% do negócio de muitos produtores em MS são em solos arenosos. A expansão passa pela busca e adoção de tecnologias como essas”, destaca. 

A Rede ILPF é uma parceria público-privada, formada pela Embrapa, Cocamar, Bradesco, Ceptis, John Deere, Premix, Soesp e Syngenta. O seu objetivo, segundo Marchió, é ampliar a adoção desses sistemas integrados por produtores rurais e, assim, intensificar agricultura brasileira, de forma sustentável. 

Entretanto, a intensificação passa pela formulação de políticas públicas, o que esbarra em dois desafios – infraestrutura e logística, afirma Rogério Beretta, superintendente de Produção e Agricultura Familiar do Governo do Estado de MS. “São dois pontos que muitas vezes não acompanham a velocidade da iniciativa privada”, frisa. O Estado, em 2010, criou o Fundems (Fundo para o Desenvolvimento das Culturas de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul), com o intuito de oferecer suporte tecnológico e infraestrutura ao setor, além de desenvolver pesquisas apoiando fundações estaduais, como Fundações Chapadão e MS. 

Beretta, Schmaedecke, Lourenço e Marchió participaram do painel de abertura do III Simpósio Brasileiro de Solos Arenosos, que começou hoje (7), na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Campo Grande, e segue até sexta-feira. Os especialistas Érico Paredes (Biosul) e  Dito  Mário (Reflore MS) também se  apresentaram  no  painel. Os solos arenosos são de texturas mais leves, frágeis e representam menos de 10% dos solos brasileiros. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, entre 15 e 20%, e o equivalente no Bioma Cerrado.  

Simpósio – O III Simpósio Brasileiro de Solos Arenosos é realizado pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS) e Embrapa, com o tema “Intensificação agropecuária sustentável em solos arenosos” e programação composta por palestras, mesas-redondas, apresentações de resumos e visita técnica. 

 

Foto: Kadijah Suleiman

Dalizia Montenario de Aguiar (MTb 28/03/14/MS) 
Embrapa Gado de Corte 

Embrapa e parceiros promovem dias de campo no sul, médio norte e norte de Mato Grosso – 24/04/2019

Nos próximos dias a Embrapa e o Senar-MT, e outros parceiros promoverão três dias de campo em Mato Grosso sobre sistemas integrados de produção agropecuária. Os eventos serão realizados em Itiquira, no sul do estado, em 27 de abril, em Nova Guarita, na região norte, em 4 de maio e em Sinop, no médio norte, nos dias 9 e 10 de maio.

As inscrições para os três eventos estão abertas e podem ser feitas gratuitamente pelo site da Embrapa Agrossilvipastoril, que é o www.embrapa.br/agrossilvipastoril.

A programação de cada evento é diferente, porém em comum, todos eles abordarão tecnologias para sistemas produtivos, como integração lavoura-pecuária (ILP) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

Dia de campo em Itiquira
O primeiro evento da sequência é o 5º Dia de Campo de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e da Agricultura de Baixa Emissão de Carbono no Sul Mato-grossense. Ele será realizado neste sábado, dia 27, na fazenda Gravataí Agro, no município de Itiquira.

A Gravataí Agro mantém Unidades de Referência Tecnológica (URT) de ILP e IPF, e foi o local onde foi desenvolvido e validado o Sistema Gravataí, um consórcio de capim com feijão-caupi para pastejo de boi safrinha em sistemas ILP.

Os resultados com o uso do Sistema Gravataí serão apresentados no evento, bem como informações sobre o manejo utilizado pela fazenda e sobre a utilização de eucalipto de alta densidade em sistemas silvipastoris.

A programação completa pode ser conferida no site www.embrapa.br/agrossilvipastoril/dc-itiquira, onde também é possível fazer a inscrição.

Dia de campo em Nova Guarita
O 3º Dia de Campo sobre Integração Lavoura-Pecuária JP Agropecuária e Embrapa Agrossilvipastoril será realizado na Fazenda Pontal, em Nova Guarita, no sábado, dia 4 de maio.

A Fazenda Pontal trabalha com cria de nelores e tem trabalhado em parceria com a Embrapa na validação do uso de consórcios forrageiros na integração lavoura-pecuária.

Parte desse trabalho será apresentado no dia de campo, que também terá apresentações sobre o Sistema Pontal, que envolve a gestão de pastagens, a estação de monta invertida e a ILP.

A programação completa e o formulário para inscrições estão disponíveis em www.embrapa.br/agrossilvipastoril/dc-pontal.

Dia de campo na Embrapa, em Sinop
O último evento da sequência será realizado na própria Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop. Será o 9º Dia de Campo sobre Sistemas Integrados de Produção Agropecuária. Assim como em 2018, neste ano serão dois dias em que a programação se repete: 9 e 10 de maio. No momento da inscrição o público deverá escolher em qual dos dois dias pretende participar.

Este dia de campo é o maior evento de transferência de tecnologia promovido pela Embrapa em Mato Grosso e anualmente vem reunindo centenas de participantes, entre produtores, técnicos e estudantes de diferentes regiões do estado.

Realizado na vitrine de tecnologias da Embrapa, neste ano ele abordará inoculação de braquiárias com Azospirillum, tecnologias de pesagem de bovinos sem interferência humana, consórcios para segunda safra, ILPF para pequenas propriedades, monitoramento de resistência de lagartas à inseticidas nas lavouras, cultivares de forrageiras e produção de energia a partir do eucalipto.

A programação completa e o formulário de inscrições podem ser acessados em www.embrapa.br/agrossilvipastoril/dia-de-campo.

 

Foto: Gabriel Faria

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG JP) 
Embrapa Agrossilvipastoril 

Contatos para a imprensa 
 
Telefone: 66 3211-4227

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Tecnologias para melhoria de pastagens serão mostradas em Sinop – 01/05/2019

Uma inovação que possibilita o aumento da biomassa da braquiária e do teor de proteína da pastagem será uma das novidades apresentadas no 9º Dia de Campo sobre Sistemas Integrados de Produção Agropecuária. O evento será realizado pela Embrapa e Senar-MT, nos dias 9 e 10 de maio, na Embrapa Agrossilvipastoril.

A tecnologia consiste na inoculação das sementes do capim com estirpes selecionadas da bactéria Azospirillum brasilense. Este microrganismo promove o crescimento da planta, por meio da produção de fitormônios. O resultado é o maior desenvolvimento de raízes, possibilitando melhor absorção dos nutrientes.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Soja Marco Antonio Nogueira, a utilização deste inoculante resulta na produção de 15% a mais de biomassa e aumento em 10% no teor de proteína da gramínea, somando um incremento de até 25% na oferta proteica da pastagem.

Esta forrageira pode ser usada tanto para alimentação animal, com melhor qualidade de alimento, quanto para a cobertura em sistema de plantio direto. Nesse caso, há maior aporte de carbono no solo.

Marco Antônio Nogueira explica também que as plantas inoculadas apresentam maior eficiência na absorção dos fertilizantes nitrogenados, gerando economia para o produtor.

“Em nossos ensaios aplicamos 40 kg/ha de ureia, 30 dias após a semeadura. Verificamos que a maior eficiência de absorção de nitrogênio pelas plantas inoculadas correspondeu ao equivalente a uma segunda aplicação da mesma dose. É uma grande economia, considerando o alto custo do adubo nitrogenado e que o custo com a inoculação é de R$ 10 à R$ 12 por hectare”, explica o pesquisador.

 Além dos benefícios agronômicos e financeiros, a inoculação com Azospirillum também gera impacto ambiental. A maior produção de biomassa favorece o sequestro de carbono da atmosfera. Ao mesmo tempo, a redução da adubação nitrogenada resulta em menor emissão de óxido nitroso, um dos gases causadores do efeito estufa.

Melhoria da pastagem por meio de consórcios

Outra alternativa para melhoria da qualidade das pastagens que será apresentada no dia de campo será o uso de consórcios forrageiros. Um deles é o Sistema Gravataí, formado por braquiária e feijão-caupi. A leguminosa fixa nitrogênio no solo, disponibilizando-o para a forrageira. Além disso, sendo palatáveis, as plantas de feijão são pastejadas pelo gado, aumentando o teor de proteína a dieta.

Desenvolvido para ser usado em sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP), o Sistema Gravataí melhora o desempenho também da cultura agrícola utilizada na sequência.

As técnicas de implantação, o manejo correto e os desafios no controle de pragas, principalmente a vaquinha, serão apresentados pelo pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril Flávio  Wruck.

Os participantes do dia de campo que quiserem conhecer mais opções de consórcios forrageiros poderão acompanhar uma das estações satélites, de visitação optativa. Nela os professores da UFMT Onã Freddi e Arthur Behling mostrarão alternativas com uso de nabo forrageiro, trigo mourisco, niger, crotalárias, guandu, entre outras plantas de diferentes famílias.

Além de ver o comportamento dos consórcios no campo, o público poderá acompanhar resultados das avaliações feitas em relação a qualidade do solo e ganho de produtividade na lavoura subsequente.

Em outra estação satélite, os participantes do dia de campo também poderão conhecer e tirar dúvidas sobre as plantas forrageiras lançadas pela Embrapa. A equipe do Grupo de Estudos em Pecuária Integrada da UFMT (Gepi) estará no campo agrostológico da Embrapa pronta para prestar as informações sobre cada cultivar.

Inscrições

O 9º Dia de Campo sobre Sistemas Integrados de Produção Agropecuária será realizado nos dias 9 e 10 de maio, na Embrapa Agrossilvipastoril. A programação dos dois dias é a mesma, possibilitando ao participante escolher o melhor dia.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas antecipadamente pelo site www.embrapa.br/agrossilvipastoril.

Promovido pela Embrapa e Senar-MT, o dia de campo conta com apoio da Acrimat, Coimma, Gepi, Rede ILPF, UFMT e Estância Vanda. Conta ainda com patrocínios da Acrinorte e da Unipasto.

 

Foto: Gabriel Faria

 

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