Embrapa divulga avaliação econômica de Sistemas de Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta – 19/02/2020

Pesquisadora Mariana analisou economicamente diversas modalidades de ILPF em várias regiões do país. A obra acaba de ser lançada e está à disposição dos interessados.

A publicação ora lançada reúne estudos de viabilidade econômica dos sistemas de Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) nos biomas brasileiros, realizados pela equipe do projeto Eco-ILPF, cujo objetivo inicial era padronizar uma metodologia de avaliação econômica para esses sistemas. O projeto foi finalizado em 2019 e a obra é um de seus resultados. Embora não se tenha conseguido padronizar completamente as metodologias de análise, em virtude da complexidade e da heterogeneidade dos sistemas integrados, muito se avançou nas discussões metodológicas, comenta a editora técnica Mariana de Aragão Pereira, especialista em economia e pesquisadora da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande, MS).

A pesquisadora, que também é autora de um dos capítulos da publicação da Série Documentos, número 268, constatou que os sistemas de integração, de forma geral, tendem a ser viáveis, técnica e economicamente, pois aumentam a produtividade e a produção dos componentes do sistema, melhoram a qualidade do solo e o bem-estar animal, ao mesmo tempo em que reduzem os riscos de variação de renda.

Mariana Aragão conta que várias modalidades da ILPF foram analisadas, incluindo ou não árvores, com adensamentos e espaçamentos diversos, com diferentes culturas desde mandioca e aveia aos tradicionais milho e soja ou algodão, em condições experimentais, sistemas modais ou fazendas reais. Opções para o pequeno produtor familiar também foram contempladas, como no caso apresentado pela Embrapa Amazônia Oriental (CPATU), que inclui árvores nativas, mandioca e pecuária de cria.

Resultados econômicos positivos

A editora afirma que os estudos comprovam que os resultados econômicos são positivos desde que as recomendações técnicas da ILPF sejam seguidas e haja demandas pelos produtos oriundos do sistema no mercado regional. Ela complementa informando que “pode haver variações de desempenho do sistema durante os anos, porém no longo prazo, um componente compensa o outro”.

A obra foi enquadrada nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável-ODS, promovidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), que prioriza em sua agenda a sustentabilidade. Os sistemas de integração contribuem para as metas da Agenda 2030 da ONU de dobrar a produtividade agrícola e a renda dos produtores de alimentos.

Na apresentação do livro a editora destaca: “Todos os trabalhos apresentados na publicação demonstram como os sistemas de integração em todo Brasil vão ao encontro e favorecem a consecução de metas da ONU, como por exemplo, a de garantir sistemas sustentáveis de produção de alimentos e implementar práticas agrícolas resilientes, que aumentem a produtividade e a produção, que ajudem a manter os ecossistemas, que fortaleçam a capacidade de adaptação às mudanças climáticas, às condições meteorológicas extremas, secas, inundações e outros desastres, e que melhorem progressivamente a qualidade da terra e do solo”.

A publicação apresenta também dados da ILPF nos biomas brasileiros: “São pelo menos 11,5 milhões de hectares estabelecidos no Brasil com as modalidades de ILPF. Esse resultado ultrapassou a meta de nove milhões de hectares até 2030, estipulada pelo Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC), no âmbito do Acordo de Paris. O objetivo agora é superar a marca dos 14 milhões de hectares até 2030. Acredita-se que as avaliações econômicas contidas nessa obra colaboram para reduzir as incertezas e promover a análise crítica sobre estes sistemas de integração, contribuindo para sua maior adoção no setor produtivo e, por consequência, para os ODS”.

A obra intitulada “Avaliação econômica de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta: as experiências da Embrapa”, 90 páginas, está disponível na versão digital na página da Embrapa Gado de corte, no endereço: https://www.embrapa.br/gado-de-corte/publicacoes

Foto: Eliana Cezar 

Eliana Cezar (DRT 15.410/SP)
Embrapa Gado de Corte

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Mudanças climáticas impactam na disponibilidade de água na agropecuária – 18/02/2020

Déficit hídrico é um dos impactos das mudanças climáticas para a agricultura.

Tema será debatido durante simpósio de produção animal e recursos hídricos

Um dos principais impactos das mudanças climáticas para a agricultura é o déficit hídrico. Segundo o pesquisador Giampaolo Queiroz Pellegrino, da Embrapa Informática Agropecuária, tanto o aumento da temperatura média, como a maior frequência de eventos extremos (enchentes, secas prolongadas, inundações, etc.), causados pelo aquecimento global, vão afetar diretamente esse setor.

O tema Mudanças climáticas e água estará em pauta na palestra de abertura do VI Simpósio de Produção Animal e Recursos Hídricos (SPARH), que ocorre nos dias 19 e 20 de março de 2020. O evento é realizado pela Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP). As inscrições podem ser feitas até o próximo dia 23 de fevereiro pelo site.

Durante a apresentação, Pellegrino vai falar sobre consequências das mudanças climáticas para a agropecuária e como a produção de alimentos é afetada. De acordo com ele, a pecuária será impactada pela redução na qualidade e quantidade de pastagem e de água, o que provavelmente deve resultar em menor produção de carne e leite, queda dos índices reprodutivos, incidência maior de pragas e doenças, etc.

Esse cenário exige que se invista em formas de mitigação desses impactos e de adaptação dos sistemas produtivos. Pesquisadores da Embrapa estão trabalhando com tecnologias para uma pecuária sustentável e mitigadora de gases de efeito estufa, como o uso de modelos de produção alternativos, por exemplo, a integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Esse tipo de sistema é uma forma de promover a intensificação com maior eficiência, menor pressão por abertura de novas áreas e desmatamento de florestas, sequestro de carbono, maior produção com melhoria da qualidade ambiental (água, solo, biodiversidade, etc.) e com incremento na produtividade.

O coordenador do SPARH, Julio Palhares, conta que o tema de comemoração do Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março, será Água e Mudanças Climáticas: como proteger a vida. Também ressalta que esta década foi escolhida como a década do clima. “Se vamos fazer alguma coisa, temos que fazer agora para que até 2030 consigamos reduzir nossas emissões e manter a temperatura do planeta em um valor seguro”, destaca.

O evento vai discutir esses desafios e como a pesquisa e a cadeia produtiva podem contribuir para minimizar os impactos relacionados às produções animais e ao consumo de água.

A programação completa, inscrições e mais informações sobre o evento podem ser obtidas em www.bit.ly/sparh2020.

Investimento

Profissional – R$ 250,00

Estudante de pós-graduação – R$ 175,00

Estudante de graduação – R$ 125,00

Serviço

VI Simpósio de Produção Animal e Recursos Hídricos (SPARH)

Data: 19 e 20 de março de 2020

Local – Auditório da Embrapa Instrumentação – Rua XV de Novembro, nº 1.452, Centro, São Carlos – SP.

Prazo para inscrição: 23/02/2020
 
Gisele Rosso (MTb/3091/PR)
Embrapa Pecuária Sudeste

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Fazendas podem neutralizar todas as suas emissões de GEEs destinando apenas 15% de sua área à ILPF – 18/02/2020

Pesquisa evidenciou o importante papel das árvores no balanço de carbono de uma fazenda.

  • Pesquisadores comprovaram que, integrando lavoura-pecuária-floresta em apenas 15% da propriedade, é possível neutralizar as emissões de GEEs de toda a fazenda.
  • Experimento usou 417 árvores de eucalipto por hectare.
    Sistema integrado foi capaz de neutralizar emissões de metano e de óxido nitroso, gases produzidos na pecuária.
  • O componente florestal mostrou-se fundamental para neutralizar as emissões.

O sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) implantado em apenas 15% da área de produção já é o suficiente para compensar todas as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) gerados pelos animais e pela pastagem, deixando um saldo positivo de carbono na fazenda. Esse resultado foi registrado em pesquisas conduzidas pela Embrapa Cerrados (DF), e comprovou que a produção de animais, árvores e lavouras/pastagem em um mesmo local tem um elevado potencial de gerar saldos positivos de carbono.

O estudo procurou averiguar a capacidade de o sistema ILPF compensar os GEEs emitidos pela atividade agropecuária, principalmente pela pecuária. O estudo utilizou duas áreas experimentais, com medições de balanço de carbono. Publicados em circular técnica, os resultados mostram que o componente arbóreo é fundamental para aumentar o estoque de carbono na propriedade.

Um sistema de ILPF com uma população de 417 árvores de eucalipto por hectare – distribuídas na forma de renques (linhas) em apenas 15% da área da propriedade – tem potencial para neutralizar as emissões de metano (CH4), produzido por fermentação entérica dos bovinos, e de óxido nitroso (N2O), proveniente do solo e das excretas (urina e fezes) dos animais.

“Para que haja a compensação das emissões de gases de efeito estufa, uma propriedade com mil hectares de pastagem, por exemplo, deve destinar 150 ha ao sistema ILPF com 417 árvores/ha e taxa de lotação de 1,7 cabeça/ha”, detalha o pesquisador da Embrapa Kleberson de Souza. Caso o sistema seja de integração lavoura-pecuária (sem as árvores), o produtor teria de destinar 850 hectares da mesma propriedade para conseguir a neutralização das emissões, considerando uma taxa de lotação de três cabeças por hectare.

O especialista observou também que a quantidade de árvores pode ser menor, desde que o sistema ILPF seja adotado na área total de produção. Nesse caso, é possível manter aproximadamente 70 árvores por hectare, com taxa de lotação de 1,7 cabeça/ha, isto é, 0,7 unidade animal (UA). A taxa de lotação diz respeito ao número de unidades animais (UA) que pode ser colocado por hectare e cada UA corresponde a 450 kg de peso vivo.

Os estudos foram realizados em experimento com ILPF implantado em 2009 na Unidade da Embrapa localizada em Planaltina (DF). Na área, foram feitas as medições de emissão de gases do solo, emissão de metano (CH4) por fermentação entérica dos animais e estoque de carbono do solo e da biomassa vegetal. As excretas dos animais emitem óxido nitroso (N2O) após serem depositadas no solo e, por isso, contribuem para aumentar as emissões de gases de efeito estufa na atividade pecuária. Embora tenha menor concentração na atmosfera, o óxido nitroso apresenta potencial de impacto 310 vezes maior quando comparado ao dióxido de carbono (CO2), além do tempo de permanência na atmosfera, de 150 anos.

As emissões em cada fase do experimento
Na fase de implantação do sistema (fase silviagrícola), durante a consorciação do eucalipto com cultivos agrícolas, a interferência do componente florestal foi baixa e as emissões de óxido nitroso (1,06 kg de N2O/ha) foram atribuídas ao cultivo de grãos (soja e sorgo). Já a pastagem na fase silvipastoril (componentes pecuário e florestal integrados) do sistema ILPF emitiu anualmente 1,02 kg de N2O e o sistema ILP, 1,42 kg de N2O. Por outro lado, as emissões de metano entérico (CH4), após dois anos de estabelecimento do experimento, foi de 2.672 kg de carbono-equivalente por hectare por ano para o sistema de ILPF, e de 4.072 para o sistema de ILP.

As emissões de metano no sistema de produção podem variar de acordo com a taxa de lotação da área e a qualidade da pastagem ingerida pelos animais. Em área com sistema ILPF, a taxa de lotação é menor que em área sem árvores (sistema ILP). Portanto, a tendência é que haja, nesses casos, menor emissão desse gás. No experimento em que foram realizadas as análises, a taxa de lotação na ILPF foi de 1,7 cabeça/ha (1,1 UA-unidade animal), o que culminou em uma emissão de 2.000 kg de CO2eq/ha ao ano na forma de CH4. Já na área de ILP, a taxa de lotação foi de três cabeças/ha (2,0 UA-unidade animal), proporcionando uma emissão de 3.400 kg CO2eq/ha ao ano na forma de CH4.

A importância das árvores no balanço
Os estudos comprovaram que para que se tenha um saldo positivo significativo de carbono é preciso que o componente florestal seja inserido no sistema de produção agrícola. Isso porque as árvores têm grande capacidade de armazenar carbono. “São menos comuns os casos em que os estoques de C no solo sob os sistemas agrícolas superam os estoques da vegetação nativa adjacente. Ou seja, é difícil obter saldo positivo de carbono caso o componente florestal não seja inserido no sistema de produção agrícola”, afirma o pesquisador Kleberson de Souza.

No experimento de ILPF da Embrapa Cerrados, uma única árvore do híbrido de Eucalyptus urograndis, com sete anos de idade, foi capaz de acumular, em média, 30,2 kg de C/ano (considerando 45% de C da massa seca de biomassa aérea da planta). Isso equivale ao sequestro de 110,5 kg de CO2/ano da atmosfera por cada árvore inserida no sistema. No sistema ILP, esse tipo de sequestro de carbono ocorre, em grande parte, devido ao sistema de raízes da pastagem e da palhada depositada sobre o solo, e tende a se estabilizar com o tempo.

Segundo os especialistas, se por um lado é possível dizer que um sistema ILPF será mais produtivo para sequestrar carbono da atmosfera quanto mais árvores por hectare o sistema tiver, por outro lado o produtor deve ter cautela para que um número excessivo de árvores não impacte negativamente os demais componentes, “especialmente a pastagem, devido à competição por luz, água e nutrientes”, ressalta a pesquisadora Karina Pulrolnik, também da Embrapa Cerrados.

Também participaram dos estudos os pesquisadores Roberto Guimarães Júnior, Robélio Marchão, Lourival Vilela, Arminda de Carvalho, Giovana Maciel, Sebastião Pires e Alexsandra Duarte.

Foto: Kelem Cabral

Juliana Caldas (MTb 4861/DF)
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Japoneses conhecem sistema ILPF na Embrapa Pecuária Sudeste

Grupo internacional conhece sistema ILPF

No dia 27 de janeiro, a Unidade recebeu um grupo japonês ligado à Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA). A comitiva, formada por quatro integrantes, visitou os dois centros de pesquisa de São Carlos.

A Embrapa e a JICA estão trabalhando em parceria em projetos de agricultura de precisão e agricultura sustentável.

Na Embrapa Pecuária Sudeste, o pesquisador Alberto Bernardi apresentou o sistema ILPF. Eles ficaram bastante interessados pelo modelo. Acompanharam a visita representantes da Embrapa Instrumentação: o chefe-geral, João Naime, o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento, José Marconcini, e o pesquisador Ricardo Inamasu.

A JICA é ligada ao governo japonês e responsável pela implementação da Assistência Oficial para o Desenvolvimento (ODA). A agência presta assistência em mais de 150 países contribuindo para o crescimento e a estabilidade sócio-econômica dos países em desenvolvimento.

 

Imagem: Gisele Rosso
Gisele Rosso (Mtb 3091/PR)
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Ana Maio
Jornalista do Núcleo de Comunicação OrganizacionalEmbrapa Pecuária Sudeste

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Árvores nativas favorecem serviços ambientais em sistemas de integração agropecuários – 10/02/2020

Sistema silvipastoril da Embrapa Pecuária Sudeste com uso de árvores nativas

O uso de espécies nativas em sistemas de integração agropecuários, além de agregar valor com a diversificação de produtos florestais de qualidade, é uma alternativa para produzir alimentos de forma mais equilibrada com o meio ambiente. Para a pesquisadora Maria Luiza Nicodemo, da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos – SP), é necessário pensar em recuperação de serviços ambientais para a manutenção da estabilidade do planeta. “Acho que temos que pensar em modelos de produção mais sustentáveis, mesmo sendo mais complexos”, destaca.

A presença de árvores promove serviços importantes para o ambiente, que se reflete em melhorias para o solo e para a conservação da água, por meio do aumento de matéria orgânica na área, da atividade microbiológica e da ciclagem de nutrientes, podendo assim promover alterações na fertilidade e a maior infiltração e retenção de água no solo. O componente arbóreo também regula o microclima, favorecendo a o bem-estar animal, com reflexos na produção de carne e leite. A pastagem com as árvores aumenta também a diversidade de fauna, auxiliando no controle de pragas e de doenças. Além disso, diminui a pressão por abertura e desmatamento de áreas florestais, com o incremento na produtividade.

Se o produtor optar trocar o eucalipto por espécies florestais nativas, o aumento da biodiversidade no sistema e o potencial de recuperar serviços ambientais é mais significativo ainda.Outra vantagem é a econômica. Geralmente, a madeira dessas espécies tem mais qualidade, por isso o retorno financeiro é melhor.  

A integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF ou agrossilvipastoril) e a integração Pecuária-Floresta (IPF ou silvipastoril) com componente arbóreo nativo são bastante tímidas no país. A Amazônia trabalha com nativas há muito tempo e de uma forma consistente. Já na região Sudeste utiliza-se principalmente o eucalipto em integração, assim como em outras regiões.

A pesquisadora ressalta que há muitas espécies com grande potencial, mas faltam informações. “Ainda não há muito trabalho de seleção e melhoramento com foco em nativas, diferente do eucalipto que já está mais consolidado em sistemas de integração”, comenta.

Em busca de respostas, um experimento na Embrapa Pecuária Sudeste utilizou sete espécies nativas em integração silvipastoril para caracterizar os serviços ecossistêmicos, como produção de alimento e de biomassa, manutenção de água e fertilidade do solo.

Foram usadas árvores para diversas finalidades – madeireiras, melíferas e as chamadas tutoras (que auxiliam no crescimento retilíneo das madeireiras). As espécies plantadas foram mutambo, capixingui, angico-branco, canafístula, ipê-felpudo, jequitibá-branco e pau-jacaré.

Um resultado interessante nesse sistema foi em relação a parasitas. Ficou comprovado, por exemplo, que a infestação por moscas-dos-chifres na área de pastagem com nativas foi 38% menor quando comparada às pastagens convencionais, demonstrando que as alterações de microclima e microfauna afetam a dinâmica da população. A análise dos dados de contagens de carrapatos não mostrou diferenças significativas. Em relação aos vermes gastrintestinais e aos bernes, os testes nos dois sistemas mostraram médias de parasitismo semelhantes.

Segundo Maria Luiza, a diversificação das espécies é recomendável para o controle de pragas e doenças em áreas com nativas. O indicado é o produtor ter uma combinação de árvores de acordo com a finalidade do sistema.
A integração com nativas, de uma forma geral, contribui para aumentar a biodiversidade agrícola com diversificação de produtos diretos (madeira, lenha, carne, leite) e benefícios indiretos como fertilidade do solo e maior produtividade do capim.

A pesquisadora enfatiza que não tem receita de bolo. O produtor precisa planejar e avaliar cada etapa do processo – desde a implantação até o mercado consumidor para os produtos. “O pecuarista precisa estar disposto a mudar e a encontrar caminhos para conciliar as demandas produtivas à capacidade dos ecossistemas”, finaliza.

Foto: Ana Maio 

Gisele Rosso (MTb/3091/PR)
Embrapa Pecuária Sudeste

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Livro destaca ações da Embrapa Meio-Norte para o sistema ILPF – 14/02/2020

A Embrapa acabou de lançar um livro sobre o sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) no Brasil. O capítulo 4 da publicação destaca os avanços e desafios do sistema na região do Matopiba, que compreende os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O livro “Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta no Brasil: estratégias regionais de transferência de tecnologia, avaliação da adoção e de impactos”,é um importante manual para a sociedade, consultores técnicos e todas as entidades que fazem parte do agronegócio brasileiro.

Marcos Teixeira é coordenador das ações de transferência de tecnologia para o sistema ILPF na Embrapa Meio-Norte e um dos autores da obra lançada. Segundo ele, o exemplar apresenta as dificuldades e custos de adesão do método, contudo destaca também as potencialidades para o produtor que tem interesse na adoção da técnica.

O coordenador afirma também que o sistema resulta em ganhos econômicos, sociais e ambientais. “Com a adoção do ILPF, nós podemos dobrar a produção nas próximas décadas, usando a mesma área de cultivo atual, sem precisar desmatar. Na questão social, ele se destaca como um sistema que gera vários empregos diretos”, ressaltou Marcos Teixeira.

O capítulo 4, que descreve especificamente os desafios na região do Matopiba, foi elaborado por colaboradores da Embrapa Meio-Norte, no Piauí; Embrapa Cocais, no Maranhão; Embrapa Pesca e Aquicultura, em Tocantins, e Embrapa Cerrados, no oeste da Bahia.

Foto: Gabriel Faria 

Liane Cardoso, sob orientação de Fernando Sinimbu
Embrapa Meio-Norte

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Soja e ILPF na Tecnoeste – 14/02/2020

Sistemas integrados em ILPF

Os últimos lançamentos em soja para o RS e SC serão apresentados pela Embrapa na Tecnoeste, que acontece de 18 a 20 de fevereiro, em Concórdia, SC. A empresa também vai apresentar os resultados das pesquisas em ILPF.

O programa de melhoramento de soja na região fria do Brasil é conduzido pela Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS), direcionado atualmente para atender a demanda dos produtores por cultivares transgênicas capazes de somar características como potencial produtivo, hábito de crescimento indeterminado e sanidade.  

A cultivar BRS 5601RR chegou às lavouras neste ano, indicada às regiões 102 e 103 na Macrorregião Sojícola 1, conquistando produtores devido o ciclo precoce e o alto potencial produtivo. A média na produção comercial de sementes foi de 78 sacos por hectare.

Outro destaque é a cultivar BRS 6203RR capaz de aliar produtividade com amplitude na janela de semeadura. A época recomendada inicia em outubro e se estende até 30 de novembro, permitindo tranquilidade ao produtor no ajuste das operações de semeadura em função do tempo e da otimização do maquinário. A cultivar está indicada para as regiões 101, 102 e 103 na Macrorregião Sojícola 1.

O lançamento deste ano é a cultivar BRS 5804RR que apresenta resistência a podridão radicular de fitóftora, problema recorrente em solos com excesso de umidade e áreas sem rotação de culturas. O potencial de rendimento da cultivar está acima de 100 sacas por hectare, com indicação para cultivo para as regiões 102 e 103 na Macrorregião Sojícola 1.

Sistemas Integrados

Os visitantes do Tecnoeste poderão conferir de perto o uso do sistema de produção Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e os resultados nas pesquisas conduzidas pela Embrapa e o Instituto Federal Catarinense – Campus Concórdia. Na unidade de experimentação de nove hectares no IFC-Concórdia são conduzidos estudos sobre fertilizantes orgânicos em culturas de grãos e pastagens, além de custos de produção e renda em sistemas integrados.

Na vitrine de tecnologias serão apresentadas diversas opções de forragem animal, como o capim sudão BRS Estribo, o capim elefante BRS Kurumi, o sorgo granífero BRS 380 e o sorgo silageiro BRS 658.

O Show Tecnológico Rural do Oeste Catarinense é uma realização da Copérdia e do Instituto Federal Catarinense, Campus Concórdia. O evento acontece de dois em dois anos e atrai agricultores, estudantes e empresas do complexo agroindustrial.

Foto: Gabriel Faria 
Joseani M. Antunes (MTb 9693/RS)
Embrapa Trigo

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Biosseguridade, destinação de animais mortos, potencial agronômico de dejetos, cultivares e ILPF são destaques da Embrapa no Tecnoeste – 14/02/2020

Na próxima semana, de 18 a 20, os visitantes do Show Tecnológico Rural do Oeste Catarinense – Tecnoeste poderão conferir algumas das tecnologias e pesquisas desenvolvidas pela Embrapa, além de participar de mini palestras, realizadas gratuitamente no espaço da Avicultura. Nesse espaço ficará concentrado também o institucional da Embrapa, onde o foco principal está na atuação nas cadeias produtivas de aves e de suínos, bem como as soluções de meio ambiente.

Na suinocultura, a Embrapa apresenta a genética suína MS 115 – Reprodutor Suíno Light. Esse suíno apresenta um percentual de carne na carcaça acima de 62%, reduzida espessura de toucinho e ótima conformação, com excelente concentração de carne no pernil, lombo e paleta. Seu desempenho é destacado especialmente pela conversão alimentar (2,19 kg de ração/kg de peso vivo), característica importante para o retorno econômico da criação de suínos. O MS115 se adapta a todo o território nacional. Ele também é livre do gene halotano, o que confere maior resistência ao estresse e uma capacidade de produzir carne de melhor qualidade.

No espaço de parcelas, a Embrapa apresenta cultivares de soja, sorgo e capim. As cultivares são tecnologias da Embrapa Trigo, unidade localizada em Passo Fundo/RS. As cultivares são de Soja BRS 5601 RR, Soja BRS 5804 RR, Soja BRS 6203 RR, Sorgo BRS 330, Sorgo BRS 658, Capim-Sudão BRS ESTRIBO e Capim Elefante Anão BRS KURUMI. Outra destaque da Embrapa no Tecnoeste é com a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta.

Mini palestras
Durante os três dias, técnicos da Embrapa realizarão mini palestras sobre temas que abrangem a avicultura e a suinocultura. A entrada é gratuita. Confira os temas e horários:

• Dia 18/02
14 horas: Biosseguridade da avicultura

• Dia 19/02:
10h30: Biosseguridade da avicultura
14h30: Tecnologias para a destinação de animais mortos na granja

• Dia 20/02:
11 horas: Potencial agronômico dos dejetos de suínos e aves
 
Monalisa Leal Pereira (MTb/SC 01139)
Embrapa Suínos e Aves

Vitrine Embrapa valoriza integração Lavoura-Pecuária na Abertura Oficial da Colheita do Arroz – 13/02/2020

BRS Kurumi é uma das pastagens em destaque para integração Lavoura-Pecuária

Durante a 30ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, realizada de 12 a 14 de fevereiro, na Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS), no Capão do Leão/RS, pesquisadores e analistas apresentam opções de pastagens de verão desenvolvidas pela Embrapa para uso na rotação com as lavouras, principalmente de arroz e soja.

Em exposição na área experimental, parcelas com a variedade de capim elefante BRS Capiaçu, voltada para silagem; e com variedades de pastagens perenes de verão, como o capim elefante-anão BRS Kurumi, os panicuns BRS Zuri, BRS Quênia e BRS Tamani, e a brachiaria BRS RB331 Ipyporã. Além do capim-sudão BRS Estribo, pastagem anual de verão.

Segundo o analista da Embrapa Pecuária Sul (Bagé, RS), Marco Antônio Karam Lucas, a proposta é demonstrar as possibilidades de pastagens de verão que se inserem na integração Lavoura-Pecuária (ILP), principalmente de arroz, integrando pastagens perenes e anuais para garantia de alimento ao gado. “É importante que o produtor tenha, na rotação, além das anuais, espécies perenes. Os animais precisam de comida e, caso ocorra problema com as anuais, é possível fazer pastejo com a perene”, afirmou.

Para as lavouras, os principais benefícios dessa integração são o aumento da produtividade pela ciclagem de nutrientes, estruturação do solo, controle de plantas daninhas e redução de pragas e doenças. A presença dos animais também ajuda na melhoria do solo. “Isso tudo acaba nas lavouras que vêm depois, que se tornam mais produtivas pela melhoria da fertilidade e estrutura do solo”, completou.

Impacto da irrigação

As parcelas das variedades estão divididas em partes irrigadas e não irrigadas, com diferentes cortes, para demonstrar o impacto da irrigação no desenvolvimento das pastagens. De forma geral, todas as cultivares apresentam boa produção. Mas, a irrigação fez diferença no rebrote e no porte das plantas. No caso da variedade BRS Quênia, o rebrote chegou a 30 centímetros em seis dias.

De acordo com o analista da Embrapa Clima Temperado, Sérgio Bender, é importante que o produtor se planeje, já que o manejo correto faz diferença, não apenas no desempenho das plantas, mas também nos índices de proteína. Quanto mais tempo no campo, mais fibra e menos quantidade de proteína. A irrigação, segundo ele, também é um diferencial acessível para regiões de terras baixas. “Se tens terras baixas, pode plantar arroz. E se dá para plantar arroz, tem água”, concluiu.

Movimentação

As visitas ao espaço ocorrem pela manhã, durante os três dias de evento. Segundo o bolsista da Embrapa Wagner Couto, que também está atendendo no espaço, as informações mais buscadas pelos produtores são sobre teores de proteína dos materiais, palatabilidade, manejo, irrigação e resistência a áreas alagadas. “Todos os que estão vindo aqui são pessoas realmente interessadas no tema”, disse.

É o caso do produtor do município de Cachoeira do Sul, Carlos Augusto Wachholz. Em sua propriedade, o carro-chefe é o arroz, com 260 hectares cultivados. Mas, ele também investe em soja e pecuária. No espaço, esteve procurando por alternativas para maior lotação animal no verão, de maneira a dar maior condição à pecuária nessa época do ano. A ideia é reduzir a área de arroz para o cultivo de pasto na várzea. “Fiquei bem impressionado com as pastagens. Esse poder de rebrote. Acho que é uma ótima alternativa para o nosso caso”, concluiu.

Foto: Paulo Lanzetta 

Francisco Lima (13696 DRT/RS)
Embrapa Clima Temperado

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Telefone: (53) 3275.8206

Ministro húngaro da Agricultura visita Banco Genético – 07/02/2020

István Nagy conheceu o Banco Genético da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e anunciou intenção de firmar cooperação técnica com o Brasil nos próximos meses

O ministro da Agricultura da Hungria, István Nagy, conheceu nesta quarta-feira (5) o Banco Genético da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, acompanhado do presidente em exercício da Embrapa, Cleber Soares, da chefe da Unidade, Cleria Inglis, e do chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Guy de Capdeville. O encontro teve como objetivo apresentar o trabalho de preservação de recursos genéticos feito pela Empresa. Também integraram a delegação húngara o secretário-adjunto das Relações Internacionais do ministério húngaro, Zsolt Belánszky-Demkó, da assessora política Borbála Bekes, o embaixador da Hungria, Zoltán Szentgyörgyi, e o conselheiro da embaixada Gyula Misi.

“Não temos um centro de pesquisa com esse nível na Hungria”, afirmou Nagy assim que conheceu os laboratórios do Banco Genético. “Vocês aqui trabalham inclusive com microrganismos, o que para nós é muito importante, pois nas últimas décadas a intensificação da agropecuária húngara provocou a diminuição da fertilidade dos nossos solos, além dos efeitos das mudanças climáticas”, complementou.

Cleber Soares reforçou que, além de preservar e conservar os recursos genéticos brasileiros, a Embrapa  investe muito em agricultura de base ecológica, um caminho para equilibrar a constante demanda internacional por produção de alimentos e a sustentabilidade do agro nacional. “A agricultura tropical no mundo passou de monocultura para os sistemas integrados e a próxima fase será a de base ecológica”, disse. Ele citou a fixação biológica de nitrogênio (FBN) e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) como exemplos de soluções. “E parcerias com o governo húngaro serão muito importantes nesse sentido”, sinalizou.

Em outubro do ano passado, a Embrapa assinou um memorando de entendimento com o Centro Nacional de Pesquisa e Inovação Agropecuária (Naik) da Hungria. Criada há pouco tempo, em 2014, a instituição conta com cerca de 200 pesquisadores e 13 institutos vinculados aos temas agricultura e ciência de alimentos, responsáveis por pesquisas relacionadas à biotecnologia (genética animal e vegetal), melhoramento, reprodução e nutrição de animais, aquicultura e pesca, ciência de alimentos, produção de plantas, viticultura e enologia, pesquisa e manejo florestal, mudanças climáticas e biodiversidade, pesquisa e tecnologias agroambientais e engenharia agrícola.

Após a assinatura do documento, o presidente Celso Moretti foi à Hungria e visitou o Naik. Segundo Eliana Covolan, gerente de Relações Estratégicas Internacionais da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire), a parceira com a instituição húngara poderá facilitar a participação da Embrapa nos editais de financiamento de pesquisas na União Europeia, com possibilidade de captar recursos para projetos de interesse comum.

Foram propostas pelo governo da Hungria as seguintes áreas de cooperação para análise da Embrapa:

  • Seleção de espécies de verduras visando atender à produção e comercialização em larga escala, incluindo a produção de sementes de plantio (pimentão, páprica, melão, melancia, bem como pepino, ervilha e variantes de feijão para consumo direto ou beneficiamento);
  • Aplicativo para mensuração do peso de gado bovino;
  • Sistema de monitoramento inteligente para produtores de leite e criadores de bovinos;
  • Softwares administrativos inovadores na agricultura e pecuária;
  • Gestão de metais pesados poluentes em sistemas de irrigação, em fontes hídricas subterrâneas e em cultivo de hortaliças;
  • Criação de um banco genético de carpas, o qual poderia servir como modelo para a criação de bancos genéticos de outras espécies;
  • Produção piscícola de baixo impacto ambiental e de baixo consumo de água que combina sistemas intensivos e extensivos;
  • Integração da piscicultura e agricultura irrigada com foco especial na aplicação de sistemas hidropônicos;
  • Produção e aplicação de ração para peixes composta de matérias primas locais com baixo impacto ambiental;
  • Lançamento de projetos de P&D e de inovação compartilhados para elaboração de tecnologias de criação, reprodução e alimentação de trutas e tilápias;
  • Desenvolvimento de infraestrutura para piscicultura em água doce, na área de reprodução, criação (alevinos) e engorda (sistemas de armazenamento, construção de lagos, eventualmente o estabelecimento e desenvolvimento de sistemas intensivos);
  • Fortalecimento do intercâmbio estudantil e treinamento de empregados na área de aquicultura de água doce.
     

Robinson Cipriano (MTb 1727/88-DF)
Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire)

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