Autor: admin
ILPF Resulta em maior ganho de peso na pecuária de corte
Manejo integrado de pragas na safrinha do milho
Manejo de pastagem em sistema silvipastoril – Orlando Oliveira (Embrapa Agrossilvipastoril)
Gestão de pessoas na ILP
Opções de consórcios para segunda safra em Mato Grosso – Flávio Wruck (Embrapa)
Componente florestal na ILPF
Gado em sistema integrado com floresta procura menos água – 28/08/2018

Vacas com bezerro participaram do experimento no sistema ILPF
Resultados de pesquisa envolvendo o comportamento de bovinos revelam que animais criados em sistemas integrados com árvores frequentam menos os bebedouros em comparação com aqueles criados em sistemas convencionais, a pleno sol. A redução chega a 19%, de acordo com estudo desenvolvido na Embrapa Pecuária Sudeste (SP). Trata-se de uma das vantagens de sistemas de produção como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que vem sendo adotada gradativamente no País, chegando a quase 12 milhões de hectares.
Essa e outras vantagens da estratégia de produção ILPF são relatadas pelo pesquisador Alexandre Rossetto Garcia, que trabalha com biotecnologia da reprodução animal. Ele integra uma equipe multidisciplinar que vem comparando a criação de bovinos nos sistemas integrados e convencionais.
Rossetto é orientador da dissertação de mestrado de Alessandro Giro, da Universidade Federal do Pará (UFPA), médico veterinário que desenvolveu a pesquisa sobre o conforto térmico dos bovinos criados em ILPF. Durante a pesquisa, foram avaliados também o comportamento dos animais e a frequência de ida a bebedouros e cochos de sal mineral. O consumo de água em volume não foi diretamente medido. O trabalho de campo foi realizado de janeiro a junho de 2017 e a dissertação foi defendida em julho de 2018.
O trabalho foi feito por observação visual em campanhas mensais de dois dias consecutivos, ao longo de oito horas por dia. A equipe ficava a uma distância que não interferisse no comportamento dos animais. O estudo constatou que, no período da tarde, 87% dos animais que estavam expostos ao sol foram ao bebedouro. Na área sombreada, esse índice caiu para 63% no mesmo período. A diferença foi maior nos meses de janeiro a março, quando as temperaturas, em geral, são mais elevadas.
Sistemas ILPF otimizam os recursos naturais
“Na área de ILPF, onde estão as árvores, buscamos também observar se os animais procuravam mais os espaços sombreados ou com sol. Medimos o tempo em minutos em que eles permaneceram no sol e na sombra. Constatamos que eles preferem a sombra, independentemente do turno”, afirmou Alessandro. Os animais que tiveram possibilidade de escolha entre sol e sombra passaram mais tempo pastejando, em ócio ou ruminando sob a copa das árvores.
O animal que sofre com o estresse pelo calor reduz a ingestão de alimentos. “Quando se abriga na sombra, a carga térmica sobre o animal diminui e ele tem menor necessidade de dissipar o calor para o meio. Isso reduz a ofegação e a transpiração, minimizando a demanda por ingestão de água”, explica Rossetto.
Quando precisa dissipar calor, o animal gasta energia em processos não relacionados à produção de leite e carne e à reprodução. Segundo o pesquisador da Embrapa, a ILPF permite o uso mais inteligente do recurso natural. O sombreamento reduz a temperatura ambiente em até 5ºC, o que é relevante para o conforto térmico e o bem-estar animal.
Precisão no monitoramento do gado
Rossetto explica ainda que a variação de 0,5 ºC na temperatura interna dos animais é bastante expressiva. Os termógrafos utilizados para medir as temperaturas de superfície dos bovinos são muito precisos, chegando a mensurar os centésimos de graus. Segundo ele, dois fatores influenciam o bem-estar animal: o microclima (conjunto de informações que pode ser avaliado com auxílio de estações meteorológicas) e as condições térmicas dos indivíduos nessas áreas.
Em estudos mais recentes, outros equipamentos têm ajudado a ciência a levantar dados para monitorar o gado. A Embrapa Pecuária Sudeste também consegue informações sobre comportamento animal graças a adaptações de técnicas disponíveis no mercado. Pesquisadores têm trabalhado em projetos de pecuária de precisão, utilizando um sistema computadorizado que identifica o deslocamento, o ócio e a ruminação a partir de colares com sensores acoplados.
Para que os equipamentos funcionem em áreas de pastagens para gado de corte, inclusive em ILPF, foi preciso instalar antenas para emitir os sinais sem fio e placas de energia solar para alimentar o sistema. As placas solares para captação de energia foram desenvolvidas pelo centro de pesquisa como forma de reduzir custos e viabilizar o uso de equipamentos a campo. Originalmente, a empresa privada que produziu o sistema computadorizado direcionou os equipamentos para monitorar gado de leite, que tem movimentações diárias mais previsíveis, como o momento das ordenhas.
De acordo com Edilson da Silva Guimarães, supervisor do Núcleo de Tecnologia da Informação, a Embrapa Pecuária Sudeste indicou a essa empresa adaptações para os sistemas de energia e de comunicação. “A transmissão de dados é feita de uma antena a outra, como se fosse uma malha. Sugerimos que mudassem o tipo de antena para melhorar a comunicação entre elas”, afirmou. Os dados coletados pelos sensores são enviados para uma central e podem ser acessados a distância, em computadores. Esses equipamentos foram adquiridos com recursos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) com contrapartida da Embrapa.
O trabalho avaliou comportamento de fêmeas bovinas de corte em pastagens sem árvores com o sistema wireless de monitoramento e foi apresentado no III Workshop Internacional de Ambiência de Precisão, em 2017, em Campinas.
Pesquisas multidisciplinares
A equipe multidisciplinar da Embrapa Pecuária Sudeste estuda na ILPF, além do comportamento animal, a disponibilidade e qualidade de forrageiras, a fertilidade do solo, o desenvolvimento do componente arbóreo, a produtividade agrícola, o desempenho e eficiência reprodutiva do componente animal, além de algumas ações que investigam a emissão de metano e a microbiota do solo.
De acordo com Rossetto, o comportamento dos bovinos está muito relacionado à interação entre eles e à ocupação do espaço. Perguntas como “os animais aproveitam a sombra?” e “em que momentos do dia preferem as áreas sombreadas?” ajudam a ciência a entender melhor as diferenças entre os sistemas integrados com árvores e a criação exclusiva no sol.
Conforto térmico e capacidade reprodutiva
A fertilidade de bovinos também pode ser afetada pela exposição a temperaturas elevadas e à radiação solar intensa. Sempre que a temperatura corpórea dos bovinos de corte ou de leite aumenta, uma série de consequências negativas se desencadeia. Quando um animal sente desconforto devido ao calor, ele passa a produzir uma quantidade maior de cortisol, hormônio diretamente ligado ao estresse. De acordo com Rossetto, o aumento da concentração desse hormônio faz com que os animais se alimentem menos, o que prejudica significativamente a produção. Em um animal de corte, o crescimento é menor e, consequentemente, a produtividade.
Do ponto de vista reprodutivo, os altos índices termocorpóreos representam prejuízos ao produtor. Por exemplo, quando a temperatura corpórea de um touro aumenta, a temperatura interna dos testículos também sobe. Isso faz com que a qualidade do sêmen reduza. Na fêmea, o processo é similar. Quando sua temperatura interna aumenta, os ovócitos produzidos são de baixa qualidade, impedindo, muitas vezes, a fecundação.
Caso ela ocorra, o embrião exige condições favoráveis para seu desenvolvimento e a temperatura ideal é uma delas. O feto é altamente sensível às oscilações térmicas e pode até morrer precocemente, sem que os profissionais que acompanham a gestação percebam. Ainda assim, em situações de estresse durante a fase gestacional, o desenvolvimento e a funcionalidade da placenta são prejudicados e o feto pode apresentar malformações.
As pesquisas sobre conforto térmico e eficiência reprodutiva foram feitas com novilhas e fêmeas adultas de corte em projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Rossetto está planejando a continuidade de pesquisas nessa linha com machos em idade reprodutiva.
Ana Maio (MTb 21.928/SP)
Embrapa Pecuária Sudeste
Vacas produzem quase 20% a mais de embriões em áreas sombreadas

Vacas com bezerro participaram do experimento no sistema ILPF
Vacas que vivem em áreas sombreadas em sistemas integrados de produção (com lavoura, pecuária e floresta) têm apresentado resultados satisfatórios também quando o assunto é eficiência reprodutiva. Um estudo que compara as vacas a pleno sol com as que têm acesso à sombra foi desenvolvido na Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP) em um projeto que avaliou o conforto térmico e a eficiência reprodutiva, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Embrapa.
O resultado dessa pesquisa acaba de ser premiado na 32ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões, considerada o maior congresso de reprodução animal do país. O estudo foi apresentado pela doutoranda Amanda Prudêncio Lemes, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal. O experimento foi desenvolvido no sistema ILPF (Integração Lavoura- Pecuária-Floresta) da fazenda Canchim, onde funciona a Embrapa Pecuária Sudeste. A competição para estudantes nas categorias “área aplicada” e “área básica” aconteceu de 16 a 18 de agosto em Florianópolis (SC).
Amanda foi orientada pela professora Lindsay Gimenes, da Unesp, e coorientada pelo pesquisador Alexandre Rossetto, da Embrapa. Os dois estiveram no congresso e acompanharam a premiação.
De acordo com Rossetto, o estudo indica que as vacas que vivem em pleno sol apresentaram taxa de produção de embriões de 36%. Já as que vivem em área sombreada tiveram um incremento nessa taxa, que chegou a 43%. Esse aumento de 7 pontos percentuais – equivalentes a quase 20% – representa um impacto significativo, segundo Rossetto, especialmente porque o experimento foi realizado em um sistema já ajustado e que apresenta boas taxas de produção de embriões.
O experimento foi feito com 18 vacas com bezerros ao pé mantidas no sistema ILPF da Embrapa durante o verão e o outono. Essas vacas pariram no sistema e, uma vez por mês, eram levadas ao curral para aspiração de folículos ovarianos, onde ficam os gametas. Esses gametas foram entregues a um laboratório particular em Cravinhos (SP), que produziu os embriões.
“A produção de embriões foi usada como medida da eficiência reprodutiva”, explicou Rossetto. Os resultados mostraram que o microclima mais favorável observado no sistema ILPF, com menor incidência de radiação solar sobre os animais, contribuiu para o aumento na produção de embriões.
São parceiros do projeto a Embrapa Pecuária Sudeste, Unesp de Jaboticabal, Universidade Federal Fluminense (UFF), Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, Universidade Federal do Pará (UFPA), Oregon State University (EUA), Laboratório Vitrogen (Cravinhos-SP) e GS Reprodução Animal.
Em outro estudo recente, a Embrapa Pecuária Sudeste já havia constatado que a criação de animais em sistemas integrados indicou que matrizes de corte que permanecem em área sombreada procuram menos os bebedouros. A frequência em busca de água chega a cair 19% em sistemas com árvores.
Foto: Alexandre Rossetto
Ana Maio (Mtb 21.928)
Embrapa Pecuária Sudeste
Integração Lavoura-Pecuária leva soja ao noroeste do Paraná – 30/10/2018

Fazenda Flor Roxa conseguiu plantar em solo arenoso após uso do ILP
A produção de gado e de grãos no mesmo espaço, técnica conhecida como Integração Lavoura-Pecuária (ILP), tem mudado a paisagem do noroeste paranaense ao conseguir um feito antes considerado improvável: implantar lavouras de soja na região conhecida por solos arenosos. Trabalhada por lá desde os anos 2000, a ILP conseguiu recuperar as pastagens degradadas e aumentar a produtividade, o que trouxe benefícios ambientais e econômicos para a região.
“Era um desafio produzir grãos no arenito, já que o solo tem baixa capacidade de retenção de água e o calor influencia a demanda maior de água pelas plantas. A adoção da ILP vem colaborando com a mudança dessa realidade”, conta o pesquisador Alvadi Balbinot, da Embrapa Soja (PR). A cadeia produtiva agropecuária mais importante da região é a pecuária de corte, com cerca de dois milhões de cabeças de gado.
Produtor pioneiro, César Vellini destaca vantagens de integração Lavoura Pecuária no Arenito Caiuá, no Paraná
Produtividade acima da média do estado
Até o início dos anos 2000, a atividade principal da fazenda Flor Roxa, com aproximadamente 1,6 mil hectares, em Jardim Olinda, no noroeste do Paraná, era a criação de bovinos. O produtor César Vellini explica que as pastagens estavam em estado avançado de degradação e que, buscando novas opções para diversificar, resolveu introduzir a soja no sistema. Aos poucos, Vellini foi transformando a realidade da fazenda a partir da ILP. A cada dois anos, são alternados os cultivos, por meio de um planejamento rotativo em 33% da área. A soja e a cana entram no verão, com milho e braquiária no inverno.
Os resultados têm surpreendido. Na safra 2016/2017, por exemplo, na Fazenda Flor Roxa a média de produtividade da soja foi 74 sacas por hectare, enquanto a média do Paraná foi de 61 sacas por hectare. Apesar da produtividade elevada, o produtor insiste na rotação que é recomendada pelo sistema. “Sei que não dá para plantar apenas soja, porque a gente tem que pensar no sistema como um todo para ter mais vantagens econômicas e ambientais em todas as atividades no futuro”, afirma.
A segurança na adoção da ILP, de acordo com Vellini, vem da certeza dos benefícios que retornam em longo prazo. Uma das vantagens é a fertilidade do solo. “A gente faz a reforma de pasto praticamente sem custo, ou melhor, a fertilidade empregada na soja paga a reforma do pasto”, explica. “Se a gente não faz isso, a pastagem vai se degradando e o gado fica sem alimento. Hoje tenho pasto de sobra aqui na fazenda para alimentar os animais. E ainda reduzo o custo e aumento a produtividade”, comemora.
Solo e clima desafiadores
O noroeste do Paraná abriga o Arenito Caiuá, formação de solo presente em 107 municípios do estado. Esse Arenito é caracterizado por solos arenosos (entre 10% e 30% de argila) espalhados em mais três milhões de hectares. Além disso, a região tem ainda baixa altitude, o que favorece o calor excessivo no verão. Essas características propiciaram a instalação da produção de gado de corte e leite e a manutenção de pastagens perenes. “Vale destacar que os solos arenosos têm pouca resistência ao processo erosivo e baixa fertilidade, favorecendo a degradação das pastagens”, avalia Balbinot. O pesquisador explica ainda que, em geral, não são realizadas adubações de correção e a manutenção necessária para que haja qualidade das forrageiras.
Modelo de ILP para clima tropical e solos arenosos

Associada à bovinocultura, a região do arenito sempre contou com cultivos de cana-de-açúcar e produção de mandioca, mas a produção de grãos encontrava várias limitações. A adoção da ILP e, em especial, a possibilidade de produzir soja com sustentabilidade, estimulou alguns produtores a driblarem as adversidades nas últimas duas décadas.
No entanto, ao iniciar a introdução da soja na região, no início dos anos 2000, Balbinot conta que os produtores tiveram dificuldade em manejar a erosão e controlar as plantas daninhas. Além disso, não havia cultivares de soja resistentes ao glifosato, o que dificultava o controle da braquiária no meio da lavoura da leguminosa. “Hoje com tecnologia disponível é possível manejar as dificuldades”, afirma.
Para o pesquisador, a adoção de estratégias preconizadas no sistema de plantio direto e essencialmente a utilização da diversificação de culturas é determinante para produzir soja na região. A adoção do plantio direto, segundo ele, ajuda na conservação do solo e da água, porque minimiza a erosão; aumenta a retenção de água e nutrientes no solo; melhora os atributos biológicos do solo e reduz os picos de temperatura; assim como diminui a infestação de plantas daninhas. “O plantio direto pode ser considerado ’pedra angular‘ para o cultivo de espécies anuais em solos arenosos, incluindo a soja”, destaca o cientista da Embrapa.
O pesquisador ressalta ainda que é importante considerar o sistema de ILP como um todo, identificando a produtividade e o custo de produção de todas as atividades para se obter os melhores resultados. “Os benefícios da ILP no noroeste paranaense vão muito além do fortalecimento do agronegócio, pois também tem contribuído para o desenvolvimento da região como um todo”, enfatiza.
Pesquisador Alvadi Balbinot explica como a sinergia entre pecuária e produção de grãos favorece o agronegócio no arenito Caiuá, no Paraná.
Balbinot diz que um modelo de produção que vem demonstrando viabilidade operacional e econômica é o que preconiza 50% da área com pastagens (braquiária ruziziensis ou braquiária brizanta) na época primavera/verão e 100% no outono/inverno, época de menor produção forrageira. “A inserção da soja após a manutenção da pastagem perene por dois anos se justifica em razão da perda de produtividade de forragem após o segundo ano”, explica Balbinot. “Por outro lado, a implantação de pastagem perene, após duas safras de soja, melhora a qualidade física do solo”, explica o pesquisador. “Com o modelo utilizado, há menores variações de produção forrageira entre as estações do ano, reduzindo o uso de forragem conservada na forma de silagem ou feno”, comenta.
Lebna Landgraf (MTb 2903/PR)
Embrapa Soja
