Maior publicação sobre ILPF é lançada no Brasil – 30/09/2019

E-book tem 50 capítulos, 170 autores (nacionais e internacionais), de instituições públicas e privadas, e quase 900 páginas.

Nas mais de 800 páginas, o leitor fará uma imersão nos conceitos dos sistemas de integração

A Embrapa disponibiliza a partir desta terça-feira, 1º de outubro, gratuitamente, o e-book “ILPF – inovação com integração de lavoura, pecuária e floresta”. A obra editada pelos pesquisadores Davi José Bungenstab, Roberto Giolo, Valdemir Laura, Luiz Carlos Balbino e André Dominghetti é a maior sobre o tema voltada à agricultura tropical. Ela conta com 50 capítulos, 170 autores (nacionais e internacionais), de instituições públicas e privadas, e em quase 900 páginas reúne o que há de mais atual em relação aos sistemas integrados de produção, de forma objetiva e abrangente.

“Procuramos apresentar um panorama para as condições brasileiras e iniciativas internacionais relacionadas. A iniciativa nacional de incentivo aos sistemas de integração só é possível neste País, com maior eficiência de uso da terra e de recursos, e com a possibilidade de produzir até três safras ao ano”, afirma Roberto Giolo, um dos editores técnicos. A Empresa brasileira, por sua vez, é uma das pioneiras na tecnologia de sistemas integrados, sendo que o contexto de sustentabilidade agropecuária sempre esteve no escopo de seus projetos em quatro décadas. “Muitas vezes isolado, mas aos poucos se percebeu que esse contexto holístico é cada vez  mais necessário e, gradativamente, alinhamos tantas tecnologias a essa visão”, complementa Balbino, pesquisador com 25 anos de experiência no assunto.  

O esforço dos especialistas é uma prova de que a agricultura tem que se adaptar aos territórios, as adversidades climáticas, geográficas, sociais, gerar qualidade de vida, suprir necessidades nutricionais e ofertar experiência tanto pelo aspecto alimentar quanto pelo prazer do alimento. “Mas, sobretudo promover sustentabilidade: poupando terra, estocando carbono, conservando e produzindo água e ofertando serviços ambientais e os sistemas integrados possuem tais características e contribuem com benefícios para além da produtividade e da produção”, enfatiza o diretor de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Cleber Oliveira Soares. Ele reforça que a sustentabilidade será a moeda do futuro e as instituições serão cobradas pelo consumidor e pela sociedade em gerar ativos tecnológicos sustentáveis.

Secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Ministério da Agricultura, Pecuária de Abastecimento (MAPA), Fernando Silveira Camargo frisa ainda que o desenvolvimento tecnológico depende da inovação e essa, para ser efetiva e duradoura, precisa ser embasada em conhecimento sólido e comprovado. Para Camargo, a publicação além de estar nesse contexto, demonstra o esforço contínuo e conjunto dos cientistas.

 

Publicação
A primeira versão do livro foi em 2011. Devido à procura, a segunda edição ampliada já foi lançada em 2012 e, em 2014, chegou a versão em inglês. Nas mais de 800 páginas, o leitor fará uma imersão nos conceitos dos sistemas de integração, com os recentes resultados de pesquisa, obtidos em experimentos a campo.

A primeira parte do livro levanta temas estratégicos sobre o agronegócio, a contribuição para a neutralização de carbono, a intensificação e o papel dos sistemas integrados. A segunda engloba os diversos componentes do sistema e seus impactos na melhoria do processo produtivo. “É uma abordagem prática, que vai de instruções de como estabelecer árvores a sugestão de métodos para realizar a análise financeira e planejamento de fluxo de caixa”, observa o editor Davi Bungenstab. 

Já a terceira parte apresenta os sistemas nos principais Biomas brasileiros, com casos de sucesso e participação de produtores rurais inovadores, de todas as escalas de produção. Por fim, o último bloco traz o potencial desses modelos na África, na Europa e América do Sul.

Entre produção, edição e finalização, foram doze meses de dedicação, que envolveram as equipes da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS), Acre (Rio Branco-AC) e Amazônia Oriental (Belém-PA). 

Balbino lembra que para ampliar a adoção dessas tecnologias as parcerias público-privada e público-pública, como universidades e órgãos estaduais de pesquisa, são fundamentais. A publicação, em si, traz isso como pode ser utilizada em capacitações. Ela agregou especialistas de entidades como Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais, Universidade Federal da Grande Dourados (MS), Universidade Estadual de Goiás, Universidade Federal de Viçosa, Universidade de Boston (EUA), Universidade de Hohenheim (Alemanha), Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Humboldt-Universität zu Berlin (Alemanha), Universidade de Extremadura (Espanha), Integrated Crop-Livestock Systems Network of the Global Research Alliance, Faculdade de Ciências Agronômicas (Unesp-SP), dentre outras. 

“Trabalhar a adoção passa por fazer a tecnologia conhecida e vale ressaltar que esta não é a versão final do livro, ainda temos resultados a trazer nos próximos anos”, assinala o engenheiro agrônomo.

 

Destaques

Ao trazer para as páginas do E-book os modelos de outros países, os autores querem abrir o setor produtivo e a pesquisa às oportunidades existentes. Na Península Ibérica, por exemplo, as alterações climáticas afetarão tanto os sistemas florestais como agrícolas é o que afirma a pesquisadora do Instituto Politécnico de Bragança (Portugal), Marina Castro. Sendo assim, a implementação dos sistemas de integração, conhecido há mais de 20 anos na região, “otimizará o uso de recursos, tornando-se uma ferramenta eficiente e inovadora devido ao conjunto de respostas associadas à sustentabilidade que permite”.

A zootecnista comenta que os países mediterrâneos encaram os incêndios florestais com certa frequência, por razões naturais, como presença de vegetação inflamável; socioeconômicas, como o êxodo rural; e as mudanças climáticas, propriamente ditas. Os modelos integrados tendem a reduzir a combustão e para ela é preciso mostrar aos produtores florestais que o pastoreio de seus bosques é positivo, pois reduz riscos e ameaças ao rendimento da atividade. Entretanto, de acordo com Rosa Mosquera, professora da Universidade de Santiago de Compostela e ex-presidente da Federação Europeia de Sistemas Agroflorestais, a adoção não é fácil. Pesquisa da AFINET (Agroforestry Innovation Network), com mais de 300 agricultores em toda Europa, revelou que os maiores obstáculos para a implantação, segundo eles, são recursos financeiros, políticas públicas, capacitação e suporte técnico. 

Já a Colômbia, com grande variedade de zonas climáticas, tem investido nos últimos anos nos sistemas silvipastoris para pecuária de corte e/ou leiteira, segundo o pesquisador Luis Alfonso Valderrama da Universidade Nacional da Colômbia. Apesar da carência de informações técnicas de longo prazo, o zootecnista acredita que os estudos recentes permitirão aumentar e melhorar o conhecimento sobre as interações entre os componentes arbóreo-pastagem-solo-animal. 

Outro destaque na obra é em relação à dinâmica da água. Avaliações nos campos experimentais da Embrapa em Campo Grande (MS) tiveram como objetivo analisar a dinâmica espacial e temporal da água no solo de um sistema de ILPF de 7-8 anos. O sistema estudado mostrou sazonalidade distinta induzida pelas estações seca e chuvosa e a equipe da Universidade de Hohenheim (Alemanha) frisa que o trabalho mostrou a complexidade da atividade, o que exigirá análises profundas para se obter um cenário dessa dinâmica e preencher lacunas ainda existentes. 

Por último, a obra mostra a ascensão de marcas-conceito, como Carne Carbono Neutro (CCN), que futuramente se tornará Plataforma de Pecuária de Baixo Carbono. Os protocolos de certificação brasileiros, ativos desses conceitos, se tornarão marca registrada do produto nacional. 

 

Lançamento

O e-book “ILPF – inovação com integração de lavoura, pecuária e floresta” será lançado durante o Congresso Mundial da IUFRO (International Union of Forest Research Organizations) no dia 1º de outubro, no Side Events ILPF, no Small Theater. O Congresso acontece em Curitiba (PR) até o dia 5 e é coordenado pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e Embrapa.

 

Acesso

E-book “LPF – inovação com integração de lavoura, pecuária e floresta” disponível para download aqui.

 

Foto: Capa: Vítor Lobo

Colaboração: 

Gabriel Faria (MTB 15.624 MG JP), agrossilvipastoril.imprensa@embrapa.br
Embrapa Agrossilvipastoril

 
 
Dalízia Montenário de Aguiar (MTb 28/03/14/MS)
Embrapa Gado de Corte

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Embrapa investe em tecnologia para levar mais produtividade ao campo – 05/10/2019

Para trazer mais agilidade ao produtores e aumentar a produtividade, a Embrapa vem criando tecnologias que facilitam o planejamento e a tomada de decisão. Um exemplo são os softwares da família SIS, que são usados em larga escala em plantios florestais homogêneos e são disponibilizados gratuitamente no site do órgão. Em média, a Embrapa Florestas registra de 200 a 300 downloads por mês, por empresas brasileiras e do exterior e um público variado, formado por estudantes, engenheiros agrônomos, florestais e ambientais, consultores, pesquisadores e diretores ligados ao ramo florestal.

Segundo Edilson Batista de Oliveira, pesquisador da Embrapa Florestas, os softwares são bastante populares e têm uma série de aplicações, como avaliação técnica e econômica, certificação, carbono, ILPF, inventário florestal, manejo integrado de pragas, manejo florestal sustentável e planejamento florestal. Também servem para simular, por exemplo, crescimento e produção anual sem desbaste e com desbastes. Eles são utilizados para fazer simulações para manejo florestal de precisão.

“Antes, não se sabia o que poderíamos ter de resposta com um determinado tipo de manejo. Mas, agora, o programa dá o sortimento da madeira com base em tudo o que é colhido. Basta colocar dados do inventário e manejo e o programa gera diversas tabelas, entre elas a de sortimento, por classe de diâmetro”, explicou.

Dentro da tecnologia, disponível para inúmeras espécies, é possível encontrar diversos itens, como manual, análise econômica, sistema de produção e renda, equações para sortimento, vídeo e explicações sobre os softwares. Além disso, foram acrescentados diagramas de manejo por densidade, com a contribuição de uma turma da Universidade de Santa Maria. Assim, pode-se obter uma faixa que mostra o máximo que é recomendável para ter um povoamento para fazer desbaste e também o mínimo, isso em função de buscar um manejo priorizando a produção de toras pra finalidade industrial ou serraria.

Outra ferramenta disponível é o SATVeg (Sistema de Análise Temporal da Vegetação), também de uso gratuito, destinado à observação e análise de perfis temporais de índices vegetativos (NDVI e EVI), que expressam as variações da biomassa vegetal na superfície terrestre ao longo do tempo, oferecendo apoio a atividades de monitoramento agrícola e ambiental. Os índices gerados permitem ao usuário observar o comportamento da vegetação na superfície terrestre ao longo do tempo. O SATVeg fornece apoio na identificação do uso e cobertura da terra, bem como suas transições ao longo do tempo. “Esses índices auxiliam o governo com relação à legislação ambiental, como por exemplo no acompanhamento do reflorestamento pelo Novo Código Florestal”, destacou Vinícius Kuromoto, analista de transferência de tecnologia da Embrapa Informática Agropecuária.  

Ainda segundo Kuromoto, também foi criado, em uma parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Ministério do Meio Ambiente, o GeoPortal TerraClass, um ambiente virtual que organiza informações de uma série de mapeamentos realizados pelo projeto de pesquisa TerraClass nas áreas desmatadas do bioma Amazônia. Com a ferramenta, é possível identificar e analisar as dinâmicas do uso da terra na região, permitindo, de maneira rápida, compreender os principais fatores que determinam as mudanças naquele bioma, trazendo maior clareza à criação e execução de políticas públicas voltadas à região.

“Dentro do GeoPortal Terraclass, existe o serviço chamado Webgis Terraclass, que é um sistema que permite ao usuário visualizar e manipular mapas da série histórica do projeto Terraclass de maneira interativa, rápida e fácil”, complementou.

Com relação à arborização de pastagem, a Embrapa, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), desenvolveu o Arbopasto, um aplicativo que auxilia o produtor a escolher as espécies de árvore mais adequadas a cada pastagem. A tecnologia disponibiliza informações de 51 espécies arbóreas nativas da Amazônia Ocidental de forma rápida, por meio de uma série de funcionalidades, como filtros de busca para a procura por espécies considerando suas principais características. A ferramenta está disponível no GooglePlay, para dispositivos que operam com Android, e também pode ser acessado na internet por celulares, tablets, computadores e até Smart TVs com qualquer sistema. Ana Karina Salman, pesquisadora da Embrapa Rondônia, disse que “o Arbopasto é uma ferramenta indispensável para técnicos e produtores rurais planejarem a introdução do componente arbóreo em área de pastagem com as espécies mais adequadas”.

No campo da erva-mate, existem três aplicativos disponíveis: o Planin-Matte, que faz análise econômica dos plantios no Sul do Brasil; o Manejo-Matte, que tem a função de realizar diagnósticos de ervais plantados e sugerir melhorias no manejo; e o Ferti-Matte, que, a partir das informações da análise do solo adicionadas à ferramenta, faz a interpretação dos dados e entrega um cálculo sobre a recomendação dos macro nutrientes que determinado plantio necessita.  

De acordo com Ives Goulart, engenheiro agrônomo do setor de Inovação da Embrapa, no Planin-Matte, o técnico ou o produtor vão ao campo, analisam o talhão e respondem a perguntas práticas e objetivas sobre aquele talhão. A partir daí, o aplicativo processa os dados e prepara um diagnóstico, apontando quais são as melhorias que o produtor pode fazer no talhão. “Com esses aplicativos voltados para a erva-mate, o produtor consegue fazer toda a gestão dos plantios, ganhando tempo e aumento de produtividade”, garantiu Goulart.   

Confira os softwares disponíveis em http://www.cnpf.embrapa.br/software/

Acesse o SATVeg em https://www.satveg.cnptia.embrapa.br/

Conheça o GeoPortal TerraClass em https://www.terraclass.gov.br

Saiba mais sobre o Planin-Matte, Manejo-Matte e o Ferti-Matte em https://www.embrapa.br/en/florestas/transferencia-de-tecnologia/erva-mate/aplicativos

 

Pré-lançamento do livro sobre os 40 anos de pesquisa com eucalipto pela Embrapa Florestas acontece na IUFRO 2019 – 05/10/2019

Na sexta-feira (04/10), dentro da programação do XXV Congresso Mundial da IUFRO, a Embrapa Florestas vai realizar o pré-lançamento do livro “O eucalipto e a Embrapa: 40 anos de pesquisa e desenvolvimento”, para evidenciar o enorme potencial de retorno de investimentos financeiros em pesquisas que permitem gerar tecnologias para o uso sustentável da terra. O pré-lançamento será no Espaço Brasil, às 13h20.

A publicação, organizada pelos pesquisadores da Embrapa Florestas Edilson Batista de Oliveira e José Elidney Pinto Júnior, relata os 40 anos de esforços do órgão no processo de construção e oferta de conhecimento sobre o uso de espécies de eucaliptos e corímbias em plantios para fins comerciais e ambientais, além de seus benefícios sociais.

São mais de 30 capítulos, com muitas ilustrações gráficas e estatísticas, e cada capítulo apresenta uma síntese de atividades e ações desenvolvidas, com os resultados e inovações da pesquisa da Embrapa Florestas e de seus parceiros, bem como detalhes sobre novas tecnologias. Nas mais de 800 páginas, com assuntos variados e de grande atualidade para ajudar nas atividades profissionais, a publicação destaca, entre outras coisas, a estruturação da Embrapa para a pesquisa florestal e os inúmeros temas estudados, como produção de sementes e mudas, reintrodução do eucalipto no Brasil, softwares para manejo de precisão de eucaliptos em monocultivo, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e serviços ecossistêmicos do eucalipto. Além disso, o livro também mostra os avanços nas aplicações operacionais da análise genômica relacionados com eucaliptos e aborda as mudanças climáticas, emissões de gases de efeito estufa e as suas interações com cultura do eucalipto.

“Trata-se de uma excelente ferramenta para balizar o trabalho dos profissionais do setor florestal e serve também para mostrar que vale a pena investir na pesquisa florestal, pois a publicação mostra resultados concretos e significativos, como o fato de que de que as produtividades de plantios comerciais de eucaliptos no Brasil são as maiores do mundo, superando 40 metros cúbicos de hectares ao ano. O livro é, sem dúvida, um universo de tecnologias florestais relacionadas a eucalipto que pode ajudar no dia a dia do trabalho”, conclui Edilson Batista de Oliveira, pesquisador da Embrapa Florestas.

Realizado pela primeira vez na América Latina, o IUFRO2019 foi promovido pela Embrapa, Serviço Florestal Brasileiro e IUFRO.
 
Maureen Bertol (MTb8330)
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Prefeito de Curitiba pretende utilizar aplicativo da Embrapa nas escolas – 02/10/2019

O anúncio foi feito por Rafael Greca durante visita a exposição no XXV Congresso Mundial da IUFRO na manhã desta quarta-feira. O cubo com o Sistema Integração Lavoura Pecuária Floresta de realidade aumentada foi apresentado ao prefeito pelo jornalista José Heitor Vasconcellos, analista da Embrapa Milho e Sorgo. Imediatamente, Greca quis saber se poderia utilizar nas escolas. “Vamos trabalhar a Educação Ambiental com as crianças nas escolas de Curitiba com este aplicativo”, disse o prefeito com entusiasmo.

A cubo de realidade aumentada é feito de papel e utilizado juntamente com um aplicativo que pode ser baixado gratuitamente em dispositivos móveis. O cubo é uma das atrações do estande da Embrapa localizado no Espaço Brasil no XXV Congresso Mundial da IUFRO. No local, o visitante pode ainda fazer um passeio virtual por uma propriedade com sistema ILPF. Aproximadamente duzentas já passaram pela experiência sensorial de andar num pasto degradado, caminhar entre o gado e vivenciar o conforto térmico proporcionado pelas árvores.

Rafael Greca ficou por cerca de duas horas na exposição temática de produtos, tecnologias e serviços disponíveis no setor florestal. Percorreu todos os estandes ocupados pelos treze artesãos da prefeitura, conheceu tecnologias geradas por instituições públicas, recebeu mimos e comprou  uma escultura de um anjo barroco talhado em madeira feito pelo artesão Gilson Firmino, de Taboão da Serra, SP. “

Curitiba terá um shopping da madeira
O espaço é uma promessa do prefeito artesãos curitibanos que participam da exposição no parque de eventos. Greca disse que a ideia é criar o uma espécie de shopping no Largo de São Francisco, no centro histórico, com uma exposição permanente. “Curitiba é a cidade mais sustentável do Brasil, temos florestas famosas e temos um amplo setor de exploração sustentável. Precisamos fazer isto virar uma atração turística”, afirmou o prefeito.

Para  Greca, o XXV Congresso propiciou uma amostra da economia criativa que existe em Curitiba, e no Paraná, e deixou ainda lição de que o uso sustentável das florestas é possível.  “As árvores são a eternidade e a beleza da natureza, mas também podem ser transformadas em bens e serem apropriadas pelo homem, desde que exista inteligência em manejo florestal”, disse.

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Estudantes de Curitiba visitam exposição do maior congresso de pesquisa florestal do mundo – 02/10/2019

Nesta quinta-feira, cerca de 600 estudantes de escolas públicas e privadas de Curitiba visitarão a exposição montada no XXV Congresso Mundial da União Internacional das Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO), que está sendo realizado na Expo Unimed. Serão 300 alunos no período da manhã e outros 300 durante a tarde.

Na visita os estudantes poderão conhecer um pouco sobre a importância das árvores e florestas e como a pesquisa científica atua visando a produção de madeira e de produtos não madeireiros, garantindo a conservação florestal.

Uma das atrações da exposição é o espaço Brasil, que mostra o que as instituições brasileiras de pesquisa florestal estão fazendo, como projetos de atuação em rede, parcerias internacionais, entre outros. Nesse estande, há também um túnel de realidade virtual onde é possível conhecer os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) de uma maneira lúdica e sensorial.

Além desse estande, a feira conta, ainda, com um espaço de sociobiodiversidade, que traz informações e produtos de todos os biomas brasileiros (Cerrado, Amazônia, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa); a mostra “Madeira e Arte”, com a exposição de trabalhos de artistas e artesãos curitibanos com matéria-prima florestal; a mostra fotográfica “Mulheres na floresta”; e o espaço Curitiba, idealizado pelo Instituto Municipal de Turismo.

Há ainda um estande apresentando a cidade de Estocolmo, capital da Suécia, que será a próxima sede do congresso.

Durante a visita, as crianças poderão ver também uma araucária de 25 anos, com cerca de um metro de altura. Este é o único bonsai do mundo desta espécie.    

A visita escolar ocorre no dia em que os 2.500 participantes do congresso estarão acompanhando visitas técnicas em áreas de produção, empresas do setor florestal, florestas e parques. 

O congresso mundial de pesquisa florestal tem organização local da Embrapa e do Serviço Florestal Brasileiro e promoção internacional da IUFRO. O evento está sendo realizado pela primeira vez na América Latina.  

Foto: La Imagem 

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Pesquisadores apresentam Zoneamento de Risco Climático para plantio de soja no Acre – 01/10/2019

Uma equipe técnica da Embrapa divulgou, em setembro, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) da Soja no Acre para produtores e técnicos rurais. A ferramenta tem como objetivo minimizar os riscos relacionados aos fenômenos climáticos extremos e permitir aos municípios identificar a melhor época de semeadura e plantio do grão nos diferentes tipos de solo e regiões do estado.  

Os produtores rurais acreanos têm apostado no cultivo de soja como forma de recuperar pastagens degradadas. Na safra 2018/2019, foram cultivados 1.700 hectares; e na safra 2019/2020, a área deve superar 2.000 hectares, conforme dados levantados pela Embrapa Acre.

O Zoneamento de Risco Climático é um instrumento de política agrícola e gestão de riscos na agricultura que subsidia financiamentos. “Há a necessidade de disponibilizar dados atualizados sobre clima e solo para a tomada de decisão por parte dos produtores rurais quanto à época de semeadura, com o objetivo de diminuir perdas e aumentar a produtividade da cultura”, afirma o pesquisador da Embrapa Acre, Idesio Franke. 

No Acre, as regiões que possuem cultivos de soja apresentam aptidão de solo para a produção mecanizada. Contudo, existe a demanda em discutir aspectos relacionados às janelas de semeadura em função da textura do solo e condições de clima, em particular ao regime de chuvas, para evitar que adversidades climáticas coincidam com fases sensíveis das culturas.

Reunião Técnica 

Produtores, técnicos rurais e pesquisadores da Embrapa Acre se reuniram, no dia 17 de setembro, na Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Acre, para discutir datas ou períodos de semeadura da cultura como forma de divulgar e buscar subsídios para atualizar o Zarc para o cultivo da soja (safra convencional) com foco nas regionais de desenvolvimento Alto e Baixo Acre. 

Com a opção de adiantar ou atrasar o cultivo, a decisão dos produtores quanto à época do plantio de soja leva em consideração a possibilidade e a necessidade da entrada e circulação de máquinas nas áreas de plantio para obtenção da máxima produtividade. 

“Entre as demandas dos produtores está a necessidade de ter disponíveis máquinas e implementos agrícolas em condições adequadas nas diversas etapas do cultivo, em especial na semeadura e na colheita, para aproveitar ao máximo as janelas no calendário do ano agrícola para a realização das etapas do cultivo da soja”, declara Franke. 

ILPF

A Integração Lavoura Pecuária (ILP) foi apontada pelos produtores rurais como sistema importante para os estudos de Zarc. Segundo o pecuarista Assuero Veronez, o cultivo de soja proporcionará redução nos custos de produção e aumento da renda. “A soja é importante na produção de ração para bovinos por reduzir os custos do semiconfinamento e viabilizar uma pecuária rentável”, declara.

Zarc

Coordenado pela Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP), o Zarc contém recomendações aos produtores para que estes façam jus ao Seguro Rural denominado Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), ao Proagro Mais e à subvenção federal ao Prêmio do Seguro Rural, desde que o produtor observe as recomendações do Zoneamento.

No Acre, os estudos iniciaram em 2016, por meio de um Termo de Execução Descentralizada, firmado entre a Embrapa e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que contempla culturas prioritárias para a economia local.

No Zarc são analisados os parâmetros de clima, solo e ciclos das cultivares, além de serem quantificados os riscos climáticos envolvidos na condução das lavouras que podem causar perdas na produção. A metodologia é validada pela Embrapa e adotada pelo Mapa. O resultado do estudo é publicado por meio de Portarias da Secretaria de Política Agrícola do Mapa, separado por cultura e Unidade da Federação, contendo a relação de municípios indicados e seus respectivos calendários de plantio ou semeadura.

 

Soja no Acre

Além do aumento das áreas cultivadas, o rendimento médio da lavoura também melhorou. Em 2017 foi de 2.055 quilos por hectare, já na safra de 2018 o rendimento produtivo aumentou para 2.938 quilos por hectare, com a produção de 1.410 toneladas em 480 hectares, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

O Valor Bruto da Produção (VBP) de soja no Acre, de janeiro a abril de 2019, foi de R$ 1,6 milhão, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 
 

Foto: Idesio Franke
Priscila Viudes (Mtb 030/MS)
Embrapa Acre

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Colaboração: Pâmela Celina
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Iufro 2019 discute Contribuições dos Sistemas Silvipastoris para a pecuária e o desenvolvimento sustentável – 01/10/2019

Os sistemas silvipastoris têm se firmado como opções de prática de produção mais sustentáveis e que contribuem para minimizar o impacto ambiental associado à produção pecuária convencional e extensiva. As contribuições destes Sistemas para a pecuária e para o desenvolvimento sustentável serão apresentadas em sessão técnica durante o XXV Congresso Mundial da Iufro. A sessão será realizada no dia 02 de outubro, das 08h30 às 10h30, na sala R06 – asa 3.

O objetivo da sessão é promover a discussão e a troca de experiências sobre os sistemas silvipastoris, com ênfase no componente arbóreo. Segundo o coordenador da sessão e pesquisador da Embrapa Florestas, Vanderley Porfírio da Silva, a pesquisa científica sobre o componente arbóreo e seu papel na pecuária é cada vez mais necessária: “No silvipastoril o componente arbóreo não pode ser tratado da mesma forma que na silvicultura de rotação curta ou a silvicultura de restauração; requer apropriação de bases científica e tecnológica para proporcionar maior sustentabilidade para a pecuária a pasto e cooperar para mitigação e convivência com as mudanças climáticas”, destaca o pesquisador.

Esta sessão reunirá pesquisadores do Brasil, Uruguai e Colômbia que abordarão nove casos: “Efecto del marco de plantación en la producción de madera y forraje y su resultado economico en eucalyptus globulus en el este de Uruguay”, por Mariana Boscana, da Universidad de la República, Montevideo, Uruguai; “SisILPF: Software para gerenciamento de componentes florestais em sistemas integrados de Lavoura, Pecuária e Florestas (ILPF)”, por Edilson de Oliveira, da Embrapa Florestas; “Melhoramento de caívas no sul do Brasil: “leite e carne da floresta” com sustentabilidade”, por Ana Lúcia , da EPAGRI/ SC; “Redução da competição no Sistema Integrado Lavoura-Pecuária-Floresta através do desbaste de eucaliptos”, por  José Ricardo Macedo Pezzopane, da Embrapa Pecuária Sudeste; “Establishment of sustainable agrosilvopastoral systems from degraded soils in the dry Colombian Caribbean”, por Luis Fernando Chavez, da Corporacion Colombiana de Investigacion Agropecuaria (Agrosavia), Palmira, Colômbia; “Determinação de Risco Financeiro em Sistemas Agroflorestais Usando o Método Monte Carlo”, por Maísa Isabela Rodrigues, da Universidade de Brasília; “Prognose do crescimento e da produção madeireira e avaliação econômica de pinus taeda em monocultivo e em ILPF”, por Caroline Cruz de Mello, da Universidade Federal do Paraná; “Avaliação e produção estacional de biomassa herbácea forrageira e correlação entre variáveis ambientais e área basal”, por Talyta Mytsuy Zanardini Galeski Sens, da Universidade Estadual do Centro-Oeste; “Equações de dupla e simples entrada para estimação do volume de árvores estabelecidas em sistemas silvipastoris”, por Marcelo Müller, da Embrapa Gado de Leite.

Além desta sessão técnica, os Sistemas Silvipastoris serão tema de pôsteres. O sistema Integração Lavoura, Pecuária e Florestas (ILPF) também contará com evento paralelo durante o Congresso.

Realizado pela primeira vez na América Latina, o IUFRO2019 foi promovido pela Embrapa, Serviço Florestal Brasileiro e IUFRO.

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Sobre a IUFRO

A União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO, na sigla em inglês) é uma entidade não governamental e sem fins lucrativos, criada em 1892. É a rede global de cooperação em ciências florestais que reúne, de forma voluntária, mais de 15.000 cientistas em quase 700 organizações associadas, em 126 países. A IUFRO também é parte da CPF (Parceria Colaborativa em Florestas), um grupo formado no âmbito do Fórum de Florestas das Nações Unidas (UNFF) e que reúne 14 organizações internacionais, instituições e secretariados de convenções internacionais em torno da agenda global sobre florestas.

Visando congregar e compartilhar conhecimentos, a IUFRO realiza mais de 70 reuniões técnico-científicas por ano. Realiza também congressos regionais e, a cada cinco anos, o Congresso Mundial, que é o seu principal evento. O primeiro congresso mundial da IUFRO ocorreu em Viena, na Áustria, em 1893, e o vigésimo quarto e último, em Salt Lake City, EUA, em 2014. Esses congressos são interdisciplinares, integradores em conteúdo científico e reúnem cientistas, professores, estudantes, empresas florestais, tomadores de decisão e outros atores. Nessas ocasiões são criadas oportunidades para discussões relacionadas a áreas prioritárias de pesquisa, política e gestão florestal.

Para saber mais sobre a IUFRO, acesse: https://www.iufro.org/

 

Sobre o Serviço Florestal Brasileiro

O Serviço Florestal Brasileiro é um órgão ligado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que tem como missão promover o conhecimento, o uso sustentável e a ampliação da cobertura florestal, como agenda estratégica para a economia do país. O órgão tem entre suas principais atribuições gerir as concessões florestais federais, coordenar o Inventário Florestal Nacional e realizar a gestão nacional do Cadastro Ambiental Rural e outros instrumentos para a implementação efetiva do Código Florestal Brasileiro.

Para saber mais sobre o Serviço Florestal Brasileiro, acesse: http://www.florestal.gov.br/

 

Sobre a Embrapa

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e tem foco na inovação tecnológica, visando à geração de conhecimento e tecnologia para agropecuária brasileira. A temática florestal é pesquisada na empresa há mais de 40 anos, com atuação em todos os biomas e contribuindo para aumento da produtividade, a redução de custos de produção, o aumento da oferta de produtos florestais no mercado de forma sustentável, além da melhoria e conservação do meio ambiente.

Para saber mais sobre a Embrapa, acesse: https://www.embrapa.br

 

Serviço

XXV Congresso Mundial da IUFRO

De: 29/09 a 05/10

Local: Expo Unimed, campus da Universidade Positivo (Endereço: R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300)

Foto: Vanderley Porfírio-da-Silva

Paula Saiz (CONRERP 3453)
Embrapa Florestas

Contatos para a imprensa
florestas.imprensa@embrapa.br
Telefone: 66 99232-1901
 
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
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Embrapa lança e-book sobre ILPF e mostra tecnologia sustentável brasileira em congresso mundial – 02/10/2019

A Embrapa realizou, dentro da programação de eventos paralelos do XXV Congresso Mundial da União Internacional das Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO), um encontro sobre Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). O evento também marcou o lançamento oficial do e-book “ILPF – inovação com integração de lavoura, pecuária e floresta”, a maior obra sobre o tema voltada à agricultura tropical. O livro está disponível pra dowload gratuito.

Foram convidados para o debate Fabiano Balieiro, pesquisador da Embrapa Solos, representando a Rede ILPF; Fabiana Villa Alves, pesquisadora da Embrapa Gado de Corte; e Maria Eloá Rigolin, zootecnista, produtora rural e diretora técnica da Associação Brasileira de Criadores de Carne Carbono Neutro (ABCCN).

Para Fabiano Balieiro, é importante mostrar o quanto os cientistas e agricultores brasileiros inovam. Para divulgar o sistema integrado lavoura-pecuária-floresta, foi criada a Associação Rede ILPF, uma parceria público-privada que reúne a Embrapa e sete empresas privadas. As atividades envolvem fomento de conhecimento, estímulo à cooperação para beneficiar e promover a incorporação de novas áreas, treinamento e troca de experiências.

Segundo o pesquisador, estima-se que, hoje, há 15 milhões de hectares nesse sistema no Brasil. Até 2030, o desafio é chegar a 30 milhões.

“Para isso, precisamos ter conhecimento e informação de qualidade para levar a quem precisa. Devemos mostrar que é possível produzir e preservar e que, assim, teremos sistemas mais produtivos. Além disso, os sistemas ILPF são mais resilientes às mudanças climáticas”, destacou.

Um dos objetivos da Rede ILPF, de acordo com o pesquisador, é chegar à marca de um milhão de hectares de sistemas integrados monitorados e certificados, como forma de mostrar que os agricultores estão fazendo corretamente e, assim, apresentar os benefícios que isso traz.

“Mesmo sabendo a eficiência da ILPF, infelizmente, a participação das árvores ainda é muito insipiente. Mas, nesse sistema integrado, elas ajudam a fornecer alimentos, fibra alimentar e combustível; a fazer a cobertura do solo a longo prazo; a reduzir a erosão do solo; a promover a infiltração de água; a aumentar o conteúdo de matéria orgânica do solo, com sequestro de carbono; e a baixar as emissões de gases de efeito estufa por quilograma. Agora, o nosso desafio é aumentar a inserção das árvores”, afirmou.

Sobre isso, Fabiana Villa Alves complementou, dizendo que, apesar de todos os benefícios já conhecidos no Brasil e no mundo sobre os sistemas integrados, como bem-estar animal, redução do desflorestamento e mitigação dos gases de efeito estufa, ainda é muito difícil convencer o produtor a implantar a árvore no sistema. Por isso, dos 15 milhões de hectares existentes hoje em sistemas integrados de produção agropecuária, de 14 a 17% são sistemas que realmente tem árvore.

Outro desafio é o consumidor final, pois há a dificuldade de explicar, durante o curto período de tempo que ele leva para tomar a decisão de compra, tudo o que tem sido feito sobre o assunto. Para ajudar a diminuir essa lacuna, os pesquisadores tiveram a ideia de cristalizar todas as informações em um selo comercial, o que chamaram de marca-conceito.

“Por trás desse selo, tem toda uma base conceitual fundamentada em ciência. Essa é uma resposta aos anseios do consumidor. Começamos com a marca ‘Carne Carbono Neutro’ e, depois, surgiram outras duas: ‘Carne Baixo Carbono’ e ‘ Carbono Nativo’”, detalhou.

Dentro do processo de certificação das marcas-conceito, os avaliadores buscam evidências científicas, fazem a elaboração gráfica e seguem um documento orientador, com protocolo de certificação. A adesão é voluntária e tem grande apelo mercadológico.

Ainda segundo a pesquisadora, para fortalecer ainda mais os sistemas, além do selo foi criada também a Associação Brasileira de Criadores de Carne Carbono Neutro. Isso é uma inovação na avaliação de Fabiana, “sob a ótica de reunir produtores que pensam em um objetivo comum, tanto na questão da inovação, quanto da marca-conceito”, salientou.

Para a zootecnista Maria Eloá Rigolin, a associação veio para ajudar a formatar tudo o que existe de tecnologia disponível para os produtores. Ela reforça que as tendências globais de consumo estão mudando e que os consumidores estão cada vez mais preocupados com sustentabilidade, meio ambiente, bem-estar animal, etc. Por isso, a união desses produtores ajuda a entender os cuidados necessários a partir dessas mudanças. 

“Precisamos nos aproximar ainda mais, trazendo pesquisadores, técnicos e produtores que estão no campo. O Brasil é a bola da vez, pois tem tecnologia, espaço, área, pessoas do bem que podem realmente alimentar o mundo. Temos inegável vocação agrícola e temos condição de aumentar nossa área. Mas precisamos conseguir fazer tudo isso preservando a natureza. Com o sistema ILPF, vamos melhorando todos os 150 milhões de hectares de pastagem e precisamos de técnicos preparados para atuar nesse cenário”, afirmou.

Realizado pela primeira vez na América Latina, o IUFRO2019 foi promovido pela Embrapa, Serviço Florestal Brasileiro e IUFRO.

Publicação
A primeira versão do livro foi em 2011. Devido à procura, a segunda edição ampliada já foi lançada em 2012 e, em 2014, chegou a versão em inglês. Nas mais de 800 páginas, o leitor fará uma imersão nos conceitos dos sistemas de integração, com os recentes resultados de pesquisa, obtidos em experimentos a campo.

A primeira parte do livro levanta temas estratégicos sobre o agronegócio, a contribuição para a neutralização de carbono, a intensificação e o papel dos sistemas integrados. A segunda engloba os diversos componentes do sistema e seus impactos na melhoria do processo produtivo. “É uma abordagem prática, que vai de instruções de como estabelecer árvores a sugestão de métodos para realizar a análise financeira e planejamento de fluxo de caixa”, observa o editor Davi Bungenstab. 

Já a terceira parte apresenta os sistemas nos principais Biomas brasileiros, com casos de sucesso e participação de produtores rurais inovadores, de todas as escalas de produção. Por fim, o último bloco traz o potencial desses modelos na África, na Europa e América do Sul.

Entre produção, edição e finalização, foram doze meses de dedicação, que envolveram as equipes da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS), Acre (Rio Branco-AC) e Amazônia Oriental (Belém-PA). 

Balbino lembra que para ampliar a adoção dessas tecnologias as parcerias público-privada e público-pública, como universidades e órgãos estaduais de pesquisa, são fundamentais. A publicação, em si, traz isso como pode ser utilizada em capacitações. Ela agregou especialistas de entidades como Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais, Universidade Federal da Grande Dourados (MS), Universidade Estadual de Goiás, Universidade Federal de Viçosa, Universidade de Boston (EUA), Universidade de Hohenheim (Alemanha), Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Humboldt-Universität zu Berlin (Alemanha), Universidade de Extremadura (Espanha), Integrated Crop-Livestock Systems Network of the Global Research Alliance, Faculdade de Ciências Agronômicas (Unesp-SP), dentre outras. 

“Trabalhar a adoção passa por fazer a tecnologia conhecida e vale ressaltar que esta não é a versão final do livro, ainda temos resultados a trazer nos próximos anos”, assinala o engenheiro agrônomo.

Destaques
Ao trazer para as páginas do E-book os modelos de outros países, os autores querem abrir o setor produtivo e a pesquisa às oportunidades existentes. Na Península Ibérica, por exemplo, as alterações climáticas afetarão tanto os sistemas florestais como agrícolas é o que afirma a pesquisadora do Instituto Politécnico de Bragança (Portugal), Marina Castro. Sendo assim, a implementação dos sistemas de integração, conhecido há mais de 20 anos na região, “otimizará o uso de recursos, tornando-se uma ferramenta eficiente e inovadora devido ao conjunto de respostas associadas à sustentabilidade que permite”.

A zootecnista comenta que os países mediterrâneos encaram os incêndios florestais com certa frequência, por razões naturais, como presença de vegetação inflamável; socioeconômicas, como o êxodo rural; e as mudanças climáticas, propriamente ditas. Os modelos integrados tendem a reduzir a combustão e para ela é preciso mostrar aos produtores florestais que o pastoreio de seus bosques é positivo, pois reduz riscos e ameaças ao rendimento da atividade. Entretanto, de acordo com Rosa Mosquera, professora da Universidade de Santiago de Compostela e ex-presidente da Federação Europeia de Sistemas Agroflorestais, a adoção não é fácil. Pesquisa da AFINET (Agroforestry Innovation Network), com mais de 300 agricultores em toda Europa, revelou que os maiores obstáculos para a implantação, segundo eles, são recursos financeiros, políticas públicas, capacitação e suporte técnico. 

Já a Colômbia, com grande variedade de zonas climáticas, tem investido nos últimos anos nos sistemas silvipastoris para pecuária de corte e/ou leiteira, segundo o pesquisador Luis Alfonso Valderrama da Universidade Nacional da Colômbia. Apesar da carência de informações técnicas de longo prazo, o zootecnista acredita que os estudos recentes permitirão aumentar e melhorar o conhecimento sobre as interações entre os componentes arbóreo-pastagem-solo-animal. 

Outro destaque na obra é em relação à dinâmica da água. Avaliações nos campos experimentais da Embrapa em Campo Grande (MS) tiveram como objetivo analisar a dinâmica espacial e temporal da água no solo de um sistema de ILPF de 7-8 anos. O sistema estudado mostrou sazonalidade distinta induzida pelas estações seca e chuvosa e a equipe da Universidade de Hohenheim (Alemanha) frisa que o trabalho mostrou a complexidade da atividade, o que exigirá análises profundas para se obter um cenário dessa dinâmica e preencher lacunas ainda existentes. 

Por último, a obra mostra a ascensão de marcas-conceito, como Carne Carbono Neutro (CCN), que futuramente se tornará Plataforma de Pecuária de Baixo Carbono. Os protocolos de certificação brasileiros, ativos desses conceitos, se tornarão marca registrada do produto nacional. 

Lançamento
O e-book “ILPF – inovação com integração de lavoura, pecuária e floresta” será lançado durante o Congresso Mundial da IUFRO (International Union of Forest Research Organizations) no dia 1º de outubro, no Side Events ILPF, no Small Theater. O Congresso acontece em Curitiba (PR) até o dia 5 e é coordenado pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e Embrapa. 

 

Foto: Renata Silva
 
Maureen Bertol (Assessoria de imprensa do Congresso da IUFRO)
Embrapa Florestas

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Integração Lavoura-Pecuária em Minas é foco de debates – 26/09/2019

Investimento em recria fornece animais com melhor preparo para confinamento

O cenário do sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) na produção agropecuária mineira é tema de dia de campo e de seminário na Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas, MG), no próximo dia 2, quarta-feira.

No período da manhã, a partir das 8h, haverá quatro estações de campo, com apresentação de resultados de pesquisa sobre ILP. Os participantes poderão conferir os dados sobre a produção de carne obtida no confinamento deste ano na Embrapa Milho e Sorgo. Também terão acesso a explicações sobre suplementação na recria para produção de carne, pastagens em consórcio com lavoura, produção de alimentos e forragens na ILP.

Na parte da tarde, a partir das 13h, será realizado o seminário, com três palestras: “Conjunturas da bovinocultura no cenário mineiro”, com Wallisson Lara, analista de Agronegócios da Assessoria Técnica do Sistema Faemg; “Evolução do ILP no Brasil e Perspectiva Futura”, com o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo Rubens Augusto de Miranda; e “O uso de ferramentas práticas no manejo de pastagens”, com a pesquisadora Márcia Cristina Teixeira da Silveira, da Embrapa Pecuária Sul.

“Vamos apresentar análises sobre a produção de pastagens e a intensificação dos sistemas de produção ocorrida nos últimos anos”, explica Rubens Miranda, que desenvolve pesquisas na área de Economia Agrícola. Segundo ele, a pecuária extensiva não apresenta perspectivas para o futuro.

“Atualmente, as margens de lucro estão cada vez mais apertadas e o produtor precisa ter maior eficiência para obter melhor renda”, afirma o pesquisador Ramon Alvarenga, da Embrapa Milho e Sorgo. “Pastagens extensivas de baixa qualidade não resultam em eficiência na pecuária”, explica.

Nesse sentido, um fator importante é o manejo adequado dos animais na fase de recria. “Um trabalho de recria bem feito contribui para uma pecuária mais intensiva, para o uso mais eficiente da terra e maior geração de receita”, explica Leandro Sâmia, professor de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

As inscrições para o dia de campo e para o seminário sobre ILP são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail milho-e-sorgo.eventos@embrapa.br. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (31) 3027-1168.

Confira a programação completa do dia de campo e também a programação do seminário.
 

Foto: Marina Torres
Marina Torres (MTb 08577/MG)
Milho e Sorgo

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Benefícios dos sistemas integrados para conservação do solo são demonstrados no TecLeite – 24/09/2019

Os benefícios da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e outros sistemas integrados para a conservação do solo foram apresentados em uma das estações do evento Tecnologias para a Produção Sustentável de Leite (Tecleite), na quinta-feira (19/9), no Campo Experimental Santa Mônica (CESM), em Valença (RJ). Participaram os pesquisadores da Embrapa Solos (RJ) Petula Nascimento, Alba Leonor, Guilherme Donagemma e Fabiano Balieiro. 

De acordo com Balieiro, a integração de lavouras, árvores ou arbustos e animais, no tempo e no espaço, permite o melhor aproveitamento dos recursos disponíveis e funcionamento do solo dentro dos agroecossistemas. O pesquisador explica que a diversificação da cobertura vegetal  – rotação, sucessão ou consorciamento – e o uso de técnicas conservacionistas do solo, preconizados pelos sistemas integrados, permitem que eles funcionem como “bombas de carbono” para o perfil do solo, favorecendo a atividade biológica e sua agregação, que são a base de alguns dos serviços ecossistêmicos prestados pelo solo. “São exemplos desses serviços a regulação climática, mediada pelo sequestro de carbono, a ciclagem de nutrientes, a purificação de água e a regulação de enchentes, já que a boa agregação favorece a infiltração de água no solo.”

O TecLeite é organizado pela Embrapa Gado de Leite em conjunto com Emater-RJ, empresas estaduais de pesquisa (Pesagro Rio), Unipasto e o Instituto Federal de Campos do Pinheiral (RJ). Estiveram presentes cerca de 300 produtores, técnicos e estudantes das áreas ciências agrárias.

Sistemas Integrados no Brasil
Uma pesquisa encomendada pela Rede ILPF e realizada pelo Kleffmann Group na safra 2015/2016 estimou que o Brasil conta com 11,5 milhões de hectares com sistemas integrados de produção agropecuária. Dentre as quatro possibilidades de configuração do sistema produtivo, a intregração lavoura-pecuária é a mais adotada pelos produtores, correspondendo a 83% dessa área.

Em dez anos, a área ocupada por sistemas integrados aumentou em quase 10 milhões de hectares. Em 2005, eram apenas 1,87 milhão de hectares no País.

Baixe aqui a publicação completa sobre os resultados da pesquisa.  

TecLeite
O Tecleite, que neste ano chegou à sua oitava edição, ocorre no formato de dia de campo, com palestras realizadas no ambiente produtivo de uma fazenda. As tecnologias são apresentadas conjuntamente por pesquisadores e extensionistas de forma prática e acessível ao público. 

Após uma palestra de abertura, os participantes foram encaminhados para as quatro estações de campo, que além dos benefícios dos sistemas integrados para a conservação do solo abordaram o ponto de colheita do BRS Capiaçu, o conforto e bem-estar para bovinos de leite e o diagnóstico e tratamento para a tripanossomose.

Segundo o chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Leite, Bruno Carvalho, tão importante quanto transferir tecnologias para o produtor é a aproximação das empresas de pesquisa com a extensão rural. “As instituições parceiras constroem juntas o evento e os temas das estações dos dias de campo são sugeridos pelos técnicos da Emater, que conhecem de perto as demandas dos produtores.”

Em outubro o Tecleite será realizado no Espírito Santo e Minas Gerais. Dia 3/10 será em Cachoeiro do Itapemirim, em parceria com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural. No dia 17/10, será sediado no Campo Experimental José Henrique Bruschi, em Coronel Pacheco, neste caso em parceria com a Emater-MG.

Foto: Fabiano Balieiro 

Fernando Gregio
Embrapa Solos

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Marcos La Falce
Embrapa Gado de Leite

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