Emenda de bancada fortalece ecossistema de inovação do agro em São Paulo

 

Obra iniciada no Lanapre para instalação de casa de vegetação totalmente monitorada por sensores e câmeras

As cinco unidades de pesquisa da Embrapa no estado vão se integrar ao Hub AgroDigital, que conjuga ciência e setor produtivo em prol da agricultura brasileira

Os recursos de investimento de R$ 19,5 milhões, recebidos por meio de Emenda Parlamentar da Bancada de São Paulo, vão permitir, aos centros de pesquisa da Embrapa no estado, fortalecer sua infraestrutura e integrar-se ao Hub AgroDigital de São Paulo. Esse ecossistema visa fortalecer a gestão integrada da produção agropecuária e as parcerias com instituições públicas e privadas, contribuindo com desenvolvimento de novas soluções tecnológicas disruptivas, a agregação de valor à produção, o aumento da rentabilidade do agricultor e a segurança alimentar.

O hub de inovação digital é uma iniciativa para conectar institutos de pesquisa, universidades, empresas e profissionais, com o intuito de desenvolver, de forma compartilhada, conhecimentos, tecnologias, produtos e serviços. O foco é atuar de forma conjunta e integrada, para geração de conhecimentos e tecnologias sustentáveis que subsidiem a política agrícola nacional, favorecendo a competitividade da agricultura brasileira.

A emenda de bancada é uma iniciativa aprovada por todos os deputados federais e senadores paulistas, em uma articulação com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), e que levou anos para ser concretizada. Teve início em 2017, nas reuniões da Bancada de SP, sob coordenação do Deputado Herculano Passos (MDB), com a aprovação em 2020, sob a coordenação do Deputado Vinicius Poit (Novo). A proposta de aprovação deste recurso foi feita a partir da sugestão e articulação do Deputado Arnaldo Jardim (Cidadania), junto a todos os parlamentares da Bancada Paulista, que reconhecem a relevância da ciência e da pesquisa agropecuária para o desenvolvimento do Estado de São Paulo e do país.

 

Data center & coworking

“Esses centros de pesquisa têm trabalhado em grande sinergia entre si e com outras empresas e instituições para a formação e consolidação do Hub AgroDigital de São Paulo”, destaca a chefe geral da Embrapa Informática Agropecuária (Campinas), Silvia Massruhá.

A aquisição de equipamentos de tecnologia da informação possibilitou a ampliação do data center científico do centro de pesquisa e da capacidade de processamento de dados de alto desempenho para a Embrapa e instituições parceiras. Com isso, várias pesquisas e laboratórios de serviços da Embrapa serão beneficiados. “Com esses recursos, conseguimos melhorar nossa capacidade de processamento e de armazenamento de alto desempenho, fortalecendo o data center científico da Embrapa, que dá suporte a várias pesquisas desenvolvidas pela Empresa”, explica Massruhá.

Entre as pesquisas, estão as conduzidas pelos portfólios de Inteligência, Gestão e Monitoramento Territorial, Mudanças Climáticas, Automação e Agricultura de Precisão e Digital, por exemplo, como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que apoia programas governamentais para redução de riscos na agricultura, e o TerraClass Amazônia, voltado à qualificação do uso e cobertura da terra nas áreas desflorestadas da Amazônia. O Laboratório Multiusuário de Bioinformática da Embrapa, que disponibiliza serviços e infraestrutura computacional de alto desempenho, também foi contemplado.

A emenda viabilizou ainda a contratação de empresa para construção do Espaço de Coworking de Inovação na Embrapa Informática Agropecuária, que será usado nas atividades do Hub AgroDigital para promover um novo modelo de trabalho cooperativo entre as instituições parceiras. O objetivo é incentivar a troca de ideias, o compartilhamento e a colaboração entre empregados, colaboradores e parceiros na execução de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). O ambiente colaborativo vai apoiar o trabalho de pesquisadores e parceiros de empresas, startups e instituições, que integram o ecossistema de inovação em agricultura digital, desenvolvendo pesquisas e soluções tecnológicas em conjunto com a Embrapa.

 

Conectividade e autonomia energética

Com o recurso recebido em dezembro, a Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos) vai fortalecer as pesquisas que dependem da conectividade no campo e intercâmbio de dados. “O recurso foi aplicado na estrutura que incorpora todos os conceitos de IoT [Internet das Coisas], conectividade e Big Data, como drones, automatização da coleta de solo, ultrassom para prenhez de vacas, sensores e antenas para ILPF [Integração Lavoura-Pecuária-Floresta] e ordenha robotizada. Isso contribui para alimentar o data center em agricultura da Embrapa”, explica o chefe geral Rui Machado. O centro de pesquisa já é referência em pecuária de precisão.

Ainda em 2021, a Embrapa Pecuária Sudeste deve se beneficiar de uma usina fotovoltaica que a tornará praticamente autossuficiente em geração de energia. Hoje, os gastos com energia elétrica estão entre os quatro maiores custos de manutenção da fazenda Canchim, onde funciona o centro de pesquisa.

“Esse custo não vai zerar, mas vai abater demais”, explica o chefe adjunto de Administração Marco Aurélio Bergamaschi, que vem batalhando pela instalação de outra matriz energética há uns quatro ou cinco anos. A usina fotovoltaica, baseada em energia solar, vai abastecer todo o setor administrativo, onde as equipes têm suas salas, e o pivô de irrigação, outro grande consumidor de energia.

A autonomia energética representa um avanço no sentido da busca da sustentabilidade na produção – uma das bandeiras do centro de pesquisa. “O foco da Embrapa Pecuária Sudeste é a pecuária sustentável e esse investimento está totalmente alinhado à filosofia do centro de pesquisa. É perfeito!”, aponta Bergamaschi.

Ele explicou que o processo de montagem da usina acabou contemplando toda a Embrapa, e não apenas essa unidade são-carlense. “Fizemos uma modalidade de licitação corporativa que permitirá que cada centro de pesquisa da empresa faça a adesão no momento oportuno”, explica. O investimento na usina fotovoltaica já contratada gira em torno de R$ 1,3 milhão, as placas vão ocupar uma área aproximada de 3 mil metros quadrados e a expectativa é que entre em funcionamento ainda neste ano.

 

‘Big Brother’ das plantas

Imagine uma casa de vegetação, onde são realizadas pesquisas controladas sobre o desenvolvimento de plantas, totalmente monitorado por câmeras e sensores! A tecnologia das câmeras que se movimentam sobre a vegetação é semelhante àquela que foi utilizada na última Copa do Mundo para mostrar os estádios pelo alto. Há uma estrutura de metal que suporta as câmeras e se move lateralmente para que o monitoramento seja contínuo.

De acordo com o chefe geral da Embrapa Instrumentação (São Carlos), João Naime, os equipamentos adquiridos vão permitir controlar o ambiente dos experimentos, temperatura, umidade, luminosidade e ventilação serão programáveis, enfim, tudo o que ocorre naquele espaço. Serão três áreas isoladas, para que as pragas e doenças que estão sendo estudadas em uma casa de vegetação não afetem a que está próxima.

As tecnologias convergentes (envolvendo nanotecnologia, fotônica, materiais avançados, inteligência artificial e agricultura 4.0) serão aplicadas no estudo de plantas, solos e pós-colheita, como forma de alavancar o desenvolvimento de tecnologias disruptivas no agronegócio do país. Elas vão permitir, por exemplo, acompanhar o desenvolvimento de doenças da soja, de citros, milho e feijão, visando proporcionar diagnósticos mais rápidos e objetivos.

“Com a automatização, não será necessário que técnicos, analistas ou pesquisadores estejam presentes porque os sensores e nanossensores coletam os dados e enviam para o banco de dados, permitindo o processamento, com uso de inteligência artificial sobre Big Data coletado”, explica.

A obra de instalação começou na primeira semana de janeiro e a expectativa é que fique pronta em 30 dias. A casa de vegetação ficará no Laboratório de Referência Nacional em Agricultura de Precisão (Lanapre), também em São Carlos. Naime afirma desconhecer o uso de estrutura semelhante no Brasil, mas informa que os pesquisadores Paulo Herrmann e Cauê Ribeiro visitaram sistema parecido na Alemanha.

 

Dados espaciais

Na Embrapa Territorial (Campinas), os investimentos em infraestrutura de Tecnologia da Informação (TI) aumentarão a capacidade e agilidade no processamento de informações que subsidiam o Poder Público e o setor produtivo. Novos equipamentos disponíveis para equipes de geoprocessamento reduzem de dias para horas o tempo de resposta de análises.

Por exemplo, em computadores convencionais, para extrair do Sistema do Cadastro Ambiental Rural (SiCAR) os planos de informações geográfica da área total de imóveis rurais e suas relações com os as áreas destinadas à vegetação nativa, é preciso “recortar” o Brasil em regiões ou estados para, então, distribuir os arquivos geocodificados para processamento entre diferentes máquinas.

As novas workstations conseguem analisar o País todo em um único arquivo espacial, dentro de poucas horas. “Esse poder de processamento muitas vezes superior aos desktops tradicionais trará ganhos expressivos no tempo de resposta dos nossos Sistemas de Inteligência Territorial Estratégica”, avalia o analista Carlos Alberto de Carvalho, da Embrapa Territorial.

Os recursos provenientes da emenda parlamentar também ampliaram a capacidade dos servidores de rede do centro de pesquisa. Entre outros trabalhos, esses equipamentos mantêm mapas, imagens e informações gerados em 20 unidades da Empresa e disponibilizados on-line, gratuitamente, na Infraestrutura de Dados Espaciais da Embrapa (Geoinfo), conectada à Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (Inde).

Os mapas e documentos ficam disponíveis em diferentes formatos, inclusive abertos, para permitir novos estudos a partir deles, o que gera economia de tempo e recursos financeiros para a própria Embrapa e outras instituições. A ampliação da capacidade dos servidores viabiliza a inserção de mais centros de pesquisa da Empresa e mais dados espaciais nessa plataforma.

 

Análises ambientais de ponta para promover a sustentabilidade

Na Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna), estão sendo modernizados e atualizados equipamentos e infraestrutura de laboratórios de ponta, que permitem o avanço do conhecimento e o desenvolvimento de inovações que garantem a sustentabilidade da produção agropecuária. O chefe de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Rodrigo Mendes ressalta que a aplicação dos recursos da emenda possibilitou melhorias importantes na infraestrutura dos laboratórios. “Consolida os processos e a obtenção de ativos que sustentam o desenvolvimento do ecossistema de inovação, promovendo a bioeconomia e a inovação no agro”, pontua.

Entre estes, estão equipamentos que ampliarão a capacidade de bioprospecção e desenvolvimento de novos insumos biológicos, como inoculantes e agentes de biocontrole de pragas e doenças. Por exemplo, um sequenciador genético, capaz de simplificar o fluxo de trabalho, oferecendo maior agilidade nos processos e considerável redução no uso de insumos, permitindo explorar as características do conjunto de mais de 15 mil microrganismos que fazem parte da Coleção de Microrganismos da Embrapa Meio Ambiente, favorecendo a geração de ativos para a agricultura e a agroindústria.

Além disso, se destacam equipamentos para análises de solo e água, que permitirão a compreensão dos fenômenos biogeoquímicos e  o desenvolvimento de tecnologias para a mitigação de emissões de gases de efeito estufa em vários processos agropecuários, além de sistemas de cromatografia líquida de ultra eficiência, acoplado a espectrômetro de massa de alta sensibilidade e seletividade, capaz de realizar com maior rapidez e confiabilidade as análises de pesticidas e contaminantes ambientais, dados de grande demanda e importância para a sustentabilidade dos agroecossistemas.

“Em conjunto, todas essas atualizações e modernizações dão suporte ao desenvolvimento e fortalecimento do ecossistema de inovação do Estado de São Paulo, estruturado em uma rede de instituições parceiras, públicas e privadas”, ressalta o chefe geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi. “Agradecemos a confiança e apoio dos parlamentares da bancada paulista que têm sempre incentivado e efetivamente contribuído com a pesquisa agropecuária, que gera resultados que beneficiam toda a sociedade, promovem o desenvolvimento sustentável de nosso estado e do país e permite à Embrapa e parceiros o cumprimento de sua missão”, completa Morandi.

Foto: Embrapa Instrumentação

Ana Maio (Mtb 21.928)
Embrapa Pecuária Sudeste

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Nadir Rodrigues (MTb/SP 26.948)
Embrapa Informática Agropecuária

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Vivian Chies (MTb 42.643/SP)
Embrapa Territorial

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Como evitar perdas na agricultura com as mudanças do clima – 21/01/2021

Alterações no regime de chuvas e temperaturas desafiam a ciência

A agricultura é uma atividade dependente de fatores climáticos e a mudança no clima pode afetar a produção agrícola de várias formas. Seja por alterar a frequência de eventos extremos, relacionados com os regimes térmico e hídrico, ou pelo aumento dos problemas causados por pragas e doenças, entre outros. O assunto é importante para toda a sociedade, pois a agricultura brasileira é responsável por participação relevante na economia nacional.

Os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) demonstraram que o clima do planeta está mudando e que a elevação da concentração dos gases de efeito estufa é a principal causadora. Por exemplo, a concentração de COna atmosferaque em 1960 era de 315 ppm, hoje está acima de 412 ppm, além da velocidade de aumento dessa concentração estar cada dia sendo acelerada.

A partir dos relatórios do IPCC, começaram a ser desenvolvidos estudos relacionados às mudanças climáticas em diversos locais do mundo e seus potenciais impactos na agricultura. No Brasil, a Embrapa tem trabalhado em alguns projetos de pesquisa envolvendo a questão do aquecimento global e a adaptação de culturas às novas condições ambientais esperadas.

Com o passar dos anos, o clima foi mudando e causando impactos, tanto positivos quanto negativos, na produção de alimentos.  Anderson Santi,  pesquisador em mudanças do clima da Embrapa Trigo, destaca os trabalhos realizados sobre emissão e sequestro de gases de efeito estufa e quais os sistemas que melhor se adaptam à realidade brasileira: “O sistema plantio direto trabalha toda a questão de solo e de planta e, automaticamente, envolve o clima porque esse sistema absorve bastante carbono, por meio de um dos principais gases de efeito estufa que é o CO2”, diz.

Segundo Santi, se o sistema plantio direto for trabalhado de forma adequada, conforme as recomendações técnicas, quando é mantida cobertura vegetal, com palhada no sistema o ano todo, o agricultor estará retirando CO² da atmosfera e, indiretamente, colocando-o no solo. “Essa cobertura orgânica, com plantas vivas e restos culturais, visa a proteger o solo contra o impacto direto da chuva e do vento, que causam erosão. Além disso, a cobertura do solo auxilia na regulação da temperatura, que fica menor, e pode favorecer as plantas e também contribuir para menor evaporação da água e assim manter o solo úmido por mais tempo. Ou seja, trabalhar corretamente o manejo, protegendo e favorecendo a reciclagem de nutrientes e não somente fazendo o uso de uma única cultura o ano todo, é uma alternativa viável e eficaz no combate dos impactos relacionados com extremos climáticos” afirma.

Impactos no trigo

Alguns estudos trabalharam com simulações de cenários, com um possível aumento das temperaturas. “Os cereais de inverno poderiam, julgando por hoje, ter a sua área tradicional de cultivo no sul do Brasil afetada, caso a temperatura fosse aumentar de 1 a 3ºC nos próximos 100 anos”, afirma Santi.

As projeções para a região norte do Rio Grande do Sul, por exemplo, indicam que a umidade na primavera tende a aumentar e, com isso, a incidência de doenças fúngicas na cultura do trigo seria mais frequente com maior potencial de danos, considerando a atual base genética e a tecnologia de proteção de plantas disponíveis. “Aqui no Rio Grande do Sul uma das principais doenças no trigo é a giberela, causada por um fungo que ataca a espiga desse cereal, que se agravaria ainda mais com o aumento projetado de chuva e de temperatura”, aponta o pesquisador Anderson Santi.

Alguns estudos, que avaliaram os impactos da mudança do clima no trigo, mostram que, pelas características fisiológicas desse cereal, o aumento das temperaturas e, em consequência, o aumento do CO2 na atmosfera, poderia também trazer efeitos benéficos na produção em termos de qualidade de grão. Em contrapartida, com o aumento do calor, o desenvolvimento da planta poderia ser comprometido, pela falta de frio que é necessário para a cultura do trigo, o que poderia implicar, potencialmente, em menor produtividade.

Dados observados no laboratório de meteorologia da Embrapa Trigo registram que nos últimos 100 anos houve um aumento de 4 mm de chuva por ano. “Em Passo Fundo, RS, a temperatura média aumentou quase 1ºC nos últimos anos. Esse é um indicador de que o clima do sul do Brasil está em mudança, a exemplo do que tem sido diagnosticado em outros locais do mundo”, relata Santi.

A partir da comprovação científica do aumento gradativo das temperaturas nos anos 2000, a Embrapa passou a contratar pesquisadores para atuar em mudanças climáticas. Foi executado um projeto abrangendo todo o País simulando alterações no clima que poderiam ocorrer no futuro. “Com certeza teremos alguns problemas relacionados ao aumento de temperatura, principalmente na questão de déficit hídrico nas regiões Centro-Oeste e Nordeste. Nesses estudos buscamos encontrar soluções como a adaptação das culturas para suportar esses extremos que poderão ocorrer ainda antes do final desse século”, finaliza Anderson Santi.

Oportunidades

Gilberto Cunha, agrometeorologista da Embrapa Trigo, reforça que a mudança do clima global não necessariamente traz só inconvenientes para a agricultura brasileira. “Em muitos aspectos, essa mudança, se usada com inteligência estratégica, pode trazer benefícios. Como exemplo bem conhecido, a inovação e a criação de novos negócios, como foi o caso da indústria de biocombustíveis, que se estabeleceu no rastro da onda da economia verde associada à mudança do clima”, afirma.

O pesquisador também faz menção ao selo de sustentabilidade que a agricultura brasileira pode alcançar com a adoção predominante do sistema plantio direto. “Nas nossas áreas que estão em cultivo, da nossa produção pecuária ser baseada em pastejo direto pelos animais e da possiblidade de intensificação do uso da terra, sem a necessidade de abertura de novas fronteiras agrícolas em áreas intocadas, a partir da integração de sistemas de produção, a exemplo da Integração entre Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF). Além das inúmeras possibilidades abertas pela nova bioeconomia, em que os nossos recursos naturais, pela diversidade de espécies, podem nos conferir um diferencial competitivo relevante”, diz.

Outro aspecto destacado por Cunha é que, efetivamente, está chovendo mais no sul do Brasil. “Isso, especialmente para os cultivos de verão, no caso da soja, tem sido benéfico, inclusive para a incorporação de novas áreas cultivadas com essa oleaginosa na metade sul do Rio Grande do Sul, onde, historicamente, chovia menos”, conclui.

O grande desafio para as instituições que lidam com ciência, tecnologia e inovação para agricultura, finaliza Cunha, “é criar a capacidade de adaptação das plantas cultivadas, seja pela via da mudança genética, com biologia avançada, ou por meio de novas práticas de manejo que confiram maior resiliência aos nossos sistemas agrícolas para lidar com um clima em evolução permanente. O caminho é o da ciência!”

Colaboração Matheus Wagner Basso

Estagiário de jornalismo na Embrapa Trigo

Foto: Everton Weber

Joseani M. Antunes (MTb 9693/RS)
Embrapa Trigo

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Produção de caprinos e ovinos terá recursos de R$ 426 mil para ações de inovação – 19/01/2021

Da esquerda p/ direita: Evaldo Cruz (superintendente da Sudene), Marco Bomfim (chefe-geral da Embrapa Caprinos e Ovinos) e Raimundo Gomes de Matos (diretor da Sudene), na assinatura do Termo de Execução

A produção de caprinos e ovinos no Semiárido brasileiro ganha novo incentivo a partir do convênio entre Embrapa e Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que garantirá R$ 426 mil em recursos para desenvolvimento de atividades na Bahia, Paraíba, Pernambuco e Piauí, fortalecendo a rede de inovação dos polos do programa Rota do Cordeiro (coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Regional). O Termo de Execução Descentralizada (TED) para a cooperação foi assinado por gestores das duas instituições na tarde desta terça-feira (19), na sede da Embrapa Caprinos e Ovinos, em Sobral (CE). 

Os recursos, financiados pela Sudene, serão utilizados para ações de melhoramento genético, sanidade animal, nutrição animal, segurança alimentar de rebanhos e capacitação de técnicos nos polos de atuação do programa, além da instalação de um núcleo avançado da Embrapa Caprinos e Ovinos no estado da Bahia. “É um prazer estabelecer esta parceria com a Embrapa para melhor fomentar pesquisa e desenvolvimento. Espero que seja a primeira de muitas”, afirmou o superintendente da Sudene, Evaldo Cruz Neto, que também levantou a possibilidade de, no futuro, lançar edital específico de financiamento para pesquisas relacionada às atividades de caprinocultura e ovinocultura.

As ações beneficiarão produtores rurais dos polos do Vale do Itaim (PI), Vale do Jacuípe (BA), Cariri Paraibano/Sertão Pernambucano, selecionados pelo estágio de organização que alcançaram a partir da infraestrutura de abate em funcionamento ou de coleta/processamento de leite caprino. Todos eles possuem também cooperativas de produtores estruturadas, que colaboram nos processos de inovação em outros projetos e programas com participação da Embrapa.

“Com o apoio da Sudene, teremos uma oportunidade de exercer um fomento qualificado, fazendo convergir políticas públicas para territórios onde caprinocultura e ovinocultura são atividades relevantes”, destacou  Marco Bomfim, chefe-geral da Embrapa Caprinos e Ovinos. Além da Rota do Cordeiro, os agricultores dos territórios selecionados também integram outros programas e políticas públicas, como o AgroNordeste (coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e o InovaSocial (parceria entre Embrapa e BNDES).

Em cada um dos polos, serão desenvolvidas ações voltadas para as realidades locais. No Vale do Itaim (PI), polo com comercialização regular de 200 animais vivos por semana e com história de associativismo consolidada e inclusão de jovens e mulheres nas atividades produtivas, será implementado um programa de melhoramento genético de animais de corte e uma unidade de apoio laboratorial para serviço de assessoria nutricional que, em parceria com o IFPI, ajudará também na capacitação de estudantes locais.

Em Jacuípe (BA), com tradição de ovinocultura de corte (abate de cerca de 300 animais por semana) e frigorífico administrado por cooperativa, serão implementados plano de controle de doenças dos rebanhos e um programa específico para controle de verminoses, para minimizar as perdas produtivas e colaborar com programas de melhoramento voltados para obtenção de animais padronizados para as características do mercado.

Já no polo do Cariri Paraibano/Sertão Pernambucano, onde está localizada a maior bacia leiteira caprina do país, com 14 laticínios que processam leite de cabra e mais de 1500 produtores que têm na caprinocultura seu meio principal de sustento, a atenção será para a segurança alimentar dos rebanhos, com uso dos recursos para implantar Unidade de Referencia Tecnológica em ILPF e testes de cardápio forrageiro – estratégia de combinação de plantas forrageiras adequadas à realidade local.

Os recursos da cooperação também servirão para capacitação de técnicos nos três polos e para estruturar um núcleo avançado da Embrapa Caprinos e Ovinos, que ficará sediado em Cruz das Almas (BA), na Embrapa Mandioca e Fruticultura. A instalação desse núcleo visa facilitar a presença da Embrapa em diversas ações nos polos da Rota do Cordeiro nos estados do Piauí, Pernambuco e Bahia, melhorando a prospecção e o atendimento às demandas desses territórios.

Além da assinatura do Termo, o superintendente da Sudene, acompanhado pelo diretor de Planejamento e Articulação de Políticas, Raimundo Gomes de Matos, e funcionários da instituição, visitou campos experimentais na Embrapa Caprinos e Ovinos. Lá, conheceram a área experimental do sistema de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Caatinga e acompanharam apresentações da equipe da Embrapa Caprinos e Ovinos sobre as soluções tecnológicas que serão utilizadas nos polos.

Rota do Cordeiro

A Rota do Cordeiro surgiu em 2012, a partir de cooperação entre Embrapa Caprinos e Ovinos e o então Ministério da Integração Nacional. O programa tem como objetivo profissionalizar as atividades de ovinocultura e caprinocultura no Semiárido, articulando produção, processamento e comercialização de produtos. A Rota do Cordeiro faz parte do programa Rotas de Integração Nacional, do Ministério do Desenvolvimento Regional, que atua com redes interligadas de arranjos produtivos locais (APLs) para promover inovação, diferenciação, competitividade e lucratividade de empreendimentos rurais. 

 
 Foto: Adilson Nóbrega

Adilson Nóbrega (MTB/CE 01269 JP)
Embrapa Caprinos e Ovinos

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Soja brasileira tem tecnologia para aumento de produção sem pressão por áreas de florestas – 14/01/2021

O desenvolvimento de tecnologias próprias permite ao Brasil, líder mundial na produção de soja, produzir o grão com sustentabilidade e sem pressionar as áreas de florestas, mesmo considerando os cenários de aumento de demanda do grão nos próximos anos. A análise apresentada em 2019 por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) continua válida e responde parte dos questionamentos internacionais sobre o sistema produtivo brasileiro. Com o título “O aumento da produção brasileira de soja representa uma ameaça para a floresta amazônica?”, o estudo analisa se as perspectivas de aumento de demanda global, poderiam causar maior pressão sobre a floresta amazônica, como tem sido sugerido no ambiente internacional. 

O Brasil, líder na produção mundial de soja, produziu na safra 2019/20, 125 milhões de toneladas com grão. A soja ocupa aproximadamente 37 milhões de hectares e o aumento da demanda global e consequentemente da produção de soja é um desafio para o Brasil, que vai requerer engajamento de toda a cadeia produtiva. “A Embrapa e parceiros têm uma agenda ampla de tecnologias e pesquisas que garantem o crescimento sustentável da produção de soja brasileira, a principal fonte de proteína para o mundo¨, destaca Alexandre Nepomuceno, chefe-geral da Embrapa Soja. 

“A aplicação de alta tecnologia e práticas sustentáveis, como o plantio direto na agricultura brasileira, têm permitido o incremento da produção por unidade de área. A recuperação de áreas, como por exemplo, pastagens degradadas, também tem permitido o aumento de produção. Existe muito espaço ainda para o Brasil continuar ajudando a alimentar o planeta sem pressionar áreas de preservação ambiental. A preservação de florestas nativas também é estratégica para o agronegócio brasileiro no aspecto social, econômico e ambiental”, explica Nepomuceno.

De acordo com Décio Gazzoni, pesquisador da Embrapa Soja, e um dos autores do estudo, o Brasil tem sistematicamente projetado vários cenários internacionais de demanda do mercado de soja para as próximas décadas e desenvolvido estratégias para alcançar esses cenários de uma maneira sustentável. “O cultivo da soja no bioma Amazônico está absolutamente fora de qualquer cenário de expansão do volume de soja produzido no país, não apenas pelas questões ambientais e restrições legais, mas também por questões econômicas, de logística, técnicas e financeiras”, aponta Gazzoni.

Além de preservar a floresta como patrimônio nacional, o Brasil detém domínio tecnológico para dobrar a produção atual nas áreas que já cultivam soja ou recuperando áreas de pastagens degradadas. “Os incrementos da produção brasileira nos últimos anos estão diretamente associados às novas recomendações de manejo da cultura, ao potencial genético de cultivares e às novas perspectivas abertas pela combinação de áreas de pastagens degradadas em sistemas mais eficientes por meio da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF)”, explica. “O crescimento do volume de produção está muito mais baseado no incremento de produtividade do que no aumento da área plantada”, destaca.

O estudo conduzido pelos pesquisadores da Embrapa também comparou dados de desmatamento na região amazônica e a expansão da área usada para produção de soja no período de 2005 a 2018. De acordo com os autores do estudo, além do país possuir uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo, a própria iniciativa privada estabeleceu rigorosos compromissos com a preservação do bioma amazônico. “A exploração dessas áreas para soja não são adequadas nem ambientalmente e nem economicamente”, explica Gazzoni.

O estudo exemplifica também como, nas últimas décadas, o Brasil incrementou sua produção agrícola.  Entre os exemplos apontados pelo crescimento sustentável da produção, estão as tecnologias que permitiram melhoria das pastagens pela inserção da agricultura na recuperação do solo, entre eles o iLPF, estimado em  11,5 M de ha em 2016. Outra inovação da agricultura tropical foi o processo de intensificação agrícola, ou seja, o uso de dois, às vezes três, ciclos de cultivo por ano, na mesma área (safra e safrinha), o que implica reduzir a área necessária para a mesma produção agrícola, também chamado de “efeito poupa-terra”.

O pesquisador Marco Nogueira, também autor do estudo, ressalta que o sistema de produção brasileiro está ancorado em tecnologias que são ambientalmente favoráveis. “Entre elas estão a fixação biológica do nitrogênio (que dispensa adubo nitrogenado e por isso diminui as emissões de gases de efeito estufa e a contaminação de lençóis freáticos com nitratos), o plantio direto (que conserva o solo, retém água e fixa carbono), técnicas de manejo integrado de pragas e doenças, que formam um conjunto de tecnologias que reduzem, inclusive, a emissão de carbono na atmosfera”, exemplifica. 

O estudo completo está disponível em português e em inglês no site da Embrapa Soja: www.embrapa.br/soja

Versão português: https://www.embrapa.br/soja/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1111915/o-aumento-da-producao-brasileira-de-soja-representa-uma-ameaca-para-a-floresta-amazonica

Versão inglês (English version): https://www.embrapa.br/soja/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1111175/does-the-brazilian-soybean-production-increase-pose-a-threat-on-the-amazon-rainforest

Texto: Carina Rufino e Lebna Landgraf

Lebna Landgraf (Mtb 2309 -PR)
Embrapa Soja

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Setor produtivo vê ‘ponte entre dois mundos’ em capacitações da Embrapa – 21/12/2020

Adilson Malagutti ( centro), durante uma atividade do Bifequali TT, programa que é base das capacitações

A gente consegue fazer essa ponte entre os dois mundos: o campo, a demanda, com uma instituição que traz a solução para esse campo. Isso tem muito valor, é fantástico!’ (Leonardo Bittencourt, Coopercitrus)

Cada vez mais, tecnologias desenvolvidas pela Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP) estão chegando ao setor produtivo, o que deve reverter em práticas e processos intensificados e sustentáveis de produção ao longo do tempo. Em 2020, a equipe de Transferência de Tecnologia deste centro de pesquisa organizou ao menos três grandes iniciativas de capacitação de técnicos por meio de contratos de cooperação técnica. Pesquisadores que atuam com gado de corte e com sistemas integrados de produção foram convidados a participar das ações, que ainda estão ocorrendo. Confira detalhes a seguir:

Coopercitrus 

O relacionamento com a Coopercitrus já se estabeleceu há alguns anos e as capacitações para a cooperativa têm ocorrido com mais frequência na Embrapa Pecuária Sudeste. A cooperativa investiu em uma fábrica de rações, vem montando um time para trabalhar com pecuária e, no meio de 2020, lançou o programa Mais Pasto. “Eles estão expandindo a atuação nessa área e sentiram falta de um conteúdo que mostrasse como organizar e planejar a pecuária nas propriedades de cooperados”, falou Adilson Malagutti, do SGTT (Setor de Gestão de Transferência de Tecnologia).

Ele coordena o programa Bifequali TT (Transferência de Tecnologia), que repassa tecnologias relacionadas à pecuária de corte aos técnicos. Esses, por sua vez, vão aplicá-las, depois, nas propriedades atendidas. Seis técnicos especializados em pecuária da cooperativa estão implantando Unidades Demonstrativas em Araxá (MG), Itajá (GO), Frutal (MG), Duartina (SP), Pirassununga (SP) e Álvares Florence (SP). “A gente tem acompanhado a implantação dessas unidades, monitorando a coleta de dados para planejar os sistemas de produção, conhecer as expectativas e os sonhos dos pecuaristas, enfim, aplicando a metodologia do Bifequali TT”, explicou.

Malagutti disse que a ideia é promover dias de campo nessas Unidades Demonstrativas entre o final de 2021 e início de 2022. Para os módulos em que serão abordados temas como reprodução, balanço hídrico, planejamento econômico e financeiro, entre outros, a Coopercitrus convidou também outros técnicos, inclusive que trabalham na revenda. Serão cerca de 30 participantes em cada módulo.

Para Leonardo Bittencourt, gerente de pastagem da Coopercitrus, a cooperativa investe muito em tecnologias e em serviços para atender seus cooperados. “A gente tem total convicção de que não adianta a gente ter a melhor tecnologia, o melhor portfólio de produtos se eles não forem utilizados no momento certo, na quantidade certa, do jeito certo, a solução certa para o problema certo. Para isso a gente precisa oferecer apoio ao cooperado.”

Segundo ele, nada melhor que uma parceria com a Embrapa para preparar a equipe que está sendo criada para prestar essa assistência. Além disso, ele afirma que o treinamento prático em algumas fazendas e os cases de sucesso que estão sendo construídos são um diferencial. “A gente consegue fazer essa ponte entre os dois mundos: o campo, a demanda, com uma instituição que traz a solução para esse campo. Isso tem muito valor, é fantástico!”

Cocamar

O analista Hélio Omote está conduzindo a capacitação em ILP e ILPF – sistemas que integram Lavoura-Pecuária-Floresta – de 30 técnicos da Cocamar (Cooperativa Agroindustrial) de Maringá (PR). O treinamento inclui manejo de pastagem e manejo animal e o objetivo é treinar os técnicos para ampliar a adoção desses sistemas.

‘Manter a equipe técnica atualizada

é fundamental para este sucesso’

(Emerson da Silva Nunes, Cocamar)

O curso, que seria presencial, teve início no dia 9 de abril. Em função da situação de isolamento social, está ocorrendo em formato virtual. São 15 meses de curso, sendo que os módulos teóricos terminaram em agosto e agora ocorre a modalidade de tutoria à distância. Os participantes são engenheiros agrônomos de unidades da Cocamar localizadas em regiões de solo arenoso nos Estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Emerson da Silva Nunes, gerente técnico de ILPF na Cocamar, disse que essa parceria proporcionou um enorme ganho para a equipe técnica da cooperativa. “Especialistas em diversas áreas estão trazendo novidades e conhecimentos que irão fortalecer tanto os produtores que já estão no sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta quanto o fomento de novos produtores e expansão da área de ILPF em nossa região.”

Assim, disse ele, “temos a pesquisa juntamente com a extensão rural levada pelos técnicos da cooperativa com objetivos únicos de vermos o crescimento e a expansão do produtor rural, obtendo cada vez maior produtividade e rentabilidade.” De acordo com Emerson, esse conhecimento agregado fará com que os sistemas atendidos se tornem sustentáveis, recuperando pastagens degradas, potencializando a produção de grãos e produção animal e obtendo todos os benefícios que este sistema propicia. “Manter a equipe técnica atualizada é fundamental para este sucesso”, afirmou.

Mosaic Fertilizantes

De acordo com o analista Adilson Malagutti, a parceria da Mosaic Fertilizantes com a Embrapa em relação a pesquisas ocorre há algum tempo. Mas, recentemente, a empresa mostrou interesse em treinar sua equipe e convidados para o uso racional de fertilizantes em pastagens. A Mosaic Fertilizantes vem lançando produtos específicos para pastagens em 2020 e sinalizou a demanda. “Como o programa Bifequali TT já trabalhava com essas questões, a gente organizou a capacitação”, explicou Malagutti.

‘A parceria com a Embrapa auxilia 

o pecuarista a melhorar o rendimento

de seu rebanho e a performance de

sustentabilidade de sua propriedade’

(Antônio Meirelles, Mosaic Fertilizantes)

Pesquisadores foram chamados a compartilhar conteúdos sobre solo e nutrição de plantas, manejo de pastagens e sistemas de pastejo, respectivamente. Foram formadas duas turmas: a primeira participou da formação entre 26 e 29 de outubro e a segunda foi treinada de 30 de novembro a 14 de dezembro, em quatro encontros virtuais. Ao todo, são cerca de 50 participantes de vários pontos do Brasil.

O grande destaque desse treinamento, segundo Malagutti, tem sido a visão sistêmica da propriedade. “Os pesquisadores estão explicando que a decisão de quando usar adubo, quanto usar e qual usar depende do sistema de produção adotado, da dinâmica do rebanho, da propriedade como um todo. Não dá para ficar preso aos resultados da análise de solo”, avaliou.

“Além de desenvolver fertilizantes de alta qualidade, a Mosaic Fertilizantes também atua no campo, aconselhando o agricultor e o pecuarista sobre as práticas de manejo corretas e mais sustentáveis para uso desses produtos. A parceria com a Embrapa no Bifequali Transferência de Tecnologia reforça essas vocações da empresa, auxilia o pecuarista a melhorar o rendimento de seu rebanho e a performance de sustentabilidade de sua propriedade”, avalia Antônio Meirelles, diretor de Relações Governamentais e Sustentabilidade da Mosaic Fertilizantes.

 
 

Ana Maio (Mtb 21.928)
Embrapa Pecuária Sudeste

Contatos para a imprensa

Secretários da Agricultura de BA e SE conhecem pesquisas da Embrapa na região Sealba – 16/12/2020

Comitiva foi recebida pelo chefe da Unidade

A Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE) recebeu na tarde de terça (15) os secretários de Estado da Agricultura da Bahia e Sergipe, respectivamente, Lucas Costa e André Bomfim. 

A comitiva foi recebida pelo chefe-geral Marcelo Fernandes, além dos chefes adjuntos – Ronaldo Resende, de Pesquisa e Desenvolvimento, Alexandre Nizio, de Transferência de Tecnologia, e Paulo Carvalho, de Administração.

Em visita de a Sergipe a convite de André Bomfim para conhecer projetos e discutir parcerias entre os estados, Lucas Costa conheceu as linhas de pesquisa da Unidade da Embrapa voltadas a sistemas de produção para a região Sealba, nova fronteira de alto potencial agrícola que engloba 171 municípios dos Tabuleiros Costeiros e Agreste de Sergipe, Alagoas e Bahia.

Marcelo Fernandes aproveitou a oportunidade para apresentar aos secretários e suas equipes a versão preliminar de uma nova plataforma de análise de cenários de cadeias produtivas com base em dados do IBGE. A base de dados analíticos aponta tendências de crescimento ou retração de culturas nos municípios ou regiões selecionadas num intervalo de seis anos – área plantada, área colhida, produção, produtividade, valor bruto, entre outros.

Clique aqui e veja as imagens.

Os pesquisadores Henrique Rangel e Edson Patto apresentaram pesquisas com sistemas de Integração Lavoura – Pecuária – Floresta (ILPF) com culturas como milho, soja, trigo, coco, a gramínea braquiária e a leguminosa gliricídia, mostrando resultados de ensaios de campo e Unidades de Referência Tecnológica (URTs) implantadas para apresentar as tecnologias aos produtores. Nos últimos anos, a Unidade da Embrapa sediada em Aracaju vem intensificando pesquisas e transferência de tecnologias com esses sistemas integrados adaptados às condições da região.

Costa aproveitou para enaltecer a contribuição técnica da Unidade da Embrapa na elaboração da nota técnica para pleitear a inclusão do coqueiro como componente arbóreo com retenção de carbono em sistemas de produção fomentando pelo plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono), do Ministério da Agricultura. “A etapa técnica foi cumprida com a contribuição das pesquisas da Embrapa. Agora estamos na fase política, de convencimento dos parlamentares e gestores federais”, explicou.

O secretário baiano destacou necessidade de maior aproveitamento de seu estado das potencialidades da nova região do Sealba, especialmente no fortalecimento das culturas de grãos, já que essas áreas concentram grandes quantidades de granjas com alta demanda por milho e soja para alimentar os animais, além de trigo tropicalizado para atender à grande demanda regional.

Os gestores estaduais e da Embrapa selaram o compromisso de definir uma agenda de ações de transferência de tecnologia, com instalação de URTs de grãos e ILPF em propriedades de produtores parceiros na Bahia, como já vem sendo feito em alguns municípios de Sergipe e Alagoas. 

 
Foto: Saulo Coelho

Saulo Coelho (MTb/SE 1065)
Embrapa Tabuleiros Costeiros

Contatos para a imprensa

Telefone: (79) 4009-1381

 

Pesquisas comprovam que árvores no campo reduzem doenças nas lavoura – 15/12/2020

O componente florestal reduz a sobrevivência de patógenos no solo e a intensidade de doenças foliares

  • Pesquisas realizadas pela Embrapa, UFPR e Iapar comprovam que a ILPF reduz doenças nas lavouras.

  • Graças às árvores, incidência e intensidade de doenças diminui tanto na folhas como nas raízes das plantas.

  • Com isso, produtor pode reduzir aplicação de químicos na lavoura, gerando menor impacto ambiental e reduzindo custos.

  • Estudo comprovou que essa mitigação é válida para a maioria das doenças.

  • Árvores também favorecem atividades microbianas benéficas ao solo.

Os sistemas integrados de produção agropecuária (SIPA), também conhecidos como integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), contribuem com a redução de doenças de plantas nas lavouras de grãos, tanto nas raízes quanto na parte aérea das plantas. Pesquisas desenvolvidas pela Embrapa, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e conduzidas em um experimento de longa duração do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), concluíram que é possível, nas áreas manejadas com ILPF, reduzir a quantidade de agrotóxicos necessários para controle de doenças, pois o componente florestal é um fator importante na redução da sobrevivência de patógenos no solo, bem como reduz a intensidade de doenças foliares.

Os resultados desse estudo inédito foram publicados na edição de novembro de 2020 da revista internacional Agricultural Systems. Intitulado Plant diseases in afforested crop-livestock systems in Brazil, o artigo é assinado pelo engenheiro-agrônomo Alexandre Dinnys Roese, da Embrapa Agropecuária Oeste, em parceria com Erica Camila Zielinski e Louise Larissa May De Mio, ambas do Departamento de Fitotecnia e Fitossanitarismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Roese explica que o estudo foi direcionado tanto a doenças causadas por fungos que sobrevivem no solo quanto às foliares, cujos patógenos sobrevivem nos restos culturais e plantas voluntárias, podendo ser dispersos pelo ar, como é o caso das ferrugens. Os trabalhos de campo foram conduzidos em experimentos de longa duração no município de Ponta Grossa (PR), no período de 2013 a 2016. 

Entre os avanços proporcionados por essa pesquisa, se destacam as contribuições relacionadas ao comportamento de doenças do solo nas lavouras de soja e milho e de doenças foliares nas lavouras de soja, milho e aveia. 

A metodologia de pesquisa analisou três diferentes sistemas de produção: agrossilvipastoril (ASP), com rotação soja e milho no verão, pastejo bovino sobre aveia com azevém no inverno, todos situados entre fileiras de eucalipto com grevílea; sistema agropastoril (AP), com rotação soja e milho no verão e pastejo bovino sobre aveia mais azevém no inverno; e área-controle (CO), apenas com rotação soja e milho no verão e aveia mais azevém no inverno, porém sem pastejo animal. A área total do experimento ocupou 12 hectares.

Segundo Roese, há pouco estudo sobre o relacionamento entre o componente florestal e as doenças nas lavouras, e os cientistas queriam saber se a presença de árvores no sistema de produção influencia a ocorrência ou a severidade de doenças na lavoura, e como isso se daria. “Essa era uma suspeita baseada em observações empíricas a campo, de que nos locais com uso do sistema agrossilvipastoril, também conhecido como ILPF, ocorria redução de doenças. Por meio desse estudo, temos a certeza de que essa diminuição é verdadeira para a maioria das doenças. Esse aspecto foi comprovado cientificamente e agora compreendemos como isso ocorre”, comenta o cientista. 

Ele comemora os resultados, que reduzem tanto as doenças do solo quanto as doenças foliares, ressaltando que no estudo as doenças foram usadas como modelos biológicos. 

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

O chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agropecuária Oeste, Walder Antonio Nunes, chama a atenção para o fato de que essa descoberta científica contribui com melhorias dos sistemas de produção agropecuária. “O uso da ILPF reduz a utilização de produtos químicos, resultado que está alinhado às diretrizes estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015,” lembra. 

Nunes destaca o compromisso da Embrapa, que vinculou sua atuação, direta ou indiretamente, a todos os 17 ODS. “Ao gerar conhecimentos e ativos tecnológicos para a sustentabilidade da agropecuária brasileira, a pesquisa nacional é aliada do Brasil e do planeta no alcance das metas da Agenda 2030,” declara. 

Essa pesquisa, especificamente, contribui com o ODS nº 12, que se propõe a assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis, por meio do alcance da Meta 4, que estabelece que até 2020, seja alcançado o manejo ambientalmente adequado dos químicos e de todos os resíduos, ao longo de todo o ciclo de vida desses produtos.

Microclima nas lavouras

Segundo Roese, as árvores proporcionam uma alteração no microclima, modificando inúmeros aspectos das lavouras, como: duração do molhamento foliar, temperatura, umidade do ar, velocidade do vento e incidência de luz. 

O agrônomo enfatiza que as doenças são muito dependentes de microclima, e como as árvores alteram o microclima, acabam influenciando drasticamente as doenças de plantas nas lavouras, o que justifica a relevância dessa pesquisa.

 “Os dados relacionados ao microclima foram monitorados no interior do dossel das plantas, em soja e em milho. Observamos que, com a presença das árvores, ocorre menor duração do molhamento foliar diário, menor intensidade luminosa, menor temperatura diurna, maior temperatura noturna, maior umidade do ar durante o dia e menor velocidade do vento”, relata Roese. Segundo ele, a menor duração do molhamento foliar ocorre em função da menor formação de orvalho, que, por sua vez, é influenciada pela menor redução da temperatura durante a noite, pois as copas das árvores formam uma barreira que reduz a perda de energia (temperatura) durante a noite.

Doenças de solo

Roese explica que as doenças de solo são causadas por microrganismos (fungos, bactérias e outros), habitantes naturais do solo, mas em desequilíbrio nesse ambiente. A microbiota presente no solo é responsável por equilibrar a presença desses agentes causadores das doenças.

A supressividade do solo aos patógenos é o nome dado à capacidade do solo de suprimir, total ou parcialmente, uma ou várias doenças, mesmo quando o agente causador da doença (patógeno) está presente no solo e todas as condições ambientais são favoráveis à doença. 

As doenças de solo avaliadas foram o tombamento de plantas de soja, causado pelo fungo Rhizoctonia, e o mofo-branco, causado pelo fungo Sclerotinia. Em ambos os casos, o sistema agrossilvipastoril reduziu a incidência da doença ou a sobrevivência do patógeno. Esses resultados foram relacionados ainda com a maior atividade microbiana e maior presença de fungos benéficos no solo no sistema de produção que inclui árvores.

“A microbiota do solo é favorecida pela intensificação no sistema de produção, ou seja, o aumento do número de espécies cultivadas e a presença de animais. Assim, o componente florestal beneficia a microbiota, o que contribui diretamente com a redução das doenças, ” detalha o agrônomo. 

Parceiros

O trabalho foi realizado por equipes da Embrapa Agropecuária Oeste e Embrapa Florestas, UFPR e Iapar, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Doenças foliares

O estudo buscou ainda identificar os benefícios do sistema agrossilvipastoril na redução de doenças foliares de soja e milho e sua relação com a presença de árvores na lavoura. As doenças foliares são aquelas que ocorrem na parte aérea das lavouras e que podem ser causadas por fungos, bactérias e outros microrganismos que ficam na palhada ou que sobrevivem em plantas hospedeiras alternativas. Elas são normalmente disseminadas pelo vento e respingos de chuva.

Em geral, todas essas doenças são controladas por meio da pulverização de agrotóxicos específicos. Por isso, pesquisas como essa contribuem com a redução desse tipo de insumo, o que é benéfico para o meio ambiente, para a saúde do trabalhador e para a redução dos custos de produção das lavouras. 

Para a cultura da soja, o trabalho analisou ferrugem, míldio e oídio, bem como a dispersão de esporos de ferrugem e oídio no ar. Os resultados demonstram que a adoção do sistema de produção agrossilvipastoril proporcionou menor severidade de ferrugem e de míldio, apesar de aumentar a severidade de oídio.

Também foram avaliadas a mancha-branca, ferrugem, helmintosporiose e cercosporiose na cultura do milho. O sistema de produção agrossilvipastoril apresentou menor severidade de mancha-branca, de ferrugem e de cercosporiose. Quanto à helmintosporiose, não houve diferença na severidade e no número de lesões entre os sistemas de produção. 

Para Roese, os resultados comprovam que a arborização reduz a maior parte das doenças nas lavouras. “No entanto, culturas agrícolas sujeitas a oídio devem ter cuidado redobrado em sistemas de produção arborizados. Essa doença teve sua severidade aumentada, inclusive no cultivo de aveia durante o inverno,” declara. 

O especialista enfatiza que, apesar da relevância desses resultados, a maioria deles já eram esperados. “Quem defende sistemas agrosilvipastoris sempre menciona a redução de doenças de plantas como um de seus benefícios. No entanto, essa afirmação estava baseada nos conceitos do sistema, na sua maior proximidade com ambientes naturais e na expectativa de maior resiliência a estresses. Porém, ainda não havia resultados experimentais que comprovassem isso. E foi isso que fizemos,” conclui.

Cuidados na inserção de árvores no sistema de produção 

O professor do Departamento de Fitotecnia e Fitosanidade da UFPR Anibal de Moraes apresenta alguns cuidados em relação à inserção de árvores no sistema de produção integrada. Ele explica que planejamento é a palavra-chave do sucesso e acrescenta: “Não é uma decisão simples”. Anibal salienta que na etapa de implantação das árvores é preciso levar em consideração o tipo de implemento que será trabalhado na área.

Segundo ele, o produtor deve definir previamente os espaçamentos entre os renques de arborização, bem como a sua localização, priorizando o plantio em nível do terreno.  

“Sobre espaçamento entre os renques existem algumas possibilidades que variam em função do interesse no uso do componente florestal. Se o objetivo for cultivo de árvores, busca-se uma maior densidade. Porém, se for o bem-estar animal e a qualidade do produto objetivo principal, prioriza-se a pastagem e então esse espaçamento entre as árvores deverá ser maior”, explica o professor.

Ele também destaca alguns cuidados no momento da implantação do componente florestal em pastagens e explica que “é necessário definir algumas estratégias, tais como uso de cercas elétricas para a proteção das mudas de árvores plantadas até que elas atinjam um tamanho e possam suportar o impacto que o animal pode proporcionar quando for, por exemplo, se coçar ou fazer algum romaneio na árvore. Assim, é conveniente aguardar, em média, cerca de dois anos para que haja possibilidade de ingresso de animas nas áreas arborizadas”. 

Anibal sugere ainda que outra alternativa de implantação seria fazer a inserção de árvores junto a uma área de lavoura, mas isso requer um espaçamento entre renques bem maior, a fim de que após o terceiro ano dessas árvores, sua interferência seja mínima do rendimento da lavoura. 

Ele sugere que após esse período, o produtor permaneça com as árvores em associação preferencialmente com a pastagem, que deve ser adubada anualmente, ou seja, ter seu manejo mantido de forma adequada. 

Finalmente, o professor Anibal comenta sobre a etapa de retirada das árvores e explica que o custo de uma destoca é muito elevado. Ele sugere que é “interessante colocar as próximas árvores na mesma linha, mantendo o mesmo modelo de implantação inicial, o que evita o gasto com destoca e possibilita a manutenção do sistema integrado de produção de árvores com pastagens”.

Christiane Congro Comas (MTb 00825/9/SC)
Embrapa Agropecuária Oeste

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Pesquisadores escutam as vacas em método inédito validado para avaliação de conforto térmico – 15/12/2020

Gravadores digitais são fixados ao cabresto dos animais e mensuram de maneira precisa e não invasiva o comportamento dos bovinos em pastejo

  • Pesquisa desenvolve método inédito de bioacústica para medir a frequência respiratória (FR) de bovinos no pasto.

  • A técnica consiste em acoplar gravadores digitais no cabresto dos animais e avaliar a FR com a ajuda de um software gratuito.

  • A análise é precisa, não invasiva e independe de interferência humana.

  • O conforto térmico é fundamental para aumentar o desempenho produtivo de bovinos.

  • Pode auxiliar diretamente na avaliação de animais nos sistemas ILPF para definição de áreas de sombreamento e de manejo do rebanho.

  • O ineditismo da metodologia teve destaque internacional e ela foi considerada um dos dez melhores trabalhos do Workshop Temple Grandin de Bem-estar Animal.

As perdas de produtividade de animais expostos a altas temperaturas e umidade não são tão silenciosas quanto parecem. E foi literalmente escutando as vacas que uma pesquisa liderada pela Embrapa Rondônia utilizou a bioacústica, ou seja, os sons emitidos pelos animais, para medir a frequência respiratória (FR). A equipe de cientistas validou um método inédito de avaliação desse parâmetro de conforto térmico, que utiliza gravadores digitais fixados ao cabresto dos animais, para mensurar de maneira prática, precisa e não invasiva o comportamento dos bovinos em pastejo.

O trabalho, realizado em parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Universidade Federal de Rondônia (Unir), conta com o auxílio de um software gratuito para as análises. Com isso, é possível obter dados acústicos por um período de até 48 horas e sem a interferência humana. A metodologia foi validada para rebanho leiteiro Girolando – cruzamento entre as raças Holandês e Gir – tanto para novilhas como para vacas em lactação.

Segundo o professor da UFPel Eduardo Schmitt, trata-se de uma metodologia que pode se tornar forte aliada em avaliações de sistemas como Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), sendo possível identificar o nível de conforto ao qual os animais estão submetidos. Ao escutar a respiração dos animais, é possível saber se estão gastando mais energia com os mecanismos de dissipação de calor e, posteriormente, correlacionar essas informações com o desempenho. “Numa visão prática, essa medida pode auxiliar em pesquisas que ajudem a definir, por exemplo, quantos metros quadrados de sombra devem ser ofertados para os animais produzirem mais, de que forma essa sombra deve estar disposta na pastagem, entre outros fatores”, afirma Schmitt.

O professor explica que quando os bovinos são expostos a altas temperaturas eles precisam acionar mecanismos para dissipação de calor, como aumento da circulação de sangue na pele, aumento do suor e da frequência respiratória. Tudo isso representa um custo energético para o animal, que acarreta diminuição de produtividade, aumento de susceptibilidade a doenças, podendo resultar também em interferências na fertilidade. “Para avaliar as perdas e se precisamos interferir para melhorar as condições ambientais dos animais, a avaliação da frequência respiratória das vacas pode dizer muita coisa”, complementa Schmitt.

 

 

Método traz inovação à medição do conforto animal

A frequência respiratória é usada há décadas como um indicador de estresse térmico nos animais, fator que influencia diretamente na produção e reprodução do rebanho.  Mas a dificuldade sempre foi manter o monitoramento ao longo de todo dia, já que pelo método tradicional (visual), isso é feito observando os animais com a contagem dos movimentos do flanco. A avaliação visual apresenta algumas limitações, tais como dificuldade de avaliações no período noturno ou em áreas extensas de pastagem com a presença de obstáculos (como árvores, por exemplo) para visualização. Existe ainda a possibilidade de haver interferência dos observadores durante o período de avaliação.

 

A bioacústica também já tem sido utilizada para a caracterização do comportamento de bovinos, como quantificação do tempo de pastejo, ruminação, descanso e de ingestão de água. Mas essa é a primeira vez que a metodologia é validada para medir a frequência respiratória. Segundo a pesquisadora da Embrapa Rondônia Ana Karina Salman, é uma ferramenta valiosa para os pesquisadores que estudam o efeito do estresse térmico em bovinos em situação de pastejo. “Validamos com sucesso um método novo e sem precedentes, em que a frequência respiratória é mensurada a partir de áudios dos animais captados por gravadores de MP3, muito prático e simples de usar. O método acústico pode substituir o convencional de contagem dos movimentos do flanco por observação visual”, afirma Salman. 

A pesquisadora explica que para avaliar o conforto térmico dos animais é preciso monitorar, simultaneamente, parâmetros ambientais, como temperatura e umidade relativa do ar, e parâmetros fisiológicos, como temperatura corporal e frequência respiratória. Segundo ela, há poucos estudos sobre as respostas fisiológicas de bovinos ao estresse térmico e com resultados pouco confiáveis, dada à dificuldade do acompanhamento visual contínuo ao longo do dia. Outros métodos foram desenvolvidos para medir automaticamente a frequência respiratória, mas eles se restringiram a animais em estábulos e com equipamentos que exigem a conexão com a internet, ou seja, não serviam para animais na pastagem ou em locais sem acesso à internet. 

Outro ponto interessante é que para a raça Girolando, responsável por aproximadamente 80% do leite produzido no Brasil, ainda não há definição científica da zona de termoneutralidade, ou seja, a faixa de temperatura ambiente na qual os bovinos se encontram em conforto térmico. Esse cenário demonstra a necessidade de mais estudos e dados para que pesquisadores, técnicos e produtores, a partir de indicadores mais precisos, possam realizar as tomadas de decisão na propriedade, sobre quais medidas adotar e como minimizar o estresse térmico no sistema de produção, tornando-o mais eficiente.  

Ineditismo do método ganha destaque internacional

O ineditismo dessa metodologia a colocou em destaque nacional e internacional. O trabalho foi publicado na revista Livestock Science em setembro de 2020 e ficou também entre os 10 melhores trabalhos do Workshop Temple Grandin de Bem-estar Animal, realizado em 2018, em São Paulo, que reuniu especialistas renomados no tema, pesquisadores, acadêmicos, produtores e a iniciativa privada. Os resultados obtidos com o uso da bioacústica para avaliação da frequência respiratória foram parte da dissertação da zootecnista Giovanna de Carvalho, defendida em julho de 2019 no Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente – UNIR.

Como funciona a nova metodologia 

Para coleta de dados de áudio ou acústicos utilizados para medir a frequência respiratória são necessários: gravador MP3, cabrestos, tecido TNT, filme de PVC e fita de empacotamento. O item mais caro dessa lista é o gravador, que custa, em média, R$ 450,00 para compra direta, sem frete incluso.  A análise dos áudios é realizada com o auxílio do programa Audacity, um software livre (gratuito) que reproduz os áudios captados pelos gravadores. Esse programa gera oscilogramas dos áudios que são específicos de cada atividade exercida pelos animais, tornando possível identificar os tempos de início e fim de cada uma.  A Embrapa Rondônia disponibiliza, gratuitamente, um manual para coleta e análise de dados bioacústicos para caracterização de comportamento bovino em pastejo. 

Confira também um vídeo com o passo a passo do processo:

A análise dos dados de áudio (identificação e contagem dos sons respiratórios) é laboriosa e requer uma pessoa treinada. A zootecnista Giovanna de Carvalho, que realizou as análises das frequências respiratórias (FR) na pesquisa, explica que se utiliza a mesma técnica descrita no manual da bioacústica. A diferença é que para a FR, foi necessário maior aprofundamento, pois ela ocorre durante toda a avaliação, o animal estando ou não se alimentando, o que pode causar sobreposição dos sons. 

Assim, apenas a análise visual das ondas sonoras geradas pelo programa não é suficiente. “O fone de ouvido é essencial para a análise, assim como uma dose de paciência e não ter receio de refazer as análises ou pedir uma segunda opinião, já que pode haver dúvidas quanto aos sons ao longo do processo”, recomenda Giovanna.

Devido ao padrão característico dos sons respiratórios, deve ser possível, futuramente, desenvolver um algoritmo de inteligência artificial que permita automatizar essa etapa da metodologia. Além disso, esse método não é recomendado para um rebanho formado por animais de temperamento agressivo, pois eles podem danificar os gravadores, ou para estudos que requerem avaliação da FR por período superior a 48 horas, devido à vida útil da bateria dos gravadores.

Assista a vídeo que demonstra como fazer a análise dos áudios para a avaliação da frequência respiratória:

 

Foto: Rafael Rocha

Renata Silva (MTb 12361/MG)
Embrapa Rondônia

Contatos para a imprensa

Telefone: (69) 3219-5011

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)

Embrapa recebe apoio do Mapa para a realização da Abertura da Colheita do Arroz no Capão do Leão – 11/12/2020

As lavouras experimentais estão em fase plena de implantação e desenvolvimento na Estação de Terras Baixas

Está confirmada a realização da 31ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz entre os dias 9 e 11 de fevereiro de 2021, nas dependências da Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado. Segundo seus realizadores, Federarroz, Embrapa e Irga, esta edição do evento assumirá um formato híbrido – com participação presencial e virtual –  contará com recursos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para sua realização. 

Para Roberto Pedroso de Oliveira, chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, essa parceria com a Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo (SAF), do Mapa, assegura a importância da realização do evento para o estado e para o País. “Nesta edição estão previstas a renovação  e ampliação do parque da Abertura da Colheita do Arroz, com novas áreas demonstrativas e um espaço institucional qualificado para  atendimento ao público durante os dias do evento”, disse coordenador técnico da ETB , André Andres. 

As lavouras experimentais estão em fase plena de implantação e desenvolvimento. São 9 hectares de áreas demonstrativas das tecnologias da pesquisa agropecuária, sendo 5,8 hectares de lavouras de arroz, soja e milho, além da  nova área de forrageiras, voltada ao trabalho de melhoramento de campo nativo, que será uma das grandes inovações desta edição. “Será possível apresentar aos produtores mais alternativas de uso das terras baixas, com o objetivo de proporcionar maior sustentabilidade/rentabilidade das unidades produtivas, incentivando o sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP)”, explicou Jorge Schafhauser Jr, gestor do Núcleo Temático em ILPF

 

Programação da 31ª edição

A expectativa de Roberto Pedroso de Oliveira é que a Abertura da Colheita seja, mais uma vez, um espaço de fortalecimento da relação entre a Embrapa e o setor produtivo.  “Nosso foco está em mostrar os resultados das atividades de pesquisa em terras baixas, envolvendo a cultura do arroz, que é o ‘carro-chefe’ deste ambiente, e outras culturas como a soja, o milho, o sorgo, e a ILP”, confirmou.

Segundo Enilton Coutinho, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia, um dos desafios da Embrapa é apresentar mensagens curtas e práticas para que o orizicultor leve uma contribuição eficiente para sua propriedade. Para alcançar este objetivo estão sendo organizadas participações de pesquisadores com demonstrações de seus trabalhos a campo.

O evento neste ano acontecerá em torno da temática Os Novos Rumos do Sistema de Produção.Nas Vitrines Tecnológicas da Embrapa estarão as cultivares de arroz irrigado oriundas do programa de melhoramento genético da Embrapa: BRS Pampa CL, BRS A705 e BRS Pampeira, sob manejos específicos para os sistemas de integração lavoura-pecuária em terras baixas. Todas essas cultivares visam atender o mercado de arroz do tipo longo e fino, associando alta produtividade e excelente qualidade industrial e culinária.

Também serão demonstradas a diversificação de culturas com a apresentação das tecnologias de sistematização do solo com declividade variada e sulco-camalhão, que viabilizam a drenagem superficial e a irrigação de cultivos de sequeiro em rotação ao arroz irrigado. Manejos diferenciados das culturas de soja, milho e sorgo estabelecidas em sistema sulco-camalhão mostrarão sua viabilidade para a diversificação da produção no ambiente de terras baixas.

A Empresa também está implantando uma vitrine de espécies forrageiras de cultivares BRS, anuais e perenes, para uso em sucessão ou sobressemeadura, em pastejo ou como forragem conservada, em sistemas integrados de lavoura e pecuária.

Serão organizadas duas sessões de palestras em dois momentos. Dentro da agenda estão elencados os seguintes assuntos:

09 de Fevereiro        

11h – “Tecnologia BioAS Embrapa:  Uma maneira simples e eficiente para avaliar a saúde do solo”, com a pesquisadora Ieda Mendes da Embrapa Cerrados e Maria Laura Turino Mattos

13h30 – “A importância da rotação, coberturas e ILP em Terras Baixas” – Giovani Theisen

14h30 – “Forrageiras Embrapa” – Andréa Mittelmann, Sergio Bender e Renato Fontaneli

15h30 – “Mitigação de Emissão de Gases de Efeito Estufa” – Walkyria Bueno Scivittaro

 

10 de Fevereiro

11h – “Manejo das plantas daninhas em Integração Lavoura e Pecuária” – André Andres

13h30 – “Métodos modernos de sistematização de solo para sistemas de produção em Terras Baixas” – José Maria Barbat Parfitt

14h30 – “Produção de arroz irrigado por sulco” – Joseph Massey – Pesquidador  do USDA/EUA

15h30 – “Manejo das cultivares de arroz da Embrapa” – Ariano Magalhães Junior e Paulo Fagundes 

16h30 – “Panorama e potencialidades da irrigação para soja e milho” – Germani Concenço

 

Participação do público interessado  

Em função da pandemia do COVID-19, os organizadores estão em contato permanente com o Governo do RS para estruturar o evento segundo todas as diretrizes de proteção ao público que se fará presente. “Nesta edição, não serão recebidas caravanas de produtores para visitação ao evento; haverá limitação do número de participações presenciais, a depender de definição por parte do Estado. Este número será divulgado mais próximo da Abertura da Colheita”, adiantou Andres. “Todavia, o evento será compartilhado de forma on-line, garantindo o alcance e a interação com o grande público”, afirmou Coutinho. 

A Abertura da Colheita terá a visitação preferencial de produtores rurais e suas equipes, além dos engenheiros agrônomos e técnicos das empresas ligadas à cadeia produtiva arrozeira, pesquisadores das principais instituições de pesquisa (Embrapa, IRGA e Epagri), além da presença de representantes das Universidades (UFPEL, UFRGS e UFSM). 

Haverá a estrutura de estandes expositores de empresas e instituições de diversos segmentos na área de realização do evento, a fim de demonstrar as atuais tecnologias disponíveis ao mercado. Um outro ponto que está sendo planejado pela comissão organizadora é um único local (e maior) para realização de palestras, em estrutura efêmera externa, proporcionando maior segurança do público participante. 

 Foto: Andrea Noronha

Cristiane Betemps (MTb 7418/RS)
Embrapa Clima Temperado

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Embrapa participa de debate internacional sobre o desafio da inovação e da sustentabilidade no agronegócio – 08/12/2020

Recrudescimento do protecionismo e obrigações regulatórias impactam inovação no agro

A Embrapa esteve representada pela Diretoria Executiva de Inovação e Tecnologia (DE-IT) em evento internacional que reuniu representantes da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e do European Risk Forum (ERF) para discutir o desafio da inovação e da sustentabilidade no agronegócio. O webinar foi promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), em parceria com a Basf nesta terça-feira, 8/12.

Na abertura, o representante do núcleo do Agro do Cebri, Luiz Fernando Furlan, lembrou a pujança do agronegócio brasileiro, destacando que mesmo durante a pandemia o setor registrou superávit na balança comercial. Por outro lado, Furlan focalizou o recrudescimento do protecionismo num cenário em que países como Rússia, Arábia Saudita e China investem em segurança alimentar e na não dependência de importações, bem como na criação de estoques regulatórios para evitar desabastecimento. Segundo alertou, o contexto torna relevantes fatores como rastreabilidade e bem-estar animal.

“Temos dois grandes desafios: o novo ciclo de inovações e a questão da sustentabilidade que, no Brasil, devem andar mais juntos ainda”, disse o mediador do debate Marcos Jank (Cebri e Insper) – também numa referência aos movimentos protecionistas de mercados internacionais. Jank igualmente destacou o histórico domínio do País em tecnologias tropicais, citando a revolução do processo de produção com a introdução das duas safras anuais, além do plantio direto, da Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) e da agricultura de baixo carbono, remetendo à atuação da Embrapa.
  
Já diretora de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Adriana Regina Martin, reforçou o empenho da instituição em se manter no protagonismo do desenvolvimento de modelos competitivos da agricultura nacional por meio do investimento em parcerias com o setor privado e aproximação com startups. Agricultura digital e rastreabilidade, além do investimento em bioeconomia, segurança alimentar e nutricional e o desenvolvimento territorial sustentável são prioridades da PD&I que constam do Plano de Desenvolvimento Estratégico da empresa, apresentadas pela gestora como aderentes à agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, os ODSs.

Martin destaca a importância de a Embrapa estar presente em fóruns internacionais, onde possa apresentar os avanços que a empresa tem gerado em pesquisa e inovação e esforços na conciliação dos três pilares da sustentabilidade, o social, o econômico e o ambiental.

Inovação e Precaução 

O membro do European Risk Forum (ERF), Paul Leonard, também fez referência à importância do atendimento aos ODSs. Convidado a falar sobre a importância do aprimoramento e modernização da regulação, levou a temática dos princípios da inovação e da precaução para o debate da sustentabilidade. O biólogo defendeu que os conceitos não são excludentes, mas complementares, quando se trata de aspectos inovadores, tecnológicos e sustentáveis. 

Leonard concorda que o modelo regulatório adotado no Brasil pela CTNBio, em que a liberação de transgênicos é analisada caso a caso, seja o mais adequado no contexto de estímulo à inovação, “a questão não é a tecnologia, mas a sua aplicação”. No entanto, reconheceu que ainda há desafios no que diz respeito à adoção de tal compreensão pela União Europeia, a despeito de esforços em contrário mantidos por organizações do setor produtivo, em especial, como apontou. 

Para a Superintendente de Relações Internacionais da CNA, Lígia Dutra, “o produtor impacta, não é apenas impactado pelas inovações”. A advogada argumentou que no contexto brasileiro é necessário observar tanto o segmento que já adota como também os pequenos e médios produtores que, para adotar novas tecnologias, precisam se livrar de obrigações regulatórias nacionais e internacionais – que às vezes se sobrepõem, impactando negativamente no preço final do produto junto ao consumidor, disse Dutra, defendendo uma regulação padronizada pelos Países. 

40 anos da Abipti

Também na terça-feira (8), a diretora executiva da DE-IT, Adriana Regina Martin, participou de um encontro virtual em comemoração aos 40 anos da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica (Abipti), que reúne mais de 140 instituições com a missão de representar e promover a participação das entidades de PD&I no estabelecimento e na execução de políticas voltadas para o Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Adriana integra a diretoria da Abipti, empossada em agosto deste ano no cargo de vice-presidente da região Centro-Oeste. Em 2020, a diretoria concentrou esforços nas regiões Norte e Sul, com agenda nas demais regiões prevista para 2021. “Sinto grande satisfação em compor a diretoria de duas instituições tão relevantes como a Embrapa e a Abipti, que têm fortalecido o ecossistema de inovação nacional”, comentou a gestora.

 

Acesse aqui a íntegra do debate promovido pelo Cebri.

Foto: Valéria Cristina Costa

Valéria Cristina Costa (Mtb. 15533/SP)
Secretaria de Inovação e Negócios (SIN)

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Carolina Rodrigues Pereira (11055-MG)
Secretaria de Inovação e Negócios (SIN)

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