Prorrogado o prazo para submissão de trabalhos para congresso de ILPF – 30/04/2021

Pesquisadores e estudantes interessados em submeter trabalhos científicos para o II Congresso Mundial sobre Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (World Congress on Integrated Crop-Livestock-Forestry Systems) ganharam mais alguns dias. A comissão organizadora do evento prorrogou o prazo de submissão até o dia 9 de abril. O Congresso será totalmente on-line, nos dias 4 e 5 de maio.

Para submeter um resumo, o interessado deve fazer previamente a inscrição no congresso, pelo site www.wcclf2021.com.br/. Na mesma página é possível consultar as regras de submissão dos resumos.

As inscrições custam R$ 150 para profissionais e R$ 75 para estudantes. Os inscritos receberão login e senha de acesso à plataforma digital, por onde será possível acessar todo o conteúdo do evento, como palestras, mesas redondas, espaço de expositores e sessões de pôsteres.

Temas dos trabalhos

Os trabalhos que forem aceitos pela comissão científica do Congresso serão apresentados por meio de sessão de pôster digital. Eles poderão ser enquadrados em dez áreas: Mudança climática, resiliência e adaptação; Emissões de gases de efeito estufa e sequestro de carbono; Sistemas integrados e avaliações de sustentabilidade; Impacto dos sistemas integrados na eficiência do uso de nutrientes e água; Transferência de tecnologia para sistemas integrados; Microclima, paisagem e biodiversidade; Técnicas agrícolas, agricultura de precisão, IoT e inovação; Aspectos econômicos e sociais e agricultura familiar; Rastreabilidade, certificação e conceitos emergentes; e Políticas públicas, interações nas cadeias de suprimentos e comércio internacional.

Programação

O II Congresso Mundial sobre Sistemas ILPF (World Congress on Integrated Crop-Livestock-Forestry Systems) contará com sete painéis temáticos. Eles discutirão os sistemas de ILPF no mundo; desafios e oportunidades para os sistemas ILPF; as soluções e demandas na visão dos produtores e na visão das empresas do agronegócio; políticas públicas para fomento da ILPF; temas atuais em ILPF; e inovação em sistemas de ILPF.

Ao todo serão 30 palestras ministradas por cientistas renomados internacionalmente, como o ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Rattan Lal, da Universidade do Estado de Ohio, pesquisadores da Embrapa e de outras instituições brasileiras e estrangeiras, representantes da FAO, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, produtores e dirigentes de empresas privadas.

O Congresso é promovido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Embrapa, Rede ILPF, Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul e Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul.

 

ILPF Conecta

Paralelamente ao congresso será realizada a chamada ILPF Conecta, um desafio que visa atrair propostas de negócios de empresas jovens de base tecnológica, as startups do Agro, mais conhecidas como Agtechs. A chamada visa a seleção de tecnologias inovadoras para a adoção em sistemas ILPF.

As inscrições podem ser feitas até o dia 9 de abril. Mais informações em http://www.wcclf2021.com.br/conecta.

 

Prêmio Rede ILPF de Jornalismo

Estão abertas até o dia 15 de maio as inscrições para o Prêmio Rede ILPF de Jornalismo. O concurso tem cinco categorias, sendo elas: reportagem escrita, reportagem em áudio, reportagem em vídeo, reportagem em veículo estrangeiro e reportagem de profissionais das instituições associadas à Rede ILPF.

O edital completo e o link para inscrições podem ser acessados no site www.ilpf.com.br, no menu Publicações/Editais.

Para concorrer, o trabalho jornalístico deve se enquadrar na temática “Com a ILPF, produzir e preservar é possível”. Podem ser inscritos trabalhos veiculados no período de 1º de agosto de 2019 a 15 de maio de 2021. O resultado do Prêmio Rede ILPF de Jornalismo será anunciado nos dias 9 ou 10 de junho, em evento on-line promovido pela Rede ILPF.

 

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG)
Embrapa Agrossilvipastoril

Tecnologias poupa terra garantem mais produtividade e sustentabilidade à produção agrícola – 24/04/2021

A programação do terceiro dia do AgriTrop 21 abordou o desafio da transformação dos sistemas agroalimentares 

Sistemas integrados, plantio direto e fixação biológica de nitrogênio e fósforo são exemplos concretos que comprovam o bom desempenho dessas técnicas no Brasil  

As tecnologias denominadas poupa-terra estão entre os principais destaques da agricultura tropical brasileira pela capacidade de aumentar a produção de alimentos em áreas já utilizadas para cultivo, evitando desmatamento de florestas e áreas de matas nativas. Exemplos concretos dessas tecnologias que já ocupam milhões de hectares em todo o Território Nacional, movimentando bilhões de reais, foram o tema da palestra de abertura do terceiro dia de realização da Semana Internacional de Agricultura Tropical (AgriTrop 21), proferida pelo diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Guy de Capdeville. O evento, promovido pela Embrapa e pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) reúne mais de 1.000 inscritos entre os dias 22 e 26 de março e está sendo transmitido nas plataformas digitais das duas instituições. Mais informações estão disponíveis na página do AgriTrop.

Uma das principais vantagens das tecnologias poupa terra, na visão de Capdeville, é que atendem a produtores de todos os portes: pequeno, médio e grande. “Trata-se de modelos extremamente democráticos e que têm alcançado resultados impressionantes em todos os biomas brasileiros”, complementou. Em breve, a Embrapa vai lançar uma publicação sobre essas tecnologias.

O diretor apresentou exemplos de tecnologias poupa terra já consolidadas no Brasil e que podem ser expandidas para outras regiões da faixa tropical do globo. Entre elas, destaca-se os sistemas ILPF, que integram lavoura, pecuária e floresta em uma mesma área. Esses modelos integrados podem utilizar cultivo consorciado, em sucessão ou em rotação, de modo que haja benefício mútuo para todas as atividades. Em 2015, ocupavam uma área de aproximadamente 11 milhões de hectares no Brasil. Em 2021, esse número saltou para 17 milhões.

Os sistemas ILPF aliam produtividade e benefícios ambientais, especialmente para a mitigação da emissão de gases de efeito estufa (GEE). “São modelos de produção que se adaptam com facilidade a todas as regiões brasileiras e têm sido bastante importantes para o aumento de renda e geração de empregos na região Nordeste do País, a partir do consórcio de macaúba com outras culturas”, explicou.

As tecnologias poupa-terra têm tido impacto significativo na exportação de frutas. Dados de 2018 apontam que a produção mundial de frutas é de cerca de 930 milhões de toneladas em pouco mais de 80 milhões de hectares. A contribuição brasileira é de 42,4 milhões de toneladas, ou seja, 4, 6% do total em uma área 2,5 milhões de hectares. Para cada hectare cultivado com frutas, dois empregos são criados, totalizando cinco milhões. As principais tecnologias sustentáveis utilizadas na produção de frutas são: produção integrada, gestão da cobertura do solo, manejo de água e nutrientes, controle de pragas e doenças e gestão pós-colheita.

Segundo Capdeville, a estimativa do efeito poupa terra na produção de frutas para exportação, de acordo com dados do IBGE, aponta para um aumento de produtividade de 64% entre a década de 1990 e 2018. “O que mais salta aos olhos é a área poupada em 2018, que foi superior a 900 mil hectares”, enfatiza. O cultivo de 11 fruteiras – laranja, banana, melancia, manga, limão, uva, maçã, melão, tangerina, abacaxi e mamão – corresponde a aproximadamente 38% da área cultivada no Brasil, que é de cerca de 2,5 milhões de hectares.

O diretor ressaltou também o impacto das tecnologias poupa-terra na produção de soja. Na safra de 2019/20, foram produzidos 251 milhões de toneladas de grãos em uma área de 65,8 milhões de hectares. A contribuição da soja para esse montante foi de 120,9 milhões de toneladas em 36,9 milhões de hectares, o que representa uma produtividade de aproximadamente 3 kg/hectare. A soja responde por 3,6% dos empregos gerados pelo agro no Brasil.

“Se nos reportarmos a década de 1970, sem a tecnologia existente hoje para produção de soja no Brasil, para manter esses índices de produtividade, seria necessário expandir a área em 195%. Com a ciência e as tecnologias poupa-terra conseguimos preservar uma área de 71 milhões de hectares”, complementou Capdeville.

O mesmo se deu com o algodão. Entre os anos de 1976 e 2019, a produção cresceu de 1,2 milhão para 4,3 milhões, enquanto a área foi reduzida de 4 milhões de hectares para 1,7 milhão. Esse resultado é fruto de várias tecnologias, entre as quais se destacam: cultivares melhoradas geneticamente, plantio direto, que abrange técnicas sustentáveis de manejo do solo, e o cultivo do algodão em sistemas ILPF, entre outras.

No geral, o uso de tecnologias poupa terra na agricultura nas últimas quatro décadas levou a um salto de produtividade de 280 Kg/ha para 2.600 Kg/ha, preservando 13,3 milhões de hectares.

“Esses números mostram claramente que sem tecnologia não há sustentabilidade. E para levar a ciência ao campo, contamos com o apoio dos produtores brasileiros, que são altamente receptivos aos avanços tecnológicos”, concluiu o diretor da Embrapa.

Digitalização é sinônimo de democracia no campo

O professor da Universidade Federal de Lavras (Ufla), Paulo Leme, endossou a afirmação de Capdeville A aplicação de tecnologias agrícolas, sociais e digitais é fundamental na construção de mercados sustentáveis no Brasil. A agricultura 4.0 veio para revolucionar e democratizar a agricultura, acredita Leme.

Prova disso é o café, cuja produção quadruplicou nas últimas cinco décadas, de forma sustentável, com redução de área plantada. No início do Século XX, os cafeicultores produziam cerca de sete sacas por hectare. Hoje, esse número saltou para 30 e até, 60, em casos de produtores mais tecnificados.

Além da sustentabilidade, o diferencial no caso do café é a qualidade. “A cafeicultura familiar no Brasil é um exemplo para o mundo”, ressaltou o professor, lembrando que isso se deve à alta produtividade (tecnologia), rentabilidade (associativismo e cooperativismo) e diferenciação (cafés especiais e certificação). Ele citou o projeto “Ufla pelo comércio justo”, que certificou 18.500 famílias produtoras de café e laranja

“A cafeicultura tem garantido à agricultura familiar qualidade de vida no campo e, acima de tudo, dignidade. As tecnologias sociais e mercadológicas perpetuam o trabalho das famílias e atraem jovens para o campo”, ponderou.

Agenda global para a pecuária sustentável

O representante da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) Eduardo Arce falou sobre a Agenda Global para Pecuária Sustentável (GASL), criada pela instituição para atender a demandas de governos mundiais nos anos 2000, por mais sustentabilidade na produção de gado de corte e leite.

Apesar de ser uma atividade de extrema importância socioeconômica para os países e para a alimentação mundial, a pecuária é frequentemente associada a danos ambientais, como por exemplo, o aumento de 14% na emissão de gases de efeito estufa (GEE), além do potencial de desmatamento, entre outros.

A GASL é uma agenda aberta e envolve 177 parceiros públicos e privados para fomentar a sustentabilidade na pecuária. Desses, 26 são da América Latina, incluindo a Embrapa e o IICA. Segundo Arce, o papel dela é atuar como catalisadora dos parceiros na conversão dos sistemas de produção para modelos mais sustentáveis, como os que usam ILPF, em parceria com a Embrapa.

Ele lembrou a importância da Cúpula dos Sistemas Alimentares, a ser realizada em setembro em Nova York, que faz parte dos objetivos do AgriTrop. Os resultados da GASL serão apresentados no evento mundial.

Intensificação da agricultura e irrigação

O engenheiro agrônomo Durval Dourado, professor da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) apresentou dados sobre a capacidade de intensificação (para uso na agricultura) e expansão (para uso da pecuária) da irrigação no Brasil, com base em dados em estudo elaborado pela área de políticas públicas da Esalq feito com informações de vazão de recursos hídricos superficiais da Agência Nacional de Águas. 

De acordo com o levantamento, o Brasil tem potencial para expandir a área irrigada em 15,5 milhões de hectares (ha), sendo 8 milhões para a agricultura e 7,5 milhões de ha para pecuária.

Atualmente, o Brasil possui 5,3 milhões de ha de área irrigada. Se utilizada toda a área identificada no estudo, o país passaria para 20,3 m ha. Conforme explica o professor, considerando que em áreas irrigadas é possível obter duas safras, os 20 milhões há seriam equivalente s 40 milhões há. O cálculo não inclui a área de cana-de-açúcar fertirrigada (2,9milhões há)

“O Brasil tem potencial para atender a demanda mundial com expansão e intensificação da agricultura irrigada associada com outras estratégias. Em 2016, tínhamos 7 bilhões de pessoas no mundo e o Brasil era responsável por produzir alimentos para cerca de 1,2 bilhão de pessoas, mas a FAO nos passou a incumbência de produzir 40% da demanda que vai haver de produção de alimentos devido ao aumento da população para 9,8 bilhões de pessoas em 2050”, disse.

“Se nós pegarmos 40% de 2,8 bilhões, isso significa 1,12 bilhões. Se somarmos 1,2 bilhão com 1,12 bilhão, o que vamos produzir a mais, vamos ter que ser responsável para atender a demanda de 2,32 bilhões de pessoas. Uma das estratégias para isso vai ser a agricultura irrigada”, explicou.

No total, o Brasil possui 851 milhões de hectares, dos quais 66% com vegetação natural, 22% sendo usada para pastagem, 9% com agricultura, apenas 1% com silvicultura e 2% com outros usos urbanos e infraestruturas. “A ideia é e aumentar a área agrícola irrigada e expandir o uso pela pecuária sem desmatar um único hectare”, disse.

Ele explica que foram consideradas áreas com aptidão agrícola, havendo disponibilidade de água superficial, mão de obra especializada, infraestrutura, energia, (transporte e navegação), capacidade de armazenamento e conectividade.  

Normalmente, o Brasil adiciona aos sistemas produtivos algo em torno de 250 mil ha por ano, mas a capacidade instalada da indústria chega 500 mil ha por ano. Se nós fizermos a conta, teríamos algo como 31 anos para atingir esse 15,5 milhões de hectares”, disse.

Pandemia abre caminho para produção de frutas orgânicas

A pandemia tem sido uma oportunidade para os produtores de frutas orgânicas, disse Alberto Vilarinos, da Embrapa Mandioca e Fruticultura, que falou sobre Fruticultura Orgânica: sustentabilidade de valor. “As pessoas estão mais interessadas em alimentos mais saudáveis que reforcem o sistema imunológico e também em produções mais sustentáveis”, disse. “Então, as frutas orgânicas tem tudo a ver com o alimento do futuro.

Segundo ele, mesmo com a pandemia, o Brasil, que é o terceiro maior produtor mundial de frutas, atrás da China e da Índia, aumentou em 6% as exportações de frutas, em geral, no ano passado, mas ele vê aumento no interesse por frutas orgânicas.

Ele contou que a Embrapa já validou sistemas produtivos orgânicos para banana para abacaxi, manga, maracujá e para e as spondías no Nordeste (umbu, cajazeiras, entre outras) e tem desenvolvido bananas e abacaxis orgânicos resistentes a doenças e formigas.

Segundo Vilarinhos, a produção e o consumo de orgânicos no mundo tem aumentado devido a expansão da demanda na Europa, nos Estados Unidos e na China. Desde o ano 2000, a média mundial de crescimento anual de produtos orgânicos no varejo tem sido de 11% , um indicador que expressa o dinamismo, principalmente quando comparadas às vendas de produtos convencionais.

“Nos próximos anos, a demanda internacional deve continuar crescendo, pois as pessoas associam os orgânicos a saúde, segurança alimentar e a um menor impacto ambiental da produção”, disse. Do ano 2000 até 2019, o aumento mundial de terras cultivadas com orgânicos foi de 381%, um salto de 14,98 milhões de ha para 72,28 milhões de ha. De acordo com o especialista, embora impactante, o número representa ainda 1,4% quando se compara à área destinada à agropecuária no mundo.A maior área de orgânico está na Oceania, especialmente na Austrália, com 35,88%, seguida da Europa com 16,52%.

O Brasil destina 1,28% à produção de orgânicos, atrás da Ásia, Estados Unidos, África e o resto da América Latina. Ásia e África, porém, são os que mais empregam mão de obra na produção de orgânicos. Em termos de produtividade, a Europa e a Ásia têm as maiores rentabilidade para orgânicos no varejo.

“O maior desafio está relacionado a custos, pois os processos de certificação são caros e não padronizados. Além disso, as cadeias são maiores, portanto, há mais gastos com energia e as conversões de produção convencional em orgânicos são lentas, o que mantém esse mercado, embora em expansão, em um nicho acessível em mercados mais elitistas”, ponderou.

Ele explicou que no Brasil o crescimento do mercado de orgânicos é mais lento devido a questões como custo da terra, logística, transporte e insumos. Além disso, pesquisas, e assistência técnica estão voltados majoritariamente para a agricultura convencional, que é o carro chefe da economia brasileira atualmente

Outro desafio é a falta de dados oficiais que dificulta o planejamento estratégico, mas em 2020 o Brasil registrou um aumento de 30% na produção de orgânicos, segundo a Associação para a Produção de Orgânicos (Organis) e gerou US$ 1 bilhão.

“O Brasil possui um processo de certificação participativa e políticas de compra de alimentos da agricultura familiar, o programa de alimentação escolar que são alvos de interesse de outros países, o que valoriza a produção local.

Sistemas alimentares

Em sua fala sobre sistemas alimentares em diferentes escalas, o holandês Walter de Boef, da Universidade e Centro de Pesquisa Wageningen, explicou porque embora a Holanda seja mais de 200 vezes menor do que o Brasil, os dois países estão entre os principais exportadores da agropecuária. Juntos, os dois países respondem por 15% das exportações do mundo. O Brasil é o líder nas exportações de soja e oleaginosas e a Holanda, de flores e lácteos.

“Nós desenvolvemos uma estrutura de sistemas alimentares, que só pode avançar quando há um vínculo muito forte com os “drivers”, ou seja, os fatores socioeconômicos e ambientais, que movimentam e impulsionam o sistema. Para nós, essa abordagem é muito importante porque combina metas objetivas com uma estrutura. Estamos trabalhando com perspectivas futuras agrícolas na Holanda e em vários países da África”, contou. 

Segundo ele, a Holanda, assim como o Basil de Alysson Paolinelli, também contou com visionários como o ex-ministro da agricultura Sicco Mansholt que, no pós-segunda Guerra Mundial, foi responsável por aplicar uma forte política de autonomia de produção de grãos, quando todos os países da Europa enfrentavam fome, e também colaborou com a Política Agrícola Comum (PAC).

“A intensificação do uso de conhecimento na Holanda começou há 100, no início do século 20, quando a base agrícola da Holanda ficou frágil e caíram as exportações. Isso aconteceu na época da fundação da nossa universidade e é importante destacar que já nesta época havia uma política pública de especialização. Na minha família, meu avô foi o primeiro a trabalhar com horticultura e o país começou, pouco a pouco, com a produção de flores, agora somos quase 50% da produção de flores do mundo”, contou. 

Para Boef, este ano, temos quatro eventos internacionais para discutir como será o perfil da agricultura no futuro e será uma oportunidade para a reflexão sobre as responsabilidades dos atuais líderes sobre como avançar para o futuro. Ele explicou que atualmente a Holanda coloca foco não apenas na segurança alimentar, mas também na alimentação e nutrição, e leva a sério as medidas de adaptação às mudanças climáticas, tema incorporado na vida política do país.  “Estamos buscando formas de combinar floresta e vida animal. Na última semana, tivemos eleições nacionais e um dos temas em discussão foi o impacto de reduzir emissões de CO2 e de nitrogênio na agricultura e no setor pecuário. Outro elemento importante o “Green Deal”, a política pública europeia que, entre outras coisas, estabelece cadeias de valor mais curtas.

Métodos desenvolvidos pela Embrapa analisam sustentabilidade e inovação – 24/03/2021

Cientistas da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) têm buscado aprimorar as análises de sustentabilidade na agricultura, focando, entre outras, em duas abordagens metodológicas complementares: o sistema de indicadores APOIA-NovoRural, que se aplica à análise objetiva e quantitativa de indicadores de sustentabilidade, visando à gestão ambiental de atividades rurais, e o Ambitec-Agro, sistema de concepção multicritério e formatação bastante simples para obtenção e registro de evidências em campo, prescindindo da abordagem analítica instrumental e laboratorial. Podem ser usadas por produtores rurais e empresas. 

Essas duas principais abordagens metodológicas são descritas em linguagem simples e didáticas em um documento publicado com parceiros, que explica o contexto de utilização em uma parceria público-privada para assessoria técnica e comunicação de sustentabilidade com os consumidores de produtos agrícolas (veja aqui).

Como explica o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Geraldo Stachetti, um dos desenvolvedores dos sistemas, o Ambitec-Agro tem sido extensivamente utilizado na Embrapa para as avaliações de impactos da adoção de inovações tecnológicas agropecuárias, na formulação dos balanços sociais anuais (ver aqui). Já o APOIA-Novo Rural é um método de concepção multi-atributo, na qual os levantamentos de campo dependem de treinamento detalhado para a obtenção e registro de evidências, bem como de instrumental analítico e laboratorial, especialmente para os indicadores de qualidade da água e do solo.

Diversos estudos exemplificam a utilidade dessas abordagens para a gestão ambiental de atividades rurais. Desde a análise de sustentabilidade em empresas de maior porte, como o Polo de Agricultura Natural da Korin, até estudos em unidade familiar de pequeno porte e pesquisas de alcance internacional, que integram estabelecimentos de amplo alcance empresarial, como no setor de frutas (ver publicação, em inglês, aqui). 

Em caso de interesse na realização dessa linha de estudos, reconhecidas as relativas dificuldades técnicas e de logística específicas do sistema APOIA-NovoRural, o pesquisador exemplifica um estudo de referência em pecuária sustentável (ILPF) com o Ambitec-Agro, e um detalhamento da aplicação do método ao Balanço Social da Embrapa.

Para uma descrição dos trabalhos de análise de sustentabilidade para gestão ambiental de atividades rurais na Embrapa Meio Ambiente, veja entrevista veiculada no site Giro do Boi.

 
Foto: Gabriel Faria.

Cristina Tordin (MTb 28.499/SP)
Embrapa Meio Ambiente

Contatos para a imprensa

Telefone: 19-99262-6751

Congresso Internacional abre oportunidade para startups com soluções inovadoras em ILPF – 22/03/2021

Startups de todo Brasil podem se inscrever até o dia 9 de abril na chamada  ILPF Conecta, um desafio que visa atrair propostas de negócios de empresas jovens de base tecnológica, as startups do Agro, mais conhecidas como Agtechs. A chamada visa a seleção de tecnologias inovadoras para a adoção em sistemas de produção que integram atividades agrícolas, pecuárias e florestais em uma mesma área, chamados de Integração lavoura, pecuária, floresta – ILPF.

As Agtechs interessadas devem apresentar tecnologias aplicadas às áreas temáticas da chamada, e que estão em sintonia com a tendência mundial de intensificação sustentável da produção agropecuária, e que também contribuam com o negócio do produtor rural e com o aspecto social da produção.

O ILPF Conecta acontece paralelamente ao II Congresso Mundial sobre ILPF (World Congress on Integrated Crop-Livestock-Forestry Systems) – WCCLF 2021, que nesta edição será realizado em formato 100% Digital, nos dias 4 e 5 de maio de 2021. O evento é realizado pela Embrapa, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Rede ILPFSemagro MS e Famasul MS, e tem expectativa de público de mais de 800 participantes, entre especialistas, acadêmicos, produtores e outros públicos interessados na troca de experiências e conhecimentos, bem como na atualização sobre os mais recentes resultados de pesquisa, desenvolvimento e inovação em Sistemas ILPF no mundo.
 
Sobre o IPF Conecta
 
O ILPF Conecta é uma iniciativa que pretende aproximar as Agtechs dos principais investidores privados e de aceleradoras para aportar recursos nesses negócios e fomentar a participação desses novos empreendimentos no ecossistema de inovação. Fazem parte da chamada os seguintes investidores: SP VenturesAgrovenStartup ConnectionVenture HubCedro CapitalMöbius CapitalFood Tech HubNT AgroMauá Capital, 10bCotidiano e Cyklo Aceleradora.
 
O desafio será realizado em três etapas, começando pela inscrição que é gratuita e encerra dia 9 de abril, quando os interessados precisam preencher um formulário. Para a seleção das startups serão adotados critérios como relevância, ineditismo, maturidade e usabilidade/aplicabilidade das soluções propostas.
 
No dia 4 de maio de 2021, as startups selecionadas participam da 2ª etapa, com a apresentação dos pitches ao vivo e, na fase final, as três startups finalistas se apresentarão no Painel Especial de Inovação do WCCLF 2021, que acontece dia 5 de maio para todos os participantes do evento, e quando será anunciada a vencedora. As três startups premiadas no ILPF Conecta estarão automaticamente classificadas para a fase de apresentações ao vivo na Smart Farm AgroBIT, da Vila Tecnológica de Londrina (PR). 
 
Para Lucimara Chiari, secretária executiva do Congresso Internacional de ILPF e pesquisadora da Embrapa Gado de Corte (MS), essa é uma grande oportunidade de networking para as startups que atuam ou querem desenvolver inovações para uma produção agrícola sustentável, e que possam ser adotadas por pequenos, médios e grandes produtores e em todos os biomas brasileiros. 
 
Áreas temáticas
 
As startups que se inscreverem para o desafio ILPF Conecta devem apresentar soluções para as seguintes áreas temáticas: 
 
o Mudanças climáticas: resiliência e adaptação; emissões de gases de efeito estufa e descarbonização dos sistemas
o Integração dos Sistemas de produção e uso sustentável dos recursos naturais
o Modelos de negócios para sistemas integrados
o Avaliação e análise de impacto dos sistemas integrados
o Bem-estar animal
o Finanças verdes (green bonds)
o Agricultura digital e de precisão (IA, IoT, Blockchain, Big Data, etc)
o Aspectos econômicos e sociais e Agricultura Familiar
o Rastreabilidade, certificação e conceitos emergentes 
o Políticas públicas, interações nas cadeias de suprimentos e comércio internacional
 
Serviços
 
ILPF Conecta – As inscrições vão até o dia 9 de abril de 2021 e devem ser feitas pelo formulário no site www.wcclf2021.com.br/conecta
 
WCCLF 2021 – De 4 e 5 maio de 2021, realizado de forma 100% digital, as inscrições vão até o dia 03 de maio pelo site do evento: www.wcclf2021.com.br
 
 
 
 

Selma Lúcia Lira Beltrão (JP 2490/DF)
Secretaria de Inovação e Negócios (SIN)

Contatos para a imprensa

Agricultura brasileira é modelo de desenvolvimento para outros países da faixa tropical do globo – 22/03/2021

Autoridades presentes à abertura do AgriTrop 21 

Ciência aliada à sustentabilidade é o caminho para a segurança alimentar e, consequentemente, para a paz mundial

O modelo de agricultura tropical, baseado em ciência, tecnologia e inovação implementado no Brasil, que tornou o País um dos principais atores mundiais do setor, é o caminho para fortalecer os países em desenvolvimento do cinturão tropical, afirmaram especialistas reunidos hoje (22/3) na abertura da Semana Internacional da Agricultura Tropical (AgriTrop 2021), organizada pela Embrapa e pelo Instituto Internacional de Cooperação para a Agricultura (IICA). O evento conta com mais de 1.000 inscritos que até sexta-feira (26/03) vão acompanhar as contribuições de especialistas de vários países sobre tecnologias de base sustentáveis voltadas ao desenvolvimento da agricultura tropical e segurança alimentar. Mais informações sobre links de transmissão e programação estão disponíveis na página do evento.

As mudanças climáticas e o mundo pós-pandemia foram mencionados como desafios que levam à necessidade de estreitar cooperação entre as nações em prol da redução de desigualdades sociais. “A agricultura tropical é um dos caminhos para reduzir a fome e garantir a paz e a segurança alimentar nos países das Américas, África e Ásia”, disse o ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli, indicado para receber o Prêmio Nobel da Paz em 2021 e o homenageado do AgriTrop2021.

Segundo Paolinelli, o Brasil é o exemplo concreto de que a ciência é capaz de transformar realidades. Importador de alimentos na década de 1970, o País é hoje uma potência agrícola mundial, responsável pela alimentação de 800 milhões de pessoas em mais de 160 países. O Cerrado brasileiro, considerado improdutivo, é um dos destaques em produtividade na agricultura e responde por 60% da produção de grãos nacional. Para ele, é fundamental que haja mobilização mundial entre as nações para levar conhecimento, tecnologia e inovação aos países mais pobres da franja tropical. “Onde há fome e desigualdade, não há paz. A agricultura é a base da segurança alimentar e da paz mundial”, destacou o ex-ministro, lembrando que os problemas enfrentados em alguns países impactam os conflitos mundiais. “Por isso, reforço que os esforços em prol do desenvolvimento agrícola das Américas, Ásia e África é um problema de todos e deve envolver ações em conjunto e busca de recursos em agências de fomento mundiais. Eu tenho um sonho, mas não sou o único, vamos sonhar juntos?”, questionou Paolinelli.

A realização da Semana Internacional de Agricultura Tropical é o primeiro passo nesse sentido, como explicou o presidente da Embrapa, Celso Moretti. “Nesse evento, vamos contar com mais de 20 especialistas de vários países para compartilhar expertises na área de agricultura tropical”, lembrou.

O diretor-geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Manuel Otero, sugeriu institucionalizar a Semana Internacional de Agricultura Tropical, como forma de não apenas aumentar ganhos científicos e tecnológicos do Brasil, conseguidos por meio dessa modalidade, como também estender a outros países e ofereceu o IICA para se envolver neste objetivo. “Com seu potencial, a Semana Internacional de Agricultura Tropical pode e deve se transformar em um grande movimento irradiador da saga fenomenal que o Brasil experimentou nos últimos 50 anos principalmente para nossa região e especialmente para os países da franja tropical da América”, propôs.

“Temos uma oportunidade de ouro para levar os conhecimentos e inovações do Brasil a países da América que necessitem de insumos para garantir a segurança alimentar de suas populações, aumentar a produtividade, deter a migração para as cidades e iniciar um ciclo virtuoso que melhore a renda dos produtores e posicione os territórios rurais como zonas de progresso e oportunidade”, completou Otero.  

O diretor do IICA chamou a atenção também para o fato de que o evento reunirá subsídios para a Cúpula dos Sistemas Alimentares das Nações Unidas, marcada para setembro e que, semanas antes, a Junta Interamericana do IICA, que reúne ministros de agricultura da região, terá uma grande oportunidade par elaborar uma agenda convergente com este objetivo.  

O coordenador de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas e ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, endossou a iniciativa da Embrapa e do IICA para reforçar a possibilidade concreta de a agricultura alimentar o mundo. “Há um esforço a ser disseminado a países da América Latina, África e Ásia da faixa tropical”, comentou.

Agricultura movida a ciência

Segundo o presidente da Embrapa, a evolução impressionante da agricultura brasileira ao longo das últimas cinco décadas levou a um crescimento sem precedentes no mundo. Ele citou três exemplos significativos que comprovam esse cenário. A cafeicultura cresceu quatro vezes nos últimos 25 anos; a produção de leite saltou de 5 bilhões para 35 bilhões de litros, ou seja um aumento de sete vezes; e a de frango foi ampliada em 65 vezes.

Rodrigues acrescentou que, dos anos 1990 até hoje, a área plantada com grãos no Basil cresceu 80% e a produção de grãos, 370%, mais de cinco vezes a área plantada. “A tecnologia gerou ganhos de produtividade por hectare. Hoje temos 68 milhões de hectares com grãos, fazemos duas e até três safras por ano. Se tivéssemos hoje a mesma produtividade de 30 anos, seriam necessários 110 milhões de hectares para produzir a safra que colhemos em 2020/2021, portanto, a agricultura tropical brasileira é sustentável por definição”, disse. 

Otero, que foi representante do IICA no Brasil por duas vezes, contou que foi testemunha ocular da transformação agrícola do País e que hoje, outros países sonham em ter um sistema e uma estrutura dedicada à pesquisa agropecuária como a da Embrapa. “Nos anos 1980, vi um Brasil vulnerável, com oferta reduzida de produtos de exportação, mas 25, 30 anos depois, quando voltei, encontrei outro país”, pontuou.

Moretti reforçou que por trás desses números, está a ciência. As instituições de pesquisa e ensino públicas e privadas, em parceria com a extensão rural, conseguiram desenvolver um sistema robusto de inovação. Três são os pilares responsáveis por essa evolução: a transformação de solos ácidos em férteis; a tropicalização de plantas e animais; e a criação de uma plataforma de produção sustentável. “Graças a esses esforços integrados, conseguimos reduzir o preço da cesta básica em 50%”, complementou Moretti.

Para o presidente da Embrapa, a revolução agrícola no Brasil vivencia atualmente uma nova onda, a da sustentabilidade. O Código Florestal Brasileiro, a Agricultura de Baixo Carbono, os sistemas integrados de produção e técnicas como plantio direto têm garantido e aumentado o desenvolvimento da agricultura tropical sob bases sustentáveis. “Os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, que ocupam hoje no País uma área superior a 17 milhões de hectares, aumentam a produtividade, ao mesmo tempo em que incorporam carbono e reduzem a emissão de gases de efeito estufa (GEEs)”, explicou.

“Até 2050, a produção brasileira deve ultrapassar 500 milhões de toneladas de grãos e com a tecnologia provida pela pesquisa agropecuária não precisamos avançar por áreas de florestas e matas nativas. Temos hoje no País uma área de pastagens degradadas de cerca de 60 milhões de hectares, que está sendo incorporada à produção”, pontuou Moretti.

Por fim, ele destacou que a Embrapa apoia incondicionalmente a candidatura de Alysson Paolinelli ao Prêmio Nobel da Paz, lembrando que a trajetória do ex-ministro se confunde com a da própria agricultura brasileira. O diretor-geral do IICA complementou, enfatizando que “a transformação da agricultura brasileira é um reflexo da atitude visionária dos protagonistas dessa saga extraordinária, entre os quais se destaca Paolinelli. Ele sempre defendeu a necessidade de desenvolver a agricultura nos trópicos utilizando como fomento o conhecimento científico e o desenvolvimento da institucionalidade com a Embrapa como bandeira”, disse. 

“Brasil transformou a agricultura e a agricultura transformou o Brasil”, diz ministra da Agricultura

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, chamou a atenção para a importância das reuniões multilaterais que serão realizadas neste ano, como a Cúpula dos Sistemas Alimentares e a COP 26, que vão discutir formas de acelerar a ação climática e o progresso rumo ao desenvolvimento sustentável e disse que pretende contar com o IICA e com a Embrapa para os encontros setoriais e intersetoriais que o ministério vai promover para extrair a posição brasileira que será levada as reuniões de cúpula. “Atravessamos um momento decisivo na conjuntura internacional, pois 2021 marca o início da vigência das metas do acordo de Paris e dez anos para o atingimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável”, lembrou. “Os países estão sendo chamados a anunciar compromissos ambiciosos para galvanizar ações em prol dos objetivos sustentáveis do nosso planeta. O Brasil tem feito a sua parte. Graças ao nosso modelo de agricultura tropical, calcado em inovação, o Brasil é um dos únicos países do mundo capazes de atender ao desafio global de ampliar a oferta de alimentos em consonância com a conservação dos recursos naturais”, disse.

Na avaliação da ministra, nos preparativos para as reuniões multilaterais, “em vez do reconhecimento do papel da agricultura tropical como provedor da segurança alimentar e de serviços ecossistêmicos”, há a utilização de “conceitos excludentes e restritivos que buscam classificar como sustentáveis apenas as práticas agrícolas de países desenvolvidos amparadas por vultosos subsídios que premiam a ineficiência”.

“Temos condições não apenas de contribuir como de liderar os debates internacionais e o país deve uma menção honrosa e um agradecimento a Alysson Paolinelli, que, com seu olhar visionário, sua habilidade política e convicção no poder da ciência, participou da fundação da Embrapa e deu início ao processo de conversão do cerrado que viria a tornar em uma das terras mais produtivas do nosso planeta”.

De acordo com a ministra, o Brasil transformou a agricultura e a agricultura transformou o Brasil. “Colocamos a atividade no cetro de nossas políticas públicas e a sustentabilidade econômica, social e ambiental como norte das nossas atividades produtivas”.  Para ela, o Brasil tem sofrido ataques no cenário internacional que ela qualificou como injustificáveis.

“Se quisermos atingir nossos objetivos climáticos e de desenvolvimento, é imprescindível reconhecermos a diversidade de caminhos para a sustentabilidade, de métodos de produção de dietas e de culturas que perfazem os sistemas alimentares globais. Um mundo sem essa diversidade será um mundo com menos diversidade alimentar, um mundo com fome, um mundo sem paz. A agricultura tropical brasileira não é parte do problema, mas da solução”, concluiu.

Fernanda Diniz (MtB/DF 4685/89)
Secretaria de Pesquisa e Desenvolvimento (SPD)

Contatos para a imprensa

Claudia Dianni (MtB 46219/98)
Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA)

Contatos para a imprensa

Diversificação, digitalização e sustentabilidade são as palavras que definirão a agricultura na pós-pandemia – 19/03/2021

O diretor Guy de Capdeville foi um dos painelistas durante o Conecta Expoagro Afubra 

Conclusão é fruto do painel sobre oportunidades e desafios do agronegócio ocorrido durante a Expoagro Afubra

O diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, Guy de Capdeville, representou a Embrapa nesta quinta-feira (18/3) no evento “Conecta Expoagro Afubra”, promovido pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), no período de 17 a 19 de março. Capdeville participou como debatedor no painel “Os desafios e oportunidades do agronegócio” junto com o diretor-presidente da Agro-Comercial Afubra Ltda., Romeu Schneider; o presidente do Sistema Farsul (Farsul/Senar/Casa Rural), Gedeão Pereira; e o professor da USP e FGV, Marcos Fava Neves. Essa é a 19ª edição do evento e a segunda realizada de forma virtual sobre o tema “Ligando o campo à cidade”. Os painelistas enfatizaram a importância do agro brasileiro para a economia nacional e ressaltaram que a digitalização no campo, a diversificação de culturas e a sustentabilidade serão os maiores desafios para os produtores rurais no período de pós-pandemia.

Segundo o diretor da Embrapa, os efeitos da pandemia apontam para o crescimento de uma economia chamada de baixo ou nenhum contato (low ou no touch economy). E, nesse sentido, a agricultura de precisão é uma das respostas para que os agricultores mantenham a produtividade no campo. Segundo ele, as ferramentas digitais, como inteligência artificial, internet das coisas e uso de drones, entre outras, já são uma realidade no Brasil e muito bem aceitas pelos produtores. “O agricultor brasileiro apoia a ciência e incorpora rapidamente as novas tecnologias no campo. A digitalização permite, por exemplo, manejar e controlar pragas a partir de um aplicativo. E esse é apenas um dos inúmeros resultados nessa área”, destacou.

O professor da USP e FGV, Marcos Fava Neves, endossou a importância da agricultura de precisão e ressaltou que, graças ao aumento no uso das ferramentas digitais e à necessidade de fortalecer a sustentabilidade no campo, o conceito que importa para a dimensão da produção agrícola hoje não é mais hectares e sim metros quadrados. A sustentabilidade é um conceito que veio para ficar e impôs uma transformação no conceito de rentabilidade agropecuária. “O importante é investir em tecnologias que permitam aumentar a produção por área e não expandir espaços dedicados aos cultivos”, ressaltou. Capdeville complementou lembrando que a agricultura de precisão, a partir de instrumentos de monitoramento por satélite, sensoriamento remoto e georreferenciamento, permite monitorar a produção agrícola em detalhes nas propriedades rurais, “literalmente em metros quadrados”, pontuou.

A diversificação de culturas é uma tendência defendida pela Afubra desde a década de 1970, especialmente junto aos produtores de tabaco. Trata-se de um setor de grande importância, especialmente para a região Sul, onde representa 15% do agro gaúcho, movimentando cerca de 2 bilhões de dólares, uma área de 126 mil hectares e 73 mil famílias, sendo a maioria formada por pequenos agricultores. Hoje, a Associação conta com mais de 100 técnicos para auxiliar os produtores na adoção de tecnologias mais sustentáveis. A Afubra tem trabalhado na diversificação de sua área de atuação e, recentemente, inaugurou uma unidade de produção de grãos, que já resultou no beneficiamento de aproximadamente 10 mil sacas. Outro campo no radar da Associação é a produção de energia renovável. “Para auxiliar os produtores na comercialização de seus produtos, foi criado um e-commerce, que entrará em funcionamento em breve”, explicou o diretor-presidente da Agro-Comercial Afubra Ltda., lembrando que essa já é uma das respostas da entidade ao “novo normal”.

Duas parcerias já foram realizadas entre a Associação e a Embrapa: uma para o desenvolvimento de sementes de feijão de alta performance e outra para melhoramento genético de batata-doce. Tanto a Afubra como o do Sistema Farsul atuam de forma integrada com todas as UDs a região Sul.

O desenvolvimento de sistemas integrados, que aliam agricultura, pecuária e florestas (ILPF) estão entre as prioridades do Sistema Farsul, especialmente no que se refere à união entre soja e pecuária. O diretor da Embrapa lembrou que esses sistemas são uma boa opção também para a fumicultura.

Cenário positivo a partir do segundo semestre

Fava Neves defendeu que o segundo semestre de 2020 representará o início de uma era de melhoria econômica para o Brasil. Com o fortalecimento de países como China, EUA e Índia, as exportações do agro, que hoje já representam 48% do total, devem crescer ainda mais. Além disso, destacam-se também os preços das commodities, que são os mais altos desde 2014, e o setor de biocombustíveis, no qual o País é líder absoluto, que está crescendo de forma significativa em nível mundial.

O protagonismo do agro brasileiro é incontestável, destacou o professor, lembrando que de todos os frangos e bifes bovinos comercializados no mundo, um é nosso. O mesmo vale para os grãos de soja, dos quais um em cada dois é brasileiro. Sem falar que, mesmo em um cenário de pandemia, o setor de grãos cresceu 4% em relação à safra 2019/20, com uma produção de 272 milhões de toneladas de grãos.

Fava Neves e Capdeville ressaltaram que é fundamental que os produtores invistam em tecnologias sustentáveis ao longo de todo o processo produtivo, desde o planejamento até a colheita.

Desafios e oportunidades

O diretor da Embrapa ressaltou a certificação de sustentabilidade das áreas de produção como uma das oportunidades de crescimento para os agricultores. Ele citou como exemplo o selo “Carne Carbono Neutro”, que é uma marca-conceito, parametrizável e auditável, criada com o objetivo de atestar a carne bovina produzida em sistemas de integração do tipo silvipastoril (pecuária-floresta) ou agrossilvipastoril (lavoura-pecuária-floresta), por meio de uso de protocolos específicos que possibilitam o processo de certificação. Segundo Capdeville, esse selo de sustentabilidade agrega alto valor aos produtos e pode ser estendido a outras culturas agrícolas.

Em relação a outro desafio apontado pelo diretor da Afubra, o que define a agricultura como eficiente apenas da porteira para dentro, Capdeville enfatizou o papel da Embrapa no apoio à elaboração de políticas públicas. “As ferramentas de sensoriamento remoto e georreferenciamento podem contribuir muito com o monitoramento da produção da porteira para fora”, frisou.

Soluções da Embrapa para reduzir a dependência de fertilizantes

Outro gargalo enfrentado pelo setor produtivo é o alto preço dos fertilizantes importados. Nesse sentido, o diretor da Embrapa lembrou que a produção de fertilizantes biológicos, capazes de reduzir a dependência do País em relação aos produtos vindos do exterior é uma das prioridades do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Prova disso, é Programa Nacional de Bioinsumos, lançado em 2020, com o objetivo de aproveitar o potencial da biodiversidade brasileira para reduzir a dependência dos produtores rurais em relação aos insumos importados e ampliar oferta de matéria-prima para esse setor.

A Embrapa desenvolveu recentemente, em parceria com a iniciativa privada, dois produtos nessa linha. O primeiro é o BiomaPhos, um inoculante desenvolvido a partir de duas bactérias identificadas pela Embrapa, sendo uma no solo e a outra no milho, e o segundo é o Aprinza, que contém uma bactéria da Amazônia (Nitrospirillum amazonense), capaz de fixar nitrogênio do solo para aumentar a produtividade da cana-de-açúcar.

Todas essas soluções tecnológicas já estão no mercado à disposição do setor produtivo, pontuou Guy, lembrando que outros estudos estão em andamento, inclusive usando nanotecologia. “Esses esforços comprovam que a Embrapa é parceira do produtor. Ajustamos a nossa governança de PD&I para ficarmos cada vez mais próximos do setor produtivo”, complementou. Em momentos de pandemia, a capacitação on-line tem ganhado força na Empresa pela plataforma gratuita e-Campo.

 
Foto: Captura de tela

Fernanda Diniz (MtB/DF 4685/89)
Secretaria de Pesquisa e Desenvolvimento (SPD)

Contatos para a imprensa

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

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No Dia Mundial da Água Embrapa alerta para a necessidade de preservação deste valioso recurso – 19/03/2021

Instituído pela ONU em 1992, o Dia Mundial da Água é comemorado em 22 de março. Para alertar sobre o risco de escassez deste precioso recurso, a Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) lembra da necessidade da preservação e os cuidados no uso racional da água, tão vital para a manutenção da vida e para o equilíbrio dos ecossistemas do planeta.

As águas cobrem três quartos da superfície do planeta Terra. Mais de 97% desta água estão nos oceanos. Menos de 3% são água doce, portanto, próprias para consumo humano, dessedentação de animais e outros usos, como na agricultura. Desse total, 77% estão nas geleiras, calotas polares e congeladas nas montanhas; 29,9% são subterrâneos; 0,9% está presente na umidade do solo e na região dos pântanos; e apenas 0,3% em rios e lagos. Assim, apenas uma pequena parte de água doce está prontamente disponível para nosso uso.

A água é um recurso essencial diretamente ligado à saúde e à qualidade de vida. O uso da água apresenta também uma destacada importância econômica, seja para a geração de energia elétrica, uso industrial, ou na produção de alimentos, por meio da irrigação na agricultura e nos manejos da pecuária. Farta em algumas regiões e já escassas ou degradadas em outras, o uso inadequado deste recurso pode levar as próximas gerações a enfrentar o problema ainda maior da escassez dessa substância essencial à vida.

Mas como o Brasil lida com a água? Estamos explorando mal esse valioso recurso? Como a ciência tem atuado para sua conservação e para melhorar o seu uso?

Para ajudar nessas reflexões, convidamos dois especialistas da Embrapa para falar sobre o assunto. O pesquisador Marcelo Augusto Boechat Morandi, chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente e Ricardo de Oliveira Figueiredo, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, que liderou, dentre outras pesquisas em bacias hidrográficas no País, importantes estudos relacionados à ocupação agrícola e aos recursos hídricos nas bacias dos rios Camanducaia e Jaguari.

1. De modo geral, qual é o principal problema que o Brasil ainda enfrenta para a adequada gestão dos recursos hídricos?

Ricardo Figueiredo: A complexidade de um país continental como o nosso, requer políticas diferenciadas na gestão ambiental. A depender da região, do bioma ou da ecorregião, encontramos problemas maiores ou menores.

Bacias hidrográficas que drenam grandes centros urbanos tendem a apresentar elevada poluição hídrica relacionada a aspectos sanitários como o tratamento de esgoto. Por outro lado, áreas rurais, com prática de agricultura e pecuária em larga escala, promovem por vezes grande entrada de sedimentos, nutrientes e resíduos de pesticidas, o que deve ser mitigado por atividades sustentáveis de produção agropecuária e a conservação florestal, principalmente nas cabeceiras da bacia e nas áreas de recarga de aquíferos.

Como os limites das áreas de drenagem das bacias em geral não são coincidentes com as fronteiras municipais, estaduais e até mesmo a federal, se impõem políticas públicas que sejam bem integradas pelos diferentes níveis de governo para a gestão adequada dos recursos hídricos no nosso País.

2. No Brasil existe o mito da abundância de água, mas os eventos de seca e de mudanças climáticas tem mostrado uma outra realidade. Se não cuidarmos, pode faltar água?

Marcelo Morandi: Apesar de o Brasil ter grandes reservas de água doce, como o maior aquífero do mundo, o Guarani, a distribuição deste recurso não é homogênea entre as regiões. A região Norte detém 68,5% da água doce disponível, enquanto que o Nordeste apenas 3,3%. Nas demais regiões a disponibilidade é de 15,7% no Centro-Oeste, 6,5% no Sul e 6% no Sudeste. Portanto, a distribuição das reservas não acompanha a concentração populacional nem a demanda hídrica das diferentes partes do País.

Além da distribuição espacial, há também distribuição desigual no tempo. Algumas regiões têm regime de chuvas concentrado em poucos meses, seguidos de longos períodos de estiagem e rios e lagos intermitentes.

A busca de soluções que levem a um caminho mais sustentável, deve levar em conta a conservação da água, do solo, e da vegetação nativa, de uma forma integrada, no contexto da bacia de captação onde os processos ocorrem. O uso adequado de recursos hídricos tanto no meio urbano quanto rural, reduzindo o desperdício e a poluição dos corpos d’água, é essencial para o equilíbrio da oferta e demanda deste recurso, tanto no presente quanto no futuro.

3. O crescimento populacional, desperdício de água, consumismo, poluição, falta de saneamento e desmatamento fazem pressão sobre o estoque de água doce disponível. Precisamos melhorar a governança na gestão da água para equacionar esses problemas?

Ricardo Figueiredo: Sim, é essencial que se melhore a gestão pública. Como comentado, os problemas são diversos e inerentes às diferentes características da bacia hidrográfica, tanto as naturais (clima, solo, geologia, relevo e vegetação original) como aquelas relacionadas ao uso e ocupação das terras. Dessa maneira, é necessário o aprimoramento do monitoramento hidrológico de nossos rios, para se conhecer e acompanhar as variações ocorridas tanto em termos de quantidade como de qualidade da água.

O País possui um sistema de monitoramento liderado pela Agência Nacional de Águas (ANA), mas é necessária sua ampliação geográfica e também a melhoria em termos de equipamentos instalados in loco para esse fim. Temos hoje tecnologia disponível, que uma vez aplicada, permite o acompanhamento em tempo real das condições hídricas das bacias, como é feito em alguns países.

Observe que menciono sempre a bacia hidrográfica, pois para o entendimento e a gestão da água precisamos conhecer todos os processos naturais e antrópicos que ocorrem dentro dos limites da bacia. Por exemplo, um impacto detectado em uma porção a jusante da bacia muitas vezes é consequência de processos que ocorrem em sua porção mais a montante. Dessa maneira, a governança é mais bem praticada quando se observa o quadro todo, a bacia hidrográfica.

4. E no campo, é possível otimizar a utilização da água na agricultura?

Marcelo Morandi: Um estudo publicado pela Embrapa (Visão 2030 – O futuro da Agricultura Brasileira), destaca que, em termos globais, o setor agrícola é o principal usuário de terra e água. A demanda mundial de água deverá aumentar 40% até 2030 e 55% até 2050 – ano no qual se estima que mais de 40% da população mundial vivam em áreas de grave estresse hídrico.

A demanda por água para a agricultura irrigada no mundo aumentará de 2.600 km3, em 2005, para 2.900 km3, em 2050. Cada km3 equivale a um trilhão de litros. Para efeito de comparação, o Lago Paranoá, em Brasília, tem 0,5 km3.

O uso adequado de recursos hídricos no meio rural envolve aperfeiçoamento da irrigação, uso de métodos específicos para cada tipo de solo e cultura, manejo a partir do monitoramento preciso da evapotranspiração e sistemas mais eficientes e adaptados às condições locais, evitando o desperdício de água e energia. Em regiões onde a disponibilidade hídrica é muito variável, reservatórios de pequeno porte, barragens subterrâneas, reuso e captação de chuvas em propriedades agrícolas podem melhorar a disponibilidade hídrica, reduzindo a vulnerabilidade em relação à variabilidade hidrológica.

Outra preocupação é com a qualidade da água, uma vez que é no espaço rural que nascem os grandes mananciais de abastecimento. Apesar de a poluição urbana ser a principal fonte de degradação, a poluição difusa de origem rural causada pela elevada utilização de fertilizantes e pesticidas e pela perda de solos por processos erosivos pode ser fortemente impactante.

5. Que tecnologias utilizadas na agricultura contribuem para a economia e manutenção da qualidade da  água no solo e nos mananciais?

Ricardo Figueiredo: Em primeiro lugar para a adoção de tecnologias é preciso que seja considerado o quadro completo das interações promovidas pelos fluxos de água dentro da área terrestre da bacia, e todo o material por esta água transportado. São variadas as maneiras de se enfrentar os desafios para um manejo sustentável nas bacias agrícolas, com manutenção da qualidade da água.

Um exemplo é o Sistema Plantio Direto (SPD), que pode ser entendido como um complexo de processos tecnológicos destinado à exploração de sistemas agrícolas produtivos, que compreende a mobilização de solo apenas na linha ou na cova de semeadura, na manutenção permanente da cobertura do solo e na diversificação de espécies, via rotação e/ou consorciação de culturas, e com o plantio em curva de nível e terraceamento. Dentre os impactos positivos do SPD, ressalto a diminuição da entrada de sedimentos nos rios como consequência do controle da erosão dos solos.

Também os sistemas agroflorestais (SAFs), podem ajudar na conservação dos recursos hídricos, combinando culturas agrícolas com árvores e plantas da floresta e/ou animais. Sua adoção tem sido utilizada com sucesso para a restauração de áreas degradadas, o que poder gerar melhorias ambientais como os serviços ambientais hídricos. Da mesma maneira, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), com produção agrícola e animal em rotação, tem esse mesmo potencial de mitigação de impactos indesejáveis para a conservação da água.

Outra estratégia de tecnologias para a manutenção da qualidade e quantidade da água seria a chamada Agroecologia, e também a agricultura orgânica, uma vez que promovem a redução e racionalização do uso de insumos químicos, a substituição de insumo, e o manejo da biodiversidade e redesenho dos sistemas produtivos. No entanto, essas iniciativas têm avançado apenas no âmbito da agricultura familiar. Seria de fato importante a ampliação dessas iniciativas, pois trata-se de tecnologias que atenuam a entrada de agroquímicos nos fluxos hidrogeoquímicos da bacia.

Na agricultura familiar amazônica, por exemplo, a prática de preparo de área de plantio por meio do uso do fogo, promove impactos na qualidade do solo, água e ar, e pode ser substituída pelo corte da vegetação de pousio (capoeira) seguida da trituração dessa vegetação derrubada. A eliminação do fogo nessas condições tem resultado em bons efeitos na produção agrícola aliada à conservação dos recursos hídricos como atestam várias pesquisas.

6. Além do uso de tecnologia, como os produtores podem contribuir com a manutenção e preservação da água?

Marcelo Morandi: Segundo a legislação brasileira, imóveis rurais privados podem exercer produção em toda a sua extensão, exceto nas áreas de preservação permanente (APP), que protegem, especialmente, os cursos d’água e perfazem em média cerca de 10% da área da propriedade. Uma parcela da área que varia de 20% a 80%, dependendo do bioma, deve ser mantida com vegetação nativa na forma de reserva legal, sendo a produção limitada a atividades que não degradem ou avancem sobre a vegetação nativa.

Assim, é certo que essa imobilização de parte das propriedades traz um custo aparente ao produtor, se imaginarmos que a produção em área total, mantidas as mesmas produtividades pudesse ser real. Entretanto, como bem sabemos a manutenção das áreas de APP e de reservas legais são fundamentais para o bom desempenho da produção nas demais áreas das propriedades, garantindo disponibilidade de água, inimigos naturais, polinizadores e outros serviços ecossistêmicos.

Não se trata simplesmente de buscar aumento de produção ou produtividade, mas encontrar o sistema de produção adequado às características ecológicas e socioambientais de cada região, aliados a práticas conservacionistas e às tecnologias sociais já disponíveis. Portanto, a conservação dessas áreas é fundamental para garantir a longevidade e a produtividade da nossa agricultura. Ganha o ambiente, o produtor e a sociedade como um todo.

7. Como o pagamento por serviços ambientais pode afetar a produção e o uso da água na agricultura?

Ricardo Figueiredo: A adoção de pagamento por serviços ambientais, já amplamente conhecido como PSA, se destaca como uma maneira interessante para enfrentamento dos problemas mencionados. Trata-se de um importante instrumento para a implementação de ações relacionadas à recuperação das bacias. Para que o proprietário rural receba tal pagamento, algumas iniciativas exigem que estes adotem práticas de conservação de solos e reflorestamento de nascentes e áreas marginais dos cursos d’água.

Algumas iniciativas de PSA tem gerado bons resultados, mas há de se reconhecer que não podem ser aplicadas em qualquer situação. O PSA requer recursos financeiros e uma boa articulação do poder público com a comunidade local, e daí tende a ser mais efetivo em pequenas bacias. Por outro lado, seria também interessante que a política de PSA pudesse abranger os proprietários rurais, de maneira a proporcionar reconhecimento e incentivo ao manejo de suas terras, as quais são as maiores responsáveis pelo abastecimento da água subterrânea, que supre eventualmente os nossos rios, ribeirões e córregos.

Daí, sendo o PSA adotado com sucesso, tem-se a conservação dos recursos hídricos e uma valoração do produto agrícola, dado ao “prestígio ambiental” de uma produção sustentável. A conservação da água na área rural, por certo, redundará numa maior oferta de água para a irrigação, e também, diretamente pelo solo rico em água, para as raízes das plantas cultivadas.

Mais sobre o assunto:

https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/18453038/workshop-apresenta-resultados-de-estudos-relacionados-a-ocupacao-agricola-e-os-recursos-hidricos–nas-bacias-dos-rios-camanducaia-e-jaguari

https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/57552201/estudo-constata-impactos-em-bacias-hidrograficas-em-consequencia-de-mudanca-de-cobertura-florestal-original

https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/57469946/estudos-em-bacias-hidrograficas–embrapa-meio-ambiente-38-anos

https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/56196089/instituicoes-trabalham-para-reflorestar-bacias-de-afluentes-do-rio-atibaia

https://www.embrapa.br/meio-ambiente/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1123149/agricultural-impacts-of-hydrobiogeochemical-cycling-in-the-amazon-is-there-any-solution

https://www.embrapa.br/meio-ambiente/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1112886/a-conservacao-de-bacias-e-os-desafios-para-a-sustentabilidade-da-agricultura

https://www.mdpi.com/2073-4441/12/3/763

 

Eliana Lima (MTb 22.047/SP)
Embrapa Meio Ambiente

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Especialistas internacionais debatem agricultura tropical – 15/03/2021


Evento virtual realizado pela Embrapa e IICA será oportunidade para compartilhar experiências sustentáveis sobre o tema e recolher insumos para Cúpula Mundial de Sistemas Alimentares

Mais de 20 especialistas de vários países estarão reunidos, de forma virtual, durante a Semana Internacional de Agricultura Tropical (AgriTrop), entre 22 e 26 de março das 11h às 14h. O evento, organizado pela Embrapa e pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), tem como objetivo compartilhar experiências de cientistas, ambientalistas e empreendedores no uso sustentável de tecnologias para adaptação de culturas agrícolas e animais às condições climáticas e ambientais do cinturão tropical. Informações sobre inscrição, links de transmissão, programação e palestrantes estão disponíveis no site do evento.

A expectativa é que, a partir dessa troca de conhecimentos, surjam sinergias e parcerias, além de subsídios para a coordenação da região na inédita Cúpula de Sistemas Alimentares das Nações Unidas, marcada para setembro, em Nova York.

Um dos destaques será o modelo brasileiro, que conseguiu transformar o País de importador de alimentos na década de 1970 em um dos mais importantes players do agro mundial. Graças à tropicalização de culturas agrícolas e animais, o agro brasileiro atingiu em 2021 um Valor Bruto da Produção de quase R$ 900 bilhões, representando cerca de 21% do PIB nacional. É responsável ainda por 48% das exportações brasileiras, com destaque para café, açúcar, laranja, etanol, carne bovina, frango e soja, e pela geração de aproximadamente 19 milhões de empregos no Brasil. Sem falar que alimenta mais de 800 milhões de pessoas no mundo.

Segundo o presidente da Embrapa, Celso Moretti, por trás do sucesso da agricultura, está a ciência. Os esforços conjugados entre a Empresa, universidades, empresas de assistência técnica e extensão rural e outros parceiros possibilitaram, por exemplo, que o Cerrado brasileiro seja responsável hoje por 50% dos grãos produzidos no País. “Algo considerado utópico no fim da década de 1960 e início dos anos 70”, comenta.

Outro exemplo de destaque vem da pecuária. Hoje, o Brasil tem o maior rebanho bovino do mundo, com mais de 200 milhões de animais. “A ciência agrícola fez com que hoje frutas e hortaliças sejam comercializadas de norte a sul do País”, acrescenta, lembrando que todos esses avanços foram conquistados com foco na sustentabilidade, ou seja, aumentando a produtividade sem impactar a expansão de áreas agrícolas. Prova disso é o fato de que o Brasil conta com mais de 500 milhões de hectares de florestas naturais e cerca de 10 milhões plantadas.

Para o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Guy de Capdeville, o evento será um espaço para fortalecer e compartilhar práticas sustentáveis de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), de forma a divulgar esse modelo para outros países do cinturão tropical das Américas. “A ideia é promover sinergias que visem a identificar oportunidades de crescimento econômico e social com sustentabilidade ambiental e bem-estar para as populações”, complementa.

Cúpula das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares

O diretor-geral do IICA, Manuel Otero, foi designado integrante da Rede de líderes da Cúpula das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares, denominada Summit’s Champions, uma das quatro principais estruturas de apoio da reunião, cujo objetivo é definir as bases para uma transformação positiva na forma de produzir e de consumir alimentos.

“A partir do modelo de desenvolvimento sustentável desenhado e exportado pelo Brasil, pretendemos contribuir para posicionar a agricultura tropical como proposta de valor voltada à sustentabilidade e à oferta de alternativas para o continente, no contexto dos objetivos traçados para a cúpula mundial”, disse Otero. “Este evento deve ser também o início de um movimento para nossa região, a América Latina e o Caribe, para que as transformações que estão ocorrendo há décadas no setor agropecuário do Brasil se estendam, e nenhum país fique atrasado em matéria de agricultura e pecuária, o que implica acelerar o processo de transformação da agricultura nas nações da franja tropical, a maioria importadores líquidos de alimentos que apresentam atrasos tecnológicos”, completou.

A Semana tem ainda como objetivos consolidar a oferta de inovações institucionais e tecnológicas disponíveis atualmente com relação à agricultura tropical sustentável no hemisfério e promover o intercâmbio de ideias de forma a constituir um diálogo permanente, que englobe múltiplos atores nacionais, regionais e internacionais, públicos e privados, bem como agências e organismos de referência na cooperação internacional.

Homenagem a Alysson Paolinelli

Entre os destaques da Semana Internacional de Agricultura Tropical, está a homenagem a um dos principais mentores e entusiastas desse modelo de agricultura no País, o ex-ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli, que concorre este ano ao Prêmio Nobel da Paz.

A trajetória de Paolinelli se confunde com a da agricultura brasileira, pois foi ele um dos primeiros a acreditar no potencial da região do Cerrado para a produção agrícola. Desde a década de 1960, esse agrônomo,formado pela Universidade Federal de Lavras, via na ciência o único caminho para a segurança alimentar do Brasil.

Foi um dos responsáveis pela consolidação e modernização da Embrapa, quando ocupou a pasta da Agricultura entre os anos de 1974 e 1979. Visionário, sempre foi incentivador da pesquisa, ciência e tecnologia e, por isso, implantou um programa de bolsa de estudos para estudantes brasileiros em diversos centros de pesquisa em agricultura pelo mundo. Em 2006 ganhou o prêmio World Food Prize, equivalente ao Nobel da alimentação, outorgado a pessoas que ajudaram consideravelmente a população a melhorar a qualidade, quantidade ou disponibilidade de alimentos no mundo.

Publicação sobre tecnologias poupa terra

Durante a Semana Internacional de Agricultura Tropical, será apresentada ao público uma publicação sobre tecnologias do tipo poupa terra desenvolvidas pela Embrapa. São sistemas, produtos e metodologias, entre outros, que transcendem questões conceituais do desenvolvimento sustentável e propõem ações que promovam maior produção de alimentos, bens e energia, maximizando o uso de recursos naturais limitados sem expansão da área cultivada.

Entre elas, destacam-se os sistemas integrados ILPF (Lavoura-Pecuária-Floresta), que têm se mostrado alternativas viáveis de produção para recuperação de áreas alteradas ou degradadas. Esses sistemas, que ocupam hoje no Brasil uma área superior a 11 milhões de hectares, fundamentam-se na integração dos componentes do sistema produtivo, visando atingir patamares cada vez mais elevados de qualidade do produto, qualidade ambiental e competitividade.

A Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) é outro caso de sucesso nesse sentido. Ao utilizar bactérias do solo para prover nitrogênio às plantas, a tecnologia gera ao País uma economia de R$ 22 milhões por ano em adubos nitrogenados, além de não poluir o meio ambiente.

A publicação traz ainda outras tecnologias que reduzem o impacto das práticas agrícolas ao meio ambiente, como plantio direto e controle biológico de pragas, e ressaltam os benefícios da sua aplicação em várias culturas de importância socioeconômica no Brasil, como por exemplo, milho, soja, café e laranja, entre outras.

 

Serviço:

Evento virtual: Semana Internacional de Agricultura Tropical

Organizadores: Embrapa e IICA

Data: 22 a 26 de março de 2021

Importante: Informações sobre inscrição, links de transmissão, programação e palestrantes estão disponíveis no site do evento. Serão emitidos certificados de participação para aqueles que fizerem inscrição prévia e tiverem, no mínimo, três registros nas listas de presença, disponíveis diariamente na descrição dos canais de transmissão do youtube em três idiomas (português, espanhol e inglês).

 

Fernanda Diniz (MtB/DF 4685/89)
Secretaria de Pesquisa e Desenvolvimento (SPD)

Contatos para a imprensa

Claudia Dianni (MtB 46219/98)
Instituto Interamenricano de Cooperação para a Agricultura (IICA)

Contatos para a imprensa

Mariana Medeiros (tradução – inglês)
Secretaria Geral

Bovinocultura: cadeia produtiva é tema de reunião entre Embrapa e Emater-DF – 08/03/2021

A cadeia produtiva tanto da bovinocultura de leite quanto de corte foi o foco de uma reunião técnica que contou com a participação de mais de 100 especialistas e gestores da Embrapa Cerrados e da Emater-DF. O encontro foi realizado de forma on-line no último dia 12. No eixo das discussões, o trabalho desenvolvido em dois centros ligados à Embrapa Cerrados: o Centro de Tecnologia para Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL), localizado no Gama (DF), e o Centro de Desempenho Animal (CDA), em Santo Antônio de Goiás (GO).

A Embrapa Cerrados e a Emater-DF são parceiras históricas no processo de transferência de tecnologia e a reunião técnica buscou fortalecer ainda mais essa relação entre pesquisa e extensão rural. “A Emater-DF é um polo de irradiação de tecnologias. Essa parceria entre pesquisa, extensão rural e produtor rural é um exemplo, tanto em termos de gestão do trabalho, quanto de tecnologias que são validadas e adotadas pelo setor produtivo”, afirmou Fábio Faleiro, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados.

“Estamos começando uma nova gestão à frente da Embrapa Cerrados em que o foco é a inovação. Acredito que este é um momento muito especial para que a gente faça entregas no âmbito da pecuária leiteira e de corte. Nossa força de trabalho está à disposição para que, de uma forma sistêmica, cada pesquisador contribua para esse sistema produtivo”, enfatizou Sebastião Pedro da Silva Neto, chefe-geral da Embrapa Cerrados. 

De acordo com Loislene Rocha, diretora executiva da Emater-DF, o próximo acordo de cooperação entre as duas instituições está sendo atualizado e trará um plano de trabalho voltado à questão da inovação tecnológica, principalmente na área animal. “Temos trabalhado muito na área vegetal e vejo como uma oportunidade agora atuar junto à cadeia produtiva da área animal, por meio do uso de tecnologias, com uma preocupação não só voltada ao aumento da eficiência de produção, mas também à preservação do meio ambiente. Nosso cliente tem nos cobrado isso e queremos construir juntos esse novo momento”, pontuou.

Camila Ribeiral, médica veterinária e extensionista da Emater-DF, responsável pelo programa de bovinocultura, apresentou na reunião técnica informações sobre a situação do setor produtivo de bovinocultura do DF. A região possui hoje um rebanho de mais de 78 mil cabeças de gado, sendo 47 mil de bovinos de corte e 31 mil de leite. As duas atividades envolvem cerca de 2.300 produtores rurais. 

Desempenho animal – o pesquisador Claudio Magnabosco falou sobre o trabalho desenvolvido no Centro de Desempenho Animal (CDA). Ele é o supervisor do local e também coordena o programa de melhoramento genético BRGN (Brasil Genética Nelore), referência atualmente em termos de uso de ferramentas e estratégias de tecnologia e que já está promovendo impactos significativos no campo.  

Magnabosco explicou que o que se busca com o trabalho desenvolvido junto ao Nelore BRGN são os acasalamentos genéticos otimizados, ou seja, melhorar as características de cada animal corrigindo seus defeitos e maximizando suas qualidades. “Precisamos de um animal que seja uma máquina de converter capim em carne, mas ele precisa também consumir menos e ganhar mais. Características igualmente importantes são o desempenho à desmama, crescimento, qualidade de carne e carcaça, fertilidade e precocidade sexual”, explicou. 

Esse trabalho de seleção genética foi iniciado no ano 2000 com o objetivo de ofertar ao mercado animais mochos da raça Nelore provados com potencial genético e rusticidade para condições de criação no bioma Cerrado garantindo, assim, eficiência de produção e aumento de produtividade e rentabilidade. Nas pesquisas são utilizados touros jovens de destaque e há a cooperação técnica com rebanhos selecionadores e centrais de inseminação. Ao longo desses anos o programa já produziu 750 touros BRGN, com geração estimada de 23 mil filhos e comercialização em leilões de mais de 10 mil doses do material genético de touros destaque no bioma Cerrado. Hoje existem cerca de 100 matrizes jovens e fenotipadas.

No Centro de Desempenho Animal também é conduzido o Teste de Desempenho de Touros Jovens que busca identificar touros jovens com características para sistema de produção à pasto em ciclo curto. “Isso nada mais é do que uma prova de ganho de peso a pasto que dura 300 dias”, explicou Magnabosco. Segundo o pesquisador, o objetivo do Teste é avaliar características de difícil mensuração. “Procuramos conhecer a inter-relação entre as características, sempre buscando a eficiência econômica do sistema de produção, com foco na qualidade do produto e lucro real para o produtor”. 

Os trabalhos são feitos em parceria entre Embrapa Cerrados, Embrapa Arroz e Feijão e Associação Goiana dos Criadores de Zebu (AGCZ) e vem sendo aprimorado desde 1998. De lá para cá foram 23 edições, com 200 animais ao ano, sendo cerca de 100 aprovados e avaliados a cada ano totalizando cerca de 2 mil animais já aprovados ao longo desses anos dentre 4 mil avaliados. Os animais – das raças Nelore, Tabapuã, Brahman e Guzerá -, são comercializados em leilões e pelo menos dois touros de destaque ao ano se tornam doadores de sêmen nas centrais de inseminação.

No CDA também é conduzido anualmente o teste para eficiência alimentar. Os trabalhos são desenvolvidos a partir de processos sistemáticos dentro da pecuária de precisão. Durante todo o ciclo de vida dos animais são coletadas informações de interesse zootécnico, por meio de monitoramentos individuais. Devido às avaliações feitas ao longo dos últimos vinte anos, o tempo do confinamento foi reduzido de 90 para 58 dias, quando se alcança, de acordo com os estudos, a estabilização do ganho médio diário de peso e da conversão alimentar. “No final, o que queremos é um animal com consumo baixo de matéria seca e um maior ganho de peso”, afirma.

Outro trabalho de destaque conduzido no Centro de Desempenho Animal e apresentado na reunião técnica pelo pesquisador Claudio Magnabosco foi a caracterização e seleção genética para maciez da carne em bovinos Nelore mocho. De acordo com o especialista, já foi identificada ausência de correlação genética entre maciez da carne e carcaça e crescimento. “Gado gordo tem suculência e sabor, não maciez”, afirmou. Com os estudos, está sendo viabilizada no país a produção de animais Nelore com carne mais macia. Para 2021, está prevista, em parceria com outras instituições, a construção no CDA de um laboratório de carne que deve fornecer suporte para realização de análises quantitativas e qualitativas de carne e carcaça.

Raças Zebuínas Leiteiras – o pesquisador da Embrapa Cerrados Carlos Frederico Martins fez um resgate histórico do trabalho desenvolvido ao longo dos anos no Centro de Tecnologia para Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL), inaugurado em 2007. Desde o início, o foco do centro sempre foi a produção de genética zebuína leiteira por meio de biotécnicas reprodutivas e de treinamentos, mas ao longo dos anos foi ganhando outros componentes ligados aos sistemas integrados. “Hoje o CTZL tem a concepção de produção de leite com gado adaptado ao ambiente tropical em pastagens renovadas com Integração Lavoura- Pecuária -Floresta (ILPF)”, explicou o pesquisador, que foi supervisor do CTZL entre 2016 a 2020. 

Atualmente, o CTZL conta com um rebanho de 450 cabeças de animais da raça Gir, Sindi e Guzerá Leiteiro e provenientes de cruzamentos. No centro são conduzidos estudos que abarcam o tripé da produção animal: alimentação e nutrição, sanidade e genética e reprodução. O pesquisador explicou que o carro-chefe das biotécnicas de reprodução utilizadas no desenvolvimento do zebu leiteiro é a inseminação artificial, pela facilidade da técnica, mas a fecundação in vitro é usada de forma estratégica para produzir animais superiores. Segundo ele, além da alta produção de leite a baixo custo, também são buscadas características relacionadas à composição do leite – especialmente a Betacaseína A2 para beneficiar aqueles indivíduos com alergia à proteína do leite -, persistência da lactação, composto de úbere e reprodução. “O animal precisa parir uma vez ao ano e gerar um produto de valor agregado e que não gere despesa ao produtor”, enfatiza o pesquisador. 

Muitos cursos e treinamentos são realizados no CTZL com o objetivo de agregar valor à produção de leite, a maior parte deles em parceira com a Emater-DF. São capacitações relacionadas à produção de derivados do leite, alimentação animal, utilização e manutenção de máquinas e implementos para confecção de silagem, normas sobre a qualidade do leite e inseminação artificial. Este último é o que costuma gerar mais demanda. Trata-se de um treinamento prático, de uma semana, e os aprovados saem capacitados para fazerem as inseminações em suas propriedades. “É uma importante iniciativa para a disseminação da genética dentro das propriedades, uma vez que a inseminação artificial é a principal biotecnologia para inseminação de sêmen de animais provados, pois é fácil de realizar, tem baixo custo e traz a possibilidade de utilização de touros superiores”, explica o pesquisador. Além de capacitar os produtores, também são realizados no CTZL cursos sob demanda da Emater-DF para treinamento dos técnicos veterinários da instituição. 

O pesquisador Carlos Frederico Martins pontuou também informações sobre projetos de pesquisas que são conduzidos no CTZL, tanto ligados à transferência de tecnologia, quanto à reprodução. Um desses estudos que quebra alguns paradigmas é o relacionado à integração da restauração ecológica aos sistemas produtivos no Cerrado. As pesquisas demostram que, ao contrário do que se imagina, o gado pode sim pastejar numa área de reserva legal. “Temos uma unidade de pesquisa de referência no CTZL que nos mostra que o gado mata pouco as plantas, domina a braquiária, permite que as mudas plantadas se desenvolvam e recomponham a mata de galeria e evita o fogo”. 

O Centro abriga ainda uma área experimental, que também é uma Unidade de Referência Tecnológica da Rede ILPF, onde são conduzidos estudos relacionados ao manejo, bem-estar animal, avaliação produtiva e reprodutiva. “Não tínhamos dados relacionados à pecuária leiteira, ambiência, efeito da sombra sobre a produção de leite e de embriões e hoje já sabemos que a sombra de fato é favorável até para o zebuíno leiteiro (leia mais aqui)”. Também são conduzidos no local trabalhos de aferição de metano entérico por meio de cangas e de aferição do comportamento animal (ingestivo e reprodutivo) a partir de sensores de movimentação embarcado em colares. O objetivo é validar os sensores em sistemas de produção a pasto. “Estamos validando esses colares para o zebuíno, pois são feitos originalmente para animais europeus. Assim, temos informações mais refinadas e em tempo real para tomar decisões em relação à condução do manejo animal”, explicou. 

No centro de tecnologia também são conduzidos estudos relacionados à cribiologia de embriões (demanda do setor produtivo e dos laboratórios), avaliação genômica dos embriões, o que possibilitará a predição genômica do embrião antes dele nascer, além da clonagem de bovinos dentre outras técnicas. O pesquisador relatou o resultado de algumas pesquisas recentes, como o uso da melatonina para melhorar a qualidade dos embriões. “Esse hormônio natural induz o sono, mas no sistema in vitro ele age como uma molécula antioxidante com uma ação fenomenal na produção dos embriões. Essa descoberta é importante na medida em que a fecundação in vitro é fundamental para o melhoramento das raças e o produtor precisa ter embriões no botijão para ser descongelado como se fosse sêmen”, explicou. 

As tecnologias geradas no CTZL são disseminadas ainda por meio de eventos como dias de campo e feiras agropecuárias. A interação com o setor produtivo também se dá com os leilões tradicionais de difusão de genética do zebu leiteiro. E outra importante interação do centro com o setor produtivo é a Prova Brasileira de Produção de Leite a Pasto do Zebu Leiteiro, realizada em parceria com associações de criadores e produtores de leite e outras instituições e empresas ligadas ao setor pecuário. A sétima edição da Prova abre as inscrições em junho (leia aqui mais informações).

Única no Brasil realizada nesse formato, trata-se de uma prova zootécnica para validação de materiais superiores na produção de leite a pasto. A finalidade é o melhoramento genético das raças zebuínas de aptidão leiteira, por meio da identificação de matrizes dentro dos grupos contemporâneos de cada raça, com potencial genético para produção de leite a pasto. “Essa prova tem tido uma grande repercussão nacional. Buscamos os animais equilibrados para a produção de leite de qualidade e que apresentem persistência de lactação e reprodução”, explicou o pesquisador.

Novo cenário

De acordo o pesquisador Luiz Adriano Cordeiro, é preciso a partir de agora avançar em alguns outros aspectos devido à diversidade do momento e da própria atividade. “O CTZL foi criado para validar e transferir tecnologias que a pesquisa já detinha em termos de pecuária leiteira para a região do Cerrado. Nesse novo cenário, temos diferentes orientações levando-se em conta o Plano Diretor da Embrapa (PDE) e, também, o macroprocesso de inovação que traz elementos diferentes e mais contemporâneos no processo de inovação em que a Embrapa tem que atuar neste momento”, afirmou. 

Segundo ele, a ideia agora é trabalhar com uma estrutura transversal de inovação, com novos temas sendo incorporados ao trabalho de rotina do centro numa ênfase de inovação aberta, que envolve ambiente de negócio, parceiros inovadores, como startups e empresas de tecnologia, e uma série de outros temas que poderão ser agregados à essa nova fase. “Isso tudo faz parte do novo momento do trabalho da Embrapa na busca de geração e transferência de soluções tecnológicas com foco na inovação pelo setor produtivo. A gente também tem que levar em conta a própria diversidade de temas e a multidisciplinaridade que envolve a produção leiteira”, ressaltou.  

O  pesquisador pontuou alguns desafios que deverão ser enfrentados daqui para a frente nesse novo momento em que os processos produtivos passam em termos de busca pela eficiência. “Há uma diversidade muito grande de temas que são correlatos e importantes para que a produção leiteira seja eficiente no ambiente tropical. E esse é um grande desafio, pois a produção leiteira talvez seja a maior atividade agropecuária do Brasil. O número de produtores é imenso no universo do agro brasileiro, mas muitos deles, especialmente os de pequenas propriedades, ainda possuem baixos níveis tecnológicos. E eles precisam ser inseridos nesse novo momento”, enfatizou.

De acordo com Luiz Adriano, a ideia é transformar o CTZL num centro de desempenho sustentável de pecuária leiteira de baixa emissão de carbono. “Queremos que o centro seja uma ampla e moderna vitrine tecnológica; um exemplo de fazenda sustentável de produção de leite”, afirmou. Para isso, um projeto está sendo formulado e em fase de discussão e finalização. “Vamos ter que buscar recursos adicionais por meio de parcerias. É necessária uma colaboração ampla de instituições que enxerguem que a produção leiteira sustentável é importante para o Brasil”. 

 

Acesse aqui a gravação da reunião:

 

Juliana Caldas (Mtb 4861)
Embrapa Cerrados

Contatos para a imprensa

Telefone: 61 3388 99945

II Congresso Mundial de ILPF recebe inscrições e trabalhos científicos – 08/03/2021

A expectativa da organização do II Congresso Mundial sobre Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta – ILPF – (World Congress on Integrated Crop-Livestock-Forestry Systems) (II WCCLF) é de receber cerca de 1.000 inscrições até o dia 4 de maio, quando começa o evento a ser realizado de forma totalmente virtual durante os dias 4 e 5 de maio. 

Os inscritos poderão submeter trabalhos científicos até o final deste mês, dia 30 de março e devem estar relacionados a 10 temas entre eles, emissões de gases de efeito estufa e sequestro de carbono, transferência de tecnologia para sistemas integrados; aspectos econômicos e sociais e agricultura familiar. 

“Serão aceitos até dois trabalhos por inscrição. Deverão ser escritos somente em inglês, ter no mínimo duas páginas e no máximo seis páginas, com até duas figuras e/ou tabelas”, informa Lucimara Chiari, pesquisadora da Embrapa Gado de Corte e secretária executiva da Comissão Organizadora. A pesquisadora também avisa que “o resumo aprovado terá o pôster exposto na área restrita da plataforma digital do evento, e será publicado nos anais do II WCCLF”. As normas de submissão de trabalhos podem ser conhecidas com mais detalhes clicando aqui.

Valores da inscrição

As inscrições estão chegando de toda parte do Brasil e do exterior, disse Chiari. “Estamos acompanhando com grande entusiasmo acreditando que atingiremos um público maior que do I Congresso, quando recebemos cerca de 600 participantes”. 
Estão se inscrevendo professores, pesquisadores, estudantes, produtores rurais, técnicos agropecuários e profissionais da indústria na área de insumos e máquinas agrícolas.  As inscrições poderão ser feitas até o dia 4 de maio no site oficial do Congresso (II WCCLF) pelo endereço: https://www.wcclf2021.com.br/inscricao 

O valor para profissionais é de 150 reais e estudantes pagam somente 75 reais. E tem promoção: a cada 10 inscrições pagas em grupo, a 11ª da mesma categoria, será cortesia. Estudantes inscritos receberão certificado de participação. Mais detalhes no endereço: wcclf2021@fbeventos.com. Os inscritos no II Congresso terão direito a participar de toda programação científica que inclui a apresentação de palestras, debates e trabalhos científicos de forma digital com acesso por meio de login e senha a ser enviada pelo e-mail cadastrado no ato da inscrição. 

O futuro da produção sustentável no Brasil e no mundo

“O II Congresso Mundial de ILPF é o maior e mais estratégico encontro de especialistas, profissionais, estudantes, produtores e inovadores de diversos segmentos das cadeias de sistemas integrados. É a oportunidade de conhecer o estado da arte da ILPF e refletir sobre o futuro da produção sustentável de alimentos, fibras e bioenergia para o mundo”, a manifestação é do presidente da Comissão Organizadora do II WCCLF, Cléber Oliveira Soares, pesquisador da Embrapa/MAPA.

O evento contará com painéis temáticos e 30 palestras que serão proferidas por cientistas brasileiros, estrangeiros e produtores rurais. A programação inclui debates além de apresentação de trabalhos de forma digital. A palestra de abertura do Congresso será do presidente Celso Moretti, da Embrapa que abordará: “Desafios para o futuro da ILPF no Brasil” e em seguida a apresentação internacional do professor Rattan Lal, da Universidade do Estado americano de Ohio, intitulada: “ILPF e agricultura sustentável no mundo”. A programação completa das palestras pode ser conhecida aqui .

A ILPF e suas vantagens

A ILPF é um sistema de produção que integra três atividades diferentes: a agrícola, a pecuária e a florestal em uma mesma área. Os trabalhos podem ser conduzidos em consórcio, rotação ou sucessão, desde que sejam interativos e gerem benefícios para o sistema. A sua adoção pode acontecer por pequenos, médios e grandes produtores e em todos os biomas brasileiros.

As principais vantagens da ILPF incluem o aumento da produção de carne, leite, grãos e madeira; conserva o solo melhorando sua qualidade; promove maior estabilidade econômica, a sustentabilidade na produção e o bem-estar dos animais; aumenta a renda líquida do agronegócio; recupera áreas degradadas e outras duas grandes vantagens: mitigam as emissões de gases que causam o efeito estufa e reduzem a pressão pela abertura de novas áreas de pasto. 

As adesões da ILPF por agricultores e pecuaristas têm aumentado consideravelmente nos últimos anos. A busca é por solucionar a degradação de pastagens, reduzir impactos ambientais e aumentar a rentabilidade por hectare. É uma preocupação mundial manter produtiva as áreas agricultáveis e por esse motivo realizar mais um Congresso internacional se torna oportuno, importante e  necessário. 

O II Congresso Mundial de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta é uma realização do Mapa, Embrapa, Rede ILPF, Famasul, Semagro e governo do Estado de MS. O evento conta com apoio da Fundação de Turismo de MS (Fundtur), Fundação de apoio à pesquisa Agropecuária e Ambiental (Fundapam),  Fundação MS, Fundação Universidade Federal de MS (UFMS) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Informações gerais sobre o evento podem ser conhecidas clicando aqui 

SERVIÇO

Conheça os sete temas dos painéis e das 30 palestras
link de acesso: https://devnew.redeilpf.org.br/www.wcclf2021.com.br/programacao
Saiba como se inscrever no II Congresso
link de acesso: https://www.wcclf2021.com.br/inscricao
Envio de trabalhos científicos até o dia 30 de março
Link de acesso: https://www.wcclf2021.com.br/trabalhos
 

Eliana Cezar Silveira (DRT 15.410/SSP/SP)
Embrapa Gado de Corte

Contatos para a imprensa

Telefone: 67 3368-2142