ILPF permite ganho de peso animal mesmo em períodos secos – 17/09/2019

Cerca de 250 pessoas entre pecuaristas, técnicos e estudantes das áreas de agronomia, zootecnia e veterinária compareceram ao evento

Garantir o ganho de peso dos rebanhos em períodos de seca é um grande desafio para os pecuaristas da região Semiárida. Mas uma pesquisa que vem sendo realizada pela Embrapa e parceiros na região do brejo paraibano tem demonstrado que isso é possível com a adoção da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Em resultados preliminares com as raças guzerá e sindi o ganho de peso médio diário foi de 720 gramas por animal no período de chuva e 400 gramas no período seco.

“Se 30% do rebanho da Paraíba – o equivalente a 376.924 cabeças –  estivesse sob o sistema ILPF, o ganho de peso potencial com esses resultados que obtivemos aqui seria de 452.309,4 arrobas, o que equivaleria a R$ 67.846.410”, calcula o pesquisador da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer), Ricardo Leite, no dia campo sobre ILPF – uma estratégia para o negócio agropecuário no Nordeste, realizado na estação experimental de Alagoinha, PB, na última sexta-feira (13).

Cerca de 250 pessoas entre pecuaristas, técnicos e estudantes das áreas de agronomia, zootecnia e veterinária compareceram ao evento. Todos interessados em conhecer os resultados das pesquisas com ILPF visando mitigar os efeitos das secas e estiagens e aumentar a oferta de alimentos para os animais, mesmo com a escassez de água. As pesquisas vêm sendo desenvolvidas há cinco anos pela Embrapa Algodão e Embrapa Solos, em parceria com a Empaer, Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Plano ABC e Rede ILPF.

Conforto térmico
Outro fator observado na pesquisa foi a importância das árvores para o conforto térmico animal. A temperatura do animal exposto ao sol na região chega a 41,8°C, enquanto que na sobra a temperatura cai para 34°C. “Em época de seca, das 10 às 15 horas os animais ficam aglomerados procurando sombra. Sem se alimentar, não ganham peso. Além disso, numa temperatura acima de 37°C o animal entra em estresse térmico, perde peso e diminui a produção de leite”, explica.

Vocação para pecuária
O presidente da Federação de Agricultura e Pecuária da Paraíba (FAEPA/Senar), Mário Borba, destacou a vocação da região semiárida para a pecuária. “Toda a pecuária do mundo está em regiões semiáridas. Porque aqui não podemos ter?”, questiona. Segundo ele, para que a pecuária possa avançar com sustentabilidade na região, é preciso investir em assistência técnica. “Ou o produtor se conscientiza que tem que se capacitar, que precisa de assistência técnica ou ele vai ficar parado na década de 1950. No futuro, só vai ficar no campo quem conseguir melhorar a produção. Temos que ter uma nova visão do que será a pecuária do futuro e da importância da tecnologia nesse processo”, afirma.

Mais resiliência contra a seca
A Unidade de Referência Tecnológica (URT) de Alagoinha foi instalada em 2015, com o objetivo de oferecer novas opções de manejo para a região. A área utilizada é de dois hectares, onde são trabalhadas as pastagens (braquiárias), em consórcio com espécies arbóreas como o sabiá e a gliricídia, além da produção agrícola com lavouras de milho e feijão macassar. “Nós passamos por vários anos de seca na região e esse sistema conseguiu se estabelecer e aumentar a resiliência dos sistemas agrícolas, relata o pesquisador da Embrapa Solos, André Amaral. “O ponto principal desse experimento é transformar toda a água da chuva em alimento e forragem”, acrescenta.

Segundo ele, o solo protegido é fator primordial quando se fala em melhorar a produtividade e a rentabilidade. “Se não temos solo coberto, em vez de produzir, nós perdemos solo e nutrientes, tornando os custos de produção elevados, então nosso desafio é mostrar como recuperar solos e pastagens degradadas e oferecer opções para diversificação de culturas”, observa.

Além de promover a cobertura do solo, o modelo ILPF para a região semiárida tem uma preocupação diferente das demais regiões, conforme o professor da UFPB Adailson Pereira. “Não queremos apenas formar palhada, mas também segurar a água por mais tempo no solo. E as raízes cumprem um papel fundamental nesse sentido. Elas ajudam a recuperar os nutrientes das diferentes camadas e canalizam a água para as partes mais baixas do solo. Também ajudam a aumentar o teor de matéria orgânica, que é capaz de segurar de cinco a dez vezes o seu volume em água no solo”, explica. “O agricultor do Semiárido sabe a importância de um mês a mais de água no solo”, completa.

Entre os objetivos da pesquisa desenvolvida na região estão: recuperar pastagens e produzir forragens, produzir alimentos sob o sistema plantio direto, produzir madeira, tornar os solos mais produtivos, aumentar o armazenamento de água no solo, favorecer o conforto animal e melhorar a rentabilidade do produtor.

Planejar é preciso
O Senar ficou responsável pelo tema “Planejamento da propriedade e custo na implantação do ILPF e seus diferentes arranjos produtivos”. “Eu vejo que muitos de vocês estão admirados com os resultados obtidos nessa URT, mas teoricamente, vocês também podem ter esses resultados na propriedade de vocês. Para isso, é preciso planejamento. A parte produtiva da propriedade é importante, claro. Mas a gestão é tão importante quanto. A questão administrativa deve ser levada muito a sério”, afirma o chefe do Departamento de Assistência Técnica e Gerencial do Senar, Gabriel Petelinkar.

Os participantes do dia de campo em Alagoinha tiveram ainda a oportunidade de conhecer a importância das forrageiras e da qualidade das sementes na produção de carne e leite; recomendação de adubação, correção e a evolução da atividade biológica dos solos com as diversas composições de plantas na URT; e sobre o uso da cerca elétrica para aumentar a área das pastagens da propriedade, fornecendo a melhor parte das forrageiras para os animais.

O evento foi uma realização da Embrapa, em parceria com a Empaer, Plano ABC, Rede ILPF, UFPB, Sementes Oeste Paulista (SOESP), Speedrite (empresa de cercas elétricas) e Rancho Alegre (produtos agropecuários).

 

Foto: Sérgio Cobel
Edna Santos (MTb/CE 1700)
Embrapa Algodão

Contatos para a imprensa
algodao.imprensa@embrapa.br
Telefone: (83)3182-4361
 
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

 

{gallery}noticia5{/gallery}

Sistema de Integração-Lavoura-Pecuária é tema de reunião na Embrapa – 17/09/2019

Reunião com produtores aconteceu na Embrapa

Contribuir para o desenvolvimento do Sistema de Integração Lavoura Pecuária (ILP) no Sul do Mato Grosso do Sul, por meio de aproximação da pesquisa com os produtores que iniciaram o ILP na região, para promover a troca de experiências e nivelar o conhecimento sobre o sistema foi o objetivo central da Reunião Técnica de ILP realizada na quinta-feira, 5 de setembro.

Trocas de experiências, esclarecimento de dúvidas, arranjos produtivos, escolha e produtividade de espécies de forrageiras, diversificação de culturas, cultivo de crotalária em sistemas integrados, qualidade das sementes, entre outros temas foram debatidos ao longo do dia.

“A participação dos produtores trazendo suas experiências é fundamental para o trabalho da Embrapa e os cultivos integrados apresentam desafios diferenciados, o que fortalece a importância de reuniões como essa”, destacou o Chefe Geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Guilherme Lafourcade Asmus.

 

Foto: Christiane Comas

Christiane Congro Comas (Mtb-SC 00825/9 JP)
Embrapa Agropecuária Oeste

Contatos para a imprensa
agropecuaria-oeste.imprensa@embrapa.br
Telefone: (67) 3416-6884
 
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Dia de campo sobre ILPF reúne mais de 100 produtores e técnicos no RN – 16/09/2019

Dia de campo sobre ILPF no município de Pedro Velho, RN

A Embrapa Algodão e parceiros promoveram nesta quarta-feira, 11, dia de campo sobre Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF): uma estratégia para o negócio agropecuário no Nordeste. O evento reuniu mais de 100 produtores rurais e técnicos do setor agropecuário do Rio Grande do Norte, na Fazenda Alto do Machado, no município de Pedro Velho, RN.

“Durante toda a manhã mostramos aos produtores e demais participantes a tecnologia ILPF que, além de mitigar a emissão dos gases do efeito estufa, aumenta a produtividade e a renda do produtor, melhora a fertilidade do solo, o conforto térmico e o bem-estar animal. É uma tecnologia amplamente adotada e um experimento importante para mostrar que é possível ser aplicado no Rio Grande do Norte”, disse na abertura do evento o chefe da Divisão de Desenvolvimento Rural da Superintendência Federal da Agricultura (SFA/RN), Tibério Souza.

Representando o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, o coordenador do Plano Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC), Elvison Nunes, aproveitou a ocasião para reforçar a importância do Rio Grande do Norte oficializar o Plano ABC Estadual para que o estado possa ter mais acesso a recursos e capacitações dos seus técnicos e produtores em boas práticas de sistemas de produção integrados. “Aqui nós temos juntos a possibilidade de obter crédito (referindo-se às instituições financiadoras de crédito rural presentes) e o conhecimento gerado pela Embrapa. Se nós conseguirmos adotar essas tecnologias, nós vamos mudar a cara da agropecuária no Rio Grande do Norte”, disse, enfatizando que a tecnologia não é voltada apenas para os grandes produtores, mas também para os pequenos e médios.

O chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Algodão Gilvan Ferreira destacou que a Rede ILPF está presente em todo o país com tecnologias adaptadas para as especificidades de cada região. “Aqui nós temos as braquiárias, consorciadas com o milho e os coqueiros, mas em outras regiões é possível adaptar o sistema de acordo com os seus objetivos. E os ensaios da Embrapa em cada região são uma vitrine para o que o agricultor possa ver para crer”, afirmou.

Um dos produtores interessados em entender um pouco mais sobre como funciona o consórcio milho e pastagens era o Jonas Juvêncio Fonseca, de Pedro Velho. Ele já cultiva milho e pastagem, mas não conhecia o ILPF. “Vim em busca de conhecimento sobre o plantio de milho junto com o capim para pisoteio. A minha ideia é tirar o milho e ainda ficar com o pasto. Essa integração é uma novidade aqui e me interessou bastante. Quero aprender com a experiência da fazenda”, disse.

É dando que se se recebe
Esse foi o tema da estação apresentada pelo chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Semiárido, Sérgio Guilherme de Azevedo, que apresentou um histórico econômico da fazenda nos últimos 10 anos e os custos para recuperação da área de pastagem degradada. Segundo ele, o custo inicial para a implantação do ILPF é maior, em comparação com modelo tradicional adotado na região de preparo do solo e semeadura, mas o retorno financeiro é bem maior. “No sistema de plantio convencional teremos um custo de implantação de R$ 660,10 por hectare, o que equivale a mais de dois animais abatidos para cobrir o custo. Já no sistema integrado, temos um custo de implantação de R$ 3.824,21, que pode gerar uma receita de R$ 7.200”, calculou.

Sombreamento ajuda a ganhar peso
Na estação sobre seleção do componente arbóreo frutícola, madeireiro e forrageiro o pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros Samuel Souza apresentou vários sistemas recuperação de pastagens consorciadas com árvores como coqueiros, gliricídia e acácia, enfatizando a importância do componente arbóreo para o bem-estar animal. “O sombreamento das árvores é responsável por 25% da conversão em peso do animal. O animal ao sol vai gastar mais energia do que na sombra, além disso, o conforto térmico melhora a imunidade do animal”, explicou.

Após percorrer todas as estações, o produtor Jonas tirou algumas reflexões para a sua propriedade. “Uma coisa que ficou clara para mim é que venho tendo muito prejuízo por não fazer a análise do solo. Quando você tem uma boa análise, você sabe o que precisa corrigir, o que vai poder plantar, a análise de solo é o pontapé inicial. Se você não faz isso não vai ter um bom resultado”, disse.

Mudança de paradigma na região
Um dos nove técnicos da Emater/RN presentes ao dia de campo era Aureliano Ribeiro, do município de Serrinha, RN. Ele contou que já conhecia alguns trabalhos de integração lavoura-pecuária e caatinga e avalia que um dos obstáculos para ampliar a adoção do ILPF no Nordeste é o investimento inicial para recuperação das áreas. “A maioria dos produtores da região são extrativistas, só querem tirar da terra e não tratam de repor e é por isso que a terra fica degradada”, observa. No entanto, ele ressalta que a redução dos custos de produção é um dos aspectos mais importantes do ILPF. “Com o consórcio, você reduz o custo de recuperação de pastagem, reduz a adubação, melhora o solo, aumenta o bem-estar animal…”elencou.

Durante o evento foram apresentadas estratégias de manejo e conservação do solo; demanda nutricional das pastagens; demanda nutricional do milho ou sorgo; silagem; grãos; ciclagem dos nutrientes; economicidade dos sistemas de implantação e reforma de pastagens; seleção do componente agrícola e forrageiro de corte: milho grão; milho silagem; sorgo para silagem; seleção do componente arbóreo frutícola, madeireiro e forrageiro no litoral e agreste, entre outros temas.

O dia de campo foi uma realização da Embrapa, em parceria com o Plano ABC, Rede ILPF, Emparn, Associação Norte Riograndense de Criadores (Anorc), e as empresas de sementes Biomatrix, Moeda, Agromatos e Agrosalles.

 
Foto: Edna Santos
Edna Santos (MTb/CE 1700)
Embrapa Algodão

Contatos para a imprensa
algodao.imprensa@embrapa.br
Telefone: (83)3182-4361
 
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Pesquisadores do Japão e da Malásia conhecem tecnologias do agro em São Carlos – 12/09/2019

Os pesquisadores da Universidade de Tóquio vieram acompanhados da professora Juliana

Os pesquisadores Nagisa Okaniwa e Sayaka Yamana, do Japão, e Nadzrul Anuar Bin Khalid, da Malásia, estiveram na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP), na manhã de quinta-feira (12) para conhecer tecnologias ligadas a sistemas integrados de produção desenvolvidas pelo centro de pesquisa. Eles são vinculados à Tokyo University of Agriculture and Technology (Universidade de Agricultura e Tecnologia de Tóquio).

Os três estão participando de um intercâmbio na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), onde foram recepcionados pela professora Juliana Aparecida Fracarolli, do curso de engenharia agrícola. Juliana agendou a visita à fazenda da Embrapa para que os pós-graduandos conhecessem experimentos de seu interesse.

Nagisa, Sayaka e Nadzrul chegaram dia 27 de agosto. Ele irá embora dia 22 de setembro, Sayaka ficará três meses no Brasil e Nagisa, um ano. Os três tinham interesse em conhecer sistemas integrados de produção, como a ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta). No Japão, desenvolvem estudos sobre a agrofloresta na Amazônia.

Os sistemas integrados consistem na produção, na mesma área, de pecuária, lavoura e florestas, podendo contemplar apenas duas dessas modalidades. Na fazenda Canchim, onde funciona a Embrapa, estão sendo monitoradas as condições microclimáticas para verificar o efeito das árvores no ambiente, no bem-estar animal, na produção da pastagem e nas culturas anuais. Também é calculado o balanço entre a emissão dos gases de efeito estufa e o acúmulo de carbono dos sistemas.

Já existem resultados de pesquisas indicando que animais criados em sistemas sombreados procuram menos por bebedouros (redução de 19%), produzem quase 20% a mais de embriões e as fêmeas se mantêm seis minutos mais ativas a cada hora, o que reflete na produtividade. Os dados comparam os animais em áreas com árvores e aqueles criados a pleno sol.

Os visitantes conheceram a ILPF para gado de corte e para gado de leite, onde os animais foram inseridos no final de agosto. O componente arbóreo deste sistema, formado por eucaliptos, foi plantado há cerca de dois anos. Os pesquisadores estrangeiros ficaram interessados em várias tecnologias, anotavam informações e fotografavam os experimentos.

Nagisa, Sayaka e Nadzrul demostraram surpresa ao conhecer equipamentos que medem o consumo de água de bovinos de forma individualizada (por meio de identificação eletrônica) e os mecanismos que permitem medir a emissão de gás metano na atmosfera. Eles também quiseram saber quantos experimentos ocorrem no centro de pesquisa.

Os pesquisadores Alberto Bernardi e José Ricardo Pezzopane, que receberam os visitantes, explicaram que a equipe de aproximadamente 40 pesquisadores atua de forma integrada, formando grupos multidisciplinares de trabalho. “Essa forma de atuar é importante, especialmente em sistemas integrados, nos quais os conhecimentos do agrônomo, do veterinário, do zootecnista e de outros profissionais se complementam”, explicou Alberto.

 
Foto: Ana Maio
Ana Maio (Mtb 21.928)
Embrapa Pecuária Sudeste

Contatos para a imprensa
pecuaria-sudeste.imprensa@embrapa.br
Telefone: (16) 3411-5734
 
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

 

{gallery}noticia4{/gallery}

Mulheres brilham e vencem os desafios do AGTech Meio-Norte – 05/09/2019

O trabalho de Gabriela foi considerado o terceiro melhor da Jornada

O primeiro grande encontro da inovação agropecuária do Nordeste, o AGTech Meio-Norte, terminou no final da tarde desta quinta-feira 5, em Teresina, com as mulheres vencendo os principais desafios. No segmento V Jornada Científica, que reuniu 109 trabalhos de estudantes de graduação e pós-graduação que participam de projetos da Embrapa e da Universidade Federal do Piauí (UFPI), a força feminina ganhou os três primeiros lugares.

Lanna Isabely Morais Sinimbu, que apresentou o trabalho Instrumentação com Arduíno para construção de chocadeiras artesanais (Orientador – Alexandre de Castro Maciel – professor da UFPI), ficou com o primeiro lugar.

Vanessa Gomes de Moura, com o trabalho  Transferabilidade de marcadores microssatélites desenvolvidos para abelhas Melipona subnitida e

Melipona fasciculata em Melipona marginata (Lepeletier), sob a orientação da pesquisadora Fábia de Mello Pereira, da Embrapa Meio-Norte, conquistou o segundo lugar.

A terceira colocada foi Gabriela Sabrine França Silva, com o trabalho Uso eficiente da terra no consórcio milho-braquiária sob diferentes densidades de semeadura da forrageira. O Orientador  foi o pesquisador – Aderson Soares Andrade Junior, também da Embrapa Meio-Norte.

No concurso de fotografias elas também mostraram competência. O primeiro foi Schirlayne de Sousa Lima da Silva, com  Avaliação físico-química e nutricional de pólen apícola desidratado produzido nos municípios de Campo Maior e Teresina. A  orientação foi da pesquisadora Maria Teresa Rêgo (Embrapa Meio-Norte).

Denise Aguiar dos Santos ficou em segundo lugar focando a  Correlação do peso do ovo com o peso do pintinho em ovos de galinhas caipiras. A pesquisadora Teresa Herr Viola (Embrapa Meio-Norte) foi a orientadora.  

Gabriela Rodrigues Alencar Ferry, conquistou o terceiro lugar com a foto do trabalho Contagem e identificação de tipos polínicos coletados por Apis mellifera visitantes de Anacardium  occidentale em Teresina. A orientadora  foi a pesquisadora Fábia de Mello Pereira.

Soluções para a avicultura

No segmento de desafios Ideas For Farm, a equipe AgroFinanças foi a vencedora. Os estudantes Tayane Duartye Santos, José Bonifácio Filho e João Antônio de Sousa, apostaram em uma solução para gargalos na avicultura e criaram um game e um caderno de campo digital.
Como vencedora, a equipe vai participar do Pontes para Inovação, que é um programa vitrine de startup de parceiros da Embrapa. Os estudantes ganharam ainda um passaporte para o Sebrae Like a boss, uma plataforma digital voltada para apoiar os empreendedores de startups.

Ciência no Prato

O esperado segmento Ciência no Prato, que começou no início da tarde, lotou o auditório central.  Mariana Moraes e Herivelton Soares, professores do curso de gastronomia do Instituto Federal de Educação do Piauí, abriram o segmento.  Eles prepararam  e serviram os pratos: Salada de alface com vagens de feijão-caupi, Pão de forma de feijão-caupi, Croutôns de feijão-caupi, Brigadeiro de biomassa da banana verde com grilo, Suco detox com algas e Variação do rubacão com feijão-caupi ( feijão-de-corda) e tenébrios.

Logo depois, o chef paulistano Raul Godoy, um dos astros da gastronomia nacional, entrou na maratona culinária com os pratos Bolinho de capitão com camarão marinho e salada de algas e Cabra nativa em três texturas com pirão de leite. Com 13 anos de profissão, Godoy tem passagem por restaurantes como o Bio, em São Paulo, e Casa Malevo, em Londres. Este segmento foi um sucesso.

Inovação aberta

A programação da quinta-feira começou com o diretor-executivo de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Cleber Soares, falando por videoconferência direto de Brasília. Didático, ele fez reflexões sobre o cenário do agronegócio brasileiro, destacando eixos importantes para que o setor continue avançando, como a “inovação aberta e a busca pelo atendimento às necessidades do consumidor”.

No balanço sobre os avanços nas atividades agropecuárias, Soares destacou também como ponto de equilíbrio o fortalecimento das parcerias na inovação aberta, “prospectando e formalizando negócios” e a sustentabilidade. “Toda inovação no agro terá que ter como base a sustentabilidade ambiental”. Ele citou ainda a importância do sistema de Integração Lavou-Pecuária-Floresta (ILPF) e o aumento na produção de grãos, com ênfase no cultivo da soja.

Em seguida, presente ao evento, o gerente de Inovação e Negócios da Embrapa, Daniel Trento, fez um balanço da evolução do agronegócio no Brasil e defendeu uma “aproximação cada vez maior” entre a pesquisa científica, as universidades e os produtores.

Ainda pela manhã, a última palestra do evento foi do professor Marcus Vinícius Dantas Linhares, do Instituto Federal de Educação do Piauí, campus do município de Picos. Com o tema Vamos sabotar as certezas, ele falou da internet passando pela revolução do celular, carros autônomos, drones, energia solar, impressora em 3D até os sensores. Segundo ele, a nova moeda no mercado de trabalho “é a velocidade, com o tempo de resposta preciso”.
 

Foto: Eugenia Ribeiro
Fernando Sinimbu (654 MTb/PI)
Embrapa Meio-Norte

Contatos para a imprensa
meio-norte.imprensa@embrapa.br
Telefone: (86) 3198-0518
 
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Práticas agropecuárias sustentáveis começam a influenciar o consumo de carne no Brasil – 03/09/2019

Preocupação com origem sustentável é maior entre consumidoras de altas renda e escolaridade e acima de 50 anos.

Pesquisa da Embrapa Pecuária Sudeste (SP) sobre o perfil do consumidor brasileiro mostra que mulheres com mais de 50 anos, renda elevada e grau de escolaridade superior são as que mais se preocupam com práticas sustentáveis relacionadas à criação de animais na hora de comprar carne. Trata-se de um nicho de mercado que valoriza a qualidade do produto em detrimento do preço e dá alta atenção às informações contidas nos rótulos. Grupos de consumidores como esse são capazes de motivar a expansão de práticas pecuárias sustentáveis que demonstrem cuidados com os animais, com o ambiente e com os trabalhadores envolvidos da produção.

O estudo, coordenado pela pesquisadora Marcela Vinholis com a participação dos pesquisadores  Waldomiro Barioni Júnior e Renata Tieko Nassu, foi apresentado durante a 64ª Reunião Anual da Região Brasileira da Sociedade Internacional de Biometria e 18º Simpósio de Estatística Aplicada à Experimentação Agronômica (RBras-Seagro), em Cuiabá (MT).

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores aplicaram 634 questionários, que resultaram em 402 respostas válidas. A sistematização e publicação foram realizadas recentemente. “Essa pesquisa pode representar uma oportunidade para a indústria de alimentos comunicar melhor o uso de práticas de produção ambientalmente mais sustentáveis como estratégia de diferenciação do produto no mercado brasileiro”, afirma Vinholis.

A pesquisa reconhece os consumidores como potenciais agentes de mudança. “Um comportamento mais responsável pode contribuir para o desenvolvimento sustentável”, explica a pesquisadora, lembrando que é importante continuar monitorando o comportamento dos consumidores para verificar se essas características se mantêm ao longo do tempo.

Pesquisadores falam sobre a pesquisa de consumo de carne no Brasil

Rótulos estimulam consumo responsável
O estudo revela também que os consumidores buscam nos rótulos informações sobre a origem do produto. “A indústria que produz carne diferenciada precisa estar atenta para não poluir os rótulos com excesso de informações”, destaca a pesquisadora.

Resultados sugerem que os consumidores são receptivos a mensagens da indústria sobre os benefícios ambientais na compra de produtos oriundos de práticas de produção ambientalmente mais sustentáveis. “O uso de selos e certificações nos rótulos é uma das possíveis estratégias para sinalizar atributos diferenciais e estimular um comportamento de consumo mais responsável”, acredita a pesquisadora. Um eventual excesso de informações pode gerar confusão e tornar-se um obstáculo para a mudança de comportamento..

[zt_persons slider=”no” pager=”no” controls=”no” auto=”no” item=”1″][zt_person name=”” position=”” phone=”” description=”” image=”images/noticia3/noticia3.jpg” imgtype=”circle” ][/zt_person][/zt_persons] [zt_testimonial autoPlay=”yes” numSlides=”1″ paging=”yes” controls=”yes”][zt_testimonial_item bgColor=”#f6f6f6″ textColor=”#747474″ name=”” company=”Foto: iStock” borderRadius=”4″]”Produção sustentável é tendência no exterior
A pesquisadora Renata Nassu trabalha diretamente com a qualidade da carne. Engenheira de alimentos, além do conhecimento, ela desenvolveu uma curiosidade natural pelo assunto. Sempre que viaja, gosta de visitar supermercados e observar os padrões de compra de consumidores. Segundo ela, nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália, os consumidores se preocupam com a rastreabilidade e valorizam carne sem antibiótico e sem hormônios. Redes de supermercados especializados em produtos diferenciados se multiplicam e ganham cada vez mais adeptos na busca por produtos mais sustentáveis. Renata Nassu relembra um fato curioso que notou em suas viagens: a venda em supermercados da carne moída “de um boi só”, o que permite ao consumidor saber de onde veio o produto que está comprando. “No Brasil o padrão é misturar carnes de vários indivíduos, mas lá eles estão agregando valor com essa identificação. É uma questão de transparência”, conta. Em São Carlos (SP), de acordo com a pesquisadora, já é possível encontrar prateleiras inteiras de produtos diferenciados nos supermercados. “É um nicho em crescimento no Brasil”, revela.”[/zt_testimonial_item][/zt_testimonial]


Produção integrada para a pecuária 

De acordo com os pesquisadores, o fato de o Brasil ser um importante exportador de carne bovina gera demandas por adoção de práticas de produção mais sustentáveis e que minimizem o impacto ambiental associado à produção pecuária convencional e extensiva. O estudo cita como exemplo os sistemas integrados de produção, aqueles que situam em uma mesma área a pecuária, a lavoura e, em alguns casos, a floresta.

“A adoção dos sistemas de produção integrados tem sido recomendada e estimulada para a recuperação e renovação de pastagens degradadas”, frisa a pesquisadora. Ela conta que esse modelo ajuda ainda na manutenção e reconstituição de cobertura florestal, pois prevê o uso de boas práticas agropecuárias, adequação da unidade produtiva à legislação ambiental e maior diversificação da renda.

Consumidoras associam carne sustentável à qualidade

Maria Luiza Giudicissi Valente (foto à esquerda), de São Carlos, representa o grupo de consumidoras diagnosticado na pesquisa. É mulher, empresária, tem curso superior, 52 anos e se preocupa com a qualidade dos alimentos que consome. “Eu pagaria mais por esse tipo de carne por respeito à vida dos animais, das pessoas que trabalham nessa cadeia e por respeito à minha família”, argumenta. A empresária imagina que essa carne seja proveniente de um sistema que aplique técnicas de conservação da natureza e respeite as pessoas envolvidas na produção, da fazenda ao frigorífico.

Segundo ela, a identificação desse produto nas prateleiras depende do rótulo, que informe a procedência por meio da rastreabilidade. “Deveria ter um código na embalagem que permitisse que a gente soubesse, imediatamente, na hora da compra, de que fazenda veio, como essa propriedade trabalha, como é a relação com os funcionários, o que o gado come, se ele se alimenta de transgênico, os remédios que ele toma, como é o pasto, se é orgânico ou que tipo de pesticidas eles usam”, opina.

A jornalista e blogueira Lylia Diógenes (foto à direita), de Brasília (DF), também se encaixa no perfil identificado na pesquisa. Ela tem 62 anos, nível de educação superior, consome carne regularmente e diz que pagaria a mais por um produto ambientalmente sustentável. “Considero que a saúde está em primeiro lugar e acredito que uma carne produzida de forma ambientalmente sustentável seja mais saudável. E sou adepta da máxima de Hipócrates: ‘Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio’”, cita.

Já a analista Paula Telles, pós-graduada em direito processual e moradora de Franca (SP), ainda não atingiu a faixa de 50 anos – tem 45 –, mas sugere que também pagaria mais pelo produto em questão. “Acho que pagaria sim, dependendo do nível da diferença que determinadas condutas podem causar. Mas teriam que me falar das condições do meio ambiente que são preservadas. Se eu souber disso, posso pagar sim”, afirmou. A pesquisa não levantou a porcentagem que os consumidores estariam dispostos a desembolsar a mais.

A jornalista e blogueira Lylia Diógenes (foto à direita), de Brasília (DF), também se encaixa no perfil identificado na pesquisa. Ela tem 62 anos, nível de educação superior, consome carne regularmente e diz que pagaria a mais por um produto ambientalmente sustentável. “Considero que a saúde está em primeiro lugar e acredito que uma carne produzida de forma ambientalmente sustentável seja mais saudável. E sou adepta da máxima de Hipócrates: ‘Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio’”, cita.

Já a analista Paula Telles, pós-graduada em direito processual e moradora de Franca (SP), ainda não atingiu a faixa de 50 anos – tem 45 –, mas sugere que também pagaria mais pelo produto em questão. “Acho que pagaria sim, dependendo do nível da diferença que determinadas condutas podem causar. Mas teriam que me falar das condições do meio ambiente que são preservadas. Se eu souber disso, posso pagar sim”, afirmou. A pesquisa não levantou a porcentagem que os consumidores estariam dispostos a desembolsar a mais.

Saudáveis, mas ainda muito caros para grande parte da população
A pesquisadora Marcela Vinholis explica que as práticas de produção mais sustentáveis costumam ser mais caras porque envolvem uma gama de tecnologias, como os sistemas integrados entre lavoura, pecuária e floresta (ILPF), produção orgânica, entre outras. Além disso, segundo ela, a baixa escala de produção também impacta o valor de mercado.

Muitas vezes, a produção diferenciada ocorre em pequenas propriedades rurais, que não conseguem diluir o custo no volume de produção, como a produção em massa.

“No caso dos cultivos orgânicos, o alto custo dos produtos reflete também os gastos com insumos, como fertilizantes específicos permitidos para esse tipo de produção”, explica.

“Em todos os casos, trata-se de um aspecto da qualidade do produto a que chamamos de ‘crença’. Ou seja, o consumidor tem que acreditar que o produto foi produzido com práticas mais sustentáveis. Ele não consegue avaliar de forma objetiva no momento da compra ou do consumo”, explica a cientista, e completa: “É diferente de um indicador mais palpável, como aparência ou sabor, que ele consegue visualizar ou sentir”.

“Para resolver esse problema, a maioria desses produtos diferenciados envolve a certificação do processo de produção, que visa sinalizar e garantir ao consumidor que aquela informação é crível. Isso também infere um custo adicional ao processo”, pondera a pesquisadora.
 

Ana Maio (MTb 21.928)
Embrapa Pecuária Sudeste

Contatos para a imprensa
pecuária-sudeste.imprensa@embrapa.br
Telefone: (16) 3411-5734
 
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Diálogo Brasil-Japão discute oportunidades de parcerias – 28/08/2019

Na segunda-feira (26) foi realizado em São Paulo o 4° Diálogo Brasil-Japão, que tratou de pautas de interesse mútuo relativas ao comércio bilateral e possibilidades de investimentos, em especial em infraestrutura e logística para escoamento de safra. O encontro foi realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com promoção do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e do Ministério da Agricultura, Floresta e Pesca do Japão (MAFF).

O ministro japonês da Agricultura, Floresta e Pesca, Takamori Yoshikawa, participou da abertura do evento. Ele ressaltou a intenção em promover o encontro foi para que a oportunidade “reforce ainda mais a cooperação entre os países”. Na ocasião, o presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, Jacyr Costa, afirmou que “esse diálogo estreitará os laços do agronegócio entre o Brasil e Japão”.

Durante o evento, a ministra Tereza Cristina defendeu a ampliação do comércio entre os dois países, além de destacar que a agricultura constitui o eixo central desse relacionamento. “Os imigrantes japoneses e seus descendentes tiveram um papel importante no desenvolvimento da agricultura brasileira, com a introdução de novas práticas e a ocupação de novos territórios”, enfatizou.

O presidente da Embrapa, Celso Moretti destacou na ocasião as excelentes oportunidades na bioeconomia: “a agricultura é multifuncional; temos várias oportunidades de uso da agricultura, não só na produção de alimentos, fibras e bioenergia, mas passa por alimentos, nutrição e saúde, biomassa, materiais de química verde e a questão também de tradição e gastronomia”.

Nas últimas quatro décadas, as ações de cooperação técnica desenvolvidas entre o Brasil e o Japão tiveram um papel fundamental no grande salto do agronegócio brasileiro. As transformações ocorridas no Cerrado, a partir das políticas de modernização da agricultura implantadas na década de 1970, com o apoio do Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer), via Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), possibilitaram uma nova configuração econômica da região, destacou a ministra.

“A cada dia produzimos mais no mesmo espaço de terra. Não fossem os ganhos de produtividade das últimas quatro décadas, seria necessário mais do que o triplo da área atual para se produzir a safra de 241 milhões de toneladas que estamos colhendo hoje no Brasil”, comemorou Tereza Cristina. “Graças a tecnologias de manejo e genética desenvolvidas em nosso País, principalmente pela Embrapa, o Brasil é hoje referência no cultivo de duas e, às vezes, três safras anuais, e nos sistemas integrados lavoura, pecuária e floresta.”

A participação japonesa na expansão agrícola e na ocupação do Cerrado foi fundamental e fez com que esse território assumisse importância estratégica para o desenvolvimento de uma agricultura moderna, com altos índices de produtividade, segundo a ministra. Assim, é importante reforçar as parcerias já existentes e buscar novos empreendimentos que sejam mutuamente vantajosos, de acordo com ela.

Terra de oportunidades

“O Brasil é uma terra de oportunidades e um destino confiável para o capital estrangeiro. Gostaria de destacar o potencial de investimentos em infraestrutura e logística em nosso País e, em especial, no escoamento da produção agrícola”, reforçou. O fluxo comercial do agronegócio entre o dois Brasil e o Japão, quarto maior importador mundial de produtos agrícolas, cresceu mais de 130% nas últimas duas décadas. Entretanto, em 2018, a participação do Brasil nas importações agrícolas do mercado japonês foi de apenas 3,2%, menos da metade da média mundial, que é de 6,9%.

O Brasil conta com uma das mais avançadas legislações ambientais do mundo, com o Código Florestal, que mostra o compromisso em seguir o caminho da sustentabilidade, defendeu Tereza Cristina. Dentre as várias iniciativas para adequar a agropecuária brasileira, o País criou o Programa de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC), que estimula a adoção de diversas tecnologias de produção sustentável. Um exemplo é o plantio direto na palha, que contribui para os compromissos de redução da emissão de gases de efeito estufa e ao mesmo tempo promove o aumento da produtividade e da rentabilidade no campo pelo uso racional do solo.

“Queremos ser referência mundial e globalizar esse padrão”, ressaltou. “Os exigentes compradores globais precisam ser informados sobre a realidade da produção dos alimentos no Brasil, desde a sua origem nas fazendas até a mesa do consumidor. É fundamental que o mundo conheça o exemplo que a agricultura brasileira tem a dar em aspectos ambientais, sociais e trabalhistas”, disse a ministra, enfatizando que a agricultura brasileira não poupa esforços a fim de produzir alimentos de qualidade.

Para o presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Japão, deputado federal Luiz Nishimori, a agricultura brasileira está consolidada e tem se preocupado com as questões ambientais e a preservação. O País tem um Código Florestal eficiente e está preparado para a abertura do mercado japonês, especialmente para o setor de carnes bovina e suína, mas também para outros produtos e frutas tropicais. O Brasil já é o principal fornecedor de produtos como carne de frango in natura, café verde, etanol e suco de laranja a esse mercado.

Pesquisa agropecuária

A contribuição da pesquisa agropecuária foi destacada pelo presidente da Empresa, Celso Moretti. “O Brasil desenvolveu uma agricultura baseada em ciência”, afirmou o presidente, ressaltando o papel da pesquisa pública e a contribuição das parcerias institucionais, incluindo as universidades, os serviços de extensão rural, os sistemas de pesquisa estadual e o setor privado.

Moretti citou as parcerias da Embrapa com o governo japonês, como o Prodecer, que ajudaram o Brasil a superar os desafios e desenvolver uma agricultura tropical sustentável. Entre as oportunidades atuais, destacou a plataforma de inteligência territorial estratégica desenvolvida pela Embrapa, um sistema da macrologística da agropecuária brasileira, que foca tanto a questão da produção como a da exportação.

Outra parceria importante é a elaboração de um projeto de pesquisa conjunto em automação e agricultura de precisão, que será submetido em um edital da Jica. Além disso, há várias oportunidades em temas ligados a agricultura 4.0, internet das coisas (IoT), inteligência artificial, sensores e biotecnologia, incluindo engenharia genética e edição genômica, desenvolvimento de espécies vegetais tolerantes à seca.

A agricultura 4.0, ou smart agriculture, foi tema da apresentação do secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Mapa, Fernando Camargo. Ele abordou as iniciativas, desafios e possibilidades de parcerias nessa área no Brasil. “A agricultura brasileira é hoje extremamente inovadora, com altíssima produtividade e naturalmente o Brasil é um dos países que mais contribui para a segurança alimentar no mundo”, reforçou o secretário.

Camargo chamou de grandes revoluções na agricultura, pelos impactos causados, a implantação das técnicas de plantio direto, na década de 1970, e os sistemas integrados (ILP e ILPF), a partir de 1990. “E o grande diferencial daqui pra frente, para o futuro da nossa agricultura, vai ser a agricultura 4.0, a agricultura digital. Acredito que o Japão tem uma convergência muito grande conosco”, salientou.

A transformação digital no campo vai ser intensiva em uso de grande volume de dados (big data) e analytics, IoT, inteligência artificial, aprendizado de máquina (machine learning), blockchain para rastreabilidade de produtos agropecuários, automação e robótica, e integração de dados, apontou o secretário. “É uma agricultura do Brasil que poucos conhecem, mas que já existe e é uma oportunidade para parceria”, salientou, avaliando que um dos principais desafios é melhorar a conectividade do País.

Clique aqui para acessar fotos do encontro.

Foto: Nadir Rodrigues
 
Nadir Rodrigues (MTb 26.948/SP)
Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (SIRE)

Contatos para a imprensa
informatica-agropecuaria.imprensa@embrapa.br
Telefone: (19) 3211-5747
 
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Cooperativas do sul vêm buscar conhecimento sobre trigo do Cerrado – 13/08/2019

Produtividade do trigo do Cerrado alcança seis toneladas por hectare, frente a 2,8 t/ha da média nacional

Com uma produtividade de seis mil quilos por hectare, enquanto a média nacional é de 2,8 mil, o trigo do Cerrado chama atenção de técnicos e agrônomos do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, estados que tradicionalmente cultivam o grão no País. Inapto para a produção do grão há algumas décadas, o bioma hoje também se destaca pela qualidade do produto que oferece à indústria de panificação.

O aumento expressivo da produtividade, que passou de 2,5 mil quilos por hectare em 1970 para 6 mil quilos em 2016, com a adoção das cultivares desenvolvidas pela Embrapa Cerrados (DF), centro de pesquisa que possibilitou a implantação das lavouras na região, foi um dos pontos apresentados pelo pesquisador Julio Albrecht aos 24 representantes da região Sul ligados à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

“O Cerrado tem recorde de produtividade no Brasi e hoje é a terceira maior região produtora do Brasil, com cerca de 450 mil toneladas em 2017. E ainda temos os trigos de melhor qualidade para panificação do País, em função da genética que conseguimos e também das condições climáticas daqui”, garante o pesquisador.

Albrecht explica que esse resultado é fruto do trabalho de melhoramento genético, iniciado na década de 1970, a partir de variedades trazidas do sul do Brasil e do Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo (Cimmyt), do México, aliado ao clima diferenciado da região. Isso porque a colheita do grão em período de seca garante a qualidade industrial da produção, o que não ocorre nos estados do Sul.

O desafio da pesquisa foi justamente esse – desenvolver cultivares adaptadas à região do Cerrado. Além desse objetivo, os pesquisadores conseguiram ainda agregar às variedades uma força de glúten que as transformaram nas preferidas pela indústria de panificação. O pesquisador apresentou os diferenciais de algumas cultivares desenvolvidas pela Embrapa Cerrados, como a BRS 264, mais plantada na região, indicada para lavouras de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal, onde alcança produtividades de oito mil quilos por hectare, respectivamente. Ela é de ciclo super precoce, com desenvolvimento em 105 dias, e recomendada para plantio no sistema de produção integrado.

Outro ponto abordado por Albrecth foi a ausência de toxinas na farinha de trigo produzida no Cerrado do Brasil Central, porque nessa região não ocorre uma doença causada por fungo, chamada giberela, responsável por essa toxina. E mais uma vez o trigo produzido no Cerrado leva vantagem: “Nós somos livres dessa toxina. A nossa farinha é produzida dentro dos níveis internacionais, com quase zero da toxina produzida por esse fungo. Essa é outra grande vantagem no Cerrado do Brasil Central, produzir um trigo sem essas toxinas que são prejudiciais à saúde em determinados níveis”.

Sistemas integrados como opção
Aos integrantes da OCB o pesquisador Lourival Vilela abordou o uso de sistemas integrados, especialmente de lavoura e pecuária, como tecnologia capaz de aumentar a produtividade das áreas agrícolas. Ele falou da necessidade de os produtores rurais cuidarem dos pastos e realizarem os manejos adequados para garantir a sustentabilidade dos sistemas.

Vilela mostrou resultados de diferentes experimentos realizados no Centro-Oeste, com ênfase nos resultados obtidos em termos de produtividade. Em uma das propriedades onde foi implantado o sistema lavoura-pecuária, foram alcançadas as seguintes rentabilidades por hectare: soja – R$ 1.902,56; milho de verão – R$ 2.411,17; feijão – R$ 1.015,46; milho e gado – R$ 4.415,17; soja e gado – R$ 3.605,56.

Além de maior lucro, o pesquisador apresentou outras vantagens obtidas pelos sistemas integrados, como a intensificação do uso de mão de obra e maquinário. “A lavoura de soja ocupa apenas 42% do tempo das máquinas da propriedade. Já com o ILPF, os empregados e as máquinas ficam ocupadas 92% do tempo, praticamente o ano inteiro”, ressalta. Além disso, há uma melhoria já comprovada da qualidade química, física e biológica do solo com a implantação de pastagem nas lavouras.

A opção se mostrou interessante para os cooperados. “Conhecemos um pouco da tecnologia que é utilizada aqui para ver o que conseguimos extrair e levar para a nossa região, principalmente na questão relacionada ao manejo. Da própria palestra do Vilela, achei muito interessante o manejo da integração pecuária e agricultura. É isso o que temos que buscar, essa adaptação da realidade do Cerrado para a nossa realidade climática, os manejos diferenciados e a adaptação para o nosso nicho de mercado”, explica Leonardo Mafinni, gerente regional sul da Coperativa Agrícola Mista General Osório (Cotribá), de Ibirubá (RS). 

Jeferson Muhl, da Cooperativa dos Agricultores de Chapada (Coagril), também no Rio Grande do Sul, ressaltou a importância de buscar novos conhecimentos para melhorar seus trabalhos. “Nós viemos para conhecer uma outra realidade diferente da nossa. O conhecimento é muito importante e vimos muitas coisas proveitosas para usarmos lá”, afirma.

As palestras dos pesquisadores da Embrapa fazem parte da Capacitação na Cadeia Produtiva de Cereais de Inverno, organizada pelo Sistema OCB. A programação dos dias 6 e 7 de agosto incluiu ainda visitas técnicas a duas cooperativas, Cooperativa Agropecuária do Distrito Federal (Coopa-DF) e Cooperativa Agropecuária e Industrial (Cocari), em Cristalina (GO), para conhecer as lavouras, o moinho e o trabalho dessas instituições.

 

Foto: Fabiano Bastos
 
Juliana Miura (MTb 4563/DF)
Embrapa Cerrados

Contatos para a imprensa
cerrados.imprensa@embrapa.br
Telefone: (61) 3388-9945
 
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

 

{gallery}noticia2{/gallery}

Embrapa apresenta realidade aumentada com Integração Lavoura-Pecuária-Floresta na Expojuruá – 29/08/2019

Durante a Expojuruá 2019, o público terá a chance de vivenciar e conhecer as diversas etapas do sistema integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF). Por meio de realidade virtual, a tecnologia agropecuária será a atração no estande da Embrapa Acre. A feira acontece entre 29 de agosto e 1º de setembro, na avenida Mâncio Lima, em Cruzeiro do Sul (AC).

Com ajuda de óculos especial, os visitantes passarão por quinze estações que possibilitam a observação do processo de transformação de uma área degradada em produtiva e sustentável. “Esse tipo de instrumento é ótimo para as pessoas compreenderem a importância do iLPF. A experiência com a realidade aumentada vai mostrar desde a correção do solo para implantação de cultivos agrícolas, até a entrada do gado em uma pastagem reformada e o plantio de árvores”, comenta Priscila Viudes, analista de comunicação da Embrapa Acre.

O público também poderá conhecer os benefícios do sistema iLPF como o aprofundamento de raízes, descompactação do solo, ciclagem de nutrientes, conforto térmico e mitigação das emissões de gases de efeito estufa. Todo o percurso é acompanhado por um áudio explicativo, em português ou inglês. A tecnologia virtual é uma adaptação do aplicativo “Maquete virtual de ILPF em realidade aumentada”, lançado em 2017 pela Rede ILPF, que tem a participação de instituições de pesquisa das diferentes regiões, incluindo a Embrapa.

A realidade aumentada da integração Lavoura-Pecuária-Floresta foi um dos destaques na edição da Expoacre em Rio Branco, com cerca de 600 visitantes. A ação conta também com o apoio do Projeto Integrado da Amazônia, executado por meio do Fundo Amazônia, iniciativa gerenciada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

 

Foto: Fabiano Estanislau

 
Fabiano Estanislau (Mtb 453/AC) 
Embrapa Acre 

Contatos para a imprensa 
acre.imprensa@embrapa.br 
Telefone: 68 3212-3262

Diva Gonçalves (Mtb-0148/AC) 
Embrapa Acre 

Contatos para a imprensa 
acre.imprensa@embrapa.br 
Telefone: 68 3212-3250
 
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Dia de Campo para assessores aproxima parlamento da ciência – 28/08/2019

“Na vida do cidadão brasileiro é impossível ele não consumir pelo menos uma tecnologia da Embrapa por dia. Ao acordar, ao tomar um copo de leite, uma xícara de café, ao comer um pão, há tecnologia da Embrapa”, destacou o diretor-executivo de Inovação e Tecnologia, Cleber Soares. Foi com esse objetivo, divulgar o impacto da ciência agropecuária para a sociedade, que no dia 23 foi realizado um Dia de Campo para assessores parlamentares na Embrapa Cerrados (DF). O encontro faz parte de um conjunto de ações para promover maior aproximação da Empresa com o parlamento.

Este foi o primeiro encontro voltado para assessores parlamentares e a expectativa é que outros centros de pesquisa promovam ações semelhantes em seus estados, convidando parlamentares e assessores técnicos para visitas a seus laboratórios e áreas de cultivos experimentais. “Os assessores parlamentares são profissionais de grande importância estratégica, pois fazem a ponte entre a ciência, a sociedade e o parlamento”, enfatizou o diretor, na abertura do evento.

Além de assessores parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, estiveram presentes no evento representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e de instituições com atuação no agronegócio brasileiro, entre elas, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Syngenta Brasil, além de representações dos governos estaduais em Brasília, como a do Estado do Maranhão.

Essa foi a primeira vez que Luiz Guilherme de Medeiros, assessor do deputado federal e presidente da Frente Parlamentar de Bioeconomia, Paulo Ganime (Novo, RJ), visitou um centro da Embrapa e acredita ser muito válida essa aproximação: “No momento em que estamos discutindo fortemente a questão da sustentabilidade, das queimadas na Amazônia, é importante dar conhecimento, tanto para o parlamento quanto para a sociedade, às pesquisas que a Embrapa está desenvolvendo para aumentar a produtividade agrícola e a sustentabilidade do trabalho do produtor brasileiro”. Medeiros afirmou que eventos como esse oferecem informações para que os assessores parlamentares entendam como podem ajudar a Empresa no processo legislativo e a agropecuária brasileira a se desenvolver melhor.

Ao receber os convidados, o diretor da Embrapa falou sobre a importância das tecnologias da Embrapa para o Brasil. “Nossas pesquisas contribuíram para aumentar a exportação de carne. Para se ter ideia do volume do produto, um em cada três bifes comercializados no mundo é produzido no Brasil”, destacou, citando ainda outros dados, como o fato de 97% da cevada produzida do País ter tecnologia da Embrapa.  Os resultados, segundo o diretor, mostram a importância de se investir em ciência, tecnologia e inovação na agricultura. “Isso muda a vida de um País”, destacou.

Soares lembrou que, em sua trajetória, a Embrapa fez com que o país mudasse de importador de alimentos para um dos maiores exportadores no mundo. “Neste ano vamos fechar a nossa produção de grãos com 240 milhões de toneladas. Somos um país que tem segurança e superávit alimentar, com uma agricultura baseada em mais de 300 cultivos, exportados para mais de 180 países no mundo inteiro, de grãos à carne, passando pelo leite e outros produtos. Somos um importante player na agricultura mundial”.

O diretor afirmou que isso se deu a partir de investimentos em ciência, tecnologia e inovação. Até há um tempo, segundo Soares, o cidadão brasileiro usava 56% do salário mínimo para comprar a cesta básica, atualmente ela custa em torno de 15% do salário mínimo. E finaliza: “A Embrapa ainda é uma Empresa jovem, com 46 anos de idade, que já fez muito pelo país e ainda pode fazer mais”.

Outro exemplo clássico da contribuição da ciência para o agronegócio foi a conquista da região central do Brasil, que até então era considerado uma terra inóspita e improdutiva. Para o chefe-geral da Embrapa Cerrados Cláudio Karia, o centro de pesquisa teve um papel essencial nesse processo. Segundo ele, os conhecimentos gerados, aliados à produção de novas cultivares, viabilizaram a produção do bioma. “Várias tecnologias e produtos desenvolvidos em nossos laboratórios viabilizaram a agricultura no Cerrado e graças a isso temos hoje uma agricultura bastante competitiva no mundo”, destacou.

Tecnologias em destaque
Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer melhor a atuação da Embrapa no país e, em especial, três importantes pesquisas relacionadas à conservação ambiental e à redução do uso de agrotóxicos: o WebAmbiente, sistemas de integração e tecnologias para o uso sustentável do solo.

O WebAmbiente, plataforma desenvolvida para ajudar os agricultores na adequação ambiental da propriedade rural para atender às exigências do Código Florestal Brasileiro, foi apresentado pelo pesquisador Felipe Ribeiro. Nele, estão contidas tecnologias desenvolvidas pela Embrapa para uso na adequação florestal. “Temos 90% dos imóveis rurais como propriedades de pequenos agricultores. Precisamos ter tecnologia para que esses imóveis possam se adequar à lei”.

A plataforma propõe, com base nas informações fornecidas pelos produtores, recomendações para preparo do solo, sistemas de recomposição mais adequados de acordo com a localização do imóvel rural e do seu estádio de degradação, e uma lista de espécies nativas que podem ser usadas na propriedade.

“Quando o produtor tem acesso à lista de opções de espécies florestais recomendadas para sua propriedade, para cada espécie há informações detalhadas sobre seu sistema de produção. Esse com certeza é o maior banco de espécies nativas que existe no planeta. É um produto que só nós, Brasil, temos e que nos diferencia dos outros países”, enfatiza o pesquisador.

O chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Cerrados, Marcelo Ayres, chama atenção para outro componente, o econômico. “O processo de recomposição florestal tem um custo enorme. Existem entre 15 e 17 milhões de hectares para serem reflorestados. A um custo mínimo de R$ 350 por hectare para semeadura direta, o valor a ser gasto ultrapassa R$ 5,2 trilhões. Quem vai pagar essa conta?”, reflete.

Ribeiro apresenta a questão para os assessores parlamentares presentes. Atualmente, o produtor rural recebe apenas pelos produtos que gera – grãos, carnes e fibras. “Qual é o ganho econômico que os sistemas de restauração vão gerar? Como podemos remunerar o produtor rural pela qualidade da água que ele oferta, pela saúde do solo e das pessoas, pelo sequestro de carbono?”, provoca. A questão do pagamento por serviços ambientais é uma pauta que está no Congresso Nacional para garantir o equilíbrio do sistema de produção, tanto ambiental como econômico.

Keide Lacerda, assessora parlamentar do senador Vanderlan Cardoso (PP, GO), presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado Federal, presente no Dia de Campo, defende que a Embrapa precisa dar maior visibilidade ao seu trabalho frente à Câmara e ao Senado Federal: “É importante os assessores e os parlamentares irem aos locais para verificar o trabalho que tem sido feito, assim como o de outros órgãos, empresas públicas e autarquias. Esse conhecimento ao qual tivemos acesso hoje é muito válido”. A assessora defende ainda que não haja cortes para a ciência: “Não há desenvolvimento sem inovação, não há desenvolvimento sem investimento. O Ministério da Ciência e Tecnologia, juntamente com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tem que mostrar o trabalho que a Embrapa faz”, completa.

Para Giovanna Turquino Simões, chefe da Assessoria Parlamentar do Mapa, o evento foi muito produtivo, pois permitiu aos participantes conhecerem melhor as pesquisas da Empresa. “Eventos deste tipo colaboram com a consolidação da imagem da Embrapa como uma das grandes impulsionadoras do agro brasileiro”, afirmou.

Sistemas de integração
Na estação sobre Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), o pesquisador Lourival Vilela destacou que que na década de 1970 a exploração do Cerrado era baseada na pecuária e na abertura de áreas para o plantio de arroz consorciado com capim braquiária. “Só que a agricultura deslanchou na região, graças a uma série de tecnologias de manejo e correção da fertilidade do solo, e a pecuária começou a ficar para trás em termos de inserção de tecnologias. Com a pesquisa em recuperação de pastagens, vieram os trabalhos com rotação lavoura-pastagem”, lembrou.

O experimento da Embrapa mais antigo em Integração Lavoura-Pecuária (ILP) atualmente está localizado na Embrapa Cerrados e foi implantado em 1991, com foco na intensificação do uso da área. “Hoje, podemos praticamente dobrar a produção de grãos no Cerrado sem a necessidade de desmatar um palmo de vegetação, simplesmente introduzindo um sistema desse nessas áreas, começando pela rotação”, explicou.

Segundo o pesquisador, nas fazendas que têm feito ILP, o número de animais por hectare aumentou de três a três vezes e meia em relação ao sistema de pastagens de baixa produtividade, permitindo produção de grãos e uma pecuária com ganhos. Os animais criados a pasto, no período da seca, chegam a ganhar até 1,5 kg/dia. “Aproveitamos esse sinergismo não só do ponto de vista da produção como também com foco na melhoria das propriedades do solo. Comparada ao sistema tradicional, a ILP quase dobra os estoques de carbono”, disse, acrescentando que em algumas situações tem sido possível reduzir em 20% o uso de adubo na propriedade graças à ciclagem de nutrientes no solo promovida pelo sistema.

Saúde do solo
O Dia de Campo foi finalizado na estação sobre uso sustentável do solo, apresentado pela pesquisadora Ieda Mendes. Ela relembrou as revoluções pelas quais passou a agricultura brasileira com a participação da Embrapa, sendo a primeira a construção da fertilidade do solo do Cerrado, iniciada na década de 1970, a partir de recomendações geradas pela pesquisa.

“O Brasil foi o primeiro país do mundo a fazer agricultura em solos inférteis. Nossa agricultura tropical é única, foi um processo disruptivo que mudou a cara do País”, comentou. Outra marca apontada foi o desenvolvimento de inoculantes com estirpes de rizóbios (bactérias fixadoras de nitrogênio) para a soja, que proporcionou uma economia para o Brasil de US$ 19 bilhões em 2018 em adubos nitrogenados, valor cerca de quatro vezes o orçamento anual da Embrapa.

A última revolução se deu a partir dos anos 2000, com a intensificação sustentável, como o sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. Com a introdução do Sistema Plantio Direto, técnica preservacionista adotada em 12 milhões de hectares, e o cultivo de braquiária em consórcio com a lavoura de grãos, houve uma mudança de foco para além da produtividade de grãos e carne, vislumbrando-se solos, plantas, animais e pessoas saudáveis. “A saúde do solo está muito ligada à qualidade ambiental. Solos saudáveis sequestram mais carbono, armazenam mais água, emitem menos gases de efeito estufa e reduzem o tempo de persistência dos pesticidas”, apontou a pesquisadora.

Ieda citou o exemplo de experimento da Fundação Mato Grosso, que comparou uma área com soja em monocultivo e outra com soja plantada após braquiária. Na safra 2013/2014, quando ocorreu um veranico, enquanto o monocultivo de soja produziu 29 sacos, a soja após a braquiária produziu 59 sacos por hectare, apesar de os solos serem quimicamente semelhantes nas duas áreas.

Com o resultado da bioanálise, que mede a atividade biológica do solo, foi solucionada a questão. “Verificamos que o solo com braquiária tinha muito mais atividade enzimática que o outro. Ou seja, havia um solo de baixíssima qualidade biológica (na soja monocultivo) e um solo saudável (soja após braquiária). Numa condição de estresse hídrico, o solo saudável teve uma tolerância muito melhor”, afirmou.

Ieda informou que a partir a safra 2019/2020 os laboratórios vão incluir a bioanálise nas análises de solo. “Pela primeira vez, o agricultor vai saber como está, de verdade, a saúde do seu solo. Somos o primeiro país do mundo a colocar esse parâmetro nas análises de solo”, destacou. Essa informação será um estímulo para quem está fazendo o manejo correto do solo e um alerta para o produtor que o está manejando de forma inadequada, convencendo-o a mudar de estratégia.

A pesquisadora finalizou a apresentação destacando a importância de instituições públicas de ciência: “Pesquisar a saúde do solo e sistemas de manejo que maximizem o sequestro de carbono e o armazenamento de água, por exemplo, só acontece realmente numa empresa de pesquisa pública como a Embrapa”.

Érico Leonardo Feltrin é servidor concursado da Câmara dos Deputados e atua como consultor legislativo na área de agricultura e política rural. Na função, ele escreve justificativas de projetos de lei, que precisam ser bem fundamentadas para dar credibilidade à proposta. Feltrin diz que durante a visita à Embrapa já teve algumas ideias: “Na questão da análise do solo e aplicação de fertilizantes, o conhecimento que eu tinha estava baseado na aplicação de fertilizante químico, e estou vendo que é uma questão bem mais complexa que envolve a biologia do solo e outras questões”. Por isso ele justifica que foi importante a visita à Embrapa Cerrados e ter um canal aberto com instituições como a Embrapa, que é referência para seu trabalho.

A gerente-adjunta de Relações Institucionais e Governamentais da Embrapa, Cynthia Cury, agradeceu aos visitantes pela participação no Dia de Campo. Ela ainda citou a tramitação, na Câmara e no Senado, de um projeto de lei sobre o pagamento por serviços ambientais. “É uma política pública e vocês estão mais do que nunca convencidos de sua importância. Contem com a Embrapa para a discussão e para subsidiar o trabalho de vocês”, disse aos visitantes.

O chefe-geral da Embrapa Cerrados, Cláudio Karia, encerrou o evento colocando como questão a necessidade de se repensar o papel e as prioridades da Embrapa. “Se não tivéssemos priorizado a soja no passado, não teríamos soja no Cerrado hoje. Acredito que, trabalhando em sintonia com as demandas que a sociedade nos coloca, como sustentabilidade e segurança alimentar, e junto com o governo, podemos viabilizar a nossa agricultura para que ela possa prover alimentos seguros e em quantidade e qualidade para a população, e ainda gerar excedentes. Esse é o propósito de uma empresa pública de pesquisa”, finalizou.

 

Foto: Fabiano Bastos
 
Breno Lobato (MTb 9417-MG) 
Embrapa Cerrados 

Contatos para a imprensa 
cerrados.imprensa@embrapa.br 
Telefone: (61) 3388-9945

Juliana Miura (MTb 4563/DF) 
Embrapa Cerrados 

Maria Clara Guaraldo (MTb 5027/MG) 
Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire) 

 
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/