Embrapa lança capacitação online em Avaliação Econômica de Sistemas Agropecuários – 24/04/2020

A avaliação do desempenho econômico da atividade agropecuária é imprescindível

Um dos principais desafios da atividade agropecuária atualmente é enfrentar as margens de lucro cada vez mais estreitas e permanecer nesse mercado competitivo. Pensando nisso, a Embrapa Milho e Sorgo lança a capacitação online “Avaliação Econômica de Sistemas Agropecuários”.

O treinamento será oferecido no ambiente virtual de aprendizagem da Embrapa, com inscrições a partir do dia 23 de abril de 2020, com vagas limitadas. Nesse curso serão apresentados alguns princípios básicos sobre gestão da atividade rural, sistema de custos e avaliação econômica.

“A escolha das culturas, das práticas agrícolas e tecnologias passa, necessariamente, pelo processo de tomada de decisão do produtor. A avaliação do desempenho econômico da atividade agropecuária é imprescindível nesse contexto”, afirma o coordenador técnico-científico do curso, Rubens Miranda, pesquisador em Economia Agrícola.

Direcionado a técnicos, estudantes, produtores e demais profissionais atuantes no setor agropecuário, este curso terá 15 horas aula. “Essa será mais uma oportunidade que a Embrapa Milho e Sorgo oferece aos profissionais do agro para atualizar conhecimentos durante esse período de isolamento por causa da pandemia da Covid-19. Acreditamos que o tema terá bastante procura por esses profissionais que precisam atuar com embasamento técnico em agronomia, associado às análises econômicas”, ressalta Myriam Maia Nobre, a coordenadora administrativa da capacitação.

As inscrições são gratuitas e estarão abertas a partir do dia 23 de abril de 2020. O aluno terá 30 dias para concluir o curso a partir da data de inscrição.

Serviço:

Curso: Avaliação Econômica de Sistemas Agropecuários

Realização: Embrapa Milho e Sorgo

Vitrine de Capacitações on-line Embrapa:  https://www.embrapa.br/e-campo

Período de Realização: inscrições a partir de 23/4/2020

Investimento: gratuito

Mais informações pelo e-mail: e-campo@embrapa.br

 

Inscrições pelo link: https://www.embrapa.br/e-campo
Foto: Gustavo Porpino 

Sandra Brito (MTb 06230 MG)
Embrapa Milho e Sorgo

Contatos para a imprensa
milho-e-sorgo.imprensa@embrapa.br

28 de abril: um dia para celebrar a Caatinga

A resiliência deste bioma exclusivamente brasileiro é uma importante base de conhecimento para iniciativas de adaptação à mudança climática

Hoje, dia 28 de abril, comemora-se o Dia Nacional da Caatinga – uma data que visa conscientizar a sociedade brasileira sobre a riqueza do seu patrimônio natural e a importância da sua conservação e uso sustentável.

Mais conhecida pelas imagens do sertão nordestino, marcada pela escassez hídrica, a Caatinga é um mosaico de ecossistemas com grande diversidade da sua fauna e flora. Suas oito microrregiões abrigam um valioso patrimônio biológico que se estende por dez estados. Este bioma exclusivamente brasileiro ocupa 11% do território nacional e abriga 27 milhões de pessoas.

Apesar da sua importância, a degradação da Caatinga é um problema crescente, gerado por desmatamentos e queimadas que ameaçam a sua biodiversidade e ampliam o processo de desertificação. Por isso, ações de conservação deste bioma precisam dialogar com a agenda de mitigação e adaptação à mudança climática.

 

Projeto Rural Sustentável Caatinga

O Projeto Rural Sustentável Caatinga visa combater a mudança climática e a pobreza em 37 municípios da Caatinga. Para tal, estimula a adoção de tecnologias de baixa emissão de carbono (ABC) e outras práticas de convivência com o semiárido por pequenas e médias propriedades rurais, implementando uma agenda de adaptação climática no bioma.

Para tanto, o projeto promove o diálogo entre tecnologias modernas e o conhecimento tradicional para a transformação das atividades produtivas, agora orientadas para a baixa emissão de gases de efeito estufa. Os investimentos visam fortalecer a capacidade de assistência técnica rural (ATER) e consolidar as cadeias produtivas.

O PRS Caatinga é uma cooperação bilateral entre os governos do Reino Unido e do Brasil, operada por meio do Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Relações Externas (Defra) e do Ministério da Agricultura (MAPA), com gestão de recursos financeiros do Banco Interamericano de Desenvolvimento no Brasil (BID-BR) e execução  da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS). A iniciativa conta ainda com o participação da Rede iLPF em parceria com a Embrapa Semiárido e Embrapa Caprinos e Ovinos (Petrolina e Sobral) para monitoramento de emissões de gases de efeito estufa.

 

Por Anne Clinio e Renata Barreto

Cŕedito:
Imagens: Giselle Parno

Pesquisa contribui para transformação digital da agricultura brasileira – 23/04/2020

Embrapa investe no desenvolvimento de soluções tecnológicas digitais

Tornar a agricultura cada vez mais conectada é um dos principais desafios da pesquisa agropecuária. As tecnologias digitais são a grande aposta para a transformação da agricultura brasileira. Com base em conteúdo digital, tecnologia de ponta e conectividade, características da era digital, em breve as fazendas inteligentes integradas farão parte do dia a dia do produtor brasileiro.

Pesquisas em inteligência artificial, aprendizado de máquina, automação e robótica, blockchain (corrente de blocos) e criptografia para rastreabilidade, internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) – que permite a comunicação entre máquinas, plataformas digitais, processamento em nuvem e visão computacional são alguns exemplos de estudos que a Embrapa desenvolve, em parceria com universidades, institutos de pesquisa e o setor privado, com foco na agricultura digital.

Sensores, drones, aplicativos, softwares e sistemas de gestão, imagens de satélites, tratores, pulverizadores e colheitadeiras automáticas já são realidade no meio rural. Mas com a geração cada vez mais intensa de dados e informações, serão necessárias novas tecnologias de informação e comunicação, as TIC, para analisar tudo isso, interpretar e trazer soluções integradas que ajudem o produtor a tomar decisões rapidamente e com menor custo, de acordo com a chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP), Silvia Massruhá.

As tecnologias disruptivas têm um potencial imenso de aplicações em todas as atividades, passando pelo plantio, manejo, colheita e pós-colheita. Elas abrangem todas as etapas do processo produtivo, desde a pré-produção, conhecida no setor agro como “antes da porteira”, passando pela produção, ou “dentro da porteira”, até a pós-produção, chamada de “depois da porteira”. Incluem sensores para análise do solo, estações agrometeorológicas automatizadas, imagens de satélites de alta resolução para monitoramento agrícola e florestal, sistemas e aplicativos voltados à estimativa de produtividade, rastreabilidade e certificação dos produtos agrícolas.

Os benefícios podem abranger todas as cadeias produtivas agrícolas, com a incorporação de inovações e a interação entre os elos das cadeias, impactando os produtores rurais, fabricantes de insumos, processadores, distribuidores e consumidores. “O processo de transformação digital nas propriedades rurais não é mais uma opção, é um caminho imprescindível para tornar a agricultura brasileira mais competitiva e com maior agregação de valor”, afirma o pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária Édson Bolfe.

Além de aumentar a produtividade agrícola, com a significativa redução de custo e de tempo dos processos, as tecnologias digitais garantem a sustentabilidade e criam novas oportunidades de trabalho no campo, trazendo impactos econômicos, sociais e ambientais. A agricultura digital ajuda a diminuir os custos, agrega valor à produção e otimiza o uso dos recursos naturais, enfatiza Bolfe. O consumidor também se beneficia com maior transparência do processo e controle de qualidade dos produtos, a partir das técnicas de rastreabilidade, que permitem acompanhar desde a origem dos alimentos até a comercialização.

“As soluções digitais devem resolver os problemas reais da produção para posicionar a agricultura tropical a um novo patamar”, ressalta o pesquisador da Embrapa Instrumentação (São Carlos, SP) Ricardo Inamasu. “A agricultura tropical, e em especial na região de cerrados, apresenta características que requerem soluções específicas: grandes áreas, como talhões na ordem de 200 hectares, operação de máquinas em frotas – cerca de três a cinco máquinas em um talhão – e colheita de duas safras anuais ou mais. Essas características geram problemas que demandam soluções que não se pode importar de outros países”, explica.

No manejo florestal, a adoção de tecnologias digitais tem modificado a realidade da atividade, facilitando a realização de etapas, com redução de esforços e agilidade e maior precisão nos processos de mapeamento de áreas. Os drones, por exemplo, permitem conhecer detalhadamente a floresta, em uma perspectiva aérea, possibilitando a realização de inventários semiautônomos a partir do uso de ferramentas de alta precisão e algoritmos para segmentação e geolocalização automática das árvores. Junto a outras tecnologias automatizadas, como o Modelo Digital de Exploração Florestal (Modeflora) e Lidar (Light Detection and Ranging), esses equipamentos integram o chamado “manejo florestal 4.0”, um novo conceito de produção florestal baseado na automação, geração, transmissão e tratamento de dados precisos na atividade.

Segundo o pesquisador da Embrapa Acre (Rio Branco) Marcus Vinícios D’Oliveira, um dos principais desafios do inventário em florestas tropicais nativas ainda é a localização de árvores de interesse comercial, devido a dificuldades como a transposição de cursos hídricos e visualização dessas espécies em função da densa vegetação.

“Com uso de drones é possível mapear previamente a copa das árvores e coletar informações que facilitam essa localização, contribuindo para a avaliação do potencial de exploração de madeira e para uma produção sustentável. Além disso, essas ferramentas podem ser ajustadas para ajudar no reconhecimento nominal de espécies madeireiras, trabalho essencial para ampliar o conhecimento sobre os recursos florestais da Amazônia”, ressalta o pesquisador.

O que vem por aí

A agricultura digital não é resultado só do uso das TIC, conta Silvia, mas das convergências tecnológicas entre a biotecnologia, a nanotecnologia e a tecnologia da informação e da ciência cognitiva, e entre as geotecnologias, agricultura de precisão e internet das coisas. Envolve conhecimento de áreas multidisciplinares e dos mais diversos especialistas, como meteorologistas, cientistas da computação, matemáticos, estatísticos, biólogos, bioinformatas e outros profissionais, além dos tradicionais agrônomos.

Entre os projetos de pesquisa que a Embrapa Informática Agropecuária desenvolve na área de inteligência artificial e aprendizado de máquina, está o EcontaFruto, que em parceria com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) busca automatizar a contagem de frutos em laranjais. Com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a partir de técnicas de visão computacional, pesquisadores também estão recriando plantas tridimensionais em laboratório e testando algoritmos (códigos de programas de computador) para identificação de culturas agrícolas. Esses resultados visam estimar volume e peso dos frutos, apoiando estimativas de safra e monitoramento de pragas e de deficiências nutricionais.

Outra pesquisa inovadora, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), usa drones para contagem de gado; a metodologia poderá contribuir para monitoramento do peso e da saúde animal. O Swamp (Smart Water Management Platform) usa a internet das coisas (IoT) para criar uma plataforma inteligente de gerenciamento de água em irrigação de precisão, em parceria com a União Europeia e coordenação da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Tecnologias baseadas em IoT também serão testadas em fazendas-piloto produtoras de grãos, leite e em áreas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), num projeto em fase final de aprovação pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Sistemas inteligentes que combinam tecnologia espacial integradas a sistemas informatizados aplicados à agricultura são o foco da parceria da Empresa com a Visiona Tecnologia Espacial. As tecnologias geradas vão permitir avanços no mapeamento e monitoramento de áreas de produção agrícola e pecuária, além de áreas de conservação e ecossistemas ambientais.

Com a Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana), são realizados trabalhos de pesquisa e desenvolvimento de soluções tecnológicas de inovação para ampliar a competitividade, produtividade e a sustentabilidade da cadeia produtiva da cana-de-açúcar. Também haverá um sistema de rastreabilidade usando a tecnologia blockchain, e a organização, processamento e disponibilização em nuvem de imagens de satélite de alta resolução para análises de lavouras de cana-de-açúcar.

O Centro de Pesquisa em Genômica Aplicada às Mudanças Climáticas, parceria entre a Embrapa e a Unicamp, desenvolve estudos em engenharia genética e edição gênica para adaptação de culturas agrícolas a condições de altas temperaturas, deficiência nutricional e hídrica impostas pelas mudanças climáticas, com o objetivo de gerar ativos biotecnológicos.

O Laboratório Multiusuário de Bioinformática da Embrapa desenvolve e usa ferramentas de bioinformática e computação de alto desempenho para analisar, interpretar e modelar grande quantidade de dados, especialmente relacionados a recursos genéticos, biotecnologia e melhoramento genético de espécies de interesse agrícola. Atua na geração de soluções nas áreas de expressão gênica, marcadores moleculares, evolução, e modelagem de sistemas biológicos, por exemplo.

A Embrapa Instrumentação destaca-se por desenvolver novos métodos, sensores e equipamentos que produzem dados de forma mais rápida, com maior confiabilidade e economicamente mais viável, ou seja, os instrumentos que viabilizam a agricultura digital na agropecuária. Para contribuir de forma a atender mais rapidamente às demandas da agricultura 4.0, o centro temático realiza parcerias com startups e empresas de diversos segmentos, especialmente no modelo de inovação aberta, no qual o parceiro já participa do projeto de pesquisa em sua fase inicial.

“Contamos com uma equipe de alta qualificação e diversidade de perfis, inclusive, em parceria com universidades como a USP e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com as quais criamos uma Unidade Mista de Pesquisa em Automação para Sustentabilidade Agropecuária; além disso, temos a infraestrutura do Laboratório de Referência Nacional em Agricultura de Precisão (Lanapre), único nesse modelo no País”, afirma o chefe-geral da Embrapa Instrumentação, João de Mendonça Naime.

A coprodução viabiliza o desenvolvimento de metodologias adaptadas aos sistemas de produção típicos da agricultura brasileira, conforme Inamasu. “Estamos de forma inédita no cerrado brasileiro realizando a coprodução de conhecimentos entre a Embrapa e Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt) com seus associados como grupo Amaggi, Scheffer e sementes Petrovina, de forma interativa”, conta. “Os dados estão sendo massivamente obtidos por meio da agricultura de precisão e armazenados em plataformas digitais. As informações estão sendo construídas por meio de metodologias de extração de conhecimentos dos dados armazenados em bancos. São esses conhecimentos digitais que ensinarão as máquinas inteligentes do futuro a auxiliar os produtores da próxima agricultura”, acrescenta.

Ainda em relação aos veículos aéreos não tripulados, a startup Bem Agro e a Embrapa Instrumentação se uniram para desenvolver sistemas automatizados aplicados à agricultura de precisão, visando ao planejamento, controle e monitoramento de doenças e pragas em diversas culturas, entre elas, milho e cana-de-açúcar. A solução tecnológica, com prazo de execução de dois anos, tem o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped).

Além dessas iniciativas de pesquisa, outros projetos em desenvolvimento, alguns em fase final, já com provas de conceito realizadas e protótipos testados, devem gerar impactos em cadeias produtivas importantes, incluindo frutas e hortaliças, soja, café, algodão, pecuária leiteira e vitivinicultura. “Algumas dessas soluções tecnológicas devem estar no mercado ainda em 2020”, adianta Naime.

A pecuária de precisão também aplica ferramentas digitais para acelerar o processo de eficiência do sistema de produção de carne e de leite, auxiliar na gestão da propriedade, melhorando a tomada de decisões, a eficiência, a produtividade e a rentabilidade no campo. Essas tecnologias são usadas em pesquisas que buscam monitorar o comportamento animal, diminuir as emissões de gases de efeito estufa e recuperar pastagens degradadas, por exemplo, com foco na melhoria dos sistemas de produção pecuária. “Dessa forma, ampliará nossa capacidade de trabalho, melhorará a acurácia das interpretações, reduzirá os erros, e possibilitará a otimização do uso de recursos”, diz o pesquisador Alberto Bernardi, da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP).

Para tornar mais eficientes as práticas de adubação e de correção do solo, pesquisas em agricultura de precisão (AP) testam novas metodologias para identificar “manchas” no solo que precisem de cuidados diferenciados. A metodologia emprega técnicas de geoprocessamento e geoestatística na avaliação, identificação, descrição e indicação de técnicas de manejo da fertilidade do solo, visando ao uso racional de insumos.

Pesquisas da Embrapa com o sensor de contato “Automatic Resistivity Profiling” (ARP), em parceria com a empresa francesa Geocarta, avançam no sentido de conhecer as características e dinâmica do solo em sistemas integrados de produção, caracterizando a variabilidade espacial da resistividade elétrica do solo devido a diferentes níveis de umidade.

Sensores também apoiam pesquisas sobre bem-estar animal relacionadas à adoção da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), coletando dados sobre deslocamento, ócio e ruminação de bovinos mantidos em área sombreada ou expostos a pleno sol. O intuito é melhorar o conforto térmico do gado, garantindo sombreamento natural nas pastagens, declínio na temperatura de superfície dos animais e redução na frequência de busca por água para dessedentação. Os sensores ficam em colares, colocados nos animais, e os sinais são transmitidos por wi-fi com antenas abastecidas por painéis de energia solar.

Equipamentos de pecuária de precisão, como o Greenfeed, Growsafe e bebedouro eletrônico, coletam dados sobre emissão de gases de efeito estufa, quantidade consumida de alimentos e consumo de água pelo gado, respectivamente. A sistematização e interpretação desses dados permitem indicar sistemas de produção mais sustentáveis e mitigadores de gases de efeito estufa, dietas mais eficientes e práticas para uso racional da água na pecuária.

Projeções do Agronegócio

As Projeções do Agronegócio – Brasil 2018/2019 a 2028/2029, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, estimam que em dez anos a produção brasileira de grãos deve atingir 300 milhões de toneladas, sinalizando um crescimento de 26,8% em relação à safra atual. O aumento será por conta dos índices de produtividade, uma vez que, no mesmo período, a área plantada crescerá apenas 15,3%, com 72 milhões de hectares.

Também indicam que, no final desta década, serão produzidas 33 milhões de toneladas de carne de frango, bovina e suína, variação que representa um aumento de 27,3%. Segundo as projeções, há forte tendência de redução de área de pastagem nos próximos anos e também da mão de obra ocupada no campo.

Considerando a estimativa de crescimento da população mundial para 9,6 bilhões de pessoas em 2050, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), esses números são animadores. Entretanto, para alimentar esse contingente, a produção atual de alimentos precisa aumentar 70%.

Ainda de acordo com a FAO, para erradicar a fome no planeta até 2030, um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável definidos pela ONU, os sistemas agroalimentares deverão ser mais produtivos, eficientes, sustentáveis, inclusivos, transparentes e resilientes. As inovações e as tecnologias digitais são a grande oportunidade desta era, chamada de quarta revolução industrial ou 4.0.

Desafios

Para avançar na transformação digital, o País ainda precisa enfrentar enormes desafios em relação à infraestrutura e à conectividade no campo. De acordo com o Censo Agropecuário 2017, divulgado em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos 5,07 milhões de estabelecimentos rurais existentes no Brasil, 3,64 milhões não têm acesso à internet, ou seja, 71,8% das propriedades. Apesar desse retrato adverso, os esforços para vencer a exclusão digital no campo têm gerado bons resultados. De 2006 a 2017 houve um crescimento de 1.900% no acesso à rede pelos produtores rurais, graças, principalmente, ao uso dos smartphones.

Uma das iniciativas do governo para melhorar a conectividade no meio rural é a Câmara do Agro 4.0, criada em 2019, quando foi firmado um acordo entre o Ministério da Agricultura e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). O objetivo é implementar ações para expansão da internet no agronegócio, aumento da produtividade no campo e difusão de novas tecnologias e serviços inovadores nas propriedades rurais. A Câmara conta com a participação de representantes do setor produtivo e de instituições de pesquisa agropecuária e de tecnologia do País, como a Embrapa.

Outro desafio é a capacitação da mão de obra no campo, que deve sofrer um forte impacto com a automação e a informatização dos processos agrícolas. A agricultura digital pode desempenhar um papel relevante na sucessão rural, apresentando novas oportunidades para retenção dos jovens, acredita o pesquisador Éson Bolfe. “A maior conectividade no meio rural fortalece as ações de cooperativismo, a educação a distância, e a atração de mais jovens ao campo, potencializando o processo de sucessão rural nas propriedades”, exemplifica.

Ecossistema de inovação

A Embrapa atua para fortalecer o ecossistema de inovação digital, ajudando a levar soluções para o mercado de forma mais ágil, além de incentivar a criação de empregos e apoiar o uso e a disseminação das tecnologias no campo. Esse modelo de inovação aberta integra inúmeras iniciativas, contribuindo para o desenvolvimento tecnológico do País. A Empresa promove programas de incentivo a startups e ainda gera, em parceria, diversas tecnologias, como sistemas de informação e aplicativos para a agricultura, como o Roda da Reprodução, usado em mais de 30 países para gerenciar o rebanho leiteiro, desde a fase de crescimento até a reprodução.

O Radar Agtech Brasil 2019, mapeamento realizado pela Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens, identificou 1.125 startups atuando no setor agropecuário. As agtechs desenvolvem soluções para os mais diversos processos produtivos, da pré-produção à produção final. No rol de inovações destacam-se as tecnologias para produção de fertilizantes sustentáveis, defensivos biológicos, aplicativos para gestão das fazendas e para o monitoramento da lavoura e sistemas voltados à rastreabilidade de grãos e de carne, além de plataformas virtuais para compra e venda de produtos agrícolas.

O que a Embrapa está fazendo:

Drones
Veículos aéreos não tripulados (vant) são usados para contagem de gado, buscando auxiliar no monitoramento do peso e da saúde animal. Também estão sendo aplicados na identificação de espécies florestais.

Internet das coisas (IoT)
Sensores detectam a necessidade de água para cada trecho da plantação e acionam irrigação automaticamente.

Veículos autônomos e robôs inteligentes
Câmeras espectrais aclopadas a equipamentos agrícolas identificam plantas e frutos (laranja, uva, maçã) no campo. Softwares reconstroem as imagens, estimam peso, volume, medida e indicam projeções de produtividade e safra, além de fazer análises de solo. Sistemas robóticos também vão melhorar os processos de ordenha na pecuária leiteira.

Aplicativos
Com o celular, será possível fotografar culturas agrícolas e obter o diagnóstico de doenças em tempo real.

Tecnologias espaciais
Sistemas inteligentes baseados em imagens de satélite com diferentes resoluções espectrais, espaciais e temporais permitem mapear e monitorar em detalhes as áreas agropecuárias e de conservação ambiental.

Sensores e sistemas
Usados para monitoramento de pragas, deficiências nutricionais do solo, das culturas e do rebanho, rastreabilidade de grãos e animais, medição da resistividade elétrica do solo e para melhoria do conforto animal em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

Ferramentas de boinformática e biologia computacional
Usadas para melhoramento genético de espécies animais e vegetais, adaptação de culturas agrícolas a condições de altas temperaturas, deficiência nutricional e hídrica.

 

Nadir Rodrigues (MTb 26.948/SP)
Embrapa Informática Agropecuária

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Embrapa Instrumentação

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Pecuária e babaçu têm convivência sustentável em sistema ILPF, aponta estudo da Embrapa Cocais – 17/04/2020

Dados de pesquisas, ainda em andamento, mostram que a palmeira babaçu pode ser usada em sistemas de integração Lavoura-Pecuária-floresta, com resultados promissores que comprovam vantagens da manutenção dessa palmeira nativa nas áreas de pastagem e, consequentemente, do extrativismo do babaçu como atividade produtiva das comunidades tradicionais do entorno de propriedades voltadas à criação de gado bovino de corte. A ILPF é uma tecnologia de produção agrossilvipastoril desenvolvida pela Embrapa, em pleno processo de expansão no Brasil, que permite o uso da terra de maneira integrada para produção de lavoura, pecuária e floresta em consórcio e/ou sucessão em uma mesma área.

O experimento foi implantado em 2017 na Fazenda Muniz, no município de Pindaré-Mirim, estado do Maranhão. Os resultados obtidos até o momento demonstram que a utilização do sistema ILPF com a palmeira babaçu como componente florestal possui alto potencial de impacto social, uma vez que valores substanciais de renda podem ser gerados pelas comunidades do entorno a partir da extração e aproveitamento integral dos frutos da palmeira.

Além disso, o sistema pode gerar impactos agronômicos e zootécnicos positivos. A descoberta abre perspectivas para a integração das pastagens com o babaçu no estado do Maranhão e também em outros ambientes da Amazônia e de Cerrado onde há ocorrência natural da palmeira babaçu com as pastagens.

Segundo o pesquisador Joaquim Costa, líder do projeto de pesquisa da Embrapa Cocais, pode-se alcançar um acréscimo na renda das quebradeiras de coco em cerca de quatro vezes a mais que a média de renda no estado. “Os sistemas integrados de produção proporcionam outros benefícios indiretos, como retorno mais rápido do capital investido em recuperação da pastagem; aumento do sequestro de carbono, promovendo a mitigação de gases do efeito estufa; aumento do conforto térmico aos animais, aumento da produtividade de leite e da fertilidade dos rebanhos e, ainda, aumento da taxa de lotação e da produtividade animal por hectare, repercutindo positivamente na renda do produtor rural. Além disso, a presença de babaçu em áreas de pastagens podem trazer melhoria da qualidade da pastagem e do solo e ainda diminuição da erosão, graças ao aporte de matéria orgânica”.

Os resultados do estudo poderão ajudar a consolidar um sistema sustentável de produção de bovinos para a região de ocorrência de palmeiras de babaçu, garantindo maior produção de carne e menores impactos ao meio ambiente. Os conhecimentos gerados estão sendo divulgados aos produtores em dias de campo realizados nas Unidades de Referência Tecnológica – URTs, em que são demonstrados os resultados alcançados e discutidas as técnicas e benefícios dos Sistemas ILPF no aumento de produtividade, lucratividade e melhoria do solo.

“Ficou demonstrado que, com o aumento da produtividade nas áreas degradadas, não há necessidade de abertura de novas áreas de floresta para implantar a atividade agropecuária. Com o uso da ILPF com babaçu é também possível produzir mais sem causar danos ao meio ambiente”, completou o pesquisador. 

O professor Luciano Muniz, da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, uma das instituições parceiras da Embrapa Cocais, ressalta a importância da áreas experimentais de ILPF para a qualificação dos profissionais das área de ciências agrárias (Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia) como oportunidade de serem inseridos no mercado de trabalho, quando formados. Além disso, segundo ele, o estudo atende às demandas dos produtores maranhenses na implantação dos sistemas integrados. Atualmente, as pesquisas estão sendo coordenadas pelo Grupo de Estudos GINTEGRA que tem envolvimento de vários parceiros (IFMA e outras instituições públicas e privadas) e 22 alunos da Universidade desenvolvem pesquisas de iniciação científica, mestrado e doutorado nas áreas onde estão instalados os diferentes sistemas de ILPF.

A equipe de pesquisa acredita que uma possível adoção em larga escala do sistema ILPF tendo o babaçu como componente florestal tem potencial de projetar o Maranhão como um dos estados que mais contribuirão para que o Brasil atinja as metas de redução na emissão de gases do efeito estufa. Além disso, a grande demanda do mercado consumidor por produtos ambientalmente corretos, naturais e seguros, abre um nicho de oportunidades que pode vir a ser ocupado pelos produtos regionais oriundos do extrativismo do babaçu, como a amêndoa (para extração de óleo), o endocarpo (para produção de carvão) e o mesocarpo (para produção de alimentos). 

Os pesquisadores apostam que os conflitos ainda existentes entre os pecuaristas e as comunidades de quebradeiras de coco possam ser amenizados ao se comprovar que a convivência da pecuária com o babaçu é viável social, econômica e ambientalmente. Geralmente o controle (ou a tentativa de controle) das pindovas (plantas jovens de babaçu) é feito em várias épocas do ano com cortes e/ou queima sucessivos, prática que eleva bastante o custo de produção e empobrece o solo, reduz a biodiversidade local, degrada a área explorada e ainda contribui para elevar a emissão de gases do efeito estufa. “Nesse cenário, a permanência do extrativismo do coco babaçu nas pastagens representa benefícios para ambas as partes uma vez que o extrativismo nas áreas ajuda a reduzir o surgimento de novas pindovas”, destaca o pesquisador. 

Esse primeiro projeto nos mostrou que é possível manter as palmeiras de babaçu em áreas de pastagem sem prejuízo para a produção de forragem do pasto, que é o alimento do animal. “Precisamos avançar nossa pesquisa em diversos pontos. Talvez o principal deles seja definir a densidade máxima de palmeiras babaçu em uma área de pastagem sem que ocorra redução da produção e oferta de forragem, ou seja, definir o número máximo de palmeiras que o produtor pode manter (quantas palmeiras por hectare) sem prejudicar a produção de matéria seca do pasto. Nossa equipe aprovou um novo projeto, que terá início em julho de 2020, no qual o principal objetivo é determinar essa densidade de palmeiras em sistemas integrados de produção com pastagem”, adianta Joaquim. 

Detalhes da pesquisa – Estão em avaliação na Fazenda Muniz, em Pindará-Mirim, seis sistemas de produção de bovino de corte: um sistema tradicional de criação de bovinos (pastagem degradada); um sistema integrando lavoura e pecuária (ILP), sem a presença de palmeiras babaçu; um sistema integrando lavoura, pecuária e floresta (ILPF), com eucalipto; um sistema ILPF, com sabiá, uma espécie madeireira nativa; um sistema ILPF, com babaçu; e um sistema ILPF, com babaçu e sabiá.

Nas áreas de ILPF com babaçu, as palmeiras são naturalmente dispersas, com uma densidade de 35 palmeiras por hectare. Para cada tratamento, estão sendo utilizados três hectares, perfazendo um total de dezoito hectares. Em todos os tratamentos, foi feito uma lavoura de milho simultaneamente com a semeadura de campim Massai, no início do experimento, para posterior formação do pasto após a retirada dos grãos de milho, conforme é realizado em sistemas de ILPF.

Nos dois sistemas de ILPF com sabiá, o arranjo utilizado foi de fileiras duplas de sabiá (30x3x2m), com trinta metros entre fileiras, 3 metros entre filas e dois metros entres plantas na linha. Para o sistema de ILPF com eucalipto, utilizou-se o arranjo 28x3x2m. As avaliações da produtividade de coco babaçu nos sistemas de ILPF foram realizadas mensalmente durante um período de quinze meses (Novembro de 2017 a Março de 2019), o que corresponde a duas safras de coco.

“No experimento realizado, o retorno do milho pagou a implantação do sistema, mesmo tendo alto custo de implantação devido as condições locais. O grão deu um excelente retorno financeiro e, já no o segundo ano da floresta implantada (sistemas com sabiá e eucalipto), o sistema está pronto para inserir os animais. Pelo que se tem conhecimento, este é o primeiro estudo em que a produtividade de 40 palmeiras babaçu é acompanhada mensalmente por duas safras”, completou Joaquim.

Como parte da pesquisa, foi feita uma parceria com um grupo de quebradeiras de coco babaçu do entorno da propriedade para avaliação do processamento da produção, agregação de valor e geração de renda dos produtos do babaçu. O grupo recebeu capacitações para potencializar o impacto econômico da atividade extrativista por meio do aproveitamento integral do coco babaçu.

Antes da capacitação, o grupo trabalhava com três produtos: amêndoa, azeite e carvão. Após a capacitação, o grupo passou a aproveitar outras partes do coco, incluindo em sua cesta de produtos a farinha de mesocarpo de babaçu, bolos e biscoitos de babaçu, além de melhorar alguns de seus processos produtivos como, por exemplo, a produção de carvão. As capacitações foram feitas na forma de “Intercâmbio de conhecimentos” envolvendo produtores/quebradeiras e associações de agroextrativistas de outras localidades e que possuem experiências exitosas no processamento integral de coco babaçu. 

Posteriormente à diversificação produtiva do grupo de quebradeiras, os pesquisadores acompanharam o trabalho do grupo para avaliar o rendimento das atividades e a geração de renda. Foram avaliados o rendimento de amêndoas e endocarpo (casca) para produção de carvão; produção e processamento de farinha de mesocarpo de babaçu; produção e venda de bolos e biscoitos utilizando farinha de mesocarpo de babaçu; produção e venda de azeite de babaçu; e produção e venda de carvão de endorcarpo de babaçu. O resultado foi a obtenção de produtos e coprodutos com valor agregado.

Histórico – A equipe da Embrapa Cocais e parceiros instalaram no início de  2017 (janeiro e fevereiro), as URTs em áreas de ocorrência de babaçu, na Amazônia maranhense, no município de Pindaré-Mirim para recuperar áreas de pastagem degradada. Foram desenvolvidas, no âmbito regional e estadual, parcerias com instituições públicas (Embrapa Meio-Norte; Universidade Estadual do Maranhão – UEMA; Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão – UEMASUL; Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Maranhão – IFMA), com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR e com produtores pecuaristas que permitiram a instalação dessas URTs na região amazônica do Maranhão. O projeto também tem apoio financeiro do Banco da Amazônia S.A – BASA e da Associação Rede ILPF para instalação e condução das URTs.

Durante a instalação e nos anos de condução destas URTs, ocorreram visitas e treinamentos de técnicos de assistência técnica e extensão rural e produtores interessados. Também foram realizadas diversas visitas de alunos do ensino médio, cursos técnicos, graduação e pós-graduação. Na URT de Pindaré-Mirim, foram elaboradas duas dissertações de mestrado e atualmente outras duas estão em fase de coletas de dados, além de vários Trabalhos de Conclusão de Curso – TCCs. 

Vantagens da ILPF – São definidos como sistemas que aplicam tecnologias para exploração máxima da produtividade da terra, sendo utilizadas espécies lenhosas produtoras de madeira ou não (árvores, arbustos, palmeiras, bambus etc.) junto com animais e outros cultivos agrícolas e/ou forrageiros, levando em consideração um arranjo espacial (misto, denso ou espaçoso, bordadura etc.) e temporal (sequencial ou simultâneo). Pode ser feita em cultivo consorciado, em sucessão ou em rotação, de forma que haja um sinergismo entre esses componentes dentro do sistema.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura – FAO, os sistemas integrados são capazes de incrementar a resiliência ambiental pelo aumento da diversidade biológica, pela efetiva e eficiente ciclagem e reciclagem de nutrientes, com melhoria da qualidade do solo, provimento de serviços ecossistêmicos e contribuição para adaptação e mitigação das mudanças climáticas. A inclusão do componente florestal traz bem-estar animal; conservação do solo e da água; mitigação da emissão de gases de efeito estufa; sequestro de carbono; serviços ambientais; ciclagem nutrientes; diversificação de produtos.

Pode-se ainda acrescentar às vantagens do sistema a maior eficiência do uso da terra; redução da erosão, melhoria das condições microclimáticas; redução dos custos de produção; aumento da produtividade, gerando mais lucratividade e retorno rápido do capital investido; diminuição do risco inerente a agropecuária (variações climáticas e oscilação de mercado) e adoção de melhores práticas de manejo na agricultura e pecuária; produção de pasto de qualidade; aumento da taxa de lotação, melhores índices de fertilidade, melhoria das condições sociais e redução da pressão de desmatamento.

Foto: Joaquim Bezerra 
Flávia Bessa (MTb 4469/DF)
Embrapa Cocais

Em tempos de Covid-19, Cocamar treina equipes por videoconferência – 14/04/2020

Treinamentos com engenheiros agrônomos da Cocamar que, em tempos de Covid-19, não podem ser presenciais, estão sendo promovidos pela cooperativa e seus parceiros por meio de videoconferência.

É dessa forma que 35 profissionais de unidades localizadas em regiões de solo arenoso, nos estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, vêm participando de aulas ministradas todas as quintas-feiras, das 14 às 16h, por especialistas da Embrapa Pecuária Sudeste, sobre o tema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Em paralelo, outros 10 engenheiros-trainee estão sendo capacitados por especialistas desde o final de março, em quatro aulas online, também de duas horas por semana, a respeito de posicionamento técnico quanto a defensivos agrícolas e fertilizantes.

O coordenador de ILPF na Cocamar, engenheiro agrônomo César Gesualdo, explica que aquele primeiro treinamento já estava programado há meses, subdividido em três módulos com a duração de 16 horas cada. Mas para que as aulas não fiquem cansativas e tenham melhor aproveitamento, o primeiro foi segmentado em duas horas semanais.

PECUÁRIA – O responsável técnico pelo programa, o analista de transferência de tecnologias da Embrapa Pecuária Sudeste, Hélio Omote, explica que o treinamento está voltado basicamente para atualização de temas relacionados à pecuária de corte. Segundo ele, iniciativas assim são oferecidas pela internet desde 2015, mas no caso do atual treinamento com a equipe da Cocamar, o mesmo havia sido formatado para ocorrer presencialmente. A expectativa dele é que apenas o primeiro módulo seja realizado por videoconferência, contando, é claro, que a pandemia do novo coronavírus chegue ao fim.

CONHECIMENTO – Por ora, a agenda de treinamentos à distância segue crescendo. O gerente técnico Rafael Furlanetto diz que a área técnica avalia promover por esse sistema outros treinamentos que já acontecem presencialmente na cooperativa. Entre eles, a capacitação anual de toda a equipe técnica, na qual o departamento oferece uma grade de palestras técnicas com a participação de pesquisadores e parceiros, abordando temas diversos. A tecnologia não é novidade na cooperativa, cujas estruturas de atendimento estão localizadas num raio de 300 quilômetros de Maringá, sendo rotineiramente empregada para a organização de reuniões virtuais entre gestores, lançamentos de campanhas, mensagens interativas da diretoria junto aos produtores cooperados nas unidades e palestras com especialistas.

Nota de esclarecimento sobre diretoria-executiva da Rede ILPF

A Rede ILPF trabalha desde 2012 com o objetivo de acelerar uma ampla adoção das tecnologias de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) por produtores rurais como parte de um esforço visando a intensificação sustentável da agricultura brasileira.
Nos últimos dois anos a parceria público privada evoluiu, formando uma associação que vem sendo estruturada em um trabalho coordenado pelo Conselho Gestor e Assembleia.
Desde o início, tivemos o apoio e a dedicação do William Marchió como Diretor Executivo. No entanto, a evolução da associação exige novas estratégias.
Nesse sentido, comunicamos que o cargo de Diretor-executivo foi extinto. William continuará apoiando a Rede ILPF, porém como prestador de serviços de consultoria nas áreas de capacitação e apoio de campo.
A Rede ILPF agradece os serviços prestados e deseja boa sorte nessa nova etapa.

Embrapa amplia oferta gratuita de capacitações online durante quarentena do coronavírus – 06/04/2020

Cursos oferecidos abrangem diversas cadeias produtivas e temáticas

Hortas em pequenos espaços, Introdução a biofortificação e Controle de carrapato em bovinos de leite estão na lista dos 14 cursos gratuitos que estão com inscrições abertas este mês de abril na plataforma e-Campo da Empresa Brasileira de pesquisa agropecuária (Embrapa). Os conteúdos são elaborados por equipes técnicas da Empresa e os participantes que aproveitarem a quarentena do cornonavírus para se capacitar vão ter direito a certificado. 

“O confinamento físico imposto pela Covid-19 tem feito crescer a procura por cursos online. Como forma de dar sua contribuição neste momento e manter a conexão com seus públicos, a Embrapa abrirá inscrições gratuitas para 14 capacitações nesta modalidade”, argumenta o secretário de Inovação e Negócios (SIN), Daniel Trento. Ele destaca a participação de oito centros de pesquisa da Embrapa na oferta das capacitações gratuitas.

A plataforma coordenada pela SIN é acessada principalmente por produtores rurais, técnicos e estudantes das regiões Sudeste, Sul e Nordeste e já conta com participantes de 15 países, da América latina em especial. Segundo levantamento da Secretaria, nos primeiros três meses deste ano o e-Campo registrou 14.799 inscrições. Desde o lançamento da plataforma, em 2018, já foram 130.558 inscritos nas quase 40 capacitações ofertadas pela Embrapa e parceiros. 

Conteúdos

Os conteúdos são elaborados por equipes técnicas da Empresa e possuem linguagem e estratégia de ensino-aprendizagem adequados ao público-alvo e à modalidade a distância. Os cursos oferecidos via e-Campo abrangem diversas cadeias produtivas e temáticas, desde a recuperação de pastagens degradadas, passando por boas práticas agropecuárias à formação de facilitadores de aprendizagem, por exemplo. Entre as 14 capacitações disponíveis de forma gratuita no momento, cinco são destinadas à cadeia leiteira. 

A Embrapa Gado de Leite irá disponibilizar ao longo do mês de abril os cursos: Controle de carrapato em bovinos de leite; Silagem de milho e sorgo para gado de leite; Silagem de capim para produção de leite de qualidade; Melhoramento genético e controle zootécnico de rebanhos leiteiros e ainda Amostragem, colega e transporte do leite.  Já a Embrapa Milho e Sorgo disponibilizará versões gratuitas de duas capacitações de grande sucesso: Recuperação de Pastagens Degradadas (ABC) e IrrigaWeb (capacitação em uso e manejo de irrigação para uso racional da água). 

Também estão disponíveis: Sistemas Agroflorestais para pequenas propriedades do semiárido brasileiro e O Potencial Agronômico de Dejetos de Suínos que são conteúdos abordados por técnicos da Embrapa Caprinos e Ovinos e da Embrapa Suínos e Aves, respectivamente. Já a SIN traz um tema de interesse de todas as cadeias produtivas, que é a Formação de facilitadores de aprendizagem.

Público urbano

Entre os cursos ofertados gratuitamente durante o período de quarentena, também o público urbano pode encontrar capacitações de interesse, como as abordagens dos cursos: Hortas em pequenos espaços, preparada pela Embrapa Hortaliças, e Compostagem, tema tratado por equipe da Embrapa Agrobiologia. 

A biofortificação de alimentos é outro assunto com potencial de atrair a parcela da sociedade interessada em conhecer melhor como a ciência tem trabalhado para oferecer alimentos mais saudáveis à população – curso Introdução à biofortificação foi preparado pela Embrapa Agroindústria de Alimentos.  A temática ambiental também chama atenção do público urbano que tem a oportunidade de acompanhar a capacitação Biodiesel, da Embrapa Agroenergia, e entender como a pesquisa trabalha a questão.

Inscrição e Certificado

Para participar, basta se inscrever no curso do seu interesse e já começar a aprender. As capacitações têm cargas horárias específicas e, portanto, prazos distintos para conclusão. Todo participante que atender aos critérios mínimos fará jus a um certificado de conclusão.

Para mais informações: e-campo@embrapa.br
 
Valéria Cristina Costa (MTb. 15533/SP)
Secretaria de Inovação e Negócios (SIN)
Valeria.costa@embrapa.br
Telefone: 61 3448.4807
 
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Artigo – Cultivo do coqueiro (Cocos nucifera l) em sistemas integrados de produção e sua adequação ao programa de agricultura de baixo carbono (ABC) – 08/03/2020

Bovinos pastejam em sistema integrado com coqueiro e gliricídia em AL

Humberto Rollemberg Fontes*
José Henrique de Albuquerque Rangel**

De acordo com o Marco Referencial  a Integração Lavoura Pecuária Floresta, (ILPF) constitui-se numa “estratégia que visa a produção sustentável e que integra as atividades agrícolas, pecuárias e florestais na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado e que busca efeitos sinergéticos entre os componentes dos agroecossistemas, contemplando a adequação ambiental, a valorização do homem e a viabilidade econômica”. Por outro lado, o programa  ABC (Agricultura de Baixo Carbono) instituído pelo governo federal, contempla uma linha de crédito que disponibiliza recursos para financiar práticas adequadas, tecnologias adaptadas e sistemas eficientes que contribuam para mitigação da emissão de gases do efeito estufa. Entre os processos tecnológicos contemplados neste programa, destacam-se a Integração Lavoura Pecuária e Floresta (ILPF) e a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN). 

Encontra-se atualmente em forte expansão no Brasil a adoção dos sistemas ILPF, utilizando-se o cultivo do eucalipto consorciado com lavouras e gramíneas  forrageiras, visando o melhor aproveitamento da área,  o maior  conforto animal, possibilitando ainda a produção  da Carne Carbono Neutro (CCN), onde os gases emitidos pelos  animais seriam neutralizados com o  sequestro de carbono, o qual passa a ser  imobilizado principalmente no tronco das árvores.   Diante deste contexto, vislumbra-se a possibilidade de utilização da cultura do coqueiro como componente arbóreo, em sistemas integrados de produção com outras culturas e/ou associação com animais no Nordeste do Brasil, 

Com o objetivo de avaliar a adequação do cultivo do coqueiro às linhas de crédito contempladas pelo programa ABC, apresentamos a seguir os principais sistemas integrados de cultivo em uso na cultura do coqueiro, com base em resultados de pesquisa obtidos pela Embrapa Tabuleiros Costeiros e observações realizadas junto ao  produtor de coco.  Observa-se assim, que desde que realizadas as devidas adequações, seria  possível  o produtor de coco ser contemplado pelo supra citado programa, beneficiando-se assim de  linhas de crédito com menores taxas de juros e maiores prazos de carência.

1. ILF – Integração Lavoura x Floresta
Nos plantios realizados em sequeiro, é comum  o cultivo consorciado do coqueiro como outras  culturas tais como: mandioca, milho, feijão de corda  entre outras, sendo esta uma prática frequentemente utilizada  por pequenos produtores de coco que cultivam a variedade Gigante ao longo da  faixa litorânea do Nordeste. Nos sistemas irrigados, a associação com frutíferas (mamão e banana), também pode ser utilizada, sendo que neste caso, o plantio das culturas consorciadas pode ser realizado na zona de abrangência dos micro aspersores ou entre coqueiros, deslocando-se neste caso, um dos micro aspersores para atender as exigências hídricas da cultura consorciada.   

2. IPF – Integração Pecuária Floresta
Sistema tradicionalmente utilizado por produtores de coqueiros da variedade gigante, cultivados em sequeiro, utilizando principalmente a vegetação natural, onde predomina o capim gengibre (Paspalum maritimum Trind), que apresenta bom potencial forrageiro para bovinos e ovinos. Há situações também, onde se verifica a introdução de pastagens artificiais à base de capim Brachiaria spp. Em ambas as situações, esta prática deve  ser utilizada em plantios adultos evitando danos dos animais aos coqueiros na fase  jovem. A depender das condições edafoclimáticas locais, poderá ocorrer competição por água e nutrientes, especialmente por nitrogênio, que poderá ser compensado, em parte, pelo ganho adicional de carne e/ou leite, como também pelo controle natural das plantas daninhas, e pela produção adicional de esterco. Mais recentemente, tem-se observado incremento da produção intensiva de leite em associação com áreas cultivadas com coqueiros, neste caso, utilizando sistemas irrigados por aspersão, beneficiando as plantas forrageiras e indiretamente o coqueiro.

3. ILPF – Integração Lavoura x Pecuária x Floresta
Plantio de culturas consorciadas nas entrelinhas durante os primeiros anos de plantio (3 a 4 anos), incluindo na fase adulta o componente animal para pastejo da vegetação natural ou introduzindo-se a pastagem artificial implantada. Em sistemas mais intensivos, a cultura do milho poderia ser utilizada como base para produção de forragem, utilizando-se preferencialmente o plantio direto na palha  realizando-se o manejo da sua biomassa como cobertura morta após a colheita do grão. A utilização de maiores espaçamentos e a adoção de sistemas de plantio do coqueiro em quadrado,  a despeito de reduzir em 15% o número de coqueiros/área plantada, possibilitaria melhor aproveitamento da área disponível com outras culturas e/ou plantas forrageiras, com ganhos na produção como um todo..

4. FBN – Integração do cultivo do coqueiro com leguminosas arbóreas perenes, como a Gliricídia sepium, plantadas obedecendo à linha de plantio dos coqueiros, mantendo-se uma distância de aproximadamente 2,5 m em relação ao estipe. O plantio pode ser realizado também nas entrelinhas ou em área total, podendo ser realizado em faixas alternadas para facilitar o corte e trânsito de máquinas.  O plantio da gliricídia  pode ser realizado durante a fase de implantação do coqueiro ou mesmo em plantios adultos constituindo-se uma grande possibilidade de integração de culturas. A biomassa produzida pela gliricídia poderá ser utilizada  como adubo verde, através da   deposição  desse material na zona de coroamento do coqueiro através de cortes periódicos realizados durante o ano para fornecimento de nitrogênio (3%) fixado biologicamente, podendo,  eventualmente, ser utilizada para forrageamento animal em função do seu alto valor proteico para ruminantes (20 a 30%).

*Engenheiro-agrônomo – Mestre em fitotecnia
**Engenheiro-agrônomo – PhD em agricultura tropical
Pesquisadores da Embrapa Tabuleiros Costeiros

Artigo publicado na edição 14 da Revista da Associação de Engenheiros-agrônomos de Sergipe (AEASE).

Foto: Saulo Coelho 

Núcleo de Comunicação Organizacional
Embrapa Tabuleiros Costeiros

Contatos para a imprensa
tabuleiros-costeiros.imprensa@embrapa.br
Telefone: (79) 4009-1381

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Embrapa lança capacitação online sobre recuperação de pastagens degradadas – 06/04/2020

Além do curso, a plataforma disponibilizará, também de forma gratuita, publicações e vídeos de alguns trabalhos desenvolvidos em outras regiões do país

A Embrapa Milho e Sorgo preparou o curso online gratuito “Recuperação de Pastagens Degradadas”. O treinamento será oferecido no ambiente virtual de aprendizagem da Embrapa, de 6 de abril a 6 de maio de 2020.

 “Estamos enfrentando um momento delicado em todo o mundo e gostaríamos de contribuir com os profissionais do agro no Brasil, oferecendo um curso com uma temática bastante importante, para que possam reciclar e buscar novos conhecimentos durante esse período de isolamento”,  informa a coordenadora administrativa do curso Myriam Maia Nobre.

Com carga horária de 15 horas, o curso tem a proposta de mostrar três estratégias importantes para o produtor. Segundo o coordenador técnico-científico do curso, Emerson Borghi, o propósito do curso é apresentar conceitos, estratégias e ferramentas práticas e utilizáveis para os mais diferentes públicos.  

“Vamos demonstrar como identificar e reconhecer os diferentes estágios de degradação das pastagens, como diferenciar os processos de recuperação e renovação de pastagens e  propor estratégias planejadas e definidas a partir de critérios técnicos. E, finalmente,  falar sobre  como analisar, propor recomendações e escolher as melhores técnicas e manejos em razão da escolha da espécie forrageira e da sua forma correta de utilização”, disse Borghi.

Além do curso, a plataforma disponibilizará, também de forma gratuita, publicações e vídeos de alguns trabalhos desenvolvidos em outras regiões do país. “Esperamos que o curso possa ser útil a todos, nas mais diferentes regiões brasileiras”, finaliza o coordenador técnico-científico.

As inscrições são gratuitas e estarão abertas de 6 de abril a 6 de maio de 2020. Mesmo período de oferta da capacitação.

 

Serviço:

Curso: Recuperação de Pastagens Degradadas

Realização: Embrapa Milho e Sorgo

Vitrine de Capacitações on-line Embrapa:  https://www.embrapa.br/e-campo

Período de Realização: 6/4/2020 a 6/5/2020

Investimento: gratuito

Mais informações pelo e-mail: e-campo@embrapa.br

Inscrições pelo link: https://www.embrapa.br/e-campo
 
Sandra Brito (MTb 06230 MG)
Embrapa Milho e Sorgo

Contatos para a imprensa
milho-e-sorgo.imprensa@embrapa.br

Artigo: Pastagens a serviço da sociedade – 30/03/2020

 

As pastagens estão entre os ecossistemas mais extensos do mundo, abrangendo cerca de 40% da superfície sem gelo da Terra. As pastagens para produção pecuária são a maior classe de uso da terra no planeta, ocupando aproximadamente 3,5 bilhões de ha, e a fonte predominante de forragem para animais em pastejo no mundo. As pastagens são responsáveis por produzir alimentos para animais, para humanos e outros produtos agrícolas que proporcionam inúmeros benefícios à sociedade. Nós, humanos, somos fundamentalmente dependentes desses benefícios, os quais definimos como serviços ecossistêmicos, embora seu valor nem sempre seja reconhecido.

No entanto, apenas recentemente, começamos a entender as pastagens como fornecedoras de produtos importantes para a sociedade, o que inclui a forragem produzida para alimentar os animais. Isso resulta na produção de alimentos de origem animal destinados ao consumo humano (carne e leite), contribuindo com o atendimento da demanda global de alimentos e com a geração de outros produtos de origem animal (lã, medicamentos, cosméticos, couro, etc.).

Nos últimos anos, um amplo esforço de pesquisa vem sendo feito para auxiliar produtores na otimização da produção de forragem, ciclagem de nutrientes via palhada e excrementos dos animais, fixação de nitrogênio, habitat para garantir biodiversidade, manejo de pastagens e, por fim, aumentar a produção pecuária. Pastagens bem manejadas podem contribuir recarregando as bacias hidrográficas, filtrando a água à medida que se move pelo solo,  garantindo a conservação e evitando a degradação dos nossos solos. Isso é o resultado da manutenção da cobertura vegetal e da diversidade de espécies nas pastagens que auxiliam a minimizar a erosão do solo, a lixiviação de nutrientes para as águas subterrâneas ou o escoamento para as águas superficiais. Além de aumentar a matéria orgânica do solo e a reter mais água e nutrientes no solo.

Os ecossistemas de pastagens também são capazes de oferecer benefícios não materiais para as pessoas, como recreação ao ar livre, observação da vida selvagem, fotografia, manutenção de estilos de vida tradicionais, realização espiritual e projetos de pesquisa e educação. Portanto, as pessoas, especialmente os entusiastas da natureza, podem ser atraídas para visitar fazendas e desfrutar de atividades recreativas, como a observação de pássaros, por exemplo, hoje ainda pouco exploradas economicamente.

Nos próximos anos, na medida em que haja o reconhecimento pela sociedade, será preciso encontrar uma maneira de compensar os produtores por essa prestação de serviços. De Groot et al. (2012), estimando serviços de ecossistemas em escala global, calcularam que o valor médio de uma variedade de serviços nas pastagens era de U$ 4.605 por hectare/ano [convertidos em dólares de 2017 por Hodges et al. (2019)]. Seguindo essa mesma lógica, o estado de Mato Grosso, detentor do maior rebanho de bovinos do Brasil, com 23 milhões de hectares de pastagens destinados à indústria pecuária, teria o potencial de gerar mais de U$ 100 bilhões/ano em serviços ecossistêmicos.

Esse montante oferece uma perspectiva de valor dos serviços ecossistêmicos para a sociedade e para os pecuaristas, indicando o potencial que ainda há em melhorar o manejo de pastagens e na inserção de sistemas integrados de produção para promover uma indústria pecuária ainda mais sustentável.

 

References

de Groot R, Brander L, van der Ploeg S, et al (2012) Global estimates of the value of ecosystems and their services in monetary units. Ecosyst Serv 1:50–61. doi: 10.1016/j.ecoser.2012.07.005

Hodges AW, Court CD, Rahmani M, Stair CA (2019) Economic Contributions of Beef and Dairy Cattle and Allied Industries in Florida in 2017. Gainesville, FL

Millenium Ecosystem Assessment (2005) Ecosystems and Human Well-being: Synthesis. Island Press, Washington, DC.

 
 
Bruno Pedreira (Pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril)
Embrapa Agrossilvipastoril

Lynn E. Sollenberger (Professor do Departamento de Agronomia, Universidade da Flórida, Gainesville, FL, EUA)
Embrapa Agrossilvipastoril

Foto: Bruno Pedreira

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/