Uso da madeira tratada na propriedade rural é tema de curso em Bagé – 13/11/2019

Sistemas silvipastoris aportam diversos benefícios para a produção pecuária

O uso da madeira na propriedade rural é muito tradicional, seja para fazer cercas, mangueiras, postes e diversas outras construções. Com o objetivo de ajudar o produtor a usar ainda melhor essa matéria-prima, versátil e resistente, a Embrapa Pecuária Sul, a Emater/RS-Ascar e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) promovem, no dia 19 de novembro (terça-feira), o minicurso Uso da Madeira Tratada na Propriedade Rural. 

A capacitação é gratuita, mas tem vagas limitadas, e ocorre na sede da Embrapa Pecuária Sul em Bagé, entre 13h30min e 17h. Quem ministra o minicurso é o professor de biodegradação, preservação e secagem da madeira do curso de Engenharia Industrial Madeireira da UFPel, Leonardo da Silva Oliveira. 

Conforme Oliveira, a madeira tratada recebe uma proteção química que lhe confere resistência ao ataque de agentes de degradação, como fungos e insetos, garantindo vida útil mais prolongada quando comparada com a madeira de baixa durabilidade natural e sem tratamento. “É possível realizar alguns métodos de tratamento preservativo na propriedade rural, métodos artesanais, denominados métodos sem pressão. Esses métodos requerem procedimentos simples e são de fácil execução, muitos dos materiais necessários o produtor já dispõe na propriedade, os maiores investimentos ficam por conta da solução preservativa, que são sais hidrossolúveis”, explica.    

O minicurso vai esclarecer questões como: Por que tratar a madeira? O que é madeira tratada? E como tratar madeira? A capacitação apresentará, ainda, o método de tratamento de substituição de seiva, considerando a teoria de seu procedimento e a sua execução prática.

O gerente-adjunto da Emater/RS-Ascar Regional Bagé, Rodolfo Perske, destaca que o tratamento da madeira permite fazer moirões de eucaliptos de apenas cinco ou seis anos de idade. Por outro lado, a madeira não tratada da mesma árvore precisa de cinco vezes mais tempo para poder ser usada.  “Esses eucaliptos com madeiras de cerne, para se ter uma madeira sem necessidade de tratamento, eles precisam de no mínimo 30 anos de idade. E esses eucaliptos estão ficando cada vez mais escassos. O tratamento é uma alternativa para ter uma madeira de forma mais barata, pois o tratamento é feito na própria propriedade”, destaca. 

O pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Hélio Tonini, destaca que, além de atender a demanda de diversas construções rurais, o uso da madeira tratada viabiliza a realização dos desbastes que servem para melhorar a qualidade dos plantios, e promover o aumento da luminosidade e a produção forrageira no sistema. “Os sistemas silvipastoris também promovem o bem-estar animal devido as possibilidades de sombra para os rebanhos, podem diversificar a renda na propriedade e aumentar o sequestro de carbono”, completa.

O minicurso integra o Projeto Silvipastoril da Região da Campanha e conta com o apoio da Rede ILPF e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. As inscrições podem ser feitas através do e-mail pecuaria-sul.eventos@embrapa.br ou pelo telefone (53) 3240-4650. 

Serviço
O que: Minicurso Uso da Madeira Tratada na Propriedade Rural;
Quando: 19 de novembro (terça-feira);
Onde: Embrapa Pecuária Sul;
Horário: 13h30min;
Inscrições: Gratuitas, através do e-mail pecuaria-sul.eventos@embrapa.br ou pelo telefone (53) 3240-4650.

 
Foto: Hélio Tonini
Felipe Rosa (14406/RS)
Embrapa Pecuária Sul

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Embrapa habilita certificadoras para o selo Carne Carbono Neutro – 11/11/2019

Curso de capacitação termina na Fazenda Boa Aguada em Ribas do Rio Pardo (MS) onde a CCN é produzida

O selo Carne Carbono Neutro (CCN) é uma marca-conceito desenvolvida pela Embrapa com trabalhos iniciados em 2012. Uma das etapas do processo acaba de ser cumprida: a realização do I Curso de Capacitação para Certificadoras da Marca-Conceito CCN, responsáveis por atestar se o produto está dentro dos padrões exigidos pelo selo.

O evento reuniu um grupo considerável de participantes, entre representantes de certificadoras, técnicos, pesquisadores e profissionais ligados ao setor agropecuário. É o primeiro curso do gênero dentro da Embrapa sem precedentes e faz parte do processo de credenciamento das certificadoras junto ao Instituto CNA (ICNA).

Foram três dias de intensos trabalhos com discussões abrangendo produção da CCN que inclui cuidados com o bem-estar animal e ambiência na Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, boas práticas agropecuárias de baixa emissão de carbono, uso de árvores no sistema, requisitos do componente solo e animal, mercado de carnes especiais, mudanças no campo que estão ocorrendo, tendências em certificação, e, principalmente, o papel das certificadoras no processo de certificação da CCN.

O último dia do curso, na sexta, dia 8, foi mostrar aos participantes a prática da produção CCN. Desde 2015 a Embrapa mantém um acordo de cooperação com a empresa Mutum Agropecuária S.A – Grupo Mutum, desse acordo foi montada uma unidade de referência de produção e já no ano seguinte, 2016, aconteceu o primeiro abate experimental e foi nessa propriedade, Fazenda Boa Aguada, em Ribas do Rio Pardo (MS), que os participantes visitaram a área onde os bovinos são criados e tiveram a oportunidade de tirar dúvidas junto aos técnicos da fazenda e da Embrapa.

Segundo a pesquisadora Fabiana Villa Alves, coordenadora dos trabalhos, “o curso é a primeira etapa para credenciamento das certificadoras”, outras capacitações deverão ocorrer de acordo com a demanda. Na sua avaliação o evento foi positivo. “A qualidade dos palestrantes e dos participantes foi surpreendente pela forma de conhecimento e interesse demonstrado do inicio ao fim do evento”, disse.  

O Selo CCN

Para obter o selo dessa carne diferenciada o produtor deverá seguir uma série de diretrizes entre elas a de que a criação deverá ser em sistemas com a introdução obrigatória de árvores. Isso porque o componente arbóreo faz o trabalho de neutralizar o metano entérico exalado pelos animais, um dos causadores pelo efeito estufa e que provoca o aquecimento global.

Os sistemas de criação podem ser o silvipastoril (pecuária-floresta, IPF) ou agrossilvipastoril (lavoura-pecuária-floresta, ILPF).

A pesquisa provou que fazendas serão neutras em carbono se a criação for feita dentro de um dos sistemas acima, por isso uma das exigências de produzir a CCN é criar o gado bovino nos sistemas que incluem árvores. Além disso, outros aspectos são exigidos como de rastreabilidade e registros da área de produção, a da alimentação cuja fonte principal deve ser a pastagem, do manejo do pasto e sanitário dos animais dentre muitas outras diretrizes que devem ser observadas.

Quanto ao mercado de aceitação da CCN a pesquisadora Fabiana diz que essa carne tem um mercado especial e que tem uma demanda premente. “O trabalho com a CCN começou em 2012 e hoje é uma realidade. O Brasil pela primeira vez não foi atrás de tecnologias de fora. Ele criou a tecnologia. O Brasil hoje é formador de opinião com técnicos de outros países buscando nossa tecnologia para seus programas de carne neutra”. Afirma.  O protocolo já está feito e homologado, diz Fabiana que destaca: “A carne carbono neutro é um produto certificado, rastreado, diferenciado, de qualidade garantida não só na questão de carbono neutro, como também de bem estar animal”.

O pesquisador Roberto Giolo, também da Embrapa Gado de Corte, líder do projeto de ILPF defende o selo CCN. Ele diz que a carne Brasileira será beneficiada com o selo e atingirá mercados mais exigentes, tanto o interno como o externo podendo o Brasil aumentar as exportações. Ele acredita que o selo será um facilitador para as metas nacionais previstas no Plano de Agricultura de Baixo Carbono que consistem em uma das ações propostas pelo Plano ABC.

O Programa CCN que é uma realidade foi elogiado durante o evento por representantes das certificadoras, como por Fabian Perez Gonçalves da empresa Suíça de serviços de certificação SGS, que atua há 80 anos no Brasil com sede em Barueri/SP. O gerente gostou do curso que classificou como algo inovador e com grande potencial de crescimento.

Sergio Pimenta, representante da certificadora SBC, de Botucatu (SP), disse que o curso é necessário e oportuno para operar o protocolo e harmonizar a interpretação da norma. “Fiquei surpreso com a base tecnológica e científica que embasa o protocolo. É bem ampla, nunca vi algo tão detalhado. São muitos conceitos, e o selo vai incentivar produtores a adotarem as tecnologias”. A certificadora SBC opera vários protocolos no Brasil e é a maior de animais de rastreamento para exportação.

A gestão do protocolo será do ICNA que fará a creditação das certificadoras, ou seja, quem vai fazer a conferência dos documentos e dos pré- requisitos.

O protocolo está finalizado, definido e homologado pelo Mapa e pela Embrapa. Está previsto para o final do mês de novembro, em São Paulo (SP) o lançamento da linha de produtos CCN E CBC pelo Frigorífico Marfrig, parceiro da Embrapa.

https://www.flickr.com/photos/embrapa/albums/72157711681823953

Foto: Suelma Bonatto 
Eliana Cezar (DRT 15.410/SP)
Embrapa Gado de Corte

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Embrapa defende investimento em pesquisa pública – 23/10/2019

Presidente em exercício da Embrapa, Cleber Soares, participa de audiência pública na Comissão Mista de Orçamento

O presidente em exercício da Embrapa, Cleber Soares, defendeu, nesta quarta-feira  (23), na Câmara dos Deputados, mais recursos para a pesquisa pública. Ele participou de audiência pública promovida pela Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização, que tratou do tema “Impacto da Ciência e da Tecnologia na Economia do País”. Também estiveram presentes representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação, do Ministério da Economia, da Academia Brasileira de Ciência (ABC), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Os participantes reconheceram que ciência, tecnologia e inovação são fundamentais para o país avançar. O senador Izalci Lucas (PSDB/DF) presidiu a audiência. Segundo ele é preciso compatibilizar o discurso com o recurso, porque educação, ciência e tecnologia não se faz com discurso, mas com recursos garantidos no orçamento para 2020.

“A Embrapa é uma empresa de prestígio internacional, mas se você observa o seu orçamento, verifica que não é suficiente. Por isso estamos hoje nesta reunião. Temos de ser criativos para conseguir descontingenciar os recursos da ciência e da educação”, afirmou o senador.

Cleber, diretor-executivo de Inovação e Tecnologia da Empresa, participou da audiência substituindo o presidente Celso Moretti que encontra-se em viagem a trabalho no exterior. Ele destacou a importância do orçamento para a pesquisa pública, pois é o que garantirá a continuidade de ações onde a iniciativa privada não atua. Para ele, o investimento em ciência, tecnologia e inovação é tão vital que é impossível o cidadão brasileiro não consumir, por dia, pelo menos um produto gerado pela tecnologia das ciências agrárias. “Ao acordar, ao tomar um copo de leite, uma xícara de café, ao comer um pão, há tecnologia das ciências agrárias. Até mesmo na cerveja, por meio da pesquisa com a cevada”, destacou o presidente em exercício da Embrapa.

Durante o evento, demonstrou preocupação com o decréscimo dos valores da Embrapa em 50% para o PPA (Plano Plurianual – 2021-2023). “Há uma previsão de decréscimo em 50% no nosso marco referencial monetário para despesas de custeio. Precisamos repor este orçamento”, destacou.  Ele também falou sobre a importância de se recompor os valores das despesas da Embrapa com ações orçamentárias da PLOA 2020 para Pesquisa e Desenvolvimento, Transferência de Tecnologias e Modernização da Infraestrutura. “Precisamos de um acréscimo de R$ 226 milhões, senão vamos passar por situações muito difíceis”, declarou.

Contribuições da ciência para o agronegócio

Como exemplo clássico da contribuição da ciência para o agronegócio, Cleber Soares destacou a região central do Brasil, considerada terra inviável para a produção. “A tecnologia viabilizou a agricultura no Cerrado e graças a isso temos hoje uma agricultura competitiva no mundo”, destacou.

O presidente em exercício citou também a participação da pesquisa pública na transformação do semiárido brasileiro. Hoje o Vale do São Francisco é um grande exportador de frutas e gerador de produtos com alto valor agregado como vinhos e sucos também destinados à exportação.

“O Brasil é referência mundial em sistemas integrados de produção, sendo capaz de produzir de forma integrada pastos, grãos, carne, leite e floresta. “Recuperamos hoje mais de 15 milhões de hectares com áreas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta – o ILPF” exemplificou. Cleber lembrou que com o apoio da ciência o Brasil saiu de um modelo de monocultura agrícola, praticado em meados dos anos de 1990, para os atuais modelos de sistemas integrados, que garantem produtividade com sustentabilidade. “E já estamos entrando na era da agricultura de base biológica”, complementou.

Lançamento do genoma de ferrugem da soja

Entre os destaques recentes apresentados pelo diretor está o genoma da ferrugem da soja, no qual a Embrapa participa de um consórcio internacional de 12 instituições do setor público-privado que decifrou o genoma do fungo causador da ferrugem asiática da soja, uma doença que leva a perdas de 90% da lavoura se não for controlada.

Também citou o uso da nanotecnologia para a cobertura e a conservação dos alimentos, o aumento do tempo de vida de prateleira do coco, com tecnologias que garantem sua resistência durante 2 meses, o que permitiu o aumento das exportações da fruta em 2018.
Outro destaque foram as novas perspectivas para o mercado das pulses (feijão, ervilha, lentilha e grão-de-bico). “Importávamos até 2017, 80% do grão de bico consumido no país, hoje reduzimos consideravelmente este índice de dependência do exterior, ampliando nossas áreas de produção e gerando mais renda para o produtor rural”, exemplificou.

O inoculante microbiológico Aprinza para a fixação biológica do nitrogênio na cana-de-açúcar é responsável pelo aumento da produtividade da cana-de-açúcar em até 18% e é resultado da parceria público-privada Embrapa e Basf. Outra parceria público-privada apresentada foi Embrapa e Corteva para pesquisas em edição de genoma.

Saiba mais sobre a parceria público-privada Embrapa Basf acessando aqui

O presidente em exercício ressaltou a importância das parcerias público-privadas, lembrando a relação da Embrapa com a Organização das Cooperativas do Brasil – a OCB que permite um relacionamento da Empresa com um amplo leque de cooperativas agropecuárias. Pontes para a Inovação, Ideas for Milk, InovaPork, Open Innovation para startups, Avança Café e Ideas for Farma também foram apresentadas pelo presidente em exercício como iniciativas da Embrapa de fomento à inovação que buscam fortalecer as parcerias público-privadas.

Por fim, o gestor reconheceu o empenho e dedicação do Congresso ao longo dos anos em valorizar o investimento em pesquisa pública e pediu apoio do Congresso para reposição no orçamento de 2020. “Transformações da tecnologia são cada vez mais responsáveis pelas transformações da sociedade. Elas geram riqueza, renda, qualidade de vida para todos nós. O Brasil precisa continuar investindo em ciência”, disse.

Participaram da audiência pública o secretário de Empreendedorismo e Inovação substituto, Jorge Mário Campagnolo, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC); o diretor do Departamento de Programas da Área Econômica e de Infraestrutura, do Ministério da Economia, Zarak de Oliveira Ferreira, o representante da Academia Brasileira de Ciência, Virgílio Augusto Fernandes Almeida; a diretora de Inovação da CNI, Gianna Sagazio, e Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do Centro Nacional do Centro de Pesquisa em Energia e Materiais.

Para Jorge Mário Campagnolo, do MCTIC, inovação é um caminho sem volta e é fundamental para a competitividade do país. Ele lembrou que atualmente 70% dos recursos do Fundo Nacional de Ciência e Pesquisa encontram-se contingenciados. “O projeto de pesquisa não pode parar, é preciso sequencia, equipes formadas e qualificadas”, afirmou.

Por sua vez, o representante da ABC, Virgílio Augusto Fernandes Almeida, enfatizou que todas as economias desenvolvidas do mundo avançaram com investimentos permanentes e significativos em ciência e tecnologia. “Esses investimentos, além de gerarem desenvolvimento econômico, geram novos postos de trabalho bem remunerados. Por isso, é essencial que tenhamos aqui empresas avançadas com base tecnológica. A rapidez do desenvolvimento tecnológico tem sido cada vez maior, com a automação, a agricultura 4.0, entre outros”, afirmou Ele defendeu o CNPq e Capes como agências fundamentais para o desenvolvimento da ciência brasileira e o seu futuro. “A ciência pode e deve colaborar com os grandes desafios do país”, destacou.

Vários deputados e senadores também estiveram presentes ao debate, entre eles o presidente da Comissão de Orçamento, senador Marcelo Castro (MDB/PI), os deputados federais Domingos Neto (PSD/CE), relator geral do orçamento; Cacá Leão (PP/BA), relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO/2020); Alessandro Molon (PSB/RJ); André Figueiredo (PDT/CE); Darcísio Perondi (MDB/RS) e o senador Vanderlan Cardoso (PP/GO).

“A defesa da Ciência e da Tecnologia para o futuro do Brasil une todo o Congresso Nacional. Criaremos um cinturão em torno do orçamento de C&T nesse país. A ciência é motivo de união do Brasil”, disse o deputado Alessandro Molon), durante sua participação na audiência.
Esta não foi a primeira audiência pública para discutir o orçamento de empresas públicas de pesquisa. No dia 26/09, a Embrapa participou da audiência pública intitulada “Agricultura movida a ciência e as contribuições da pesquisa agropecuária para o desenvolvimento da agricultura e para o crescimento econômico brasileiro”, de iniciativa da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados.

Acesse aqui a matéria sobre a participação do presidente da Embrapa em audiência pública que discutiu os recursos orçamentários da Empresa.

Foto: Robinson Cipriano

Maria Clara Guaraldo (MTb 5027/MG)
Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire)

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Adoção de ILPF em Mato Grosso pouparia quase 2,5 milhões de hectares de terras – 12/11/2019

Estudo mostra que sistemas ILPF têm capacidade de reduzir pressão por aberturas de novas áreas agropecuárias

Quase 2,5 milhões de hectares de terras de uso agropecuário poderiam ser poupadas em Mato Grosso se metade das áreas de sojicultura e de pecuária de corte no estado fossem convertidas em integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Isso ocorreria porque as produtividades, tanto a da soja como a da pecuária, aumentam em sistemas integrados. Essa diferença da produção maior seria o equivalente ao que é produzido em 499 mil ha de soja solteira e 1,98 milhão de hectares de pastagens. As áreas somam 2,48 mil km2.

A projeção é parte de um estudo realizado por pesquisadores da Embrapa Agrossilvipastoril (MT), Rede ILPF e Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). No trabalho, foram feitas simulações sobre o avanço do uso de estratégias de ILPF em áreas de lavoura de soja e de pecuária de corte. Para isso, foram usados dados reais de produtividade de dez Unidades de Referência Tecnológica de ILP estudadas pela equipe em Mato Grosso e números médios de produtividades do estado.

De acordo com a pesquisa, se 25% dos 9,5 milhões de hectares de lavoura de soja fossem convertidos em áreas com sistemas integrados de produção agropecuária, o aumento da produtividade gerado pelo sistema produtivo compensaria a produção de 256 mil hectares. Se a adoção avançasse para 50%, seriam poupados 499 mil hectares. Na hipótese de 100% da área, o total de terras poupadas chegaria a 950 mil hectares.

Pecuária em ILPF poupa ainda mais terras
No cenário de adoção da ILPF em 25% dos pastos, seria poupado 1,03 milhão. Com a adoção chegando à metade da área de pecuária do estado, a poupança estaria em torno de 1,98 milhão de hectares. Já no cenário improvável de total adoção da ILPF na pecuária, seriam poupados 3,64 milhões de hectares em Mato Grosso. Ou seja, o sistema integrado produziria o equivalente a uma área quase 15% maior formada somente por pastagens. No cenário simulado em que Mato Grosso inteiro só criasse gado de corte em sistema ILPF, cada 100 hectares de produção economizariam quase 15 ha de pastagens convencionais.

A simulação feita sobre os 23 milhões de hectares de pastagens usadas para a pecuária de corte em Mato Grosso é ainda mais expressiva. Além do ganho em escala de área, a diferença entre as produtividades médias da pecuária tradicional do estado (239,42 kg/ha) e dos sistemas ILPF (284,35 kg/ha) contribui para esse maior efeito “poupa-terra”.

O pesquisador da Embrapa Júlio César dos Reis destaca que o trabalho é um exercício de estatística comparativa, ou seja, mexe-se em um indicador, mantendo os demais iguais, como forma de simular o efeito da mudança. Dessa forma, ele não leva em consideração fatores limitantes e impeditivos à adoção dos sistemas ILPF, como relevo, logística, aptidão do produtor, disponibilidade de mão de obra, investimento, mercado consumidor, entre outros.

“O estudo é relevante, pois demonstra o expressivo potencial dos sistemas ILPF em colaborar para a redução da pressão sobre as áreas de floresta na Amazônia”, analisa o pesquisador.

Sequestro de carbono relevante
O estudo ainda simulou estatisticamente a contribuição que os sistemas ILPF podem dar para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa. Tomando como base a pesquisa encomendada pela Rede ILPF na safra 2015/2016, que mostrou que Mato Grosso possuía 1,5 milhão de hectare com sistemas ILPF e as médias de crescimento da tecnologia nos anos anteriores, pesquisadores projetaram cenários futuros.

Considerando-se o fator de sequestro de carbono da ILPF em 1,86 t CO2 eq./ha ao ano e o crescimento médio da área com sistemas ILPF de 11% ao ano, em 2030, Mato Grosso teria 7,5 milhões de hectares de ILPF. Essa área sequestraria cerca de 14 milhões de t CO2 eq. naquele ano. Para se ter uma ideia do que esse volume representa, a estimativa é que os 23 milhões de hectares de pastagens no estado tenham emitido 9,2 milhões de t CO2 eq. em 2018.

“Essas informações sobre impactos ambientais, em conjunto com resultados econômicos dos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta, podem ser um importante instrumento de política pública do governo brasileiro, alinhado à perspectiva do Big Push Ambiental e à Agenda 2030, para promover a adoção de sistemas agrícolas sustentáveis nas regiões de Cerrado e Amazônica”, avalia Júlio Reis.

Potencial de ILPF crescer para até 50% das lavouras
A pesquisa encomendada pela Rede ILPF na safra 2015/2016 mostrou que nos cinco anos anteriores a taxa de crescimento da área de ILPF em Mato Grosso foi de 11%. Para o pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril Flávio Wruck, essa velocidade de crescimento tem sido positiva.

“Com esse crescimento gradual, o mercado consegue ir se ajustando. Se tivéssemos um crescimento maior, teríamos desequilíbrios, como o aumento de preços de sementes de forrageiras, por exemplo”, explica.

Embora confirme o potencial de crescimento dos sistemas integrados e seus benefícios agronômicos, Wruck prevê um teto para a expansão. Para ele, dificilmente um sojicultor destinará mais de 50% de sua área para pastagem. O mesmo percentual seria o limite para os pecuaristas, uma vez que em metade da área há impedimentos de relevo, solo e logística que inviabilizam a integração com lavoura.

Os sistemas silvipastoris, por sua vez, poderiam ser implantados em toda a área de pastagem, mas o tamanho do mercado para a madeira será o limitante, explica o pesquisador.

Independentemente da viabilidade técnica e do reconhecimento dos benefícios da ILPF, Flávio Wruck vê no alto investimento necessário a maior barreira de entrada para os sistemas integrados.

“Um agricultor que quer fazer pecuária precisa de um grande investimento na compra do gado e na montagem da infraestrutura necessária. Para o pecuarista que quer entrar na lavoura a situação é ainda pior, sendo necessária a compra de maquinário. Embora seja uma tecnologia que reduz o custo de produção por unidade de produto, ela é uma intensificação do uso da terra. Assim, o capital necessário é maior”, analisa o pesquisador.

Com maior disponibilidade de capital, grandes grupos empresariais têm sido os maiores responsáveis pela expansão das áreas de ILPF em Mato Grosso. 

“Os médios e pequenos produtores também estão mudando para os sistemas integrados, mas de maneira mais lenta e gradual. Na medida em que vão capitalizando, eles expandem suas áreas”, comenta Wruck.

Apesar do maior investimento, o pesquisador Júlio Reis ressalta que o retorno do investimento em sistemas ILPF é mais rápido. Dessa forma, explica, a disponibilização de linhas de crédito competitivas pode estimular o aumento da adoção da tecnologia.

[zt_testimonial autoPlay=”yes” numSlides=”1″ paging=”yes” controls=”yes”][zt_testimonial_item bgColor=”#f6f6f6″ textColor=”#747474″ name=” ” company=” ” borderRadius=”4″]”Agricultura com menos emissões
A ILPF é uma das tecnologias que compõem o Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC), criado pelo governo brasileiro para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa na agricultura. Além da ILPF, fazem parte do plano a recuperação de pastagens degradadas, o plantio direto na palha, a fixação biológica de nitrogênio, o plantio de florestas, o tratamento de dejetos animais.”[/zt_testimonial_item][/zt_testimonial]

Foto: Gabriel Faria

Gabriel Faria (MTb 15.624/MG)
Embrapa Agrossilvipastoril

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Embrapa oferece curso de espectroscopia e machine learning – 30/10/2019

O curso será ministrado por profissionais da Embrapa e Unicamp

Entre os dias 22 e 24 de abril de 2020, a Embrapa Solos (Rio de Janeiro, RJ), vai sediar o curso ‘Desenvolvimento e validação de métodos de espectroscopia NIR aplicada a sistemas agrícolas’, com carga de 24 horas, divididas igualmente em prática e teoria.

O curso vai capacitar consultores agrícolas, profissionais de laboratórios de análises, professores e pesquisadores no uso da espectroscopia no infravermelho para análises de matrizes agrícolas (solos, plantas, ração animal, grãos) com enfoque no desenvolvimento e validação da técnica para atender demandas da agricultura digital (agricultura de precisão, big data , inteligência artificial). No atual cenário de inovação, muitas das tecnologias disruptivas se baseiam no uso de sensores, inteligência artificial, aprendizado de máquina e deep learning para posicionamentos e tomadas de decisão baseadas em muitos dados (big data).

Pretende-se, com o curso, atender um público multidisciplinar no sentido de somar competências para um melhor entendimento de como os temas abordados acima se relacionam com agricultura de baixa emissão de carbono, crédito de carbono, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), sustentabilidade no meio rural, fertilidade do solo, produção e produtividade agrícola.

Espectroscopia no novo cenário da agricultura

A química analítica, juntamente com a inteligência artificial, assumiu papel de destaque na agricultura moderna. O grande volume de dados gerados em análises em tempo real, não destrutivas e acuradas, associadas a aprendizado de máquina (machine learning), provoca significativos avanços tecnológicos com impacto econômico positivo em diversos sistemas produtivos. Um dos catalisadores desse processo é a elevada demanda por produção de alimentos para atender uma população mundial em crescimento que caminha a passos largos para 9 bilhões de habitantes. Esse quadro, aliado ao grande potencial de expansão da produção agrícola que o Brasil apresenta, fato que torna o país singular no cenário mundial, tem favorecido a formação de efervescentes ecossistemas de inovação que resultaram na criação de centenas de novas tecnologias dedicadas ao setor agropecuário (as AgTechs ou AgriTechs), que chegaram ao mercados pelas startups .

As AgTechs possuem tecnologias para atender as diversas demandas do setor agrícola por monitoramento de informações e variáveis que podem ajudar pequenos, médios e grandes produtores a entender e gerenciar os processos ligados a produção da fazenda. O aumento da eficiência produtiva dos sistemas agrícolas exige, por exemplo, constante monitoramento de variáveis ambientais, de parâmetros de fertilidade de solos e crescimento de plantas, de controle de pragas e doenças, criando oportunidades para o uso de sistemas automatizados com rede de sensores integradas a análise de dados em tempo real. Esse cenário favorece o emprego de instrumentos espectroscópicos que estão presentes em muitos sensores de laboratórios, equipamentos de campo, embarcados em veículos terrestres, drones e aeronaves, transformando o trabalho na lavoura em ambientes inovadores, interconectados e interativos.

Serviço:

Curso ‘Desenvolvimento e validação de métodos de espectroscopia NIR aplicada a sistemas agrícolas’

Local: Embrapa Solos, Rua Jardim Botânico, 1024 – Jardim Botânico – Rio de Janeiro-RJ

Data e horário: 22 a 24 de abril de 2020, de 8h às 17h

Inscrições: 01/11/19 a 22/12/19

As instruções para inscrição estarão disponíveis a partir de 01 de novembro.

Conteúdo do curso:
Noções básicas de espectroscopia:
Espectroscopia molecular e vibracional
Espectroscopia no infravermelho próximo

Noções básicas de machine learning:
Métodos supervisionados de análise
Métodos não supervisionados de análise
Análise por componentes principais
Calibração multivariada

Aulas práticas:
Análise carbono em solo pelos métodos tradicionais
Análise de carbono por espectroscopia NIR
Tratamento de dados multivariados

Aplicações:
Tecnologias da Embrapa e oportunidades de parceria

Professores:
André Marcelo de Souza – Analista da Embrapa Solos
Graduação em Química, Unicamp (2005),
Mestre em Química Analítica, USP (2010)
DSc. Química Analítica, Unicamp (2014)

Ronei Jesus Poppi – Professor titular do Instituto de Química da Unicamp
Graduação em Química, Unicamp (1983)
Mestre em Química Analítica, Unicamp (1989)
DSc.Química Analítica, UNICAMP (1996)

Investimento:
R$ 1.650,00

Realização:
Embrapa

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Apoio:

Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Programa de pós-graduação em engenharia de biossistemas – PGEB/UFF
SpecLab
Programa de Análise de Qualidade de Laboratórios de Fertilidade – PAQLF/Embrapa
Rede ILPF
Unicamp

 

Carlos Dias (20.395 MTb RJ)
Embrapa Solos

Contatos para a imprensa

Telefone: (21) 2179-4578

Trabalho de pesquisa de Pelotas faz parte da maior publicação sobre ILPF do Brasil – 31/10/2019

Pesquisa usa instrumentos para garantir a qualidade do sistema ILP neste ambiente, através do manejo sustentável do pastejo e do pastoreio.

Com a participação de especialistas de diferentes áreas relacionadas à Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) a Embrapa lançou o e-book ILPF – Inovação com Integração de Lavoura, Pecuária e Floresta, disponível gratuitamente. A publicação reúne o que há de mais relevante sobre os sistemas integrados de produção no País e contou com a participação da Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS), através do capítulo Integração Lavoura-Pecuária (ILP) em Solos Hidromórficos no Bioma Pampa, de autoria dos pesquisadores Jamir Luís Silva da Silva e Claudio Ramalho Townsend (in memorian). O capítulo apresenta um panorama sobre a integração lavoura-pecuária nas condições de terras baixas do Bioma Pampa.

Integração lavoura-pecuária (ILP) em solos hidromórficos no bioma Pampa
De acordo com o estudo, a aplicação de tecnologias recomendadas e investimentos em manejo sustentável permitem bom desempenho do sistema de ILP e rentabilidade, em curto espaço de tempo, nas terras baixas do bioma Pampa. Como aponta o pesquisador Jamir Silva, os principais instrumentos para garantir a qualidade do sistema ILP neste ambiente estão relacionados ao manejo sustentável do pastejo e do pastoreio. Com enfoque para a carga animal, que deve estar ajustada de acordo com a capacidade de suporte das pastagens, permitindo a ciclagem de nutrientes e a estruturação da matéria orgânica de solos hidromórficos. Segundo ele, ferramentas como drenagem, calagem e adubação de sistemas, com adubo colocado na fase pastagem, também são necessárias para garantir a qualidade do sistema ILP nos solos hidromórficos do bioma Pampa.

Além disso, o capítulo apresenta aspectos relevantes de sistemas que foram colocados em prática nesse ambiente e vêm gerando resultados eficientes, com destaque para o sistema de ILP em sucessão à lavoura de arroz  e, durante o período de pousio da cultura de arroz irrigado, faz-se a rotação/sucessão com culturas de sequeiro, como soja, milho e sorgo. Acompanhe o convite do pesquisador.

Sobre a Obra
Voltada à agricultura tropical a obra é a maior sobre o tema até o momento. O material está organizado em quatro blocos temáticos e conta com 50 capítulos, mais de 170 autores (nacionais e internacionais), de instituições públicas e privadas, e quase 900 páginas que contribuem com os estudos relacionados a sistemas integrados de produção. Além de conter informações atualizadas de edições anteriores, lançadas em 2011 e 2012, a publicação reúne tópicos atualmente relevantes relacionados a esses sistemas. O lançamento oficial foi realizado durante o Congresso Mundial da IUFRO (International Union of Forest Research Organizations), em  outubro, em Curitiba/PR.

O E-book ILPF – Inovação com Integração de Lavoura, Pecuária e Floresta está disponível para download aqui.

 
 
Thais Boa Nova (Colaboradora)
Embrapa Clima Temperado

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Discussões técnicas marcam seminário sobre ILPF na Paraíba – 30/10/2019

Debates técnicos marcaram evento

O Seminário ‘Novas visões e estratégias em ILPF’, realizado em Campina Grande, no Agreste Paraibano, na quarta (30), foi marcado por discussões técnicas e a certeza de que os estados do Nordeste têm, de fato, grande potencial para adoção da Integração Lavoura – Pecuária – Floresta.

Realizado na Embrapa Algodão, o seminário foi segundo de três encontros da série ‘ILPF no Nordeste: aprendizados e desafios’, que promove discussões técnicas e científicas sobre a Integração Lavoura – Pecuária – Floresta na região. Promovida pela Embrapa e a Rede ILPF com apoio de diversos parceiros estaduais e federais, a série se encerra com um encontro para discutir modelos de ILPF para o Semiárido, em Petrolina, PE, de 19 a 22 de novembro.

As palestras da manhã focaram em discussões técnicas e casos de sucesso de adoção de ILPF em propriedades e como política pública, e no painel da tarde o foco foi nas possibilidades de articulação institucional e apoio financeiro para fomentar o avanço dos sistemas integrados na Paraíba e demais estados.

Uma visão unânime entre os mais de 70 participantes – gestores de órgãos federais e estaduais, assistentes técnicos, consultores, pesquisadores e professores – foi de que a Paraíba e os demais estados da região têm condições de adotar modelos de ILPF adaptados a suas realidades, mas para que essa tecnologia se torne uma política pública e avance é necessária uma grande articulação entre parceiros.

Para ver todas as imagens do evento na rede social Flickr, clique aqui.

Visões
Para o pesquisador da Embrapa Alimentos e Territórios Ricardo Elesbão, que fez a palestra de abertura, o Nordeste tem grande potencial para introduzir nos sistemas integrados produtos e culturas de alto valor agregado, a exemplo de cactáceos nativos e exóticos com frutos com propriedades bioativas antioxidantes, pelos quais os mercados europeu, norte-americano e asiático estão dispostos a pagar altos valores. “Os processos de produção em sistemas integrados estão fortemente ligados ao reconhecimento pelo público consumidor, que exige mais conhecimento e confiança nos produtos. E os sistemas integrados agregam isso para o consumidor, que tem um olhar especial para esse tipo de produto”, destacou.

Roberto Giolo, da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande, MS), trouxe para o debate o conceito e as práticas de Carne Carbono Neutro (CCN), que vêm sendo desenvolvidos no Brasil desde a década de 2000, com lançamento oficial em 2015. A CCN envolve a integração no sistema de produção de componentes arbóreos na propriedade, que absorvem carbono da atmosfera e neutralizam as emissões pelos animais do gás metano – que contribui para o efeito estufa e aquecimento global.

“Apesar de não termos atingido níveis ideais de adoção do conceito no Brasil como um todo, temos percebido um grande avanço e um interesse cada vez maior entre os produtores, e são muito interessantes as possibilidades de diversificação no Nordeste, com introdução de coqueiro, palmáceas e outras espécies que podem trazer bons resultados”, declarou.

Casos de sucesso
De acordo com Fernando Garcia, da Secretaria da Agricultura do Tocantins, que apresentou os resultados da implantação do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC) com inserção de ILPF no seu estado, um passo fundamental foi a formação de grupo gestor diverso e bem representativo, com agentes de Estado, assistentes técnicos, instituições de ensino e setor produtivo. 

“A capacitação continuada dos assistentes foi fundamental, bem como a instalação das Unidades de Referência Tecnológica (URTs) em parceria com os produtores para consolidar o modelo e seu aprendizado. Hoje o Plano ABC no Tocantins é uma política pública efetiva, com ganhos de produtividade e sustentabilidade dos produtores”, destacou. 

Garcia ressaltou que no início o principal objetivo do plano era recuperar pastagens degradadas, mas o engajamento dos parceiros e os resultados positivos fizeram com que o leque se ampliasse para frentes – introdução dos programas Balde Cheio, Carne Carbono Neutro e o aumento da eficiência econômica dos sistemas.

Outro caso de sucesso de destaque foi o da URT de Tenório, no Cariri Paraibano, região central no Semiárido do estado, coordenada pelo consultor técnico Humberto Araújo por meio do Senar Paraíba. Ele apresentou imagens e descrições da área implantada em parceria com agricultores. Impressionou a todos a enorme variedade de cultivos integrados na unidade, desde grãos como o milho Gorutuba (desenvolvido pela Embrapa para o Semiárido), leguminosas como feijão, moringa e gliricídia, gramíneas forrageiras, cactáceas e palmas.   

“As informações geradas e transmitidas pela pesquisa da Embrapa foram a grade base para que pudéssemos aplicar as técnicas de preparo do solo, adubação e manejo das culturas de forma adequada”, ressaltou o assistente técnico.

Estratégias
As discussões da tarde focaram em estratégias e articulações institucionais para fortalecer a adoção de sistemas integrados na Paraíba. O chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Algodão, João Henrique Zonta, apresentou as estruturas e grupos de pesquisa e transferência das Unidades da Embrapa que atuam para promover ILPF no Nordeste, destacando as oportunidades de parcerias e integração de esforços.

Pablo Araújo, do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural do Senar PB, apresentou o programa de assistência e seus resultados na Paraíba. João Bosco, do Sebrae PB, apresentou casos de sucesso de propriedades que receberam consultoria e assistência do órgão, e o técnico João Paulo, que há cinco anos atua como consultor e assistente técnico do Sebrae na região, deu seu testemunho.

O professor de ciências do solo Adailson de Souza, do Campus da UFPB em Areia, apresentou resultados de um extenso levantamento da fertilidade dos solos da PB – 1885 análises de solo de 2016 a 2018. Ele destacou a importância de se adequar os modelos de ILPF às características específicas dos solos nas mesorregiões paraibanas.

Os bancos financiadores foram representados por Celio Cintra, superintendente comercial do Banco do Brasil para Campina Grande e região, e Daniel Almeida – Gerente de Negócios do BNB em João Pessoa. Eles apresentaram as linhas de crédito e oportunidades de negócio para sistemas integrados e Plano ABC.

Hermes Ferreira, chefe da Divisão de Desenvolvimento Rural da Superintendência Federal de Agricultura na Paraíba, também participou dos debates, bem como coordenador do Grupo Gestor do Plano ABC no estado, o representante da Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap), Demilson Lemos.

O seminário encerrou com um rico debate em microfone aberto sobre os desafios para o avanço de ILPF na Paraíba e uma visita ao estande de ILPF em Realidade Virtual, com óculos 3D para visualização das práticas de ILPF em realidade aumentada.
 

Foto: Saulo Coelho
Saulo Coelho (MTb/SE 1065)
Embrapa Tabuleiros Costeiros

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Semiárido Show terá encontro para discutir ILPF no Nordeste – 08/11/2019

Dentro da programação do Semiárido Show 2019, de 19 a 22 de novembro em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, acontece o terceiro e último encontro da série  ‘ILPF no Nordeste: aprendizados e desafios’, que promove discussões técnicas e científicas sobre a Integração Lavoura – Pecuária – Floresta na região.

Os eventos são promovidos pela Embrapa e parceiros em Alagoas, Paraíba e Pernambuco, com recursos da Rede ILPF, uma parceria público-privada formada pela Embrapa, a cooperativa Cocamar e as empresas Bradesco, Ceptis, John Deere, Premix, Soesp e Syngenta, e apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (FAPED). 

A etapa pernambucana é intitulada Encontro ‘Modelos de ILPF para o Semiárido’, e acontece no Auditório Macambira no espaço de palestras montado no Semiárido Show, na Embrapa Semiárido, na BR 428, Km 148, em Petrolina, PE. 

Em consonância com o evento principal, o foco do encontro será em modelos de ILPF adaptados ao Semiárido Nordestino, com uso de variedades que tolerem a escassez de chuvas e a as altas temperaturas, e contribuam para o aumento da produtividade nas propriedades, tanto nas culturas plantadas quando na produção da bovinocultura leiteira e de caprinos e ovinos, que são tradicionais em muitos municípios da região.

Com coordenação da pesquisadora da Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora, MG) Elizabeth Nogueira, a inciativa tem a participação de pesquisadores e agentes de mais sete Unidades da Embrapa – Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), Caprinos e Ovinos (Sobral, CE), Semiárido (Petrolina, PE), Algodão (Campina Grande, PB), Solos (Rio de Janeiro, RJ), Alimentos e Territórios (Maceió, AL) e Milho e Sorgo (sete Lagoas, MG).

Alagoas
A série de encontros teve início em Maceió, AL, com o workshop ‘ILPF em novos territórios agrícolas: o caso SEALBA’, de 20 a 22 de agosto, na sede da Federação da Agricultura e Pecuária no Estado de Alagoas (FAEAL), em co-realização com o Sebrae/AL e com apoio da FAEAL, Emater/AL, Faped, Seagri-AL, FIEA e Associação dos Criadores de Alagoas.

O foco das discussões desse primeiro encontro foi a promoção de ILPF na nova fronteira agrícola denominada SEALBA, formada por áreas com grande potencial produtivo em Sergipe, Alagoas e Nordeste da Bahia. A programação teve apresentações de pesquisadores de diversas Unidades da Embrapa, dirigentes da Rede ILPF, consultores do Sebrae, agentes da Seagri-AL e produtores com casos de sucesso.

Paraíba
O segundo encontro, ‘Novas visões e estratégias em ILPF’ aconteceu na Embrapa Algodão, Campina Grande, PB, em 30 de outubro, e foi marcado por discussões técnicas e a certeza de que os estados do Nordeste têm, de fato, grande potencial para adoção da Integração Lavoura – Pecuária – Floresta.

Uma visão unânime entre os mais de 70 participantes – gestores de órgãos federais e estaduais, assistentes técnicos, consultores, pesquisadores e professores – foi de que a Paraíba e os demais estados da região têm condições de adotar modelos de ILPF adaptados a suas realidades, mas para que essa tecnologia se torne uma política pública e avance é necessária uma grande articulação entre parceiros.

Confira abaixo a programação completa do Encontro ‘Modelos de ILPF para o Semiárido’:

Dia 19
Abertura:
Pedro Carlos Gama da Silva – Embrapa Semiárido

Palestras:
A importância do ILPF para o semiárido nordestino – Renato de Aragão Ribeiro Rodrigues – Embrapa Solos/ Rede ILPF
ILPF no Nordeste – José Henrique de Albuquerque Rangel e Samuel Figueiredo de Souza – Embrapa Tabuleiros Costeiros
Modelos de cultivos de sistemas integrados para o Nordeste – João Henrique Zonta e José Geraldo di Stefano – Embrapa Algodão
Rede Adapta Sertão Pecuária Regenerativa: A experiência da Rede Adapta Sertão – Danieli Cesano – Rede Adapta Sertão
A contribuição da ILPF na melhoria da qualidade dos solos do Semiárido – André Júlio do Amaral – Embrapa Solos  Encerramento  

Dias 20 a 22

Dias de Campo:
Sistema Glória de produção de Leite – Rafael Dantas de Souza – Embrapa Semiárido e Samuel Figueiredo de Souza – Embrapa Tabuleiros Costeiros
Sistema Silvipastoril indicado para Caatinga – Rafael Gonçalves Tonucci – Embrapa Caprinos
Modelos indicados para sistemas integrados no Sertão do Semiárido – Salete Alves de Moraes – Embrapa Semiárido

Cursos: 
Sistemas de IPF para o Semiárido nordestino – Rafael Dantas de Souza – Embrapa Semiárido e Samuel Figueiredo de Souza – Embrapa Tabuleiros Costeiros 

Palestras:
Aproveitamento da mucilagem de sisal para alimentação de ovinos – Manoel Francisco de Sousa – Embrapa Algodão
ILPF como ferramenta para recuperação de solos e melhor aproveitamento da água em sistemas produtivos do Semiárido – José Geraldo Di Stefano – Embrapa Algodão
Componente florestal: Estratégias e Desafios para o Semiárido Brasileiro – Marcos Antônio Drumond – Embrapa Semiárido e José Henrique Rangel – Embrapa Tabuleiros Costeiros
O Papel das Leguminosas no uso de Sistemas integrados – Paulo Ivan Fernandes Junior – Embrapa Semiárido
 
Saulo Coelho (MTb/SE 1065)
Embrapa Tabuleiros Costeiros

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Projeto ABC Cerrado recupera de 93 mil hectares de áreas degradadas – 08/11/2019

Uma área equivalente a 110 mil campos de futebol foi recuperada e tornou-se produtiva com a adoção de algumas tecnologias voltadas para agricultura de baixo carbono desenvolvidas pela Embrapa e parceiros. Esse foi um dos resultados do Projeto ABC Cerrado apresentado nessa quarta-feira, no auditório da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília.

As tecnologias aliadas à capacitação dos produtores rurais e à assistência técnica e gerencial foi a combinação que levou ao sucesso da iniciativa. A ministra da Agricultura Tereza Cristina, presente no evento, enfatizou: “Esse projeto é importante e emblemático. É um exemplo para mostrarmos ao mundo, que está preocupado com o nosso meio ambiente”. A partir das ações implementadas, mais de 190 mil hectares foram incorporados às áreas de preservação permanente e às reservas legais, também como entrega do projeto.

Os números do estudo inédito que avaliou os impactos da adoção das tecnologias pelos produtores rurais superaram todas expectativas, como avaliou o presidente da CNA, João Martins. Em três anos de execução, além das áreas, principalmente de pastagens, recuperadas, a iniciativa capacitou 7,8 mil produtores rurais, prestou mais de 214 mil horas de assistência técnica a partir de um diagnóstico individualizado e beneficiou mais de 18 mil pessoas, entre familiares, consultores, estudantes e outros públicos envolvidos, 54% a mais que a meta inicial. 

Com a proposta de unir capacitação e assistência técnica e gerencial, o resultado foi que 11 vezes mais produtores adotaram as tecnologias recomendadas, se comparados aos produtores que não foram envolvidos na iniciativa.

Outro dado que chama a atenção é o número de pequenos agricultores integrantes do projeto. Das 2 mil propriedades rurais atendidas, 86% têm menos de 500 hectares. “Isso demonstra que tecnologia de baixo carbono também é para pequenos produtores”, afirmou o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Daniel Carrara.

“O que mostramos aqui hoje é como a tecnologia agropecuária pode apoiar o desenvolvimento do agronegócio brasileiro”, reforçou o presidente da Embrapa, Celso Moretti. Ele completa dizendo que as quatro tecnologias que integraram o projeto demonstraram que é possível alcançar maior sustentabilidade na produção agropecuária do País. “O Brasil não precisa cortar mais nenhuma árvore, não precisa tocar na Amazônia ou na Mata Atlântica. Só com a recuperação de pastagens degradadas, em 2030, o Brasil vai ser o maior produtor de alimentos, proteínas e fibras”, garantiu.

Produtores rurais são peças-chaves do processo
Em três anos, a pastagem que estava muito empobrecida, agora, com braquiária, consegue resistir aos períodos de estiagem, conta Rodrigo Barros, o produtor de Brejolândia (Bahia), que também trocou a genética do gado. Agora, com um pequeno sistema de irrigação rotacionada, o pasto de boa qualidade nos cinco hectares da família garantiu que sua produção de gado quintuplicasse. “O projeto ABC Cerrado veio para abrir nossos olhos e eu passei a enxergar de maneira mais ampla como fazer qualquer atividade na nossa propriedade”.

Para cada um real investido pelo projeto, os produtores colocaram 7 reais de volta. “Isso demonstra que eles acreditaram no projeto, que seria possível melhorar sua produção, sua renda, com soluções para suas propriedades”, conta o presidente da CNA. Alguns produtores, que produziam, de 45 a 50 litros por dia, passaram a produzir 300 litros, um excelente resultado alcançado com a ajuda do ABC Cerrado, afirma João Martins.

De 100 animais, o Antônio Luiz Andrade, que tem uma propriedade em Codó, no Maranhão, passou a criar 300 na mesma área, após colocar em prática as recomendações para melhorar suas pastagens. “A tecnologia é de grande importância, principalmente para o pequeno produtor, que não tem condição de ter um agrônomo, um técnico para acompanhá-lo. O pequeno produtor, a maioria, não tem o conhecimento técnico”. O ABC Cerrado levou muito conhecimento para o pequeno produtor. “Eu nunca tinha feito a análise do solo. Eu fiz a análise, fiz adubação, como recomendado, pela primeira vez”. Depois ele plantou os capins mombaça e braquiária, além de milho, para fazer silagem e complementar a dieta do gado durante o período de engorda. 

Com a implantação de uma ou mais dentre as quatro tecnologias do projeto – recuperação de pastagens degradadas, integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), sistema Plantio Direto e florestas plantadas, os produtores da Bahia, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Minas Gerais, Piauí, Tocantins e do Distrito Federal ganharam em produtividade e aumentaram a sustentabilidade de seus negócios.

À Embrapa coube a coordenação da vertente técnica do ABC Cerrado. “Participamos desde o início, desde a concepção do projeto. Nós revisamos todas as tecnologias que foram incorporados ao projeto, fizemos o treinamento dos consultores, os consultores capacitaram os técnicos, que capacitaram os produtores rurais – essa foi a sequência da metodologia do programa”, explicou Claudio Karia, chefe-geral da Embrapa Cerrados. 

Para Karia, outro ganho do projeto foi mostrar que o problema não está na geração da tecnologia e sim em como fazer essa tecnologia, esse conhecimento, chegar ao produtor. “Nesse caso, foi importante achar interlocutores que tivessem capilaridade e condições de chegar ao produtor, como o Senar”, explica.

Outro diferencial do ABC Cerrado foi a oferta de uma assistência técnica individualizada. “Para cada propriedade foi transferida a tecnologia adequada. Hoje temos que trabalhar com eficiência, com indicadores, sabendo que o produtor vai investir um real e no futuro vai tirar dez, com a tecnologia adequada à característica do produtor”, explica Daniel Carrara. Ele contou que a adoção de uma metodologia para mensurar os resultados do projeto veio pela parceria com a Embrapa.

A ministra da Agricultura também acredita no arranjo do ABC Cerrado. “Esse projeto vai continuar. Os produtores capacitados vão seguir usando essas tecnologias e os vizinhos vão adotar também. Em breve, com os acordos que estamos fazendo com vários países, vamos ter que aumentar nossa produção. Aí está a resposta de como vamos fazer isso”, sinalizou Tereza Cristina.
 

Foto: Juliana Miura
Juliana Miura (4563/DF)
Embrapa Cerrados

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Semiárido Show traz programação com foco no desenvolvimento regional sustentável – 07/11/2019

De 19 e 22 de novembro acontece a oitava edição do Semiárido Show, maior evento de inovação tecnológica para a agropecuária dependente de chuva do Nordeste. A iniciativa busca levar aos produtores e empreendedores da região as principais pesquisas e inovações com foco no desenvolvimento sustentável do Semiárido brasileiro. O evento é promovido pela Embrapa, em parceria com o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), e acontece em uma área de 20 hectares da Embrapa Semiárido, na zona rural de Petrolina-PE.

Com o tema “Dinâmicas de Desenvolvimento Regional e Inovação”, a feira traz uma programação intensa e diversificada, que envolve mais de 70 oportunidades de capacitações entre minicursos, palestras, oficinas, seminários e Dias de Campo, tudo gratuito e aberto ao público. Entre os temas que serão abordados estão os sistemas de cultivo para o Semiárido, tecnologias de captação de água e irrigação, criação animal (galinha, caprinos e ovinos), modelos para a exploração sustentável da Caatinga, manejo e conservação dos solos e apresentação de novas cultivares.

Nas Unidades Demonstrativas estarão expostos os materiais de campo da Embrapa e de parceiros, com destaques para as forrageiras, espécies de plantas que podem ser utilizadas para alimentação de rebanhos. Ainda no campo, os visitantes terão a oportunidade de conferir cultivos como o algodão, feijão, milho, gergelim, sisal, amendoim, sorgo, macaxeira, mamona, além de técnicas para armazenamento e gestão da água e modelos de iLPF.

De acordo com o Chefe-geral da Embrapa Semiárido, Pedro Gama, este é um evento de grande importância, pois torna possível a milhares de pessoas o acesso as informações geradas pela Embrapa e instituições parceiras, contribuindo com o dinamismo, produtividade e sustentabilidade da atividade agropecuária na região.

“Temos espaços planejados para permitir o máximo de intercâmbio de conhecimentos, com estandes, auditórios e áreas de exposição que divulgam e dão visibilidade a produtos e serviços locais, ampliando as oportunidades de parcerias e de fortalecimento de mercados para o semiárido”, explica o gestor.

A organização estima a participação de 15 mil pessoas no evento, entre agricultores, estudantes, empresários, pesquisadores, agentes de assistência técnica, extensão rural e demais interessados. Também são aguardadas mais de 100 caravanas provenientes de vários estados do Nordeste, e participação internacional com comitiva de produtores e representantes de instituições de países que compõem o corredor seco, entre eles: El Salvador, Honduras, Guatemala e México.

Vila da Economia Solidária e Espaço Sabores do Sertão

Além das capacitações e treinamentos, o complexo do Semiárido Show contará com a ‘Vila da Economia Solidária’, local reservado aos empreendimentos de cooperativas e associações de agricultores familiares para expor seus produtos e serviços, além da Feira da Agrobiodiversidade, área de intercâmbio e comercialização de sementes crioulas.

Outro destaque será o ‘Espaço Sabores do Sertão’, que visa promover o uso de produtos regionais na gastronomia. Nas oficinas, serão apresentadas alternativas de uso culinário de plantas alimentícias não convencionais (PANCs), com aproveitamento de espécies nativas da Caatinga, além da Manta Caprina e Ovina de Petrolina, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do município.

Leilão e exposição de animais

O público da feira também poderá conferir a exposição e leilão de animais, com a disponibilização de lotes de caprinos, ovinos e bovinos. Entre eles, está o gado Sindi da Embrapa, aguardado com muita expectativa pelos criadores com o objetivo de refrescar o sangue dos rebanhos. Destes, serão leiloados 26 animais, sendo 10 machos e 16 fêmeas, com lances iniciais que variam de R$ 1.500 a R$ 2.600 por animal. Confira o edital completo aqui.

A programação e outras informações sobre o Semiárido Show estão disponíveis no site www.embrapa.br/semiarido-show.

Apoio

Apoiam o Semiárido Show as seguintes Instituições: Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento; Ministério da Cidadania; Ministério do Desenvolvimento Regional;  IF Sertão-PE; Univasf; Ibama; Sudene; Chesf; Banco do Brasil; BNB; BNDES; FAO/ABC; Secretaria de Turismo e Lazer/Gov Pernambuco; Emater/Governo do Estado do Piauí; Superintendência de Agricultura Familiar (SUAF)/ Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR)/ Governo do Estado da Bahia; Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR); Projeto Bahia Produtiva; Grupo Banco Mundial; Pró Semiárido; Fida/IICA/Programa Semear Internacional; Bem Diverso/ PNUD/ Gef; Prefeitura de Petrolina; Programa Água Doce; CNA, Senai; Senar; Sebrae; Sesc; Senac; IRPAA e ASA.
 
Clarice Rocha (MTb 4733/PE)
Embrapa Semiárido

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