Simpósio apresenta resultados e tecnologias de projetos da Embrapa Meio Ambiente – 17/10/2019

A Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) realizará em 25 de outubro, das 8h15 às 17h, em seu auditório, simpósio sobre agricultura e meio ambiente, para apresentar as tecnologias, metodologias, e processos obtidos em projetos de pesquisa desenvolvidos.

O evento inicia com a palestra “Agricultura e Meio Ambiente sem Conflito” pelo Diretor do Departamento de Desenvolvimento das Cadeias Produtivas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) Orlando Melo de Castro.

A partir das 9h30, o pesquisador Lourival Paraiba apresentará os resultados da pesquisa sobre bioconcentração de pesticidas em água e polpa de cocos aplicados em coqueiros por endoterapia. Foi desenvolvido um modelo matemático que simula a translocação da concentração de pesticidas no estipe de coqueiros que avalia o risco de contaminação da água e polpa de coco verde de plantas de coqueiros tratadas com pesticidas aplicados por endoterapia – injeção de qualquer outra substância destinada a proteger ou tratar a planta, diretamente no tronco da árvore, facilitando a sua absorção pelos tecidos vegetais.

Logo após o intervalo, às 10h30, o efeito da suplementação de ácido cítrico em rações para tilápia-do-nilo sobre a excreção de nitrogênio e fósforo e desempenho zootécnico será demonstrado pelo pesquisador Hamilton Hisano, em trabalho desenvolvido com o objetivo de avaliar a suplementação do ácido cítrico, já que os ácidos orgânicos compõem um grupo de substâncias classificadas como aditivos zootécnicos e são utilizados para melhorar o desempenho dos animais.

O pesquisador Itamar de Melo irá apresentar, às 11h, seu trabalho com resultados sobre bioprospecção de agentes de controle biológico e produtos naturais para o manejo da Brusone do trigo, causada pelo fungo Magnaporthe grisea, e que ocasiona elevadas perdas à cultura em todos os países produtores. O projeto visou identificar novos metabólitos secundários a partir de bactérias e actinobactérias. Igualmente interessante, e que merece destaque, é a eficaz redução do crescimento fúngico com o uso de óleos vegetais, cujos resultados serão debatidos no seminário.

Logo depois, às 1h30, o pesquisador Ladislau Skorupa falará sobre os resultados alcançados pelo projeto Sistematização de Informações e Avaliação da Adoção e dos Impactos de Sistemas ILPF. Serão destacados a atualização do banco de dados com informações das Unidades de Referência Tecnológica (URT); formação de base de dados com informações técnicas sobre os sistemas; a priorização de áreas para ações de transferência de tecnologia no Brasil; a construção do Sistema AgroTag ILPF destinado a identificar, qualificar e compartilhar em rede informações sobre sistemas ILPF adotados no Brasil; estudos de caso envolvendo avaliação de impactos ambientais conforme contexto de adoção; resultados da pesquisa de abrangência nacional sobre a avaliação da adoção de sistemas ILPF no Brasil; além da consolidação das visões regionais das equipes da Embrapa e parceiros envolvidas em ações de transferência de tecnologia em sistemas ILPF

Às 14h, o pesquisador Cristiano Andrade abordará os resultados da pesquisa  envolvendo a estabilidade do carbono do biocarvão, processo de envelhecimento no solo e efeito fertilizante de formulações com fontes minerais, com o objetivo de avaliar tecnologia de baixo custo referente ao uso de biocarvão (BC – finos de carvão; material residual no processo de fabricação do carvão vegetal) como condicionador do solo e na formulação de fertilizante nitrogenado organomineral.

Os processos quarentenários para introdução, criação e estabelecimento de bioagentes exóticos de controle em laboratório e de monitoramento em campo no âmbito do Projeto Cooperativo de Monitoramento e Manejo de Pragas Exóticas em Florestas de Eucalipto do Protef/Ipef serão analisados, às 14h30, pelo pesquisador Luiz Alexandre de Sá, já que encontra-se nesta Unidade a  Estação Quarentenária “Costa Lima” credenciada desde 1991 pelo Mapa. As pragas exóticas de florestas de eucalipto – o psilídeo-de-concha, o percevejo-bronzeado, a vespa-da-galha  e o gorgulho-do-eucalípto são de importância econômica em vários países, principalmente naqueles onde foram introduzidas. A estação é a responsável nacional pela introdução e limpeza desses inimigos naturais, de acordo com a legislação vigente no país.

A pesquisadora Marilia Folegatti apresentará, às 15h, os resultados do projeto Inventários de Ciclo de Vida de Produtos Agrícolas Brasileiros: uma Contribuição ao
Banco de Dados Ecoinvent, ICVAgroBR, concluído em junho de 2019. Trata-se de um projeto financiado pelo Secretaria de Relações Econômicas do Governo Suíço, coordenado pela Embrapa Meio Ambiente, do qual participaram várias Unidades: Agroindústria Tropical, Pantanal, Soja, Milho e Sorgo, Florestas, Gado de Corte, assim como o Laboratório Nacional de Biorrenováveis, Fundação Espaço Eco, Agroscope, Quantis Sàrl e Ecoinvent. O principal resultado foi a publicação, na versão 3.6 da Ecoinvent, da base de dados internacional para avaliação de ciclo de vida (ACV), sediada na Suíça (www.ecoinvent.org/database/ecoinvent-36/ecoinvent-36.html) de um total de 566 novos inventários de ciclo de vida, incluindo de alguns dos principais produtos agrícolas brasileiros, como cana-de-açúcar, soja, milho, eucalipto, bovinos de corte e frutas tropicais (manga), em nível estadual e nacional, além de inventários de processos de mudança de uso da terra (MUT).

O impacto das mudanças climáticas sobre a hidrobiogeoquímica de duas pequenas
bacias contribuintes do Sistema Cantareira em área atendida por programa de pagamento
por serviços ambientais será abordado pelo pesquisador Ricardo Figueiredo, que explica que o projeto cooperou para uma maior compreensão do potencial do Projeto Conservador das Águas em termos de benefícios hídricos quali-quantitativos, que possam estar sendo proporcionados por meio da restauração florestal e práticas de conservação do solo adotadas. O objetivo principal foi colaborar para uma avaliação científica dos resultados dessa política pública de pagamento por serviços ambientais implantada no município de Extrema (MG), em áreas de cabeceira de bacia contribuinte para o Sistema Cantareira. Seus resultados sobre a hidrobiogeoquímica das bacias estudadas geraram recomendações para balizar ações relacionadas a políticas de gestão ambiental na área estudada e similares, beneficiando a qualidade e quantidade da água que atende a população, em especial do Estado de São Paulo, que passou recentemente por uma crise hídrica, e frente a um cenário de mudanças climáticas preocupantes.

O encerramento será logo depois, às 16h.
Mais informações e inscrições pelo email cnpma.eventos@embrapa.br
 

Foto: Ricardo Figueiredo
Cristina Tordin (MTB 28499)
Embrapa Meio Ambiente

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Embrapa abre as portas para a sociedade na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia – 16/10/2019

A Embrapa Algodão abrirá as portas para a sociedade, em especial para o público estudantil de toda a rede pública e privada de ensino da Paraíba, convidando-os a conhecer a Trilha do Conhecimento: Agricultura Movida à Ciência

Com o tema “Bioeconomia: Diversidade e Riqueza para o Desenvolvimento Sustentável”, será realizada de 21 a 27 de outubro, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) 2019. Em Campina Grande, a abertura oficial da semana acontece dia 21, às 13h30, na sede da Embrapa Algodão. Nesta edição, várias instituições, lideradas pela Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia, estarão unidas para divulgar à população local a importância da ciência para o estado da Paraíba.

Este ano, durante a SNCT, a Embrapa Algodão abrirá as portas para a sociedade, em especial para o público estudantil de toda a rede pública e privada de ensino da Paraíba, convidando-os a conhecer a Trilha do Conhecimento: Agricultura Movida à Ciência, circuito de visitas guiadas por estações temáticas a realizar-se de 21 e 24 de outubro, na sede da Unidade, em Campina Grande. No dia 21, a trilha será apresentada a parlamentares, parceiros e convidados em geral.

Com o formato de dia de campo, o evento contará com quatro estações. Na primeira estação com o tema Embrapa, Agricultura Movida à Ciência, os visitantes conhecerão as contribuições da Embrapa para a agricultura brasileira; na segunda estação, intitulada Da Fibra ao Fio, de onde vem a roupa que vestimos, será apresentado o trabalho realizado no Laboratório de Fibras desde a análise das melhores variedades de algodão até o processo de obtenção das roupas pela indústria têxtil; a terceira estação abordará o tema Do Campo à Cidade, como a agricultura e a pecuária estão presentes no nosso cotidiano e a quarta e última estação contará com um Túnel ILPF em Realidade Aumentada, uma experiência imersiva, onde os visitantes poderão visualizar os benefícios da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta para recuperar solos e pastagens degradadas gerando diversificação e melhoria da renda do produtor.

Papo com Ciência

Durante a SNCT, na terça-feira (22), a partir das 14h50, a Embrapa Algodão também estará em João Pessoa, com a pesquisadora Nair Arriel, que participará da mesa-redonda “Desenvolvimento Sustentável no Semiárido”, promovida pelo Centro de Tecnologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com participação da fazenda Tamanduá, fazenda Carnaúba e o Instituto Nacional do Semiárido (Insa). Nair apresentará o projeto Algodão em Consórcios Agroecológicos, cujo objetivo é a geração de renda para mais de duas mil famílias agricultoras com o aprimoramento e expansão do algodão agroecológico consorciado com outras culturas alimentares em seis estados do Semiárido nordestino. O projeto é coordenado pela ONG Diaconia, em parceria com a Embrapa Algodão e diversas instituições, com financiamento do Instituto C&A.

Na quinta-feira (24), às 9 horas, será a vez do pesquisador Everaldo Medeiros participar do Papo com Ciência, abordando o tema Aplicação do conhecimento químico-analítico para diagnóstico e desenvolvimento de tecnologias sustentáveis na agropecuária, no Senai Prata, em Campina Grande. Entre os destaques da apresentação estarão as pesquisas para o desenvolvimento do bioinseticida a base de suco de sisal, em parceria com a UFPB; o sensor de pegajosidade (contaminações) na pluma do algodão, em parceria com a indústria têxtil; o compartilhamento remoto de tecnologias e análises laboratoriais; o desenvolvimento de pele artificial a partir de celulose bacteriana; o desenvolvimento de cultivar de alto teor oleico, entre outros.

 
 
Edna Santos (MTB/CE 1700)
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Pesquisadores participam da avaliação do Plano ABC em audiência pública no Senado – 14/10/2019

Pesquisador Pedro Machado em audiência pública no Senado Federal

A Embrapa está contribuindo com o processo de avaliação da Política Nacional de Mudança do Clima (PNMC), programa governamental escolhido pela Comissão de Meio Ambiente do Senado Federal para ser avaliado em 2019. Pesquisadores de diferentes Unidades Descentralizadas participam de um conjunto de audiências públicas com o objetivo de  apresentarem as contribuições da Embrapa à PNMC e, mais especificamente, falarem sobre a evolução do Plano ABC – Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, considerado o plano setorial da política para a agricultura.

O pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Pedro Machado, participou da quarta audiência pública sobre o tema, realizada no dia 10/10, no Senado Federal. No dia 26/09, o pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária, Giampaolo Queiroz Pellegrino, falou sobre o Portfólio de Mudanças Climáticas e também sobre o Plano ABC.

Confira aqui a matéria sobre a participação do pesquisador Giampaolo Pellegrino na audiência pública

O compromisso voluntário do Brasil junto ao Acordo de Paris para a redução de emissões de gases de efeito estufa até 2020 está vinculado à PNMC. A PNMC é composta por diversos planos focalizados regionalmente (Amazônia, Cerrado) ou por setores econômicos (agricultura, indústria, mineração, energia). 

Segundo o pesquisador Pedro Machado, a Embrapa tem uma participação ativa no Plano ABC. “Nós acreditamos que este plano, junto com o Código Florestal, dará à agropecuária uma qualificação singular e relevante, com repercussão econômica e social importante para a sociedade e com impacto na inserção dos produtos brasileiros no mercado internacional”, afirmou ao iniciar sua apresentação na audiência pública. 

A vertente operacional do Plano ABC é o Programa ABC que oferece crédito para a adoção das seguintes tecnologias: Recuperação de Pastagens Degradadas, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), Sistemas Agroflorestais (SAFs), Sistema Plantio Direto (SPD), Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), Florestas Plantadas, Tratamento de Dejetos Animais, Adaptação às Mudanças Climáticas.

“O Plano ABC foi uma ação voluntária do Brasil, iniciada em 2009, um primeiro passo, onde se buscou na pesquisa as tecnologias fundamentadas em ciência que podiam ser aplicadas como política pública para o setor produtivo e que poderiam dar uma resposta para a mitigação dos gases de efeito estufa e, por consequência, influenciar positivamente na mudança do clima”, explicou Machado.

Ele ressaltou que, no âmbito das linhas de crédito do Programa ABC, no período de 2010 a 2019, o governo federal financiou mais de R$ 17 bilhões, em 34 contratos, em 2885 municípios brasileiros. “Este foi um primeiro passo, de grande importância, que necessita de continuidade e aperfeiçoamento”, acrescentou.

Sobre as tecnologias financiadas, Machado fez uma análise de sua importância a partir dos resultados gerados por 3 delas. A recuperação de pastagens degradadas, por exemplo, ao gerar uma quantidade grande de biomassa, contribui para o aumento da eficiência da produção de carne e leite, pois a biomassa é uma componente essencial para o  aumento dos nutrientes das pastagens consumidas pelos animais.

O Sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), por sua vez, é considerado um “upgrade” ao Sistema Plantio Direto, tecnologia desenvolvida pela ciência agropecuária,  iniciada no final da década de 1970, para combater a erosão hídrica. “Era o grande problema da agropecuária brasileira e ainda está presente em muitas regiões”, explica. Foi um conjunto de parceiros da pesquisa, da extensão e de cooperativas agrícolas que chegaram ao Sistema Plantio Direto. Atualmente, são cerca de 30 milhões de hectares da área agrícola sob plantio direto no Brasil.

Já a Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN), atividade iniciada no Brasil bem antes de 1997,  surge em substituição ao adubo nitrogenado de uso comercial. É um processo biológico que permite a fixaçãodo nitrogênio atmosférico às plantas. De acordo com Machado, de toda a soja produzida no Brasil, 20 milhões de hectares são produzidas praticamente sem o adubo nitrogenado. Em 2018, a economia gerada por essa tecnologia foi de R$ 19, 2 bilhões apenas para a cultura da soja.

“O Brasil pode e tem condições de fazer mais. Isso não é difícil. Nossos produtores são empreendedores. Adotam a tecnologia quando percebem a redução de riscos para suas lavouras”, ressaltou Pedro Machado para os participantes da audiência. Em sua opinião, a governança estabelecida em torno da execução do Plano ABC foi igualmente importante para o sucesso de sua execução.

No âmbito do governo federal, existe um grupo executor com seus respectivos comitês, e no âmbito estadual, as superintendências do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) dialogam diretamente com as secretarias estaduais de agricultura. “É dessa forma que as metas são estabelecidas e cumpridas. E isso deve ser preservado e aperfeiçoado”, acrescentou Machado.

Parcerias

De acordo com o pesquisador, as parcerias foram fundamentais para o sucesso da construção do Plano ABC. Foram13 instituições que participaram de sua construção “Nossa expectativa é que o formato atual do Plano ABC continue”, afirmou, ressaltando que embora as metas estabelecidas como Ações de Mitigação Nacionalmente Apropriadas possam ser consideradas alcançadas, há o compromisso de NDC (Contribuições Nacionalmente Determinadas, na sigla em inglês) no Acordo de Paris, a ser cumprido até 2030, e é preciso aperfeiçoá-las daqui para frente, bem como os meios para a ampliação de sua adoção.

Outro exemplo considerado de sucesso foi a parceria púbico-privada para a formação da rede ILPF, na qual empresas privadas oferecem contribuição financeira para a instalação de Unidades de Referência Tecnológica nas propriedades rurais, capacitação de técnicos e ações de pesquisa e desenvolvimento. “As empresas consideram essas tecnologias do Plano ABC importantes para a sustentabilidade de seus negócios. Há uma harmonia de interesses, todos querem a durabilidade nos seus negócios”, observou.

Monitoramento

Pedro Machado destacou a necessidade de aperfeiçoamento do sistema de monitoramento da implantação das tecnologias do Plano ABC. Hoje monitora-se apenas a partir dos créditos bancários liberados ao produtor rural para a implantação de uma das tecnologias do Programa ABC. Mas já é possível fazer o monitoramento das áreas através do sensoriamento remoto com uso de satélites. “O solo nu fica evidente numa imagem de satélite, assim como a presença de árvores em um sistema ILPF”, exemplificou. 

Para enfrentar o desafio futuro Machado falou sobre a atuação em rede de programas tais como: Rede Clima, Plataforma ABC, Observatório ABC, Terraclass, Mapbiomas, além da sinergia entre diversas políticas públicas como o Código Florestal e o seu Cadastro Ambiental Rural – o CAR.

O Plano ABC traz vantagens como o aumento da produção de água, segurança alimentar, renda, biodiversidade, conservação solo água e embelezamento de paisagens. Todos importantes tanto para o empreendimento do produtor como para a sociedade e para a comercialização.

Comunicação

Na opinião do pesquisador, além de investir em tecnologias que contribuam para a mitigação dos gases de efeito estufa e para a adaptação à mudança do clima, a estratégia de apresentação do Brasil no exterior também precisa ser melhorada. 

Um dos exemplos para ilustrar sua afirmação foi o caso da França com a chamada “carne de montanha”. O país atua com campanha de publicidade da carne de montanha ressaltando as vantagens de se produzir boi a pasto, fora do sistema de confinamento, valorizando as pastagens naturais e a composição florística da pastagem. Tudo isso associado ao impacto da tecnologia no sabor da carne e bem estar animal. “Mas a comunicação deve ser feita com embasamento científico para ter credibilidade. Isso sensibiliza os consumidores”, acrescentou.

“A moeda do século XXI -produção com qualificação ambiental – é que vai nos inserir no mercado global. Não tem escapatória.Temos condições de avançar e será um prazer para a Embrapa poder contribuir”, finalizou o pesquisador.

Também participaram da audiênciaos seguintes convidados: Marcelo de Medeiros, Coordenador de Políticas Públicas do Imaflora; Leila Harfuch, Sócia-gerente da Agroícone; Eduardo Brito Bastos, diretor da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e o professor Raoni Rajão, coordenador do Laboratório de Gestão de Serviços Ambientais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Assista à audiência completa sobre as Contribuições para avaliação do Plano Agricultura de Baixo Carbono acessando aqui.
 

Foto: Job Lúcio
Maria Clara Guaraldo (MTb 5027/MG)
Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire)

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Estudo analisa conservação de bacias hidrográficas aliadas a manejo agrícolas sustentáveis – 11/10/2019

Bacia monitorada

A conservação de bacias e os desafios para a sustentabilidade da agricultura, publicação de Ricardo Figueiredo, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente e de Timothy Richard Green, pesquisador do Centro de Pesquisa de Recursos Agrícolas (USDA-ARS), Fort Collins, Colorado, Estados Unidos, está disponível para acesso gratuito.

Os autores consideram, nesse estudo, a complexidade para que se alcance a sustentabilidade no uso da terra, no tocante à conservação dos recursos hídricos e respectivas bacias hidrográficas e a dinâmica de alterações nos processos biogeoquímicos e hidrológicos – ciclagem de nutrientes e carbono presentes nos ecossistemas e agroecossistemas e dos fluxos de água nos componentes terrestre e aquático presentes nas bacias onde o ecossistema natural é modificado.

Figueiredo esclarece que são analisados os principais aspectos no que se refere à sustentabilidade das bacias hidrográficas. “Observa-se que o manejo do solo e os diferentes sistemas de produção só atendem a demanda por um desenvolvimento sustentável, quando implementados com as devidas considerações sobre suas ligações com fluxos de água e nutrientes nas bacias”, diz o pesquisador.

Além disso, dada a dependência às condições do clima, incluindo pluviosidade e temperatura, a conservação de recursos hídricos apresenta forte relação com as mudanças climáticas em curso.

Quando a água da chuva atinge a superfície terrestre de uma bacia parte da água é retida pela vegetação e outra parte segue para o solo onde a água que infiltra pode ser absorvida pelas raízes das plantas, ou seguir em fluxo sub-superficial para as áreas mais baixas ou ainda alcançar a zona saturada do solo formando o lençol freático, cujo estoque hídrico supre os cursos d’água nos períodos de estiagem. Por outro lado, a água em vez de infiltrar pode formar o escoamento superficial até atingir o leito do rio.

Entende-se que para realizar uma avaliação da sustentabilidade na agricultura que atenda à conservação dos atributos hídricos de qualidade e quantidade de uma bacia é necessário observar quatro aspectos: a complexidade dos processos naturais em diferentes escalas no espaço e no tempo na bacia; os desafios inerentes ao próprio manejo sustentável da bacia em seus aspectos técnicos e socioeconômicos; a necessidade indispensável de medições confiáveis e simulações dos fluxos hídricos na bacia e a intensidade com que as mudanças projetadas do clima e do uso da terra podem afetar a sustentabilidade no futuro.

Os autores comentam sobre alguns exemplos para se enfrentar os desafios para um manejo sustentável nas bacias agrícolas, como: o sistema plantio direto, que pode ser entendido como um complexo de processos tecnológicos destinado à exploração de sistemas agrícolas produtivos; os sistemas agroflorestais (SAFs) que preconizam o manejo sustentável da terra buscando aumentar a produção de forma geral, combinando culturas agrícolas com árvores e plantas da floresta; a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), sistema de produção agrícola e de produção animal, e que contam com florestas de árvores de cultivo exótico com espécies, como eucalipto e pinus, ou mesmo espécies nativas; a chamada transição agroecológica que passa por diversas etapas, como redução e racionalização do uso de insumos químicos; substituição de insumos e manejo da biodiversidade e redesenho dos sistemas produtivos; e a adoção de pagamento por serviços ambientais (PSA), que remunera o proprietário rural por adotar práticas de conservação de solos e reflorestamento.

A publicação visa atender à geração de conhecimento relativa ao sexto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que é o de “Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos” – e em especial às metas 6.5 e 6.6 referentes à gestão integrada dos recursos hídricos e à proteção e restauração de ecossistemas relacionados com a água.

Foto: Ricardo Figueiredo 
Cristina Tordin (MTB 28499)
Embrapa Meio Ambiente

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Gestores estaduais e federais articulam Plano ABC em Sergipe – 09/10/2019

Gestores em visita ao campo

Dirigentes da Superintendência do Ministério da Agricultura e da Embrapa em Sergipe e da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri-SE) aprofundaram, na terça (8), as articulações para efetivar a implantação do Plano Agricultura de Baixo Carbono (ABC) no estado.

As discussões aconteceram durante visita ao Campo Experimental Jorge Sobral, mantido pela Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE) em Nossa Senhora das Dores, no Médio Sertão Sergipano. Os chefes geral e Transferência de Tecnologia da Unidade da Embrapa, respectivamente, Marcelo Fernandes e Alexandre Nizio, receberam no campo o superintendente do Mapa Haroldo Araújo Filho e o secretário de estado da Agricultura André Bomfim.

Acompanhados por assessores técnicos, os visitantes viram no campo os diversos experimentos conduzidos pela Embrapa que envolvem sistemas integrados de produção com foco na compensação e neutralização das emissões de carbono por meio da absorção do elemento, realizada por espécies arbóreas e leguminosas.

Entre as tecnologias demonstradas estão o sistema ILPF (Integração Lavoura – Pecuária – Floresta) com uso de espécies leguminosas e arbóreas como moringa, acácia e gliricídia, que proporciona alta fixação de nitrogênio no solo. Os gestores conheceram também experimentos com produção de grãos – milho e soja – de maneira integrada com a gramínea forrageira braquiária, que promove grande melhoria das propriedades do solo e ganhos de produtividade. 

A aplicação de tecnologias de agricultura de precisão – uso de drones com câmeras especiais para detectar deficiências de nutrientes e em pontos específicos das áreas plantadas também foi apresentada por pesquisadores.

Para ver todas as imagens do evento na rede social Flickr, clique aqui.

Um dos encaminhamentos definidos pelos gestores estaduais e federais foi a criação de um comitê gestor do Plano ABC em Sergipe, que irá coordenar as ações de implantação e desenvolvimento da iniciativa. Entre as diretrizes está a ampliação dos experimentos de campo e a instalação de unidades demonstrativas em áreas de produtores parceiros, que atuarão como multiplicadores das tecnologias e boas práticas. 

Para o secretário André Bomfim, o fortalecimento das parcerias entre o Governo do Estado e os entes federais que atuam em Sergipe é grande ponto de partida para efetivação do Plano ABC no estado. “Só com essa articulação coletiva será possível levar aos produtores, sejam pequenos, médios ou grandes, as tecnologias que são fruto das pesquisas da Embrapa nos campos experimentais, que são capazes de proporcionar o que o produtor procura e que todos nós buscamos: aumento de produtividade, incremento de renda e garantia de maior sustentabilidade para o meio ambiente”, destacou.

Ele informou que um termo de cooperação que cria o comitê gestor e define linhas gerais para a execução do Plano ABC em Sergipe está sendo preparado e deverá ser assinado pelos representantes dos órgãos federais e estaduais.

O superintendente do Mapa em Sergipe reforçou que um programa federal dessa magnitude não acontece de forma isolada, sem a conjunção de esforços e competências de vários parceiros. “Essa visita marca um momento importante nesse processo, que levará à criação do comitê gestor e consequentemente à efetivação das políticas desenhadas no plano”, ressaltou. 

Participaram da visita, pela Embrapa, os pesquisadores Edson Patto e Evandro Muniz, o supervisor de campo Pablo Melo e o técnico Gênison Trindade. Acompanhou o secretário o assessor Hugo Carlos Vieira Coelho. O superintendente do Mapa foi acompanhado pelo superintendente substituto André Barreto, responsável pela gestão do Plano ABC em Sergipe, e o chefe substituto da Divisão de Política, Produção e Desenvolvimento, David Guimarães de Andrade.

Plano ABC
O Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC) é um dos planos setoriais elaborados de acordo com o artigo 3° do Decreto n° 7.390/2010 e tem por finalidade a organização e o planejamento das ações a serem realizadas para a adoção das tecnologias de produção sustentáveis, selecionadas com o objetivo de responder aos compromissos de redução de emissão de gases do efeito estufa (GEE) no setor agropecuário assumidos pelo país.

O Plano ABC é composto por sete programas, seis deles referentes às tecnologias de mitigação, e ainda um último programa com ações de adaptação às mudanças climáticas:
• Programa 1: Recuperação de Pastagens Degradadas;
• Programa 2: Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs);
• Programa 3: Sistema Plantio Direto (SPD);
• Programa 4: Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN);
• Programa 5: Florestas Plantadas;
• Programa 6: Tratamento de Dejetos Animais;
• Programa 7: Adaptação às Mudanças Climáticas.

A abrangência do Plano ABC é nacional e seu período de vigência é de 2010 a 2020, sendo previstas revisões e atualizações em períodos regulares não superiores a dois anos, para readequá-lo às demandas da sociedade, às novas tecnologias e incorporar novas ações e metas, caso se faça necessário.
 

Foto: Saulo Coelho
Saulo Coelho (MTb/SE 1065)
Embrapa Tabuleiros Costeiros

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Integração Lavoura-Pecuária favorece recuperação de pastagens e produção de alimento em período de seca – 09/10/2019

Um dos objetivos do sistema ILP é agregar diversas tecnologias, de manejo cultural, de práticas pecuárias e de conservação do solo e da água, para que a propriedade tenha maior estabilidade de produção.

Na região Central de Minas Gerais, a atividade agropecuária convive com dois problemas climáticos que são determinantes no rendimento das lavouras e da pecuária. Um deles é a estação seca no outono e inverno, quando ocorre falta de forragem para os animais. Outro é o veranico durante a estação chuvosa, com duração e período de ocorrência incertos.

A questão é agravada quando as pastagens estão degradadas, apresentando baixa disponibilidade de forragem de alimentos para os animais durante todo o ano. Uma das alternativas tecnológicas que pode ser utilizada para minimizar estes problemas, de forma econômica, é a estratégia Integração Lavoura-Pecuária (ILP).

O Sistema ILP combina atividades agrícolas e pecuárias em uma mesma área de forma sustentável. Um dos objetivos é agregar diversas tecnologias, de manejo cultural, de práticas pecuárias e de conservação do solo e da água, para que a propriedade tenha maior estabilidade de produção.

Com o objetivo de obtenção de coeficientes técnicos e para demonstrar o potencial da ILP na região, foi implantada na Embrapa Milho e Sorgo, na safra 2005/06, uma Unidade de Referência Tecnológica e de Pesquisa (URTP). Esta unidade incorpora lavouras anuais e a recria e terminação de bovinos de corte. Parte dos resultados obtidos foram apresentados no dia de campo sobre ILP, em 2 de outubro de 2019, na URTP.

O pesquisador Miguel Marques Gontijo Neto, da Embrapa Milho e Sorgo, considera que a implantação de uma lavoura anual, como o milho e o sorgo, cultivada de forma consorciada com os capins, favorece a obtenção de uma grande produção de grãos ou de forragem na propriedade, que podem ser ensilados e conservados para o período da seca.

“Esta recuperação acontece porque a utilização de uma cultura de ciclo curto, milho, sorgo ou mesmo a soja, pode pagar, total ou parcialmente, os custos de correção da fertilidade do solo em uma safra. Assim, no caso de lavouras de milho ou de sorgo, conseguimos produzir forragens, um alimento para o rebanho, para o período de entressafras, além de  recuperar a pastagem degradada”, complementa.

O pesquisador ressalta que em um planejamento para implantação de um sistema ILP, após escolher as lavouras e os consórcios, as culturas precisam ser rotacionadas entre as glebas. “Então o primeiro passo é recuperar uma área com pastagem degradada com um ou dois anos de lavoura. Na sequência passa-se para outras áreas, rotacionando as lavouras entre as todas as áreas da fazenda. Esta estratégia permite a recuperação das pastagens de toda a propriedade”, diz.

Gontijo acrescenta que não existe um modelo ou um pacote tecnológico a ser adotado em todas as áreas/propriedades. O produtor rural vai adotar o sistema de acordo com seu interesse, capacidade de investimento e as condições locais de solo e clima. “De acordo com as características da propriedade é que será encontrada a melhor combinação de culturas mais adequadas e as áreas que serão cultivadas anualmente. A estratégia ILP não apresenta restrições quanto ao tamanho da área e nível tecnológico do produtor, sendo viável para pequenos, médios e grandes produtores”, afirma.

“As culturas mais utilizadas por pecuaristas para recuperação de pastagens tem sido o milho e o sorgo, em função, principalmente, da produção de forragem para alimentar seus animais na estação seca do ano. Entretanto, às vezes, em regiões com restrição hídrica mais severa, o milheto pode também ser uma alternativa interessante para a consorciação e produção de forragem em relação ao milho ou o sorgo”, orienta.

Sobressemeadura de capim na soja

Outra alternativa testada, neste ano, pelos pesquisadores, na URT de Integração Lavoura-Pecuária da Embrapa Milho e Sorgo, foi a sobressemeadura de capim na soja.

De acordo com o engenheiro agrônomo Samuel Campos Abreu, na região Central de Minas Gerais, eles têm trabalhado e obtido resultados satisfatórios quando utilizam a soja para recuperação da fertilidade do solo de regiões com restrição hídrica. “Isto porque a adequação de épocas de semeaduras da soja com ciclos de cultivares mais tardias está permitindo resistir (escapar) ao veranico tradicional do mês de janeiro”, explica.

“Assim, a soja consegue passar este período de veranico ainda no estádio vegetativo e, depois, quando as chuvas retornam em fevereiro ou março, a soja volta à sua capacidade de produção de vagens em boas produtividades. Já o milho, por sua vez, difere desta condição, pois, quando seu plantio coincide com o veranico do mês de janeiro, o enchimento de grãos fica comprometido e ocorre baixa produtividade. Por isso, a soja tem-se mostrado uma cultura bem interessante para a recuperação de pastagens e composição de sistemas ILP na região Central de Minas”, afirma.

“Uma questão relevante é que quando falamos de sorgo, de milho e de milheto estamos utilizando a consorciação destas lavouras com capim, no momento do plantio. Então é usado o plantio consorciado destas culturas anuais com capim. Já no tocante à soja, em algumas regiões, tem sido possível fazer a sobressemeadura do capim, em sulcos nas entrelinhas da soja, quando a cultura se encontra nos estádios vegetativos R5-R6, resultando na formação de uma pastagem na entressafra”, ressalta Abreu.
 
Sandra Brito (MG 06230 JP)
Embrapa Milho e Sorgo

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Sistemas integrados crescem como alternativa para intensificar produção e aumentar rentabilidade – 09/10/2019

Seminário debate conjuntura do sistema de Integração Lavoura-Pecuária na produção agropecuária mineira

Atualmente, ocorre a intensificação do uso da terra, principalmente por meio de sistemas integrados. Essa tendência foi foco de debates em seminário sobre a conjuntura do sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) na produção agropecuária mineira, realizado na Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG).

Wallisson Lara, analista de Agronegócios da Assessoria Técnica do Sistema Faemg, destacou a necessidade de aumento da produção de alimentos. “Em 2050, será preciso alimentar 9 bilhões de pessoas. Hoje, a população mundial é de 7,6 bilhões de habitantes. Para suprir a demanda populacional, será preciso aumentar a produção de alimentos de qualidade em 70% até 2050. Isso será possível com intensificação sustentável, que tem como um exemplo a Integração Lavoura-Pecuária”, explica Wallisson.

Segundo o analista, fundamentos que poderão ser chave do sucesso são: gestão, investimentos em tecnologias de ponta, organização de produtores e indústrias para aumentar a eficiência das cadeias produtivas.

Os números atuais já demonstram como a adoção de tecnologias garante retorno aos produtores. A pecuária de corte (recria e engorda) com aplicação crescente de tecnologia apresentou rentabilidade de 3,6% em 2018. Já a mesma atividade com baixa tecnologia teve um déficit de 0,2%.

Nesse sentido, o pesquisador Rubens Miranda, da Embrapa Milho e Sorgo, analisa que a pecuária extensiva não apresenta perspectivas para o futuro. “Há uma necessidade de maior eficiência, de intensificação da produção. A pecuária extensiva, com pastagens degradadas, não se sustenta”, avalia.

O pesquisador apresentou dados dos Censos Agropecuários que revelam mudanças na pecuária ao longo dos últimos anos. Houve, por exemplo, uma inversão nas taxas de utilização de pastagens naturais para pastagens plantadas. Em 1975, eram mais de 125 milhões de hectares de pastagens naturais contra 39 milhões de hectares de pastagens plantadas.  Em 2017, passou-se para mais de 111 milhões de hectares pastagens plantadas, enquanto as naturais caíram para 46 milhões de hectares.

Rubens comentou uma estimativa, publicada no portal Compre Rural, de que 60% dos pecuaristas em atividade vão desaparecer em 20 anos. E apresentou números que demonstram oportunidades desfavoráveis à pecuária extensiva. O arrendamento de terras nas principais regiões produtoras de soja tem valores atrativos, chegando ao preço de 24 sacas de 60 quilos de soja por hectare no Paraná. Nessas regiões, torna-se mais interessante para o produtor arrendar seu terreno do que manter a atividade pecuária.

“É improvável que a pecuária predominantemente extensiva no Brasil se aproxime do perfil da atividade praticada nos Estados Unidos nos próximos anos. Contudo, há uma clara tendência de intensificação do uso da terra, principalmente por meio de sistemas integrados”, avalia o pesquisador.

Nos últimos anos, houve um crescimento expressivo desses sistemas no país. A área com algum tipo de adoção de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) era de 1,87 milhões de hectares no ano de 2005 e chegou a 15 milhões de hectares em 2017.

Nesse cenário, dentre as possibilidades de configuração dos sistemas, entre os produtores cujo foco predominante é a pecuária, a ILP é a mais adotada, com 83%; ILPF tem 9% de adoção; Integração Pecuária-Floresta (IPF), 7%; e a Integração Lavoura-Floresta (ILF), 1%.

A pesquisadora Márcia Cristina Teixeira da Silveira, da Embrapa Pecuária Sul (Bagé-RS), demonstrou que é possível melhorar a eficiência da produção sem, necessariamente, aumentar custos. “O manejo adequado de pastagens permite um incremento de produção a partir de conhecimento. Podemos produzir muito mais do que estamos produzindo, sem gastar mais para isso”, explica.

Márcia demonstrou que o custo de forragem em pastejo equivale a um terço do custo de outras fontes de alimento, como silagem, feno e concentrado. E destacou que ações de manejo são relações de causa e efeito. “Por isso, não se pode trabalhar com tentativa e erro. É preciso entender e conhecer os fatores de implantação da área, como escolha de sementes, preparo do solo, cuidados no plantio, e também a forma de utilização da pastagem”, afirmou.

A pesquisadora explica que, pensando em adoção de estratégias simples, o uso do manejo por altura tem trazido bons resultados. É uma estratégia que visa respeitar o crescimento de plantas e possibilitar aos animais consumirem no melhor momento e em quantidade.

“A planta nem sempre responde a dias de descanso e ocupação fixos. Tem ritmo de crescimento variável, de acordo com região, fertilizantes, condições climáticas. Por isso, a entrada e a saída do gado não devem seguir intervalos fixos. O ajuste da carga de animais deve ser feito de acordo com altura mínima e máxima, seguindo as recomendações para cada espécie”, explica Márcia.

A pesquisadora demonstrou que a relação entre massa e altura permite trabalhar com a altura como um parâmetro seguro para manejo de pastagens, a fim de garantir forragem em quantidade e qualidade aos animais. Ela destaca que uma mesma planta forrageira com diferentes manejos pode ter melhor ou pior valor nutritivo. Além disso, é possível colocar o gado para melhorar o solo via manejo correto do pasto e animal.

Há recomendações técnicas para as diversas espécies de forrageiras. A pesquisadora cita como exemplo a publicação “Uso da altura para ajuste de carga em pastagens”, que traz medidas recomendadas para entrada e saída de animais em áreas com diferentes gramíneas.
 

Foto: Sandra Brito
Marina Torres (MTb 08577/MG)
Milho e Sorgo

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ILP e terminação em confinamento garantem eficiência na recria de bovinos de corte – 09/10/2019

Bovinos confinados na Embrapa Milho e Sorgo

Maior investimento na fase de recria e um planejamento adequado na terminação dos animais por meio do sistema de confinamento. Essas são as principais orientações de dois especialistas que acompanharam as fases de recria e terminação de bovinos no sistema de Integração Lavoura-Pecuária implantado na Embrapa Milho e Sorgo no período agrícola de 2018/2019. 

Durante dia de campo realizado na primeira semana de outubro, os resultados foram apresentados pelos zootecnistas Leandro Sâmia e Bárbara Rodrigues. “Por se tratar de uma fase que apresenta a maior duração na pecuária nacional, uma redução no tempo da recria pode potencializar o ganho de peso, diminuir a idade do abate e melhorar a qualidade da carne. Consequentemente o produtor terá maior giro de capital e mais eficiência no uso da terra”, descreve Leandro, que é professor de Veterinária na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Segundo ele, deve-se buscar sempre animais de maior valor comercial, como bovinos originários de cruzamento industrial entre as raças ½ Nelore e ½ Aberdeen Angus. “Os animais cruzados atingiram um ganho médio diário de 2 kg em 105 dias de confinamento ou sete arrobas nesse mesmo período. Já os animais Nelore alcançaram 1,5 kg por dia ou 5,3 arrobas”, mostra a zootecnista Bárbara Rodrigues, doutoranda da UFMG.

Na visão dos especialistas, o produtor deve levar em consideração que os animais de cruzamento industrial são mais exigentes em relação aos da raça Nelore quanto à alimentação. Em regime de confinamento, a dieta é composta por 80% de concentrado (composto por milho, soja e núcleo, sendo este último uma mistura de fontes proteicas, minerais, vitaminas e aditivos) e 20% de volumoso (silagem de sorgo). “Nesse sistema intensivo, os animais cruzados se sobressaem”, destaca Bárbara Rodrigues.

Ainda segundo ela, o confinamento é uma boa estratégia para o produtor que precisa “terminar” os animais e liberar as pastagens novamente para a fase de recria. “Deve ser bem planejado, levando em consideração seus custos antes da tomada de decisão, para que o investimento seja satisfatório”, pondera. O projeto conduzido na Embrapa Milho e Sorgo tem o objetivo de avaliar o desempenho produtivo e econômico de bovinos zebuínos e cruzados recriados em pastagem em sistema de Integração Lavoura-Pecuária e terminados em confinamento.

Entenda o processo

Os bezerros de sete meses de idade – raças Nelore e ½ Nelore e ½ Aberdeen Angus – entram no sistema no período da seca (junho/julho) para pastejarem em quatro glebas, que totalizam 22 hectares, onde é feita a rotação de cultivos na primavera-verão, com a utilização do sistema de plantio direto. A cada ano, são feitos os seguintes plantios: soja com sobressemeio de capim braquiária ruziziensis, milho consorciado com capim braquiária brizanta e sorgo forrageiro com capim mombaça. O capim mombaça constitui a pastagem de primavera-verão destinada aos animais na recria, sendo subdividida em cinco piquetes de 1,1 hectare cada, utilizados em sistema de pastejo rotacionado. 

Os bezerros ficam de julho até o início do período das águas nas glebas de braquiária e depois vão para os piquetes rotacionados de capim mombaça. Esse sistema suporta os animais até maio ou junho do ano seguinte, quando entram para o confinamento. A soja, o milho e o sorgo são usados como alimentos na fase de terminação, tanto como silagem quanto como grãos na elaboração de concentrado. O experimento já vem sendo conduzido há 14 anos por uma equipe coordenada pelo pesquisador Ramon Costa Alvarenga, da Embrapa Milho e Sorgo.

Pastagens em sistema de integração

O plantio das culturas em cada gleba é feito de forma rotacionada. Assim, na gleba onde foi plantada soja no ano anterior, será feita a lavoura de milho-capim. Onde foi milho com braquiária será sorgo com capim. Onde foi sorgo-mombaça será pastagem; e onde foi pastagem será soja. 

O sistema de rotação oferece vantagens tanto para a agricultura quanto para a pecuária. No caso das lavouras, a rotação e a sucessão com capim melhora a estrutura do solo, promove maior aproveitamento de nutrientes, inclusive a reciclagem, diminui a pressão de pragas e aumenta a matéria orgânica, a disponibilidade de água no terreno e a quantidade de palhada, indispensável ao sistema de plantio direto. 

Para a pecuária, os nutrientes residuais das fertilizações das lavouras possibilitam a produção de forragem, especialmente no período da seca, a recuperação da produtividade da pastagem e a economia na implantação das áreas de pastejo.

A ILP intensifica o uso da propriedade e reduz os custos de produção, além de aumentar a estabilidade de renda do produtor. “Mesmo com as condições de distribuição irregular de chuva na região, temos conseguido produções satisfatórias em sistema de sequeiro”, mostra o pesquisador Ramon Alvarenga, reforçando as vantagens do plantio direto e da integração.

Tendência no mercado brasileiro

O sistema intensivo de engorda atende ao mercado de carnes premium, em que é oferecido um animal com bom acabamento de carcaça e abatido precocemente. Se atendidas essas exigências, o produtor consegue um preço melhor pelo produto. A iniciativa é da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), sendo que protocolos de rastreabilidade com menção de raças bovinas nos rótulos conferem uma certificação ainda maior à carne, pois são informadas as garantias que serão repassadas ao serviço de inspeção.

As carnes premium são tendência no mercado brasileiro. Para abastecer esse setor, de acordo com o médico veterinário Fabiano Alvim, da empresa De Heus Animal Nutrition, que atua na promoção da cadeia produtiva da pecuária, é necessário investir em nutrição e genética, além de se buscar um manejo eficiente de pastagens, com técnicas de semiconfinamento ou confinamento. “Por melhor que seja o manejo da pastagem, o pecuarista não consegue abater esse boi com menos de três anos. É aí que entram essas duas ferramentas, de semiconfinamento ou confinamento. Dessa forma, conseguimos antecipar o abate dos animais, com maior peso, oferecer um rendimento de carcaça bem acima dos 50% e aumentar a eficiência do sistema”, explica o veterinário.
 

Foto: Guilherme Viana
Guilherme Viana (MG 06566 JP)
Embrapa Milho e Sorgo

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Simpósio apresenta estratégias e desafios em sistemas integrados de produção – 09/10/2019

Sistema de ILPF

Estão abertas as inscrições para o V Simpósio de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) do Estado de São Paulo. O evento, realizado pela Embrapa Pecuária Sudeste e pelo Grupo de Estudos Luiz de Queiroz (GELQ – Esalq/USP), ocorre nos dias 29 e 30 de novembro em São Carlos (SP).

São oferecidas 160 vagas. As inscrições podem ser feitas aqui.
O simpósio vai apresentar e discutir as principais metodologias, inovações e soluções da ILP e da ILPF para ampliar a adoção e promover o manejo adequado desses sistemas de produção.

No primeiro dia, os participantes vão receber informações sobre adoção de sistemas integrados no Brasil, ILPF nos solos arenosos do Oeste Paulista, estratégias e desafios para intensificação sustentável do uso do solo, conforto térmico de bovinos em pastagens arborizadas e sustentabilidade da pecuária com ILPF. No dia 30, pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste vão demonstrar na prática a intensificação sustentável em sistemas de ILPF.

Sistemas integrados

Reúnem na mesma área diversas culturas, como grãos, carne, leite, energia e madeira.

A ILPF proporciona bem-estar animal, diversifica a produção, melhora a renda do pecuarista e diminui riscos financeiros. Além disso, tem
potencial para recuperar áreas degradadas, reduzir a emissão de gases de efeito estufa e desenvolver pastagens com melhor qualidade.

Não existe um modelo único, por isso é importante que o produtor conheça as possibilidades e busque a melhor alternativa de acordo com seu perfil, potencial da região e demandas de mercado.

Atualmente, existem linhas de financiamento específicas para a adoção dos sistemas de integração, como do Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC). O Plano ABC incentiva a implantação de modelos agropecuários sustentáveis. Além de linhas de créditos, promove ações de capacitação de técnicos e produtores para a ampliação da integração.

Serviço

V Simpósio de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) do Estado de São Paulo
Vagas: 160
Data: 29 e 30 de novembro de 2019
Informações: pecuaria-sudeste.eventos@embrapa.br

29 de novembro
Embrapa Instrumentação – Rua XV de novembro, 1452 – Centro.
Horário: 8h às 18h.

30 de novembro
Embrapa Pecuária Sudeste – Rodovia Washington Luiz, km 234.
Horário: 8h às 12 horas.

 

Foto: Juliana Sussai
 
Gisele Rosso (MTb/3091/PR)
Embrapa Pecuária Sudeste

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Publicação da Embrapa mostra que soja brasileira tem tecnologia para aumento de produção sem pressão por áreas de florestas – 26/09/2019

A soja, um dos principais carros-chefes da economia brasileira, fator de desenvolvimento de várias regiões do país e fonte de proteína que serve de base para produção animal e alimentação humana, tem seu sistema de produção consolidado e claramente ancorado em tecnologias que permitem produzir com sustentabilidade, sem aumento de pressão sobre áreas de florestas, mesmo considerando os cenários de aumento de demanda do grão nos próximos anos.

A análise integra um estudo conduzido por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que discutiu as perspectivas de crescimento da produção brasileira de soja e os fatores que serão decisivos na evolução do atendimento às demandas internacionais. O estudo foi lançado nesta quarta-feira, 25 de setembro, pela Embrapa Soja, durante o seminário: “Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja”, realizado em Londrina-PR. 

Com o título “O aumento da produção brasileira de soja representa uma ameaça para a floresta amazônica?”, o estudo procurou analisar se as perspectivas de aumento de demanda global, especialmente decorrente da guerra comercial entre EUA e China, poderiam causar maior pressão sobre a floresta amazônica, como tem sido sugerido no ambiente internacional. “Apesar da extensão de área ocupada atualmente, em torno de 36 milhões de hectares, e das perspectivas de crescimento da demanda, o aumento da produção de soja é um dos grandes desafios para o país, o que vai requerer engajamento de toda a cadeia produtiva. O Brasil tem uma agenda clara de pesquisa para garantir o crescimento sustentável dessa produção, que vai ocorrer primariamente em áreas já ocupadas por pastagens, que serão liberadas pelo contínuo desenvolvimento dos parâmetros zootécnicos da produção animal e pelo aumento da produtividade dentro do próprio sistema de produção de soja”, explica José Renato Bouças Farias, chefe-geral da Embrapa Soja.  

“O Brasil tem mapeado sistematicamente e projetado vários cenários internacionais de demanda do mercado de soja para as próximas décadas e desenvolvido estratégias para alcançar esses cenários de uma maneira sustentável”, explica Décio Gazzoni, pesquisador da Embrapa Soja e um dos autores do estudo. “O cultivo da soja no bioma Amazônico está absolutamente fora de qualquer cenário de expansão do volume de soja produzido no país, não apenas pelas questões ambientais e restrições legais, mas também por questões econômicas, de logística, técnicas e financeiras”, aponta. Nem mesmo a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que provoca aumento da demanda da soja brasileira, afeta essa tendência. 

Na análise dos pesquisadores da Embrapa, não há razões para associar a guerra comercial EUA-China ao aumento de áreas de soja na região amazônica. Uma análise dos mecanismos de mercado mostra que os estoques de soja podem subir ou descer devido a razões de curto prazo ou estruturais, afetando os preços. “É importante identificar se um sinal de preço está ancorado em razões conjunturais ou estruturais. O que se observa em relação ao momento atual é que os países estão reorganizando seus fluxos de exportação. É um momento de reacomodação de mercado.  O sinal não envolve um novo patamar de demanda por si mesmo. Representa apenas a reorganização dos fluxos de exportação. No final, novos fluxos comerciais serão estabelecidos, com um rearranjo entre países exportadores e importadores”, explica Gazzoni. Se o Brasil quiser redirecionar suas exportações para a China, abre-se uma oportunidade de mercado com a UE, rapidamente capturada pelos EUA e isso não implica na abertura de novas áreas. Além disso, a China está reduzindo suas importações de soja, por várias razões, mas especialmente porque o país está enfrentando uma redução na produção de suínos devido a razões sanitárias.

Além de preservar e manter a floresta como patrimônio nacional, o Brasil detém domínio tecnológico para dobrar a produção atual nas áreas que já cultivam soja ou recuperando áreas de pastagens degradadas. “A tecnologia de produção de soja tropical é baseada no uso intensivo de tecnologias de produção. Os incrementos da produção brasileira nos últimos anos estão diretamente associados às novas recomendações de manejo da cultura, ao potencial genético de cultivares e às novas perspectivas abertas pela combinação de áreas de pastagens degradadas em sistemas mais eficientes por meio da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF)”, explica Alexandre Cattelan, pesquisador da Embrapa Soja, co-autor do trabalho. “O crescimento do volume de produção está muito mais baseado no incremento de produtividade do que no aumento da área plantada e seguirá assim: o produtor brasileiro vem aumentando a eficiência produtiva fazendo ajustes em seus sistemas de produção e conseguido melhores resultados.”, destaca.

O estudo mostrou que a cadeia de soja está bem organizada e em alto nível tecnológico, não havendo necessidade de expansão de áreas de cultivo de soja na Amazônia. Casos práticos, como o desafio de produtividade promovido pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), mostram produtores alcançando recordes de produtividade em áreas bem manejadas. Em 2016/17, o vencedor do desafio alcançou uma produtividade 117% superior à média nacional. O atual recorde de produtividade de soja é de 2015 e foi de 8.520 kg/ ha, um número muito expressivo e 185% superior à média nacional. “Esses dados mostram o enorme potencial de aumento da produção nacional dentro das áreas atuais de produção”, explica Gazzoni.

O estudo conduzido pelos pesquisadores da Embrapa também comparou dados de desmatamento na região amazônica e a expansão da área usada para produção de soja no período de 2005 a 2018. “Os dados mostram que, o crescimento da área de soja ocorreu ao mesmo tempo em que houve redução do desmatamento. Isso indica que a incorporação de novas áreas tem ocorrido principalmente em áreas de pastagem”, explica Cattelan. De acordo com os pesquisadores, além do país possuir uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo, a própria iniciativa privada estabeleceu rigorosos compromissos com a preservação do bioma amazônico. “A exploração dessas áreas para soja não são adequadas nem ambientalmente e nem economicamente. Produtores enfrentam dificuldades enormes desde a recepção de insumos até a comercialização da soja, onde as grandes traders não recebem a soja que não atende os parâmetros da moratória”, explica Gazzoni.

Além de olhar para cenários futuros, o estudo também mostrou que as tecnologias atualmente disponíveis já permitem o incremento da produtividade e favorecem a sustentabilidade dos sistemas de produção comerciais de soja. O estudo aponta que, nas últimas décadas, o Brasil basicamente incrementou sua produção agrícola de outras formas – e não pelo desmatamento – e esses fatores-chave seguirão como norteadores da expansão da produção nas próximas décadas. Entre os exemplos apontados pelo crescimento sustentável da produção estão as tecnologias que permitiram melhoria das pastagens pela inserção da agricultura na recuperação do solo, entre eles o iLPF, estimado em  11,5 Mha em 2016. Outra inovação da agricultura tropical foi o processo de intensificação agrícola, ou seja, o uso de dois, às vezes três, ciclos de cultivo por ano, na mesma área (safra e safrinha), o que implica reduzir a área necessária para a mesma produção agrícola, também chamado de “efeito poupa-terra”.

 “O Brasil é um exemplo de eficiência produtiva com preservação. O sistema de produção está ancorado em tecnologias que são ambientalmente favoráveis, como a fixação biológica do nitrogênio (que dispensa adubo nitrogenado e por isso diminui as emissões de gases de efeito estufa e a contaminação de lençóis freáticos com nitratos), o plantio direto (que conserva o solo, retém água e fixa carbono), técnicas de manejo integrado de pragas e doenças, que formam um conjunto de tecnologias que reduzem, inclusive, a emissão de carbono na atmosfera”, explica o pesquisador Marco Nogueira, também autor do estudo. 
A tecnologia de produção brasileira está entre as mais avançadas do mundo. A agricultura tropical é um desafio, pois ao contrário dos países de clima temperado, não ocorre a redução da pressão fitossanitária naturalmente provocada durante o inverno. “Por isso, o Brasil precisou criar sua própria tecnologia de produção, que o torna líder em sistemas de produção sustentável em regiões tropicais. A agricultura brasileira está fortemente ancorada em um sistema de pesquisa agrícola que gera ciência e conhecimento que orientam a expansão de forma eficiente e sustentável da produção brasileira. 

O estudo completo está disponível em português e em inglês no site da Embrapa Soja: www.embrapa.br/soja

Versão português: https://www.embrapa.br/soja/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1111915/o-aumento-da-producao-brasileira-de-soja-representa-uma-ameaca-para-a-floresta-amazonica

Versão inglês: https://www.embrapa.br/soja/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1111175/does-the-brazilian-soybean-production-increase-pose-a-threat-on-the-amazon-rainforest

 

Carina Rufino (MTB 3914-PR)
Embrapa Soja

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