Agropecuária brasileira ajuda a salvar o planeta, reconhece a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima

A ILPF(integração lavoura-pecuária-floresta), a agricultura de precisão e a tecnologia baseada em ciência já levaram o Brasil ao ser um dos maiores exportadores globais de commodities. Agora, o agronegócio brasileiro começa a ser reconhecido como uma peça importante no tabuleiro global dos impactos das mudanças climáticas e pode contribuir para salvar o planeta.

O desenvolvimento da atividade agrícola brasileira acaba de ser citado em um importante relatório do secretariado da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (United Nations Framework Convention on Climate Change – UNFCCC), relacionado aos trabalhos realizados no âmbito da reunião de Koronivia para a agricultura. O UNFCCC é o tratado internacional resultante da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. O Koronivia uma instância importante nas negociações sobre agricultura, dentro da UNFCCC, que busca valorar a importância da agricultura e da segurança alimentar na agenda de mudanças climáticas.

“Trata-se de uma citação importante para o Brasil, porque representa o reconhecimento do valor da pesquisa agropecuária em benefício do desenvolvimento nacional, que dá visibilidade à ciência agrícola brasileira como referência mundial”, diz Gustavo Mozzer, pesquisador da Embrapa (Empresa de Pesquisa Agropecuária Brasileira), que integra a equipe do Polg (Núcleo de Políticas Globais) da gerência de relações estratégicas internacionais da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas, responsável pela coordenação do trabalho, com o apoio do Portfólio de Mudança do Clima.

A ILPF, por exemplo, é citada como a responsável por contribuir com a segurança alimentar e o desenvolvimento socioeconômico. A agricultura de precisão e a tecnologia baseada em ciência são reconhecidas por elevarem a produtividade e reduzirem em 50% o preço dos alimentos. O conjunto da obra contribui para a segurança alimentar, o desenvolvimento sustentável e a renda dos agricultores.

O secretariado da UNFCCC destaca no texto que a produtividade brasileira aumentou 386% e a área agrícola apenas 83%. Isso significa a preservação de 120 milhões de hectares de floresta. “A chave para isso foi o investimento do Brasil em políticas públicas relevantes e tecnologia de base científica”, diz o texto, ressaltando a promoção da agricultura, baseada na intensificação sustentável, a inovação tecnológica, a adaptação às mudanças climáticas e a conservação dos recursos naturais. Ainda de acordo com o relatório, “o Brasil pretende continuar esses esforços e usar oportunidades de cooperação intercâmbio de conhecimento e apoio multilateral como estratégias-chave para alcançar o desenvolvimento sustentável e a segurança alimentar”.

De acordo com Mozzer, no ano passado foram encaminhadas duas submissões ao processo de negociação na UNFCCC. Uma delas sobre temas relacionados à pecuária e aspectos socioeconômicos dos sistemas de produção agrícola e a segunda com foco no diálogo sobre terra e oceanos, e do reforço de ações voltadas à mitigação e adaptação às mudanças do clima que ocorreu durante a COP (Conferência das Partes) virtual no final de 2020.

O resultado do trabalho, coordenado pela Polg, assegura que os componentes científicos estratégicos para agricultura nacional e para a Embrapa sejam incorporadas como elementos das negociações relacionadas à agricultura no contexto da negociação internacional sobre mudança do clima. “Em alinhamento aos interesses nacionais, isso tem dado visibilidade e o devido reconhecimento aos fundamentos científicos que caracterizam a tecnologia agrícola tropical desenvolvida pela Embrapa e outras instituições parceiras”, afirma Mozzer. “Em consequência, caminhamos para um reconhecimento do potencial de sustentabilidade do produto agrícola nacional.” (Com Embrapa)

Fonte: https://forbes.com.br/forbesagro/2021/05/agropecuaria-brasileira-ajuda-a-salvar-o-planeta-reconhece-a-convencao-quadro-das-nacoes-unidas-sobre-mudanca-do-clima/

Rede ILPF entra na briga para atrair investidores em sistemas de integração no País

Renato Rodrigues, biólogo, pesquisador da Embrapa Solos, no Rio de Janeiro (RJ) e presidente do Conselho Gestor da Associação Rede ILPF. Foto: Divulgação/Embrapa

Lideranças da entidade querem alcançar US$ 1,4 bilhão em recursos para o projeto brasileiro nos próximos seis anos

Nesta semana (29/9), a Associação Rede Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, a Rede ILPF, apresentou oficialmente o fundo Financiamento Facilitado para Agricultura Sustentável (SAFF, na sigla em inglês). O foco, a partir de agora, é mostrar a outros  investidores nacionais ou estrangeiros o quanto a transformação de uma área de pastagem degradada em uma área mais produtiva, com maior lotação de animais e com mais atividades agregadas à criação de gado, pode ser mais lucrativa para eles também.

O aporte inicial anunciado foi de US$ 86 milhões, vindos do Banco Mundial. Para os próximos meses, está na agenda dos diretores da Rede ILPF reuniões com mais investidores. As rodadas de negócios prometem ser bem intensas, segundo o biólogo Renato Rodrigues, pesquisador da Embrapa Solos, no Rio de Janeiro, e presidente do Conselho Gestor da Associação Rede ILPF. A meta é somar US$ 1,4 bilhão dentro de seis anos.

“A pecuária é o ponto principal dessa história”, afirma Rodrigues.

Criada em 2012, a Rede ILPF passou a ser uma associação em 2018. Entre os seus associados estão Embrapa, Bradesco, Ceptis, Cocamar, John Deere, Soesp e Syngenta. O fundo servirá, justamente, para acelerar o propósito do grupo: tornar cada vez mais áreas de pastagens degradadas em sistemas mais produtivos com algum dos 4 tipos de consórcio: pecuária-lavoura, pecuária-floresta, lavoura-pecuária-floresta ou lavoura-floresta.

A meta para os próximos dez anos é que o País saia de uma área de 16 milhões de hectares de ILPF para 30 milhões de hectares. Além de elevar a produtividade da pecuária, da média atual de 1,2 unidade animal ( 1 UA equivale a 450 quilos) por hectare, para uma lotação de até três UAs por hectare.

Benefício a quem investe

Desde que a Rede ILPF se tornou uma associação independente, ela começou a programar esse grande passo para a captação de recursos. A aposta deu certo. O aporte do Banco Mundial já é a segunda da fila. A primeira foi uma captação a fundo perdido de US$ 23 milhões, vinda do governo britânico para monitorar o desempenho dos sistemas integrados.

No entanto, a aposta, daqui para frente, é criar fundos que rentabilizem os investidores, como é o SAFF. “Em época de economia mais travada se torna cada vez mais difícil captar recursos a fundo perdido. Por isso, fizemos uma modelagem financeira que permite a atratividade ao fundo, com um retorno garantido ao investidor”, explica Rodrigues.

O retorno financeiro do SAFF é entre 7,2% a 12,2% ao ano, aos investidores iniciais, e de 5,5% ao ano, para os investidores que forem entrando posteriormente. A operação ficará a cargo do Bradesco, associado à Rede ILPF, e à gestora de fundos brasileira JGP.

O tempo de permanência mínima é de dez anos no fundo. Além do retorno financeiro, os investidores terão nas mãos vantagens como o acesso a um mercado de créditos de carbono que também será estruturado através do fundo.

Quem terá acesso?

A ideia é que o fundo opere sempre em linha com projetos de ILPF desenvolvidos pela Rede e seus associados, ou que sejam de interesse dos investidores. Nesse primeiro momento, segundo Rodrigues, o fundo apoiará propriedades em sete Estados: Paraná, São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, totalizando 90 mil hectares.

O pecuarista terá taxas que variam de 4,5% ao ano a 9,1% ao ano. Conforme o produtor avance no desempenho de sustentabilidade, que serão monitorados, as taxas de juros podem cair até 25%. Isso fará com que a taxa de 4,5% ao ano passe para 3,38% ao ano.

“Quanto maior forem os índices de sustentabilidade da fazenda, menores serão suas taxas”, afirma o presidente da Rede ILPF.

Além do benefício financeiro, os produtores contarão com assistência técnica gratuita no que for necessário para a conversão de sua área e a certificação da propriedade.

Para o futuro é esperado que seis Estados se fortaleçam com o incremento de áreas consorciadas: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Rio Grande do Sul e São Paulo. No entanto, para Rodrigues, o Nordeste também deve ter bons resultados.

“A região do Sealba, que compreende os Estados de Sergipe, Alagoas e a Bahia, mais o Matopiba, em sua totalidade, também podem ter grande crescimento da adoção de sistemas de integração”, diz Rodrigues.

 

Fonte: https://www.portaldbo.com.br/rede-ilpf-entra-na-briga-para-atrair-investidores-em-sistemas-de-integracao-no-pais/

Necessidade de redução das emissões de carbono alavanca sistemas ILPF no mundo

A demanda global pela descarbonização da economia, como forma de frear o aquecimento global, está levando muitos países a estimularem a adoção de sistemas sustentáveis, como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Os cenários e tendências da ILPF no mundo foram discutidos durante o II Congresso Mundial sobre sistemas ILPF, que iniciou nesta terça-feira de forma virtual.

Assim como no Brasil políticas como o Plano ABC e Plano ABC+ buscam ampliar a área com tecnologias de baixa emissão de carbono, países como Nova Zelândia e Austrália possuem políticas visando acabar com as emissões líquidas de carbono na agricultura e pecuária até 2030 e 2050, respectivamente.

De acordo com o palestrante Richard Eckard, da Universidade de Melbourne (AUS), há um incentivo para produtores plantarem árvores em pastagens e áreas de lavoura como forma de sequestrar carbono. O governo australiano, por exemplo, já vem realizando leilões de compra de créditos de carbono gerados por produtores.

Eckard mostrou ainda que o uso de árvores em sistemas silvipastoris com ovinocultura tem trazido benefícios relevantes, como a redução em 10% da morte de cordeiros devido ao conforto térmico gerado pela proteção tanto do calor quanto do vento em períodos frios.

“Créditos de carbono sozinhos não são capazes de fazer com que produtores plantem árvores. Mas combinando os benefícios múltiplos, isso pode incentivá-los. Estamos trabalhando para mudar isso”, afirma Eckard.

Demanda do mercado

Além de ser uma política dos governos, neutralização das emissões de carbono visa atender um mercado crescente por produtos com baixa emissão ou com emissão líquida zero de carbono.  Grandes empresas já estão demandando esse tipo de produto, principalmente na Europa.

De acordo com Paul Burgess, da Cranfield University, no Reino Unido, algumas redes de supermercados inglesas já estão comprando apenas carnes vindas de fazendas que utilizam técnicas sustentáveis na pecuária. Esse movimento vem incentivando o aumento da adoção de sistemas silvipastoris. Já são adotados há anos em países europeus, esses sistemas agora estão sendo conduzidos com maior diversificação das espécies arbóreas.

A maior complexidade dos sistemas integrados, no entanto, é um desafio para os produtores europeus, que têm dificuldade de mão-de-obra no campo, disse o palestrante.

Os países da América Latina, por sua vez, têm nos sistemas ILPF a oportunidade de garantir o suprimento desse mercado cada vez mais exigente em produção sustentável de alimentos. Luis Valderrama, da Universidad de Colombia, diz que para esse potencial ser alcançado é preciso investimento dos governos, sobretudo apoiando pequenos agricultores. Para ele, a descarbonização da produção agropecuária pode trazer bom retorno aos produtores, com aumento da rentabilidade com a venda de madeira, de créditos de carbono e com recebimento de prêmio pago pela produção sustentável.

 

Dificuldades

Na África e na Ásia os sistemas ILPF como são usados no Brasil ainda são raridade. Nesses continentes, as formas mais comuns de sistemas integrados são as agroflorestas e algumas poucas áreas com sistemas silvipastoris. O indiano e professor na University of Florida, P. K. Ramachandran Nair, explica que há dificuldade em obter estatísticas sobre a área de adoção de ILPF nesses países e que a estrutura fundiária, baseada em pequenas propriedades e com baixo nível tecnológico, dificulta a adoção.

“Se a ILPF for vista como uma tecnologia para adoção em larga escala e com intensificação da produção, o potencial de adoção é limitado na região. Muito mais por aspectos sociais e econômicos do que por questões de condições de terra e clima”, afirma P. K. Ramachandran Nair.

Já nos Estados Unidos, Alan J. Franzluebbers, do USDA- North Carolina State University, mostrou que o setor agropecuário ainda vive um momento de alta especialização e concentração das terras, que resulta no mínimo uso de sistemas ILPF. Porém, ele afirma que o interesse pelos sistemas mais diversos começa a surgir na medida em que se observam os resultados econômicos. Questões ambientais, afirma, serão importantes para mudar as tendências.  

O painel Sistemas de ILPF no Mundo foi moderado pelo pesquisador da Embrapa Solos e presidente do conselho gestor da Rede ILPF, Renato Rodrigues.

 

Congresso 

II Congresso Mundial sobre Sistemas ILPF (World Congress on Integrated Crop-Livestock-Forestry Systems) ocorre nos dias 4 e 5 de maio de forma virtual. Reúne cerca de 1.300 participantes e conta com 30 palestras e apresentação de 156 trabalhos científicos. O evento é promovido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Embrapa, Rede ILPF, Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul e Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul. 

 

Fonte: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/61173800/necessidade-de-reducao-das-emissoes-de-carbono-alavanca-sistemas-ilpf-no-mundo

Rede projeta 35 milhões de hectares com sistemas de ILPF até 2030 | Embrapa

A Associação Rede ILPF lançou um desafio para o Brasil em um dos painéis on-line do II Congresso Mundial sobre Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (WCCLF 2021), nesta terça-feira (4/5): chegar em 2030 com 35 milhões de hectares com sistemas de ILPF, o dobro da área atual, e com sistemas integrados 50% mais produtivos, com pelo menos 3 milhões de hectares com integração lavoura-pecuária-floresta certificados e monitorados. “Com isso, conseguiríamos duplicar a produção brasileira de grãos, carne e leite, e transformaríamos de fato o Brasil na primeira grande potência agroambiental do planeta”, afirmou Renato Rodrigues, pesquisador da Embrapa Solos (RJ) e presidente do Conselho Gestor da Associação Rede ILPF.

O pesquisador também apontou uma grande oportunidade para o País conseguir neutralizar todas as suas emissões de gases de efeito estufa, a partir de cálculos e projeções feitos por pesquisadores da Rede ILPF. “Se convertermos metade da área [de 90 milhões de hectares] de pastagem degradada que temos hoje no Brasil para sistemas de ILPF, nós conseguiremos tornar o Brasil um país carbono neutro, ou seja, conseguiremos neutralizar todas as emissões de gases de efeito estufa não só do agro, mas de todos os setores, incluindo energia, indústria etc.”

Rodrigues salientou que os desafios colocados são enormes, mas é possível superá-los. “Claro que precisaremos de tempo para converter metade dessa área de pastagens degradadas e aumentar as áreas com sistemas de ILPF, mas nós estamos avançando rápido. Saímos de menos de 2 milhões de hectares de ILPF em 2005 para 11,5 milhões em 2015. Hoje já temos 17,4 milhões de hectares.”

O Brasil é reconhecido mundialmente como potência da agricultura e importante produtor de alimentos, com uma trajetória de sucesso nas últimas quatro décadas, período em que aumentou 60% das áreas para cultivo de grãos, enquanto a produção subiu 390%. “Isso representa um ganho de 200% em produtividade e um efeito poupa-terra de 200 milhões de hectares. Isso foi possível com agricultura baseada em ciência, empreendedorismo do produtor rural, forte atuação do setor privado, com parcerias público-privada como a Rede ILPF, além de políticas públicas e crédito rural”, lembrou o pesquisador.

Rodrigues também destacou a sustentabilidade da agricultura brasileira, apontando que o País consegue produzir enquanto preserva a natureza. “Hoje temos 66% da vegetação natural preservada, sendo que 20,5% estão dentro de áreas de produtores rurais, que são um grande agente de proteção dessa vegetação nativa.”

Desafios e oportunidades
Mas são muitos os desafios impostos para as próximas décadas. Globalização, crescimento populacional, esgotamento de recursos naturais, mudanças climáticas, degradação dos solos, necessidade de terras produtivas, urbanização crescente e complexidades geradas pela pandemia, aponta Rodrigues, exigirão ainda mais da agropecuária do Brasil, que tem papel fundamental na segurança alimentar do planeta.

“Lidar com esses desafios requer uma abordagem sistêmica que gerencie as complexidades de maneira sustentável, responsável e ética. O mundo tropical possui o que é preciso para transformar essa realidade. O Brasil tem um sistema muito bem estruturado de ciência e inovação no agro, possui clima adequado, terras que se encontram em algum nível de degradação e que ainda podem ser convertidas para terras mais produtivas. E contamos com o empreendedorismo tanto do produtor e do setor privado quanto do setor público”, ressalta.

Os sistemas de produção de alimentos baseados em baixa produtividade e que não tenham foco na saúde do ser humano e na conservação do meio ambiente não podem existir mais, de acordo com o pesquisador. “Temos o nível de consciência do consumidor cada vez maior, a necessidade de se adaptar às mudanças de climas futuros e a intensificação sustentável da produção. E os sistemas integrados de produção são a solução, em todas as combinações possíveis dos componentes lavoura, pecuária e floresta.”

Esses sistemas integrados são, segundo Rodrigues, passíveis de serem adotados por qualquer produtor, seja de pequeno, médio ou grande porte, em todos os biomas e em vários formatos, pois se adequam a qualquer realidade de propriedade rural. “Além disso, sistemas de ILPF adicionam valor ao produto e aumentam a qualidade ambiental da fazenda, reduzem a necessidade de abertura de novas áreas, com a capacidade de produzir mais em uma mesma área, e também mitigam e reduzem a emissão de gás de efeito estufa. A Rede ILPF vem trabalhando para promover e incentivar a adoção de sistemas integrados para o benefício sociedade. Por isso não atuamos só com produtores, a rede atua desde a indústria de insumos até o consumidor final, passando por todas as etapas de dentro da porteira”, concluiu.

Futuro promissor
Paulo Herrmann, presidente da John Deere do Brasil, também participou do painel e fez projeções otimistas sobre o avanço dos sistemas de ILPF e da agropecuária no Brasil. Ele lembrou que uma série de fatores fizeram com que o agro tropical brasileiro se tornasse tão pujante ao longo dos últimos 50 anos, chegando a uma produção atual de 275 milhões de toneladas de grãos.

Fruto, segundo ele, do investimento em ciência e tecnologia pelo poder público, a partir da criação da Embrapa, em 1973, e também do trabalho e empreendedorismo dos produtores, que apostaram desde as décadas de 1960 e 1970 na adoção do sistema plantio direto, muito eficaz no combate à erosão e na retenção de carbono no solo. Herrmann também salientou a importância fundamental da transformação produtiva do Cerrado e, já nos anos 1990, do advento da segunda safra, possíveis graças ao investimento em pesquisa e inovação. “E agora vem o coroamento de todo esse esforço, com os sistemas de integração entre o grão, a pecuária e a floresta, que estão sendo adotados não somente por pequenas propriedades. Cerca de 35% da área de grãos do Brasil já estão, de uma maneira ou outra, integrados”.

Herrmann acredita em um crescimento ainda mais forte do agro em um futuro próximo. “Nos próximos dez anos, com os investimentos que estão acontecendo neste momento em energia solar, em irrigação, em máquina agrícola, em semente e em molécula, dentro da propriedade, agregados aos investimentos direcionados na logística brasileira, para que os produtos sejam escoados para os portos mais rapidamente e de maneira mais barata, o agro brasileiro dará um salto ainda maior do que deu nos últimos 50 anos”.

O executivo projeta um crescimento nesta década na ordem de 200 milhões de toneladas de grãos ao ano, chegando a quase 500 milhões de toneladas, e agregação de mais 100 milhões de cabeças de gado às atuais 210 milhões, com intensificação sustentável e sem necessidade de abrir novas áreas para a produção. “Todo esse crescimento pode ser feito em cima de 30 milhões de hectares, que vão sair daquelas áreas onde já criamos os bois hoje, de maneira extensiva, com a lotação de 1,4 animal por hectare a mais. A integração é a grande ferramenta que temos disponível no momento”.

Importância do cooperativismo na adoção de Sistemas de ILPF
Renato Watanabe, gerente executivo da Cocamar, participou do painel e mostrou como a cooperativa vem implementando ações para incentivar a adoção da integração lavoura-pecuária na região noroeste do Paraná. O tema sistemas integrados é discutido há 20 anos entre os cooperados, especialmente por causa das dificuldades enfrentadas pelos produtores com os solos frágeis e suscetíveis à erosão da chamada região do arenito, onde a adoção de tecnologias sustentáveis é uma necessidade.

Criada em 1963, em Maringá (PR), por 46 pequenos produtores de cafés da região, a Cocamar conta hoje com 15 mil associados, com tamanho médio de 50 hectares por propriedade, que produzem sobretudo soja, milho, trigo, café e laranja, em 3,2 milhões de hectares no noroeste do Paraná, no oeste paulista e no sudoeste do Mato Grosso do Sul.

Na década de 2010, a cooperativa implementou seu programa de integração da lavoura de soja com a pecuária, para incentivar a adoção e oferecer assistência técnica aos produtores da região, a partir de parcerias firmadas com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (Iapar) e a Embrapa.

“Acreditamos que a pastagem é a verdadeira vocação da região do arenito, mas se quisermos melhorar a produtividade, teremos que melhorar as condições das pastagens degradadas e da pecuária na região. Pensamos para os próximos anos em uma pecuária que produza acima de 30 arrobas por hectare/ano, com uma média de 45 sacos de soja em sistemas integrados”, revelou Watanabe, citando resultados já obtidos em algumas propriedades.

Para auxiliar os cooperados no âmbito do projeto, a Cocamar tem investido na capacitação de sua equipe técnica formada por 120 agrônomos, sendo que 30 já estão treinados para os projetos de integração lavoura-pecuária, além da realização de diversos eventos de transferência de tecnologia, que chegavam a atender 18 mil produtores ao ano antes da pandemia. Além de campanhas de incentivo e encorajamento dos produtores para a adução do sistema integrado com soja e pecuária, com a realização de concursos e prêmios de produtividade.

O evento
O WCCLF 2021 está sendo promovido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e abastecimento (Mapa), Embrapa, Associação Rede ILPF, Sistema Famasul e Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar do MS (Semagro). O congresso, que termina nesta quarta-feira (5/5), tem como principal objetivo propiciar um fórum de discussão, com aprofundamento teórico e aplicações práticas sobre aspectos tecnológicos e de sustentabilidade econômica e ambiental de sistemas agrícolas consorciados que combinem a produção integrada da lavoura, da pecuária e da floresta na mesma área e com uso eficiente de insumos.

 

Fonte: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/61192805/rede-projeta-35-milhoes-de-hectares-com-sistemas-de-ilpf-ate-2030

 

Assista aos eventos sobre ILPF das últimas semanas – 13/04/2021

Perdeu algum evento on-line sobre ILPF de seu interesse? Confira o link dos eventos realizados no último mês e não perca as informações relevantes para você.

 

Série de webinar Mais Lucro/ha

Como aumentar a eficiência do manejo de pastagens no inverno

 

Silagem de inverno nota 10

 

 

III Encontro ABC Soja Sustentável

Manejo de palhada na entressafa

 

Lavoura e a inserção do componente animal: desafios e oportunidades

 

Integração com a pecuária na produção de soja (ILPF)

 

Seminário de Palestras Técnicas

Sistema Antecipe: semeadura intercalar mecanizada de milho antes da colheita da soja

 

ILPF: produção de leite de qualidade no mundo do futuro

Embrapa oferece cursos on-line sobre sistemas integrados de produção agropecuária – 07/04/2021

Estão abertas as inscrições para novas turmas dos cursos on-line oferecidos pela Embrapa por meio da plataforma E-campo. Entre as muitas opções, estão cursos sobre sistemas integrados de produção agropecuária e sobre técnicas específicas utilizada nesses sistemas produtivos.

Há opções de cursos com inscrições gratuitas e alguns pagos. A carga horária varia conforme o curso. Mais informações podem ser encontradas em https://www.embrapa.br/e-campo.

Confira alguns dos cursos disponíveis:

 

Introdução a sistemas integrados de lavoura-pecuária-floresta

https://www.embrapa.br/e-campo/introducao-a-sistemas-integrados-de-lavoura-pecuaria-floresta

 

Tecnologias para agricultura de baixo carbono

https://www.embrapa.br/e-campo/tecnologias-para-agricultura-de-baixo-carbono

 

Sistema de plantio direto

https://www.embrapa.br/e-campo/sistema-de-plantio-direto

 

Recuperação de pastagens degradadas

https://www.embrapa.br/e-campo/ecuperacao-de-pastagens-degradadas

 

Manejo do solo com foco em sistemas integrados de produção

https://www.embrapa.br/e-campo/manejo-do-solo-com-foco-em-sistemas-integrados-de-producao

 

Forrageiras para produção de leite a pasto

https://www.embrapa.br/e-campo/forrageiras-para-producao-de-leite-a-pasto

 

Implantação, manejo e recuperação de pastagens

https://www.embrapa.br/e-campo/implantacao-manejo-e-recuperacao-de-pastagens

Congresso internacional irá discutir sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta – 06/04/2020

Uma das principais estratégias brasileiras para aumentar a produção agropecuária de forma sustentável, os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) serão discutidos por cientistas, professores universitários e profissionais ligados ao setor agropecuário do mundo todo em um congresso que ocorrerá nos dias 4 e 5 de maio, em formato 100% digital.

O II Congresso Mundial sobre Sistemas ILPF (World Congress on Integrated Crop-Livestock-Forestry Systems) contará com sete painéis temáticos. Eles discutirão os sistemas de ILPF no mundo; desafios e oportunidades para os sistemas ILPF; as soluções e demandas na visão dos produtores e na visão das empresas do agronegócio; políticas públicas para fomento da ILPF; temas atuais em ILPF; e inovação em sistemas de ILPF.

Ao todo serão 30 palestras ministradas por cientistas renomados internacionalmente, como o ganhador do Prêmio Nobel da Paz e do Wolrd Food Prize, Rattan Lal, da Universidade do Estado de Ohio, pesquisadores da Embrapa e de outras instituições brasileiras e estrangeiras, representantes da FAO, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, produtores e dirigentes de empresas privadas.

O congresso também contará com uma sessão de apresentação de trabalhos científicos por meio de pôsteres digitais.

As inscrições estão abertas e podem ser feitas no site do evento, que é o https://www.wcclf2021.com.br/#modal. O valor é de R$ 150 para profissionais e R$ 75 para estudantes.

O Congresso é promovido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Embrapa, Rede ILPF, Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul e Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul.

 

ILPF

A ILPF é uma estratégia de produção que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais em uma mesma área, de maneira consorciada, rotacionada ou em sucessão, de modo que haja interação entre os componentes, gerando benefícios mútuos.

Estes sistemas integrados de produção agropecuária podem ser implantados combinando dois ou três componentes, conforme particularidades de cada propriedade rural. Também podem ser adotados em pequenas, médias e grandes propriedades, em todos os biomas brasileiros, com uso de diferentes culturas.

Entre os benefícios da ILPF estão o aumento da produção em uma mesma área, diversificação de fontes de renda, melhor aproveitamento dos insumos, melhoria dos atributos químicos, físicos e biológicos do solo, melhoria do bem-estar animal e geração de emprego e renda no campo. Além disso, os sistemas ILPF reduzem a pressão pela abertura de novas áreas, recuperam áreas degradadas ou com baixa capacidade produtiva e mitigam as emissões de gases causadores de efeito estufa, aumentando o sequestro de carbono no solo e na biomassa.

Por todas essas características, os sistemas ILPF são um dos pilares do Plano para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC), que reúne os compromissos assumidos pelo Brasil na COP 15 para redução das emissões de gases de efeito estufa no setor agropecuário. Estima-se que atualmente 17 milhões de hectares sejam cultivados com esses sistemas no Brasil.

Sistema ILP associa desempenho econômico e menor custo ambiental – 06/04/2020

 

Ao considerar aspectos ambientais da produção, pesquisa mostra que o sistema integrado causa menor impacto por unidade produzida. Na foto, gado de corte em pastagem em ILP

  • Estudo inédito comparou desempenho econômico e ambiental de três configurações produtivas: lavoura em sucessão soja-milho X pecuária extensiva X sistemas de integração lavoura-pecuária.

  • A lavoura se mostrou mais lucrativa, porém, com alto custo ambiental. Já a ILP, além de lucrativa, foi mais sustentável..

  • Os sistemas ILP tiveram balanço positivo na relação carbono-emergia, ou seja, sequestraram carbono. Já a lavoura e a pecuária extensiva tiveram balanço negativo, apresentando emissão de carbono.

  • Experimentos foram desenvolvidos em dois biomas: Cerrados e Amazônia.

  • Resultados mostraram que sistemas integrados são alternativa viável para uso em grande escala, possibilitando suprir a demanda pela produção de alimentos, com um menor impacto ambiental.

Pela primeira vez, uma pesquisa relacionou dados econômicos com indicadores ambientais em uma análise comparativa de sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP), lavoura de soja seguida de milho e pecuária extensiva em localidades do Cerrado e da Amazônia. O trabalho desenvolvido por pesquisadores da Embrapa e de instituições parceiras mostrou que a sucessão agrícola é mais rentável do que a ILP e a pecuária, porém, com um custo ambiental maior. Com menor impacto ambiental, a ILP é lucrativa, o que torna essa alternativa mais sustentável para a produção de alimentos nos dois biomas.

Baseado em dados coletados em fazendas de Mato Grosso na safra 2017 e 2018, o trabalho reforça a noção de que com o preço elevado de commodities, os monocultivos agrícolas são mais rentáveis. Entretanto, ao considerar aspectos ambientais da produção, como o uso de recursos renováveis, não renováveis e de insumos externos, o sistema integrado se mostra mais interessante, devido ao menor impacto ambiental por unidade produzida. 

A comparação do custo ambiental de cada sistema de produção foi feita utilizando uma abordagem metodológica inovadora, baseada no conceito de emergia (veja quadro). Nessa metodologia, todos os insumos, sejam eles renováveis, como luz solar, chuva, vento e fixação biológica de nitrogênio, ou não renováveis, como a perda de solo, e insumos externos usados na produção, como combustíveis, eletricidade, sementes, fertilizantes, pesticidas e maquinário, são transformados em equivalentes de energia solar.

Da mesma forma, a produção final também é convertida nessa mesma unidade de medida, possibilitando então fazer a correlação da eficiência em termos de emergia e a comparação entre diferentes culturas. 

Indicadores econômicos e de sustentabilidade

De acordo com a pesquisa, a sucessão agrícola de soja e milho apresentou um lucro líquido de US$ 295 por hectare, contra US$ 235,69 do sistema ILP. Mas no indicador de sustentabilidade de emergia, a ILP obteve 0,67 contra 0,46 da lavoura, em uma escala em que quanto maior o número, mais sustentável é a atividade. 

A pecuária extensiva, por sua vez, como utiliza poucos insumos e grandes extensões de terra, obteve um índice superior, com 5,62. Porém a atividade obteve prejuízo financeiro de US$ 0,58 por hectare no período avaliado, e apresentou baixo desempenho na avaliação das emissões de carbono equivalente. 

De acordo com os resultados de carbono-emergia, o sistema integrado apresentou sequestro de 2,71 toneladas de CO2eq para cada joule produzido (unidade de medida da energia), enquanto o sistema agrícola emitiu 3,70 t CO2eq e a pecuária extensiva apresentou uma emissão de 7,98 t CO2eq para cada joule produzido.

Conforme a pesquisa, os indicadores de emergia mostraram que o custo social da sucessão soja/milho é maior do que os benefícios para a sociedade. O lucro da atividade está relacionado ao intenso uso de insumos externos, fator que reduz o nível de sustentabilidade do sistema a longo prazo. 

“Para manter altos índices produtivos, são necessários cada vez de mais insumos externos. Isso gera um círculo vicioso, no qual, embora se aumente a produtividade, o custo ambiental fica cada vez mais elevado”, explica o coordenador do estudo, Júlio César dos Reis, pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril (MT).

Já no caso da pecuária extensiva, o baixo desempenho produtivo e a elevada emissão de gases de efeito estufa tornam o sistema mais insustentável. De acordo com o pesquisador da Embrapa Acre Judson Valentim, essa é uma atividade de baixa produtividade dos recursos naturais (solo, água e radiação solar), de mão de obra e capital, aspecto que interfere na eficiência. 

“No sistema de pecuária de corte tradicional a produtividade obtida é de seis arrobas de carne/hectare/ano. Quando essa mesma área é utilizada em sistemas de integração lavoura-pecuária, o produtor consegue obter uma safra de soja, uma safrinha de milho e ainda produzir boi safrinha. Isso resulta em maior eficiência no uso dos recursos naturais e do capital investido”, ressalta Valentim, ao frisar também o papel ambiental da atividade.

“Além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, por unidade de produto, contribui para diminuir a pressão por desmatamentos, ajudando a manter a floresta em pé. Esses ganhos indicam que os sistemas integrados são mais eficientes na conversão de recursos ambientais e econômicos em produtos finais”, conclui.

Apoio a políticas públicas

As avaliações mostraram que os sistemas ILP se mantiveram lucrativos, com grande redução nos impactos ambientais. Dessa forma, os autores do estudo consideram os sistemas integrados como uma alternativa viável para uso em grande escala, possibilitando suprir a demanda pela produção de alimentos, com um menor impacto ambiental. 

Para o coordenador da pesquisa, o resultado serve como base para o desenvolvimento de políticas públicas que incentivem a maior adoção de sistemas integrados.

“Para convencer as pessoas na perspectiva ambiental, é preciso valorar esse serviço. Do contrário, o produtor continuará usando a forma que dá mais lucro. É preciso criar outros mecanismos de financiamento e de compensação pelos serviços ambientais”, analisa Reis.

De acordo com os autores do estudo, políticas públicas como o Plano Agricultura de Baixo Carbono (ABC) ajudam, mas ainda estão aquém da meta estipulada em sua criação. A desburocratização, facilitação do crédito, disponibilidade e capacitação de assistência técnica são algumas das ações que contribuiriam para o aumento da adoção dos sistemas mais sustentáveis.

O que é emergia?

O termo emergia ou “energia incorporada” foi concebido pelo cientista Howard Odum no ano de 1963, a partir da observação da falta de compatibilidade entre a economia convencional e o ambiente. O conceito busca combinar elementos para avaliar produtos e serviços da economia em um valor comum aos produtos e serviços naturais, ou seja, o valor energético (ou ecológico) dos bens obtidos da natureza.

Assim, a emergia é definida como a energia útil necessária para os processos de criação de um novo produto ou serviço. De modo prático, é o método pelo qual é possível considerar como as várias formas de energia, ou seja, a luz solar, a água, os combustíveis fósseis ou os minerais como os fertilizantes, se expressam quando utilizadas nos processos que irão gerar um novo bem ou serviço.

O reconhecimento das diferenças qualitativas dessas capacidades energéticas é que melhor representa o cerne conceitual da metodologia emergética, e que pode ser empregada como análise contábil dos índices de sustentabilidade dos sistemas de produção agropecuária.

A metodologia 

Para realizar a contabilidade emergética e a avaliação de sustentabilidade das fazendas estudadas, os cientistas usaram uma plataforma metodológica composta por um conjunto de planilhas capaz de considerar informações sobre os fluxos de matéria e energia nos processos produtivos. Esses dados envolveram: as características produtivas e ambientais das propriedades rurais, os aspectos regionais do município e, de uma forma mais abrangente, as características produtivas do sistema agropecuário do País.

As informações das fazendas, processadas no estudo, foram obtidas em trabalhos de campo e de dados pré-existentes. Já as informações utilizadas no escopo amplo (município e País), foram obtidas em levantamentos censitários oficiais e de fontes secundárias.

Os pesquisadores organizaram sistematicamente a linguagem dos fluxos de energia associados aos processos de mudança que ocorrem quando da introdução de novas práticas ou intervenções nos estabelecimentos rurais, como tipo de manejo ou tecnologias agropecuárias inseridas nos sistemas.

Como os processos produtivos agropecuários e florestais envolvem fluxos financeiros e de estoques de materiais e energia bem específicos, os pesquisadores classificaram os balanços energéticos para determinar o estado de sustentabilidade das fazendas, com dados específicos para cada tipo de insumo, recurso e produto, com seus respectivos ”valores de unidade energética”. Esses dados foram então transportados para figuras que representaram diagramas de sistema e gráficos analíticos, com os quais se realiza a contabilidade energética e que possibilitaram a análise das assinaturas emergéticas e a avaliação detalhada dos índices de sustentabilidade dos sistemas estudados.

Como explicam os pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente Geraldo Stachetti, e da Embrapa Gado de Leite Inácio de Barros, pôde-se comparar, por exemplo, o papel da erosão do solo, que impõe grandes déficits energéticos, devido à relevância dos insumos e dos processos naturais que promovem a fertilidade. A expressão desse serviço ambiental é favorecida nos sistemas pecuária e ILP, menos sujeitos à erosão que as lavouras. Já a fixação biológica de nitrogênio se faz mais presente nas lavouras, e favorecem a ILP com efeito residual, mas não as pastagens. 

Esses exemplos explicam o porquê do maior custo energético, e do maior contraste entre os sistemas, estar representado pelos fertilizantes e corretivos do solo, empregados em maiores volumes nas lavouras, seguido da ILP e da pecuária. Assim, os custos energéticos (medidos como ”joules solares totais”) se mostraram maiores nas lavouras, 10% menores na ILP e 64% na pecuária. Por outro lado, recursos renováveis ofertados pela natureza conformam 25% da energia nas lavouras, frente a 31% na ILP e até 66% na pecuária. 

“Ao se integrarem os índices dos fluxos de energia dos diferentes sistemas, e contrastá-los com os resultados econômicos, demonstram-se claramente as vantagens ambientais do sistema ILP”, analisa Stachetti.

Avaliação econômica

O trabalho de avaliação econômica de sistemas integrados em Mato Grosso já vem sendo realizado por meio de uma parceria entre a Embrapa Agrossilvipastoril, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e a Rede ILPF

A equipe do projeto acompanha os custos de produção de fazendas que utilizam sistemas ILP ou ILPF. Para as comparações, são usados dados de fazendas de referência, ou fazendas modais, de cada região.

Em trabalhos anteriores, esse grupo já identificou o efeito poupa-terra dos sistemas ILPF e também como a diversificação desses sistemas reduz os riscos financeiros para o produtor

Gabriel Faria (MTb 15.624/MG)
Embrapa Agrossilvipastoril

Diva Gonçalves (MTb 0148/AC)

Embrapa Acre

Contatos para a imprensa

Marcos Vicente (MTb 19.027/MG)
Embrapa Meio Ambiente

Semana de Integração Tecnológica apresenta Cadeia Produtiva da Pecuária Mineira – 06/04/2021

A 13ª Semana de Integração Tecnológica (13ª SIT) Online será realizada de 3 a 7 de maio de 2021, em Sete Lagoas-MG, com o tema “Cadeia Produtiva da Pecuária Mineira: Desafios e Oportunidades”. Neste ano, o evento terá o formato totalmente virtual e poderá ser assistido de qualquer local, após inscrição no site específico.

“A SIT é um evento de transferência de tecnologia que procura integrar instituições, para promover o desenvolvimento regional e estadual. Há 14 anos, promove o diálogo e a troca de experiências entre agricultores, consultores, assistentes técnicos de empresas públicas, pesquisadores, estudantes, professores e representantes de empresas privadas”, diz o coordenador do evento, Marco Aurélio Noce, técnico do Setor de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo.

“A iniciativa permite a integração dos diversos setores de interesse no segmento agropecuário, promovendo, além da disponibilização do conhecimento gerado pelas instituições, o debate e o planejamento de ações futuras visando contribuir para o desenvolvimento no meio rural”, ressalta o coordenador.

Com resultados surpreendentes, em sua última edição, a SIT 2019 reuniu 3.100 participantes. Já em 2020, o evento foi cancelado por causa da pandemia da covid-19. Agora, em 2021, na décima terceira edição, em função da necessidade de isolamento resultante do agravamento da pandemia, a programação da SIT será totalmente virtual.

“Serão quase 30 atividades de caráter técnico, dentre elas seminários, mesas redondas, cursos e dias de campo. O tema central do evento, considerando-se sua importância, tanto no cenário regional quanto nacional, será a cadeia produtiva da pecuária, com ênfase na produção de leite. Sob este enfoque, serão abordados assuntos que englobam toda a cadeia, desde questões técnicas do sistema de produção, passando pelo social, até alternativas de agregação de valor e de comercialização do produto final”, relata Noce.

A cerimônia de abertura da 13ª SIT acontecerá no dia 3 de maio, às 18h. Em seguida, haverá duas palestras: “Indicadores técnicos e econômicos da pecuária leiteira em Minas Gerais”, a ser proferida por Christiano Nascif, superintendente do Senar/Minas; e “Novas oportunidades de agregar valor ao leite”, por Paulo do Carmo Martins, Chefe-Geral da Embrapa Gado de Leite.

Lives – 13ª SIT

Confira alguns temas dos seminários e simpósios da 13ª SIT Online:

– Estratégia para o desenvolvimento da cadeia produtiva do leite na região Central de Minas Gerais

– O Sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta: Panorama, perspectivas e experiências

– Pecuária leiteira: Cooperação e inovação no meio rural

–  SiTec – Silagem, inovação e tecnologia

 

Para consultar a programação completa das lives e dos cursos online e realizar a inscrição, acesse o site: http://www.sit2021.com.br/

Realização

Em sua 13ª edição, a SIT tem como principais parceiros a Embrapa, a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) – Campus Sete Lagoas, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado Minas Gerais (Emater-MG), a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Sistema Faemg /Senar-MG e a Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped). Conta ainda com o apoio e a parceria de instituições privadas, incluindo-se a KWS Sementes, empresa atuante no setor de produção de sementes.

Pesquisadores de outras Unidades da Embrapa, de instituições de ensino, pesquisa e desenvolvimento também colaboram. Nesta edição da SIT, além da Embrapa Milho e Sorgo, já estão confirmadas as participações da Embrapa Gado de Leite (MG), Embrapa Pecuária Sul (RS) e Embrapa Solos (RJ).


Serviço

13ª Semana de Integração Tecnológica
Local: Embrapa Milho e Sorgo, Epamig, em Sete Lagoas-MG
E-mail:  sit@embrapa.br
Inscrições: http://www.sit2021.com.br/

 

Sandra Brito (MTb 06230/MG)
Embrapa Milho e Sorgo

Contatos para a imprensa

Webinar discute análise geoespacial da dinâmica agrícola do Cerrado – 05/04/2021

Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) no Cerrado

Os principais resultados obtidos pelas análises geoespaciais da dinâmica agrícola do Cerrado serão apresentados durante um webinar que ocorre nesta quarta-feira (7), às 9 horas, durante o Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto (SBSR Interim 2021). O simpósio, composto por cinco webinars e cinco minicursos na área de sensoriamento remoto e geoinformática, é realizado de 5 a 16 de abril, em formato on-line. A programação completa e as inscrições estão disponíveis no site do SBSR.

O aumento da demanda nacional e internacional por alimentos tem impulsionado a agricultura brasileira, especialmente no Cerrado. Esse bioma abrange cerca de 24% do território nacional e possui importância estratégica para a segurança alimentar e manutenção da biodiversidade. No webinar Análises Geoespaciais da Dinâmica Agrícola no Cerrado, coordenado pelos pesquisadores Édson Bolfe, da Embrapa Informática Agropecuária, e Edson Sano, da Embrapa Cerrados, serão mostrados alguns dos principais resultados do livro Dinâmica Agrícola no Cerrado, produzido pela Embrapa em colaboração com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Para discutir a contribuição das análises geoespaciais no Cerrado, haverá palestra do pesquisador Douglas C. Morton, chefe do Laboratório de Ciências Biosféricas, da Nasa (National Aeronautics and Space Administration), que atua em pesquisas sobre dinâmica agrícola e florestal no Brasil. Também será palestrante o professor Laerte Guimarães Ferreira, pró-reitor de Pós-Graduação da Universidade Federal de Goiás (UFG), que desenvolve pesquisas em mapeamentos de uso e cobertura da terra no Cerrado.

Embora os métodos de análise e modelagem tenham evoluído nos últimos anos, ainda existem importantes desafios na integração de dados multisensores, multifontes e multiescalares para melhorar a compreensão dos processos de conversão, expansão e retração, diversificação e intensificação agrícola, segundo os coordenadores do webinar. Novos métodos analíticos vêm surgindo rapidamente devido ao grande volume de dados de sensoriamento remoto gerado em diferentes resoluções espaciais, espectrais e temporais e às plataformas de processamento desses dados nas nuvens.

Além disso, a melhoria na capacidade de integrar dados socioeconômicos, ambientais e biofísicos em plataformas baseadas em sistemas de informação geográfica (SIG) propicia o aperfeiçoamento das análises geoespaciais. Com isso, essas análises têm sido relevantes para apoiar os tomadores de decisão dos setores público e privado na implementação de programas de desenvolvimento rural sustentável.

De acordo com a comissão organizadora, o SBSR Interim 2021 tem como objetivo oferecer um conteúdo técnico-científico de alto nível, usando uma interface on-line rápida e efetiva. É voltado a pesquisadores, professores, profissionais do setor público e privado, estudantes do Brasil e de outros países, empresas do setor de aplicações e desenvolvimento tecnológico das diversas áreas, incluindo recursos minerais, agronegócio, meio ambiente e recursos hídricos, além de autoridades governamentais e tomadores de decisão dos setores envolvidos.

 

Foto: Fabiano Bastos

Nadir Rodrigues (MTb 26.948/SP)
Embrapa Informática Agropecuária

Contatos para a imprensa

Telefone: (19) 3211-5747 – (19) 99204-6401